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Saúde em Debate

Print version ISSN 0103-1104On-line version ISSN 2358-2898

Saúde debate vol.43 no.spe7 Rio de Janeiro  2019  Epub July 13, 2020

https://doi.org/10.1590/0103-11042019s716 

REVISÃO

O Itinerário Terapêutico no Brasil: revisão sistemática e metassíntese a partir das concepções negativa e positiva de saúde

The Therapeutic Itinerary in Brazil: systematic review and meta-synthesis from the health negative and positive conceptions of health

Fran Demétrio1 
http://orcid.org/0000-0001-8231-3307

Elvira Rodrigues de Santana2 
http://orcid.org/0000-0002-0115-9553

Marcos Pereira-Santos2 
http://orcid.org/0000-0003-3766-2502

1Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Centro de Ciências da Saúde (CCS) – Santo Antônio de Jesus (BA), Brasil.

2Universidade Federal da Bahia (UFBA), Instituto de Saúde Coletiva (ISC) – Salvador (BA), Brasil.


RESUMO

A compreensão de como as pessoas procuram ajuda para resolver suas demandas ou problemas de saúde tem sido cada vez mais o foco de pesquisas. Objetiva-se analisar a produção científica nacional que aborda os Itinerários Terapêuticos (IT) a partir das concepções negativa e positiva de saúde. Foram pesquisados estudos na Biblioteca Virtual em Saúde, no período de 2008 a 2019. O metaestudo teve como objetivo interpretar e resumir os resultados. Foram identificados 224 estudos, e 50 foram selecionados. O principal núcleo de interesse na abordagem teórica considerou a doença/problema como disparador para a busca de terapêutica. Observa-se o predomínio de estudos com alto rigor metodológico e que usaram entrevistas e análise de conteúdo para produção de dados. Os resultados dos estudos revelam os sentidos que os sujeitos atribuem ao processo saúde-doença-cuidado. Entre as redes de apoio aos IT, destacam-se a família e os serviços de saúde. A resolutividade do sistema formal e a integralidade do cuidado também foram analisadas. Conclui-se que a ampliação de referenciais de análise e as perspectivas teóricas nos estudos sobre IT, a exemplo da concepção positiva de saúde, podem contribuir para a efetividade da integralidade e a eficácia simbólica no cuidado em saúde.

PALAVRAS-CHAVE Atitude frente a saúde; Acesso aos serviços de saúde; Sistemas de saúde

ABSTRACT

The understanding of how people look for help to solve their demands or health problems has increasingly been the focus of researches. The objective is to analyze national scientific production that addresses the Therapeutic Itineraries (TI) in Brazil from the negative and positive conceptions of health. Studies from the period between 2008 and 2019 were investigated on the Virtual Library in Health. The meta-study had the objective of interpreting and summarizing the results. 224 studies were identified, and 50 were selected. The main core of interest in the theoretical approach deemed the disease/problem as the trigger to the quest for treatment. It was noticed the dominance of studies with high methodological accuracy that used interviews and content analysis for data production. The results of the studies indicate the meaning that the subjects attach to the health-disease-care process. Among the IT support networks, the family and the healthcare services are emphasized. The formal system resolvability and care comprehensiveness were also analyzed. It is concluded that the expansion of analytical frameworks and theoretical perspectives on IT studies, such as the positive conception of health, can contribute to the effectiveness of comprehensiveness and symbolic effectiveness in health care.

KEYWORDS Attitude to health; Health services accessibility; Healthcare systems

Introdução

Os caminhos percorridos por pessoas na busca de cuidados terapêuticos para seus problemas de saúde são definidos pela literatura socioantropológica como Itinerários Terapêuticos (IT)1.

Os estudos sobre IT adquiriram importância ao chamar a atenção para os fatores extrabiólogicos da doença. Dessa maneira, estudiosos da socioantropologia da saúde passaram a sugerir distintas classificações de sistemas terapêuticos na tentativa de ordenar as diferentes interpretações sobre as doenças e os processos de tratamento entre as várias alternativas disponíveis em uma dada sociedade1. Nesse sentido, o uso do conhecimento sobre IT pode oferecer elementos teórico-práticos capazes de proporcionar maior diálogo entre a clínica e a biografia dos sujeitos, com vistas a atos de saúde interpretativos e compreensivos que levem em conta esses e outros aspectos da história pessoal, sociocultural e do adoecimento.

Sem dúvida, são reconhecidos os importantes avanços teóricos e científicos ocorridos recentemente na investigação sobre os IT e suas implicações diante dos enfoques biologicista e reducionista no cuidado em saúde-doença.

Não obstante, os empreendimentos científicos realizados por expoentes da socioantropologia da saúde, no sentido de distinguirem as categorias doença e enfermidade, incorporando a esta última os múltiplos sentidos e significados do corpo-adoecido, transformando-os em sintomas e eventos preenchidos por signos do contexto social, cultural e político – categoria enfermidade –, bem como as tentativas de integração dos diversos componentes dos sistemas de cuidado à saúde e seus respectivos modelos explicativos, não têm sido inter e transdisciplinares o suficiente para ampliar a noção de saúde1 e de itinerário de cuidados para além da ausência de enfermidade.

Assim, a noção negativa de saúde e de itinerário terapêutico, caracterizada pela ênfase na doença ou enfermidade e na escolha de tratamentos para a sua cura, não está presente somente na epistemologia da biomedicina, mas também nas ciências sociais e humanas em saúde2,3.

Nesse sentido, os sistemas de saúde de alguns países, entre eles, o brasileiro, têm sido questionados por sua dependência com relação a um modelo assistencial individualista com ênfase na dimensão medicalizadora, hospitalocêntrica e curativista da doença, além dos elevados custos gerados e da baixa efetividade das formas de produção do cuidado1.

A cultura de produção da saúde caracterizada pela medicalização tem reduzido a condição do enfermo ao nível biológico individual, desconsiderando a sua dimensão subjetiva, humana, política, histórica, cultural e social4.

Nesse contexto, há uma necessidade de superar o paradigma biomédico hegemônico na perspectiva da construção de outras racionalidades em saúde, no que diz respeito à integralidade do cuidado, de modo que integrem os valores subjetivos do sujeito, sua autonomia e vivências socioculturais aos princípios que orientam as práticas em saúde, sobretudo no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS)5.

A concepção negativa de saúde, correspondente à noção de ‘ausência de doença’, sustentada no paradigma biomédico, tem sido amplamente criticada, principalmente no que se refere ao problema epistemológico desse paradigma, o qual remonta a uma teoria empiricista e de reificação da doença. Em consequência, verificam-se algumas distorções geradas ao sistema de saúde e à sociedade, decorrentes, essencialmente, da centralização na doença6. A concepção de saúde como ausência de doenças, considerada por um prisma negativo, ainda que conceitualmente confortável e metodologicamente viável, de fato, não dá conta das múltiplas dimensões e dos complexos fenômenos que envolvem o processo saúde-doença-cuidado. Do mesmo modo que o todo é mais que a soma das partes, a saúde transpõe a noção de mera ausência ou o inverso da doença7.

Em contraponto a esses enfoques reducionistas, cresce o movimento sanitário pela promoção da saúde, baseada numa concepção positiva de saúde, cuja abordagem tem como principal característica a integração dos aspectos sociais, humanos, culturais, políticos, filosóficos e econômicos na explicação do processo saúde-doença. Por esse prisma, pretende-se ampliar a noção da prevenção de doenças e restaurar em toda sua plenitude os valores mais amplos da vida. Essa concepção parte de um pressuposto de que a saúde não é o oposto lógico da doença, e, por isso, é desejável que todos os indivíduos possam estender ao máximo suas aspirações, sem limitá-las à evitação de doenças ou à condição de adoecidos8,9.

Para Almeida-Filho7, os elementos da saúde e da doença não podem ser definidos essencialmente como uma questão clínica-individual ou biológica-subindividual. Segundo esse autor, uma importante possibilidade aberta à exploração epistemológica é a incorporação da diversidade de formas concretas de expressão da saúde, nos distintos planos, como, por exemplo, a noção de ‘bem-estar’ no plano individual, ‘qualidade de vida’ no plano microssocial e ‘situação de saúde’ no plano coletivo mais amplo. Nesse sentido, os objetos da saúde são polissêmicos, plurais e multifacetados, reclamando a necessidade de construção de um objeto-modelo positivo de conhecimento e de intervenção, e não um objeto negativo, o qual consiste em mero resquício conceitual de modos de explicação da vida biológica e social fundamentados em seu inverso lógico7.

Diante desse cenário, a preocupação com os caminhos percorridos por pessoas em busca de cuidados em saúde-doença tem sido considerada elemento importante na compreensão positiva da saúde4, uma vez que esses não necessariamente coincidem com esquemas ou fluxos pré-determinados7. Além disso, pode subsidiar processos de organização, planejamento e gestão de serviços de saúde, na construção de práticas cuidadoras compreensivas e contextualmente integradas10.

A partir dessa compreensão, os estudos sobre IT, ao abordarem o cuidado à saúde, e não apenas os cuidados médicos/terapêuticos à saúde, podem avançar na medida em que abordam os sistemas de cuidados pelo prisma da concepção positiva de saúde. Isso porque passam a considerar como elementos primordiais de estudo tanto a experiência de enfermidade como a de saúde, significadas em consonância com os distintos contextos socioculturais de vida, na avaliação, no planejamento, na organização e na gestão efetivos de serviços de atenção integral à saúde6,11.

Pelo exposto, o objetivo deste estudo é analisar a produção científica nacional que aborda os itinerários terapêuticos a partir das concepções negativa e positiva de saúde.

Metodologia

Estratégias de busca e fontes de informações

Trata-se de revisão sistemática e metassíntese da literatura que envolveu as etapas de identificação, fichamento, análise e interpretação de resultados de pesquisas. A revisão sistemática com metassíntese consiste numa estratégia metodológica usada na produção de evidências qualitativas e permite realizar uma leitura crítica das interpretações presentes nos estudos qualitativos, norteando-se por parâmetros metodológicos rigorosos, sistemáticos e objetivos12,13.

A busca dos estudos foi realizada em março de 2018 nas bases da Biblioteca Virtual em Saúde (Bireme), Scientific Electronic Library Online (SciELO) e Medical Literature Analysis and Retrievel System Online (Medline). As buscas foram atualizadas em setembro de 2019.

Para a seleção das publicações nas bases de dados, primeiramente, foi realizada uma etapa exploratória para identificação dos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) a serem utilizados. Elegeu-se o termo itinerário terapêutico para pesquisa, no entanto, o termo não foi localizado no DeCS. Então, optou-se pelos seguintes descritores: ‘itinerários terapêuticos’; ‘itinerários de cuidado’; ‘trajetórias terapêuticas’; ‘trajetórias de tratamento’; ‘trajetória do cuidado’; ‘trajetória do paciente’ e seus equivalentes em inglês e espanhol.

Os resultados das buscas foram gerenciados no programa Mendeley para remoção das duplicatas e aplicação dos critérios de inclusão. O processo de triagem foi realizado por autores independentes (ERS e MP-S), utilizando formulário com os critérios de elegibilidade dos artigos. Discordâncias quanto à inclusão foram resolucionadas por meio de consenso com um terceiro revisor (FD).

Critérios de elegibilidade

Foram considerados elegíveis os estudos brasileiros de cunho qualitativo que versassem sobre o IT, publicados entre 2008 a 2019. Esse recorte temporal levou em consideração o fato de ter sido identificada na literatura específica uma sistematização da produção científica sobre IT referente ao período de 1989 a 200810. Os critérios de exclusão consideraram: estudos quantitativos, artigos de revisão, capítulos de livros e artigos que abordavam apenas a experiência de adoecimento.

Extração dos dados

Os artigos selecionados foram sistematizados em planilha contendo as seguintes informações: ano de divulgação; o título do periódico que publicou o estudo; local de realização do estudo. Com relação às características temáticas e metodológicas, identificaram-se os participantes da pesquisa; a abordagem do estudo; e a abordagem metodológica utilizada na produção de dados.

Avaliação do rigor metodológico

Para a avaliação dos estudos qualitativos, foi utilizado o instrumento proposto pelo Critical Appraisal Skills Programme (Casp)14, uma vez que auxilia na análise crítica de relatos de pesquisas qualitativas. Esse instrumento apresenta dez questões que conduzem o avaliador a pensar de forma sistemática sobre o rigor, a credibilidade e a relevância do estudo, considerando: (1) objetivo claro e justificado, (2) desenho metodológico apropriado aos objetivos, (3) procedimentos metodológicos apresentados e discutidos, (4) seleção da amostra, (5) coleta de dados descrita, instrumentos e processo de saturação explicitados, (6) relação entre pesquisador e pesquisado, (7) cuidados éticos, (8) análise densa e fundamentada, (9) resultados apresentados e discutidos, apontando o aspecto da credibilidade e uso da triangulação, (10) descrição sobre as contribuições e implicações do conhecimento gerado pela pesquisa, bem como suas limitações14.

Os artigos foram pontuados em cada critério como: 1 – se o critério foi atendido; 0 – se o critério não foi atendido; 0,5 – se o critério foi parcialmente atendido14. A pontuação máxima para um trabalho foi 10. Os estudos foram classificados em duas categorias: na categoria A, foram classificados os estudos com alto rigor metodológico, uma vez que preencheram ao menos nove dos dez itens; na categoria B, foram classificados os estudos com moderado rigor metodológico, quando pelo menos 5 dos 10 itens foram atendidos14,15.

Análise de dados

Entre as diferentes abordagens para a construção de metassínteses, o metaestudo se destaca para análises de grande número de estudos e por estimular a cooperação e o trabalho conjunto entre pesquisadores16. Dessa maneira, na proposta metodológica do metaestudo, privilegiou-se: na metateoria, a análise sobre os problemas, conceitos e teorias que levaram os pesquisadores a explorar determinadas questões; no metamétodo, a análise da abordagem metodológica adotada nos estudos e de suas consequências para a perspectiva lançada sobre os temas investigados; na meta-análise dos dados, busca-se confrontar as interpretações realizadas nos estudos revisados, reinterpretando os dados à luz dos achados dos demais estudos que compuseram o universo bibliográfico investigado16.

Resultados

As estratégias de busca estão apresentadas na figura 1. Identificaram-se 221 artigos nas bases de dados, sendo 66 indexados na base SciELO, 77 na Bireme, 78 na Medline e 3 por busca manual. De acordo com os critérios de elegibilidade, 56 estudos foram selecionados para avaliação de elegibilidade, e 5011,17-64 foram selecionados para integrar o corpus desta metassíntese (quadro 1). Os motivos para exclusão dos artigos foram não adoção de IT nas análises6, estudos de revisão3, estudo metodológico1 e realização em outro país11.

Figura 1 Fluxograma de seleção dos artigos 

Quadro 1 Características metodológicas dos estudos selecionados para revisão sistemática sobre Itinerários Terapêuticos no Brasil (2008-2019) 

Autores/ano Local de estudo/Região Sujeito da pesquisa Procedimento de coleta de dados Análise de dados/Software Referencial Teórico adotado
Andrade e Viera (2018) São Paulo Mulheres acometidas por morbidade materna grave Entrevista semiestruturada Análise de Conteúdo (Gomes, 2010) Kleinman (1978)
Amaral et al. (2012) Florianópolis/SC Puérperas Entrevista semiestruturada Atlas-Ti 5.0 Kleinman (1978)
Bomfim et al. (2014) Rio de Janeiro/RJ Gestantes Entrevista semiestruturada Análise do conteúdo (Bardin, 1977) Alves e Souza (1999)
Burille e Gerhardt (2014) Rincão dos Maia, Canguçu/RS Homens rurais Entrevistas semiestruturadas e grupo focal NVivo8; SmartDraw-2009; análise temática proposta por Minayo (2010) Não menciona
Guerin (2012) Porto Alegre/RS Usuários de uma Unidade de Estratégia de Saúde da Família Questionário semiestruturado Análise do conteúdo (Richardson, 1999) Kleinman (1978)
Carneiro et al. (2017) Belém/PR Pacientes que vivem com Hanseníase Entrevista semiestruturada Análise de conteúdo (Bardin, 2011) Não menciona
Carvalho et al. (2016) Belo Horizonte/MG Pacientes com anorexias e bulimias nervosas Entrevistas Não menciona Não menciona
Cerqueira et al. (2016) Feira de Santana/BA Mães das crianças com deficiência intelectual Entrevista semiestruturada Análise de conteúdo (Bardin, 2011) Não menciona
Conill et al. (2008) Florianópolis/SC Usuários dos serviços da saúde suplementar que tiveram Infarto Agudo do Miocárdio/IAM, mulheres com câncer de mama, pessoas com alcoolismo e mulheres que haviam dado à luz há até um ano e meio Entrevistas Análise temática; Nvivo Kleinman (1978); Alves e Souza (1999)
Coqueiro et al. (2018) Serra/ES Sujeitos que convivem com o diabetes mellitus. Entrevista narrativa Análise institucional (Baremblitt, 2012) Baremblitt (2012)
Cordeiro et al. (2013) Salvador/Ba 2 pessoas com anemia falciforme Entrevista semiestruturada Análise de conteúdo temática Kleinman (1978); Alves e Souza (1999)
Corrêa et al. (2011) Cuiabá/MT Idosa em condição crônica por sofrimento psíquico e sua família Entrevista em profundidade Genograma Não menciona
Eckhardt e Raupp (2017) Rio Grande do Sul/RS Usuário ou ex-usuário de drogas Entrevistas semiestruturadas Análise de Conteúdo (Bardin, 2009) Não menciona
Fausto et al. (2017) Petrolina/PE e Juazeiro/BA Pacientes acometidos por acidente vascular encefálico (AVE) Entrevista semiestruturada Não menciona Não menciona
Favero-Nunes e Santos (2010) Não menciona Mães de crianças com transtorno autístico Entrevista semiestruturada Método clínico qualitativo proposto por Turato (2003); Análise temática (Bardin, 1988; Triviños, 1992) Não menciona
Ferreira e Silva (2012) Juiz de Fora/MG Homens e mulheres com o vírus HIV Entrevista Análise temática (Bardin, 2008) Não menciona
Ferreira e Espírito Santo (2012) Manguinhos/RJ Moradores de cada comunidade de Manguinhos Entrevistas semidiretivas seguindo um roteiro etnográfico Não menciona Augé (1984); Alves e Souza (1999); Massé (1985)
Finco e Bertoncini (2016) Santa Catarina/RS Adolescentes com diabetes mellitus tipo 1 e seus familiares Entrevista aberta Análise do conteúdo (Bardin, 2014) Não menciona
Fundato et al. (2012) São Paulo/SP Adolescentes e Adultos Jovens com Osteossarcoma Entrevista orientada por um questionário Análise de conteúdo (Bardin, 2012) Kleinman (1978);
Mângia e Yasutaki (2008) Santo André/SP Usuários do serviço de saúde mental e de pessoas de suas redes sociais Análise documental e pesquisa bibliográfica, elaboração de diário de campo e entrevista Não menciona Alves e Souza (1993)
Muñoz et al. (2018) João Pessoa/PR Pessoas com diagnóstico de fibromialgia Entrevista não diretiva Análise de conteúdo (Bardin,1977) Guest et al. (2006)
Landim et al. (2016) Município do interior da Bahia (Não menciona o nome do município) Gestantes que referiram óbito fetal ou neonatal Entrevista em profundidade Análise de Conteúdo (Bardin, 2011) Não menciona
Marques e Mângia (2013) Santana de Parnaíba/SP Usuários de álcool Grupo focal; Entrevista (não há especificação do tipo de entrevista) Análise de enunciação e análise temática Alves e Souza (1999); Alves (2006)
Rosa et al. (2011) Santa Catarina/RS Homens ou mulheres em tratamento quimioterápico Entrevista semiestruturada Análise de conteúdo (Bardin, 2006) Kleinman (1980); Orem (1980)
Martins e Iriart (2014) Salvador/BA Pacientes com Hanseníase Entrevistas em profundidade Análise de narrativa Bury (2001) Alves e Souza (1999); Alves (2006); Souza (1999)
Musquim et al. (2013) Cuiabá/MT Família em condição de adoecimento crônico Entrevista em profundidade Software Microsoft Power Point 2007 Não menciona
Nabão e Maruyama (2009) Marcelândia/MT Uma pessoa que foi acometida por um infarto Entrevista em profundidade Análise temática (Minayo, 2006) Alves e Souza (1999); Kleinman (1980)
Neves e Nunes (2010) Não menciona Trabalhadores com LER/DORT Entrevistas em profundidade Análise temática (Jovchelovitch, 2002) Não menciona
Nogueira et al. (20160 Jacareacanga/PR Indígenas Munduruku Entrevistas semiestruturadas Análise de conteúdo (Bardin, 2009) Alves e Souza (1999);
Pereira et al. (2014) Região Metropolitana do Rio de Janeiro Adolescentes usuários de um CAPSi Entrevista (não há especificação do tipo de entrevista) Não menciona Kaës (1982; 2005)
Pinho e Pereira (2012) São Paulo/SP Usuários do Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids (CRT) Etnografia Não menciona (Alves e Souza, 1999)
Ribeiro et al. (2011) Minas Gerais Mulheres em tratamento para o câncer do colo do útero Entrevista aberta Não menciona Não menciona
Portugal (2016) Não menciona Participantes do terreiro Entrevistas semiestruturadas Análise de conteúdo (Bardin, 1977) Kleinman (1980)
Rodrigues e Maksud (2017) Rio de Janeiro/RJ Pacientes com HIV/Aids Diário de campo, conversas informais e entrevistas Análise de conteúdo Não mencionam
Rosa e Radünz (2013) Santa Catarina/RS Mulheres com câncer de mama Entrevista semiestruturada Análise do Conteúdo (2006) Kleinman (1980)
Santos e Silva (2014) Goiás Famílias de comunidades quilombolas Questionário familiar e entrevista semiestruturada Segundo eixos temáticos Não menciona
Scheffer et al. (2012) Não menciona Sujeitos com prescrição médica para uso de Aparelho de Amplificação Sonora Individual Entrevistas A análise dos dados seguiu o caminho proposto por Minayo (1994) Não menciona
Segata e Segata (2011) Alto Vale do Itajaí/ RS Pessoas da comunidade do Alto do Vale do Itajaí Etnografia, narrativas, diário de campo Não menciona Não menciona
Silva et al. (2014) Rio Grande do Sul Pessoas acometidas por úlcera venosa Entrevista semiestruturada Análise de conteúdo (Bardin, 2011) Não menciona
Silva et al. (2015) Salvador/BA Homens com sorologia positiva para HIV Entrevistas semiestruturadas QSR Nvivo; Linhas narrativas (Spink e Lima, 1999) Não menciona
Silva et al. (2016) Rio de Janeiro e São Paulo Homens em tratamento de IST e que não apresentavam suspeita ou diagnóstico de ISTs Entrevista semiestruturada Análise de discurso (Pêcheux, 2006) Alves e Souza (1999); Silva e Sancho (2013)
Sisson et al. (2011) Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba (RS) Usuários de planos de saúde que receberam cuidados em infarto agudo do miocárdio, alcoolismo, câncer de mama e parto Entrevistas semiestruturadas Análise temática de Bardin (Minayo, 2007); software Nvivo Não menciona
Trad et al. (2010) Salvador/Ba Famílias de classe popular Etnografia; entrevistas semiestruturadas Antropologia interpretativa (Geertz, 1989); Genogramas familiares (Cerveny, 2001) Não menciona
Scott et al. (2018) Pernambuco Cuidadoras de filhos com Síndrome Congênita do Zika Etnografia Não menciona Alves (2015)
Souza et al. (2014) Rio Grande do Sul Travestis Etnografia; observação participante, entrevistas em profundidade e acompanhamento da vida cotidiana Análise antropológica (Geertz, 1989) Não menciona
Thaines et al. (2009) Sorriso/MT Usuários do serviço de saúde com Diabetes mellitus Entrevista em profundidade Não menciona Não menciona
Valdanha-Ornelas e Santos (2016) Ribeirão Preto/SP Mães de jovens diagnosticados(as) com Anorexia nervosa Entrevistas semiestruturadas A análise de conteúdo temática (Bogdan e Biklen, 1994) Não menciona
Vale et al. (2015) Feira de Santana/BA Feirantes Entrevistas semiestruturadas Análise do conteúdo (Bardin , 2011) Não menciona
Vale e Vecchia (2019) Minas Gerais População em situação de rua Observação participante e entrevistas semiestruturadas Análise do conteúdo (Bardin ,1977; Braun e Clarke, 2006) Alves (2016)
Visentin e Lenardt (2010) Curitiba/PR Idosos em tratamento oncológico Entrevista semiestruturada Método de categorização (Minayo, 2004) Não menciona

No que diz respeito à publicação de estudos sobre IT, independentemente da concepção de saúde que orientou as pesquisas, observou-se uma concentração maior de estudos na região Sudeste (34%) e Sul (26%) do Brasil. A região Nordeste apresentou o terceiro posicionamento no quantitativo de estudos (20%), e o Centro-oeste 10%. A região Norte apresentou apenas uma publicação (gráfico 1; quadro 1).

Gráfico 1 Região de realização dos estudos selecionados para revisão e metassíntese sobre itinerários terapêuticos no Brasil (2008-2019) 

Análise metateórica

O principal núcleo de interesse na abordagem teórica sobre IT dos estudos selecionados para essa revisão consideraram apenas a doença/problema como disparador para a busca de terapêuticas17-19,22-24,26,28,30,31,41,43,44,47,49,50,52,57,59-62,64, com exceção de alguns estudos15,18,19,23,25,30-32,34-37,39,41,43,45,46,53-55,57,63, que buscaram conhecer os IT a partir de práticas cotidianas de cuidado à saúde. As doenças crônicas como: Diabetes Melittus, HIV-Aids, câncer, hipertensão arterial, entre outras, constituíram-se os objetos de investigação dos estudos19,22,24,28-34,36,37,41,43,46,47,49,54,57,61,62,64, por serem doenças que demandam um longo período de tratamento, maior convivência com a enfermidade e permitirem que o itinerário seja delineado em uma diversidade de sistemas de cura e significações.

A maioria dos estudos17,19,21,22-29,32-38,40-44,48,49,51,52,54,56,57,59-63, com exceção de sete18,29,37,45,48,53,64, teve como foco a experiência do sujeito adoecido, problematizando aspectos que atravessam a busca de tratamento, como questões culturais e sociais, gênero, a qualidade dos atendimentos e a organização dos serviços de saúde, terapias religiosas, entre outros.

A maior parte dos estudos17,19,22-24,26,29-31,35,41,42,46,49,52,58-62 focou a discussão sobre a instituição formal (serviços biomédicos de saúde) como principal rede de apoio para o tratamento da doença, e oito estudos11,17,24,29,32,38,55,57 utilizaram o modelo explicativo proposto por Kleiman (1980), que define os sistemas de cuidados em três setores ou subsistemas: o setor da cura profissional (professional sector) consiste nos profissionais da medicina científica ou de medicinas tradicionais (como a chinesa); o setor das curas populares (folk sector) inclui especialistas não profissionais da cura, como ligados a grupos religiosos e seculares; e o setor informal (popular sector) inclui a família, a comunidade e todo tipo de atividade e de apoios de redes sociais65.

Metamétodo

As técnicas de produção e análise de dados utilizados nas pesquisas foram variadas. As entrevistas (semiestruturada ou em profundidade)17,19,20,26,28-34,38-40,43-53,55,57,59-63 foram as mais empregadas nos estudos, seguidas por etnografia35,48,64, diário de campo54, observação participante48,63, análise documental23 e grupo focal27,62.

Os referenciais teóricos adotados pelos autores foram a Antropologia interpretativa, de Geertz47,48,66 (sustenta-se nos parâmetros originários da antropologia simbólica interpretativa, embasados na hermenêutica, com uma construção intelectual fundamentada em uma atmosfera de diversidade e pluralismo); a antropologia médica, de Kleiman11,17,24,27,28,32,38,55,57,60 (define os sistemas de cuidados em três setores ou subsistemas: o setor da cura profissional, o setor das curas populares e o setor popular das crenças, escolhas, decisões, papéis, relacionamentos, interações e instituições65); a socioantropologia da saúde, de Paulo César Alves17,22,24,27,30,32,34,36,45,55,57,64 (define os IT como os processos pelos quais os indivíduos ou grupos sociais escolhem, avaliam e aderem a determinadas formas de tratamento65); Dorothéa Orem28 (norteadora da sistematização dos cuidados de enfermagem, que define a teoria do autocuidado em prática de atividades que o indivíduo inicia e executa em seu próprio benefício, na manutenção da vida, da saúde e do bem-estar28).

Dos artigos selecionados, seis15,29,31,44,46,55 utilizaram programas destinados à organização e à análise de dados qualitativos, com destaque para o NVivo (QRS International Pty, Doncaster, Austrália) e o Atlas.ti (Muhr T. Scientific software development GmbH, Berlim, Alemanha).

As técnicas metodológicas de análises de dados também foram variadas. Entre elas, sobressaíram a Análise de conteúdo11,17,24,26,28,37,38,40,43,50,54,55,57,59,60,62,63, Genogramas57, Análise do discurso43, Análise temática21,29,27,32-34,46,55 e Análise institucional61. Alguns estudos não mencionaram as técnicas de análise utilizadas21,25,35,36,37,42,49,51.

A avaliação do rigor metodológico, segundo os critérios Casp, constatou que 68,8% dos artigos foram classificados como B (moderado rigor metodológico). A análise de dados não rigorosa e a interação entre pesquisador e os participantes em campo formam os itens que pontuaram negativamente e contribuíram para o moderado rigor metodológico (gráfico 2).

Gráfico 2 Sumarização do rigor metodológico global de estudos selecionados para revisão e metassíntese sobre itinerários terapêuticos no Brasil (2008-2019) 

Meta-análise

Os caminhos percorridos pelos sujeitos na tentativa de solucionar algum problema de saúde são carregados de significados e mediados pelas experiências, inseridos em complexas redes de relações sociais. A construção de IT mobiliza saberes populares, religiosos e os conhecimentos biomédicos por meio do serviço público de saúde, revelando, dessa maneira, a existência de uma pluralidade terapêutica, com a finalidade de alcançar a ‘saúde’ ou a ‘cura’36,39,41. Outros setores de cuidado, que não o formal, foram identificados no estudo de Segata e Segata42, segundo o qual as práticas de cuidados e IT são constituídos por saberes tradicionais, espirituais, religiosos e de outras ordens diversas, podendo englobar desde as ditas garrafadas, os chás, os benzimentos, os descarregos, as orações e outras práticas religiosas até o emergente uso de medicinas integrativas, a exemplo das terapias com florais, pedras quentes, ou ainda da procura de literatura de autoajuda.

A busca de outros setores de cuidado explica-se, sobretudo, pelo fato de as pessoas encontrarem no curandeiro, por exemplo, ao contrário do que encontram no profissional médico, alguém que tem uma experiência de vida semelhante, que fala a mesma linguagem e pode compreendê-las52. Tais significados corroboram os achados de Souza et al.48 sobre os IT de travestis da região central do Rio Grande do Sul, Brasil, as quais recorrem às “casas de religião afro-brasileiras” e às Mães e Pais de Santos por identificá-los como espaços e figuras cuidadoras e acolhedoras, que, sem questionar as modificações corporais e sua identidade de gênero, oferecem formas satisfatórias de cuidado e proteção, permitindo às travestis a construção de IT que escapem dos processos de normatização dos corpos e da saúde.

Thaines et al.49 realizaram estudo com objetivo de compreender a trajetória empreendida por uma pessoa com Diabetes Melittus, adotando a perspectiva da integralidade da atenção à saúde. Segundo esses autores, a busca do cuidado ocorreu apenas no sistema formal e foi movida pelo sentimento de descrença com relação às possibilidades de resolver o problema de saúde. As necessidades de saúde não foram atendidas e, muito menos, compreendidas com relação, por exemplo, ao seu ‘sentir-se mal’ com o uso de insulina, o que levou a pessoa a continuar sua busca de cuidado em outros setores.

Se, por um lado, a literatura científica evidencia que a postura da biomedicina é marcada pela exclusão, dominação, restrição, redução, demarcação e normalização dos corpos nos processos de cuidado em saúde, por outro, a terapêutica religiosa tem se mostrado uma das alternativas de cuidado e cura integradora. Isso porque a adesão por parte de seus seguidores é influenciada por experiências individuais ou coletivas de sua eficácia e/ou pela fidelidade a uma religião que regula a vida em geral, incluindo as condutas relativas ao cuidado com o corpo e com a saúde29,48.

Nesse sentido, Trad et al.47, Ferreira e Espírito Santo23, Burille e Gerhardt29 demonstram em seus estudos uma classificação, de acordo com a experiência do sujeito, sobre quais problemas o levam a buscar os distintos setores de cuidado à saúde. Os problemas foram classificados em ‘leves’ e ‘graves’. Aqueles problemas classificados como ‘leves’ são os que fazem o sujeito a buscar o cuidado no sistema informal, a exemplo de gripe, cefaleia etc. Enquanto os problemas classificados como ‘graves’ são os que exigem o cuidado formal (dos profissionais oficiais de saúde), no caso de diabetes, hipertensão, entre outros.

Os IT compreendem, ainda, os múltiplos sentidos que os sujeitos atribuem ao processo saúde-doença-cuidado. Para mulheres com câncer de colo uterino, por exemplo, os sentidos atribuídos à saúde foram determinantes da não realização de exames preventivos de Papanicolau, pois o conceito de saúde estava atrelado à ausência de perturbação física e/ou psíquica e a ter disposição, e, enquanto não houvesse algum desequilíbrio entre esses três fatores, não fazia sentido para elas percorrerem um itinerário em busca de cuidados preventivos37. Já no estudo realizado por Neves e Nunes33, ainda que os sujeitos identificassem algum desequilíbrio orgânico, observou-se que, no início dos sintomas e no curso da doença, as pessoas tenderam a vivenciar a experiência do ‘calar’, negando a sua condição, mascarando a sua dor e outros sofrimentos, por meio do uso de medicação e de recursos fisioterapêuticos, e mimetizando um tipo ideal de trabalhador que está sempre capacitado a atender às demandas do sistema produtivo e que é infalível ao adoecimento. A automedicação e a busca do ‘farmacêutico’ foram destacadas nos estudos de Martins e Iriart30 e Nabão e Maruyama32, respectivamente, como forma de resistência à entrada no setor formal e como meio de passagem do tratamento popular para o sistema terapêutico formal.

Entre as principais redes de apoio aos IT, a família e os serviços de saúde se destacaram com papel importante na realização, avaliação e seleção de cuidados. Para Fundato24, o suporte familiar é o maior influenciador, determinador e avaliador dos cuidados estabelecidos e foi o primeiro acionado na busca de tratamento de pacientes com osteossarcoma. Entretanto, segundo Mângia e Yasutak25, essa relação com a família se mostrou ambígua, pois ora era considerada como fonte de auxílio, ora como razão de recaídas. Cordeiro et al.57, Corrêia et al.58 e Marques e Mângia27, apesar de encontrarem forte influência do sistema formal de cuidado nos IT das pessoas que vivenciam uma condição de adoecimento crônico, identificaram como recorrente a referência à adoção de cuidados domésticos para manutenção do bem-estar e enfrentamento da doença. Nessa direção, Amaral et al.17, ao investigarem o IT no cuidado mãe-filho, com interfaces entre a cultura e a biomedicina, questionam o que a família pondera para decidir quem ou que tipo de ajuda buscar com relação ao cuidado. Para as mães desse estudo, é importante levar em consideração sua opinião, o bom senso, o diálogo com familiares, parceiro, vizinhos e com pessoas que já vivenciaram situações semelhantes.

A resolubilidade do sistema formal também foi destacada nos estudos de Sisson et al.46, sobretudo no campo da saúde mental e da oncologia, cuja categoria ‘satisfação’ mostrou boa avaliação no infarto agudo do miocárdio, câncer de mama e parto, pela presença de acesso rápido a recursos técnicos adequados. Conill et al.56 identificaram em seu estudo um mix público-privado no sistema profissional de cuidados. Já Favero-Nunes e Santos24 revelaram a expansão da trajetória para outras especialidades, como a psicologia, a fonoaudiologia e a educação, e cita ainda uma ‘força’ do modelo biomédico na medicalização do transtorno autista na perspectiva de uma ‘doença’ a qual se pode tratar, curar e retornar (ou aceder) à normalidade através do sistema formal.

A integralidade aparece desde o prisma da concepção positiva de saúde no estudo de Ferreira e Silva21 sobre o IT de pessoas que convivem com HIV/Aids, no qual os profissionais de saúde se mostraram envolvidos com os dramas socioculturais dos sujeitos, construindo uma relação de cumplicidade, geradora de vínculo e confiança, que contribuiu significativamente para a adesão aos tratamentos. No cuidado integral, a pessoa é entendida na sua totalidade, considerando os aspectos biológicos, psicológicos, econômicos e socioculturais. Assim, a assistência médica integral, mesmo na dimensão individual, apresenta uma abordagem ampliada, valorizando as interações entre os sujeitos e a construção de vínculos na atenção entre os usuários do cuidado e os cuidadores43. Assim, pode-se inferir que a integralidade do cuidado em saúde-doença é fundamental na tomada de decisões à construção de IT, aproximando os processos de busca de cuidado e assistência da concepção positiva de saúde.

Não se observou nos artigos a abordagem ampliada sobre IT que transcendesse a mera noção de doença ou enfermidade ou adoecimento, ou que tivesse como ponto de partida processos preventivos de doenças e promotores de saúde. Diante disso, há ainda muito a avançar em pesquisas que abordem outras formas e itinerários de cuidados, que não apenas na iminência da doença ou do adoecimento – concepção negativa de saúde.

Discussão

A produção de estudos sobre IT no Brasil vem crescendo, porém, o foco desses estudos merece ser analisado e discutido10. A abordagem metodológica de pesquisa mais utilizada nos estudos sobre os IT foi a qualitativa. Esta abordagem se aplica ao estudo das relações, representações, crenças, percepções, subjetividades, produtos das interpretações que as pessoas fazem a respeito de como vivem67.

A maioria dos estudos selecionados para essa metassínte apoia-se no conceito de IT ligado aos ‘cuidados médicos/terapêuticos à saúde’, direcionado a compreender os resultados de atividades desenvolvidas pelos atores na busca de tratamento médico. Trata-se de uma concepção que tende fortemente a estabelecer um caráter direcional, quase teleológico, às ações que os atores realizam para lidar com a doença e buscar cuidados. Tal concepção deve-se, em grande parte, à forma que usualmente os entrevistados/informantes reconstituem seu IT68. Essa abordagem está apoiada na concepção negativa de saúde e IT, que desconsidera o cuidado à saúde na sua perspectiva existencial, e dá ênfase somente aos procedimentos terapêuticos para tratar a doença e alcançar a cura.

Segundo Souza e Alves65, os estudos sobre itinerário terapêutico não devem ficar restritos à análise da disponibilidade de serviços, de seus modelos explicativos e nem tampouco da utilização que os indivíduos fazem das agências de cura. Conforme esses autores, tais elementos são insuficientes para a compreensão do complexo processo de escolha do tratamento, tornando-se necessário considerar o contexto sociocultural no qual o itinerário terapêutico ocorre.

Por meio dessa metassíntese, observa-se que as discussões sobre IT estão situadas, de um lado, por estudos que trazem uma perspectiva individual, com ênfase nas escolhas que o sujeito realiza, e, de outro, por estudos em que o contexto sociocultural é o determinante que predomina nas escolhas possíveis para o sujeito. Entretanto, os estudos mais recentes trazem uma perspectiva que vêm relativizando esse determinismo, tanto dos sujeitos como da cultura, no desenho dos IT, apresentando, cada vez mais, a articulação desses dois eixos69. É nesse sentido que Gadamer70 argumenta sobre o caráter holístico da saúde – por vezes oculto – e enfatiza que o objeto-modelo ‘saúde’ deve incorporar o componente metassintético e crítico-epistemológico na sua construção, respeitando a sua integridade-totalidade.

Ao contrário dos demais estudos17,19-34,40,51,53,55-59, para conhecer e analisar os IT dos indivíduos, algumas investigações35-38 levaram em consideração os significados e signos coletivos e individuais dos envolvidos no cuidado à saúde e cuidados médicos/terapêuticos, antes mesmo do acometimento de alguma doença ou enfermidade. Essa abordagem é recente em estudos sobre IT e segue o viés da concepção positiva de saúde, que busca abranger diversas dimensões do/no cuidado.

Destarte, a ontologia existencial de Heidegger (2005)71 recorre à expressão ‘Cuidado’, tão amplamente usada na saúde para se referir às relações dessa centralidade dos projetos no modo de ser dos humanos, com os modos de compreenderem a si e a seu mundo e com seus modos de agir e interagir72. Por isso, será denominada ‘Cuidado a saúde’ essa conformação humanizada do ato assistencial, distinguindo-a daquelas que, por razões diversas, não visam a essa ampliação, a exemplo do termo ‘Terapêutico’, que remete a uma terapia, oferta de serviços, adesão a um tratamento e controle de uma doença. Adota-se aqui a expressão ‘Cuidado a saúde’ como designação de uma atenção à saúde imediatamente interessada no sentido existencial da experiência humana, e não apenas no adoecimento, físico ou mental, e, por conseguinte, também das práticas de promoção e proteção à saúde71,72.

A principal limitação deste estudo é a não investigação de dissertações e teses brasileiras sobre IT, restringindo-se à análise da produção científica publicada no formato de artigos científicos. Deve-se considerar, também, que o recorte temporal adotado (2008-2019) contempla uma parcela dos estudos publicados sobre o tema, no entanto, contempla o auge das pesquisas qualitativas sobre a temática deste estudo. Em contrapartida, nossa revisão sistemática apresenta rigor metodológico em todas as etapas do estudo, realizada por revisores independentes. Ressalta-se, ainda, a realização da avaliação da qualidade metodológica dos estudos analisados, sendo em sua maioria classificados como moderados. Por fim, sugere-se que os próximos estudos sobre o IT considerem os pontos limitantes dos estudos analisados, a exemplo da análise não rigorosa de dados e da ausência de descrição e discussão sobre a interação entre pesquisador e os participantes em campo, além da consideração de outras epistemologias sanitárias. Propõe-se, ainda, a ampliação dos horizontes de análise para além da experiência da doença e da enfermidade. É mister compreender os elementos que direcionam para uma apreensão ampliada da vida e do entendimento da saúde em sua concepção mais ampliada e positiva nos processos que envolvem a saúde, o adoecimento e o cuidado.

Considerações finais

Conclui-se que a produção de estudos acerca do tema Itinerários Terapêuticos apresenta grandes potencialidades para o setor saúde e para o campo de saberes e práticas em saúde coletiva. Conhecer o IT em seus percursos teórico-metodológicos pode possibilitar a apreensão de discursos e práticas que expressam diferentes lógicas, através das quais os princípios da integralidade e da resolutividade na atenção em saúde podem ser questionados. Além disso, os estudos em IT podem subsidiar uma prática avaliativa em saúde que privilegia a experiência de saúde ou adoecimento, bem como a busca de cuidados de usuários e suas famílias. Assim, a ampliação de referenciais de análise e perspectivas teóricas nos estudos sobre IT, a exemplo da concepção positiva de saúde, pode contribuir para ampliar o debate e o conhecimento na saúde coletiva sobre a efetividade da integralidade e a eficácia simbólica no cuidado em saúde.

Suporte financeiro: não houve

*Orcid (Open Researcher and Contributor ID).

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Recebido: 10 de Abril de 2019; Aceito: 17 de Setembro de 2019

frandemetrio7@gmail.com

Colaboradores

Demétrio F (0000-0001-8231-3307)*, Santana ER (0000-0002-0115-9553)*, Pereira-Santos M (0000-0003-3766-2502)* contribuíram igualmente para a elaboração do manuscrito.

Conflito de interesses: inexistente

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