Apesar do aumento anual no número de transplantes hepáticos, persiste uma disparidade entre doadores adequados e receptores, desafiando a comunidade transplantadora. A máquina de perfusão surge como inovação na preservação de órgãos, especialmente ao utilizar enxertos de doadores com critérios expandidos, podendo reduzir taxas de rejeição e ampliar o pool de doadores. Seu princípio, como o de qualquer perfusão ex vivo, baseia-se na oferta contínua de nutrientes e oxigênio, mantendo o metabolismo celular e interrompendo processos anaeróbicos. Esse mecanismo ajuda a prevenir lesões por isquemia-reperfusão, disfunção precoce do enxerto e colangiopatia isquêmica, complicações associadas à perda do enxerto e à necessidade de retransplante. Existem duas modalidades principais de perfusão ex vivo em máquina: hipotérmica e normotérmica, diferenciadas pela temperatura operacional. A utilização dessas tecnologias representa uma oportunidade promissora para aumentar o aproveitamento de fígados e diminuir o tempo de espera. Contudo, é necessário avaliar até que ponto elas aumentariam os custos dos transplantes. No Brasil, a implantação dessa técnica pode enfrentar desafios específicos não encontrados em outros países. Os desafios incluem o acesso limitado ao sistema de saúde por pacientes em situação de alto risco, listas longas, apoio insuficiente aos doadores, dependência exclusiva de doadores falecidos com morte cerebral, já que a doação após parada cardíaca não é eticamente aceita no país, além de barreiras geográficas relevantes.
Descritores:
Transplante de Fígado; Transplante; Transplante de Órgãos; Perfusão; Obtenção de Tecidos e Órgãos
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