O artigo tem como objetivo examinar os mecanismos de reprodução demográfica da escravidão no Grão-Pará oitocentista. Uma vez aceita e então superada a noção de inexpressividade da escravidão negra na região, o processo de crioulização dos escravos tem sido tema recorrente na historiografia paraense, desde os estudos revisionistas dos anos de 1970, tendo em vista o enfraquecimento precoce do tráfico atlântico de cativos com destino à Amazônia, datado ainda das primeiras décadas do século XIX. Por meio da análise de estatísticas demográficas provinciais e de inventários POST MORTEMdos dois principais redutos escravistas do Pará (Baixo Tocantins e Zona Guajarina), em diálogo com dados e interpretações de uma historiografia paraense mais recente, o presente estudo defende a hipótese de que a reprodução endógena foi um elemento estrutural para a crioulização da população e para a dinâmica demográfica da escravidão na Amazônia oitocentista, viabilizando sua relevância econômica até o ocaso do escravismo no Brasil.
PALAVRAS-CHAVE
escravidão no Grão-Pará (século XIX; reprodução endógena; dinâmica demográfica
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