Fisioterapia na dismenorreia primária: revisão de literatura* * Recebido da Universidade de Pernambuco, Petrolina, PE, Brasil.

Laís Rodrigues Gerzson Juliana Falcão Padilha Melissa Medeiros Braz Andriele Gasparetto Sobre os autores

Resumos

BACKGROUND AND OBJECTIVES:

Dysmenorrhea is a word derived from the Greek language and means difficult menstrual cycle. It may be classified as primary, leading to poorer quality of life indices of several women. This study aimed at investigating, by means of literature review, the efficacy and accuracy of existing therapies for primary dysmenorrhea, specifically in Physiotherapy.

CONTENTS:

Narrative literature review by querying electronic databases Medline, Scielo, Lilacs, Cochrane library, PEDro and Pubmed), where articles were selected and analyzed from August 2013 to February 2014. For data collection, materials from 2005 to current literature were included using the following keywords: “dysmenorrhea”, “physiotherapy” and their Portuguese equivalent “dismenorreia” and “fisioterapia”, combining them with the operators AND and OR.

CONCLUSION:

Studies were found describing the use of thermotherapy, cryotherapy, transcutaneous electric nerve stimulation and connective tissue massage, Pilates and acupuncture with improvement of such women's symptoms. However, it is clear the need for studies regarding physiotherapeutic maneuvers with further methodological rigor.

Dysmenorrhea; Physiotherapy; Woman's health


JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS:

Dismenorreia é uma palavra derivada do grego e significa fluxo menstrual difícil. Pode ser classificada como primária, causando diminuição dos índices de qualidade de vida de muitas mulheres. O objetivo deste estudo foi investigar, por meio de uma revisão bibliográfica, a eficácia e acurácia de tratamentos existentes para dismenorreia primária, especificamente na Fisioterapia.

CONTEÚDO:

Revisão bibliográfica narrativa, por meio da busca em bases de dados eletrônicas (Medline, Scielo, Lilacs, biblioteca Cochrane, PEDro e Pubmed), com artigos selecionados e analisados durante o periodo de agosto de 2013 à fevereiro de 2014. Para a coleta foram incluídos materiais de 2005 até a literatura atual com os seguintes descritores: “dysmenorrhea”, “physiotherapy” e seus equivalentes em português “dismenorreia” e “fisioterapia” combinando-os com os operadores “AND” e “OR”.

CONCLUSÃO:

Encontraram-se trabalhos que descreveram a utilização dos recursos da termoterapia, crioterapia, eletroestimulação elétrica neural transcutânea e massagem do tecido conjuntivo, Pilates e acupuntura, com resultados que apresentam melhoras na sintomatologia dessas mulheres. No entanto, tornase evidente a necessidade do desenvolvimento de estudos referentes às manobras fisioterapêuticas com maior rigor metodológico.

Dismenorreia; Fisioterapia; Saúde da mulher


INTRODUÇÃO

A menstruação é um sangramento genital periódico e temporário, estendendo-se da menarca à menopausa1Brown J, Brown S. Exercise for dysmenorrhoea. Obstet Gynecol. 2010;116(1):186-7.. Além disso, é característica dos primatas e conceituada como hemorragia uterina cíclica dependente de desintegração e esfoliação do endométrio que incide aproximadamente em um ciclo normal de 21 a 45 dias, com 2 a 6 dias de fluxo e uma perda sanguínea média de 20 a 60mL, normalmente com duração de 40 anos2Silva FC, Mukai LS, Vitalle MS. Prevalência de dismenorréia em pacientes avaliadas no centro de atendimento e apoio ao adolescente da Universidade Federal de São Paulo. Rev Paul Pediatr. 2004;22(2):85-8..?

Já a dismenorreia é uma dor pélvica ou abdominal inferior, cíclica ourecorrente, associada à menstruação. É a queixa ginecológica mais comum em mulheres jovens, com uma prevalência que varia entre 43 e 93%3Rodrigues AC, Gala S, Neves A, Pinto Conceição, Meirelles C, Frutuoso C, et al. Dismenorreia em adolescentes e jovens adultas, Acta Med Port. 2011;24(2):383-92.. De acordo com a intensidade dos sintomas, é também uma causa importante de absentismo escolar ou laboral4Barcelos PR, Conde DM, Deus JM, Martinez EZ. Qualidade de vida de mulheres com dor pélvica crônica: um estudo de corte transversal analítico. Rev Bras Ginecol Obstet. 2010;32(5):247-53..

O termo dismenorreia é advindo do grego com significado de fluxo menstrual difícil, sendo uma das afecções ginecológicas mais frequentes com maior ou menor intensidade, durante o período menstrual5Motta EV, Salomão AJ, Ramos LO. Dismenorreia. Rev Bras Ginecol Obstet. 2000;57(5):369-86..

De acordo com sua forma clínica, a dismenorreia primária (DP) tem como característica a ausência de anormalidade estrutural visível ou qualquer doença pélvica ginecológica e é o tipo mais comumente diagnosticado entre as adolescentes3Rodrigues AC, Gala S, Neves A, Pinto Conceição, Meirelles C, Frutuoso C, et al. Dismenorreia em adolescentes e jovens adultas, Acta Med Port. 2011;24(2):383-92.. A dismenorreia funcional coincide com o início dos ciclos ovulatórios e regulares, o que costuma ocorrer com maior frequência cerca de dois anos após a menarca3Rodrigues AC, Gala S, Neves A, Pinto Conceição, Meirelles C, Frutuoso C, et al. Dismenorreia em adolescentes e jovens adultas, Acta Med Port. 2011;24(2):383-92.. Um dos seus principais sintomas é a dor no baixo ventre ou na região lombar, acompanhada de outros sintomas como náuseas, vômitos, cefaleia e diarreia6Barbosa IC. Comparação da eficácia e segurança de valdecoxibe e piroxicam no tratamento da dismenorréia primária. Rev Bras Med. 2007;64(7):318-22.. A dor pode diminuir após o ciclo gravídico puerperal e, devido a isso, sugere-se que em tais pacientes o istmo uterino é hipertônico, resultando em retenção temporária de resíduos do fluxo menstrual (o que causa pressão nessa área altamente inervada). Cerca de 50 a 70% das mulheres apresentam sintomas de dismenorreia em algum momento da vida, sendo que aproximadamente 10% se tornam incapazes de desenvolver suas atividades habituais3Rodrigues AC, Gala S, Neves A, Pinto Conceição, Meirelles C, Frutuoso C, et al. Dismenorreia em adolescentes e jovens adultas, Acta Med Port. 2011;24(2):383-92.. Vários tratamentos são propostos para a dismenorreia e incluem o uso de anti-inflamatórios não hormonais (AINH), anticoncepcionais orais, vitaminas e agentes tocolíticos1Brown J, Brown S. Exercise for dysmenorrhoea. Obstet Gynecol. 2010;116(1):186-7.. Outra opção de tratamento envolve a prática de atividades físicas, pois nota-se melhora no funcionamento dos órgãos pélvicos e extrapélvicos por adequar

o metabolismo, o equilíbrio hidroeletrolítico, as condições hemodinâmicas e o fluxo sanguíneo, promovendo assim um fenômeno chamado de analgesia pelo exercício físico que, por meio de mecanismos endógenos e de liberação de opioides endógenos, aumenta o limiar de dor7Quintana LM, Heinz LN, Portes LA, Alfieri FM. Influência do nível de atividade física na dismenorreia. Rev Bras Ativ Física Saúde. 2010;15(2):101-4.,8Diegoli MS, Diegoli CA, Fonseca AM. Dismenorréia. RBM. 2007;64(3):81-7..

A fisioterapia pode oferecer uma diversidade de recursos terapêuticos que visam diminuir ou eliminar a dor de maneira prática e econômica podendo, inclusive, desfazer as associações negativas que rondam esse período promovendo melhor qualidade de vida9Portal C, Honda S. Protocolo fisioterapêutico aplicado em mulheres que apresentam dismenorréia primária. Universidade da Amazônia. Centro de Ciências Biológicas e da Saúde. Belém; 2006. 1-61p., por meio da utilização de algumas modalidades analgésicas como exercícios terapêuticos (cinesioterapia), eletroterapia e massagem terapêutica1010 Fae AP, Hedioneia MF. Efeitos da massagem do tecido conjuntivo e cinesioterapia no tratamento da dismenorréia primária. Fisioter Brasil. 2010;11(2):1-2.. Diante do exposto, o objetivo deste estudo foi investigar, por meio de uma revisão bibliográfica, a eficácia e acurácia de tratamentos existentes para DP, especificamente na Fisioterapia.

CONTEÚDO

Foi realizada uma revisão bibliográfica narrativa, na qual os estudos foram identificados através da busca nas bases de dados eletrônicas Medline, Scielo, Lilacs, Cochrane, PEDro e Pubmed, durante os meses de agosto de 2013 a fevereiro de 2014. Selecionou-se para análise materiais de 2005 até o que a literatura atual apresenta.

Os artigos foram localizados utilizando os seguintes termos: "dysmenorrhea", "physiotherapy" e seus equivalentes em português "dismenorreia" e "fisioterapia", combinando-os com os operadores "AND" e "OR". Critérios de inclusão do estudo: (1) artigos apresentados com texto na íntegra; (2) escritos em português ou inglês; (3) publicados entre 2005 e 2014; (4) que abordassem a fisioterapia e/ou outras terapias complementares como modalidade de tratamento da dismenorreia. Não houve restrições quanto à amostra para maximizar os resultados da pesquisa. Foram excluídos do estudo (1) monografias; (2) artigos de revisão; (3) anais de eventos; (4) dissertações e teses; (5) estudos farmacológicos ou que abordassem somente esse aspecto na dismenorreia; (6) estudos que abordassem a dismenorreia secundária; (7) estudos fora do período do estudo e (8) estudo com animais.

A busca bibliográfica resultou em 210 artigos (189 no PubMed, 7 no Cochrane, 4 no Scielo, 10 no Lilacs, zero no PEDro, zero no Medline). Após a leitura, foram excluídos 186 artigos que não contemplavam o período estipulado ou o tema proposto e 10 artigos repetidos, portanto restaram 15 artigos que apresentam seus principais resultados natabela 1.

Tabela 1
Descrição dos textos selecionados

De uma maneira geral, a revisão realizada pela prática da terapêutica da Medicina Tradicional Chinesa (MTC), acupressão e acupuntura, demonstrou em seus resultados uma melhora nos sintomas de dor da dismenorreia. Os demais recursos como massagem no tecido conjuntivo, no meridiano abdominal (Kyongrak), utilização da eletroestimulação elétrica neural transcutânea (TENS), pilates, e dança do ventre, demonstraram o quão são benéficos para a dor nas pacientes com dismenorreia.

Atualmente, em se tratando de ginecologia, estudos têm discutido formas terapêuticas para minimizar o desconforto, principalmente no caso de dismenorreia primária, porém quando se pensa em tratamento, os analgésicos são a primeira linha no manuseio da dismenorreia primária2626 Doty E, Attaran M. Managing primary dysmenorrhea. J Pediatr Adolesc Gynecol. 2006;19(5):341-4.. Esses agem pela redução da atividade da via da ciclo-oxigenase, inibindo a síntese de prostaglandinas. Há estudos que mostram que os AINH melhoram de 17 a 95% das queixas de mulheres, sendo seus paraefeitos gastrointestinais geralmente toleráveis, devendo ser evitados em mulheres com risco para desenvolvimento de úlcera2727 Proctor M, Farquhar C. Diagnosis and management of dysmenorrhoea. BMJ. 2006;332(7550):1134-8.. Todavia, os AINES atuam somente durante a crise álgica, proporcionando alívio imediato da dor com conotação paliativa e de emergência, podendo assim, se repetir a cada menstruação2828 Brito SA, Marques CC, Alves DS, Alexandre AC. Prevalence of dysmenorrhea in undergraduate health courses at an institution of higher education. Rev Enferm UFPE on line. 2012;6(6):1386-94..

Porém, algumas mulheres não podem fazer uso dessa terapia convencional e outras não respondem (10 a 20%)2929 Giraldo IP, Eleutério Júnior J, Linhares IM. Como diagnosticar e tratar dismenorréia. Rev Bras Med. Ed. Moreira Jr 2006;6:164-8.. Associado a isso, as brasileiras se automedicam, utilizando práticas caseiras ou farmacológicas, seguindo a prescrição de pessoas não habilitadas como vizinhas, amigas, ou mesmo a mídia escrita, televisiva ou falada3030 Yáñez, N, Bautista RS, Ruiz SJ, Ruiz AM. Prevalencia y factores asociados a dismenorrea en estudiantes de ciencias de la salud. Rev Cienc Salud. 2010;8(3):37-48., o que pode gerar um problema de saúde pública.

No entanto, outros tratamentos podem ser utilizados ou associados ao farmacológico, como a Fisioterapia, que vem mostrando resultados satisfatórios entre as mulheres com essa disfunção. Existem recursos fisioterapêuticos para diminuir a gravidade dos sintomas da dismenorreia primária ou até mesmo para eliminar a dor. Entre eles, destacam-se as terapias mais utilizadas: termoterapia e crioterapia; massagem no meridiano abdominal (Kyongrak); cinesioterapia; massagem do tecido conjuntivo (MTC); TENS; corrente interferencial; acupuntura; acupressão; terapia de acupressão meridiano colateral (CMAT); pilates; auriculoterapia.

O Pilates tem se mostrado eficaz para os casos de dismenorreia primária, como demonstra o estudo feito por Araujo et al.2323 Araújo LM, Silva JM, Bastos WT, Ventura PL. Diminuição da dor em mulheres com dismenorreia primária, tratadas pelo método Pilates. Rev Dor. 2012;13(2):119-23.com 10 mulheres, com idades entre 18 e 30 anos que foram submetidas ao protocolo de 16 exercícios baseados no método Pilates, de solo e bola, voltados para a região pélvica. Os autores evidenciaram redução significativa na intensidade da dor relatada pelas participantes devido ao aumento da circulação sanguínea, à correção de desequilíbrios musculares e posturais e à recuperação da vitalidade do corpo e da mente3131 Gladwell V, Head S, Haggar M. Does a program of Pilates improve chronic non-specific low-back pain? J Sport Rehabil. 2006;15:338-50..

A termoterapia também foi outro recorrente tratamento para esse tipo de disfunção. O frio e o calor são recursos capazes de diminuir ou eliminar a dor de maneira prática e econômica, através dos efeitos fisiológicos que podem produzir no organismo quando aplicados diretamente ao corpo1616 Araújo IM, Leitão TC, Ventura PL. Estudo comparativo da eficiência do calor e frio no tratamento da dismenorreia primária. Rev Dor. 2010;11(3):218-21.. A rapidez do efeito do frio sobre a dor sugere que a diminuição da temperatura pode agir como outro estímulo sensorial no mecanismo de comportamento da dor, e como os estímulos de frio são bastante intensos, podem levar à liberação de endorfinas e encefalinas. À medida que a temperatura da pele diminui,

o estímulo para a produção de calor intensifica o mecanismo3131 Gladwell V, Head S, Haggar M. Does a program of Pilates improve chronic non-specific low-back pain? J Sport Rehabil. 2006;15:338-50..

A TENS é uma das modalidades mais simples da eletroterapia, sendo um valioso recurso físico para o alívio sintomático da dor, seja ela proveniente de lesões agudas ou crônicas3232 Schulz AP, Chao BC, Gazola F, Pereira GD, Nakanishi KM, Kunz RI, et al. Ação da estimulação elétrica nervosa transcutânea sobre o limiar de dor induzido por pressão. Rev Dor. 2011;12(3):231-4.. É um método alternativo, não invasivo, não tóxico, tendo como principal vantagem não apresentar efeitos colaterais3333 Walsh DM, Howe TE, Johnson MI, Sluka KA. Transcutaneous electrical nerve stimulation for acute pain. Cochrane Database Syst Rev. 2009;15(2)CD006142.. Oliveira et al.3434 Oliveira RG, Silva JC, Almeida AF, Araújo RC, Pitangui AC. TENS de alta e baixa frequência para dismenorreia primária: estudo preliminar. Conscientiae Saúde. 2012;11(1):149-58. avaliaram a eficácia da TENS de alta e baixa frequência em mulheres com dismenorreia primária de intensidade moderada a grave. A dor menstrual foi mensurada por meio da Numeric Rating Scale (NRS), variando de zero a 10, antes e logo após a intervenção em todos os grupos. Na avaliação inicial, os grupos foram homogêneos, não apresentando diferença significativa no escore da dor (p=0,875). A partir da análise intragrupo dos dados da NRS antes e após a TENS, observou-se, nos grupos TENS alta frequência (TAF) e TENS baixa frequência (TBF), diferença significativa (p=0,038; p=0,008). Entretanto, no grupo TENS placebo (TP) não houve diferença (p=0,346). Na análise intergrupo, não foi verificada diferença significativa entre os grupos na comparação da primeira com a segunda avaliação (p=0,267). Portanto a TAF e TBF foram eficazes para o alívio da dor, sendo de facil aplicação, confortável e sem efeitos adversos. As propostas terapêuticas que vêm cada vez mais sendo utilizadas pelos profissionais habilitados derivam da MTC, como a acupuntura, acupressão e auriculoterapia. Estudos2121 Liu CZ, Xie JP, Wang LP, Zheng YY, Ma ZB, Yang H, et al. Immediate analgesia effect of single point acupuncture in primary dysmenorrhea: a randomized controlled trial. Pain Med. 2011;12(2):300-7.,2525 Yeh ML, Hung YL, Chen HH, Wang YJ. Auricular acupressure for pain relief in adolescents with dysmenorrhea: a placebo-controlled study. J Altern Complement Med. 2013;19(4):313-8. demonstraram melhora do quadro álgico de mulheres que sofrem de dismenorreia primária. O estudo de Yu et al.2020 Yu YP, Ma LX, Ma YX, Ma YX, Liu YQ, Liu CZ, et al. Immediate effect of acupuncture at Sanyinjiao (SP6) and Xuanzhong (GB39) on uterine arterial blood flow in primary dysmenorrhea. J Altern Complement Med. 2010;16(10):1073-8.relata que o efeito imediato da acupuntura do ponto Sanyinjiao (SP6) proporciona melhora imediata do fluxo menstrual. A pesquisa de Mirbagher-Ajorpaz, Adib-Hajbaghery e Mosaebi2222 Mirbagher-Ajorpaz N, Adib-Hajbaghery M, Mosaebi F. The effects of acupressure on primary dysmenorrhea: a randomized controlled trial. Complement Ther Clin Pract. 2011;17(1):33-6., que utilizou outra técnica (acupressão no ponto SP6), também evidenciou efeitos positivos na melhora da dor.

Outro aspecto em abordagem de tratamento dessa doença, a dança do ventre, demonstrou aspecto positivo no que diz respeito ao alívio da dor. Isso possivelmente está relacionado à semelhança entre os exercícios realizados na cinesioterapia como: inclinação anterior e posterior da pelve, rotações para frente e para trás, inclinações laterais, elevação e depressão da pelve, além de exercícios de alongamento e respiração. Esses exercícios massageiam os órgãos internos, havendo assim melhora da circulação sanguínea, regulação do metabolismo, conduzindo à melhoria da saúde, beneficiando pernas e órgãos internos2424 Nascimento MS. Efeito terapêutico da dança do ventre em mulheres com queixas sugestivas de dismenorreia primária. Nova Fisio. 2012;15(87)..

Destaca-se também a massagem do tecido conjuntivo, que sugere uma redução da dor menstrual, pois consiste na estimulação cutânea que visa ativar os receptores mecânicos do tecido conjuntivo. Esse estímulo é transmitido pelos nervos sensoriais, por meio dos gânglios simpáticos da medula espinhal, e age soltando os opioides tais como a encefalina na raiz do nervo posterior da medula espinhal, inibindo a transmissão da dor pelas fibras de pequeno diâmetro1919 Reis CA, Hardy E, Sousa MH. Efetividade da massagem do tecido conjuntivo no tratamento da dismenorréia primária em mulheres jovens. Rev Bras Saude Mater Infant. 2010;10(2):247-56..

CONCLUSÃO

Os achados expostos na pesquisa indicam que a Fisioterapia pode ser indicada para o cuidado da mulher com dismenorreia primária por ser uma alternativa de baixo custo e não invasiva. Para isso, se vale de inúmeros recursos terapêuticos como termoterapia, crioterapia, cinesioterapia, TENS e a massagem do tecido conjuntivo, acupuntura, Pilates, dentre outras. As pesquisas revisadas mostram resultados satisfatórios quanto à intervenção da Fisioterapia, embora nem sempre haja o rigor metodológico devido, apontando para a necessidade de mais pesquisas na área.

O número de publicações de técnicas proporcionadas pela Fisioterapia ainda é pequeno, por isso torna-se evidente a necessidade do desenvolvimento de estudos quantitativos, qualitativos, randomizados, controlados, com maior rigor metodológico, referentes às manobras fisioterapêuticas.

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    Recebido da Universidade de Pernambuco, Petrolina, PE, Brasil.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    2014

Histórico

  • Recebido
    06 Maio 2014
  • Aceito
    22 Set 2014
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