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Revista Brasileira de História da Educação

Print version ISSN 1519-5902On-line version ISSN 2238-0094

Rev. Bras. Hist. Educ. vol.20  Maringá  2020  Epub Jan 17, 2020

https://doi.org/10.4025/rbhe.v20.2020.e094 

ARTIGO ORIGINAL

O ensino de desenho: um olhar sobre os cursos do departamento de artes da Universidade Federal do Paraná (1981-1987)

Drawing teaching: a look at courses of the department of arts of Federal University of Paraná (1981-1987)

La enseñanza del dibujo: una mirada a los cursos del departamento de arte de la Universidad Federal de Paraná (1981-1987)

1Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR, Brasil.


RESUMO

Resumo: O presente artigo se propõe a investigar o ensino de desenho nos cursos oferecidos pelo Departamento de Artes (DEARTES) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a saber os cursos de desenho industrial e as licenciaturas em educação artística, habilitação artes plásticas e desenho. O recorte da pesquisa investiga os currículos vigentes entre os anos de 1981 a 1987, nos quais as disciplinas de desenho eram ministradas tanto pelo DEARTES como pelo Departamento de Desenho (DDES), que mantinham configurações diferentes sobre a concepção de desenho. A organização do trabalho está dividida em três partes: 1) Interlocuções entre os Departamentos de Artes e Desenho; 2) Currículo de Desenho Industrial, Comunicação Visual e das habilitações de Desenho e Artes Plásticas; 3) Prescrições do ensino de desenho e plástica. Para realizar a análise proposta, o referencial teórico utilizado se vale do conceito de figuração de Elias, campo de Bourdieu e as contribuições sobre a história das disciplinas de Chervel e Goodson. As fontes utilizadas são documentos oficiais, programas de disciplinas e atas. O que permitiu analisar as prescrições sobre o desenho que compunham o currículo dos cursos citados.

Palavras-chave: desenho; ensino superior; história das disciplinas

ABSTRACT

Abstract: The present paper proposes to investigate drawing teaching in the courses offered by the Department of Arts (DEARTES) of Federal University of Paraná, including the courses of Industrial Designand the bachelor’s degrees in Artistic Education, Arts and Design qualifications. The research focus investigates the courses syllabus between 1981 and 1987, in which the drawing disciplines were taught by both DEARTES and the Design Department (DDES), which had different configurations of the drawing concept. This paper is organized into three parts: 1) Interlocutions between the Departments of Arts and Design; 2) Industrial Design, Visual Communication and Design and Plastic Arts syllabus; 3) Prescriptions of drawing teaching and Plastic Arts. To carry out the proposed analysis, the theoretical reference used is based on the concept of figuration by Elias, field by Bourdieu and the contributions on the history of school subjects by Chervel and Goodson. The sources used are official documents, discipline programs and minutes. This allowed the drawing prescriptions analysis that composed the syllabus of the above mentioned courses.

Keywords: drawing; higher education; disciplines history

RESUMEN

Resumen: Este artículo tiene como objetivo investigar la enseñanza del dibujo en los cursos ofrecidos por el Departamento de Artes (DEARTES) de la Universidad Federal de Paraná (UFPR), a saber, los cursos de Diseño Industrial y los títulos en Educación Artística que permiten Bellas Artes y Dibujo. El recorte de investigación investiga los planes de estudio vigentes desde 1981 hasta 1987, en los cuales las disciplinas de diseño fueron enseñadas tanto por DEARTES como por el Departamento de Diseño (DDES), que mantuvo diferentes configuraciones de concepción de diseño. La organización del trabajo se divide en tres partes: 1) Interlocuciones entre los Departamentos de Artes y Diseño; 2) Plan de estudios de diseño industrial, comunicación visual y las calificaciones de dibujo y artes plásticas; 3) Prescripciones de dibujo y educación plástica. Para llevar a cabo el análisis propuesto, el marco teórico utilizado se basa en el concepto de figuración de Elias, el campo de Bourdieu y las contribuciones en la historia de las disciplinas de Chervel y Goodson. Las fuentes utilizadas son documentos oficiales, programas temáticos y actas. Esto nos permitió analizar las prescripciones de diseño que conformaban el currículo de los cursos mencionados.

Palabras clave: dibujo; enseñanza superior; historia de las disciplinas

Introdução

O ensino do desenho na Universidade Federal do Paraná organiza suas estruturas departamentais na década de 1970, composto pelo Departamento de Desenho (DDES), vinculado ao Setor de Ciências Exatas e pelo Departamento de Artes (DEARTES), sob a chancela do Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes. O DDES recebe esta denominação a partir de 1974, nessa fase da trajetória institucional boa parte do seu quadro docente tem origem no Instituto de Matemática (Vaz& Silva, 2017a). Quanto ao DEARTES, ele foi criado em 1980, nos anos iniciais os cursos de Educação Artística, Comunicação Visual e Desenho Industrial estavam sob a responsabilidade do Departamento de Filosofia e Arte.

O vínculo entre os departamentos se efetiva em 1983 pela implantação da licenciatura plena do curso de Educação Artística, que prevê a formação subdividida em Artes Plásticas, Desenho e Música considerando o núcleo comum de disciplinas direcionadas ao primeiro e segundo graus (UFPR, 1985).

Pelo exposto, busca-se neste artigo tratar dos cursos de graduação do DEARTES, considerando os currículos implantados entre 1981 a 1984, que envolviam: o curso de Educação Artística com suas habilitações e os cursos de Comunicação Visual e Desenho Industrial. Serão abordadas as prescrições dos conteúdos de desenho e plástica comuns às formações do professor de Desenho e Artes Plásticas, bem como da graduação em Desenho Industrial e Comunicação Visual. O recorte temporal situa-se entre 1981 a 1987, tendo como fontes as resoluções dos cursos, as ementas e os planos de ensino de uma parcela dos conteúdos específicos do ensino de Desenho, entre outros documentos oficiais relacionados às áreas.

Utiliza-se o conceito de figuração e configuração de Elias e o de campo e habitus de Bourdieu, tendo como hipótese que o corpo docente do DEARTES era quem aglutinava a área de Artes Visuais e Design nas terminologias atuais, para tanto os conteúdos de desenho e plástica era comum às duas formações e o departamento tinha uma parceria com o DDES para os conteúdos de representação gráfica. Este texto foi dividido em três partes: 1) interlocuções entre os Departamentos de Artes e Desenho; 2) currículo de Desenho Industrial, Comunicação Visual e das habilitações de Desenho e Artes Plásticas; 3) prescrições do ensino de desenho e plástica.

Constata-se uma semelhança na formação do professor de Desenho e Artes Plásticas seguindo o currículo vigente a partir de 1984, em que a separação em duas habilitações do curso de Educação Artística da UFPR se justifica por questões que ultrapassam a especificidade profissional de cada habilitação, já que mais de 80% da grade curricular conserva a mesma estrutura. Quanto aos currículos de Desenho Industrial e Comunicação Visual, vigentes no início da década de 1980, nota-se que em torno de 60% de cada curso preserva o mesmo grupo de conteúdos em função do núcleo comum de disciplinas. Quanto às prescrições de desenho e plástica, uma parcela, que é comum aos quatros cursos ofertados pelo DEARTES, confirma a parceria dessa unidade administrativa com o DDES. Parceria essa que envolve os conteúdos de representação gráfica, como alude Moraes (2001), distribuídos em três conteúdos: desenho geométrico, dupla projeção ortogonal e desenho técnico. Outras disciplinas também são comuns aos quatro cursos do DEARTES como História da Arte, Estética, Semiótica e Fotografia, em particular nas disciplinas de desenho e plástica as prescrições envolvem os fundamentos da linguagem visual.

Interlocuções entre os departamentos de artes e desenho

O conceito de figuração e configuração de Elias (2000,2001) elucida como num mesmo espaço social os indivíduos se relacionam e estabelecem vínculos que interferem no conjunto delineado pelas estruturas em jogo, neste estudo esses conceitos modelam a constituição do DEARTES. Sendo que o uso da categoria figuração para o estudo do referido departamento alude que nos exames das fontes se emprega o método configuracional. Segundo o autor, uma figuração “[...] é uma formação social, cujas dimensões podem ser muito variáveis [...], em que os indivíduos estão ligados uns aos outros por um modo específico de dependências recíprocas e cuja reprodução supõe um equilíbrio móvel de tensões” (Elias, 2001, p. 13).

Isto é, a figuração pode ser pensada como uma formação social que é constituída por uma rede de interdependência entre diversos indivíduos que formam grupos sociais. Nos diferentes grupos sociais, a distribuição dos poderes entre os indivíduos permeia estruturas consolidadas e, a priori, as novas figurações são reorganizadas com o objetivo de que os indivíduos com poder conservem suas posições.

Nesse sentido, o ensino de desenho como prescrição curricular está atrelado ao grupo de professores que deram origem aos Departamentos de Desenho e Artes, relacionado à quantidade de poder que cada área detinha. Com foco na constituição dos professores oriundos do DEARTES como elementos de uma configuração, agrega-se a ideia de subcampos a partir do conceito de campo de Bourdieu e nesse caso o curso de Educação Artística divide-se em subcampos: desenho, artes plásticas e música.

Define-se campo como o espaço em que se manifestam as relações de poder que marcam cada grupo e se materializam pela prática dos agentes. O espaço social global é delineado como um campo,

[...]cuja necessidade se impõe aos agentes que nele se encontram envolvidos, e como um campo de lutas, no interior do qual os agentes se enfrentam, com meios e fins diferenciados conforme sua posição na estrutura do campo de forças, contribuindo assim para conservação ou transformação de sua estrutura (Bourdieu, 2007, p. 50).

A probabilidade de manutenção ou modificação da estrutura do campo se vincula ao que cada agente adota para si, pelo habitus e o tipo de capital utilizado pelos agentes no decorrer de suas trajetórias acadêmica e social. O habitus

[...] funciona no nível prático como categorias de percepção e de apreciação, ou como princípios de classificação e simultaneamente como princípios organizadores da ação, significa construir o agente social na sua verdade de operador prático de construção de objetos (Bourdieu, 1990, p.26).

Tendo como referência o ano de 1984, outra hipótese que permeia esse estudo é de que o DEARTES criou as disciplinas pela demanda do quadro docente e nesse caso parte dos conteúdos das habilitações de desenho e artes plásticas são comuns aos cursos de desenho industrial e comunicação visual, visto que a diferença entre esses dois perfis de professores era inexpressiva (Vaz, 2017).

Além disso, ao delinear o que é comum nas quatro formações pela prescrição da grade curricular, supostamente o ensino de desenho se divide em dois departamentos em função do interesse dos professores envolvidos no processo de implantação dos cursos. Configuração que coincide com as colocações de Goodson (1995),quando tratada história da educação em biologia e ciências no final do século XIX e século XX na Grã-Bretanha, portanto por semelhança ao que ocorreu com o ensino da ciência, o mesmo padrão se aplicaria ao ensino de desenho na UFPR, isto é, a estrutura dos departamentos de desenho e artes estava pautada nas demandas dos professores subordinados às suas próprias condições de carreira.

Os conteúdos de desenho e plástica reúnem professores atrelados aos dois departamentos da UFPR: desenho e artes, de acordo com Elias (2001, p.13): “[...] saber de que modo e porque os indivíduos estão ligados entre si, constituindo assim, figurações dinâmicas específicas”. O que nos permite questionar: Qual era o grupo de professores que compunha o corpo docente do Departamento de Artes na década de 1980, em particular os que ministravam os conteúdos de desenho e plástica?

Agrega-se ao conceito de figuração as colocações de Chervel (1990)ao assinalar alguns pontos que elucidam a dificuldade de realizar reformas curriculares que particularizem os ensinos escolares e, por analogia, apliquem-se aos ensinos acadêmicos: a) o fato de que a instauração das disciplinas ou suas reformas é uma operação de longa duração; b) a eternização dos postos e funções que cabe aos docentes; c) a taxa de renovação do corpo docente e sua relação com a evolução das disciplinas; d) a estabilidade de uma disciplina que se consolida por uma experiência pedagógica já enraizada.

Com base em outros estudos sobre o DDES, verifica-se que a inércia do ensino se adequa ao padrão da maioria das disciplinas básicas de desenho ofertadas pelo DDES, as quais ao longo de praticamente três décadas não foram reformuladas(Vaz & Silva, 2017a) e (Silva, Vaz, & Kavamura, 2019). Isso implica em que as mudanças do ensino de desenho são decorrentes de uma dada situação social e dos indivíduos envolvidos em suas formulações, atreladas ao tempo de renovação do quadro docente.

No caso do DEARTES, as transformações curriculares referentes à extinção do curso de educação artística, mesmo que a priori respondam às exigências da lei 9.394/96, decorrem das vontades e necessidades dos indivíduos que participam do processo como um todo. Reitera-se que o currículo do curso de educação artística da UFPR que muda da licenciatura curta para plena, vigente a partir de 1984, é o foco desse artigo e responde à demanda deum professor polivalente regido pela lei 5.692/71.

Atualmente, o Departamento de Design tem uma unidade administrativa separada do DEARTES, do mesmo modo que os cursos de artes visuais (bacharelado e licenciatura) têm estruturas independentes da dos cursos de música - todos sob a tutela do Setor de Artes, Comunicação e Design. Configuração que se modificou a partir de 2000, no entanto se adota a hipótese de que no decorrer de meados da década de 1970 e início dos anos de 1980 foi necessário agregar forças para implantação de cursos direcionados à formação de docentes em educação artística e bacharéis em desenho industrial, já que essas áreas de conhecimento não eram consolidadas. Resultando que uma parcela das disciplinas básicas de desenho estava locada no DDES como é o caso dos conteúdos de desenho geométrico, geometria descritiva e desenho técnico.

No DEARTES, as parcerias estabelecidas eram realizadas com o propósito de atender as cinco graduações: artes plásticas, desenho e música, desenho industrial e comunicação visual (Vaz, 2017). Portanto, objetiva-se refletir de que maneira essa confluência entre as graduações a estrutura administrativa, a formação do corpo docente e a organização dos espaços físicos se apresentam nos currículos implantados, o que permite questionar: Quais são as prescrições de desenho e plástica que alicerçam o ensino de desenho no âmbito das graduações existentes no DEARTES?

Ressalta-se que em âmbito nacional, a consolidação da área do design, como entidade representativa junto à Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação - SESu/MEC, ocorre em 1998, pois no interstício de 1994 a 1998, a Comissão de Especialistas de Ensino das Artes e do Design (CEEARTES) era a entidade que representava as associações e as instituições de ensino das áreas de artes plásticas, música, dança, teatro, educação artística e design (Couto, 2008).

Como marco simbólico inicial do ensino de design no Brasil, Couto (2008) refere-se à criação da Escola Superior de Desenho Industrial - ESDI, no Rio de Janeiro em 1963, modelo de currículo que se tornou paradigma para o ensino do design brasileiro e para os cursos implantados na UFPR. A ESDI elabora um novo currículo em 1968, aprovado pelo Conselho Federal de Educação (CFE) como o primeiro currículo mínimo para os cursos de bacharelado em desenho industrial, dividido em dois núcleos: as matérias básicas e as profissionais. Das básicas tem-se estética e história das artes e técnicas, ciências da comunicação, plástica, desenho. Das profissionais elencam-se: materiais expressivos e técnicas de utilização, expressão, estudos sociais e econômicos, teorias da fabricação, e projeto e seu desenvolvimento (Couto, 2008). Parte dessas matérias compunha a base curricular dos cursos implantados na UFPR a partir de 1981.

Considerando o currículo da UFPR de 1981, constata-se que a terminologia comunicação visual equivale ao termo programação visual e a denominação desenho industrial se adequa à terminologia projeto de produto, tendo como parâmetro a resolução 02/87 do CFE. Vê-se que a área de design começa a ter representatividade junto ao MEC no final da década de 1990 e seus currículos são regulamentados em 1987. O currículo de 1987 contemplava três grupos de matérias: as de formação básica comum às duas habilitações (programação visual e projeto produto), as de formação profissional com habilitação em projeto de produto, as de formação profissional com habilitação em programação visual. Seguindo os dados dispóniveis no DEARTEStem-se um histórico sobre os cursos.

O Curso de Desenho Industrial , que funciona desde 1975, tem por objetivo formar profissionais nas áreas de Projeto de Produto e Programação Visual em nível de graduação, até o ano de 1987, possuíamos dois cursos distintos: o de Desenho Industrial e Comunicação Visual, onde o Curso de Desenho Industrial corresponde ao que em outros países de Industrial Design, assim como o de Comunicação Visual corresponde ao de Graphic Design. A partir de 1988 segundo Resolução do MEC - Ministério da Educação, houve uma mudança no currículo, tornando curso único como Desenho Industrial com 2 habilitações: a de Projeto de Produto e Programação Visual [...](UFPR, s.n.).

No mesmo documento que baliza a mudança curricular para o ano de 1988, tem-se o quadro de professores do curso de desenho industrial formado por 19 docentes: Adalice Araújo, Airton Caminha Gonçalves Jr., Dalton Luiz Razera, Dulce Fernandes, Fernando A. Fontoura Bini, Hugo Daniel Mengarelli, Ivens J. da Fontoura, Janete T. Fernandes, João Osório Brzezinski, José Luiz Cechelero, José Humberto Boguszewski, Kazuko Suzuki, Lucrécia Caron Bertognolli, Márcia Simões Fontoura, Rubens Antonio de Palma Sanchotene, Sérgio Kirdziej, Virgínia Kistmann, Tania Faria Denise Bandeira e Toshiyuki Sawada(UFPR, s.n.). Sendo que dez professores ministravam aula para o curso de educação artística, em 1984: Adalice, Hugo, Ivens, Janete, João, José Humberto, Márcia, Sérgio, Tania e Toshiyuki (Vaz, 2017).

O curso de comunicação visual, implantado pela resolução nº 40/81 CEP, o qual era constituído por disciplinas de formação geral, básica, profissional e complementar obrigatória, totalizavam 3.285 horas de disciplinas obrigatórias (Quadro 1). De modo transitório, o currículo aprovado pela resolução nº40/75 continuava em vigor e se revogava a resolução nº92/80. Com situação semelhante, o curso de desenho industrial vigente no mesmo período é aprovado pela resolução nº 41/81 CEP, cujas disciplinas obrigatórias totalizavam 3.210 horas (Quadro 1).

Concomitantemente às reformas implantadas nos cursos de comunicação visual e desenho industrial, o curso de educação artística também passa por reformulações, considerando as disciplinas do currículo pleno do curso de educação artística de acordo com a resolução nº 19/83 CEP com vigência a partir de 1984, a licenciatura plena incluía as habilitações em artes plásticas, desenho e música. As artes plásticas tinham 3.285 horas na soma geral, o desenho perfazia um total de 3.315 horas (Quadro 1). A duração mínima dos cursos era de três anos e a máxima de sete anos, sendo que o currículo regulamentado pela resolução nº 94/80 ficaria em vigor até 1987, com o intuito de atender aos alunos matriculados entre 1981 a 1983.

Fonte: UFPR(1981a, 1981b, 1981).* Nas habilitações de educação artística lê-se E.P.B. (estudos de problemas brasileiros).

Quadro 1: Carga horária total - Graduações do Departamento de Artes- UFPR (1981-1984). 

Apresentando-se as interlocuções entre os Departamentos da UFPR, o modelo curricular dos cursos de desenho industrial e comunicação visual da UFPR em paralelo ao estudo realizado por Couto e se explanando a integralização em carga horária total dos cinco cursos do DEARTES, a seguir apresentam-se as disciplinas que particularizam cada graduação.

Currículo de desenho industrial, comunicação visual e das habilitações de desenho e artes plásticas

Neste tópico o intuito é apresentar as disciplinas que compõem os currículos para a formação do desenhista industrial (projeto de produto), comunicador visual e dos professores de desenho e artes plásticas da UFPR nos primeiros anos da década de 1980.Para tanto, primeiro delineiam-se as disciplinas comuns nos cursos de desenho industrial e comunicação visual, bem como as semelhanças entre as habilitações de educação artística, considerando-se as disciplinas do núcleo comum e as disciplinas das habilitações em desenho e artes plásticas. Depois se mapeiam os conteúdos de desenho e plástica, que norteiam os quatro cursos citados.

Supostamente, acredita-se que exista a proximidade entre os quatro cursos. Primeiro por perceber-se que a carga horária das disciplinas obrigatórias apresenta pouca diferença, conforme Quadro 1. Segundo pela resolução 02/87 CFE estabelecer um conjunto de matérias comuns ao habilitado em produto e programação visual. Terceiro por constatar-se que existe a proximidade entre a habilitação em desenho e a artes plásticas (Vaz, 2017), do mesmo modo observou-se que as estruturas físicas eram compartilhadas de modo proporcional entre esses dois grupos de profissionais durante os anos iniciais de criação dos cursos locados no Departamento de Artes (Vaz, 2017).

Cursos de comunicação visual e desenho industrial

Tendo como parâmetro o grupo de matérias específicas de programação visual, elencadas por Couto (2008), destacam-se quatro delas: materiais e processos gráficos, produção e análise gráfica, produção e análise da imagem, desenvolvimento de projeto de comunicação visual. O que se aproxima das disciplinas ofertadas ao curso de comunicação visual, sejam de periodicidade anual ou semestral. Asnove disciplinas anuais totalizavam 37 horas semanais, a saber: HA406-Arte Gráfica I (4h), HA407-Arte Gráfica II (3h),HA419-Teoria das Técnicas e dos Materiais (3h), HC446-Técnicas de Estruturação de Imagem Sequenciada (4h), HC448-Técnica da Signagem Cinematográfica (4h), HA424-Projeto de Comunicação Visual I (5h), HA425- Projeto de Comunicação Visual II (5h), HA426-Projeto de Comunicação Visual III (5h) eHA414-Expressão III (4h). As duas semestrais perfaziam 6 horas semanais: HA036-Linguagem da Dança (4º ano/1ºsem/3h) e HA038-Estágio II (4ºano/2ºsem/3h).

Considerando as matérias de formação profissional do habilitado em projeto de produto, Couto (2008) elenca oito matérias das quais se cita: materiais industriais, fabricação, sistemas mecânicos, e desenvolvimento de produto. Por comparação ao curso da UFPR, nota-se que uma parcela das disciplinas segue a mesma organização mencionada pela autora, considerando a estrutura curricular do desenho industrial havia nove disciplinas anuais e uma semestral. As anuais perfaziam 36 horas semanais, que incluíam: HA410-Materiais Expressivos e Técnicas da Utilização (4h), HA411-Materiais Expressivos e Técnicas de Utilização B (4h), HA415-Teoria da Fabricação A (3h), HA416-Teoria da Fabricação B (3h), HA421-Projeto de Produto I (5h), HA422-Projeto de Produto II (5h), HA423-Projeto do Produto III (5h), CF405-Física C (3h) e HA413-Expressão II (4h). A semestral representava uma carga horária de 3 horas semanais: HA037-Estágio I (4º ano/2ºsem/3h).

Segundo Couto, das matérias semelhantes à formação profissional da habilitação em projeto de produto e programação visual tem-se: metodologia visual, teoria da comunicação, metodologia de projeto, e ergonomia. E das nove matérias básicas comuns às duas formações estavam previstas: matemática, física experimental, meios de representação bidimensional, meios de representação tridimensional, e matérias de formação geral comum às duas habilitações, história da arte e da tecnologia, noções de economia, ciências sociais, e legislação enormas (Couto, 2008).

Por analogia, as disciplinas comuns aos dois cursos da UFPR, comunicação visual e desenho industrial totalizavam 20 anuais e oito semestrais. As anuais no conjunto representavam61 horas semanais, das quais se elenca:BE400/BE401-Prática Desportiva (2h), SR401-Estudo de Problemas Brasileiros (2h),CD405-Desenho Geométrico A (4h),CD406-Geometria Descritiva B (4h),CD407-Desenho Técnico A (6h), HF402-Estética A (2h), HC444-Teoria da Informação (2h), HC445-Fotografia A (3h),HL424-Semiótica e Comunicação III (3h), HA401-Estética e História da Arte I (3h),HA402-Teoria e Prática da Cor (3h), HA403-Composição (3h), HA404-Plástica (4h), HA405-Desenho Artístico (3h),HA408-História das Técnicas e do Desenho Industrial (3h), HA409-Ética, Legislação e Normas para Desenho Industrial (2h), HA412-Expressão I (4h), HA417-Ergonomia I (3h),HA418-Ergonomia II (3h), HA420-Metodologia do Projeto (2h).

Entre as semestrais,haviaquatrodisciplinas no semestre impar: CM007-Cálculo com Geometria Analítica I (1º ano/ 1º sem/4h),BE094/BE095-Desporto de Livre Escolha (2º ano/1º sem/2h),SE035-Introdução à Economia I (4º ano/ 1º sem/4h), HH035-História da Industrialização Brasileira (4º ano/ 1ºsem/4h), em um total de 14 horas semanais. E quatro disciplinas no semestre par: CI001-Bioestatística (1º ano/ 2º sem/4h), SE036-Introdução à Economia II (4ºano/2ºsem/4h), HA024-História da Arte Brasileira (2º ano//2º sem/4h), HA035-Teoria da Forma (2º ano/ 1ºsem/4h), totalizando uma carga horária semanal de16 horas.

Do núcleo básico comum às duas habilitações entende-se que a denominaçãomeios de representação bidimensional e meios de representação tridimensional se adéquam às disciplinas ofertadas pelo DDES, a saber: CD405-Desenho Geométrico A (4h),CD406-Geometria Descritiva B (4h),CD407-DesenhoTécnico A (6h), que perfazem 14 horas anuais. Outras disciplinas também acompanham as normatizações elencadas por Couto (2008),como por exemplo: ergonomia I e II, história das técnicas e do desenho industrial, ética, legislação e normas para desenho industrial e história da industrialização brasileira.

Fonte: UFPR(1981a, 1981b).*c.h.s.: Carga horária semanal.

Quadro 2:  Carga horária - Comunicação visual e desenho industrial - UFPR (1981). 

No Quadro 2 tem-se a síntese da integralização curricular dos cursos de comunicação visual e desenho industrial. Sendo que do montante de disciplinas que configura a estrutura dessas graduações da UFPR, constata-se que 2.280 horas são comuns às duas formações distribuídas em 20 disciplinas anuais e oito semestrais.

b) Cursos deeducação artística - habilitação em desenho e artes plásticas

Os cursos de educação artística tinham um núcleo de disciplinas comum às três habilitações, conforme Quadro 3, na maioria estruturadas no primeiro e segundo ano da graduação. Dentre elas, 16disciplinas anuais que perfaziam 43 horas semanais (1440 horas anuais): HA401-Estética e História da Arte I (3h),HA405-Desenho Artístico I (3h), Formas de Expressão e Comunicação Artística I, II, III e IV (HA428, HA429, HA430 e HA431) com 3 horas semanais cada, HA436-Arte Popular no Brasil B (3h), HA439-História da Arte Brasileira B (2h), HA440-Expressão em Volume A (3h), HA441-Dança I (2h), HA460-Flauta Doce I (2h),HL423-Literatura Aplicada ao Ensino (3h);HL429-Semiótica e Comunicação A (2h),HC445-Fotografia A (3h),HC450-Cinema I (3h), HF402-Estética A (2h).E6disciplinas semestrais que totalizavam 21 horas semanais: EP001-Estrutura e Funcionamento do Ensino do 1º e 2º graus (4h), ET014-Psicologia da Educação IV (4h), EM001-Didática I (4h), EM032-Prática do Ensino de Educação Artística (4h), EB021-Orientação Bibliográfica (1h) e EM039-Metodologia do Ensino de Artes (4h).Ainda como núcleo comum às três habilitações, soma-se a carga horária de Educação Física (90 horas anuais) e Estudo de Problemas Brasileiros - E.P.B. (60 horas anuais).

Fonte: UFPR(1983.*c.h.s.: Carga horária semanal.

Quadro 3:  Carga horária - educação artística - UFPR (1984). 

A partir do terceiro e quarto anos do curso, as disciplinas são diversificadas, contudo ainda prevalece um núcleo comum ao desenho e às artes plásticas que totalizam 11 disciplinas anuais no total de 38 horas semanais, a saber: HA402-Teoria e Prática da Cor (3h), HA403-Composição (3h), HA443-Evolução das Artes Visuais I (2h), HA444-Plástica I (3h), HA449-Arte Gráfica III (3h), HA437-Gravura (3h), HA442-Evolução das Artes Visuais II (2h), HA446-Desenho Artístico II (3h), HC446-Técnica de Estruturação Imagem Sequenciada (4h) e Linguagem Instrumental Técnica de Representação Gráfica I e II (CD409/6h e CD410/6h).

Dentre os 30 docentes ativos em 1984, os que assumiram os conteúdos acima foram: Adalice M. Araújo, Ivens de J. Fontoura, Toshiyuki Sawada, Janete T. Fernandes de Siqueira, José H. Boguszewski, Sérgio Kirdziej, Clion Dória e Roberto A. Schellem. Dória e Schellem estavam lotados no DDES.

Especificamente para as artes plásticas pela grade curricular havia quatro disciplinas anuais que perfaziam 11 horas semanais, no caso: HA445-Análise Estrutural da Forma (2h), HA447-Pintura (3h), HA448-Escultura (3h), HA450-Técnicas e Materiais Expressivos (3h) e uma semestral: EM040-Prática do Ensino de Artes Plásticas (4h). Particularmente na habilitação em Desenho estavam prescritas quatro disciplinas, três anuais: HA451-Técnicas Industriais (3h), HA452-Introdução ao Desenho Industrial (3h) e CD411-Técnicas de Representação Gráfica (6h) e uma semestral: EM025-Prática do Ensino de Desenho (4h).

Também envolvidos com os conteúdos de artes plásticas e desenho elencam-se mais três professores: João Osório B. de Brzezinski, Elvo B. Damo, Tania Denise F. Bandeira. Sendo que Natalice de J. R. Giovannoni era responsável pela disciplina EM040e Roaldo Roda era quem ministrava a EM025.

Constata-se que entre as três habilitações de educação artística, 33 disciplinas são comuns à habilitação de desenho e artes plásticas, o que perfaz um total de 2.745horas.Na sequência discorre-se sobre as prescrições do ensino de desenho e plástica tendo como fonte as ementas (Ficha 1 - conteúdo não variável) e os planos de ensino (Ficha 2 - conteúdo variável) das disciplinas comuns às quatro graduações do DEARTES. De modo pontual, sobre as disciplinas elencadas acima, percebe-se que a semelhança entre as habilitações de desenho e artes plásticas com o núcleo comum de disciplinas de comunicação visual e desenho industrial envolvem os conteúdos de história da arte, estética, semiótica e fotografia, incluindo cinco disciplinas para ambos os cursos. No caso, tem-se o total de 15 horas semanais para comunicação visual e desenho industrial e 12 horas semanais para as habilitações de educação artística, embora nossa atenção recaia sobre as prescrições de desenho e plástica.

Prescrições do ensino de desenho e plástica

Ao examinar as quatro graduações no início da década de 1980, compreende-se que o curso de educação artística na UFPR tem sua ‘figuração’ atrelada aos cursos de desenho industrial e comunicação visual, cujas estruturas físicas e a formação do quadro docente apresenta um ‘equilíbrio das tensões’ e uma ‘interdependência’ entre ‘os jogadores’ nos termos de Elias (2000), dimensão social que agrega as disciplinas de representação gráfica e o corpo docente do DDES. Na ideia de que a figuração é a imagem global dos jogadores - gestores, professores, discentes etc. - cuja formação social está em constante transformação, como elucidado de modo breve na introdução. Deste modo, verifica-se que o ensino de desenho no Departamento de Artes no início dos anos de 1980 tem proximidade com o ensino de design no Brasil, como alude Couto (2008) a partir da ESDI, e não com o campo das Artes.

Atrelado ao campo das artes o ensino de desenho em nível superior nos conduz a pesquisa de Bandeira (2001), direcionado à disciplina de desenho artístico do curso de educação artística da Faculdade de Artes do Paraná, a partir da ideia de ‘transposição didática’ de Chevallard, e de Santini (2016), que trata da implantação da licenciatura em educação artística, habilitação artes plásticas, na Faculdade de Educação Musical do Paraná (FEMP), em 1976. As exigências decorrentes da lei 5692/71 se pautam para a necessidade da formação superior para o professor de arte. Questão problematizada por Bandeira (2001, p. 98).

[...] o período entre a década de 1970 e o final da década de 1980 corresponde à implantação do ensino de arte no 1.º e 2.º graus, denominado Educação Artística. E, também, corresponde a exigência da formação dos professores em cursos superiores de licenciatura, com habilitação em Música, Artes Cênicas, Artes Plásticas e Desenho.

Nas pesquisas feitas por Bandeira e Santini, cujo objeto de estudo é a FAP/FEMP, vê-se que as fontes mobilizadas pelas autoras elucidam outra figuração, a qual difere do curso de educação artística na UFPR. No caso da UFPR, por meio das bases documentais mobilizadas, faz-nos refletir porque a implantação de uma licenciatura de desenho semelhante a de artes plásticas, considerando o conjunto de disciplinas em comum, e não a expansão da área de artes, com a implantação de outras habilitações como artes cênicas, por exemplo.

Essa não expansão da área de artes e a sua interdependência com o design, nos termos de Bourdieu (2002), responde a posição que os campos educacionais, culturais e artísticos ocupam em relação ao campo de poder, ou seja, ambos os departamentos ocupam uma posição dominada dentro do campo do poder. Por outro lado, as forças que distinguem os agentes sociais quanto aos modos de desenhar - os habitus dos artistas e desenhadores - tem menor peso que as forças que os une, considerando o interesse em comum em implantar um departamento próprio diante ao campo de poder - o Estado, via legislações educacionais.

Quanto a maneira de desenhar, Gomes (1996, p.17) difere a finalidade expressional da industrial, isto é, o desenho com intuito expressional, “[...] característica dos desenhos feitos por crianças e pintores [...]”, ou o desenho com finalidade industrial, “[...] realizados por desenhadores que visam a comercialização de duas ideias, planos e projetos com industrialistas”. Essas diferenças interferem na constituição do habitus, da cultura de cada agente social, que se concretiza por uma prática particular como o ato de desenhar (Bourdieu, 2001). Isto é, “[...] como se o habitus, está gramática geradora de condutas, tendesse a produzir todas as frases concretas das quais contém a virtualidade e que nenhum programa consciente, sobretudo imposto de fora, nunca poderia prever completamente” (Bourdieu, 2001, p. 355). Gramáticas transmitidas pelas instituições escolares, e não somente por elas, haja vista a herança coletiva de uma determinada época que ‘contamina’ o inconsciente individual e comum em um modus operandi.

Conteúdos de representação gráfica

Considerando os conteúdos de representação gráfica ministrados pelos professores do DDES, no Quadro 4, vê-se que as disciplinas têm denominações distintas, porém pela análise das ementas, verifica-se que os conteúdos são os mesmos nas duas formações profissionais: design e educação artística. Por exemplo, estava previsto o mínimo de 12 horas para o professor de artes plásticas e 18 horas para o professor de desenho. Agrupando os quatro cursos de graduação tem-se o total de 58 horas semanais, nesse caso particularizamos o vínculo do DEARTES com o DDES.

Fonte: UFPR(1981a, 1981b, 1981), UFPR(1983.

Quadro 4:  Conteúdos de expressão gráfica comum aos professores de desenho e artes plásticas, e aos bacharéis em comunicação visual e desenho industrial - UFPR (1981-1984).  

Dos autores e títulos que abordam geometria plana e constam como bibliografia básica para as disciplinas CD405 e CD409tem-se: Desenho geométrico elementar, de Gregório Nazianzeno de Mello e Cunha, publicado em 1935; Construções geométricas, de Julius Petersen, publicado em 1971; Curso de geometria métrica, de Pedro Puig Adam, publicado em 1980; Elementos de geometria e desenho geométrico, de José Carlos Putnoki, do volume 1 ao 3, publicado em 1993; Fundamentos da matemática elementar, de Osvaldo Dolce e José Nicolau Pompeo, volumes 9 e 10, publicado em 2002e Métodos geométricos, de A.M. Costa.

Quanto aos livros de referência para os conteúdos de dupla projeção ortogonal, projeção cotada, desenho técnico, perspectiva paralela e cônica, de acordo com as bibliografias básicas mencionadas na ementa das disciplinas CD406 e CD410 listamos: Schaum's out line of theory and problems of descriptive geometry, de Minor Clyde Hawk, 1962;Elementos de geometria, de Padre Ignace Chaput 1964; Geometria descritiva, volumes 7 e 8, de Carlos M. B. Marmo, 1967; Lições de geometria descritiva, de Jose Cavallin, 1968e Geometria descritiva, de Álvaro J. Rodrigues, 1970. Não consta nas ementas nenhum título que particularize os conteúdos de desenho de perspectiva, que pela prescrição das unidades didáticas da disciplina CD406 englobaria praticamente 50% da disciplina. Acompanhando a ementa da CD406, lê-se

Geometria Descritiva. Método mongeano. O ponto. Estudo da reta. Estudo do plano. Interseções. Métodos descritivos. Problemas métricos e de posição. Sólidos. Seções planas. Planificação de sólidos. ‘Perspectiva central ou cônica: conceito. Elementos de sistema. Teoremas fundamentais. Métodos perspectivos. Sombras em perspectiva. Noções. Axonometria ortogonal-perspectiva cavaleira. Sombra em perspectiva cavaleira. Aplicações’ (UFPR, 2018, grifo nosso).

Uma parcela dos autores elencados para o ensino da geometria projetiva produzem seus materiais ao longo da década de 1960 e 1970,o que condiz com a data de criação desses currículos, contudo novos autores surgem nas décadas de 1980 e 1990 de acordo com o levantamento realizado por Vaz e Silva (2017b), o que possibilitaria uma renovação das bibliografias que compõem o escopo da geometria, em particular os conteúdos de dupla projeção ortogonal ou método mongeano tendo como parâmetros os autores e títulos em circulação no acervo da biblioteca da UFPR.

Igualmente, como parte do repertório dos conteúdos ofertados pelo DDES ao Departamento de Artes, em seguida delineamos as prescrições das disciplinas CD407 e CD411. Referente à disciplina CD407, ofertada para os cursos de desenho industrial e comunicação visual, observa-se na ementa que uma parcela dos conteúdos de perspectiva se sobrepõe à disciplina CD406, conforme as unidades didáticas de CD407- Desenho Técnico A enunciadas a seguir:

Desenho e suas espécies. Importância como linguagem técnica; materiais de desenho. Instrumentos de desenho. Processo de cópias. Reprodução dos desenhos aparelhos e instalações. Desenvolvimento de sólidos e superfícies - interseção de sólidos. Normas brasileiras para desenho (ABNT). Formatos e margens; dobragem. Figuração convencional. Escalas e cotagem. Croquis. Sistemas de representação. Representação de peças mecânicas. Vistas principais. Vistas auxiliares. ‘Axonometria cilíndrica, oblíqua e ortogonal. Processos usuais de perspectiva linear cônica. Sombras e sombreados’. Cortes. Secções. Meias secções. Violações. Desenho preliminar e definitivo. Regras e convenções particulares de apresentação das principais técnicas. Detalhes. Gráficos. Croquis técnicos (UFPR, 2018, grifo nosso).

A repetição do conteúdo de perspectiva nas disciplinasCD406 e CD407 é um indicativo da proximidade entre os conteúdos de dupla projeção ortogonal e desenho técnico como menciona Moraes (2001), embora, segundo a autora, as disciplinas de representação gráfica fossem dividas em teóricas e técnicas, isto é, desenho geométrico e desenho projetivo (Geometria descritiva)têm um cunho teórico com abordagem matemática e o desenho técnico tem uma finalidade técnica com abordagem aplicada às diferentes engenharias.

Além disso, a ausência de autores de desenho de perspectiva na CD406 sinaliza que seu ensino era voltado à parte aplicada, pois pelo exame da ementa da CD407,excluindo as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT),estava indicado na bibliografia complementar o livro Axonometria cilíndrica: perspectiva cavaleira, de Jorge Bernard, publicado em 1972 e na bibliografia básica o livro Desenho técnico, de Thomas Ewing French, 20ª edição, 1979. French já estava em circulação na UFPR desde a década de 1940 (Vaz & Silva, 2017b).

No curso de educação artística, a disciplina CD411 era ofertada somente para o licenciado em desenho, pela ementa as unidades didáticas são as mesmas da disciplina CD406, ou seja, foram acrescentadas algumas aplicações do desenho técnico como desenho mecânico, topográfico, arquitetônico e de interiores. Do mesmo modo a bibliografia básica da CD411 é semelhante à da CD406 e na bibliografia complementar tem-se o livro Perspectiva, de G. Lopes, 1972.

Pelo conjunto de disciplinas que envolvem a teoria e a técnica de representação gráfica nos termos de Moraes, constata-se que os conteúdos de desenho artístico não estão presentes nas prescrições das disciplinas ofertadas pelo DDES, que seguindo as colocações de Gomes refere-se ao desenho imitativo ou desenho-de-imitação.

[...] o Desenho-de-imitação (D.im) ou ‘debuxo de observação’[...] está mais próximo das Artes, ao passo que o Desenho-de-definição (D.df) ou ‘debuxo geométrico’ está mais próximo as Ciências (e.g., matemática) e o Desenho-de-convenção (D.cc) ou ‘debuxo técnico’, por sua vez, encontra-se diretamente relacionado às Tecnologias que auxiliam as engenharias para a construção ou fabricação de produtos industriais (Gomes, 2006, p.77, grifo nosso).

Com parte do desenho operativo classificado por Gomes (2006), o DDES ministra os conteúdos de desenho geométrico e desenho técnico, divisão que se comprova pela existência de uma disciplina própria locada no DEARTES e pela renovação dos conteúdos que estruturavam o DDES ao longo da década de 1980, visto que no início da década de 1970, o DDES incluía no seu conjunto de conteúdos as disciplinas desenho artístico I e II, desenho de observação e croquis, (Vaz & Silva, 2017a). Além do mais, seguindo o plano de adaptação curricular dos cursos de comunicação visual e desenho industrial, nota-se que as disciplinas: CD405, CD406 e CD407 eram equivalentes às disciplinas desenho geométrico I e II (CD001 e CD002), geometria descritiva I e II (CD003 e CD004) e desenho técnico I (CD007), respectivamente. Ainda como base em Gomes (1996) constata-se as que as disciplinas do DDES não tinham um cunho expressional, associado ao desenho expressional.

Conteúdos de fundamentos da linguagem visual

Considerando os conteúdos de desenho e plástica presentes no currículo de desenho industrial parte deles é semelhante ao do curso de comunicação visual e dos professores de educação artística, três disciplinas apresentam o mesmo código: HA402, HA403 e HA405, perfazendo 9 horas semanais para cada curso. No entanto, conforme delineado no Quadro 5, os conteúdos de teoria da forma, teoria da cor, plástica e técnicas de estruturação de imagem sequenciada também compõem as duas formações.

Quadro 5:  Conteúdos de desenho e plástica comum aos professores de educação artística e bacharéis em desenho industrial - UFPR (1981-1984).  

Do conjunto de conteúdos que constam no Quadro 5, a variação em horas semanais é de no mínimo 16 horas para a habilitação em desenho e no máximo de 21 horas para a habilitação em comunicação visual. Com basenos códigos ofertados pelo Departamento de Artes, identificados pela sigla HA,sete disciplinas totalizavam60 horas semestrais. Dentre os professores responsáveis por uma parcela desses conteúdos e atuantes no DEARTES em 1984, citamos: Ivens de J. Fontoura, Janete T. Fernandes de Siqueira, Sérgio Kirdzieje Toshiyuki Sawada(Vaz, 2017).

Especificamente na disciplina HA405-Desenho Artístico (I) foram localizados dois modelos de plano de ensino (UFPR, 1981d). O primeiro totalizando 45 horas, divididas em 15 aulas teóricas e 30 aulas práticas, cuja ementa era composta por três tópicos: textura, forma e estrutura. O primeiro tópico prescrevia diferentes tipos de textura: geométrica, orgânica, casual, intencional e incluia o fenômeno de rarefação e adensamento, bem como exercicios feitos a partir do ponto e da linha. No segundo tópico destacam-se o estudo da forma geométrica e orgânica, os tipos de simetria (translação, inversão, reflexão especular, dilatação) e a relação figura e fundo. O terceiro tópico envolvia estrutura e modulação.

Nota-se que praticamente 50% das aulas eram reservadas aos conteúdos de textura (14 horas) e simetria (8 horas). Pelo segundo modelo de plano de ensino referente ao ano de 1981, elaborado pelo professor Sérgio Kirdziej, o programafoi organizado em 11 itens: 1. Revisão histórica, 2. Textura, 3. Forma, 4. Estrutura e modulação, 5. Escala, 6. Desenho de observação, 7. Experiências com materiais,8. Experiências com técnicas, 9. Desenho de poliedros, 10. Desenho de formas naturais e 11. Desenho de paisagens (UFPR, 1981a, b, c).Desse conjunto de aulas também estavam previstas 15 horas teóricas e 30 horas práticas, constata-se que a partir da aula de desenho de observação (item 6) estava prevista uma aula prática de 3 horas para cada tópico, totalizando 18 horas.

A bibliografia recomendadateve pouca variação entre os dois planos de ensino, elencamos os seguintes autores e títulos: Art y perception visual, de Rudolf Arnheim; Diseno y comunication visual, de Bruno Munari; Desenho estrutural, de Onofre Penteado; La sintaxis de la imagem, de D. A. Dondis; Asi se debuja, de José M. Parramón; A técnica do desenho, de Jean Rudel; Desenho básico, de Maurice Sausmarez e Albrecht Dürer, de Walter Strauss.

Quanto à disciplina HA403-Composição também foram localizados diferentes planos de ensino, para essa análise utiliza-se a ficha 2 com conteúdo variável organizado pelo professor Toshiyuki Sawada em 1986. O programa estava dividido em cinco partes. A primeira parte, estudos elementares dos fundamentos da composição em desenho, abrangia: ponto, linha, contorno, direção, tom, textura, cor, escala, dimensão. A segunda parte, fundamentos básicos da composiçao, previa oito tópicos: proporção, contraste e harmonia, equilíbrio, ritmo, movimento, tensão, atração e agrupamento, positivo e negativo. A terceira parte prescrevia o estudo particularizado do desenho em composição, utilizando os elementos de:repetição, deformação, decomposição, inversão e fusão. A quarta parte envolvia os níveis de representação, simbolismo e abstração e por fim, a quinta partepropunha aplicações na área deartes visuais, incluindo tema figurativo, tema não figurativo e proposta aberta.

Como autores de referência tem-se DonisA. Dondis, Ivens Fontoura, Rudolf Arnheim, R. D. Day, N. C. Ghyka, Kurt Kofka e Bruno Munari. Desse grupo de autores fazem parte do acervo do sistema de biblioteca da UFPR, os livros:La sintaxis de laimagen: introduccion al alfabeto visual, de Dondis, publicada em 1976. O livro Decomposição da forma: manipulação da forma como instrumento para a criaçãoque Fontoura publica pela Itaipu, editora de Curitiba, 1982. Artista e designer de Munari é o título citado no plano de ensino da HA403.

Referente à disciplina HA035-Teoria da Formafoi localizado o plano de ensino sob a responsabilidade deRoti Nielba Turin, com conteúdo programático dividido em cinco itens: 1. Oequilíbrio gerando forma, 2. A forma em si, 3. A forma como significado, 4. O espaço, a luz, a cor, o movimento na unidade formal, 5. A tensão, a expressão na composição formal. Na bibliografia recomendada mantêm-se o livro Arte e percepção visual de Arnheim, edição de 1969 ePrincipios de psicologia de la forma, de Kurt Kofka, 1957, ambos utilizados na disciplina de Composição. E acresce-se os títulos: El problema de la percepción, de Floyd Allport, 1974 e Imagem e ideia, de Herbert Read, 1957.

Considerando uma parcela das fontes arquivadas no Departamento de Artes, não foram localizados os planos de ensino das disciplinas: HA402-Teoria e Prática da Cor, HA445-Análise Estrutural da Forma e HC446-Técnicas de Estruturação de Imagem Sequenciada. O código HC446equivale à disciplina Teoria das Técnicas e dos Materiais I, com os códigos HF058 ou HA028 e tinha como objetivo que os alunos realizassem trabalhos fotográficos.

Sobreas disciplinas:HA444-Plástica I e HA404-Plástica havia os planos de ensino referentes ao ano de 1978, 1979 e 1981, nesses três anos a professora responsável era Janete T. F. de Siqueira. Em 1978 e 1979, os cursos estavam vinculados ao Departamento de Filosofia, nota-se também que as disciplinas Plástica I (HF040 ou HA010) e Plástica II (HF041 ou HA011) foram transformadas nos códigos HA403 e HA404, seguindo o plano de adaptação dos alunos de Comunicação Visual e Desenho Industrial. Para o ano de 1981, a disciplina Plástica I tinha como ementa:1. Introdução ao conteúdo, 2. Percepção, 3. Treinamento sensorial, 4. Análise dedutiva da forma e 5. Análise comparativa da forma. Referente ao mesmo ano, a disciplina Plástica II prescrevia na ementa: 1. Percepção, 2. Espaço, 3. Constatação de leis e relações matemáticas em livres composições subjetivas e 4. Construção de volume baseados em composições determinadas nos planos. A base teórica era semelhante para as duas disciplinas e envolvia os títulos: La nueva vision, de László Moholy-Nagy; A realidade figurativa, de Pierre Francastel; Psicologia de la percepcion artística, de Anton Ehrenzweig; Percepção, de Julian E. Hochberg; Bauhaus: novarquitetura, de Walter Gropius; Diseno y comunicacíon visual, de Bruno Munari; A teoria de los objetos, de A. Moles; Simetria, de Hermann Weyl; Como fazer uma monografia, de Delcio V. Salomon.

De modo sumário, seguindo os Quadros 4 e 5, destaca-se que há de um lado os conteúdos básicos de desenho ofertados pelo DDES que envolvem a geometria plana e projetiva, as normas brasileiras para o desenho técnico e o desenho de perspectiva e de outro, ofertado pelo DEARTES as disciplinas que englobam os fundamentos da teoria da cor e da forma, composição, plástica e desenho artístico.

Considerações finais

Esse estudo ressalta a importância do vínculo institucional entre o DDES e o DEARTES para consolidação dessas unidades administrativas na educação superior. Apresentadas as semelhanças entre o curso de comunicação visual e desenho industrial, observa-se que 65,5 % da integralização de comunicação visual e 66,9 % de desenho industrialsão disciplinas comuns às duas graduações. Do mesmo modo, a analogia entre as habilitações de educação artística representa 86,7 % da integralização de desenho e 87,5% de artes plásticas, respectivamente.

Destaca-se como principal diferença entre a habilitação em desenho e artes plásticas os conteúdos de pintura e escultura para as artes plásticas e técnicas industriais e introdução ao desenho industrial para o desenho, esses últimos apresentam proximidade com os bacharéis em desenho industrial. Quanto às prescrições do ensino de representação gráfica e fundamentos da linguagem visual, pelo estudo das ementas e dos planos de ensino, analisando as unidades didáticas e os autores de referência indicadosnas bibliografias básicas e complementares, elucida-seque o desenho de observação tem menor pesono perfil das disciplinas de ambos osdepartamentos.

No DDES, a ênfase no desenho é a geometria plana e projetiva,já no DEARTES, o desenho está atrelado ao estudo da forma e dos elementos compositivos da comunicação visual. Pois, direcionando a atenção à formação superior do professor em suas especificidades projetuais, dada pela figuração com o DDES, nota-se que os conhecimentos que envolvem o desenho operacional como alude Gomes (2006) aproximam o licenciado em educação artística, habilitação em desenho, da atividade projetual do desenho industrial. O desenho como finalidade industrial envolve dois subcampos: o desenho operacional (desenho imitativo, desenho definido e desenho convencional) e o desenho projetual (desenho-de-ambientes, desenho-de-artefatos, desenho-de-comunicação) - ambos não têm a mesma finalidade do desenho expressional (Gomes, 1996). No entanto, do conjunto de disciplinas que envolvem os conteúdos de fundamentos da linguagem visual, a ênfase ao desenho de observação como imitação da natureza e seus elementos é mínima, quando comparada ao estudo dos elementos visuais e aos conteúdos básicos de composição visual.

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Recebido: 16 de Setembro de 2019; Aceito: 31 de Outubro de 2019

*Autor para correspondência. E-mail: rossano.silva@ufpr.br

Rossano Silva é doutor e mestre em Educação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Professor no Departamento de Expressão Gráfica e dos Programas de Pós-graduação em Educação (PPGE) e Educação: Teoria e Prática de Ensino (PPGE:TPEn), ambos na UFPR. Participa do grupo de pesquisa: GPHIE - Grupo de Pesquisa História Intelectual e Educação e é vice-líder do GEPETel - Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação, Tecnologia e Linguagens, ambos da UFPR.E-mail: rossano.silva@ufpr.br

Adriana Vaz é doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com pós-doutorado junto à Linha de Pesquisa História da Educação no Programa de Pós-graduação em Educação: Conhecimento e Inclusão Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Professora no Departamento de Expressão Gráfica e dos Programas de Pós-graduação em Educação (PPGE) e Educação: Teoria e Prática de Ensino (PPGE:TPEn), ambos na UFPR. Participa dos grupos de pesquisa: GPHIE e GEPETel, da UFPR, e Pesquisa em Artes, na UNICENTRO. E-mail: vazufpr@gmail.com.

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