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Revista Brasileira de Educação Especial

Print version ISSN 1413-6538On-line version ISSN 1980-5470

Rev. bras. educ. espec. vol.22 no.2 Marília Apr./June 2016

https://doi.org/10.1590/S1413-65382216000200010 

Revisão de Literatura

Análise Epistemológica de Teses e Dissertações de Dois Programas de Pós-graduação Stricto Sensu da Educação Física Sobre Pessoas com deficiência1

Epistemological Analysis of Theses and Dissertations in Two Brazilian Physical Education Stricto Sensu Graduate Courses on Persons With Disabilities

Diego Grasel BARBOSA2 

Rubian Diego ANDRADE3 

Carolina MEYER4 

Manoella de Oliveira SANTOS5 

Érico Pereira Gomes FELDEN6 

2Mestrando em Ciências do Movimento humano da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Florianópolis, SC, Brasil. diegograsel1987@gmail.com

3Doutorando em Ciências do Movimento Humano da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Florianópolis, SC, Brasil. rubiandiego@gmail.com

4Mestre em Ciências do Movimento Humano pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Florianópolis, SC, Brasil. carolmeyer.ud@gmail.com

5Mestranda em Ciências do Movimento Humano da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Florianópolis, SC, Brasil. manoella.santos@hotmail.com

6Docente do Programa de Pós Graduação em Ciências do Movimento Humano da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Florianópolis, SC, Brasil. ericofelden@gmail.com


RESUMO:

o presente estudo teve como objetivo identificar as abordagens metodológicas e pressupostos epistemológicos adotados pelos autores das teses e dissertações sobre pessoas com deficiência dos dois mais conceituados programas de pós-graduação stricto sensu de Educação Física do Brasil dos últimos 10 anos. Os estudos foram classificados de acordo com as abordagens metodológicas empírico-analítica, fenomenológica-hermenêutica e crítico-dialética. A análise epistemológica baseou-se em critérios de validação científica, concepção de causalidade e concepção de ciência. Foram identificados que 66,7% dos estudos utilizaram a abordagem empírico-analítica e 33,3% a fenomenológica-hermenêutica. Não foram encontrados estudos que utilizaram a abordagem críticadialética. Com isto sugere-se que os caminhos da formação dos pesquisadores dos cursos de Pós-Graduação de Educação Física que tratam da temática pessoas com deficiência se diversifiquem com escolhas metodológicas; que se fundamentem em pressupostos epistemológicos sob perspectivas filosóficas do conhecimento e não só busquem a objetividade e a neutralidade científica

PALAVRAS-CHAVE: Educação Especial; Educação Física; Conhecimento; Epistemologia

ABSTRACT:

This study aimed to identify the methodological approaches and epistemological assumptions adopted by the authors of theses and dissertations on people with disabilities of the two best-ranked stricto sensu graduate programs of Physical Education in Brazil over the last 10 years. The studies were classified according to empirical-analytic, phenomenological-hermeneutic and critical-dialectic methodological approaches. The epistemological analysis was based at scientific validation criteria, conception of causality and conception of science. The investigation identified that 66.7% of the studies used empirical-analytic approach, and 33.3% used phenomenological hermeneutic approach. No studies were found using critical-dialectical approach. It is suggested that researchers' training in Graduate Physical Education courses, which address the theme people with disabilities, diversify the methodological choices; be based on epistemological assumptions under philosophical perspectives of knowledge, and seek not only objectivity and scientific neutrality.

KEYWORDS: Special Education; Physical Education; Knowledge; Epistemology

1 Introdução

A análise epistemológica se fundamenta em considerar a necessidade e importância de estudos que procuram compreender a investigação científica de um determinado campo do conhecimento. Esta técnica tem como objetivo estimular na ciência um processo de autorreflexão e autocrítica sobre seus resultados e sobre os processos e condições da sua produção (GAMBOA, 1998).

O valor universal da epistemologia foi primeiramente reconhecido nas ciências humanas, sendo que a postura de uma vigilância epistemológica, implícita nas análises, é fundamental para o desenvolvimento cada vez mais coerente e socialmente engajado em todas as áreas da ciência (SOUZA, 2011). Os estudos que se propõem a analisar a produção científica de teses e dissertações de uma determinada área do conhecimento são chamados de análises epistemológicas (GAMBOA, 1998).

As pesquisas desenvolvidas nos programas de pós-graduação stricto sensu no país devem ser vistas com atenção especial, principalmente no sentido de que se a pesquisa é importante para auxiliar o homem a superar os problemas que encontra, é preciso que se analise a própria pesquisa, que se investiguem os caminhos adotados para o seu desenvolvimento, e que se identifiquem os interesses e determinantes sócio-político-econômicos que a norteiam (SILVA; GAMBOA, 2014). O número de estudos que se preocupavam em fundamentar epistemologicamente as pesquisas da área da Educação Física até a década de 1990 era incipiente. A partir disto, ocorreu o crescimento da análise crítica da área, particularmente dos primeiros trabalhos de caráter epistemológico que buscaram identificar as matrizes teóricas que orientavam a produção científica em Educação Física (SILVA, 2013).

Para análise epistemológica do presente estudo, foram escolhidos os Programas de Pós-Graduação stricto sensu de Educação Física do Brasil com melhor conceito. Para isto foi realizada consulta ao portal da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e, após verificação da lista dos programas recomendados e reconhecidos pela avaliação homologada pelo Ministério da Educação, foram selecionados os programas com nota de no mínimo seis no Mestrado e Doutorado, do último triênio de 2013/2014/2015.

Para a obtenção das notas seis e sete, os programas precisam cumprir as exigências da CAPES, que estabelece como pré-requisitos: terem titulado doutores nos últimos cinco anos; participarem em convênios internacionais com resultados evidenciados; possuírem professores visitantes de universidades estrangeiras reputadas; ofertarem intercâmbio de alunos em ambos os sentidos; organizarem eventos internacionais; terem participação dos docentes em comitês e diretorias de associações científicas internacionais e ofertarem mestrado e doutorado interinstitucionais, especialmente em regiões prioritárias.

Os referidos programas de Pós-Graduação selecionados para análise foram, portanto, o Programa de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (USP), com conceito 7, e o Programa de Ciências da Motricidade da Unesp/SP, de Rio Claro, com conceito 6. Após a escolha dos programas, foi realizada a busca das teses e dissertações das duas universidades, pelos respectivos sites por meio do acervo da biblioteca digital. Ao final, foram encontradas sete dissertações e duas teses com população/amostra constituída de pessoas com deficiência.

O presente estudo teve como objetivo identificar as abordagens metodológicas e pressupostos epistemológicos adotadas pelos autores de teses e dissertações sobre pessoas com deficiência dos últimos 10 anos, desses dois programas de pós-graduação em Educação Física. Para isto procedeu-se à análise de conteúdo de teses com esta população, pertencentes à grande área das Ciências da Saúde e área da Educação Física. Os aspectos que contemplaram esta análise de conteúdo foram: a identificação das abordagens metodológicas e epistemológicas e os fundamentos e pressupostos que norteavam estes estudos. Com relação ao nível metodológico, foram identificadas as principais abordagens adotadas nos trabalhos analisados. No nível epistemológico, foram identificadas as concepções de validação científica, de causalidade e de ciência.

2 Abordagens metodológicas utilizadas nas pesquisas brasileiras

No presente estudo adotou-se a classificação de abordagens metodológicas em pesquisas desenvolvidas por Gamboa (1998): empírica-analítica, hermenêutica-fenomenológica e crítico-dialética. Em virtude identificação da abordagem filosófica em um dos trabalhos, considerou-se a mesma como integrante da abordagem fenomenológica-hermenêutica, visto que é a abordagem que mais se assemelha à mesma considerando a base de conhecimento utilizada nas análises.

A origem da abordagem empírico-analítica está contemplada sobre a unidade das ciências, em que o modelo das ciências físicas deve ser o mesmo utilizado por outras ciências, inclusive as ciências sociais e humanas. Teve fortalecimento na área das ciências sociais e humanas com o positivismo de Augusto Comte, no século XIX, considerado o pai da sociologia e fundador do positivismo (GAMBOA, 1996; SILVA, 2009). Esta abordagem centraliza o processo sujeito e objeto, no objeto da pesquisa, almejando a objetividade científica. Esta relação é trabalhada de forma fragmentada e fragmentária, na qual o sujeito e objeto são afastados para garantir a imparcialidade, ou seja, uma maior neutralidade científica. O objeto de estudo é entendido como um conjunto de dados alcançados via instrumentos previamente determinados e apresentado com um método. O caminho percorrido para alcançar o conhecimento parte da direção do todo para as partes e dessa forma pretende-se explicar e compreender o fenômeno de natureza subjetiva (SILVA, 2009).

A abordagem fenomenológica-hermenêutica centraliza o processo sujeito e objeto no sujeito cognoscente, e visa à subjetividade. Caracteriza-se pela dinâmica inferencial do sujeito (pesquisador) que trabalha o objeto de estudo, desde a experiência fenomenológica da pesquisa até a sua essência. No processo de construção do conhecimento nesta abordagem é desenvolvido o processo com origem no símbolo, gesto, expressão e caminha em direção à recuperação progressiva do todo. Conhecer é compreender os fenômenos em suas diversas manifestações e nos contextos de onde se expressam. Deste modo, os fenômenos não são de certa forma analisados, e sim, são compreendidos por meio de significados e processo de recuperação de contextos (GAMBOA, 1998). O referencial teórico desta abordagem decorre de leituras do pensamento filosófico, e as temáticas teóricas abordadas a partir destas e refletidas sobre e para uma realidade concreta (KUNZ, 2000).

Já a abordagem crítico-dialética foca a relação sujeito e objeto na relação cognitiva, no qual é pretendido a concreticidade. O concreto se constrói por meio de um processo que origina na percepção empírico-objetiva e passa pelo abstrato de características subjetivas, até construir uma síntese no processo de conhecimento. As abordagens dialéticas, portanto, bus-cam compreender o contexto com ênfase na temporalidade e historicidade para explicar compreender o fenômeno (SILVA, 2009).

3 Análise epistemológica das teses e dissertações

Na análise epistemológica procurou-se identificar as concepções de validações científicas (comprovações de que determinado instrumento é válido), as noções de causa efeito e as concepções de ciência que embasaram cada estudo levando-se em consideração a abordagem metodológica predominante. Desta forma, são apresentados no Quadro 1, o nome do autor (a), título do trabalho e as respectivas abordagens metodológicas e pressupostos epistemológicos utilizados.

Quadro 1 Demonstrativo das teses e dissertações analisadas e suas respectivas abordagens metodológicas predominantes. 

Estudo Autor(A) Título Abordagem Metodológica Predominante
1 FERREIRA A adequação do teste KTK em relação ao conceito atual de deficiência intelectual ao modelo de análise ecológica da tarefa Fenomenológica-Hermenêutica
2 RANIERI Dimensões existenciais do esporte: fenomenologia das experiências esportivas de atletas com deficiência visual Fenomenológica-Hermenêutica
3 GORGATTI Educação física escolar e inclusão: uma análise a partir do desenvolvimento motor e social de adolescentes com deficiência visual e das atitudes dos professores Empírico-Analítica
4 LAGO Ensino de futsal para pessoas com deficiência intelectual Empírico-Analítica
5 FIGUEIREDO Indução ao esforço e seus efeitos em parâmetros da percepção espacial de indivíduos atletas deficientes visual e não deficientes Empírico-Analítica
6 LUCENA Instabilidade postural em indivíduos obesos com deficiência intelectual Empírico-Analítica
7 KLEINER Mobilidade funcional em indivíduos com paralisia cerebral espástica Empírico-Analítica
8 COZZANI Perseveração motora em crianças. Impacto da condição de deficiência mental Empírico-Analítica
9 SABINO Sentindo-se saudável com a capoeira: uma visão fenomenológica a partir de pessoas com deficiência Fenomenológica-Hermenêutica

Fonte: elaboração própria.

Pôde-se constatar que a maior parte das abordagens metodológicas das teses e dissertações da área da Educação Física analisadas com o tema pessoas com deficiência tive orientação empírico-analítica (66,7%), sendo ainda observadas as abordagens fenomenológica-hermenêutica em dois trabalhos e a abordagem filosófica em um. Para o presente estudo, a abordagem filosófica relatada pelo autor do Estudo 1 foi agrupada na abordagem metodológica fenomenológica-hermenêutica. Com isto observaram-se que, do total dos nove trabalhos, seis (66,7%) tiveram orientação metodológica empírico-analítica e três (33,3%), orientação metodológica fenomenológica-hermenêutica. Não foi observado, portanto, a abordagem crítico-dialética.

Com relação ao nível epistemológico, procurou-se identificar os critérios de validação científica, concepções de causalidade e concepções de ciência contidas nas teses e dissertações que as fundamentaram. Para isto, buscou-se verificar os critérios de cientificidade que implícita ou explicitamente estavam contidas nos trabalhos analisados. No Quadro 2, estão apresentadas as teses e dissertações pautadas na abordagem empírico-analítica, sendo indicados os respectivos critérios de cientificidade com relação à validação científica (formalizações matemáticas e objetividade científica), concepção de causalidade (relação linear entre causa e efeito) e concepção de ciência (método do conhecimento objetivo). Para isto, procurou-se com base em cada trabalho, apresentar as características peculiares que compunham estes critérios.

Quadro 2 Demonstrativo dos critérios de cientificidade dos estudos desenvolvidos na abordagem empírico-analítica. 

Estudo Autor(A) Critérios de Validação Científica Concepção de Causalidade Concepção de Ciência
3 GORGATTI Utilização de testes estatísticos (qui quadrado e diferenças de proporções)
Adotado nível de significância de p<0,05
Causa: Inclusão de crianças com deficiências nas aulas regulares
Efeito: Atitudes dos professores de Educação Física de escolas públicas e particulares do sistema regular de ensino da cidade de São Paulo
Conhecimento objetivo:
Avaliação da evolução de adolescentes com deficiência em situações de ensino de Educação Física de forma inclusiva, considerando aspectos físico, motores e psicossociais
4 LAGO Utilização de procedimentos estatísticos (estatística descritiva, índice de participação total e índice de aproveitamento dos alunos)
Adotado nível de significância de p<0,05
Causa: Programa de futsal para pessoas com deficiência intelectual
Efeito: Desempenho das ações no jogo
Conhecimento objetivo:
Delineamento e aplicação de um programa de ensino de Futsal para jovens e adultos com deficiência intelectual
5 FIGUEIREDO Utilização de procedimentos estatísticos para análise de dados (análise de variância)
Adotado nível de significância de p<0,05
Causa: Condição da deficiência visual
Efeito: Adaptabilidade no desempenho em tarefas de percepção espacial
Conhecimento objetivo:
Avaliação do grau de relacionamento entre parâmetros da percepção espacial e variáveis fisiológicas, bioquímicas e experiência na modalidade.
6 LUCENA Utilização de análise estatística para análise dos dados(análise de variância) Adotado nível de signifi-cância de p<0,05 Causa: Manipulações reali-zadas na tarefa
Efeito:Alteração no contro-le postural
Conhecimento objetivo: Verificação se o controle postural de pessoas obesas é alterado quando comparadas com seus pares não-obesos, ambos com e sem deficiência intelectual, diante de manipulações realizadas na tarefa como a ausên-cia da informação visual ou modificação da base de suporte
7 KLEINER Utilização de análise estatística para análise dos dados (descritiva e testes de comparações) Adotado nível de significância de p<0,05 Causa: Informações ambientais manipuladas Efeito:Reorganização do sistema efetor das crianças com Paralisia Cerebral Conhecimento objetivo:
Análise e comparação da mobilidade funcional de indivíduos com Paralisia Cerebral em ambientes regulares e irregulares nas distâncias: 5m, 50m e 500m.
8 COZZANI Utilização de análise estatística para análise dos dados (análise de variância) Adotado nível de significância de p<0,05 Causa: Crianças com e sem atraso no desenvolvimento Efeito:Comportamento da perseveração motora Conhecimento objetivo: Análise dos parâmetros espaço-temporais do movimento de alcançar bem como a precisão do alcance em relação aos alvos A e B e relação com a tendência perseverativa de crianças com e sem atrasos no desenvolvi-mento.

Fonte: elaboração própria.

No que tange aos critérios de validação científica, os estudos empírico-analíticos fundamentaram-se no processo de tratamento e sistematização dos dados coletados, de acordo com os princípios de quantificação e uso da estatística (formalizações matemáticas). Além da busca pela objetividade na construção do conhecimento, relacionada à objetividade científica, própria do positivismo. De acordo com Silva (2009), a cientificidade da pesquisa é expressa na testagem dos instrumentos de coleta de dados, na utilização generalizada da verificação do grau de significância estatística, na realização de estudos piloto que comprovem a validade e na fidedignidade dos instrumentos e procedimentos utilizados.

Exemplos de trechos dos estudos que trataram da cientificidade, pautada na determinação de patamares das variáveis, na confiabilidade e precisão dos resultados:

A fidedignidade do instrumento de avaliação foi verificada através da concordância entre observadores e intra-observadores, por meio das avaliações de três pesquisadores com experiência no ensino do futsal, para os indicadores relativos às ações individuais positivas e negativas (LAGO, 2013, p.68).

As análises intra e inter-observadores definiram a classificação de cada participante em cada uma das distâncias. A concordância intra observadores foi de 95,13% e a inter-observadores foi de 83% (KLEINER, 2009, p.32).

"[...] a escala foi adaptada dos modelos já validados de [...]" (GORGATTI, 2005, p. 67).

Além disto, as concepções de causalidade (relação linear de causa e efeito) puderam ser constadas em algumas citações dos estudos que foram apresentadas a seguir:

"Após delinear o programa de ensino de futsal para pessoas com DI, o objetivo concentrou-se em aplicá-lo de acordo com os princípios propostos e verificar os efeitos deste no desempenho das ações de jogo dos participantes do programa" (LAGO, 2013, p.53). "[...] o treinamento também exerce um efeito na perseveração motora, uma vez que há alcances repetidos na localização A e assim um fortalecimento da memória motora em A" (KLEINER, 2009, p.37).

"O objetivo é verificar se a fadiga afeta a orientação espacial e percepção de distância com as pessoas com deficiência visual e sem deficiência visual, sendo eles atletas ou não" (FIGUEIREDO, 2013, p.76).

Esta linearidade entre causa e efeito, apareceu explicitamente nestes estudos, identificados na sistematização e controle dos dados empíricos e também, por meio das análises estatísticas (formulações matemáticas).

Com relação à concepção de ciência, os estudos empírico-analíticos, apresentaram como método de conhecimento procedimentos objetivos. Esta objetividade é baseada na racionalidade científica, na qual exige-se um processo de experimentação e/ou observação dos fenômenos. Alguns exemplos disto estão nas citações de alguns dos estudos:

O objetivo geral dessa dissertação foi analisar a mobilidade funcional de crianças com PC espástica de forma exploratória e quantitativa. A análise exploratória foi realizada por meio de um estudo observacional que comparou a locomoção em dois tipos de ambientes regulares e irregulares (KLEINER, 2009, p.23).

O objetivo do estudo foi verificar se a prévia indução ao esforço por meio do exercício físico afetaria a percepção espacial de indivíduos atletas com e sem deficiência visual. [...] O segundo objetivo do estudo foi verificar se a condição da deficiência visual, comparada à pessoas sem deficiência, acarretaria uma adaptabilidade que repercutisse no desempenho em tarefas de percepção espacial. Ainda, avaliar o grau de relacionamento entre parâmetros da percepção espacial e variáveis fisiológicas, bioquímicas e experiência na modalidade. (FIGUEIREDO, 2013, p.27).

O objetivo deste estudo foi comparar parâmetros cinemáticos do movimento na tarefa A-não-B, em crianças com e sem atrasos no desenvolvimento e relacionar com a tendência perseverativa do movimento (COZZANI, 2007, p.90).

Verificar de forma transversal a aceitação e a competência motora percebida pelos adolescentes nas aulas de educação física, além de seu conceito sobre a disciplina de educação física escolar (GORGATTI, 2005, p.5).

Além dos seis estudos pautados na abordagem empírico-analítica, três foram classificados na abordagem metodológica fenomenológica-hermenêutica. No quadro que segue, estes estudos foram apresentados e classificados ao nível epistemológico, quanto aos critérios de validação científica (consenso inter-subjetivo), concepção de causalidade (causa e efeito se interagem) e concepção de ciência (método do conhecimento subjetivo) (Quadro 3).

Quadro 3 Demonstrativo dos critérios de cientificidade dos estudos desenvolvidos na abordagem fenomenológica-hermenêutica. 

Estudo Autor(A) Critérios de Validação Científica Concepção de Causalidade Concepção de Ciência
1 FERREIRA Análise feita por procedimentos reflexivos Adequação do teste KTK segundo o conceito de deficiência intelectual Conhecimento subjetivo reflexivo e filosófico
2 RANIERI Análise feita baseada nas experi-ências esportivas relatadas pelos atletas com deficiência visual Dimensões existenciais do esporte segundo atletas com deficiência visual Subjetividade da entrevista fenomenológica
9 SABINO Análise feita baseada em entrevistas abertas contendo uma indagação norteadora, que conduziu o livre pensar dos entrevistados O significado da capoeira na saúde segundo pessoas com deficiência Subjetividade da entrevista fenomenológica

Fonte: elaboração própria.

Os critérios de validação científica dos estudos de cunho fenomenológico-hermenêutico fundamentaram-se no consenso intersubjetivo e apoiaram-se na pesquisa qualitativa. Estes critérios também foram observados por vários outros autores (GAMBOA, 1998; LIMA, 2003; SILVA, 2009). A pesquisa qualitativa pressupõe que é válido cientificamente aquilo considerado de forma compreensiva, a partir do envolvimento com outras pessoas, e é sustentada pela reflexão interpretativa sobre o objeto e seu contexto. Segundo esta abordagem, é científico o que tem respaldo teórico-prático, a partir do mundo empírico. A seguir, são apresentados alguns trechos dos estudos referentes à validação científica.

O tipo de entrevista proposto, baseado na orientação fenomenológica, bem como os ajustes epistemológicos, buscam atingir aspectos relacionados com a vida e a prática esportiva da pessoa com deficiência visual em suas dimensões existenciais, ou seja, tem como meta certos conteúdo da esfera subjetiva humana - a vivência da própria pessoa e a compreensão deste objeto enquanto tal -, não tendo como escopo constatações pré-determinadas do tipo quantitativas. (RANIERI, 2011, p.50).

Trata-se de uma investigação qualitativa, que se apoia na fenomenologia como método e procura, através de questionamentos, o entendimento daquilo que se está estudando. Este tipo de investigação não se preocupa com as generalizações, princípios e leis. A ideia de generalização, questionada por outras estratégias metodológicas, é deixada de lado e se focaliza na compreensão e não no esclarecimento dos fenômenos estudados. A metodologia qualitativa é de natureza teórica e prática simultaneamente, levando em consideração aquilo que o pesquisador conhece sobres observações empíricas e as experiências vivenciadas por ele para constituir o ponto de partida. (SABINO, 2014, p.44-45).

A concepção de causalidade exprime a noção de causalidade como relação do objeto com o contexto, isto é, o fenômeno é explicado e/ou compreendido por meio da estrutura do contexto no qual está inserido. Nas abordagens fenomenológicas-hermenêuticas, as concepções de causalidade (quando causa e efeito se interagem), puderam ser constadas, por exemplo, nas citações que seguem:

Os discursos constituem experiências vividas pelos sujeitos, aos quais são atribuídos significados que permitam sua compreensão [...] Através das experiências dos participantes, o pesquisador descobre os significados sobre as situações e sobre os sujeitos, e essas situações podem surgir para o pesquisador como dados, porém não só os dados interessam, mas também os significados apresentados pelos participantes (SABINO, 2014, p.52).

O presente trabalho caracteriza-se como uma pesquisa filosófica, a qual, segundo Thomas e Nelson (2002), desenvolve-se a partir de uma investigação crítica e procura obter respostas para questões que não podem ser resolvidas por metodologias empíricas, ou seja, se utilizam procedimentos reflexivos para o seu desenvolvimento e conclusão (FERREIRA, 2010, p.19).

Com relação à concepção de ciência, as abordagens fenomenológicas-hermenêuticas concebem a ciência como método de conhecimento subjetivo. Nele, a ciência consiste na compreensão dos fenômenos a partir dos dados coletados.

Através das experiências dos participantes, o pesquisador descobre os significados sobre as situações e sobre os sujeitos, e essas situações podem surgir para o pesquisador como dados, porém não só os dados interessam, mas também os significados apresentados pelos participantes. (RANIERI, 2011, p.53).

Busquei entender aquilo que a capoeira significa para a saúde de pessoas com deficiência - uma estratégia metodológica centrada na exclusão social -, que revelou aspectos importantes do fenômeno frente aos demais grupos de pessoas consideradas vulneráveis ou não em nossa sociedade. (SABINO, 2014, p.114).

Dentre os estudos analisados, nenhum deles foi caracterizado por abordar a metodologia crítico-dialética. Segundo Gamboa (1996), as teorias críticas-dialéticas atribuem um valor diferenciado à educação que, dependendo do contexto, torna-se agente transformador da sociedade, por meio de ações educativas dinâmicas no materialismo histórico-dialético.

4 Discussão

O presente estudo teve como objetivo, identificar as abordagens metodológicas e pressupostos epistemológicos adotadas pelos autores de teses e dissertações sobre pessoas com deficiência dos últimos 10 anos, dos dois mais conceituados programas de pós-graduação de Educação Física do Brasil. Procurou-se, portanto, verificar para qual direção epistemológica estes estudos foram conduzidos e a partir disto, traçar um perfil epistemológico recente da área. A produção do conhecimento na área baseou-se com predominância na concepção empírico-analítica de ciência e, em menor grau, identificou-se o crescimento das pesquisas fundamentadas na fenomenologia e filosofia.

Ludorf (2008), ao analisar 524 resumos de teses e dissertações da área da Educação Física desenvolvidos na década de 1990, identificou que 56,5% dos trabalhos utilizaram a abordagem empírico analítica, dando continuidade da tendência da década anterior em que também havia predominância na utilização desta abordagem. No presente estudo há a continuidade desta tendência, ao se tratar especificamente de pessoas com deficiência. Supõe-se que as semelhanças com o estudo citado, podem estar ligadas ao perfil epistemológico da grande área da Educação Física até então estabelecido. De acordo com Silva (2013), nas décadas de 1980 e 1990 as preocupações dos trabalhos de pós-graduação da área de Educação Física eram mais simples relativas às questões mais técnicas, instrumentais e metodológicas, saltando posteriormente para questões mais amplas, teóricas e epistemológicas. O autor destaca que estes saltos colaboraram para a compreensão dos pressupostos teórico-filosóficos, caracterizando as diversas formas de produção do conhecimento científico na área, assim como os interesses que os acompanham e seus critérios de validade.

Em estudo realizado por Gamboa, Chaves e Taffarel (2007), em que analisaram 58 dissertações e 12 teses da área da Educação Física, produzidas entre 1982 e 2004 no Nordeste Brasileiro, indicaram a abordagem crítico-dialética como sendo a mais utilizada (46%), sendo seguida pela abordagem fenomenológica-hermenêutica (34%), e por último os estudos que se pautaram pela abordagem empírico-analítica (16%). Especificamente com relação aos trabalhos realizados com pessoas com deficiência (4,29%), dois trabalhos utilizaram a abordagem fenomenológica-hermenêutica, um trabalho utilizou a abordagem empírico-analítica e nenhum trabalho utilizou a abordagem crítico-analítica. No presente estudo, foram identificadas que além dos dois terços (66,7%) das produções nesta temática se pautarem na abordagem empírico-analítica, um terço (33,3%) dos estudos utilizaram a abordagem fenomenológica-hermenêutica, sendo que dentre estas, uma foi pautada segundo a abordagem filosófica. Da mesma forma que o estudo citado anteriormente, não foram encontrados estudos que utilizaram a abordagem crítica-dialética.

Sugere-se, com isto, que a predominância da utilização de determinadas abordagens metodológicas pode variar de acordo com a região geográfica dos programas de Pós-graduações de Educação Física existentes no Brasil. Enquanto que, no Nordeste, foram observados maior número de trabalhos pautados na abordagem fenomenológica-hermenêutica, a Região Sudeste apresentou predominância metodológica com orientação empírico-analítica. A única semelhança entre o estudo de Gamboa, Chaves e Taffarel (2007) e o presente, foi a ausência da abordagem crítica-dialética. O fato de não haver estudos com abordagem crítica-dialética, pode ser justificado por este tipo de abordagem ser mais comumente utilizado nas ciências sociais e educação.

A tese de Silva (2013), que buscou identificar e analisar as tendências teórico filosóficas das teses em Educação Especial desenvolvidas nos programas de pós-graduação de Educação e Educação Física do estado de São Paulo, no período de 1985 a 2009, identificou que é necessário olhar com cautela e preocupação relacionadas ao predomínio de estudos pautados no realismo empírico, e à utilidade instrumental da teoria. O autor verificou ainda que, apesar de que a discussão sobre a análise da produção científica nas áreas de Educação, Educação Especial e Educação Física já venha sendo objeto de estudo de vários pesquisadores no Brasil no período dos seus estudos, ainda eram poucos os que tinham por objeto a própria pesquisa sobre Educação Especial, sob uma perspectiva histórica e filosófica.

No presente estudo, em análise mais recente, foi observada que a tendência de escassez de trabalhos segundo a orientação fenomenológica, também esteve presente nas Teses e Dissertações analisadas. E isto pode ser visto de forma preocupante, dada a importância, na sociedade de hoje em que as pessoas com deficiência estão tendo cada vez mais oportunidades de estarem engajadas e incluídas nos espaços públicos de lazer, de esportes e de cultura. É imprescindível, portanto, que haja maior incentivo e estímulo para o desenvolvimento e direcionamento de mais trabalhos de pós-graduação de Educação Física e com esta população, que reflitam sobre este processo de inclusão e da percepção segundo a ótica da própria pessoa com deficiência.

Em estudo de Souza (2013), no qual analisou quatro teses e 27 dissertações em dez Programas de Pós-Graduações de Educação Física do Brasil, entre os anos de 1979 e 1997, foram identificados pouquíssimos estudos que abrangeram pessoas com deficiência em seus trabalhos. E entre os trabalhos que versaram sobre este público, a autora pontua uma visão acrítica de mundo dos autores desta época em virtude possivelmente da precursoriedade de se elaborar pesquisas com populações com deficiência em um contexto sócio-político-econômico emergente e da recém história da pós-graduação em Educação Física brasileira. E isto, de acordo com a autora, poderia ter influenciado para que as pesquisas desenvolvidas tivessem pouca contribuição para o combate à discriminação, segregação social, dificuldade de acesso, permanência no âmbito educacional e superação dos problemas sociais enfrentados pelas pessoas com deficiência.

Porém, ao realizar análise do ponto de vista técnico metodológico e teórico epistemológico de 22 artigos (14 da área da Educação e oito da Educação Física) de oito periódicos (quatro da Educação e quatro da Educação Física) que versavam sobre pessoas com deficiência, Silva (2002) evidenciou uma maior sincronia entre as temáticas que balizavam as discussões nacionais e internacionais sobre a pessoa com deficiência (inclusão escolar, barreiras arquitetônicas e políticas públicas para essa população). Isto permite supor que, com relação à temática, vem ocorrendo avanços na busca da legitimidade desta população na sociedade e comunidade científica.

Neste sentido, há o otimismo que pode advir da análise que está emergindo desde a segunda metade dos anos 1980 com estudos consubstanciados no realismo científico e crítico. Estudo de Marques et al. (2008), no qual tinha como objetivo examinar a articulação lógica entre o problema e a proposição teórico-metodológica das produções na área da Educação Especial, por meio dos seus pressupostos epistemológicos, chegou à conclusão de que há a necessidade da melhoria das dissertações e teses para que se possa avançar na produção de conhecimento na área da Educação Especial. No presente estudo, no entanto, foram observados boa articulação lógica entre o problema e a proposição nos trabalhos, indicando que, com relação a este aspecto, houve uma evolução importante na área.

Os estudos analisados aqui trataram as pessoas com deficiência como detentora de um amplo repertório de possibilidades e significados. No estudo de Lago (2013), há a quebra de um paradigma, com aplicação de uma metodologia amplamente utilizada na população sem deficiência, aplicada em pessoas com deficiência intelectual. Este rompimento apresenta extrema importância, por mostrar à sociedade que as pessoas com deficiência intelectual, quando submetidas a um mesmo tratamento metodológico, podem adquirir os mesmos benefícios das pessoas sem deficiência.

Estudo de Ferreira (2010) identificou que um teste produzido especificamente para pessoas com deficiência intelectual (KTK) não se mostrou adequado para ser utilizado no auxílio da elaboração de programas motores para pessoas com deficiência intelectual baseados na análise ecológica da tarefa (ETA). Este resultado incita pesquisadores da área a autorreflexão e autocrítica sobre conceitos e teorias que estão por trás dos instrumentos antes de aplicá-los. Ainda, em estudos com pessoas com deficiência intelectual, Cozzani (2007) e Lucena (2011) apontaram resultados sobre o impacto de ter a condição de deficiência intelectual na perseveração motora e instabilidade postural respectivamente, indicando que estes foram estudos consubstanciados no realismo empíricos voltados a utilidade instrumental.

Além destes, os estudos de Ranieri (2011) e Sabino (2014) utilizaram a abordagem fenomenológica como forma de entender com maior profundidade a dimensão existencial do esporte para atletas cegos e o sentir-se saudável em capoeiristas com deficiência. Com objetivos diferentes, os dois estudos convergem para o bem-estar e a saúde que a prática esportiva e a prática da capoeira propiciam para esta população, pelo entendimento dos próprios sujeitos acerca disto. A abordagem fenomenológica apresentou-se com uma riqueza indescritível de percepções, anseios e entendimentos de temas relacionados ao esporte e atividade física para a população de pessoas com deficiência investigadas.

Na tese de Gorgatti (2005), em que um dos objetivos foi identificar as atitudes dos professores de Educação Física de escolas públicas e particulares do sistema regular de ensino da cidade de São Paulo, a autora concluiu que a tendência geral dos professores investigados foi negativa com relação à inclusão. O maior motivo disto foi em decorrência de os professores não se sentirem preparados para lidar com alunos que apresentavam alguma deficiência.

Neste sentido, salienta-se a importância do ensino de bases epistemológicas e filosóficas da profissão desde a graduação, necessárias para fundamentar não somente trabalhos de pós-graduação em Educação Física, mas também relacionadas a atuação profissional com objetivo de prevenir e preparar o docente para eventuais dificuldades futuras, como, por exemplo, as relacionadas a inclusão de crianças com deficiência. Em estudo de Fiorini e Manzini (2014), no qual objetivou identificar as dificuldades encontradas por professores de Educação Física para incluir alunos com deficiência, foram verificadas que dentre oito dificuldades observadas, uma esteve relacionada à formação e outro à própria disciplina. Possivelmente, a falta de um suporte de conteúdo epistemológico na formação acadêmica possa ter sido determinante para o surgimento destas dificuldades relatadas pelos professores.

Os resultados da análise epistemológica apontaram um bom direcionamento quanto aos critérios de validade científica, e concepção de ciência em todos os trabalhos analisados. Com relação ao critério de concepção de causalidade, observou-se que os estudos de cunho fenomenológico o descreveram melhor em comparação com os estudos de cunho empírico-analítico. Isto se deu, possivelmente, pela dificuldade de os autores que utilizaram abordagem empírico-analítica estabelecerem relações de causa e efeito em estudos não experimentais, como o caso de estudos descritivos, observacionais e de corte transversal.

O presente estudo apresentou algumas limitações com relação à escolha dos dois programas de pós-graduação em Educação Física com melhor conceito do país, sem levar em consideração cursos e instituições com histórico reconhecido na educação especial e educação física, mesmo que não detenham as melhores notas em seus programas de Pós-Graduação. Sugerem-se, portanto, novos estudos que busquem analisar teses e dissertações na área de Educação Física com população de pessoas com deficiência nestes programas para garantir maior representatividade dos resultados.

5 Conclusão

Foi possível perceber, por meio da presente análise, que os estudos ao nível epistemológico foram bem delineados e justificados considerando os critérios de validação científica, concepção de causalidade e concepção de ciência, independentemente das abordagens metodológicas utilizadas. Estes resultados trazem otimismo com relação à produção científica desta área e uma tendência no aparecimento da abordagem fenomenológica-hermenêutica.

Recomenda-se que estudos futuros investiguem qual o papel de cada abordagem na contribuição para o entendimento das deficiências e suas relações empíricas, fenomenológicas e dialéticas com aspectos de saúde, percepções subjetivas nas aulas de educação física, inclusão escolar, insegurança dos docentes em lecionar para crianças com deficiência, bullying, direitos das pessoas com deficiência e mercado de trabalho e acessibilidade.

Por fim, sugere-se que os caminhos da formação dos pesquisadores da Pós-Graduação de Educação Física, que trata da temática "pessoas com deficiência", diversifiquem-se ainda mais, com escolhas metodológicas que busquem não só a objetividade e a neutralidade científica, mas também se fundamentem em pressupostos epistemológicos sob perspectivas filosóficas do conhecimento.

1http://dx.doi.org/10.1590/S1413-65382216000200010

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Recebido: 26 de Setembro de 2015; Revisado: 10 de Abril de 2016; Aceito: 29 de Abril de 2016

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