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Revista Brasileira de Zootecnia

Print version ISSN 1516-3598On-line version ISSN 1806-9290

R. Bras. Zootec. vol.33 no.2 Viçosa Mar./Apr. 2004

https://doi.org/10.1590/S1516-35982004000200015 

MONOGÁSTRICOS

 

Efeito da temperatura ambiente e do sistema de criação sobre as exigências de energia metabolizável para mantença de aves reprodutoras pesadas1

 

Effect of the environmental temperature and rearing systems on metabolizable energy requirements for maintenance of broiler breeders hens

 

 

Carlos Bôa-Viagem RabelloI; Nilva Kazue SakomuraII; Flavio Alves LongoII; Kleber Tomas de ResendeII

IDepartamento de Zootecnia, Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE, Rua Dom Manoel de Medeiros, s/n, Dois Irmãos, Recife, PE, CEP: 52171-900 (cbviagem@ufrpe.br)
IIDepartamento de Zootecnia, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, UNESP, Via de Acesso Prof. Paulo D. Castellane, s/n, Jaboticabal, São Paulo, CEP: 14.870-000 (sakomura@fcav.unesp.br)

 

 


RESUMO

O trabalho foi conduzido com a finalidade de verificar o efeito da temperatura e do sistema de criação sobre as exigências de energia metabolizável aparente para mantença (EMm) para aves reprodutoras pesadas. No experimento 1, foram determinadas as exigências de EMm para aves criadas em gaiolas. Foram alojadas 192 aves reprodutoras pesadas, Hubbard HI-Y em galpões com temperaturas controladas a 13, 21 e 30ºC. As aves foram distribuídas de acordo com delineamento inteiramente casualizado, com quatro tratamentos e quatro repetições de quatro aves. Os tratamentos foram: consumo de ração ad libitum, 70, 50 e 30% em relação ao consumo ad libitum. Quantificou-se a energia retida (ER) pela técnica do abate comparativo. A partir das análises de regressão da energia metabolizável ingerida (EMI), em função da ER corporal, determinaram-se as exigências de EMm e as eficiências de utilização da energia (k). No experimento 2, as exigências de EMm foram determinadas para aves criadas em piso. Foram distribuídas 96 aves em um delineamento experimental casualizado, em três temperaturas (13, 21 e 30ºC) e quatro repetições de oito aves. Quantificou-se a ER pelo abate comparativo e a EMm, pela fórmula EMm=EMI—(ER/k). As exigências de EMm para aves criadas em gaiolas foram: 111.2, 91.5 e 88,5kcal/kg0,75/dia e para as aves criadas em piso, 130.8, 112.9 e 111.0kcal/kg0,75/dia para as temperaturas de 13, 21 e 30ºC, respectivamente. As exigências das aves criadas em piso foram, em média, 21,8% superiores às alojadas em gaiolas, provavelmente devido aos maiores gastos de energia com atividade física.

Palavras-chave: aves reprodutoras pesadas, energia metabolizável para mantença, sistema de criação, temperatura ambiente


ABSTRACT

This study was conducted to evaluate the effect of the temperature and rearing system on the apparent metabolizable energy requirements for maintenance (MEm) for broiler breeder hens. In the experiment 1, MEm was determined with birds in cages. One hundred—ninety-two birds were housed in climatic chambers at 13, 21 and 30ºC. The birds were assigned to four treatments with four replications of four birds each. The treatments were: ad libitum intake, 70, 50 and 30% of ad libitum intake. Comparative slaughter technique was used to determine the retained energy (RE). Maintenance metabolizable energy requirements (MEm) and efficiency of energy utilization (k) were determined by the ME intake (MEI) and retained energy (RE) ratio. In the experiment 2, the MEm was determined with birds on the floor. Ninety-six birds were allotted to three temperatures (13, 21 e 30ºC) with four replication of eight birds each. The comparative slaughter technique was used to determined the RE and MEm requirements was determined by: EMm=EMI-(RE/k). The MEm requirements for birds in cages were 111.2, 91.5 and 88.5kcal/kg0.75/day and for birds on floor 130.8, 112.9 and 111.0kcal/kg0.75/day at 13, 21 and 30ºC, respectively. Birds raised on floor had MEm higher 21.8% than those in cages, probably due to the energy expenditure for physical activity.

Keys words: broiler breeder hens, environmental temperature, maintenance energy requirements, reading system


 

 

Introdução

A exigência de energia para mantença pode ser definida como aquela necessária para o metabolismo basal, para a produção de calor e para atividades normais, estando diretamente relacionada ao peso corporal e à temperatura (Grimbergen, 1974). Chwalibog (1985) e Macleod & Jewitt (1988) comentam que 65% da energia metabolizável ingerida pelas aves é perdida como calor e apenas 35% está disponível para produção.

Dados sobre as exigências de energia metabolizável para mantença de aves reprodutoras pesadas são bastante escassos. Estudos com o objetivo de determinar estas exigências foram realizados por Jonhson & Farrell (1983) e Spratt et al. (1990), que encontraram valores similares de 87,24 e 87,71 kcal/kg0,75/dia, respectivamente, quando alojaram reprodutoras pesadas em câmara de respiração à temperatura de 21ºC.

Por outro lado, alguns pesquisadores revelam que existem diversos fatores que influenciam as exigências de energia para mantença das aves, destacando-se a temperatura ambiente e o grau de atividade do animal. Os efeitos da temperatura sobre as exigências de energia metabolizável para mantença de aves têm sido estudados por diversos pesquisadores e a maior parte dos trabalhos revela efeito linear da temperatura sobre as exigências de mantença das aves (Rabello, 2001). No entanto, Peguri & Coon (2000) demonstraram efeito quadrático quando estudaram poedeiras leves submetidas a diferentes temperaturas. Entretanto, segundo Hurwitz et al. (1980), o efeito da temperatura no metabolismo energético é muito complexo o que muitas vezes levam a respostas cúbicas, e não lineares, como geralmente se preconiza.

Segundo Austic & Nesheim (1990), as exigências de energia para atividade são consideravelmente variáveis e, normalmente, estimadas em aproximadamente 50% do metabolismo basal, sendo, no entanto, influenciadas pelas condições de alojamento. Em aves poedeiras, aproximadamente 20 a 25% da produção diária de calor são decorrentes sa atividade (Macleod et al., 1982; Boshouwers & Nicaise, 1983, 1985). Li et al. (1991) também relatam que em torno de 19% da energia gasta com a produção de calor é devido à atividade e, em condições de luz e escuro, a diferença na produção de calor foi de 33% em aves poedeiras. Todavia, outros tipos de atividades tem efeitos variáveis na perda de calor e diferenças no temperamento e, portanto, o genótipo, plano de nutrição, grau de empenamento, além da temperatura ambiente, são fatores importantes na determinação da perda de calor por atividade (Balnave et al., 1974).

Assim, o objetivo deste trabalho foi verificar os efeitos da temperatura e do sistema de criação sobre as exigências de energia metabolizável para mantença de aves reprodutoras pesadas na fase de produção.

 

Material e Métodos

Foram conduzidos dois experimentos no Setor de Avicultura do Departamento de Zootecnia da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, Campus de Jaboticabal - UNESP. Os experimentos foram realizados com reprodutoras pesadas, Hubbard HI-Y, com 29 semanas de idade, alojadas em três câmaras climatizadas com temperaturas controladas de 13, 21 e 30ºC.

Os experimentos foram conduzidos durante seis semanas, sendo uma de adaptação das aves e cinco de período experimental. Para determinação das exigências de energia metabolizável para mantença (EMm), utilizou-se a técnica do abate comparativo quantificando-se a retenção da energia consumida durante o período experimental por meio da determinação da energia contida na carcaça das aves no início dos experimentos e a energia retida na carcaça e ovos pelas aves até o final. Foram abatidas 4 aves/temperatura no início do experimento e todas as aves no final.

Experimento 1

No experimento 1, foram determinadas as exigências de energia metabolizável de mantença (EMm) para aves criadas em gaiolas. Foram utilizadas 192 aves, sendo 64 aves em cada temperatura, alojadas em gaiolas (100x45x40) de acordo com delineamento experimental inteiramente casualizado (DIC). Os tratamentos consistiram de quatro níveis de ingestão de alimento (ad libitum, 70, 50 e 30% em relação ao consumo ad libitum), com quatro repetições de 4 aves/gaiola em cada uma das temperaturas. As aves receberam ração balanceada de acordo com as exigências nutricionais, conforme recomendações do manual da linhagem (Tabela 1).

 

 

A ingestão de energia metabolizável (EMI) foi estimada a partir da quantificação da ração ingerida no período. A energia retida total (ER) foi estimada pela análise da composição corporal e dos ovos (energia final retida menos energia inicial retida), sendo por diferença, determinada a produção de calor (PC) por intermédio da seguinte fórmula PC=EMI-ER, em kcal/kg0,75/dia.

As variáveis ingestão de energia, energia retida e produção de calor foram relacionadas por meio de equações de regressão, de acordo com o proposto por Farrel (1974), para obtenção das exigências diárias de energia metabolizável para mantença (EMm) e a eficiência de utilização da EM da dieta foi calculada conforme Lofgreen & Garret (1968) para determinar a produção de calor do jejum, isto é, a exigência de energia líquida para mantença.

Experimento 2

No experimento 2, foram determinadas as exigências de EMm para aves criadas em piso. Foram utilizadas 96 aves da linhagem Hubbard HI-Y, alojadas em boxes de 1,00 x 3,00 m. As aves foram distribuídas em delineamento inteiramente casualizado, com três temperaturas (13, 21 e 30ºC) e quatro repetições de oito aves. As quantidades de ração foram fornecidas (Tabela 1), conforme recomendação do manual da linhagem (Hubbard Farms, 2000). As exigências de EMm foram determinadas pela seguinte formula: EMm=EMI—(ER/k), em que k=eficiência de utilização da energia para retenção no corpo e ovos foi determinada no experimento 1.

Abate das aves e processamento das carcaças, penas e ovos

As aves foram submetidas a jejum de 24 horas, previamente ao sacrifício por deslocamento cervical, sendo em seguida pesadas individualmente, escaldadas, depenadas automaticamente e congeladas. Uma amostra contendo cerca de 100 g de penas foi armazenada. Em seguida, as carcaças foram serradas, moídas com posterior coleta de amostras e secagem em estufa a 55ºC por 72 horas. As amostras de penas foram finalmente cortadas e as amostras de ovos coletadas no início e final dos experimentos foram homogeneizadas em liqüidificador por 2 minutos, sendo depois secas em estufa nas mesmas condições das amostras de carcaça.

Análises laboratoriais

As análises de energia bruta das amostras de carcaças, penas e ovos, coletadas durante os experimentos foram realizadas em bomba calorimétrica, segundo metodologia descrita pela AOAC (1990).

Análises estatísticas

Para determinar o efeito da temperatura sobre as exigências de energia metabolizável dos dois experimentos, fez-se a regressão dos valores de EMm determinados em cada temperatura, em função da temperatura ambiente pelo procedimento PROC REG do programa computacional SAS (SAS, 1996).

 

Resultados e Discussão

Na Tabela 2, são apresentados os dados de ingestão de energia, retenção de energia corporal e produção de calor das aves alojadas em gaiolas submetidas a diferentes temperatura e níveis de alimentação. Os maiores consumos nas temperaturas mais baixas refletiram em maiores exigências de energia para mantença, enquanto as aves submetidas a temperaturas acima da zona de termoneutralidade (30ºC) tiveram redução no consumo alimentar pela necessidade em dissipar calor, refletindo, conseqüentemente em menor deposição de energia. Segundo Rutz (1994), quando a temperatura ambiental aumenta, a ave reduz seu consumo, na tentativa de manter sua temperatura dentro dos limites homeostáticos.

 

 

As aves que receberam níveis de restrição mais severos em todas as temperaturas apresentaram retenções de energia negativas, em razão da mobilização de reservas corporais para atender as exigências de mantença (Tabela 2).

As equações de regressão para retenção de energia corporal em função da energia metabolizável ingerida e para produção de calor geraram os valores de EMm, ELm, e eficiências de utilização da energia (k) nas diferentes temperaturas (13, 21 e 30ºC) são apresentadas na Tabela 3. As exigências de EMm e ELm foram superiores nas temperaturas mais baixas, devido à demanda de energia para produção de calor e manutenção da homeotermia.

 

 

Os valores de energia líquida para mantença (ELm) representados pela produção de calor em jejum das aves, foram 77,8; 65,2 e 59,2kcal/kg0,75/dia nas temperaturas de 13, 21 e 30ºC, respectivamente (Tabela 3). Estes resultados foram inferiores aos encontrados por Basaglia (1999), para poedeiras leves alojadas em gaiolas submetidas à temperaturas similares (12, 22 e 31ºC), que obteve valores de 100,0; 79,9; e 69,2kcal/kg0,75/dia, respectivamente. Marsden & Morris (1987) encontraram valores maiores na produção de calor (kcal/kg0,75/dia) para poedeiras Leghorn brancas, comparados aos obtidos com poedeiras comerciais semi-pesadas. A diferença em torno de 16,2 kcal/kg0,75/dia decorreu, provavelmente, de diferentes taxas metabólicas das linhagens.

Existem diferentes fatores que interferem no metabolismo do animal como tamanho corporal, ciclo cicardiano, idade, nutrição, composição corporal, tamanho dos órgãos e do corpo, função exercida pelo animal e diferenças entre as espécies. Animais em fase de crescimento têm maior exigência de energia para mantença, tendo em vista que a síntese protéica é alta e os gastos com energia são extremamente elevados, aumentando a produção de calor (Blaxter, 1989)

Na Tabela 4, são apresentados os dados de ingestão de energia, energia retida e produção de calor das aves criadas em piso. Pode-se observar que as maiores exigências de EMm também foram obtidas para as aves submetidas a 13ºC.

 

 

As exigências de EMm das aves criadas em piso foram superiores às das aves mantidas em gaiolas em todas as temperaturas. Maiores gastos de energia com atividade muscular para locomoção e maior produção de calor das aves no piso auxiliam a explicação desta diferença (Tabela 5).

 

 

Os valores de eficiência de utilização da energia acima da mantença foram de 60,9, 60,4 e 56,6% nas temperaturas de 13, 21 e 30ºC, respectivamente. Valores próximos (62,4%) foram encontrados por Reid et al. (1978) para poedeiras leves determinados em temperaturas que variaram de 21,3 a 26,5ºC. Basaglia (1999) também determinou eficiências semelhantes (66, 62 e 69%), nas temperaturas de 12, 22 e 31ºC, respectivamente.

Observou-se pouca influência das temperaturas nas eficiências de utilização da energia da dieta para mantença, que foram de 70, 71 e 67% para as temperatura de 13, 21 e 30ºC, respectivamente. Em experimentos realizados no Brasil, utilizando a mesma metodologia e condições de temperatura, Silva (1999), Basaglia (1999) e Longo (2000) encontraram valores similares de 75, 76 e 72% para reprodutoras pesadas em crescimento, 72, 71 e 74% para poedeiras comerciais adultas e 76, 80 e 76% para frangos de corte em crescimento.

Os valores de produção de calor diminuíram com a redução na ingestão de energia. Segundo Li et al. (1991), aves recebendo ração à vontade têm aumento na produção de calor durante a alimentação, o que pode ser atribuído, principalmente, ao ato da alimentação, e não ao trabalho de digestão (Van Kampen, 1976b) ou ao consumo alimentar (Blaxter, 1989).

As exigências de EMAm para aves mantidas em gaiolas foram de 111,2; 91,5 e 88,5kcal/kg0,75/dia, enquanto para aves criadas em piso foram de 130,8; 112,9 e 111,0kcal/kg0,75/dia, respectivamente para as temperaturas de 13, 21 e 300C (Tabela 5). Conseqüentemente, as aves sobre piso tiveram maior produção de calor: 144,18; 135,18 e 136,56kcal/kg0,75/dia em piso e 77,83; 65,20 e 59,19kcal/kg0,75/dia em gaiolas. Jonhson & Farrell (1983) e Spratt et al. (1990) encontraram valores similares de EMm, quando alojaram reprodutoras pesadas em câmara de respiração à temperatura de 21ºC, 87,24 e 87,71kcal/kg0,75/dia. Da mesma forma, as exigências de EMm para aves criadas em piso foram superiores às das aves criadas em gaiolas, em média, 21kcal/kg0,75/dia (21,80%).

Segundo Austic & Nesheim (1990), as exigências de energia para atividades são estimadas em aproximadamente 50% do metabolismo basal e são influenciadas pelas condições de alojamento. As demandas das aves alojadas em gaiolas diferem daquelas com aves criadas em piso pela restrição de atividade que resulta em menor perda de calor. Deighton & Hutchinson (1940), citados por Van Kampen (1976c), verificaram que a perda de calor total aumentou 42% para aves que se encontravam em pé quando comparadas com as sentadas, enquanto Deshazer (1969) encontrou valores que variaram de 20 a 30% de aumento na perda de calor.

Em experimentos com poedeiras comerciais alojadas em câmaras de respiração, verificou-se que aproximadamente 20% da produção diária de calor são atribuídos à atividade (Macleod et al., 1982; Boshouwers & Nicaise, 1983). Li et al. (1991) relatam que em torno de 19% da energia gasta por poedeiras comerciais com a produção de calor decorreu da atividade e, sob iluminação, a produção de calor foi 33% superior àquelas submetidas em ambiente escuro, devido à menor taxa de metabolismo basal. Boshouwers & Nicaise (1985), em experimento realizado com poedeiras (Shaver 288) com 62 semanas de idade, alojadas em calorímetro com temperatura de 21ºC, demonstraram que 25% da produção de calor foram ocasionados pela atividade física. Os autores encontraram produção total de calor de 110,7 kcal/kg0,75 com o calor gasto para atividade física de 28 kcal/ kg0,75. Esses autores verificaram também que a influência da luz na produção de calor foi maior durante o dia (121 kcal/kg0,75/dia) que à noite (88 kcal/kg0,75/dia). Segundo Balnave et al. (1978), as perdas de calor resultantes da atividade física são difíceis de estimar. Evidências indicam que a perda de calor pela atividade associada com alimentação e processos mecânicos da produção de ovos é pequena (Balnave, 1974; Van Kampen, 1976a). Entretanto, outros tipos de atividades têm efeitos variáveis na perda de calor e diferenças genéticas de temperamento, de plano de nutrição, grau de empenamento e temperatura ambiente são fatores importantes (Balnave, 1974).

As diferenças nas exigências de EMm entre as aves reprodutoras criadas em piso e gaiolas foram significativas neste estudo. Essa diferença é de grande valor, uma vez que a maioria dos sistemas de criação utilizados é em piso e os trabalhos realizados para determinação das exigências energéticas ocorrem freqüentemente em gaiolas. Dessa forma, erros no fornecimento de ração para matrizes pesadas sob condições comerciais podem estar relacionados a diferenças desta estimativa no dois sistemas e podem ajudar a explicar ganhos de peso inesperados com os programas de arraçoamento usados comercialmente.

Os efeitos da temperatura sobre as exigências de EMm são apresentados nas Figuras 1 e 2. Foram verificadas respostas quadráticas (P<0,05), tanto para as aves criadas em gaiolas como em piso, demonstrando que as exigências de energia para mantença diminuíram até aproximadamente 26ºC, voltando a aumentar a partir dessa temperatura. Este resultado difere de outros autores que relatam efeito linear da temperatura sobre as exigências de energia para mantença das aves (Combs, 1968; Hurwitz & Bornstein, 1973; Emmans, 1974; Waldroup et al., 1976; Rostagno et al., 1983; Sakomura, 1989; NRC, 1994; Silva, 1995; Basaglia, 1999; Silva, 1999).

 

 

 

 

Os resultados obtidos neste trabalho demonstram que a temperatura exerce efeito sobre as exigências de aves, com pequenas diferenças na produção de calor, entre 19 e 27ºC, mas com necessidade de geração de calor para manter a temperatura em condições de temperaturas ambientais mais baixas. Já, com temperaturas acima de 27ºC, surgem demandas de energia para manter os mecanismos de resfriamento corporal. Entretanto, estes limites estabelecidos não são fixos, pois fatores como peso corporal e aumento no consumo alimentar, empenamento e na atividade promovem variações nas respostas das aves em face às mudanças nas condições ambientais (Leeson & Summers, 1997).

 

Conclusões

O efeito da temperatura sobre as exigências de EMm resultou nos modelos EMm=191,21—8,15.T+0,16.T2 para as aves criadas em gaiolas e EMm = 192,76—6,32.T+0,12.T2 para criadas em piso.

As reprodutoras pesadas criadas em piso tiveram exigências de EMm em média 21 kcal/kg0,75/dia superior às exigências das aves mantidas em gaiolas.

De acordo com os resultados encontrados neste trabalho, sugere-se que os fatores temperatura e sistema de criação sejam levados em consideração no que se refere ao fornecimento de energia metabolizável para manteça de aves reprodutoras pesadas.

 

Agradecimento

À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e à Granja Rezende, pelo suporte financeiro.

 

Literatura Citada

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Recebido em: 26/07/02
Aceito em: 09/09/03

 

 

1 Parte da Tese de Doutorado do primeiro autor, apresentada à FCAV-UNESP-Jaboticabal, São Paulo. Pesquisa financiada pela FAPESP.

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