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Ciência Rural

Print version ISSN 0103-8478

Cienc. Rural vol.24 no.1 Santa Maria  1994

https://doi.org/10.1590/S0103-84781994000100016 

QUANTIDADE E PREÇO DO MARACUJÁ COMERCIALIZADO NAS CEASAS DO RIO GRANDE DO SUL, SANTA CATARINA E PARANÁ

 

AMOUNT AND PRICE OF PASSION FRUIT COMMERCIALIZED AT CEASAS OF RIO GRANDE DO SUL, SANTA CATARINA AND PARANÁ

 

Marília Caleffi Paiva1 Ruy Inácio Neiva de Carvalho1 João Caetano Fioravanço2 Ivo Manica3

 

 

RESUMO

Estudaram-se as quantidades e os preços médios mensais e anuais do maracujá comercializado nas CEASAS do Rio Grande do Sul e Paraná de 1981 a 1990 e na CEASA de Santa Catarina de 1987 a 1990. As quantidades de maracujá comercializadas anualmente aumentaram 934,9% na CEASA/RS, 1.969,2% na CEASA/SC e 1.057,8% na CEASA/PR. Os preços anuais foram iguais entre os anos na CEA-SA/RS e CEASA/SC e na CEASA/PR maiores em 1986. As maiores quantidades de maracujá ofertadas ocorreram de março a agosto na CEASA/RS, de novembro a fevereiro na CEASA/SC e de janeiro a junho na CEASA/PR. Os maiores preços mensais foram pagos de abril a junho na CEASA/RS e de setembro a janeiro na CEASA/PR, enquanto na CEA-SA/SC foram iguais entre os meses.

Palavras-chave: maracujá; Passiflora edulis f.flavicarpa; comercialização; preços.

 

SUMMARY

This work deals with monthly and annual behaviour of amount and price of passion fruit commercialized at CEASAS of Rio Grande do Sul and Paraná, Brazil, from 1981 to 1990 and at CEASA of Santa Catarina, Brazil, from 1987 to 1990. The passion fruit quantity commercialized yearly increased 943.9% at CEASA/RS, 1,969.2% at CEASA/SC and 1,057.8% at CEASA/PR. The prices were not different among years at CEASA/RS and CEASA/SC, but at CEASA/PR in 1986 occured the highest price. The highest passion fruit quantity offered occured from March to August at CEASA/RS, from Novemberto February at CEASA/SC and from January to June at CEASA/PR. The highest monthly prices were payed from april to june at CEA-SA/RS, from september to january at CEASA/PR and were no differences between the months at CEA-SA/SC.

Key words: passion fruit; Passiflora edulis f. flavicarpa; trade; prices.

 

 

INTRODUÇÃO

A cultura do maracujazeiro, com a grande expansão da área plantada a partir da década de 1980, assumiu posição de destaque na fruticultura nacional. Esse incremento do cultivo deve-se à industrialização de seus frutos que produzem um suco de sabor e aroma agradáveis, de baixo preço e bastante aceito nos diferentes mercados, bem como pela aceitação comercial dos frutos para consumo ao natural (SUZUKI & LINS, 1987).

A produção no Brasil é quase que exclusivamente do maracujá amarelo (Passi flora edulis f. flavicarpa), embora ocorra em menor escala o cultivo do maracujá doce (Passi flora alata).

A comercialização do maracujá, para consumo ao natural, é feita em caixas ou sacos de polietileno, enquanto o destinado à industrialização é embalado em sacos ou transportado a granel, sem nenhuma classificação (MAN ICA, 1981; SUZUKI & LINS, 1987).

Segundo MORETTI & CANTO (1981), há carência de dados seguros quanto à produção e comercialização do maracujá no Brasil. Em Pernambuco, no período de 1984 a 1988, LEDERMAN et al. (1992) verificaram um aumento significativo da quantidade de maracujá comercializado na CEASA, com distribuição equitativa da oferta entre os meses ao longo do ano.

Em São Paulo, no Entreposto Terminal da CEAGESP, no período de 1973 a 1983, a maior oferta de frutas ao natural ocorreu no período de dezembro a agosto (SUZUKI & LINS, 1987).

No Rio Grande do Sul, no período de 1981 a 1989 a maior oferta de maracujá na CEASA/RS ocorreu de fevereiro a agosto, enquanto os maiores preços foram pagos de agosto a fevereiro (GERHARDT et al, 1993).

O objetivo do trabalho foi verificar a quantidade e o preço médio do maracujá comercializado nas CEASAS do Rio Grande do Sul e Paraná no período de janeiro de 1981 a dezembro de 1990 e na CEASA de Santa Catarina no período de janeiro de 1987 a dezembro de 1990.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Os dados utilizados para a elaboração do trabalho foram obtidos dos levantamentos mensais demonstrativos da quantidade de produto em oferta nas CEASAS do Rio Grande do Sul e Paraná, de janeiro de 1981 a dezembro de 1990 e na CEASA de Santa Catarina de janeiro de 1987 a dezembro de 1990.

As quantidades de maracujá mensalmente comercializadas representam o somatório das quantidades diárias e as anuais a soma da comercialização mensal.

Os preços foram deflacionados pelo Índice Geral de Preços (Base Dezembro de 1989 = 100) obtido na FUNDAÇÃO DE ECONOMIA E ESTATÍSTICA SIEGFRIED EMANUEL HEUSER (1981/1990) e representam a média ponderada calculada através da fórmula:

Y = Fx/F, onde:

F = quantidade em toneladas para cada dia ou mês considerado;

x = preço observado em cada dia ou mês.

Para a comparação das quantidades médias mensais e dos preços médios mensais e anuais realizou-se uma análise de variância conforme o delineamento blocos casualizados, utilizando-se como repetições as informações obtidas nos anos e nos meses analisados. Para a quantidade total, anualmente comercializada, utilizou-se as quantidades comercializadas em cada mês como repetições para a obtenção da quantidade média para cada ano e as respectivas comparações estatísticas. As médias obtidas foram multiplicadas por 12 (meses do ano) para expressar o total comercializado. As médias foram comparadas pelo teste de Tukey, ao nível de 5% de probabilidade.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As quantidades e os preços médios anuais deflacionados do maracujá comercializado nas CEASAS do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná são apresentados na Tabela 1. Na CEASA/RS, de 1981 a 1990, ocorreu um aumento de 943,9% na quantidade comercializada, que passou de 7,5 para 78,11, embora o máximo de oferta tenha ocorrido no ano de 1989 com 82,3 toneladas. Apesar da quantidade comercializada ter crescido no período estudado, o preço médio foi semelhante entre os anos, oscilando próximo à média de Cr$ 14,2.

 

 

Na CEASA/SC, de 1987 a 1990, a quantidade comercializada passou de 61,9 para 1.280,8 toneladas, evidenciando um crescimento extraordinário de 1.969,2%. Por outro lado, os preços mantiveram-se próximos à média de Cr$ 12,7, apesar do grande crescimento do volume ofertado em 1990 (Tabela 1).

Na CEASA/PR, de 1981 a 1990, a oferta anual aumentou de 55,4 para 641,4 toneladas, o que equivale a um crescimento de 1.057,8%, sendo os maiores volumes comercializados nos anos de 1990, 1989 e 1987. Os preços médios oscilaram entre Cr$ 7,5 a 17,8 registrando-se o maior valor em 1986, sig-nificativamente superior aos anos de 1988 e 1989 e semelhante aos demais (Tabela 1).

Os dados mostram que há um mercado em franca expansão na Região Sul do Brasil, para comercialização ao natural do maracujá azedo. Nas três CEASAS a oferta foi crescente ano a ano, com exceção dos anos de 1985 e 1990 na CEASA/RS e 1985, 1986 e 1988 na CEASA/PR e, provavelmente, esteja ainda bastante abaixo do potencial de demanda da fruta nestas centrais de abastecimento.

Na CEASA/RS, a quantidade de maracujá comercializado, mensalmente, oscilou entre 1,3 e 4,7 toneladas e a maior oferta ocorreu no período de março a agosto. Os menores preços pagos ocorreram no período de maior oferta, compreendido de abril a julho, com exceção de março e agosto que também destacaram-se como meses de grande comercialização, mas apresentaram preços altos, provavelmente, por se tratarem das primeiras e últimas frutas ofertadas em maior volume ao longo do ano (Tabela 2).

 

 

Observa-se que na CEASA/SC a maior comercialização de maracujá ocorreu no período de novembro a fevereiro. A análise estatística, entretanto, não apresenta diferenças entre os meses devido a grande variação dos dados influenciados pela súbita elevação da quantidade ofertada no ano de 1990, enquanto os preços foram iguais entre os meses e oscilaram de Cr$ 9,5 a 21,9 (Tabela 2).

Na CEASA/RS a maior oferta de maracujá no período de 1981 a 1990 ocorreu de janeiro a junho (Tabela 2). O início da safra no Paraná ocorreu dois meses antes que no Rio Grande do Sul e pode ser consequência da maior temperatura que favorece uma produção mais precoce enquanto que as temperaturas mais baixas do Rio Grande do Sul retardam a frutificação.

Na CEASA/PR os maiores preços foram registrados no período de menor oferta, com exceção de janeiro que apresentou alta oferta e preços elevados e de junho, julho e agosto que apresentaram oferta e preços baixos.

 

CONCLUSÕES

As quantidades de maracujá comercializadas nos períodos estudados aumentaram 943,9% na CEASA/RS, 1.969,2% na CEASA/SC e 1.057,8% na CEASA/PR.

Os preços anuais foram iguais entre os anos, tanto na CEASA/RS como na CEASA/SC, enquanto na CEASA/PR o maior preço pago ocorreu no ano de 1986.

As maiores ofertas de maracujá ocorreram de março a agosto na CEASA/RS, de novembro a fevereiro na CEASA/SC e de janeiro a junho na CEASA/PR.

Na CEASA/RS os maiores preços ocorreram de abril a junho, na CEASA/SC foram iguais entre os meses e na CEASA/PR foram maiores de setembro a janeiro.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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CEASA/SC. Volumes e preços médios mensais comercializados na CEASA/SC. Florianópolis;CEASA/SC, 1987/1990. n.p.         [ Links ]

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GERHARDT, L.B. de A., LUCCHESE, O.A., PAIVA, M.C. et al. Origem, quantidade e preço do maracujá comercializado na CEASA/RS no período de janeiro de 1981 a dezembro de 1989. Agronomia Sulriograndense, Porto Alegre, 1993. (No prelo).         [ Links ]

LEDERMAN,I.E.,BEZERRA,J.E.F.,ASCHOFF, M. N.A. et al. Oferta e procedência de frutas tropicais nativas e exóticas na CEASA/PERNAMBUCO. Revista Brasileira de Fruticultura, Cruz das Almas, v. 14, n. 3, p. 203-209, 1992        [ Links ]

MANICA, L. Fruticultura tropical 1. Maracujá. São Paulo: CERES, 1981.160 p.         [ Links ]

MORETTI, V.A., CANTO, W.L. do. Aspectos econômicos da produção e mercado. In: MEDINA, J.C. et al. Maracujá - da cultura ao processamento e comercialização. Campinas: ITAL, 1981. p. 155-194. (Série Frutas Tropicais, 9).         [ Links ]

SUZUKI, O.Y., LINS, W.B.A. Considerações econômicas brasileiras. In: RUGGIERO, C. Maracujá. Ribeirão Preto: Legis Summa, 1987. p. 08-19.         [ Links ]

 

 

1Engenheiro Agrônomo, M.Sc, Departamento de Horticultura e Silvicultura da Faculdade de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Caixa Postal 776, 91501-970 - Porto Alegre, RS.

2Engenheiro Agrônomo, M.Sc.. Bolsista da FAPERGS. Departamento de Horticultura e Silvicultura da Faculdade de Agronomia da UFRGS.

3Engenheiro Agrônomo, Dr., Professor da Faculdade de Agronomia da UFRGS e Bolsista 1A do CNPq.

 

Recebido para publicação em 26.06.93. Aprovado em 22.09.93.

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