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Ciência Rural

Print version ISSN 0103-8478

Cienc. Rural vol.24 no.1 Santa Maria  1994

https://doi.org/10.1590/S0103-84781994000100020 

DETERMINAÇÃO DOS VALORES MÉDIOS DE uréia NO SORO, LÍQUIDO CEFALORAQUIANO E HUMOR AQUOSO EM CÃES (canis familiaris)1

 

UREA DETERMIATION IN BLOOD, CEREBROSPINAL FLUID AND AQUEOUS HUMOR IN DOGS

 

Valéria Dutra2 Cláudio Baptista de Carvalho3 Alexandre Krause2 Paulo Roberto Souza Costa2 Sônia Terezinha dos Anjos Lopes4

 

 

RESUMO

Foram colhidas amostras de sangue, líquido cefaloraquiano e humor aquoso de 17 cães portadores de diferentes enfermidades com a finalidade de conhecer-se os valores médios de uréia nestas amostras. A determinação foi feita com o kit Labtest e os dados avaliados estatisticamente. Os resultados obtidos permitem determiar-se a uréia em qualquer dos materiais colhidos nos locais citados com resultados similares.

Palavras-chave: uréia, sangue, líquido cefaloraquiano, humor aquoso, cães.

 

SUMMARY

The blood, cerebrospinal fluid and aqueous humor was collected in seventeen dogs with different diseases, for urea determination, that was realized with kit Labtest and posterior statistic evaluation. The urea determination can be made in the refered fluids with similar results.

Key words: urea, blood, cerebrospinal fluid, aqueous humor, dogs.

 

 

INTRODUÇÃO

A uréia é um produto do catabolismo protéico, facilmente difundida pelos líquidos do organismo devido seu baixo peso molecular e apresenta-se em concentração similar nos diversos compartimentos de água do corpo (CANDLIN, 1968; FINCO et al., 1975; KRAFT & DÜRR, 1981; GÜRTLER et al., 1984; KIRK & BISTNER, 1984). Ela serve como prova de função renal, pois em casos de disfunções deste órgão, está aumentada (CANDLIN, 1968; KRAFT & DÜRR, 1981; DUNCAN & PRASSE, 1982; KRAFT. 1984; KIRK & BISTNER, 1984; FREUDIGER, 1986).

SCHONNING & STRATUSS (1981) informaram que em cães normais a uréia no sangue é igual a 17,8mmol/l e no líquido cefaloraquiano 16,7mmol/l.

PALMER et al. (1985) citaram que a uréia se mantém estável no humor aquoso até três dias após a morte e citam os valores de 4-8mmol/l como normais para o soro e 4-7mmol/l para o humor aquoso.

Na Tabela 1 pode-se observar os diferentes valores encontrados para a uréia do sangue, no líquido cefaloraquiano e no humor aquoso, convertidos segundo fator de conversão (MEYER et al., 1992).

O presente trabalho foi realizado devido às poucas informações sobre o assunto e para verificar se o resultado da colheita de amostras do líquido cefaloraquiano e do humor aquoso podem substituir a de sangue nos casos em que haja dificuldade para venóclise.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Foram usados 17 cães (12 machos e 5 fêmeas) de diferentes raças e idades variáveis que deram entrada no Hospital de Clínicas Veterinárias da Universidade Federal de Santa Maria (HCV/UFSM), portadores de diferentes enfermidades e que vieram a óbito em condições naturais. Foram colhidas amostras de sangue da veia cefálica (3ml), líquido cefaloraquiano (3ml) e humor aquoso (0,5ml) de cada animal, momentos antes do óbito. No Laboratório de Patologia Clínica do HCV/UFSM o soro foi separado por centrifugação e com as outras amostras foram processados para a determiação da uréia segundo técnica do kit Labtesta.

Os resultados obtidos, na presente pesquisa, foram em mg/dl e convertidos a mmol/l para comparação através do fator de conversão (0,357) citado por MEYER et al. (1992).

O estudo estatístico foi realizado segundo o Teste F, Teste de Tukey e análise da variância.

 

RESULTADOS

Os valores mínimos, médios e máximos encontrados estão na tabela 2.

 

 

DISCUSSÃO E CONCLUSÃO

Os valores citados pelos diversos autores, após conversão em mg/dl ou mmol/l segundo o fator de conversão citado por MEYER et al. (1992), são valores obtidos em cães normais. Os achados médios das observações nesta pesquisa são diferentes dos achados dos diversos pesquisadores. O fato de ter-se trabalhado com animais portadores de enfermidades foi o responsável por estas diferenças.

Após a análise estatística, pode-se concluir que não houve diferenças significativas entre os valores da uréia do soro, do líquido cefaloraquiano e do humor aquoso. Assim é perfeitamente possível a sua determinação no material colhido destes locais de vez que os resultados são similares.

 

AGRADECIMENTO

Ao professor Doutor José Henrique S. Silva do Departamento de Zootecnia da UFSM pela análise estatística.

 

FONTES DE AQUISIÇÃO

a - Kit Labtest: Av. Isabel Bueno, 948. 31270-030 - Belo Horizonte, MG.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CANDLIN, F.T. Diseases of the liver, pâncreas and peritoneum. In: CATCOTT, E.J. Canine medicine. Santa Barbara: American Veterinary Publications, 1968. Cap. n. p. 328-338.         [ Links ]

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PALMER, D.G., OSSENT, P., SUTTER, M.M. et al. Post mortem urea leveis in aqueous humor as a reliable indicator of ante mortem uraemia. Vet Rec, v. 15, n. 116, p. 411-412, 1985.         [ Links ]

SCHONING, P., STRATUSS, A.C. Analysis of postmortem canine blood cerebrospinal fluid and vitreous humor. Am J Vet Res, v. 8, n. 42, p. 1447-1449, 1981.         [ Links ]

 

 

1Trabalho apresentado na IIª Jornada de Pesquisa da UFSM em 1992. Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). 97119-900 - Santa Maria, RS.

2Acadêmico do Curso de Medicina Veterinária da UFSM.

3Médico Veterinário, doutor. Professor Titular do Departamento de Clínica de Pequenos Animais, UFSM.

4Médico Veterinário, Hospital de Clínicas Veterinárias, UFSM.

 

Recebido para publicação em 19.04.93. Aprovado em 06.10.93.

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