SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.31Considerations on Brazilian Teacher Training IndicatorsThe public and private in higher education: a contribution to the review of concepts author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Pro-Posições

On-line version ISSN 1980-6248

Pro-Posições vol.31  Campinas  2020  Epub Apr 22, 2020

https://doi.org/10.1590/1980-6248-2018-0113 

ARTIGOS

Produção de conhecimento sobre dança e educação física no Brasil: analisando artigos científicos1 2

Knowledge production on dance and physical education in Brazil: analysis of scientific articles

Producción de conocimiento sobre danza y educación física en Brasil: análisis de artículos científicos

Lívia Tenorio Brasileiroi 
http://orcid.org/0000-0002-5864-1148

Aline Renata de Farias Fragosoii 
http://orcid.org/0000-0003-2815-9462

Adriana de Faria Gehresiii 
http://orcid.org/0000-0003-1274-2514

iUniversidade de Pernambuco – UPE, Recife, PE, Brasil. https://orcid.org/0000-0002-5864-1148,livtb@hotmail.com

iiEscola Americana do Recife – EAR, Recife, PE, Brasil. https://orcid.org/0000-0003-2815-9462,hayline_07@hotmail.com

iiiUniversidade de Pernambuco – UPE, Recife, PE, Brasil. https://orcid.org/0000-0003-1274-2514,agehres@yahoo.com


Resumo

O estudo objetiva analisar artigos científicos sobre a dança como conhecimento tratado pela área de educação física, tendo como intenção identificar as suas principais temáticas de estudo. Trata-se de pesquisa de abordagem quanti-qualitativa, do tipo documental, que toma como fonte as produções sobre dança e educação física disponíveis nos periódicos nacionais. Percebe-se que a dança pode ser estudada em diversas áreas, mas é na educação que ela ganha maior destaque, seguida das temáticas que discutem dança como possibilidade de movimento, desempenho motor e atividade física.

Palavras-chaves dança; educação física; conhecimento; Brasil

Abstract

The aim of this study is to analyze the productions derived from scientific articles about dance as knowledge treated by the area of physical education, with the intention of identify its main themes of study. It is a research of quantitative approach, of the documentary type, that takes as a source the productions on dance and physical education made available in the national newspapers. Identified that the dance possesses diverse possibilities of themes of studies, but is in the education that she gains greater prominence, followed by topics that discuss about dance with possibility of movement, motor performance and physical activity.

Keywords physical education; education; knowledge; Brazil

Resumen

El estudio tiene como objetivo analizar las producciones oriundas de artículos científicos sobre la danza como conocimiento tratado por el área de educación física, teniendo como intención identificar sus principales temáticas de estudio. Se trata de una investigación de abordaje cuantitativo, del tipo documental, que toma como fuente las producciones sobre danza y educación física disponible en los periódicos nacionales. Se percibe que la danza tiene diversas posibilidades de temáticas de estudios, pero es en la educación que ella gana mayor destaque, seguido de las temáticas que discuten sobre danza como posibilidad de movimiento, desempeño motor y actividad física.

Palabras clave danza; educación física; conocimiento; Brasil

Introdução

Os estudos de Aquino (2008, p. 8) reconhecem que “a pesquisa em dança é uma prática recente com poucos exemplares, de modo que não é possível se referir a uma tradição de conhecimento acadêmico em dança no Brasil”. No mesmo contexto, Muglia-Rodrigues e Correia (2013, p. 96) realizaram um estudo sobre os periódicos nacionais de educação física publicados no período de 2000 a 2010 que abordaram a questão da dança, e apontam que há “uma relativa restrição da produção de conhecimento acerca do fenômeno/tema dança”.

Ainda assim, muito se tem avançado com relação às publicações sobre dança nos periódicos nacionais de educação física (Fragoso & Brasileiro, 2015; Muglia-Rodrigues & Correia, 2013; Trevisan & Schwartz, 2011). A dança aparece em diversos artigos que a relacionam com diferentes temáticas, seja no âmbito da educação, da saúde, do lazer, da inclusão, entre tantas outras, e essa heterogeneidade propicia à dança diversos sentidos e significados dentro da educação física.

Reconhecemos que a dança está historicamente presente em duas áreas de formação no Brasil: na arte (hoje na linguagem específica da dança) e também na educação física, podendo ser entendidas como “dança como área de conhecimento” e “dança como conhecimento clássico da educação física” (Brasileiro, 2009, p. 5).

Ao observar livros sobre o tema publicados no Brasil, Brasileiro (2009, p. 14) identifica um acervo que apresenta a constituição histórica da dança e inúmeras traduções, porém aponta que “ainda são poucas as pesquisas que se dedicam à presença da dança no espaço escolar, seja ela na educação básica ou ensino superior”.

Muglia-Rodrigues e Correia (2013), ao analisar a produção do conhecimento relativo ao fenômeno da dança em seis periódicos científicos nacionais de educação física, identificaram uma concentração de estudos no âmbito escolar, o que demonstra alteração desse cenário. É, no entanto, importante reconhecer que ainda se trata de um percentual pequeno no contexto das produções na área de educação física, considerando-se outras temáticas.

Neste contexto, este estudo pretende analisar as publicações de periódicos nacionais, no formato de artigos científicos, sobre a dança como conhecimento tratado pela área de educação física, tendo como intenção identificar suas principais temáticas de estudo, bem como consolidar um catálogo de acesso público aos pesquisadores da área de educação física, a fim de contribuir com a qualificação da formação para o ensino da dança.

Metodologia

Trata-se de uma pesquisa de abordagem quanti-qualitativa, do tipo documental, que tomou como fonte as produções, no formato de artigo científico, sobre dança e educação física em nosso país.

Os dados foram coletados por meio da catalogação dos artigos e preenchimento de uma ficha de análise que permitiu reconhecer a origem das produções, suas inserções institucionais, as problemáticas abordadas, as bases teórico-metodológicas, seus dados/resultados e suas contribuições para a área de educação física.

O corpus foi composto essencialmente on-line, acessando-se inicialmente o banco de dados Qualis Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes)3 na área da educação física, sendo identificados 1.952 periódicos, dos quais 672 eram brasileiros e 1.280 estrangeiros.

A pesquisa selecionou 47 revistas brasileiras na área da educação física, verificando nos portais de cada periódico seu foco de estudo e excluindo, assim, os de outras áreas de conhecimento, como educação, fisioterapia, psicologia, biologia, geriatria e medicina. Dos 47 periódicos, 13 (28%) estavam inacessíveis, com páginas on-line indisponíveis, inexistentes, em manutenção ou desatualizadas, restando 34 periódicos (72%). Desses, 10 (29%) não apresentavam artigos sobre dança em suas edições. Dessa forma, 24 (71%) periódicos foram incluídos na pesquisa. A partir de então verificamos todos os seus artigos disponíveis.

Os dados foram tabulados no programa Excel, elencando ISSN, nome, instituição responsável e estrato Qualis da revista e objetivo/tema/objeto, ano de publicação, link de acesso, resumo e arquivo do artigo completo.

As três últimas categorias referem-se à parte qualitativa do estudo, em que selecionamos os artigos que apresentaram a temática dança, seja no título ou nas palavras-chave. À medida que os artigos iam atendendo aos critérios de inclusão, eles eram salvos no formato PDF em um banco de dados.

Ao todo foram analisados 257 artigos, pela leitura dos títulos e resumos. Estes foram agrupados, após vários exercícios de aproximação, em sete classificações temáticas, a fim de possibilitar uma compreensão de cada uma delas, evidenciando as diversas possibilidades de abordar a dança como conhecimento na educação física. A partir da leitura dos títulos, composição das palavras-chave e dos objetivos dos estudos, classificamos as seguintes temáticas:

  • Dança e Educação, compreendendo os estudos sobre intervenção pedagógica e formação na educação básica e no ensino superior;

  • Dança e Movimento, agrupando os estudos que recorrem à dança como método de desenvolvimento de controle motor e aptidão física, exercício físico e diversos aspectos da saúde;

  • Dança e Estética, compreendendo estudos que tematizem a dimensão estética e aspectos sobre corpo e expressão;

  • Dança e História, reunindo estudos de memória, arte e cultura;

  • Dança e Lazer, envolvendo estudos sobre sua inserção em políticas públicas de lazer;

  • Dança e Inclusão, com estudos dedicados especialmente às pessoas com deficiência; e

  • Dança e Temáticas Transversais, compreendendo estudos sobre dança e gênero, religião, preconceito, violência, autoestima etc.

Houve ainda seis estudos que não conseguimos classificar. Reconhecemos que há, por vezes, um entrecruzamento destas temáticas, mas os artigos foram classificados de acordo com suas principais características.

Resultados e discussão

A Tabela 1 apresenta as informações dos 24 periódicos analisados nesta pesquisa.

Tabela 1 Periódicos nacionais de educação física que publicaram artigos sobre dança (abril/2018) 

ISSN Revista Qualis Número de
artigos
1980-0037 Revista Brasileira de Cineantropometria & Desempenho Humano B1 1
2175-3962 Cadernos de Formação RBCE B5 3
2176-963X Lazer e Recreação NC 1
2238-2259 Acta Brasileira do Movimento Humano B5 2
1676-2533 Caderno de Educação Física e Esporte B4 3
1983-6643 Educação Física em Revista B4 2
1981-4690 Revista Brasileira de Educação Física e Esporte B1 6
2317-1634 Revista Brasileira de Atividade Física & Saúde B2 5
0102-8308 Kinesis B4 5
1517-6096 Corpoconsciência B4 5
2175-6651 Pulsar B4 3
2177-4005 Cinergis B5 6
1980-6892 Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte B3 5
1981-3171 Licere B2 8
1809-9556 Arquivos em Movimento B4 7
2175-8042 Motrivivência B2 12
0101-3289 Revista Brasileira de Ciências do Esporte B1 10
0103-1716 Revista Brasileira de Ciência e Movimento B2 13
1983-3083 Revista da Educação Física/UEM B1 16
1981-4313 Coleção Pesquisa em Educação Física B4 16
1983-9030 Conexões B4 25
1980-6574 Motriz B1 25
1980-6183 Pensar a Prática B2 37
1982-8918 Movimento A2 41

NC: não classificada na área de avaliação Educação Física.

Identificamos que o periódico com maior quantidade de publicações sobre dança e educação física é a revista Movimento, seguida das revistas Motriz, Pensar a Prática e Conexões. É importante destacar que a revista Movimento abarca sistematicamente estudos socioculturais, assim como boa parte das publicações das demais revistas mencionadas neste parágrafo.

O primeiro registro de um artigo sobre dança nos periódicos nacionais de educação física no corpus deste trabalho data de 1987, e o último foi identificado no primeiro trimestre de 2018. Destacamos que o ano em que mais se publicou sobre dança foi 2010, com 25 publicações nos diferentes periódicos.

Ferreira (2002 citado por Muglia-Rodrigues & Correia, 2013) aponta que o título, elemento que aparece no índice e no cabeçalho do artigo, deve apresentar ao leitor a ideia principal do conteúdo a ser discutido no estudo; evidencia, ainda, que o resumo tem por finalidade dar mais abrangência ao conteúdo que deve ser informado ao leitor de forma eficaz e eficiente.

Na análise de dados realizada neste estudo, identificamos resumos que não contêm as informações necessárias para apresentar o artigo. Em alguns casos faltam objetivos ou conclusões, e outros optam por apresentar apenas uma longa introdução, o que dificultou sua análise, deixando lacunas no preenchimento das categorias formais de cada artigo, quais sejam: formato (artigo original, artigo de revisão, ensaio, relato de experiência, resumo de monografia e artigo de atualização ou divulgação), autor, periódico, ano de publicação, palavras-chave, temática, objetivo, tipo de fonte/campo e conclusão. Tais categorias foram transcritas para análise a partir das informações contidas diretamente no resumo, todas organizadas em planilhas no Excel.

Para a categoria formato constatamos a prevalência de 182 (71%) artigos originais; trata-se de pesquisas originais que não tenham sido publicadas ou consideradas para publicação em outros periódicos. Registra-se, também, que alguns artigos não apresentam o tipo de pesquisa realizada, sendo necessário classificar o formato pelas demais informações oferecidas no resumo. Porém, pela falta de informações já mencionada, não foi possível classificar o tipo de pesquisa em 12 casos, sendo identificada a prevalência de pesquisas descritivas.

No que se refere às palavras-chave, item que caracteriza o tema a ser tratado, identificou-se que os artigos analisados apresentaram de dois a seis descritores. Apenas três produções não apresentaram nenhuma palavra-chave, nos anos de 1999, 2001 e 2004, o que, conforme orientação de todos os periódicos, se caracteriza como não cumprimento das normas de submissão.

Quanto à classificação temática dos artigos analisados, percebemos a diversidade de contextos em que a dança pode estar relacionada dentro de uma única área em questão, a educação física. À medida que os resumos eram lidos, surgiam as classificações temáticas. Cada artigo foi classificado pelo tema em maior evidência, uma vez que alguns artigos relacionam diferentes temáticas para compor sua discussão.

Das sete temáticas apresentadas, a mais incidente foi Dança e Educação, representando 35,38% dos artigos (Tabela 2).

Tabela 2 Quantidade e percentual de artigos por temática (abril/2018) 

Nome Quant. %
Dança e Educação 92 35,9
Dança e Movimento 58 22,6
Dança e Estética 32 12,5
Dança e História 24 9,4
Dança e Inclusão 18 7,0
Dança e Temáticas Transversais 15 5,8
Dança e Lazer 10 3,9
Outros 7 2,7
257 100

A temática em destaque relaciona a dança às intervenções pedagógicas em sua quase totalidade, apresentando estudos que analisam as dificuldades e possibilidades do ensino da dança em diferentes níveis de escolaridade, conforme identificado nos seguintes trechos: “Teve-se como objetivo geral nesta pesquisa aprofundar o conhecimento da dança no contexto da educação física, identificando formas de trabalhar dança nas aulas de educação física” (Toneto, 2008, p. 17); “verificar como se desenvolve o conteúdo dança nas aulas de educação física das escolas da rede estadual de ensino fundamental na cidade de Porteirinha/MG e como ele é integrado ao currículo escolar, buscando, dessa forma, analisar a sua aplicabilidade por parte dos professores” (Silva, Alves, & Ribeiro, 2010, p. 1); “analisar o contexto da educação física da rede municipal de ensino fundamental do município de Barueri no que se refere a inclusão da dança nas aulas de educação física” (Rocha & Rodrigues, 2007, p. 15).

Concordando com Aquino (2008) ao reconhecer que a publicação sobre dança ainda é uma prática recente, destacamos que é na educação que ela vem ampliando seus estudos, a fim de contribuir com a formação de crianças e jovens na educação básica.

Marques (1997, p. 20), ao discutir sobre dança e educação, ressalta a importância da dança na escola ao afirmar que “a escola teria … o papel não de reproduzir, mas de instrumentalizar e de construir conhecimento em/através da dança com seus alunos(as), pois ela é forma de conhecimento, elemento essencial para a educação do ser social”.

Essa conclusão é corroborada por diversos autores da educação física, que nos levam a refletir que não cabe mais excluir o conteúdo da dança das nossas aulas na escola, a exemplo de Barreto (2008), Brasileiro (2009) e Kleinubing e Saraiva (2009), que reconhecem que “deixar de oportunizar aos alunos a experiência da dança é deixar uma lacuna tanto no seu processo educativo quanto no seu desenvolvimento pessoal” (Kleinubing & Saraiva, 2009, p. 211).

Neste sentido, os artigos que tomam a educação como formação são voltados ao estudo do ensino da dança nos cursos superiores, apontando, por exemplo, para a possibilidade de “analisa[r] o currículo do curso de bacharelado em dança” (Pereira, 2008, p. 67), “investigar a visão do futuro professor de educação física, em relação ao ensino da dança” (Gomes Junior & Lima, 2003, p. 31) e pesquisar “a disciplina de rítmica e/ou dança nos cursos de educação física … na percepção dos alunos” (Amorim, Guimarães, Soares, & Machado, 2012, p. 743). Esta classificação também incluiu “a formação do intérprete em dança contemporânea, com o objetivo de compreender como a sua participação na criação de obras coreográficas pode constituir-se um dos elementos centrais na formação desse dançarino” (Dantas, 2005, p. 32).

É importante ressaltar que a formação no ensino superior da área de educação física já inclui conteúdo de dança há bastante tempo, como apontam os estudos de Chaves (2002) e Morandi (2005). Neste sentido, os debates sobre formação já reconhecem o modo como a educação física vem tratando a dança como um de seus conteúdos, expressando-se nas orientações curriculares de todo o país. Inúmeros estudos problematizam a questão ao identificar limites e possibilidades de sua materialização na prática pedagógica (Barreto, 2008; Brasileiro, 2008; Florêncio, 2010; Kleinubing & Saraiva, 2009).

No que se refere à temática Dança e Movimento, há estudos que visam identificar os níveis de influências posturais existentes em determinados grupos etários. O trecho a seguir foi extraído de estudo que teve como amostra “18 indivíduos de ambos os sexos, na faixa etária de 15 a 60 anos, integrantes de uma escola de dança de salão da cidade de Bento Gonçalves-RS” (Feijó et al., 2013, p. 46). Constatou-se que:

A comparação realizada entre as etapas de pré e pós-experimento da postura estática dos indivíduos, pertencentes ao grupo experimental, demonstrou diferença significativa apenas para a postura da coluna cervical, a qual apresentou tendência de retificação. Não obstante, os resultados demonstram que a prática de três meses de DS [dança de salão] não foi suficiente para influenciar o padrão postural de toda coluna dos alunos de uma escola de dança da cidade de Bento Gonçalves-RS, mas que esta foi suficiente para já gerar uma modificação na postura da coluna cervical dos integrantes da amostra, que a retificaram, provavelmente pela execução incorreta, ainda não assimilada pelo curto período de intervenção proposto no estudo, do crescimento axial da coluna como um todo.

(Feijó et al., 2013, p. 50)

Nesse mesmo bloco estão os estudos que tematizam as questões de desenvolvimento motor, voltados em maior parte para o estudo das habilidades motoras, a exemplo de Souza, Berleze e Valentini (2008, p. 509) que visavam “analisar os efeitos sobre crianças de um programa de educação pelo esporte no domínio das habilidades motoras fundamentais e especializadas da dança”. São incluídos ainda os estudos afetos à percepção corporal, a exemplo daquele que busca “discutir a dança de salão e sua contribuição na percepção corporal dos seus praticantes” (Fonseca, Vecchi, & Gama, 2012, p. 200), ou mesmo à dimensão da psicomotricidade, permitindo “verificar que a dança pode ser um importante aliado da educação, no sentido que através dela a criança desenvolve simultaneamente aspectos motores, emocionais e cognitivos. Aspectos esses que interagem e se completam” (Falsarella & Amorim, 2008, p. 306).

Desta forma, temáticas afetas à saúde ganham destaque neste bloco, tendo como amostra principal as bailarinas, evidenciando os problemas decorrentes do treino na prática do balé clássico e a necessidade de preparação corporal visando melhorar as capacidades físicas para realização do movimento. Como exemplo, Meereis, Favretto, Bernardi, Peroni e Mota, (2011, p. 27) visaram “investigar a ocorrência de alterações posturais em bailarinas clássicas”, e Becker da Silva e Tkac (2012, p. 45) pretenderam “verificar a relação da força em membros inferiores e o desempenho em bailarinos da modalidade jazz em pré-competição”.

Alguns autores criticam o uso limitado da dança na educação física no âmbito escolar, apontando que se restringe ao movimento, às manifestações folclóricas ou aos aspectos ligados à saúde (Marques, 2003, 2012; Strazzacappa & Morandi, 2006). Reconhecemos, assim como Brasileiro (2009, p. 114), “a crítica apresentada por esses estudos; no entanto, destacamos o papel fundamental da educação física na ampliação de estudos acerca da dança como área de conhecimento e especialmente como conhecimento a ser estudado na escola”.

A dimensão da Estética será aqui destacada não apenas pelo estudo do que é belo, mas por sua percepção de conjunto. Dessa forma, foram encontrados artigos que analisam a visão dos espectadores e da expressividade dos movimentos de quem dança e cria seus processos. Dias, Haas, Lubisco, Dall’Agnol e Santiago (2010, p. 57), por exemplo, visaram “analisar a percepção estética de um grupo de espectadores sobre a coreografia ‘Homenagem à Deusa Atena’”; Rodrigues (2001) buscou ponderar sobre a significação da dança na busca da percepção das inter-relações configuradas entre bailarino e espectador; Castro (2007, p. 121) pretendeu “refletir sobre a relação entre técnica e expressividade nos movimentos de dança”; e Dantas (1997, p. 51) objetivou “discutir algumas questões referentes ao processo de criação em dança, enfocando, especificamente, a questão da transformação dos movimentos e gestos cotidianos em movimentos e gestos de dança, a partir da utilização de técnicas de movimento”. Tais temáticas estão pouco presentes na formação em educação física.

Ao refletir sobre a dimensão estética nos cursos de formação de dança e educação física, Brasileiro (2012, p. 201) aponta que

uma formação que tem a dimensão estética como meta diferencia-se por ampliar as possibilidades de apropriação do conhecimento. A partir desses cursos, podemos vislumbrar um processo de formação de crianças e jovens, nas escolas, em que seja possível construir uma concepção de ser humano, partindo de uma concepção de mundo que tem nos projetos científicos, políticos, pedagógicos, éticos e também, estéticos, sua sustentação.

Na categoria Dança e História, identificamos estudos que tematizaram a memória da dança em geral e de alguns repertórios específicos, assim como sua dimensão cultural: “esse estudo visou identificar como a dança jazz surgiu e evoluiu ao longo dos anos em Porto Alegre, Rio Grande do Sul e como ela se encontra atualmente” (Haas, Dalmolin, & Porto, 2013, p. 51); “[o] objetivo [deste artigo] é possibilitar reflexões acerca da dança pela dimensão do sagrado e do profano, de modo a compreender certas relações estabelecidas entre estes elementos” (Lara, 1999, p. 94). Diversos grupos de estudo, em especial os grupos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul4 e Universidade Federal de Minas Gerais5, vêm se dedicando a investigar a dimensão da memória como referência, e nisso a temática da dança também ganha relevo.

A categoria Dança e Lazer reuniu pesquisas que abordavam a inserção da dança em políticas públicas de lazer, visando “apresentar reflexões sobre a incorporação da dança em projetos de animação cultural, partindo de um olhar crítico sobre o próprio estágio de organização da arte” (Souza, Pereira, & Melo, 2003, p. 139). A temática do lazer aparece por muitas vezes associada à questão da saúde, especialmente em estudos com idosos, ou na dimensão da política pública de esporte e lazer, tendo na maioria das vezes a centralidade no esporte.

Os estudos sobre Dança e Inclusão refletem sobre as deficiências buscando uma inserção do indivíduo na prática dançante, visando “refletir sobre a participação e inclusão social dos dançarinos em cadeira de rodas no contexto de apresentações e espetáculos abertos ao público” (Lopes & Araújo, 2012, p. 440) e “analisar a contribuição da dança na construção da corporeidade das crianças com síndrome de Down” (Lima & Jaeger, 2002, p. 96). Tais estudos estão quase todos reunidos em uma edição temática da revista Conexões.

Há um número expressivo de trabalhos que relacionam a dança a pessoas com deficiência, ganhando relevo em discussões sobre inclusão social e possibilidade terapêutica por meio da dança. Percebe-se que não somente deficiências ou síndromes são abarcadas, mas também transtornos de comportamento.

Por fim, os Temas Transversais vão apresentar discussões afetas a questões de gênero, violência urbana, sexualidade, preconceito, religião, autoestima etc. São apresentados como objetivos analisar “aspectos da corporeidade e sexualidade em dançarinos de hip hop e axé … comparativamente a indivíduos não dançarinos expectadores da plateia” (Cardoso, Silveira, Sacomori, Sperandio, & Beltrame, 2011, p. 663) e “identificar e discutir o cotidiano e os preconceitos referentes à dança oriundos na comunidade, com o intuito de promover reflexões pertinentes à prática educativa” (Ferraz, 2003, p. 117).

Estas temáticas sem dúvida afetam e muito o trato com o conhecimento da dança na escola. Nestas aulas elas se explicitam por vezes, com destaque para os marcadores sociais relacionados com gênero, sexualidade e religião, que cada dia mais ficam evidentes nas políticas públicas do país6.

Considerações finais

Se observarmos o crescimento do número de publicações em periódicos da área de educação física, que, conforme Tani (2014, p. 720), “já venceu uma importante etapa que foi a criação de uma cultura acadêmica de publicação, fortemente induzida pelas demandas dos programas de pós-graduação”, vamos identificar que a temática da dança na educação física acompanha este desenvolvimento, mas ainda de forma discreta.

Reconhecemos e destacamos que parte da produção sobre dança e educação física vem sendo desenvolvida nas linhas de estudo socioculturais e pedagógicas, de forma que os periódicos cujo escopo está vinculado a pesquisas em ciências sociais e humanas acolhem estas investigações, evitando que precisem sistematicamente recorrer a periódicos de outras áreas, como educação, história, arte, para sua inserção.

Neste estudo, mesmo no recorte dos periódicos da educação física, destacamos a presença de estudos sobre dança na educação. As produções ampliam as possibilidades e asseguram a necessidade de confirmar tal conteúdo nas aulas de educação física, visando à qualificação da formação de crianças e jovens.

E foi nesse sentido que realizamos este trabalho de mapear a produção sobre dança nos periódicos da educação física, esperando contribuir com a problematização e qualificação da formação da área para o ensino da dança, e dessa forma contribuir para o desenvolvimento da escolarização da dança no Brasil.

1Apoio: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)

2Normalização, preparação e revisão textual: Andressa Picosque (Tikinet) – revisao@tikinet.com.br

4Ver Centro de Memória do Esporte (Ceme), recuperado de http://www.ufrgs.br/ceme/site/

5Ver Programa de Pós-Graduação em Educação, linha de pesquisa História da Educação, recuperado de http://www.posgrad.fae.ufmg.br/site/sobre-o-programa/linhas-de-pesquisa/

6Ver a respeito as atuais discussões sobre ideologia de gênero na escola. A exemplo de como esse debate afetou a construção da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o documento foi aprovado sem gênero e com religião (recuperado de http://basenacionalcomum.mec.gov.br/).

Referências

Amorim, D. C., Guimarães, A. C. A., Soares, A., & Machado, Z. (2012). Rítmica e dança nos currículos dos cursos de educação física. Pensar a Prática, 15(3), 743-758. Recuperado de https://www.revistas.ufg.br/fef/article/view/15089/12069Links ]

Aquino, R. (2008). A produção de pesquisas acadêmicas em dança no país: um olhar a partir de teses e dissertações. In Anais do V Congresso ABRACE: Criação e Reflexão Crítica (pp. 1-9). Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-Graduação em Artes Cênicas, Belo Horizonte. Recuperado de https://bit.ly/35gOS8uLinks ]

Barreto, D. (2008). Dança…: ensino, sentidos e possibilidades na escola (3a ed.). Campinas: Autores Associados. [ Links ]

Becker da Silva, A. M., & Tkac, C. M. (2012). Relação entre força de membros inferiores e desempenho em bailarinos. Acta Brasileira do Movimento Humano, 2(3), 42-51. Recuperado de http://www.periodicos.ulbra.br/index.php/actabrasileira/article/view/2891/2169Links ]

Brasileiro, L. T. (2008). O ensino da dança na educação física: formação e intervenção pedagógica em discussão. Motriz, 14(4), 519-528. Recuperado de https://www.periodicos.rc.biblioteca.unesp.br/index.php/motriz/article/view/2140/1912Links ]

Brasileiro, L. T. (2009). Dança – Educação Física: (in)tensas relações. Tese de Doutorado, Universidade Estadual de Campinas, Campinas. [ Links ]

Brasileiro, L. T. (2012). Dança: sentido estético em discussão. Movimento, 18(1), 189-203. Recuperado de http://www.seer.ufrgs.br/index.php/Movimento/article/view/19195/17346Links ]

Cardoso, F. L., Silveira, R. A., Sacomori, C., Sperandio, F. F., & Beltrame, T. S. (2011). Corporeidade e sexualidade em dançarinos de rua: axé e hip hop. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, 25(4), 663-672. Recuperado de http://www.scielo.br/pdf/rbefe/v25n4/v25n4a10.pdfLinks ]

Castro, D. L. (2007). O aperfeiçoamento das técnicas de movimento em dança. Movimento, 13(1), 121-130. Recuperado de http://www.seer.ufrgs.br/index.php/Movimento/article/view/2928/1562Links ]

Chaves, E. (2002). A Escolarização da dança em Minas Gerais (1925-1937). Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte. [ Links ]

Dantas, M. (1997). Movimento: matéria-prima e visibilidade da dança. Movimento, 4(6), 51-60. Recuperado de http://www.seer.ufrgs.br/index.php/Movimento/article/view/2300/1003Links ]

Dantas, M. (2005). De que são feitos os dançarinos de “aquilo…” criação coreográfica e formação de intérpretes em dança contemporânea. Movimento, 11(2), 31-57. Recuperado de https://seer.ufrgs.br/Movimento/article/view/2867/1481Links ]

Dias, C., Haas, A. N., Lubisco, A., Dall’Agnol, C., & Santiago, G. Z. (2010). Entre cadeira e palco: percepções estéticas de espectadores sobre uma coreografia de dança. Arquivos em Movimento, 6(2), 57-77. Recuperado de https://revistas.ufrj.br/index.php/am/article/view/9169/7299Links ]

Falsarella, A. P., & Bernardes-Amorim, D. (2008). A importância da dança no desenvolvimento psicomotor de crianças e adolescentes. Conexões, 6(ed. especial), 306-317. Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/conexoes/article/view/8637835/5526Links ]

Feijó, G. S., Gontijo, K. N. S., Ribeiro, L. P., Mazetto, L., Noll, M., & Candotti, C. T. (2013). A influência da prática de dança de salão na postura corporal de alunos de uma escola de dança em Bento Gonçalves-RS. Cinergis, 14(1), 45-51. Recuperado de https://online.unisc.br/seer/index.php/cinergis/article/view/3613/2959Links ]

Ferraz, T. G. (2003). Cotidiano e dança na periferia: reflexões para uma prática educativa. Pensar a Prática, 6, 117-138. Recuperado de https://www.revistas.ufg.br/fef/article/view/16053/9837Links ]

Florêncio, S. Q. N. (2010). O ensino da dança-educação na educação física escolar: ressignificando o saber docente. Dissertação de Mestrado, Universidade de Pernambuco, Recife. [ Links ]

Fonseca, C. C., Vecchi, R. L., & Gama, E. F. (2012). A influência da dança de salão na percepção corporal. Motriz, 18(1), 200-207. Recuperado de http://www.scielo.br/pdf/motriz/v18n1/v18n1a20.pdfLinks ]

Fragoso, A. R. F., & Brasileiro, L. T. (2015). Produção de conhecimento sobre dança e educação física no Brasil: analisando artigos científicos. Relatório de Iniciação Científica, Universidade de Pernambuco, Recife. [ Links ]

Gomes Junior, L. M.; & Lima, L. M. (2002). Educação estética e educação física: a dança na formação de professores. Pensar a Prática, 6, 31-44. Recuperado de https://www.revistas.ufg.br/fef/article/view/54/53Links ]

Haas, A. N., Dalmolin, C., & Porto, N. A. (2013). Dança jazz em Porto Alegre: origens e evolução. Arquivos em Movimento, 9(1), 50-64. Recuperado de https://revistas.ufrj.br/index.php/am/article/view/9215/pdf_7Links ]

Kleinubing, N. D., & Saraiva, M. C. (2009). Educação física escolar e dança: percepções de professores no ensino fundamental. Movimento, 15(4), 193-214. Recuperado de http://www.seer.ufrgs.br/index.php/Movimento/article/view/4610/6953Links ]

Lara, L. M. (1999). Dança: dimensão sagrada ou profana? Conexões, 1(2), 94-107. Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/conexoes/article/view/8638033/5720Links ]

Lima, M. D., & Jaeger, A. A. (2002). Dançando a corporeidade da criança com síndrome de Down. Kinesis, (27), 96-186. Recuperado de https://periodicos.ufsm.br/kinesis/article/view/7007/4227Links ]

Lopes, K. F., & Araújo, P. F. (2012). Os dançarinos em cadeira de rodas no contexto dos espetáculos. Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde, 17(5), 440-448. Recuperado de http://rbafs.emnuvens.com.br/RBAFS/article/view/2186/pdf19Links ]

Marques, I. A. (1997). Dançando na escola. Motriz, 3(1), 20-28. Recuperado de http://www.rc.unesp.br/ib/efisica/motriz/03n1/artigo3.pdf [ Links ]

Marques, I. A. (2003). Dançando na escola. São Paulo: Cortez. [ Links ]

Marques, I. A. (2012). Interações: crianças, dança e escola. São Paulo: Blucher. [ Links ]

Meereis, E. C. W., Favretto, C., Bernardi, C. L., Peroni, A. B. F., & Mota, C. B. (2011). Análise de tendências posturais em praticantes de balé clássico. Revista da Educação Física/UEM, 22(1), 27-35. Recuperado de http://www.periodicos.uem.br/ojs/index.php/RevEducFis/article/view/9130/7440Links ]

Morandi, C. S. D. F. (2005). Passos, compassos e descompassos do ensino da dança nas escolas. Dissertação de Mestrado, Universidade Estadual de Campinas, Campinas. [ Links ]

Muglia-Rodrigues, B., & Correia, W. R. (2013). Produção acadêmica sobre dança nos periódicos nacionais de educação física. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, 27(1), 91-99. Recuperado de http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1807-55092013000100010&script=sci_abstractLinks ]

Pereira , C. A. S. (2008). A dança na universidade moderna: apontamentos a partir de um estudo do currículo do curso de bacharelado em dança da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Arquivos em Movimento, 4(1), 67-88. Recuperado de https://revistas.ufrj.br/index.php/am/article/view/9112/7242Links ]

Rocha, D., & Rodrigues, G. M. (2007). A dança na escola. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, 6(3), 15-21. Recuperado de http://editorarevistas.mackenzie.br/index.php/remef/article/viewFile/1217/934Links ]

Rodrigues, G. M. (2001). Em cena, olhares para a travessia de corpos que dançam. Conexões, 1(6), 47-50. [ Links ]

Silva, W. F., Alves, D. S., & Ribeiro, G. F. F. (2010). A dança nas escolas da rede estadual de ensino fundamental na cidade de Porteirinha/MG: análise da sua aplicabilidade e metodologias. Educação Física em Revista, 4(2), 1-21. Recuperado de https://portalrevistas.ucb.br/index.php/efr/article/view/1662Links ]

Souza, M. C., Berleze, A., & Valentini, N. C. (2008). Efeitos de um programa de educação pelo esporte no domínio das habilidades motoras fundamentais e especializadas: ênfase na dança. Revista da Educação Física/UEM, 19(4), 509-519. Recuperado de http://www.periodicos.uem.br/ojs/index.php/RevEducFis/article/view/5254/3782Links ]

Souza, M. I. G., Pereira, P. G., & Melo, V. A. (2003). Dança e animação cultural: “improvisações”. Pensar a Prática, 6, 139-155. Recuperado de https://www.revistas.ufg.br/fef/article/view/60/59Links ]

Strazzacappa, M., & Morandi, C. (2006). Entre a arte e a docência: a formação do artis ta da dança. Campinas: Papirus. [ Links ]

Tani, G. (2014). Editoração de periódicos em educação física/ciências do esporte: dificuldades e desafios. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, 36(4), 715-722. Recuperado de http://www.scielo.br/pdf/rbce/v36n4/0101-3289-rbce-36-04-0715.pdfLinks ]

Toneto, L. C. (2008). Educação física escolar: a dança em questão. Revista Corpoconsciência, 12(2), 7-26. Recuperado de http://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/corpoconsciencia/article/view/3493Links ]

Trevisan, P. R. T. C., & Schwartz, G. M. (2011). Produção do conhecimento científico sobre dança na perspectiva educacional. Revista da Educação Física/UEM, 22(3), 361-372. Recuperado de http://www.periodicos.uem.br/ojs/index.php/RevEducFis/article/view/10058/7763Links ]

Referências consultadas

Marques, I. A. (2001). Ensino da dança hoje: textos e contextos (2a ed.). São Paulo: Cortez. [ Links ]

Recebido: 24 de Setembro de 2018; Revisado: 17 de Janeiro de 2019; Aceito: 26 de Abril de 2019

Creative Commons License Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.