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Revista Brasileira de Zootecnia

Print version ISSN 1516-3598On-line version ISSN 1806-9290

R. Bras. Zootec. vol.35 no.3 suppl.0 Viçosa May/June 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-35982006000400038 

RUMINANTES

 

Consumo, digestibilidade aparente e desempenho de vacas leiteiras alimentadas com concentrado processado de diferentes formas1

 

Intake, apparent digestibility, and production of dairy cows fed concentrate processed in different forms

 

 

Humberto Luiz Wernersbach FilhoI; José Maurício de Souza CamposII; Anderson Jorge de AssisIII; Sebastião de Campos Valadares FilhoII; Augusto César de QueirozII; Rilene Ferreira Diniz ValadaresIV; Rogério de Paula LanaII

IMestre em Zootecnia
IIDepartamento de Zootecnia - UFV
IIIFormil Veterinária Ltda
IVDepartamento de Veterinária - UFV

 

 


RESUMO

O objetivo neste estudo foi avaliar o consumo, a digestibilidade aparente, a degradabilidade ruminal da MS e da PB, a produção e a composição do leite de vacas leiteiras alimentadas com concentrado processado de diferentes formas. Foram utilizadas 16 vacas da raça Holandesa, puras e mestiças, em dois níveis de produção de leite (30 e 20 kg de leite/dia), distribuídas em quatro quadrados latinos (dois para cada nível de produção). O experimento foi constituído por quatro períodos de 15 dias. As dietas experimentais, isoprotéicas, foram formuladas à base de silagem de milho e apresentavam as relações volumoso:concentrado 50:50 e 60:40 (na MS), respectivamente, para proporcionar produções de 30 e 20,0 kg de leite/dia. A digestibilidade da MS não foi afetada pelo processamento, enquanto a da PB para vacas alimentadas com concentrado extrusado (72,36%) foi menor que a do concentrado farelado, no nível de 50% de concentrado. A digestibilidade da fibra em detergente neutro nas vacas alimentadas com concentrado extrusado (44,35%) foi menor no nível de 50% de concentrado. A produção de leite foi maior nos animais que consumiram concentrado extrusado (29,9 kg/dia) no nível de 50%. Contudo, não houve diferença significativa no menor nível de concentrado na dieta. A composição do leite não diferiu entre os tratamentos em ambos os níveis de produção.

Palavras-chave: bovino, nutrição, ruminante


ABSTRACT

The objective of this trial was to study the effects of different forms of concentrate processing on intake, apparent total tract digestibility of nutrients, ruminal degradability of DM and CP, and milk yield and composition. Sixteen dairy cows, pure Holstein and crossbred, were blocked by production level (30.0 and 20.0 kg/day) and randomly assigned to two Latin squares with four periods of 15 days each. Diets were isonitrogenous and contained the following forage (corn silage):concentrate ratios: 50:50 and 60:40 (% of DM) for cows yielding 30.0 and 20.0 kg of milk/day, respectively. Apparent total tract digestibility of DM was not affected by the different forms of concentrate processing while apparent CP digestibility for cows fed extruded concentrate (72.36%) was lower than that for cows fed grounded concentrate at a forage:concentrate ratio of 50:50. Apparent total tract digestibility of neutral detergent fiber (44,35%) was lower (P<0.05) for cows fed extruded concentrate at the lowest forage:concentrate. Milk yield was higher for cows fed the extruded diet (29.9 kg/day), at the greatest concentrate level, but no significant differences were observed for cows at the lowest (60:40) concentrate level.

Key Words: bovine, nutrition, ruminant


 

 

Introdução

A procura por concentrados processados (peletizado, extrusado, floculado etc) para a alimentação do rebanho leiteiro com vistas à melhoria do desempenho produtivo dos sistemas de produção de leite tem crescido significativamente no Brasil. Entretanto, deve-se considerar que o processamento desses alimentos apresenta, no mercado brasileiro, custo maior que o de concentrados farelados.

O alimento concentrado é o componente de maior peso no custo final da alimentação do rebanho, correspondendo a 50% do custo total de produção. Por isso, a otimização de seu uso tem efeito direto na lucratividade do sistema de produção (Gomes, 2000).

O processamento do concentrado consiste em uma alternativa para obtenção de maior produtividade com a mesma quantidade de alimento fornecida para o animal. No entanto, há dúvidas se o potencial produtivo de vacas em lactação afeta a utilização do alimento consumido.

Ressalta-se que o processamento de alimentos concentrados pode aumentar o custo da alimentação do rebanho, o que o tornaria inviável. Por isso, a avaliação de técnicas como o aumento da densidade energética e o processamento parcial de alguns constituintes desse alimento é importante pelo fato de que seu uso pode ter o mesmo efeito que o processamento total do alimento, reduzindo o custo da alimentação.

O consumo de MS é controlado por fatores fisiológicos, físicos e psicogênicos (Van Soest, 1994) e se correlaciona altamente com a produção de leite. Portanto, técnicas de processamento que possam inibir o efeito deletério de algum componente da ração são opções para a utilização de subprodutos agroindustriais, que, na maioria das vezes, podem ser encontrados por um preço muito menor que o do produto nobre.

A digestibilidade dos nutrientes está relacionada ao teor de energia e às características estruturais dos alimentos utilizados para ruminantes. Alguns fatores podem influenciar a digestibilidade in vivo, entre eles o nível de consumo, o efeito associativo entre os alimentos, o processamento do alimento e a espécie animal (Kitessa et al., 1999).

O desempenho animal depende dos nutrientes fornecidos na dieta e da atividade metabólica em suas estruturas químicas. A degradação da proteína do alimento no rúmen gera compostos nitrogenados para a síntese de proteína microbiana, que apresenta excelente perfil de aminoácidos, cujo conteúdo é capaz de suprir grande parte do requerimento de proteína do animal em produção (Valadares Filho, 1995).

Broderick et al. (1991) relataram que, sob elevados níveis de produção, ocorre aumento nas necessidades protéicas e, para atender a estas condições, é necessário maximizar a eficiência de síntese de proteína microbiana, de modo que parte da proteína dietética consumida não seja degradada no rúmen.

Quando o pagamento ao produtor é feito com base no teor de gordura e proteína do leite, observa-se grande influência dos alimentos processados na porcentagem e no perfil de gordura do leite. A suplementação com alimentos concentrados extrusados pode diminuir o teor de gordura do leite e alterar sua composição (Whitlock et al., 2002).

Este trabalho foi conduzido visando avaliar o efeito de diferentes tipos de processamento do alimento concentrado sobre o consumo, a digestibilidade aparente dos nutrientes, a produção e a composição do leite de vacas leiteiras.

 

Material e Métodos

O experimento foi conduzido na Unidade de Ensino Pesquisa e Extensão em Gado de Leite do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Viçosa, durante o período de outubro a dezembro de 2001.

Foram utilizadas 16 vacas da raça Holandesa, puras e mestiças, com pesos médios de 552 e 547 kg, respectivamente, distribuídas equitativamente em quatro quadrados latinos (dois para cada nível de produção de leite; 30 e 20 kg de leite/dia), balanceados pela duração e ordem da lactação.

O experimento foi constituído por quatro períodos de 15 dias, sendo os oito primeiros para adaptação às dietas e os demais para coleta de dados.

As dietas experimentais, isoprotéicas, foram formuladas à base de silagem de milho e apresentavam as relações volumoso:concentrado 50:50 e 60:40 na MS, para proporcionar produções de 30 e 20 kg de leite/dia, respectivamente. Os tratamentos consistiram de quatro alimentos concentrados sob as formas farelada (CF), peletizada (CP), extrusada (CE) e com alto teor de energia (CAE), parcialmente processada, com apenas milho e soja extrusados em sua composição.

As dietas foram formuladas para atender às exigências nutricionais dos animais, segundo recomendações do NRC (1989).

Nas Tabelas 1 e 2 são apresentadas as proporções dos ingredientes utilizados na formulação dos concentrados e as composições bromatológicas médias das rações e da silagem de milho. As composições bromatológicas das dietas são descritas nas Tabelas 3 e 4.

 

 

 

 

 

 

 

 

Os animais foram manejados em baias individuais, tipo "Tie Stall", onde receberam alimentação ad libitum, duas vezes ao dia, às 8 e 17 h. Diariamente, foram feitas pesagens das quantidades das dietas fornecidas e das sobras de cada tratamento, para determinação do consumo. Diariamente, efetuou-se o monitoramento do consumo, a fim de manter as sobras de alimento em torno de 10%, com base na MS. No momento da alimentação, durante o período experimental, foram feitas amostragens das dietas e das sobras, que foram acondicionadas em sacos plásticos e congeladas para análises posteriores.

As vacas foram ordenhadas mecanicamente duas vezes ao dia e sua produção de leite foi registrada por meio de dispositivo eletrônico acoplado à ordenhadeira. Foi coletada amostra de leite (aproximadamente 300 mL) no 12º dia, nas ordenhas da manhã e da tarde, elaborando-se uma amostra composta para análise dos teores de proteína, gordura, extrato seco total e extrato seco desengordurado.

As análises de MS, MM, compostos nitrogenados (N), EE, FDN, FDA e LIG foram realizadas segundo metodologias descritas por Silva & Queiroz (2002).

Foram coletadas amostras de fezes do 8º ao 14º dia do período experimental, uma vez por dia, com início (tempo 0) às 8 h do 8º dia e, nos dias subseqüentes, em intervalos de 2, 4, 6, 8, 10 e 12 horas em relação ao primeiro dia de coleta. Em seguida, estimou-se a excreção fecal por meio da relação consumo de fibra em detergente ácido indigestível (FDAi) dividido por sua concentração fecal. A digestibilidade dos nutrientes foi calculada de acordo com Lippke et al. (1986), utilizando-se a FDAi. Aproximadamente 250 mg das amostras de sobras de alimentos, sobras e fezes foram incubados no interior do rúmen por 144 horas e, posteriormente, fervidos em detergente ácido, considerando-se o resíduo o teor de FDAi.

As degradabilidades ruminais da proteína bruta (PB) foram estimadas pela técnica do saco de náilon (Ørskov & McDonald, 1979). Foram pesados 5 g de cada alimento concentrado e colocados em sacos de náilon com dimensão de 7 x 14 cm e poros de, aproximadamente, 50 mm. Procurou-se manter a relação de 20 mg de MS/cm2 de área de superfície dos sacos, conforme recomendações de Kirkpatrick & Kennelly (1987). A incubação dos sacos de náilon no rúmen foi realizada em duas vacas lactantes mantidas sob mesmo programa alimentar (silagem de milho e concentrado comercial na relação 55:45), conforme os intervalos recomendados pelo NRC (2001): 0, 2, 4, 8, 16, 24 e 48 horas. Os parâmetros de cinética de degradação da PB foram estimados utilizando-se o modelo descrito por Ørskov & McDonald (1979), segundo a equação: Dg = a + b(1 – ect), em que a representa uma estimativa da fração instantaneamente solúvel; b, a fração insolúvel, mas potencialmente fermentável; c, a taxa de degradação; e t, o tempo. A degradabilidade efetiva foi calculada pela equação: DE = a + (b x kd) / (kd + kp), em que kd é a taxa de degradação no rúmen e kp, a taxa de passagem no rúmen, calculada pela equação: Kp = 2,904 + 1,375X1 – 0,020X2, em que X1 é o consumo de MS (%PV) e X2, a porcentagem de concentrado proposta pelo NRC (2001).

Os carboidratos totais (CHO) foram calculados conforme proposto por Sniffen et al. (1992):

e os carboidratos não-fibrosos (CNF), pela seguinte equação:

Os nutrientes digestíveis totais (NDT) foram estimados segundo o NRC (2001):

em que PBD = proteína bruta digestível; FDND = fibra em detergente neutro digestível; CNFD = carboidratos não-fibrosos digestíveis; e EED = extrato etéreo digestível.

O teor de nitrogênio total do leite, analisado pelo método micro Kjeldahl, foi multiplicado pelo fator 6,38, para determinação do teor de PB. A determinação dos extratos seco total e desengordurado do leite foi feita pelo método de Behmer (1984) e a de gordura, segundo Pregnolatto & Pregnolatto (1985).

A produção de leite corrigida para 3,5% de gordura (PLCG) foi calculada utilizando-se a fórmula de Sklan et al. (1992):

Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância, comparando-se as médias pelo teste de Newman Keuls, a 5% de significância, utilizando-se o programa SAEG, versão 7.1. (UFV, 1997).

 

Resultados e Discussão

Os consumos médios diários de MS, MO, PB, EE, CHO, FDN, CNF e NDT por vacas alimentadas com 50 e 40% de concentrado na MS, respectivamente, são apresentados nas Tabelas 5 e 6.

 

 

 

 

O consumo de MS não foi afetado (P>0,05) pela forma de processamento do concentrado, dentro de cada nível de produção, em relação a rações fareladas.

O fornecimento do concentrado com alto teor de energia e parcialmente processado promoveu menor (P<0,05) consumo de MS. O fator que condicionou esse menor consumo de MS - e conseqüentemente de PB, EE e ND - não foi detectado neste experimento. Resultado semelhante foi encontrado por Shabi et al. (1999), que observaram menor consumo de MS por vacas leiteiras alimentadas com milho extrusado em relação ao concentrado farelado, indicando que análises mais profundas devem ser feitas em dietas com maior densidade energética contendo com alimentos parcialmente processados.

Os coeficientes de digestibilidade aparente de MS, MO, PB, EE, CHO, FDN e CNF observados nas vacas alimentadas com 50 e 40% de concentrado na dieta (com base na MS), respectivamente, são apresentados nas Tabelas 7 e 8.

 

 

 

 

As técnicas de processamento total do concentrado não afetaram (P>0,05) os coeficientes de digestibilidade da MS do concentrado farelado utilizado na dieta com 50% de concentrado. Entre as dietas com 50% de concentrado, maior coeficiente de digestibilidade da MS (P<0,05) foi obtido apenas naquela com concentrado de alto teor de energia parcialmente processado, provavelmente em razão do menor consumo de MS, que promove maior coeficiente de digestibilidade, em razão do maior tempo de retenção da digesta.

No nível de inclusão de 50% de concentrado nas dietas, o coeficiente de digestibilidade da FDN foi menor (P<0,05) para o concentrado extrusado. Os coeficientes de digestibilidade da PB para os concentrados farelado e com alto teor de energia, parcialmente processado, foram maiores (P<0,05) que os do concentrado extrusado.

Não houve diferença (P>0,05) significativa nos coeficientes de digestibilidade entre as dietas com menor nível de concentrado, possivelmente em decorrência da forma de processamento do concentrado, que não influenciou os consumos de MS, MO, CHO, CNF e NDT, e da pequena diferença observada para os teores de PB, EE e FDN, que não foram suficientes para alterar a digestibilidade dessas frações.

Os coeficientes de cinética de degradação ruminal da MS e PB encontram-se na Tabela 9.

 

 

A taxa de degradação ruminal da MS foi numericamente maior para a RE, indicando que, nesse tratamento, os nutrientes poderiam estar mais disponíveis aos microrganismos ruminais. O mesmo comportamento pode ser observado para a taxa de degradação da PB, uma vez que os concentrados peletizado e extrusado apresentaram taxas de degradação da proteína numericamente maiores que as dos outros tratamentos. Com isso, observa-se que a degradabilidade efetiva da proteína (DEPB) para os concentrados peletizado e extrusado foi numericamente maior em detrimento à dos concentrados farelado e com alto teor de energia parcialmente processado.

Considerando-se os conceitos do NRC (2001), a taxa de passagem foi maior para o nível de 50% de concentrado (0,0681 e 0,0657, para 50 e 40% de concentrado na dieta, respectivamente). Portanto, a solubilidade dos nutrientes pode estar altamente relacionada ao suprimento da demanda nutricional. Desta forma, quando se utilizam alimentos capazes de fornecer quantidade superior de carboidratos e proteínas, em mesma faixa de consumo e taxa de passagem, a demanda microbiana por nutrientes pode ser atendida, podendo ocorrer maior produção de proteína microbiana, que é finalmente aproveitada pelo animal.

Consta na Tabela 10 uma comparação entre as exigências nutricionais (NRC,1989) e os consumos dos alimentos, apresentados na Tabela 5. Considerou-se, para efeito dos cálculos, uma vaca lactante com peso corporal de 550 kg produzindo 30 kg/dia de leite. Em todos os tratamentos, houve déficit de NDT para os animais, apesar de a variação no peso corporal ter sido -0,06; 0,34 e 0,47 (kg/dia), para os tratamentos CF, CP e CE, respectivamente.

 

 

A produção e composição do leite para vacas alimentadas com 50 e 40% de concentrado, com base na MS, são apresentadas nas Tabelas 11 e 12, respectivamente.

 

 

 

 

A dieta contendo concentrado extrusado no nível de 50% na MS promoveu maior (P<0,05) produção de leite, com aumento de 9,96% em relação àquela contendo concentrado farelado (Tabela 11), podendo compensar o custo do processamento do concentrado, tornando-se uma opção para alimentação de vacas leiteiras com alto potencial produtivo. Uma das principais causas para esse aumento na produção de leite pode ter sido a taxa de degradação da MS e, principalmente, de proteína bruta encontrada nesse tratamento, indicando que o processamento total do concentrado por extrusão aumentou a eficiência alimentar, uma vez que os consumos dos nutrientes (PB, EE e NDT) nos tratamentos com os concentrados peletizado e extrusado não diferiram estatisticamente daquele registrado para o concentrado farelado.

A menor produção da dieta contendo concentrado parcialmente processado com alto teor de energia para o nível de 50% de concentrado na MS pode ser explicada pelo menor consumo dos nutrientes (PB, EE e NDT), principalmente o de PB (Tabela 5). Em decorrência do menor consumo de MS e da maior digestibilidade dos nutrientes, o consumo de NDT não foi afetado, indicando que, em dietas energeticamente densas, pode ser necessário o aumento da concentração protéica do concentrado para que a quantidade de PB consumida seja compensada pelo menor consumo de MS, proporcionando melhor resposta no desempenho animal.

Não houve diferença estatística na produção de leite com o nível de 40% de concentrado na MS, provalmente porque os tratamentos não afetaram o consumo de nutrientes, mantendo o aporte para a síntese do leite (Tabela 12). Os animais do tratamento com 40% de concentrado produziram, em média, 18,18 kg/vaca/dia e, como a média nacional de produção de leite/vaca/dia é muito menor, o processamento do concentrado parece não ser viável para rebanhos de médio ou baixo potencial produtivo.

Não foram observados efeitos do processamento sobre a composição do leite, independentemente do nível de produção.

 

Conclusões

Os processamentos total (peletização e extrusão) e parcial (soja integral extrusada) do concentrado não interferem na produção de leite de vacas com médio potencial de produção (18,0 kg/dia), o que torna sua utilização desvantajosa na alimentação desses animais. Entretanto, o processamento total do concentrado por extrusão promoveu aumento na produção de leite em vacas com alto potencial de produção (30,0 kg/dia), indicando que seu uso é uma decisão de ordem econômica.

 

Agradecimento

À Universidade Federal de Viçosa, ao Departamento de Zootecnia da UFV e à Empresa Agroceres Nutrição Animal, pelo apoio.

 

Literatura Citada

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Recebido: 12/08/04
Aprovado: 08/08/05

 

 

Correspondências devem ser enviadas para: assis_aj@yahoo.com.br
1 Parte da dissertação de mestrado do primeiro autor apresentada à Universidade Federal de Viçosa, UFV – MG

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