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Sinopse de Cyperaceae na Baixada do Maciambú, Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, Santa Catarina, Brasil

Synopsis of Cyperaceae in Baixada do Maciambú, Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, Santa Catarina, Brazil

Luciana Pereira-Silva Kellen Luchetta Aldaléa Sprada Tavares Rafael Trevisan Sobre os autores

Resumo

Neste estudo, nós apresentamos um levantamento das espécies de Cyperaceae ocorrentes na Baixada do Maciambú, a qual está localizada no Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, Santa Catarina, Brasil. Obtivemos os dados a partir de expedições para coleta de material botânico e revisão de coleções de herbários, e a partir destes, realizamos análises tradicionais em taxonomia para a identificação das espécies. Nós reconhecemos 54 táxons, sendo que destes, 33 são novos registros para a Baixada do Maciambú. Além destes, também apresentamos outros 5 táxons como possíveis novas ocorrências para o local de estudo. Os gêneros mais representativos em número de espécies foram Cyperus (19 spp.), Eleocharis (11 spp.) e Rhynchospora (9 spp.). Nós fornecemos chaves para a identificação de gêneros e espécies, fotografias, informações sobre o hábitat e comentários complementares.

Palavras-chave:
biodiversidade; flora; taxonomia

Abstract

In this work, we present a survey of the Cyperaceae species from Baixada do Maciambú, located in the Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, Santa Catarina State, Brazil. We gathered from fieldwork and consulting herbaria collections and we carry out traditional analyses in taxonomy for specific identification. We recognized 54 taxa, of which 33 are new records for the Baixada do Maciambú. In addition, we also present 5 other taxa as possible new occurrences for the study area. The most representative genera in number of species were Cyperus (19 spp.), Eleocharis (11 spp.), and Rhynchospora (9 spp.). We provide keys to identification of genera and species, photographs, habitat information and supplementary comments.

Key words:
biodiversity; flora; taxonomy

Introdução

Cyperaceae Juss. é uma família cosmopolita de monocotiledôneas, compreende 91 gêneros e cerca de 5.500 espécies (Govaerts et al. 2017Govaerts R, Dransfield J, Zona SF, Hodel DR & Henderson A (2017) World checklist of Cyperaceae. Facilitated by the Royal Botanic Gardens, Kew. Disponível em <http://apps.kew.org/wcsp/>. Acesso em 10 janeiro 2017.
http://apps.kew.org/wcsp/...
). Apresenta grande diversidade nas regiões tropicais úmidas e semi-úmidas, ocorrendo preferencialmente em ambientes como brejos, campos, pântanos, margens de rios, charcos e restingas (Goetghebeur 1998Goetghebeur P (1998) Cyperaceae In: Kubitzki K (ed.) The families and genera of vascular plant: IV. Flowering plants - monocotyledons. Springer-Verlag, Berlin. Pp. 141-190.). No Brasil ocorrem 39 gêneros e 669 espécies, sendo os gêneros mais representativos em número de espécies Rhynchospora Vahl (147 spp.), Cyperus L. sensu stricto (101 spp.) e Scleria P.J. Bergius (77 spp.) (BFG 2018BFG - The Brazil Flora Group (2018) Brazilian Flora 2020: innovation and collaboration to meet Target 1 of the Global Strategy for Plant Conservation (GSPC). Rodriguésia 69: 1513-1527.). Cyperaceae é a terceira família mais representativa em número de espécies do domínio fitogeográfico Pampa (141 spp.), sendo também significativa na Floresta Amazônica (288 spp.), Caatinga (163 spp.) e Pantanal (58 spp.) (BFG 2015BFG - The Brazil Flora Group (2015) Growing knowledge: an overview of seed plant diversity in Brazil. Rodriguésia 66: 1085-1113.).

No estado de Santa Catarina, Cyperaceae é representada por 29 gêneros e 223 espécies (BFG 2018BFG - The Brazil Flora Group (2018) Brazilian Flora 2020: innovation and collaboration to meet Target 1 of the Global Strategy for Plant Conservation (GSPC). Rodriguésia 69: 1513-1527.). O trabalho mais completo com a família para o estado foi o de Barros (1960)Barros M (1960) Las Ciperáceas del estado de Santa Catarina. Sellowia 12: 181-448., que reconheceu 164 táxons. Além deste, outros estudos abrangeram alguns gêneros da família no estado, como Trevisan (2009)Trevisan R (2009) The genus Eleocharis (Cyperaceae) in Southern Brazil. Tese de Doutorado. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. 225p. com o tratamento taxonômico de Eleocharis R. Br. para a Região Sul do Brasil, Hefler & Longhi-Wagner (2012)Hefler SM & Longhi-Wagner HM (2012) Cyperus L. subg. Cyperus (Cyperaceae) na Região Sul do Brasil. Revista Brasileira de Biociências 10: 327-372. com Cyperus L. subg. Cyperus também para a Região Sul e Affonso et al. (2015)Affonso R, Zanin A & Brummitt NA (2015) Diversity of Scleria (Cyperaceae) in Santa Catarina, Brazil. Rodriguésia 66: 353-367. com Scleria para Santa Catarina. Poucos são os estudos com Cyperaceae no estado, evidenciando a necessidade destes para um maior conhecimento da diversidade da família no território em questão. Dentre as áreas escassas de estudos com Cyperaceae está a Baixada do Maciambú, localizada no Parque Estadual da Serra do Tabuleiro (PEST). Este parque é uma das maiores Unidades de Conservação de Santa Catarina, apresentando aproximadamente 85 mil hectares, o que representa cerca de 1% do território catarinense (FATMA 2003FATMA - Fundação do Meio Ambiente (2003) A natureza do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro. Florianópolis. 128p.; PEST 2009PEST - Parque Estadual da Serra do Tabuleiro (2009) Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, retratos da fauna e flora. CriAG, Florianópolis. 79p.).

Tavares et al. (2007)Tavares AS, Araújo AC & Guimarães FB (2007) Cyperaceae ocorrentes na Baixada do Maciambú, Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, Palhoça, Santa Catarina. Revista Brasileira de Biociências 5: 186-188. realizaram o único trabalho com Cyperaceae para a Baixada do Maciambú, e reconheceram 13 gêneros e 33 espécies para o local. Todavia, ao realizarmos expedições de coletas na Baixada do Maciambú, verificamos a presença de espécies que não haviam sido registradas por Tavares et al. (2007)Tavares AS, Araújo AC & Guimarães FB (2007) Cyperaceae ocorrentes na Baixada do Maciambú, Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, Palhoça, Santa Catarina. Revista Brasileira de Biociências 5: 186-188., demonstrando a necessidade de ampliar os estudos na área. Desta forma, este trabalho tem como objetivos fornecer um levantamento atualizado das espécies de Cyperaceae para a Baixada do Maciambú, e prover subsídios para a identificação das mesmas, e assim, contribuir para o conhecimento da flora de Santa Catarina.

Material e Métodos

A Baixada do Maciambú (BM) está localizada no Parque Estadual da Serra do Tabuleiro (27º42’09”S-28º34’09”S, 48º57’23”W-48º43’09”W), no município de Palhoça, Santa Catarina, Brasil (Fig. 1). Segundo Klein (1981)Klein MR (1981) Fisionomia, importância e recursos da vegetação do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro. Sellowia 33: 5-54., a vegetação da BM apresenta arbustos e poucas árvores nas áreas mais secas, sobre os cordões arenosos e dominância de Cyperaceae e Typhaceae nos campos brejosos. Eckel (2008)Eckel RL (2008) Mapeamento e caracterização da cobertura vegetal e uso da terra de uma área do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro (Baixada do Massiambu, Município de Palhoça, SC). Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis. 80p. identificou as seguintes fitofisionomias na BM: floresta ombrófila densa submontana em estágio médio, restinga arbórea, restinga arbustiva, restinga herbácea e manguezal. Eckel (2008)Eckel RL (2008) Mapeamento e caracterização da cobertura vegetal e uso da terra de uma área do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro (Baixada do Massiambu, Município de Palhoça, SC). Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis. 80p. também caracterizou localidades alteradas dentro da área de estudo, as quais o autor denominou pastagem, áreas alteradas, áreas urbanizadas e edificações, reflorestamento com Pinus L., e reflorestamento com eucaliptos.

Figura 1
Localização da Baixada do Maciambú (BM) no Parque Estadual da Serra do Tabuleiro (PEST), Santa Catarina, Brasil.
Figure 1
Location of Baixada do Maciambú (BM) in the Parque Estadual da Serra do Tabuleiro (PEST), Santa Catarina, Brazil.

O levantamento das espécies foi baseado em espécimes depositados nos herbários FLOR, FURB, HBR e ICN (acrônimo conforme Thiers, continuamente atualizado) e em coletas realizadas em fevereiro de 2014 e maio de 2015. As coletas seguiram o método do caminhamento (Filgueiras et al. 1994Filgueiras TS, Brochado AL, Nogueira PE & Guala II GF (1994) Caminhamento - um método expedito para levantamentos florísticos qualitativos. Cadernos de Geociências 2: 39-43.). Os espécimes coletados foram depositados no herbário FLOR. Para a identificação de gêneros e espécies as principais bibliografias utilizadas foram: Barros (1960)Barros M (1960) Las Ciperáceas del estado de Santa Catarina. Sellowia 12: 181-448., Araújo & Longhi-Wagner (1996)Araújo AC & Longhi-Wagner HM (1996) Levantamento taxonômico de Cyperus L. subg. Anosporum (Nees) Clarke (Cyperaceae - Cyperaceae) no Rio Grande do Sul, Brasil. Acta Botanica Brasilica 10: 153-192., Guaglianone (2001)Guaglianone ER (2001) Contribution to the study of the genus Rhynchospora (Cyperaceae) V. Section Longirostres in Austral America. Darwiniana 39: 287-342., Rocha & Luceño (2002)Rocha EA & Luceño M (2002) Estudo taxonômico de Rhynchospora Vahl Seção Tenues (Cyperaceae) no Brasil. Hoehnea 29: 189-214., Strong (2006)Strong MT (2006) Taxonomy and distribution of Rhynchospora (Cyperaceae) in the Guianas, South America. United States National Herbarium, Washington, D.C. 225p., Trevisan et al. (2007)Trevisan R, Lüdtke R & Boldrini II (2007) O gênero Killinga Rottb. (Cyperaceae) no Rio Grande do Sul, Brasil. Revista Brasileira de Biociências 5: 27-36., Trevisan (2009)Trevisan R (2009) The genus Eleocharis (Cyperaceae) in Southern Brazil. Tese de Doutorado. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. 225p., Hefler & Longhi-Wagner (2012)Hefler SM & Longhi-Wagner HM (2012) Cyperus L. subg. Cyperus (Cyperaceae) na Região Sul do Brasil. Revista Brasileira de Biociências 10: 327-372., Weber (2014)Weber PAP (2014) Revisão taxonômica de Rhynchospora Vahl seção Glaucae C.B. Clarke (Cyperaceae) para a América do Sul. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis. 121p., Affonso et al. (2015)Affonso R, Zanin A & Brummitt NA (2015) Diversity of Scleria (Cyperaceae) in Santa Catarina, Brazil. Rodriguésia 66: 353-367., Ronchi (2015)Ronchi EN (2015) Estudo taxonômico de Fimbristylis Vahl (Cyperaceae) para Santa Catarina e do complexo F. dichotoma (L.) Vahl para o sul do Brasil. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis. 117p. e Pereira-Silva (2017)Pereira-Silva L (2017) Estudo taxonômico de Cyperus subg. Pycreus (P.Beauv.) A. Gray (Cyperaceae) para o Brasil. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis. 136p.. A terminologia adotada seguiu Radford & Caddell (1986)Radford AE & Caddell GM (1986) Plant description In: Radford AE & Caddell GM (eds.) Fundamentals of Plant Systematics. Harper & Row, New York. Pp. 107-147., Kukkonen (1994)Kukkonen I (1994) Definition of descriptive terms for the Cyperaceae. Annales Botanici Fennici 31: 37-43. e Font-Quer (2001)Font-Quer P (2001) Diccionário de botánica. Ediciones Península, Barcelona. 1244p..

Para cada espécie são acrescidas informações sobre habitat, comentários morfológicos diagnósticos e fotografias. Nem todas as fotos são provenientes de espécimes da área de estudo, algumas destas foram obtidas dos bancos de imagens particulares dos autores.

Resultados e Discussão

Nós reconhecemos 54 táxons de Cyperaceae para a BM, pertencentes aos gêneros Androtrichum Brongn. (1), Bulbostylis Kunth (1), Cladium P. Browne (1), Cyperus L. (19), Eleocharis R. Br. (11), Fimbristylis Vahl (5), Fuirena Rottb. (1), Lagenocarpus Nees (1), Rhynchospora Vahl (9) e Scleria P.J. Bergius (5). Além destes, outros cinco táxons (Cyperus obtusatus (J. Presl & C. Presl) Mattf. & Kük., Cyperus pedunculatus (R. Br.) J. Kern, Eleocharis geniculata (L.) Roem. & Schult., Eleocharis nana Kunth, e Scleria uleana Boeckeler) foram incluídos no trabalho como possíveis novas ocorrências para a BM, devido aos registros de ocorrências em locais próximos ao da área de estudo.

Nós apresentamos 33 novos registros para a Baixada do Maciambú: Androtrichum trigynum (Spreng.) H.Pfeiff., Bulbostylis capillaris var. elatior (Griseb.) Osten, Cyperus aggregatus (Willd.) Endl., Cyperus barrosianus Herter, Cyperus brevifolius (Rottb.) Hassk., Cyperus cellulosoreticulatus Boeckeler, Cyperus flavescens L., Cyperus hortensis (Salzm. ex Steud.) Dorr, Cyperus iria L., Cyperus luzulae (L.) Retz., Cyperus megapotamicus (A.Dietr.) Kunth, Cyperus rigens J.Presl & C.Presl, Cyperus surinamensis Rottb., Eleocharis acutangula (Roxb.) Schult., Eleocharis laeviglumis R.Trevis. & Boldrini, Eleocharis maculosa (Vahl) Roem. & Schult., Eleocharis niederleinii Boeckeler, Eleocharis pauciglumis R.Trevis. & D.J. Rosen, Eleocharis sellowiana Kunth, Eleocharis viridans Kük. ex Osten, Fimbristylis aspera (Schrad.) Boeckeler, Fimbristylis complanata (Retz.) Link, Fimbristylis cymosa R.Br., Fuirena robusta Kunth, Rhynchospora barrosiana Guagl., Rhynchospora brittonii Gale, Rhynchospora confinis (Nees) C.B.Clarke, Rhynchospora emaciata (Nees) Boeckeler, Rhynchospora gigantea Link, Scleria distans Poir, Scleria gaertneri Raddi, Scleria latifolia Sw. e Scleria secans (L.) Urb. Já as espécies, Cyperus pohlii (Nees) Steud., Eleocharis mutata (L.) Roem. & Schult., Fimbristylis autumnalis (L.) Roem. & Schult., Fuirena umbellata Rottb., Rhynchospora legrandii Kük. ex Barros, Rhynchospora corymbosa (L.) Britton, Rhynchospora microcarpa Baldwin ex A.Gray, Rhynchospora scutellata Griseb., Schoenoplectus validus (C.C.Gmel.) Palla e Scleria hirtella Sw. foram citadas por Tavares et al. (2007)Tavares AS, Araújo AC & Guimarães FB (2007) Cyperaceae ocorrentes na Baixada do Maciambú, Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, Palhoça, Santa Catarina. Revista Brasileira de Biociências 5: 186-188. para a BM, porém nós não confirmamos a ocorrências destas espécies para o local, uma vez que os autores não citaram material examinado, o que dificulta a confirmação das mesmas.

    Chave de identificação dos gêneros de Cyperaceae da Baixada do Maciambú
  1. 1. Espigueta solitária no ápice do colmo florífero; folhas reduzidas a bainha, sem lâmina.......................... 5. Eleocharis

  2. 1’. Espiguetas múltiplas reunidas em tipos variados de sinflorescências, nunca espigueta solitária; folhas com lâminas desenvolvidas (exceto em Androtrichum trigynum e Cyperus haspan)............................................................................... 2

    1. 2. Todas as flores da espigueta unissexuadas............................................................................................. 3

      1. 3. Espiguetas estaminadas e pistiladas mescladas na inflorescência........................... 10. Scleria

      2. 3’. Espiguetas pistiladas na porção apical e estaminadas na porção proximal da inflorescência (inflorescência ginecandra)..................................................................................................................... 8. Lagenocarpus rigidus

    1. 2’. Flores bissexuadas (ao menos uma por espigueta)............................................................................... 4

      1. 4. Colmos nitidamente quinquangulares; perigônio dimorfo, com um ciclo de 3 cerdas externas e outro ciclo de 3 estruturas carnosas oval-lanceoladas internas............................................... 7. Fuirena robusta

      2. 4’. Colmos cilíndricos ou triangulares; perigônio, quando presente, monomorfo, formado por cerdas 5

        1. 5. Glumas dispostas disticamente............................................................................................... 6

    1. 6. Folhas reduzidas à bainha, sem lâmina; estames com filetes acrescentes, longamente exsertos, flexuosos, hialinos configurando um aspecto de algodão (Fig. 2a)......................................... 1. Androtrichum trigynum

      Figura 2
      a. Androtrichum trigynum – hábito. b-c. Bulbostylis capillaris var. elatior – b. bainha; c. aquênio. d. Cladium mariscus subsp. jamaicense – inflorescência. e. Cyperus aggregatus – inflorescência. f. C. barrosianus – inflorescência. g. C. brevifolius – inflorescência. h-i. C. cellulosoreticulatus – h. inflorescência; i. aquênio. j. C. flavescens – aquênio. k. C. haspan – inflorescência. l. C. hermaphroditus – inflorescência. m. C. hortensis – inflorescência. n. C. iria – inflorescência. Photos: a-e, g-n. Rafael Trevisan; f. L. Pereira-Silva. Barras de escala = 5 mm.
      Figure 2
      a. Androtrichum trigynum – habit. b-c. Bulbostylis capillaris var. elatior – b. sheath; c. achene. d. Cladium mariscus subsp. jamaicense – inflorescence. e. Cyperus aggregatus – inflorescence. f. C. barrosianus – inflorescence. g. C. brevifolius – inflorescence. h-i. C. cellulosoreticulatus – h. inflorescence; i. achene. j. C. flavescens – achene. k. C. haspan – inflorescence. l. C. hermaphroditus – inflorescence. m. C. hortensis – inflorescence. n. C. iria – inflorescence. Photos: a-e, g-n. Rafael Trevisan; f. L. Pereira-Silva. Scale bars = 5 mm.

    2. 6’. Folhas com bainhas e lâminas desenvolvidas (exceto em Cyperus haspan); estames com filetes nunca longamente exsertos, apenas ultrapassando o comprimento da gluma sem conferir aspecto de algodão........ 4. Cyperus

  3. 5’. Glumas dispostas espiraladamente................................................................................................................... 7

    1. 7. Estiletes indivisos ou bífidos.................................................................................................................... 8

      1. 8. Estilopódios persistentes no ápice dos aquênios maduros............................. 9. Rhynchospora

      2. 8’. Estilopódios decíduos, nunca permanecendo no ápice dos aquênios maduros......................... 6. Fimbristylis

    2. 7’. Estiletes trífidos.......................................................................................................................................... 9

      1. 9. Folhas 10-12 mm larg., com margens e dorso da nervura central escabrosas (cortantes); inflorescência em panículas amplas de 30-50 cm compr................................................................................................................ 3. Cladium mariscus subsp. jamaicense

      2. 9’. Folhas 0,2-6 mm larg., com margens e nervuras não cortantes; inflorescência em antelódio simples ou composto de 1,5-9 cm compr............................................................................................................................... 10

        1. 10. Folhas lineares planas e com ápice da bainha glabro ou com tricomas curtos; estilopódio decíduo 6. Fimbristylis

        2. 10’. Folhas filiformes canaliculadas ou convolutas, com tricomas longos no ápice da bainha (Fig. 2b); estilopódio persistente no ápice do aquênio................................................................................................ 2. Bulbostylis capillaris var. elatior

1. Androtrichum (Brongn.) Brongn. in L.I.Duperrey, Voy. Monde, Phan.: 177. 1834.

1.1.Androtrichum trigynum (Spreng.) H.Pfeiff., Repert. Spec. Nov. Regni Veg. 42: 10. 1937. Fig. 2a

Androtrichum trigynum é reconhecida pela ausência de lâminas foliares, colmos geralmente cilíndricos e rígidos, e filamentos dos estames acrescentes e hialinos, o que confere aspecto lanoso à inflorescência. Ocorre geralmente em dunas de restinga herbácea.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 49 (FLOR).

2. Bulbostylis Kunth, Enum. Pl. 2: 205, nom. cons.1837.

2.1. Bulbostylis capillaris var. elatior (Griseb.) Osten, Anales Mus. Nac. Montevideo, ser. 2, 3: 193. 1931. Fig. 2b-c

Bulbostylis capillaris var. elatior pode ser facilmente reconhecida por formar touceiras pequenas cujas folhas são filiformes e por apresentar tricomas longos no ápice da bainha. Ocorre geralmente em ambientes secos, principalmente em dunas secundárias internas de restinga herbácea.

Material examinado: Palhoça, Campo do Maciambú, 24.IX.1953, Reitz & Klein 966 (HBR).

3. Cladium P.Browne, Civ. Nat. Hist. Jamaica: 114. 1756.

3.1. Cladium mariscus subsp. jamaicense (Crantz) Kük., Repert. Spec. Nov. Regni Veg. Beih. 40(1): 523. 1938. Fig. 2d

Cladium mariscus subsp. jamaicense é uma espécie robusta de 75-180 cm alt., apresenta folhas com margens e dorso da nervura central escabrosas, colmos cilíndricos e inflorescência em panícula ampla 30-50 cm compr. Ocorre em ambientes úmidos a alagados, podendo formar densas populações em corpos d’água doce ou salobra. Na BM, esta espécie domina extensas áreas de banhados (Eckel 2008Eckel RL (2008) Mapeamento e caracterização da cobertura vegetal e uso da terra de uma área do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro (Baixada do Massiambu, Município de Palhoça, SC). Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis. 80p.).

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 30 (FLOR).

4. Cyperus L., Sp. Pl.: 44. 1753.

A circunscrição de Cyperus passou por muitas mudanças, sendo aceito por alguns autores Cyperus sensu stricto (e.g., Goetghebeur 1998Goetghebeur P (1998) Cyperaceae In: Kubitzki K (ed.) The families and genera of vascular plant: IV. Flowering plants - monocotyledons. Springer-Verlag, Berlin. Pp. 141-190.), e por outros Cyperus sensu lato, o qual abrange os gêneros Alinula J.Raynal, Ascolepis Nees ex Steud., Courtoisina Soják, Kyllinga Rottb, Kyllingiella R.W. Haines & Lye, Lipocarpha R. Br, Oxycaryum Nees, Pycreus P.Beauv., Queenslandiella Domin, Remirea Aubl., Sphaerocyperus Lye e Volkiella Merxm. & Czech (e.g., Larridon et al. 2011Larridon I, Reynders M, Huygh W, Bauters K, Vrijdaghs A, Leroux O, Muasya AM & Goetghebeur P (2011) Taxonomic changes in C3 Cyperus (Cyperaceae) supported by molecular phylogenetic data, morphology, embryography, ontogeny and anatomy. Plant Ecology and Evolution 144: 327-356., 2013, 2014). Neste trabalho reconhecemos Cyperus s.l.

    Chave de identificação das espécies de Cyperus da Baixada do Maciambú
  1. 1. Aquênios trígonos; estiletes trífidos................................................................................................................. 2

    1. 2. Inflorescência congesta ou monocéfala, formada por 3-10 espigas densamente agrupadas no ápice do colmo 3

      1. 3. Porção terminal da ráquila da espigueta dilatada e esponjosa, cortícea, abraçando o aquênio 4.15. Cyperus pedunculatus

      2. 3’. Porção terminal da ráquila não espessada, sem modificação aparente..................................... 4

        1. 4. Espiguetas inconspícuas, ocultas por brácteas glumiformes obovadas ou espatuladas apiculadas 4.19. Cyperus sellowianus

        2. 4’. Espiguetas claramente expostas, sendo as brácteas das espiguetas reduzidas e pouco visíveis 4.1. Cyperus aggregatus

    1. 2’. Inflorescência ramificada, com pelo menos uma espiga, fascículo ou glomérulo pedunculado.. 5

      1. 5. Inflorescências parciais digitadas ou em glomérulos, nunca em espigas................................. 6

        1. 6. Folhas reduzidas a bainhas................................................................... 4.6. Cyperus haspan

        2. 6’. Folhas com lâminas foliares desenvolvidas......................................................................... 7

          1. 7. Colmos escabrosos nas faces e/ou nos ângulos........... 4.21. Cyperus surinamensis

          2. 7’. Colmos lisos...................................................................................................................... 8

            1. 8. Espiguetas reunidas em glomérulos densos no ápice dos ramos....................... 4.11. Cyperus luzulae

            2. 8’. Espiguetas laxamente digitadas no ápice dos ramos........................................... 4.4. Cyperus cellulosoreticulatus

      2. 5’. Inflorescências parciais em espigas densas ou laxas................................................................... 9

        1. 9. Espiguetas com a ráquila articulada entre as glumas férteis; aquênios com um envoltório coriáceo 4.14. Cyperus odoratus

        2. 9’. Espiguetas com a ráquila não articulada entre as glumas férteis; aquênios sem envoltório coriáceo 10

          1. 10. Plantas sem rizomas; espiguetas 12-30 por espigas; glumas férteis orbiculares.... 4.9. Cyperus iria

          2. 10’. Plantas com rizomas curtos; espiguetas > 30 por espigas; glumas férteis estreito-elípticas a elípticas........................................................................................................................................... 11

            1. 11. Espiguetas patentes, com glumas férteis lateralmente esverdeadas a esverdeado-amareladas 4.7. Cyperus hermaphroditus

            2. 11’. Espiguetas geralmente ascendentes, com glumas férteis lateralmente palhetes, amareladas, castanhas ou vináceas.................................................................................................................. 12

              1. 12. Lâminas foliares e brácteas involucrais marcadamente septado-nodulosas na face abaxial; antelódio composto; espigas laxas; ramos primários da inflorescência longos (acima de 15 cm) e flexíveis............................................................................................................... 4.17. Cyperus prolixus

              2. 12’. Lâminas foliares e brácteas involucrais não septado-nodulosas na face abaxial; antelódio simples; espigas densas, raramente subdensas; ramos primários da inflorescência curtos (até 8 cm) e rígidos......................................................................................................................... 13

                1. 13. Espigas oblongas ou estreitamente oblongas; espiguetas inferiores da espiga com (1-)2-5 flores; glumas férteis superiores com ala basal persistente na maturação 4.1. Cyperus aggregatus

                2. 13’. Espigas suborbiculares a elíptico-orbiculares; espiguetas inferiores da espiga com (4-)8-13(-16) flores; glumas férteis superiores com ala basal caduca na maturação 4.18. Cyperus rigens

  2. 1’. Aquênios biconvexos, estiletes bífidos.

    1. 14. Espiguetas plurifloras, reunidas em fascículos, glomérulos ou espigas, quando em espigas estas nunca sésseis 16

    2. 15. Aquênios com células superficiais alongadas longitudinalmente formando ondulações transversais 4.5. Cyperus flavescens

    3. 15’. Aquênios com células superficiais isodiamétricas e/ou irregulares................................................ 17

      1. 16. Espiguetas laxamente dispostas em antelódio............................................................................ 18

        1. 17. Inflorescência pseudolateral; bráctea da inflorescência inferior ereta parecendo continuação do colmo; glumas esbranquiçadas............................................................................... 4.2. Cyperus barrosianus

        2. 17’. Inflorescência terminal; brácteas da inflorescência patentes; glumas pardas ou amareladas 4.10. Cyperus lanceolatus

      2. 16’. Espiguetas densamente agrupadas em inflorescências capituliformes.................................. 19

        1. 18. Espiguetas 2,2-2,5 mm larg.; aquênios obovoides......... 4.12. Cyperus megapotamicus

        2. 18’. Espiguetas 1-2 mm larg.; aquênios fortemente oblongo-obovoides.................................. 4.16. Cyperus polystachyos

  3. 14’. Espiguetas 1-2 flores, reunidas em uma a três espigas sésseis................................................................. 20

    1. 19. Plantas cespitosas..................................................................................................................................... 21

      1. 20. Inflorescências esverdeadas; margem hialina conspícua na base da bráctea inferior; glumas com espínulas no dorso; aquênios 1 mm compr................................................................................. 4.8. Cyperus hortensis

      2. 20’. Inflorescências esbranquiçadas ou estramíneas; sem margem hialina na base da bráctea inferior; glumas de dorso liso; aquênios 1,3-1,4 mm compr.............................................................. 4.20. Cyperus sesquiflorus

    2. 19’. Plantas rizomatosas, com rizomas horizontais conspícuos............................................................... 22

      1. 21. Inflorescência esverdeada; glumas com espínulas no dorso; aquênios 1 mm compr., estramíneos 4.3. Cyperus brevifolius

      2. 21’. Inflorescência esbranquiçada ou estramínea; glumas de dorso liso; aquênios 1,3-1,4 mm compr., castanhos 4.13. Cyperus obtusatus

4.1. Cyperus aggregatus (Willd.) Endl., Cat. Horti Vindob. 1: 93. 1842. Fig. 2e

Cyperus aggregatus é caracterizada por apresentar inflorescência composta por várias espigas cilíndricas e esverdeadas. Cyperus aggregatus apresenta grande variação morfológica na inflorescência, apresentando espigas geralmente subsésseis sobre ramos inconspícuos, e menos comumente, pode apresentar os ramos primários do antelódio com até 4 cm de comprimento, tornando as espigas pedunculadas. Ocorre em dunas internas na restinga herbácea e em locais alterados.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 40 (FLOR).

4.2. Cyperus barrosianus Herter, Revista Sudamer. Bot. 9: 145. 1953. Pycreus tener C.B. Clarke, Bull. Herb. Boissier, sér. 2, 3: 940. 1903. Fig. 2f

Cyperus barrosianus é caracterizada pela inflorescência pseudolateral com a bráctea basal contínua do colmo e glumas esbranquiçadas. Ocorre em locais úmidos de restinga herbácea.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 22.XI.2015, L. Pereira-Silva & R. Trevisan 38a (FLOR).

4.3. Cyperus brevifolius (Rottb.) Hassk., Cat. Hort. Bot. Bogor.: 24. 1844. Kyllinga brevifolia Rottb., Descr. Icon. Rar. Pl.: 13. 1773. Fig. 2g

Cyperus brevifolius é uma espécie rizomatosa, apresenta inflorescência em espiga subglobosa verde e geralmente única por colmo. Ocorre em baixadas úmidas da restinga herbácea.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 03.V.2015, K. Luchetta & R. Trevisan 64 (FLOR).

4.4. Cyperus cellulosoreticulatus Boeckeler, Allg. Bot. Z. Syst. 1: 202. 1895. Fig. 2h-i

Cyperus cellulosoreticulatus é caracterizada principalmente pela inflorescência laxa e glumas densamente imbricadas na maturidade. Ocorre em locais úmidos da restinga herbácea e também na borda da restinga arbustiva.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 60 (FLOR).

4.5. Cyperus flavescens L., Sp. Pl.: 46. 1753. Pycreus flavescens (L.) P.Beauv. ex Rchb, Fl. Germ. Excurs.: 72. 1830. Fig. 2j

Cyperus flavescens é reconhecida por apresentar glumas amareladas e aquênios com células superficiais alongadas longitudinalmente formando ondulações transversais. Ocorre em locais úmidos ou alagados na restinga herbácea e em margens úmidas de estradas que cortam a BM.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 22.XI.2015, L. Pereira-Silva & R. Trevisan 126 (FLOR).

4.6. Cyperus haspan L., Sp. Pl.: 45. 1753. Fig. 2k

Cyperus haspan apresenta espiguetas avermelhadas que conferem aspecto escuro à inflorescência e folhas reduzidas à bainha. Ocorre em banhados e campos úmidos na restinga herbácea.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 51 (FLOR).

4.7. Cyperus hermaphroditus (Jacq.) Standl., Contr. U. S. Natl. Herb. 18: 88. 1916. Fig. 2l

Cyperus hermaphroditus apresenta variação em relação ao número de espiguetas por espigas, mas difere de outras espécies por sua inflorescência em antelódio simples com espigas oblongo-cilíndricas. Ocorre principalmente em locais alterados, mas também em áreas de contato entre a restinga herbácea e a restinga arbustiva, podendo ocorrer em locais sombreados.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 10 (FLOR).

4.8. Cyperus hortensis (Salzm. ex Steud.) Dorr, Smithsonian Contr. Bot. 100: 62. 2014. Kyllinga pumila Michx., Fl. Bor.-Amer. 1: 28. 1803. Fig. 2m

Cyperus hortensis diferencia-se de Cyperus brevifolius, espécie com a qual pode ser confundida, por apresentar glumas escabras, margem hialina conspícua na base da bráctea inferior e hábito cespitoso. Ocorre em banhados e locais úmidos de restinga herbácea.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 3 (FLOR).

4.9. Cyperus iria L., Sp. Pl.: 45. 1753. Fig. 2n

Cyperus iria é caracterizada por apresentar inflorescência verde-amarelada com aspecto pendente devido à ráquis flexível, espiguetas 12-30 por espigas e glumas férteis orbiculares. Ocorre em locais úmidos ou alagados de restinga herbácea e em margens alteradas das estradas que cortam a BM.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 19 (FLOR).

4.10. Cyperus lanceolatus Poir. in J.B.A.M.de Lamarck, Encycl. 7: 245. 1806. Pycreus lanceolatus (Poir.) C.B.Clarke in T.A.Durand & H.Schinz, Consp.Fl. Afric. 5: 538. 1894. Fig. 3a

Figura 3
a. Cyperus lanceolatus – inflorescência. b. C. luzulae – inflorescência. c. C. megapotamicus – inflorescência. d. C. obtusatus – inflorescência. e. C. odoratus – inflorescência. f. C. pedunculatus – inflorescência. g. C. polystachyos – inflorescência. h. C. prolixus – inflorescência. i. C. rigens – inflorescência. j. C. sellowianus – inflorescência. k. C. sesquiflorus – inflorescência. l. C. surinamensis – inflorescência. m. Eleocharis acutangula – inflorescência. Fotos: a, c, f, g. L. Pereira-Silva; b, d, e, h-m. Rafael Trevisan.
Figure 3
a. Cyperus lanceolatus – inflorescence. b. C. luzulae – inflorescence. c. C. megapotamicus – inflorescence. d. C. obtusatus – inflorescence. e. C. odoratus – inflorescence. f. C. pedunculatus – inflorescence. g. C. polystachyos – inflorescence. h. C. prolixus – inflorescence. i. C. rigens – inflorescence. j. C. sellowianus – inflorescence. k. C. sesquiflorus – inflorescence. l. C. surinamensis – inflorescence. m. Eleocharis acutangula – inflorescence. Photos: a, c, f, g. L. Pereira-Silva; b, d, e, h-m. Rafael Trevisan.

Cyperus lanceolatus é caracterizada pela combinação de espiguetas verde-amareladas, brácteas ereto-patentes, e aquênio marrom-escuro fortemente apiculado. Ocorre em locais úmidos de restinga herbácea ou de locais alterados.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 24 (FLOR); 22.XI.2015, L. Pereira-Silva & R. Trevisan 39 (FLOR).

4.11. Cyperus luzulae (L.) Retz., Observ. Bot. 4: 11. 1786. Cyperus entrerianus Boeck., Flora 61: 139. 1878. Fig. 3b

Cyperus luzulae forma touceiras compactas, geralmente com a base engrossada e avermelhada. Apresenta folhas coriáceas e fibrosas, inflorescência esverdeada a branca e as glumas da base da espigueta geralmente se desprendem facilmente na maturidade. Ocorre em campos secos ou úmidos de restinga herbácea e em locais alterados.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 15 (FLOR); 22.XI.2015, L. Pereira-Silva & R. Trevisan 37a (FLOR).

4.12. Cyperus megapotamicus (A.Dietr.) Kunth, Enum. Pl. 2: 10. 1837. Pycreus megapotamicus (A.Dietr.) Nees in C.F.P. von Martius & auct. suc. (eds.), Fl. Bras. 2(1): 6. 1842. Fig. 3c

Cyperus megapotamicus é facilmente reconhecida pelo colmo filiforme, inflorescência geralmente monocéfala globosa pseudolateral e por raramente apresentar lâminas foliares desenvolvidas. Ocorre em campo úmido de restinga herbácea.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 50 (FLOR).

4.13. Cyperus obtusatus (J.Presl & C.Presl) Mattf. & Kük. in H.G.A. Engler (ed.), Pflanzenr., IV, 20(101): 585. 1936. Kyllinga vaginata Lam., Tabl. Encycl. 1: 148. 1791. Fig. 3d

Cyperus obtusatus é caracterizada por apresentar hábito rizomatoso, folhas basais reduzidas à bainha, glumas de dorso liso e aquênio castanho 1,3-1,4 mm compr. Cyperus obtusatus não foi encontrada durante as coletas na Baixada do Maciambú, mas pela proximidade do local onde há registro de ocorrência, é possível que também ocorra no local de estudo.

Material examinado: Palhoça, Guarda do Embaú, 02.XII.2010, A. Korte 5378 (FLOR).

4.14. Cyperus odoratus L., Sp. Pl.: 46. 1753. Cyperus ferax Rich., Actes Soc. Hist. Nat. Paris, 1: 106. 1792. Fig. 3e

Cyperus odoratus apresenta espiguetas que se quebram em pequenos fragmentos quando amadurecem, sendo a unidade de dispersão composta pelo aquênio, gluma e ráquila. Ocorre em locais secos e úmidos de restinga herbácea.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 28.III.2002, A.S. Tavares 964 (FLOR).

4.15. Cyperus pedunculatus (R. Br.) J.Kern, Acta Bot. Neerl. 7: 798. 1958. Remirea maritima Aubl., Hist. Pl. Guiane 1: 45. 1775. Fig. 3f

Cyperus pedunculatus é reptante com rizomas longos, apresenta colmos recobertos por folhas coriáceas dispostas em espiral, lembrando um aspecto de pinheiro jovem de onde advém o nome popular “pinheirinho-da-praia”. Espécie não encontrada durante as coletas na Baixada do Maciambú, mas pela proximidade do local onde há registro de ocorrência, é possível que também ocorra no local de estudo. Cyperus pedunculatus geralmente ocorre em dunas frontais ou internas de restinga herbácea.

Material examinado: Palhoça, Guarda do Embaú, 02.XII.2010, A. Korte 5366 (FURB).

4.16. Cyperus polystachyos Rottb., Descr. Icon. Rar. Pl.: 39. 1773. Pycreus polystachyos (Rottb.) P.Beauv., Fl. Oware 2: 48. 1816. Fig. 3g

Cyperus polystachyos apresenta grande variação morfológica, com indivíduos de inflorescência bem congesta, quase monocéfala, até indivíduos com inflorescência em antelódio laxo. Esta espécie possui espiguetas linear-lanceoladas e aquênios fortemente oblongos com superfície geralmente brilhante. Ocorre em locais secos, úmidos ou permanentemente alagados em restinga herbácea e em locais alterados.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 25 (FLOR); 03.V.2015, K. Luchetta & R. Trevisan 66 (FLOR).

4.17. Cyperus prolixus Kunth in F.W.H. von Humboldt, A.J.A. Bonpland & C.S. Kunth, Nov. Gen. Sp. 1: 206. 1816. Fig. 3h

Cyperus prolixus apresenta lâminas foliares e brácteas involucrais marcadamente septado-nodulosas na face abaxial, e inflorescência em antelódio composto com ramos longos, flexíveis e pendentes na maturidade. Ocorre em campos úmidos de restinga herbácea.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 33 (FLOR).

4.18. Cyperus rigens J.Presl & C.Presl, Reliq. Haenk. 1: 170. 1828. Fig. 3i

Cyperus rigens apresenta espigas densas ou subdensas de formato ovoide a globosa, inseridas no ápice de antelódio terminal. Ocorre em banhados e dunas em restinga herbácea, e em locais alterados

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 4 (FLOR).

4.19. Cyperus sellowianus (Kunth) T.Koyama, Bot. Mag. (Tokyo) 73: 438. 1960. Lipocarpha humboldtiana Nees, Linnaea 9: 287. 1834. Fig. 3j

Cyperus sellowianus é caracterizada pela inflorescência castanho-claro capitada no ápice dos colmos, 3-5 espigas, e espiguetas ocultas por brácteas glumiformes. Ocorre em locais úmidos de restinga herbácea e em canais junto à margem das estradas que cortam a BM.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 35 (FLOR).

4.20. Cyperus sesquiflorus (Torr.) Mattf. & Kük. in H.G.A. Engler (ed.), Pflanzenr., IV, 20(101): 19. 1935. Kyllinga odorata Vahl, Enum. Pl. Obs. 2: 382. 1805. Fig. 3k

Cyperus sesquiflorus apresenta hábito cespitoso, inflorescência capitada, espigas 1-4, cilíndricas e alvas, sendo a central maior que as outras, e glumas de carena lisa. Ocorre em campos drenados, em dunas de restinga herbácea e em locais antropizados.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 65 (FLOR).

4.21. Cyperus surinamensis Rottb., Descr. Icon. Rar. Pl.: 35. 1773. Fig. 3l

Cyperus surinamensis é caracterizada pela presença de escabrosidades nas margens das folhas e face e/ou ângulos dos colmos, o que confere textura áspera ao toque, e espiguetas agrupadas em glomérulos globosos a ovoides de coloração verde a verde-amarelado reunidos em antelódio laxo. Ocorre principalmente em locais antropizados secos ou úmidos.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 56 (FLOR).

5. Eleocharis R.Br., Prodr. Fl. Nov. Holl.: 224. 1810.

    Chave de identificação das espécies de Eleocharis da Baixada do Maciambú
  1. 1. Glumas superiores cartáceas, margem hialina nitidamente delimitada do restante da gluma............... 2

    1. 2. Colmos ocos, septados................................................................................ 5.4. Eleocharis interstincta

    2. 2’. Colmos esponjosos, não septados............................................................................................................ 3

      1. 3. Glumas lisas, sem nervuras marcadas; aquênios 0,7-1 mm larg., trígonos ou plano-convexos 5.5. Eleocharis laeviglumis

      2. 3’. Glumas estriadas, com nervuras marcadas; aquênios 1-2 mm larg., biconvexos, raro ligeiramente plano-convexos............................................................................................................................................................... 4

        1. 4. Colmos distalmente trígonos, com as faces côncavas e ângulos agudos; espiguetas com 20-90 flores 5.1. Eleocharis acutangula

        2. 4’. Colmos levemente trígonos na porção distal ou trígono com faces planas ou levemente convexas e ângulos arredondados; espiguetas com 10-25 flores........................................................................... 5.11. Eleocharis pauciglumis

  2. 1’. Glumas superiores membranáceas, margem hialina, quando presente, sem delimitação nítida entre esta e o restante da gluma 5

    1. 5. Aquênios biconvexos; estiletes bífidos................................................................................................... 6

      1. 6. Bainha com o múcron dorsal desenvolvido; colmos ocos e septados......................................... 5.8. Eleocharis montana

      2. 6’. Bainha não mucronada; colmos esponjosos.................................................................................. 7

    1. 7. Bainha tubular com a porção distal resistente, com a borda firme....... 5.3. Eleocharis geniculata

    2. 7’. Bainha inflada ou ligeiramente inflada, com a porção distal delicada, hialina, com a borda que se rasga facilmente....................................................................................................................................................................... 7

      1. 8. Aquênios maduros oliváceos ou oliváceos com pontos ou linhas escuras nas laterais............ 5.12. Eleocharis sellowiana

      2. 8’. Aquênios maduros marrom-claro, marrom-escuro, purpúreos a pretos................................... 9

        1. 9. Glumas com lados amarelo a marrom-claro; aquênios marrom-claro a marrom-escuro 5.2. Eleocharis flavescens

        2. 9’. Glumas com lados purpúreo a vináceo; aquênios purpúreos a pretos................................ 5.6. Eleocharis maculosa

  3. 5’. Aquênios plano-convexos ou trígonos; estiletes trífidos............................................................................ 10

    1. 10. Glumas com disposição dística......................................................................... 5.7. Eleocharis minima

    2. 10’. Glumas com disposição espiralada....................................................................................................... 11

      1. 11. Glumas com as laterais translúcidas brancas a palhetes.......................... 5.9. Eleocharis nana

      2. 11’. Glumas com os lados marrom-escuro a vináceo........................................................................ 12

        1. 12. Plantas com colmos capilares 0,2-0,4 mm larg.; espiguetas com 10-20 flores............... 5.10. Eleocharis niederleinii

        2. 12’. Plantas com colmos filiformes 0,3-1 mm larg., espiguetas com 25-60 flores................. 5.13. Eleocharis viridans

5.1. Eleocharis acutangula (Roxb.) Schult., Mant. 2: 91. 1824. Fig. 3m

Eleocharis acutangula é caracterizada pelos colmos distalmente trígonos com as faces côncavas e ângulos agudos. Ocorre em ambientes permanentemente inundados de restinga herbácea, principalmente ao longo de canais de drenagem.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 6 (FLOR).

5.2. Eleocharis flavescens (Poir.) Urb., Symb. Antill. 4: 116. 1903. Fig. 4a

Figura 4
a. Eleocharis flavescens – aquênio. b. E. geniculata – aquênio. c. E. interstincta – aquênio. d. E. laeviglumis – inflorescência. e. E. maculosa – inflorescência. f. E. minima – aquênio. g. E. montana – aquênio. h. E. nana – aquênio. i. E. niederleinii – aquênio. j. E. pauciglumis – aquênio. k. E. sellowiana – aquênio. l. E. viridans – inflorescência. m. Fimbristylis aspera – aquênio. Fotos: Rafael Trevisan. Barras de escala = 5 mm.
Figure 4
a. Eleocharis flavescens – achene. b. E. geniculata – achene. c. E. interstincta – achene. d. E. laeviglumis – inflorescence. e. E. maculosa – inflorescence. f. E. minima – achene. g. E. montana – achene. h. E. nana – achene. i. E. niederleinii – achene. j. E. pauciglumis – achene. k. E. sellowiana – achene. l. E. viridans – inflorescence. m. Fimbristylis aspera – achene. Photos: Rafael Trevisan. Scale bars = 5 mm.

Eleocharis flavescens é caracterizada por apresentar bainhas com a porção distal inflada e transversalmente enrugada, glumas com lados amarelado a castanho-claro ou marrom, e aquênios marrom-claro a marrom-escuro. Ocorre geralmente em locais encharcados em restinga herbácea.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 27.II.2002, A.S. Tavares 911 (FLOR).

5.3. Eleocharis geniculata (L.) Roem. & Schult., Syst. Veg., ed. 15 bis 2: 150. 1817. Fig. 4b

Eleocharis geniculata é caracterizada por apresentar espiguetas largo-ovais a globosas, com coloração vinácea brilhante, e aquênios biconvexos pretos. Espécie não encontrada durante as coletas na Baixada do Maciambú, mas pela proximidade do local onde há registro de ocorrência, é possível que também ocorra no local de estudo. Ocorre em banhados e campo úmidos arenosos de restinga herbácea.

Material examinado: Palhoça, Guarda do Embaú, 02.XII.2014, A. Korte 5379 (FLOR).

5.4. Eleocharis interstincta (Vahl) Roem. &Schult., Syst. Veg., ed. 15 bis 2: 149. 1817. Fig. 4c

Eleocharis interstincta é facilmente reconhecida pelos colmos ocos e septados, glumas cartilaginosas e estriadas, e aquênios lenticulares com linhas longitudinais de células retangulares orientadas horizontalmente. Ocorre em ambientes inundados de restinga herbácea, principalmente ao longo de canais de drenagem.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 30.XI.2006, R. Trevisan et al. 776 (ICN); 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 5 (FLOR).

5.5. Eleocharis laeviglumis R.Trevis. & Boldrini, Novon 16: 155. 2006. Fig. 4d

Eleocharis laeviglumis é caracterizada pelos colmos esponjosos cilíndricos, espiguetas cilíndricas e glumas lisas sem nervuras marcadas. Ocorre em ambientes permanentemente inundados de restinga herbácea.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 58 (FLOR).

5.6. Eleocharis maculosa (Vahl) Roem. & Schult., Syst. Veg., ed. 15 bis 2: 154. 1817. Fig. 4e

Eleocharis maculosa é caracterizada por apresentar glumas com lados purpúreo a vináceo e aquênios purpúreos a pretos com cerdas hipóginas longas, geralmente ultrapassando o estilopódio. Ocorre em margens de banhados ou em campo úmido na restinga herbácea.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 27º50’52,8”S, 48º38’0,7”W, 30.XI.2006, R. Trevisan et al. 777 (ICN); 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 26 (FLOR).

5.7. Eleocharis minima Kunth, Enum. Pl. 2: 139. 1837. Fig. 4f

Eleocharis minima é caracterizada por apresentar pequeno porte (3-5 cm alt.), colmos capilares e glumas dísticas. Ocorre em banhados e campos úmidos na restinga herbácea. Muitas vezes E. minima pode aparecer como planta flutuante em corpos d’água formando emaranhados.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 16 (FLOR).

5.8. Eleocharis montana (Kunth) Roem. & Schult., Syst. Veg., ed. 15 bis 2: 153. 1817. Fig. 4g

Eleocharis montana é caracterizada pelo colmo oco septado, bainha com múcron dorsal desenvolvido, espiguetas castanho-claro e glumas membranáceas. Ocorre em margens de banhados e também em canais nas margens das estradas que cortam a BM.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 30.II.2006, R. Trevisan 777 (ICN).

5.9. Eleocharis nana Kunth, Enum. Pl. 2: 140. 1837. Fig. 4h

Eleocharis nana é caracterizada pela bainha levemente inflada e glumas translúcidas brancas a palhetes. Espécie não encontrada durante as coletas na BM, mas pela proximidade do local onde há registro de ocorrência, é possível que também ocorra no local de estudo. Ocorre geralmente em locais úmidos com solo arenoso de restinga herbácea.

Material examinado: Palhoça, Guarda do Embaú, 02.XII.2010, A. Korte 5317 (FLOR).

5.10. Eleocharis niederleinii Boeckeler, Beitr. Cyper. 1: 13. 1888. Fig. 4i

Eleocharis niederleinii é caracterizada pelos colmos finos (0,2-0,4 mm larg.) com a base levemente lignificada e vinácea, glumas florais espiraladas com os lados marrom-escuro a vináceo. Ocorre em locais úmidos de restinga herbácea.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 20 (FLOR).

5.11. Eleocharis pauciglumis R.Trevis. & D.J. Rosen, Brittonia 64: 20. 2012. Fig. 4j

Eleocharis pauciglumis é caracterizada por apresentar colmos esponjosos, trígonos com as faces planas ou ligeiramente convexas e os ângulos arredondados, e espiguetas com 10-25 flores. Ocorre em baixadas permanentemente inundados na restinga herbácea e margens de banhados.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 19.II.2002, A.S. Tavares 920 (FLOR).

5.12. Eleocharis sellowiana Kunth, Enum. Pl. 2: 149. 1837. Fig. 4k

Eleocharis sellowiana apresenta grande variação morfológica, mas pode ser reconhecida pelas bainhas com a porção distal frágil, escariosa, inflada e transversalmente enrugada, e aquênios oliváceos, com cerdas hipóginas brancas e mais curtas que o estilopódio. Ocorre em banhados e campo úmidos de restinga herbácea.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 8 (FLOR).

5.13. Eleocharis viridans Kük. ex Osten, Anales Mus. Hist. Nat. Montevideo, ser. 2, 3: 175. 1931. Fig. 4l

Eleocharis viridans apresenta a base lignificada, espiguetas com 25-60 flores e glumas superiores espiraladas. Ocorre em banhados e campos úmidos de restinga herbácea.

Material examinado: Palhoça, SC-433, km 8, na estrada entre a Praia da Pinheira e a Praia do Sonho, 8.II.2007, R. Lüdtke 763(FLOR).

6. Fimbristylis Vahl, Enum. Pl. Obs. 2: 285. 1805.

    Chave de identificação das espécies de Fimbristylis da Baixada do Maciambú
  1. 1. Folhas desprovidas de lígula.............................................................................................................................. 2

    1. 2. Aquênios trígonos; estiletes trífidos................................................................ 6.1. Fimbristylis aspera

    2. 2’. Aquênios biconvexos; estiletes bífidos................................................................................................... 3

      1. 3. Antelódio contraído com ramos pouco evidentes; estiletes não fimbriados.............................. 6.3. Fimbristylis cymosa

      2. 3’. Antelódio laxo; estiletes fimbriados................................................... 6.5. Fimbristylis spadicea

  2. 1’. Folhas com lígula pilosa..................................................................................................................................... 4

    1. 4. Espiguetas lanceoladas; aquênios trígonos, 0,4-1 mm compr., lisos; estiletes trífidos, não fimbriados 6.2. Fimbristylis complanata

    2. 4’. Espiguetas ovoides a elipsoides; aquênios biconvexos, 1-1,4 mm compr., cancelados, com superfície composta de 7-11 séries verticais de células; estiletes bífidos, fimbriados......................................................................... 6.4. Fimbristylis dichotoma

6.1. Fimbristylis aspera (Schrad.) Boeckeler, Linnaea 37: 29. 1871. Fig. 4m

Fimbristylis aspera é caracterizada por apresentar a base castanho-escuro brilhante, folhas planas largas (ca. 5 mm larg.), e aquênios trígonos com superfície cancelada. Ocorre em margem de banhados e em locais úmidos da restinga herbácea.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 16.IX.2001, A.S. Tavares et al. (FLOR 62674).

6.2. Fimbristylis complanata (Retz.) Link, Hort. Berol. 1: 292. 1827. Fig. 5a

Figura 5
a. Fimbristylis complanata – aquênio. b. F. cymosa – aquênio. c. F. dichotoma – inflorescência. d. F. spadicea – inflorescência. e. Fuirena robusta – inflorescência. f. Lagenocarpus rigidus – inflorescência. g. Rhynchospora barrosiana – aquênio. h. R. brittonii – inflorescência. i. R. confinis – inflorescência. j. R. emaciata – inflorescência. k. R. gigantea – inflorescência. l. R. holoschoenoides – inflorescência. Fotos: Rafael Trevisan. Barras de escala = 5 mm.
Figure 5
a. Fimbristylis complanata – achene. b. F. cymosa – achene. c. F. dichotoma – inflorescence. d. F. spadicea – inflorescence. e. Fuirena robusta – inflorescence. f. Lagenocarpus rigidus – inflorescence. g. Rhynchospora barrosiana – achene. h. R. brittonii – inflorescence. i. R. confinis – inflorescence. j. R. emaciata – inflorescence. k. R. gigantea – inflorescence. l. R. holoschoenoides – inflorescence. Photos: Rafael Trevisan. Scale bars = 5 mm.

Fimbristylis complanata apresenta inflorescência laxa com raios primários longos ou, menos comumente, espécimes com raios primários reduzidos (espiguetas aproximadas e pediceladas em inflorescências congestas), espiguetas lanceoladas, glumas com margem hialina estreita, e estiletes trífidos, não fimbriados. Ocorre em restinga herbácea e locais antropizados.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 11.VI.2001, A.S. Tavares 921 (FLOR).

6.3. Fimbristylis cymosa R.Br., Prodr. Fl. Nov. Holl.: 228. 1810. Fig. 5b

Fimbristylis cymosa é caracterizada pela inflorescência congesta e folhas rígidas, formando uma roseta basal. Ocorre em campos arenosos úmidos da restinga herbácea e locais úmidos alterados.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 62 (FLOR).

6.4. Fimbristylis dichotoma (L.) Vahl, Enum. Pl. Obs. 2: 287. 1805. Fig. 5c

Fimbristylis dichotoma é caracterizada pelas espiguetas elipsoides a ovoides, castanho-clara, estiletes bífidos fimbriados, e aquênio biconvexo obovoide a cordiforme com superfície cancelada. Ocorre em campo arenoso úmido da restinga herbácea e locais alterados.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 2 (FLOR).

6.5. Fimbristylis spadicea (L.) Vahl, Enum. Pl. Obs. 2: 294. 1805. Fig. 5d

Fimbristylis spadicea apresenta brácteas involucrais inferiores que ultrapassam a inflorescência, antelódio laxo, espiguetas elipsoides, e folhas canaliculadas 0,5-4,0 mm larg. Ocorre em locais úmidos da restinga herbácea e margens de banhados.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 03.V.2015, K. Luchetta & R. Trevisan 63 (FLOR).

7. Fuirena Rottb., Descr. Icon. Rar. Pl.: 70. 1773.

7.1. Fuirena robusta Kunth, Enum. Pl. 2: 185. 1837. Fig. 5e

Fuirena robusta é uma espécie rizomatosa, emergente e facilmente reconhecida pelos colmos quinquangulares e esponjosos, folhas distribuídas ao longo do colmo, e perigônio dimorfo, com um ciclo de 3 cerdas externas e outro ciclo de 3 estruturas carnosas oval-lanceoladas internas. Ocorre em ambientes permanentemente alagados e geralmente forma grandes cinturões acompanhando a porção marginal mais rasa de banhados e lagoas, ocorrendo junto com Cladium.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 45 (FLOR).

8. Lagenocarpus Nees, Linnaea 9: 304. 1834.

8.1. Lagenocarpus rigidus (Kunth) Nees in C.F.P.von Martius & auct. suc. (eds.), Fl. Bras. 2(1): 167. 1842. Fig. 5f

Lagenocarpus rigidus é uma espécie robusta que forma touceiras, apresenta a base recoberta por restos de bainhas desagregadas em fibras ou por folhas secas enroladas, inflorescência composta por ramos masculinos e femininos em porções distintas, e espiguetas pistiladas na porção apical e estaminadas na porção proximal. Ocorre em campo seco na restinga herbácea.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 31 (FLOR).

9. Rhynchospora Vahl, Enum. Pl. Obs. 2: 229. 1805.

    Chave de identificação das espécies de Rhynchospora da Baixada do Maciambú
  1. 1. Espiguetas sésseis ou subsésseis, agrupadas em um ou mais glomérulos densos.................................... 2

    1. 2. Estilopódios cônicos, base tão larga quanto o ápice dos aquênios.... 9.5. Rhynchospora gigantea

    2. 2’. Estilopódios subulados, base com cerca de metade da largura dos aquênios..................................... 9.6. Rhynchospora holoschoenoides

  2. 1’. Espiguetas pediceladas, isoladas ou reunidas em fascículos, nunca agrupadas em glomérulos densos. 3

    1. 3. Aquênios desprovidos de cerdas hipóginas........................................................................................... 4

      1. 4. Inflorescência terminal fascicular; estilopódios com duas projeções laterais, lembrando dentes.....................................................................................................................................5

      2. 5. Planta cespitosa; espiguetas 5-6 mm compr.; superfície dos aquênios fortemente rugoso-foveolado na porção mediana e com papilas na porção marginal; estilopódios com projeções laterais quase alcançando a central em altura .......................... 9.8. Rhynchospora tenerrima

      3. 5’. Planta rizomatosa estolonífera; espiguetas 7-10 mm compr.; superfície dos aquênios quase lisa com ondulações leves na porção mediana e sem papilas na porção marginal; estilopódios com projeções laterais sutis, bem mais curtas que a central.................................................................................................... 9.3. Rhynchospora confinis

    1. 4’. Inflorescência terminal em antelódio; estilopódios sem projeções laterais...................................... 6

      1. 6. Antelódio laxo; espiguetas 5-8 mm compr., solitárias ou geminadas........................................ 9.4. Rhynchospora emaciata

      2. 6’. Antelódio contraído; espiguetas 2,8-4 mm compr., agrupadas em fascículos de 4-5............. 9.9. Rhynchospora tenuis

  3. 3’. Aquênios providos de cerdas hipóginas.......................................................................................................... 7

    1. 7. Espiguetas 2,0-2,8 mm compr.; superfície dos aquênios foveolada... 9.2. Rhynchospora brittonii

    2. 7’. Espiguetas 3,5-6,6 mm compr.; superfície dos aquênios não foveolada.......................................... 8

      1. 8. Superfície dos aquênios com 8-11 bandas transversais com cristas abruptas; estilopódio largo-triangular deltoide, separado do aquênio por uma constrição dorsiventral; cerdas hipóginas mais curtas que o estilopódio ................................................. 9.1. Rhynchospora barrosiana

      2. 8’. Superfície dos aquênios com 9-12 bandas transversais suaves, nunca com cristas abruptas; estilopódio estreito-triangular a triangular-subulado, confluente com o corpo do aquênio; cerdas hipóginas ultrapassando longamente o ápice do estilopódio............................................................................................................................. 9.7. Rhynchospora marisculus

9.1. Rhynchospora barrosiana Guagl., Darwiniana 22: 287. 1979. Fig. 5g

Rhynchospora barrosiana é caracterizada pela combinação de aquênios com 8-11 bandas transversais com cristas abruptas; estilopódio largo-triangular deltoide, separado do aquênio por uma constrição dorsiventral; cerdas hipóginas mais curtas que o estilopódio. Rhynchospora barrosiana é facilmente reconhecida em campo pelas espiguetas reunidas em fascículos e aquênios fortemente rugosos que parecem riscos transversais quando vistos a olho nu. Ocorre em campos arenosos úmidos da restinga herbácea e também em áreas úmidas nas margens de estradas que cortam a BM.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 43 (FLOR); 19.II.2014, P. Weber et al. 418 (FLOR).

9.2. Rhynchospora brittonii Gale, Rhodora 46: 241. 1944. Fig. 5h

Rhynchospora brittonii é caracterizada pelas espiguetas globoso-ovadas reunidas em fascículos, glumas castanho-escuras, aquênios obovoides com superfície foveolada e 5-6 cerdas hipóginas do mesmo tamanho do aquênio ou mais curtas. Ocorre em locais úmidos das dunas internas e margens de poças temporárias na restinga herbácea.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 18 (FLOR).

9.3. Rhynchospora confinis (Nees) C.B.Clarke, Bull. Misc. Inform. Kew, Addit. Ser. 8: 40. 1908. Fig. 5i

Rhynchospora confinis é caracterizada por apresentar folhas rígidas, espiguetas 7-10 mm compr., superfície dos aquênios quase lisa com ondulações leves na porção mediana e sem papilas na porção marginal, e estilopódios com projeções laterais sutis, bem mais curtas que a central. Ocorre em margens de poças temporárias e locais brejosos da restinga herbácea.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 23 (FLOR); 19.II.2014, P. Weber et al. 419 (FLOR).

9.4. Rhynchospora emaciata (Nees) Boeckeler, Vidensk. Meddel. Naturhist. Foren. Kjøbenhavn 31: 149. 1869 publ. 1870. Fig. 5j

Rhynchospora emaciata é caracterizada pelo antelódio laxo com ramos divergentes e coloração castanho-ferrugíneo, e espiguetas 5-8 mm compr. Ocorre em locais úmidos a brejosos na restinga herbácea.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 19.II.2014, K. Luchetta 12 (FLOR); 19.II.2014, P. Weber et al. 415 (FLOR).

9.5. Rhynchospora gigantea Link, Jahrb. Gewächsk. 1(3): 76. 1820. Fig. 5k

Rhynchospora gigantea é uma espécie robusta, apresenta aquênio elíptico-obovado e estilopódio cônico maior que o comprimento do aquênio. Ocorre em locais brejosos ou com lâmina d’água permanente nos banhados, acompanhando Cladium e Fuirena.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 59 (FLOR).

9.6. Rhynchospora holoschoenoides (Rich.) Herter, Revista Sudamer. Bot. 9: 157. 1953. Figs. 5l; 6a

Rhynchospora holoschoenoides apresenta inflorescência formada por 3-4 glomérulos ferrugíneos dispostos em antelódio e estilopódio subulado. Esta espécie é muito comum na BM, ocorrendo em locais úmidos na restinga herbácea e também em áreas alteradas nas margens das estradas.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 7 (FLOR).

9.7. Rhynchospora marisculus Lindl. & Nees in C.F.P. von Martius & auct. suc. (eds.), Fl. Bras. 2(1): 142 (1842). Fig. 6b-d

Figura 6
a. Rhynchospora holoschoenoides – a. aquênio. b-d. R. marisculus – b. hábito; c. inflorescência; d. aquênio. e. R. tenerrima – aquênio. f. R. tenuis – aquênio. g. Scleria distans – aquênio. h. S. gaertneri – aquênio. i. S. georgiana – aquênio. j. S. latifolia – inflorescência. k. S. secans – aquênio. l. S. uleana – aquênio. Fotos: Rafael Trevisan. Barras de escala = 5 mm.
Figure 6
a. Rhynchospora holoschoenoides – a. achene. b-d. R. marisculus – b. habit; c. inflorescence; d. achene. e. R. tenerrima – achene. f. R. tenuis – achene. g. Scleria distans – achene. h. S. gaertneri – achene. i. S. georgiana – achene. j. S. latifolia – inflorescence. k. S. secans – achene. l. S. uleana – achene. Photos: Rafael Trevisan. Scale bars = 5 mm.

Rhynchospora marisculus é caracterizada pelo porte de até 1,7 m alt., e estilopódio confluente com o corpo do aquênio. Ocorre em banhados com Cladium e em baixadas úmidas da restinga herbácea.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 47 (FLOR).

9.8. Rhynchospora tenerrima Nees ex Spreng., Syst. Veg. 4(2): 26. 1827. Fig. 6e

Rhynchospora tenerrima é caracterizada por apresentar estilopódio com duas projeções laterais, ausência de cerdas hipóginas, e aquênio fortemente rugoso-foveolado na porção mediana e com papilas na porção marginal. Ocorre em locais brejosos da restinga herbácea.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 20.II.2002, A.S. Tavares 904 (FLOR).

9.9. Rhynchospora tenuis Link, Jahrb. Gewächsk. 1(3): 76. 1820. Fig. 6f

Rhynchospora tenuis é caracterizada por apresentar folhas canaliculadas, antelódio contraído, aquênios transversalmente ondulados, ausência de cerdas hipóginas e estilopódios bilobados. Ocorre em banhados ou locais úmidos da restinga herbácea.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 22 (FLOR).

10. Scleria P.J.Bergius, Kongl. Vetensk. Acad. Handl. 26: 142. 1765.

    Chave de identificação das espécies de Scleria da Baixada do Maciambú
  1. 1. Ervas trepadeiras ou apoiantes.......................................................................................................................... 2

    1. 2. Presença de lígula; margens das folhas cortantes................................................ 10.5. Scleria secans

    2. 2ʼ. Ausência de lígula; margens das folhas escabrosas, não cortantes.................. 10.6. Scleria uleana

  2. 1ʼ. Ervas eretas, não apoiantes................................................................................................................................ 3

    1. 3. Hipogínios ausentes................................................................................................................................... 4

      1. 4. Inflorescência formada por um fascículo único terminal; aquênios levemente sulcados longitudinalmente 10.3. Scleria georgiana

      2. 4ʼ. Inflorescência formada por fascículos parciais distribuídos ao longo do eixo principal; aquênios não sulcados............................................................................................................................ 10.1. Scleria distans

    1. 3ʼ. Hipogínios presentes................................................................................................................................ 10

      1. 5. Hipogínios cartilaginosos trilobados de margem inteira; folhas 0,5-0,7 cm larg..................... 10.2. Scleria gaertneri

      2. 5ʼ. Hipogínios membranáceos de margem laciniada; folhas 1-5 cm larg........................................ 10.4. Scleria latifolia

10.1. Scleria distans Poir. in J.B.A.M.de Lamarck, Encycl. 7: 4. 1806. Fig. 6g

Scleria distans apresenta inflorescência com fascículos parciais distribuídos ao longo do eixo principal e aquênios brancos lisos desprovidos de hipogínio. Ocorre em campos úmidos e margens de brejos da restinga herbácea e em margens de banhados.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 17.I.2002, A.S. Tavares & F.B. Guimarães (FLOR 43576); 28.III.2002, A.S. Tavares & F.B. Guimarães (FLOR 43573); 6.XII.2010, R. Affonso & A. Zannin 126 (FLOR); 6.XII.2010, R. Affonso & A. Zannin 127 (FLOR); A.C. Araújo & G.S. Vendruscolo 1689 (ICN); 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 36 (FLOR).

10.2. Scleria gaertneri Raddi, Atti Reale Accad. Lucchese Sci. 2: 331. 1823. Fig. 6h

Scleria gaertneri é caracterizada pelo panículódio alongado e o hipogínio cartilaginoso trilobado de margem inteira. Ocorre em locais úmidos de restinga herbácea e também na borda da restinga arbustiva onde há sombreamento.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 39 (FLOR).

10.3. Scleria georgiana Core, Brittonia 1: 243. 1934. Fig. 6i

Scleria georgiana possui inflorescência fascicular terminal, e aquênio ovoide e sulcado longitudinalmente em direção à base. Ocorre em locais úmidos de restinga herbácea.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 16.IX.2007, A.S. Tavares & F.B. Guimarães (FLOR 38973).

10.4. Scleria latifolia Sw., Prodr. Veg. Ind. Occ.: 18. 1788. Fig. 6j

Scleria latifolia é reconhecida pelo aquênio globoso liso de coloração vinácea a preta quando maduro, podendo esta cor estar mesclada com branco. Além disso, Scleria latifolia apresenta folhas largas esciófilas. Ocorre em ambientes antropizados próximos de cursos d’água ou junto a locais sombreados na borda da restinga arbustiva ou arbórea.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 6.XII.2010, R. Affonso & A. Zannin 124 (FLOR); 19.II.2014, K. Luchetta & R. Trevisan 17 (FLOR).

10.5. Scleria secans (L.) Urb., Symb. Antill.2: 169. 1900. Fig. 6k

Scleria secans apresenta habito trepador apoiante e colmo ramificado. Esta espécie é conhecida popularmente como “navalha-do-mato” devido às margens cortantes das folhas. Ocorre em locais sombreados de restinga arbustiva e arbórea.

Material examinado: Palhoça, Baixada do Maciambú, 6.XII.2010, R. Affonso & A. Zanin 125 (FLOR).

10.6. Scleria uleana Boeckeler, Allg. Bot. Z. Syst. 2: 159. 1896. Fig. 6l

Scleria uleana caracteriza-se pelo paniculódio laxo, lígulas ausentes e por apresentar cerca de 2 m de altura. Espécie não encontrada durante as coletas na BM, mas pela proximidade do local onde há registro de ocorrência, é possível que também ocorra no local de estudo. Ocorre em bordas de córregos em restinga arbustiva e arbórea apoiando-se sobre a vegetação circundante.

Material examinado: Palhoça, 6.XII.2010, R. Affonso & A. Zanin 119 (FLOR).

Agradecimentos

RT agradece ao CNPq a bolsa Produtividade (processo 313306/2018-4).

Referências

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Editado por

Editora de área: Dra. Tatiana Carrijo

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    11 Nov 2019
  • Data do Fascículo
    2019

Histórico

  • Recebido
    20 Set 2017
  • Aceito
    05 Maio 2018
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