RESUMO
Objetivo: Desenvolver vídeos educativos sobre os cuidados com a traqueostomia de adultos e idosos no ambiente domiciliar.
Método: Pesquisa aplicada e metodológica, com produção tecnológica de vídeos educativos, desenvolvida em uma instituição pública de ensino de Minas Gerais, Brasil. Para a validação de conteúdo dos roteiros/storyboards, a população foi constituída de enfermeiros e fisioterapeutas. Para a avaliação dos vídeos, a população foi constituída de cuidadores e adultos/idosos com traqueostomia. A coleta de dados aconteceu em fevereiro e julho de 2024. Foram utilizados os instrumentos Validação de Conteúdo Educacional em Saúde e Suitability Assessment of Materials. Para análise, foram calculados o Índice de Validade do Conteúdo e o Escore de Adequação.
Resultados: Foram desenvolvidos dois vídeos educativos: Higiene e Fixação da Traqueostomia e Aspiração da Traqueostomia, com durações de 5 minutos e 2 segundos e de 6 minutos e 31 segundos, respectivamente. Participaram do estudo 15 profissionais especialistas e nove cuidadores/pacientes. Os roteiros/storyboards obtiveram Índice de Validade do Conteúdo de 0,90, Content Validity Ratio de 0,81, com coeficiente Kappa de 0,71. Os vídeos obtiveram o escore de adequação total de 95 pontos.
Conclusão: Os vídeos apresentaram confiabilidade científica, alta adequação e aceitabilidade. Foram considerados claros, informativos e pertinentes para o cuidado cotidiano do paciente traqueostomizado no ambiente domiciliar.
Descritores:
Traqueostomia; Alta do paciente; Filme e vídeo educativo; Cuidados de enfermagem; Assistência domiciliar
ABSTRACT
Objective: To develop educational videos on tracheostomy care for adults and the elderly in the home environment.
Method: Applied and methodological research, with technological production of educational videos, developed in a public educational institution in Minas Gerais, Brazil. To validate the content of the scripts/storyboards, the population consisted of nurses and physiotherapists. To evaluate the videos, the population consisted of caregivers and adults/elderly people with tracheostomy. Data collection took place in February and July 2024. The following instruments were used: Validação de Conteúdo Educacional em Saúde and Suitability Assessment of Materials. For analysis, the Content Validity Index and the Adequacy Score were calculated.
Results: Two educational videos were developed: Tracheostomy Hygiene and Fixation and Tracheostomy Aspiration, lasting 5 minutes and 2 seconds and 6 minutes and 31 seconds, respectively. Fifteen specialist professionals and 9 caregivers/patients participated in the study. The scripts/storyboards obtained a Content Validity Index of 0.90, Content Validity Ratio de 0.81, with a Kappa coefficient of 0.71. The videos obtained a total adequacy score of 95 points.
Conclusion: The videos showed scientific reliability, high suitability and acceptability. They were considered clear, informative and relevant for the daily care of tracheostomized patients in the home environment.
Descriptors:
Tracheostomy; Patient discharge; Instructional film and video; Nursing care; Home nursing
RESUMEN
Objetivo: Desarrollar vídeos educativos sobre el cuidado de la traqueotomía para adultos y ancianos en el entorno del hogar.
Método: Investigación aplicada y metodológica, con producción tecnológica de videos educativos, desarrollada en una institución educativa pública de Minas Gerais, Brasil. Para validar el contenido de los guiones/storyboards, la población estuvo formada por enfermeras y fisioterapeutas. Para evaluar los videos, la población estuvo conformada por cuidadores y adultos/ancianos con traqueotomía. La recopilación de datos se realizó en febrero y julio de 2024. Se utilizaron los siguientes instrumentos: Validação de Conteúdo Educacional em Saúde y Suitability Assessment of Materials. Para el análisis se calculó el Índice de Validez de Contenido y el Puntaje de Adecuación.
Resultados: Se desarrollaron dos videos educativos: Higiene y Fijación de Traqueostomía y Aspiración de Traqueostomía, con duración de 5 minutos y 2 segundos y 6 minutos y 31 segundos, respectivamente. Participaron del estudio 15 profesionales especialistas y 9 cuidadores/pacientes. Los guiones/storyboards obtuvieron un Índice de Validez de Contenido de 0,90; Content Validity Ratio de 0,81; con un coeficiente Kappa de 0,71. Los vídeos obtuvieron una puntuación total de adecuación de 95 puntos.
Conclusión: Los vídeos demostraron confiabilidad científica, alta idoneidad y aceptabilidad. Se consideraron claros, informativos y relevantes para el cuidado diario del paciente traqueotomizado en el entorno domiciliario.
Descriptores:
Traqueostomía; Alta del paciente; Película y video educativos; Atención de enfermería; Atención domiciliaria de salud
INTRODUÇÃO
O paciente traqueostomizado é assistido por uma equipe de profissionais especializados em ambiente hospitalar, tanto em unidades de terapia intensiva quanto em centros de internação clínica e cirúrgica1. No entanto, o cuidado domiciliar desses pacientes vem se tornando cada vez mais frequente. Pesquisas revelam que, em média, 20% dos pacientes submetidos à traqueostomia recebem alta para o domicílio mantendo o tubo de traqueostomia no local de inserção2.
Duas das razões para essa tendência de desospitalização são o aumento das despesas hospitalares e o esgotamento dos recursos terapêuticos disponíveis no serviço de saúde3. Isso ocorre em função do prolongamento do período de internação devido à cronicidade da condição clínica dos pacientes traqueostomizados2. Além disso, essa realidade pode tornar o indivíduo mais suscetível a infecções nosocomiais e, ainda, acentuar o desconforto causado pelo distanciamento da família2, fatores que também motivam a transição dos cuidados para o ambiente domiciliar.
A alta hospitalar e a transferência dos cuidados para o domicílio podem ser desafiadoras e, muitas vezes, assustadoras para os pacientes traqueostomizados e suas famílias. Nesse contexto, o enfermeiro desempenha papel fundamental, orientando e capacitando-os para o cuidado em casa. Esse processo favorece o aprimoramento do autocuidado e promove autonomia e qualidade de vida para os pacientes4.
No âmbito da educação em saúde, o enfermeiro utiliza diversas estratégias e materiais para garantir a eficácia das intervenções pedagógicas, com vistas à melhoria contínua na assistência aos pacientes e seus familiares. As Tecnologias da Informação e Comunicação, em particular, destacam-se como recursos fundamentais para o ensino-aprendizagem em autocuidado5. Entre essas tecnologias, os vídeos educativos são ferramentas didáticas eficazes, por combinarem elementos de áudio, texto e imagem, promovendo conhecimento e fomentando a autonomia do paciente5.
Uma revisão integrativa da literatura que analisou medidas preventivas para complicações em pacientes traqueostomizados apontou a educação em saúde dirigida à equipe de enfermagem, ao paciente e ao cuidador/familiar como uma das principais estratégias para evitar o agravamento do estado clínico desses pacientes6.
Estudo qualitativo com 12 traqueostomizados e seus cuidadores revelou que a transição hospital-domicílio apresenta um défice na quantidade e na qualidade das orientações fornecidas, identificando o vídeo como um recurso educativo eficaz por permitir uma abordagem visual e inclusiva, adaptada a diferentes públicos-alvo7.
Ressalta-se a importância de estudos que envolvam a construção e a avaliação de tecnologias voltadas para a educação em saúde, visando a seu uso em intervenções de enfermagem durante a transição do cuidado hospitalar para o domicílio. Assim, este estudo teve como objetivo desenvolver vídeos educativos sobre os cuidados com a traqueostomia de adultos e idosos no ambiente domiciliar.
MÉTODO
Tipo e local do estudo
Trata-se de pesquisa aplicada e metodológica que envolveu produção tecnológica de vídeos educativos, desenvolvida em três etapas: pré-produção, produção e pós-produção, de acordo com o referencial metodológico adotado8. A pesquisa foi desenvolvida em uma instituição pública de Ensino Superior e em um hospital de grande porte, público e certificado como hospital de ensino, localizados no estado brasileiro de Minas Gerais.
Protocolo do estudo
Na fase I, de pré-produção, foram desenvolvidos os roteiros e storyboards, a partir de uma revisão de escopo9. A revisão de escopo forneceu fundamentação para os cuidados com a traqueostomia e suas adaptações para o ambiente domiciliar. Nessa fase, foram selecionadas as imagens, foi feita uma descrição das cenas e a narração foi desenvolvida com uma linguagem adequada ao público-alvo8. Os storyboards foram elaborados a partir dos seguintes elementos: áudio/narração; cenas e imagens; textos/legendas e referências.
Na fase II, os roteiros e storyboards foram validados por especialistas e, posteriormente, as cenas e áudios foram gravados em um laboratório de práticas de uma instituição de ensino em enfermagem, que dispunha da infraestrutura adequada.
Os recursos materiais utilizados foram fornecidos pela instituição onde o estudo foi conduzido. Os materiais permanentes utilizados incluíram câmera de vídeo digital, manequim adulto, leito hospitalar e aspirador de secreções portátil. Já os materiais de consumo abrangeram bandeja, cadarço/fixador de traqueostomia, cânulas de traqueostomia metálica e plástica em tamanho adulto, pacotes de gazes, algodão, caixa de luvas de procedimento, luvas estéreis, cateteres de aspiração tamanho de 10 e 12 French, cuba rim e almotolia com álcool 70%, extensão para aspiração, extensão para oxigênio, frasco umidificador, máscaras para traqueostomia, seringa de 1 mL, seringa de 20 mL, ampolas (10 mL) de água destilada, ampolas (10 mL) de soro fisiológico, soro fisiológico 250 mL e compressas.
Os recursos humanos envolveram discentes e docentes vinculados ao projeto de extensão Alta Hospitalar Segura para o Adulto/Idoso: Produção e Disponibilização de Objetos de Aprendizagem, além do suporte da equipe de audiovisual da instituição.
Na última fase, de pós-produção, foi realizada a primeira edição dos vídeos, precedida pela avaliação dos vídeos educativos pelo público-alvo (cuidadores e pacientes traqueostomizados). A última etapa consistiu na edição final dos vídeos e na inserção da Linguagem Brasileira de Sinais (Libras). O software utilizado para as edições foi o Filmora Video Editor, versão 13.4. A figura 1, a seguir, apresenta o protocolo do estudo.
População e amostra
Para a validação de conteúdo dos roteiros e storyboards dos vídeos educativos (fase II), a população foi constituída de enfermeiros (com expertise em saúde do adulto/idoso, enfermagem clínica e cirúrgica) e fisioterapeutas (com expertise em fisioterapia respiratória).
A seleção de enfermeiros e fisioterapeutas para validar o conteúdo dos roteiros e storyboards dos vídeos educativos sobre cuidados com a traqueostomia fundamenta-se na expertise complementar desses profissionais, essencial para a abordagem dessa temática.
Os enfermeiros com expertise em saúde do adulto e do idoso, bem como em enfermagem clínica e cirúrgica, possuem competências fundamentais para o cuidado integral do paciente traqueostomizado. Sua atuação abrange desde a avaliação do estado clínico até o manejo de complicações associadas ao dispositivo, além da execução de cuidados diretos, como higiene, aspiração e controle da traqueostomia.
Os fisioterapeutas com especialização em fisioterapia respiratória desempenham papel crucial na otimização da ventilação e da higiene brônquica. Utilizam técnicas que mantêm as vias aéreas desobstruídas e ensinam exercícios de reabilitação respiratória, promovendo a recuperação e o conforto do paciente.
A participação desses profissionais na validação do material educativo assegura a qualidade e a precisão das informações apresentadas.
Foram utilizados critérios (adaptados) sugeridos pela literatura10 que propõem, para a escolha desses profissionais, um cálculo de escore considerando experiência clínica de pelo menos 4 anos na área específica (obrigatório) = 4 pontos, experiência de pelo menos 1 ano em ensino clínico da área específica = 1 ponto, experiência em pesquisa com artigos publicados na área específica em periódicos de referência = 1 ponto, participação de pelo menos 2 anos em grupo de pesquisa específico na área = 1 ponto, Doutorado na área específica = 1 ponto, Mestrado na área específica = 1 ponto, residência ou especialização na área específica = 1 ponto.
Para inclusão, o profissional obteve pontuação mínima de cinco pontos. Como critério de exclusão foi considerado a não devolução do instrumento de validação dentro do prazo estabelecido de 20 dias.
A seleção dos especialistas para a validação dos roteiros e storyboards foi realizada por meio da ferramenta de busca textual da Plataforma Lattes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) (https://buscatextual.cnpq.br/buscatextual). Para identificar os profissionais, foram empregados dois critérios de busca: o campo “Assunto (título ou palavra-chave da produção)” e o filtro relativo à “Área de Atuação”. No campo “Assunto”, foram inseridos os termos “traqueostomia”, “educação em saúde”, “cuidados domiciliares”, “tecnologia educacional” e “autocuidado”, com o objetivo de localizar currículos com produção científica declarada sobre essas temáticas. Em seguida, foi utilizado o filtro de “Área de Atuação”, restringindo a busca às áreas “Enfermagem” e “Fisioterapia”. A combinação desses critérios gerou uma listagem de currículos compatíveis com o objeto do estudo.
Os currículos retornados pela busca foram analisados manualmente com base nos seguintes critérios de inclusão: formação mínima em nível de especialização, vínculo profissional ou acadêmico ativo, experiência declarada em contextos clínicos, educacionais ou científicos relacionados à traqueostomia, e produção bibliográfica compatível nos últimos cinco anos. Foram selecionados 63 profissionais, sendo 35 enfermeiros e 28 fisioterapeutas. Dentre os convidados, 20 especialistas aceitaram participar do estudo. No entanto, cinco não concluíram o preenchimento do instrumento de validação no prazo estabelecido (20 dias) e foram excluídos conforme o critério previamente definido. A amostra final da fase de validação foi composta por 15 especialistas, os quais completaram integralmente os instrumentos propostos e compuseram o grupo avaliador dos roteiros e storyboards.
Na fase III do estudo, foram selecionados participantes entre pacientes internados nas unidades clínica e cirúrgica do hospital campo da pesquisa, bem como seus respectivos cuidadores. A seleção foi conduzida de forma prospectiva e intencional, caracterizando uma amostra não probabilística, durante visitas semanais realizadas no período de junho a julho de 2024.
A triagem inicial identificou um universo de 13 possíveis participantes, sendo quatro pacientes traqueostomizados com previsão de alta hospitalar e nove cuidadores acompanhantes de pacientes com as mesmas condições clínicas. Os critérios de inclusão foram: pacientes adultos ou idosos com traqueostomia, conscientes, orientados e com capacidade de comunicação, ou acompanhados de cuidador; além de cuidadores de pacientes traqueostomizados com previsão de alta hospitalar mantendo o uso do dispositivo. Os critérios de exclusão foram: pacientes com suspeita ou diagnóstico confirmado de COVID-19; pacientes colonizados ou infectados por microrganismos multirresistentes, sob precaução de contato, gotículas ou aerossóis; e cuidadores ausentes nas unidades no momento da abordagem. Entre os pacientes triados, três foram excluídos por estarem em precaução de contato devido à colonização por microrganismos multirresistentes, o que inviabilizou a participação. Dos nove cuidadores, um recusou-se a participar da pesquisa após leitura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Assim, a amostra final foi composta por nove participantes, sendo oito cuidadores (88,9%) e um paciente traqueostomizado (11,1%).
Coleta de dados
Para os participantes da fase II, os convites foram enviados por correio eletrônico em fevereiro de 2024, contendo a apresentação dos objetivos do estudo e um link de acesso ao formulário eletrônico. Ao acessar o link, os especialistas eram inicialmente direcionados para a leitura do TCLE e, ao selecionar a opção “aceito participar da pesquisa”, eram encaminhados automaticamente para os instrumentos de caracterização dos participantes e de validação dos roteiros e storyboards.
Para caracterização dos participantes, foram consideradas as seguintes variáveis: gênero, idade, titulação acadêmica e anos de experiência profissional. Foi utilizado o Instrumento de Validação de Conteúdo Educacional em Saúde (IVCES)11, o qual consiste em um instrumento com 18 itens, divididos em três domínios (objetivos, estrutura/apresentação e relevância), em que cada item é avaliado de acordo com a concordância e a relevância, por meio de escala tipo Likert, em concordo, concordo parcialmente e não concordo.
Na fase III, a abordagem do paciente/cuidador foi realizada nas unidades de internação do hospital campo do estudo, com a explicação da pesquisa e obtenção do TCLE em julho de 2024. Os vídeos educativos foram apresentados aos pacientes/cuidadores por meio de tablet, à beira leito. Em seguida, os participantes foram entrevistados para o preenchimento da versão adaptada do instrumento Suitability Assessment of Materials (SAM), traduzido para o português12.
O SAM é um instrumento de origem norte-americana13, útil para avaliar a adequação de conteúdo e a aparência de materiais educativos, passível de ser adaptado aos vídeos. Possui seis fatores: conteúdo, exigência de alfabetização, ilustrações, leiaute e apresentação (organização), e estimulação/motivação para o aprendizado. Tais fatores possuem itens que são avaliados por meio de uma escala do tipo Likert em adequado, parcialmente adequado e não adequado.
Tratamento e análise dos dados
Para garantir a qualidade e a apropriabilidade dos testes utilizados, a análise dos dados foi assessorada por um profissional estatístico.
Os dados foram codificados, categorizados e digitados por dupla entrada em planilhas do programa Microsoft Excel®. Posteriormente, foram transferidos e processados no programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS®), versão 20.0.
As variáveis para a caracterização dos participantes foram analisadas segundo estatística descritiva, por meio da distribuição de frequência absoluta e relativa, medidas de centralidade (média) e de dispersão (desvio-padrão, valores mínimo e máximo).
Na fase II, foi calculado o Índice de Validade do Conteúdo (IVC) para cada critério e o IVC total do instrumento. O IVC considerado aceitável foi de, no mínimo, 0,8014. Em caráter complementar e para minimizar o risco de viés analítico, calculou-se também o Content Validity Ratio (CVR)15. Para verificar a confiabilidade da concordância entre os especialistas, foi verificado o coeficiente de Kappa.
Na fase III, para cada item do SAM foi atribuída uma pontuação a partir da resposta do participante, sendo adequado = 2 pontos; parcialmente adequado = 1 ponto; não adequado = 0. Foi obtida uma média simples para cada item, média para cada fator e média do instrumento total, de acordo com as instruções dos autores do instrumento11. As médias obtidas foram transformadas em escores de zero a cem; quanto maior o escore obtido, melhor a avaliação do vídeo educativo.
Aspectos éticos e financiamento
O projeto seguiu os trâmites legais que determinam a resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde (CNS) no que se refere à pesquisa envolvendo seres humanos. Foi submetido à apreciação de um Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos sob número de Certificado de Apresentação de Apreciação Ética (CAAE) 64598822.0.0000.5149 e aprovado sob número de parecer 5.868.678, em 30 de janeiro de 2023.
O estudo foi financiado pela Fundação de Apoio a Universidade Federal de Minas Gerais (projeto 30201).
RESULTADOS
Foram desenvolvidos dois vídeos educativos referentes aos cuidados com a traqueostomia em adultos/idosos no ambiente domiciliar: cuidados com a higiene e a fixação da cânula e aspiração da traqueostomia, com durações de 5 minutos e 2 segundos e 6 minutos e 31 segundos, respectivamente. A amostra total desta validação correspondeu a 24 participantes. Da fase II, participaram 15 profissionais especialistas e, da fase III, nove pacientes/cuidadores.
Fase I: pré-produção
Nesta etapa, foram adotados os cuidados com a traqueostomia e suas adaptações para o ambiente domiciliar. Os cuidados foram categorizados, resultando na elaboração de dois roteiros/storyboards: um abordando a higiene do estoma, a troca de curativos, a higienização da endocânula e a fixação da traqueostomia; e outro relacionado ao procedimento de aspiração da traqueostomia.
A vinheta e a trilha sonora utilizadas eram de propriedade do projeto de extensão vinculado a este estudo, intitulado Alta Hospitalar Segura para o Adulto/Idoso: Produção e Disponibilização de Objetos de Aprendizagem. As figuras e as imagens utilizadas nos storyboards foram obtidas por meio da internet, respeitando os direitos autorais e as licenças de uso.
Fase II: produção
Entre os profissionais 15 especialistas que participaram do estudo, a maioria (93,3%) era enfermeiros, e um (6,7%) era fisioterapeuta, com média de idade de 41,3, desvio-padrão de 7,7 anos, idade mínima 35 e máxima 61 anos. A média de experiência profissional dos participantes foi de 18,6 anos, com desvio-padrão de 8,6 anos, experiência mínima de 10 anos e máxima de 39 anos. Quanto à titulação máxima, todos profissionais possuíam pelo menos especialização. A caracterização dos participantes da fase I é descrita na tabela 1.
A tabela 2 apresenta as validações do conteúdo dos roteiros/storyboards de acordo com o IVCES(11).
Os roteiros/storyboards obtiveram IVC total de 0,90, sendo considerado aceitável14. O CVR total foi de 0,81, sendo considerado adequado para o número de especialistas participantes deste estudo15. O valor total do coeficiente Kappa foi de 0,71, indicando forte concordância entre os especialistas.
Quanto às recomendações dos especialistas, foram feitas sugestões quanto à linguagem e sobre sua adequação ao público-alvo; sobre a inserção de perguntas para aumentar a interação e sobre o número de ilustrações e imagens para complementar a filmagem. Todas as sugestões foram acatadas na construção do produto final.
Após a validação, seguiu-se para gravação dos vídeos e a primeira edição.
Fase III: pós-produção
Da fase III, participaram nove participantes, sendo um (11,1%) paciente e oito (88,9%) cuidadores, com média de idade de 39,7 anos, desvio-padrão de 11,9 anos, idade mínima de 18 anos e máxima de 63 anos. A caracterização dos participantes da fase III é descrita na tabela 3.
A tabela 4 apresenta as avaliações referentes ao conteúdo e aparência dos vídeos, a partir do SAM12 adaptado para os cuidados com a traqueostomia.
Os vídeos obtiveram escore de adequação total de 95 pontos, sendo considerados adequados pelos participantes. As sugestões dos pacientes/cuidadores, como aumentar o áudio do vídeo e inserir algumas legendas específicas, foram acatadas para a edição final do vídeo. Os vídeos foram devidamente registrados na Agência Nacional de Cinema (ANCINE), sob números de registros B24-004558-00000 e B24-004677-00000, e disponibilizados no canal do YouTube® da instituição vinculada (https://www.youtube.com/watch?v=udFSeTahdC0&t=144s e https://www.youtube.com/watch?v=YBoGMo1XgPk&t=182s)
A figura 2 apresenta algumas cenas dos vídeos após a edição final.
DISCUSSÃO
A relevância dessa abordagem se reflete na necessidade de fornecer materiais educativos que sejam acessíveis e compreensíveis para pacientes e cuidadores, promovendo um autocuidado adequado e seguro fora do ambiente hospitalar. Ainda existem lacunas no conhecimento em relação a vários aspectos dos cuidados e manejo da traqueostomia, tanto por parte de profissionais1,9, quanto por pacientes e familiares2. A utilização de recursos audiovisuais nesse contexto apresenta-se como estratégia promissora, que pode contribuir para o aumento da autonomia dos cuidadores e para a segurança do paciente em domicílio. No âmbito da educação em saúde, a enfermagem vem se dedicando à criação de vídeos educativos fundamentada em metodologias de desenvolvimento, validação e aplicação de tecnologias, reconhecendo-os como ferramentas eficazes na educação do paciente, na promoção da saúde e do autocuidado, na garantia de autonomia, bem como na prevenção de complicações16.
Com o aumento do uso de vídeos como instrumentos educativos, é essencial que sua produção seja intimamente alinhada aos objetivos e ao contexto representado, assegurando que a tecnologia seja o mais assertiva possível, no que tange a seu conteúdo e à aparência16. Do mesmo modo, é imperativo que os vídeos sejam submetidos à validação por especialistas para garantir que seus propósitos educacionais sejam alcançados e assegurar sua confiabilidade científica16.
No presente estudo, a validação dos vídeos foi realizada com o auxílio de especialistas em enfermagem e profissionais com experiência em cuidados com traqueostomias. Assim, a análise crítica e o julgamento técnico-científico dos avaliadores foram fundamentais para garantir a qualidade e a pertinência dos conteúdos apresentados, permitindo a identificação de elementos que necessitavam de ajuste para assegurar a clareza e a aplicabilidade das informações. Como resultado, o conteúdo dos vídeos foi considerado adequado para o público-alvo e suficientemente didático para orientar a prática dos cuidadores e pacientes no domicílio.
O processo de validação confere legitimidade e confiabilidade ao material, contribuindo diretamente para a práxis do cuidado qualificado e baseado em evidências, uma vez que um recurso bem desenvolvido e validado pode modificar a realidade dos indivíduos a que se destina17. Esse aspecto torna-se ainda mais relevante quando se considera a popularidade de plataformas de vídeo gratuitas, como o YouTube®, em que a qualidade e a credibilidade dos vídeos disponíveis podem ser variáveis18.
Os especialistas devem possuir qualificação para avaliar criticamente o conteúdo do material educativo, adotando uma perspectiva reflexiva e atualizada, a fim de assegurar sua relevância para o público-alvo, bem como a qualidade e a adequação dos vídeos educativos no ensino em saúde19. A seleção desses profissionais deve considerar um sistema de classificação que evidencie sua expertise, levando em conta titulação, experiência e proximidade com o tema de interesse do estudo.
Para este estudo, foram adaptados critérios fundamentados na literatura científica10. A análise do perfil dos especialistas revelou uma banca altamente qualificada, com mais da metade dos participantes detendo titulação de Doutorado e ao menos 10 anos de experiência na área de pesquisa.
Os especialistas realizaram sua avaliação com base em indicadores mensuráveis definidos no instrumento de validação e contribuíram com sugestões para aperfeiçoamento do material. Pesquisas indicam que é vantajoso permitir aos avaliadores um espaço para comentários abertos nos formulários, o que possibilita a obtenção de críticas detalhadas e o esclarecimento de pontuações atribuídas16-17,20. Dessa forma, no instrumento enviado aos especialistas, foram incluídos campos de “Sugestões e/ou comentários” após cada item.
A avaliação dos especialistas para os vídeos do presente estudo indicou, principalmente, a necessidade de adequação da linguagem do material à realidade da população-alvo. Das 18 categorias do instrumento de validação dos roteiros, apenas o item “Linguagem adequada ao público-alvo” apresentou IVC inferior ao mínimo aceitável.
Estudos demonstram que o uso de linguagem confusa e jargões excessivos está associado à fadiga, ao desinteresse e a dificuldades de compreensão, podendo comprometer a segurança do paciente21 em objetos de aprendizagem para o autocuidado. Assim, alcançar concordância entre especialistas quanto ao conteúdo, à clareza e à linguagem dos vídeos é essencial para assegurar a compreensão e a atratividade do material educativo para o público-alvo21. Um material construído em linguagem de fácil compreensão favorece a satisfação do usuário, estimula o desenvolvimento de atitudes e habilidades de autocuidado, promove autonomia e reforça a adesão às práticas de cuidado recomendadas22. Dessa forma, todos os apontamentos realizados pelos especialistas quanto à linguagem foram cuidadosamente analisados, aceitos e incorporados à versão final dos vídeos.
Quanto à duração dos vídeos produzidos neste trabalho, que foram de 5 minutos e 2 segundos e de 6 minutos e 31 segundos, ela está em conformidade com as recomendações da literatura. Sugere-se tempo máximo entre 10 e 15 minutos para esses recursos, considerando o impacto da duração na atenção e a assimilação do conteúdo pelo espectador8,21,23-24.
Os participantes reportaram alta adequação dos vídeos quanto ao conteúdo e ao estímulo / motivação do aprendizado para os cuidados com a traqueostomia. Isso pode refletir em aumento na confiança e na segurança para a realização de cuidados essenciais, como a aspiração das vias aéreas e a higienização do estoma, habilidades que exigem orientação prática para minimizar o risco de complicações. Esses resultados corroboram achados de estudos prévios conduzidos no âmbito nacional17,25 e internacional26,27, nos quais o uso de materiais educativos visuais facilitou a compreensão e a retenção de informações por cuidadores e familiares4,17,25,26.
Há uma falta de evidências na literatura atual para abordar as necessidades educacionais não atendidas de pacientes e cuidadores que precisam realizar o cuidado da traqueostomia4. Assim, pode-se inferir que os vídeos validados neste estudo não apenas suprem lacunas informacionais no cuidado domiciliar27,28, mas constituem ferramentas de apoio para a educação em saúde para cuidadores e familiares de pacientes traqueostomizados.
O uso de materiais audiovisuais no ambiente domiciliar pode favorecer a adesão às orientações da enfermagem, promovendo a autogestão dos cuidados e contribuindo para a prevenção de reinternações desnecessárias e de eventos adversos, muito embora ainda sejam necessárias a elaboração e a testagem de programas de intervenção para a promoção do autocuidado da pessoa com traqueostomia, fundamentados em evidências disponíveis e robustas para orientar a prática28.
A utilização de vídeos para o planejamento de alta e a transferência do cuidado, disponibilizando-os por meio da tecnologia móvel e plataformas de vídeos gratuitas, quando combinada à possibilidade de controle por parte do usuário para pausar, retroceder e avançar, configura elemento que confere eficiência para o processo de ensino-aprendizagem dos pacientes3,29. Além disso, permite a visualização de cuidados de forma dinâmica e assíncrona, passíveis de serem acessados sempre que necessário no ambiente domiciliar, o que potencializa a promoção da saúde dos indivíduos traqueostomizados.
Optou-se ainda por inserir a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) e legendas específicas nos vídeos, para ampliar a acessibilidade e a inclusão, garantindo que pessoas com deficiência auditiva possam compreender plenamente o conteúdo educativo e participar do processo de ensino-aprendizagem de forma equitativa.
Torna-se desafiador para os pesquisadores promover a educação em saúde utilizando Tecnologias de Informação e Comunicação em uma escala mais ampla e acessível. Ressalta-se a importância de um ambiente político favorável, tanto nas instituições (de saúde e educação), quanto nos órgãos governamentais responsáveis, para sustentar e dar visibilidade aos pacientes que utilizam traqueostomia em ambiente domiciliar, bem como para apoiar seus familiares e cuidadores. Acredita-se que, dessa forma, será possível fornecer diretrizes e estabelecer um significado consistente para programas educativos baseados no uso dessas tecnologias, destinados à educação de pacientes. Ademais, é essencial desenvolver e promover um repositório público de vídeos educativos que reflita e integre os valores e a cultura local.
Como contribuição para a prática de enfermagem, os vídeos deste estudo oferecem conteúdos explicativos, alicerçados cientificamente, inclusivos e ilustrativos, que despertam interesse e promovem uma aproximação entre cuidadores/pacientes e profissionais de saúde. Esse recurso pode auxiliar na prevenção de complicações relacionadas à traqueostomia e na preservação da qualidade de vida do paciente. Além disso, os vídeos aqui validados e avaliados são passíveis de serem utilizados no planejamento de alta do enfermeiro, proporcionando suporte contínuo aos cuidados domiciliares desses pacientes.
Como limitações deste trabalho, cita-se a ausência da avaliação da eficácia do uso dos vídeos nessa população. Destaca-se a importância de estudos futuros que avaliem o impacto de materiais educativos audiovisuais na qualidade de vida de pacientes e cuidadores a longo prazo, bem como a necessidade de investigação contínua para a adaptação e a atualização desses conteúdos, conforme a evolução das melhores práticas e protocolos em saúde.
CONCLUSÃO
Foram desenvolvidos dois vídeos educativos: Higiene e Fixação da Traqueostomia e Aspiração da Traqueostomia, com durações de 5 minutos e 2 segundos e de 6 minutos e 31 segundos, respectivamente. Ambos foram validados obtendo um IVC total de 0,90, e CVR total de 0,81. A avaliação pelo público-alvo apresentou um escore total de 95 pontos, indicando alta aceitação e adequação.
Os vídeos desenvolvidos neste estudo foram validados por especialistas e bem avaliados pelo público-alvo, sendo considerados recursos claros, informativos e adequados ao aprendizado de pacientes traqueostomizados e seus cuidadores. Demonstraram confiabilidade científica, adequação e aceitabilidade. Além disso, configuram-se como ferramentas passíveis de serem utilizadas por profissionais de saúde no planejamento da alta hospitalar de pacientes traqueostomizados. Esses vídeos possuem o potencial de aprimorar a autonomia de cuidadores e pacientes, contribuindo para a promoção da segurança no cuidado domiciliar.
Agradecimentos
Fundação de Apoio da Universidade Federal de Minas Gerais (FUNDEP).
Referências bibliográficas
-
1. Khanum T, Zia S, Khan T, Kamal S, Khoso MN, Alvi J, et al. Assessment of knowledge regarding tracheostomy care and management of early complications among healthcare professionals. Braz J Otorhinolaryngol. 2022;88(2):251-6. https://doi.org/10.1016/j.bjorl.2021.06.011
» https://doi.org/10.1016/j.bjorl.2021.06.011 -
2. Stewart JM, Snowden V, Charles CE, Farmer EA, Flanagan CE. Barriers to discharge patients with a tracheostomy: a qualitative analysis. J Nurse Pract. 2022;18(5). https://doi.org/10.1016/j.nurpra.2021.12.026
» https://doi.org/10.1016/j.nurpra.2021.12.026 -
3. Sousa FT, Santos KC. The process of dehospitalization from the perspective of patients with long-term chronic diseases admitted to a university hospital. RSD [Internet]. 2021 [cited 2025 Mar 26];10(7):e33010716608. Available from: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/16608
» https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/16608 -
4. Moreira BC, Lima FC, Silva CO, Carvalho DS, Simor A, Santana ME, et al. Educational video for self-care of patients with intestinal elimination stoma. Cogitare Enferm. 2023;28:e86116. https://doi.org/10.1590/ce.v28i0.86116
» https://doi.org/10.1590/ce.v28i0.86116 -
5. Lengruber MR, Macedo EC, Paula DG, Brendin MP, Cunha KC, Mendes LE, et al. Elaboration and development of educational video in health “Knowing gastrostomy”. Res Soc Dev. 2021; 10(5):1-6. https://doi.org/10.33448/rsd-v10i3.13060
» https://doi.org/10.33448/rsd-v10i3.13060 -
6. Costa EC, Rodrigues CF, Matias JG, Bezerra SM, Rocha DM, Machado RS, et al. Care for the prevention of complications in tracheostomized patients. Rev Enferm UFPE. 2019;13(1):169-78. https://doi.org/10.5205/1981-8963-v13i1a238545p169-178-2019
» https://doi.org/10.5205/1981-8963-v13i1a238545p169-178-2019 -
7. Pitzer MB, Flores PV, Dias AC. Difficulties experienced by the patient and caregiver in the postoperative of tracheostomy. Rev Recien. 2022;12(39):76-86. https://doi.org/10.24276/rrecien2022.12.39.76-86
» https://doi.org/10.24276/rrecien2022.12.39.76-86 -
8. Fleming SE, Reynolds J, Wallace B. Lights…camera…action! a guide for creating a DVD/video. Nurse Educ. 2009;34(3):118-21. https://doi.org/10.1097/NNE.0b013e3181a0270e
» https://doi.org/10.1097/NNE.0b013e3181a0270e -
9. Cordeiro AL, Santos JA, Barroso AC, Donoso MT, Mata LR, Chianca TC. Tracheostomy care for adults and the elderly in the home environment: a scoping review. Rev Esc Enferm USP. 2024;58:e20240028. https://doi.org/10.1590/1980-220X-REEUSP-2024-0028en
» https://doi.org/10.1590/1980-220X-REEUSP-2024-0028en -
10. Guimarães HC, Pena SB, Lopes JD, Lopes CT, Barros AL. Experts for validation studies in nursing: new proposal and selection criteria. Int J Nurs Knowl. 2016;27(3):130-5. https://doi.org/10.1111/2047-3095.12089
» https://doi.org/10.1111/2047-3095.12089 -
11. Leite SS, Áfio AC, Carvalho LV, Silva JM, Almeida PC, Pagliuca LM. Construction and validation of an educational content validation instrument in health. Rev Bras Enferm. 2018;71(Suppl 4):1635-41. https://doi.org/10.1590/0034-7167-2017-0648
» https://doi.org/10.1590/0034-7167-2017-0648 -
12. Sousa CS, Turrini RN, Poveda VB. Translation and adaptation of the instrument "Suitability Assessment of Materials" (SAM) into Portuguese. Rev Enferm UFPE [Internet]. 2015[cited 2024 May 1];9(5):7854-61. https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/view/10534
» https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/view/10534 - 13. Doak CC, Doak LG, Root JH. Teaching patients with low literacy skills. 2nd ed. Philadelphia: J.B. Lippincott Company; 1996.
-
14. Polit DF, Beck CT. The content validity index: are you know what’s being reported? critique and recommendations. Res Nurs Health. 2006;29(5):489-97. https://doi.org/10.1002/nur.20147
» https://doi.org/10.1002/nur.20147 -
15. Ayre C, Scally AJ. Critical values for Lawshe's content validity ratio: revisiting the original methods of calculation. Meas Eval Couns Dev. 2014;47(1):79-86. https://doi.org/10.1177/0748175613513808
» https://doi.org/10.1177/0748175613513808 -
16. Campos DC, Silva LF, Reis AT, Góes FG, Moraes JR, Aguiar RC. Development and validation of an educational video to prevent falls in hospitalized children. Texto Contexto Enferm. 2021;30. https://doi.org/10.1590/1980-265X-TCE-2019-0238
» https://doi.org/10.1590/1980-265X-TCE-2019-0238 -
17. Rosa BV, Girardon-Perlini NM, Guerrero Gamboa NS, Nietsche EA, Beuter M, Dalmolin A. Development and validation of audiovisual educational technology for families and people with colostomy by cancer. Texto Contexto Enferm. 2019;28. https://doi.org/10.1590/1980-265X-TCE-2018-0053
» https://doi.org/10.1590/1980-265X-TCE-2018-0053 -
18. Mohamed F, Shoufan A. Users' experience with health-related content on YouTube: an exploratory study. BMC Public Health. 2024 3;24(1):86. https://doi.org/10.1186/s12889-023-17585-5
» https://doi.org/10.1186/s12889-023-17585-5 -
19. Caetano GM, Daniel AC, Costa BC, Veiga EV. Elaboration and validation of an educational video on blood pressure measurement in screening programs. Texto Contexto Enferm. 2021;30. https://doi.org/10.1590/1980-265X-TCE-2020-0237
» https://doi.org/10.1590/1980-265X-TCE-2020-0237 -
20. Coelho LC, Almeida PC, Silva LF. Construction and validation of educational videos content for hypertensive children in times of COVID-19. Rev Gaúcha Enferm [Internet]. 2022[cited 2024 May 1];43(Suppl). Available from: https://www.scielo.br/j/rgenf/a/G5Ngppmkj8WBhYvTn8Q5Yvp/?lang=pt
» https://www.scielo.br/j/rgenf/a/G5Ngppmkj8WBhYvTn8Q5Yvp/?lang=pt -
21. Magnabosco P, Godoy S, Mendes IA, Raponi MB, Toneti BF, Marchi-Alves LM. Production and validation of an educational video on the use of the Z-track technique. Rev Bras Enferm. 2023;76(2). https://doi.org/10.1590/0034-7167-2022-0439
» https://doi.org/10.1590/0034-7167-2022-0439 -
22. Sabogal IM, Rojas EM. Diseño y validación de material educativo dirigido a mejorar el conocimiento y autocuidado de la mujer gestante ante los trastornos hipertensivos en el embarazo. Enferm Glob. 2023;22(3):277-308. https://doi.org/10.6018/eglobal.562251
» https://doi.org/10.6018/eglobal.562251 -
23. Davis AJ, Parker HM, Gallagher R. Gamified applications for secondary prevention in patients with high cardiovascular disease risk: a systematic review of effectiveness and acceptability. J Clin Nurs. 2021;30(19-20):3001-10. https://doi.org/10.1111/jocn.15808
» https://doi.org/10.1111/jocn.15808 -
24. Guimarães EM, Barbosa IV, Carmo TG, Probo DR, Rolim KM. Construction and validation of an educational video for patients in the perioperative period of robotic surgery. Rev Bras Enferm. 2022;75(5). https://doi.org/10.1590/0034-7167-2021-0952pt
» https://doi.org/10.1590/0034-7167-2021-0952pt -
25. Adefolarin AO, Gershim A. Content validation of educational materials on maternal depression in Nigeria. BMC Pregnancy Childbirth. 2022;22:322. https://doi.org/10.1186/s12884-022-04575-5
» https://doi.org/10.1186/s12884-022-04575-5 -
26. Pedramrazi S, Mohammadabadi A, Rooddehghan Z, Haghani S. Effectiveness of peer-based and conventional video education in reducing perioperative depression and anxiety among coronary artery bypass grafting patients: a randomized controlled trial. J Perianesth Nurs. 2024;39(5):741-9. https://doi.org/10.1016/j.jopan.2023.12.002
» https://doi.org/10.1016/j.jopan.2023.12.002 -
27. Wang T, Mazanec SR, Voss JG. Needs of informal caregivers of patients with head and neck cancer: a systematic review. Oncol Nurs Forum. 2021;48(1):11-29. https://doi.org/10.1188/21.Onf.11-29
» https://doi.org/10.1188/21.Onf.11-29 -
28. Queirós SM, Pinto IE, Brito MA, Santos CS. Nursing interventions for the promotion of tracheostomy self-care: A scoping review. J Clin Nurs. 2021;30(21-22):3055-71. https://doi.org/10.1111/jocn.15823
» https://doi.org/10.1111/jocn.15823 -
29. Chatterjee A, Strong G, Meinert E, Milne-Ives M, Halkes M, Wyatt-Haines E. The use of video for patient information and education: a scoping review of the variability and effectiveness of interventions. Patient Educ Counseling. 2021;104(9). https://doi.org/10.1016/j.pec.2021.02.009
» https://doi.org/10.1016/j.pec.2021.02.009
O acesso ao conjunto de dados poderá ser realizado mediante solicitação ao autor correspondente.



Fonte: próprio autor.
Fonte: elaboração própria.