| Lazarus et al. 47 (2022) |
Recomendação: definição clara da população ou território-alvo. Mapeamento da linha de base epidemiológica e de barreiras ao cuidado. Estratégias de testagem e tratamento adaptadas ao contexto. Uso de modelagem ou projeções para orientar metas locais. Envolvimento de governo, prestadores de serviços de saúde, sociedade civil e comunidades. Parcerias estratégicas (p.ex.: sistema prisional, programas de redução de danos, organizações não-governamentais - ONGs). Indicadores de testagem, início de tratamento e resposta virológica sustentada. Publicização de resultados e ajustes estratégicos periódicos. Uso de testes rápidos no ponto de cuidado e/ou coleta em locais comunitários. Estratégias de reflex testing (teste automático de RNA após sorologia positiva). Protocolos simplificados, inclusive com profissionais não especialistas. Integração com programas de HIV, serviços de saúde mental, centros de atenção a usuários de drogas, serviços prisionais e maternidades. Expansão do acesso em populações privadas de liberdade e regiões remotas. Modelos de test-and-treat com acompanhamento remoto. Estratégias específicas para populações com risco contínuo. Populações prioritárias: pacientes em hemodiálise ou com distúrbios hemorrágicos; pessoas vivendo com HIV; populações geograficamente delimitadas (municípios ou comunidades pequenas); população privada de liberdade (com protocolos bem estruturados). Sustentação: a microeliminação é mais efetiva quando combina planejamento estratégico, metas claras, coordenação multissetorial e monitoramento contínuo, com foco em populações específicas e ações integradas aos serviços já existentes. |
| Chen et al. 51 (2022) |
Recomendação: triagem em massa e realizada em curto período (5 dias), abrangendo mais de 2/3 da população prisional. Testagem seguida de reflex testing (detecção imediata nos casos positivos). Acesso rápido ao tratamento. Populações prioritárias: para população privada de liberdade, tratamento imediato no local por meio de implementação de protocolo padronizado simplificado. Administração no próprio ambiente prisional, sem necessidade de encaminhamento externo. Aumenta adesão e reduz perdas por transferência ou liberação. Colaboração entre hepatologistas e autoridades prisionais. Excluir pacientes com liberação ou transferência previstas para garantir conclusão do tratamento. Acordos administrativos para evitar transferências durante o curso terapêutico. Integração com seguro público nacional, garantindo acesso universal à terapia. Sustentação: modelo baseado em triagem em massa, tratamento imediato, coordenação institucional sólida e fluxo terapêutico simplificado. |
| Corcoran et al. 40 (2023) |
Recomendação: ampliação universal do acesso ao tratamento com indicação de tratamento para todas as pessoas. Substituição de protocolos complexos por simplificados, facilitando a prescrição em serviços de APS e contextos comunitários. Avaliação de fibrose por métodos não invasivos (p.ex.: FIB-4, elastografia). Fluxos reduzidos de consultas e exames. Uso de contatos remotos (telefone/telemedicina) para suporte e adesão. Cirrose descompensada, HCC e transplante hepático requerem encaminhamento especializado. Triagem e tratamento simultâneo de coinfecções HBV/HIV quando presentes. Integração na APS: qualificação de equipes não especialistas para prescrição e seguimento de DAAs. Telemedicina e dispensação ampliada: entrega de todo o esquema terapêutico no início do tratamento. Educação em saúde e adesão simplificada: foco em uso diário da medicação, sem monitoramento intensivo. Vigilância e prevenção de reinfecção: testagem anual para grupos com risco contínuo. Sustentação: modelo simplificado baseado nas diretrizes AASLD/IDSA para ampliar o acesso ao tratamento e logística simplificada capaz de implementar estratégias de microeliminação em diferentes populações e territórios, especialmente nos níveis locais e regionais da rede de saúde. |
| Lazarus et al. 82 (2018) |
Recomendação: matriz de estratégias de microeliminação + populações-alvo: Planejamento focado em população bem definida. Estabelecer metas anuais ou de curto prazo de diagnóstico, tratamento e cura. Processo multissetorial/participação de stakeholders, envolvendo governo, serviços de saúde, sociedade civil, outras partes interessadas para implementar o plano. Acompanhar e publicar indicadores (prevalência, diagnóstico, tratamento, cura, mortes) de forma transparente. Adaptar a testagem, cuidado, tratamento conforme barreiras, cultura, localização da população-alvo. Em populações de alto risco de transmissão, tratar acelera redução da incidência (treatment as prevention). Em populações de alto risco de transmissão, há potencial para tratamento como prevenção, se se tratar um bom volume de indivíduos, reduz‐se a incidência. Sustentação: abordagem de microeliminação não substitui o plano nacional ou generalizado de eliminação: ela é um instrumento estratégico para focar esforços em populações ou territórios definidos. Necessidade de justificar por que certas populações são priorizadas, garantindo que nenhuma população seja ignorada indefinidamente (princípio de “realização progressiva” de direitos à saúde). |
| Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis, Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, Ministério da Saúde 44 (2025) |
Recomendação: descentralização do cuidado para a APS com ampliação do acesso ao diagnóstico, tratamento e seguimento clínico por equipes multiprofissionais. Microplanejamento territorial com a construção de planos locais de ação com diagnóstico situacional, definição de linhas de cuidado, metas e responsabilidades para rastreamento, tratamento e monitoramento. Busca ativa e testagem focalizada com priorização de grupos de maior vulnerabilidade para testagem rápida de HBV/HCV, diagnóstico precoce e vinculação ao cuidado Fortalecimento da cascata de cuidado: estratégias para garantir alta taxa de diagnóstico, tratamento e retenção em cuidado, com indicadores claros de impacto e processo. Ações integradas de prevenção: ampliação da cobertura vacinal para hepatite B, controle de biossegurança em procedimentos invasivos e redução de danos entre populações vulnerabilizadas. Participação social e combate ao estigma: engajamento de movimentos sociais, populações afetadas e organizações locais no desenho e execução das estratégias. Monitoramento e avaliação contínua: uso de sistemas de informação (SINAN, SIM, SI-PNI, Siclom) e metas pactuadas para medir avanços e corrigir rotas. Populações prioritárias: gays e outros HSH; pessoas trans e travestis; profissionais do sexo; pessoas em situação de rua; pessoas privadas de liberdade; pessoas que usam drogas injetáveis, inaláveis ou fumadas; alcoolistas. Grupos com histórico de exposição: pessoas que receberam transfusão antes de 1993; pessoas submetidas a procedimentos invasivos sem biossegurança adequada; pessoas em terapia renal substitutiva; profissionais de saúde e segurança expostos a material biológico. Pessoas com condições clínicas específicas: pessoas vivendo com HIV e/ou aids; pessoas coinfectadas HBV/HDV (especialmente na Amazônia Legal); pessoas transplantadas. Grupos populacionais específicos: população indígena, ribeirinha e quilombola; pessoas gestantes e crianças expostas ao HBV (com enfoque na prevenção da transmissão vertical). Sustentação: estratégias territorializadas, equitativas e mensuráveis, com foco na descentralização do cuidado, testagem focalizada, prevenção combinada e monitoramento contínuo. |
| Queiroz et al. 52 (2021) |
Recomendação: realizar testagem rápida em todos os novos detentos, seguida de confirmação com RNA-HCV. Uso de terapias pangenotípicas para reduzir tempo até o início do tratamento e minimizar barreiras logísticas. Possibilidade de protocolos baseados apenas em exames laboratoriais quando o acesso à imagem for limitado. Coordenação entre secretarias de saúde e administrações prisionais para garantir infraestrutura mínima e continuidade do cuidado. Campanhas educativas para detentos, profissionais penitenciários e visitantes. Ações para reduzir compartilhamento de objetos cortantes, uso de drogas injetáveis e práticas de risco. Redução da superlotação e melhoria das condições sanitárias, com criação de espaços adequados para atendimento em saúde. Implementação de protocolos de acompanhamento dos casos e reinfecções. Utilização de dados do Departamento Penitenciário Nacional para microplanejamento. População prioritária: pessoa privada de liberdade. Sustentação: fortes barreiras estruturais e institucionais favorece a microeliminação da hepatite no sistema prisional por meio de estratégias coordenadas e governança intersetorial entre saúde e segurança pública |
| Huang et al. 63 (2023) |
Recomendação: testagem aplicada em populações “fechadas” (hemodiálise, prisões, áreas hiperendêmicas) ou “abertas” (populações móveis, p.ex.: pessoas que usam drogas injetáveis, HSH, trabalhadoras do sexo, população trans). Estratégia test-and-treat com triagem ampliada e início rápido de DAAs. Testagem no local (point of care), telemedicina, equipes móveis e integração com serviços já existentes (HIV, PrEP, redução de danos). Vigilância contínua e prevenção da reinfecção, especialmente em grupos com risco contínuo. Recomendação de testagem HCV RNA a cada 3-6 meses em populações de risco. Envolvimento de diferentes setores (saúde, justiça, sociedade civil). Campanhas nacionais integradas com metas claras para cada subpopulação. Populações prioritárias: pacientes em hemodiálise; populações em áreas hiperendêmicas; pessoas privadas de liberdade; HSH, com ou sem HIV; pessoas trans e gênero-diversas; pessoas que usam drogas injetáveis; trabalhadores(as) do sexo. Sustentação: estratégias de microeliminação adaptadas ao contexto epidemiológico e social são fundamentais para atingir a eliminação. A integração com serviços já existentes e o monitoramento de reinfecções são componentes críticos para a sustentabilidade dos resultados. |
| Bajis et al. 43 (2020) |
Recomendação: microeliminação tanto a subpopulações (p.ex.: pessoas privadas de liberdade, pessoas que usam drogas injetáveis) quanto a territórios (p.ex.: municípios ou regiões sanitárias). Definir metas anuais de testagem, tratamento e monitorar indicadores em tempo real para avaliar desempenho local e fazer ajustes rápidos. Uso de sistemas de vigilância e avaliação periódica de resultados. Testagem simplificada (testes rápidos, reflex testing), diagnóstico precoce e início imediato de DAAs. Tratamento em APS, unidades de redução de danos, prisões e centros comunitários. Uso de telemedicina, farmácias comunitárias e enfermagem ampliada para prescrição e seguimento. Participação ativa de populações-chave no desenho e implementação das estratégias. Ações de comunicação e advocacia para ampliar a adesão e reduzir barreiras socioculturais. Populações prioritárias: pessoas que usam drogas; pessoas privadas de liberdade; pacientes em diálise ou com distúrbios hemorrágicos; pessoas vivendo com HIV; migrantes e minorias étnicas; coortes de nascimento de alta prevalência; trabalhadores do sexo e pessoas trans; áreas geográficas hiperendêmicas/territórios prioritários com possibilidade de eliminação territorial acelerada com microplanejamento. Sustentação: microeliminação é uma estratégia essencial para acelerar o progresso rumo à eliminação da hepatite. Ela depende de focalização inteligente em populações específicas, uso de testagem simplificada e tratamento imediato, descentralização do cuidado, engajamento comunitário e monitoramento robusto. |
| Morales-Arraez et al. 53 (2021) |
Recomendação: uso de telemedicina para prescrição, seguimento e apoio a pacientes, especialmente em locais de difícil acesso ou com barreiras estruturais. Descentralização do tratamento: dispensação de terapias de HCV fora dos centros especializados, aliando cuidado mais próximo do paciente e modelos de atenção comunitária ou situada. Modelo de cuidado que reengaja pacientes que estavam perdidos no seguimento ou não haviam acessado tratamento, aumentando a cobertura terapêutica, o que favorece a lógica de “tratamento como prevenção” (treatment as prevention) em microeliminação. Integração de tecnologia, sistemas de apoio remoto e coordenação entre níveis de atenção à saúde para facilitar acesso, adesão e monitoramento. Populações prioritárias: pacientes com HCV que vivem em áreas rurais ou remotas, com acesso limitado a hepatologistas ou serviços especializados, beneficiam-se especialmente da telemedicina + dispensação descentralizada. Grupos vulneráveis ou com barreiras de acesso ao cuidado tradicional (p.ex.: pessoas com mobilidade reduzida, populações marginalizadas, ou em regiões de baixa densidade de serviços), para os quais esse modelo representa uma “ponte”. Populações-chave para microeliminação, em que a ampliação rápida de tratamento pode gerar impacto em transmissão/incidência se combinada à cobertura adequada. Sustentação: combinação de telemedicina com tratamento descentralizado pode funcionar como uma estratégia catalisadora para a microeliminação, especialmente em contextos em que o acesso ao tratamento convencional é dificultado. Esse modelo permite ampliar cobertura terapêutica, reduzir barreiras logísticas e acelerar o impacto em populações-alvo. |
| Botto et al. 59 (2024) |
Recomendação: testagem reflexa ou em etapa única (reflex/single-step testing) na APS, serviços hospitalares, programas de testagem em populações prioritárias. Uso do antígeno core (HCV cAg) como alternativa diagnóstica. Testes moleculares no ponto de cuidado (POC NAAT) como realização do teste confirmatório diretamente no local de atendimento (p.ex.: GeneXpert, Genedrive), incluindo coleta por punção digital. Populações prioritárias: pessoas que injetam drogas; pessoas privadas de liberdade; populações em situação de rua ou vulnerabilidade social; pacientes atendidos na atenção primária e emergências hospitalares; populações com alta prevalência local identificada por vigilância ou inquéritos sorológicos.; indivíduos com histórico de exposição a sangue (p.ex.: usuários de serviços de transfusão antes de 1993, pacientes em hemodiálise, etc.). Fortalecimento da rede comunitária para alcance das populações prioritárias. Utilização de plataformas móveis para ampliar cobertura em territórios vulneráveis. Ajustes regulatórios para permitir descentralização da confirmação diagnóstica. Monitoramento contínuo dos indicadores de testagem, confirmação, tratamento e cura para cada subpopulação-alvo. Sustentação: a estratégia mais custo-efetiva e com maior impacto na eliminação da hepatite C é a implementação de fluxos reflexos ou em etapa única combinados a abordagens POC e uso complementar de HCV cAg, especialmente quando direcionados a populações de maior vulnerabilidade epidemiológica. |
| Von den Hoff et al. 41 (2022) |
Recomendação: descentralização total do cuidado em centros de atenção ao uso de substâncias com testagem, aconselhamento, prescrição de DAAs e acompanhamento clínico são realizados no próprio serviço de atenção à dependência. Integração entre equipes de saúde e rede de atenção à dependência com profissionais de saúde mental, enfermagem e médicos de adição atuam na triagem, prescrição e monitoramento e especialistas em hepatites dão suporte remoto e presencial para casos complexos. Uso de DAAs pangenotípicos e protocolos simplificados, pois elimina necessidade de genotipagem prévia e facilita início rápido do tratamento e adesão. A avaliação clínica não invasiva com uso de FIB-4 e Child-Pugh para estratificação de risco e, em casos sem cirrose ou cirrose compensada são tratados onsite; casos complexos são referenciados para especialistas. Modelo RE-AIM para implementação e avaliação (Reach, Effectiveness, Adoption, Implementation, Maintenance) com foco em ampliar cobertura, medir efetividade real, identificar barreiras e planejar expansão e ações de vinculação ativa ao cuidado com abordagem de low-threshold care (baixa exigência), focada em eliminar barreiras práticas (pouca burocracia, coleta no local, integração com tratamento da dependência química) e testagem e início do tratamento no mesmo local e momento sempre que possível. População prioritária: pessoas que usam drogas injetáveis. Sustentação: descentralização completa do cuidado para hepatite dentro dos serviços de atenção à dependência é efetiva e viável, alcançando maior cobertura e adesão. O modelo remove barreiras logísticas e clínicas tradicionais, permitindo tratamento no local e ampliando o alcance entre pessoas que usam drogas. Estratégia considerada replicável em outros contextos nacionais e internacionais, especialmente em regiões com alta prevalência concentrada nessa população. |
| Matthews et al. 49 (2023) |
Recomendação: estratégias centrais para microeliminação da hepatite B com focalização em populações bem definidas ou regiões geográficas delimitadas. Aplicação da lógica de microeliminação: definição de subpopulações ou territórios específicos com metas claras de curto e médio prazo, articuladas com as metas nacionais de eliminação. Expansão da vacinação universal e estratégias complementares com garantia de cobertura vacinal de ≥ 95% em crianças (três doses) e dose ao nascer e vacinação de grupos de risco, incluindo contatos domiciliares, profissionais de saúde e populações vulneráveis. Além de ter, a vacinação como pilar de prevenção da transmissão vertical e horizontal. Implementação de testagem focalizada e opt-out em serviços de atenção primária, maternidades, prisões e locais de alta prevalência. Integração da testagem para HBV com programas já existentes (HIV, HCV, IST, saúde materno-infantil). Testagem universal de gestantes, profilaxia adequada e vacinação neonatal imediata. Inclusão da profilaxia com antivirais para gestantes HBsAg positivas com alta carga viral, conforme diretrizes internacionais. Identificação ativa de indivíduos com infecção crônica elegíveis para tratamento. Acompanhamento clínico descentralizado para os demais casos, com estratificação de risco (p.ex.: ALT, HBV DNA, FibroScan ou APRI/FIB-4). Microeliminação pode ser usada como abordagem piloto para populações de difícil acesso, informando políticas nacionais. Definição de indicadores mensuráveis (p.ex.: cobertura vacinal, testagem, tratamento, supressão viral, mortalidade). Uso de sistemas de informação integrados e vigilância epidemiológica ativa. Populações prioritárias: gestantes e crianças; profissionais de saúde; pessoas que usam drogas; pessoas privadas de liberdade; migrantes de países de alta endemicidade; populações indígenas e minorias étnicas; pessoas coinfectadas (HIV, HCV, HDV). Sustentação: microeliminação da hepatite B exige estratégias multifocais, com ênfase na prevenção da transmissão vertical, vacinação universal, diagnóstico ampliado e cuidado descentralizado em populações de maior vulnerabilidade. |
| Villa & Navas 67 (2023) |
Recomendação: testagem para em 100% das gestantes, independentemente de fatores de risco. Base operacional da microeliminação por coorte materno-infantil. Profilaxia antiviral materna. Monitoramento e seguimento do binômio mãe-bebê com testagem sorológica do bebê aos 6-12 meses, registro nacional de mães positivas e acompanhamento de filhos para avaliar falhas vacinais, além de fortalece vigilância epidemiológica e rastreamento. Treinamento de profissionais de saúde em com identificação precoce de gestantes, aplicação oportuna de vacina e aconselhamento sobre amamentação segura (não contraindicada se mamas íntegras). Integração com programas de saúde reprodutiva e planejamento familiar. População prioritária: gestantes. Sustentação: microeliminação da hepatite B passa pela eliminação da transmissão vertical, eixo estruturante do controle global. Testagem universal, imunoprofilaxia combinada e antivirais no final da gestação são as ações mais custo-efetivas para romper o ciclo de infecção crônica. |
| Barreira et al. 60 (2024) |
Recomendação: ampliação da testagem rápida e sorológica para populações e territórios de maior risco (zonas rurais, Amazônia, populações vulneráveis). Implantação de fluxos para diagnóstico molecular (HBV-DNA, HCV-RNA, HDV-RNA, HEV IgM) nos pontos de atenção estratégicos. Início precoce do tratamento antiviral (particularmente para HCV com DAAs), reduzindo tempo entre diagnóstico e terapia. Fortalecimento da cobertura vacinal contra hepatite B e imunização de contatos e grupos vulneráveis. Identificação proativa de casos agudos e contatos, inclusive em populações de difícil acesso. Integração com programas de HIV, tuberculose, IST e doenças crônicas para abordagem integral. Vigilância genômica para identificar introduções de novos genótipos e monitorar dispersão regional. Estratégias articuladas com atenção primária e redes regionais de saúde para garantir rastreio, encaminhamento e tratamento. Populações prioritárias: pessoas ≥ 20 anos não vacinadas ou com status vacinal desconhecido (HBV); pessoas > 40 anos; povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos (Região Norte); filhos de mães HBsAg ou HCV positivas; pessoas em situação de rua; profissionais de saúde, estética e segurança pública; pessoas privadas de liberdade; pessoas que usam drogas (injetáveis, inaladas ou fumadas); HSH, travestis e transexuais; PVHA (pessoas vivendo com HIV/aids); pessoas em hemodiálise ou com doença renal crônica; gestantes e mulheres em planejamento reprodutivo; população geral em áreas endêmicas (Amazônia); Pessoas com histórico de transfusão pré-1993; pacientes com doenças hepáticas, ISTs e imunossuprimidos. Sustentação: intervenções rápidas em clusters com confirmação laboratorial, mapeamento de contatos e tratamento no território. Fortalecimento da logística de insumos e antivirais, garantindo acesso contínuo ao tratamento e a capacitação de equipes de saúde (inclusive APS) com integração com vigilância genômica e epidemiológica para identificação precoce de surtos ou introduções de genótipos emergentes. |
| Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais, Secretaria de Vigilância em Saúde, Ministério da Saúde 36 (2018) |
Recomendação: eixos estratégicos da microeliminação da hepatite C. Prevenção: comunicação e educação em saúde voltadas a grupos vulneráveis. Prevenção combinada (biomédica, comportamental e estrutural). Redução de danos e insumos preventivos para populações-chave. Orientação a contatos domiciliares e parceiros sexuais. Diagnóstico: ampliação do rastreio com teste rápido e biologia molecular (HCV-RNA). Testagem populacional em massa, principalmente > 40 anos. Diagnóstico dirigido a populações prioritárias. Mapeamento territorial de serviços e busca ativa de casos. Vigilância pós-diagnóstico para evitar perda de seguimento. Tratamento: tratamento universal com DAAs. Início rápido após diagnóstico, incluindo casos leves (F0-F3). Encaminhamento a centros especializados apenas para casos complexos (carcinoma hepatocelular , falha terapêutica, coinfecções graves). Gestão e linha de cuidado: integração da APS e serviços especializados com referência e contrarreferência. Notificação, vinculação e seguimento clínico organizado. Educação permanente e capacitação das equipes. Uso estratégico dos sistemas de informação para rastreabilidade. Simplificação do fluxo de acesso, com tratamento iniciado em serviços locais (APS/CTA/SAE). Populações prioritárias: Grupo prioritário 1 - testagem frequente (pelo menos 1x/ano ou trimestral em PrEP): pessoas vivendo com HIV/aids. Pessoas em uso de PrEP. Pessoas privadas de liberdade. Pessoas com múltiplos parceiros sexuais ou IST. Travestis, transexuais, gays e HSH. Trabalhadores(as) do sexo. Pessoas que usam álcool e outras drogas. Pessoas em terapia renal substitutiva Grupo prioritário 2 - testagem ao longo da vida: Pessoas ≥ 40 anos. Pessoas com diabetes. Antecedente psiquiátrico, doença renal ou imunossupressão. Histórico de transfusão de sangue ou hemoderivados antes de 1992. Exposição a material biológico contaminado. Uso de álcool ou drogas. Tatuagem/piercing em locais não regulamentados. Doença hepática sem diagnóstico, ALT/AST elevadas. Comunicantes e parceiros(as) de pessoas com HCV. Pessoas nascidas de mães HCV positivas. Sustentação: foco populacional capaz de priorizar grupos com maior prevalência e risco de transmissão. Foco territorial: ações dirigidas a regiões de maior carga de doença. Integração: APS, CTA/SAE, vigilância e gestão municipal/estadual. Meta OMS 2030: reduzir 90% das infecções e 65% da mortalidade por HCV. |
| Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/Aids e das Hepatites Virais, Secretaria de Vigilância em Saúde, Ministério da Saúde 45 (2018) |
Recomendação: ampliação do acesso com utilização de testes rápidos para triagem de hepatites B e C em unidades de APS, CTA/SAE, prisões, serviços móveis e populações-chave. Complementação diagnóstica com realização de testes moleculares (PCR em tempo real) para confirmação da infecção ativa (HBV-DNA, HCV-RNA). Algoritmos padronizados visto que o manual apresenta 8 fluxogramas diagnósticos para HAV, HBV, HCV, HDV e HEV, com destaque para fluxos 1 e 4 (testagem inicial HBV e HCV) e fluxos 2 e 5 (confirmação molecular). Notificação e sistemas com uso integrado do gerenciador de ambiente laboratorial (GAL) para rastreio laboratorial, SINAN para notificação e Sisloglab para insumos laboratoriais. Avaliação da qualidade com o Programa de Avaliação Externa da Qualidade para execução de testes rápidos. Locais estratégicos para testagem: unidades básicas de saúde (APS), CTA/SAE, Consultório na Rua, Rede Cegonha. serviços de emergência, hospitais, maternidades. Unidades móveis e ações itinerantes. Populações prioritárias: Hepatite B: HSH, profissionais do sexo, pessoas que usam drogas, pessoas privadas de liberdade, indivíduos em situação de rua, indígenas, quilombolas, indivíduos nascidos em áreas endêmicas; Hepatite C: indivíduos com 40 anos de idade ou mais, indivíduos que realizaram transfusão, transplante, indivíduos em situação de compartilhamento de material de injeção. Sustentação: reforça a integração com vigilância epidemiológica e bancos de dados nacionais. Uso intensivo de testes rápidos em cenários móveis e APS. Vigilância ativa em comunicantes e contatos, com priorização de gestantes, pessoas privadas de liberdade e populações rurais. |
| Grande et al. 54 (2021) |
Recomendação: ampliação da vacinação contra HBV e HAV, incluindo esquemas combinados. Vacinação específica em populações vulneráveis (HSH, usuários de drogas, gestantes, imunossuprimidos). Medidas de higiene e saneamento para prevenção de HAV e HEV. Rastreamento em bancos de sangue para HEV e HBV. Testagem em populações de maior risco, incluindo testagem reflexa e pontos de cuidado (point-of-care testing). Teste e tratamento integrados, com início de terapias antivirais assim que o diagnóstico for confirmado. Protocolos simplificados para HCV com base em PCR/antígeno e sem necessidade de genotipagem extensa. Terapia universal com DAAs para HCV, com regimes pangenotípicos e curtos (8-12 semanas). Uso ampliado de análogos de nucleotídeos para HBV (entecavir, TDF, TAF), com perspectiva de novas terapias imunomoduladoras e antivirais experimentais (bulevirtide, VIR-2218, capsid inhibitors). Manejo de HEV em grupos de risco com ribavirina em casos selecionados. Descentralização para APS e serviços comunitários. Tratamento conduzido também por profissionais não especialistas (enfermeiros, médicos da APS, equipes prisionais). Integração vigilância-cuidado para rastrear casos não tratados. Identificação de indivíduos previamente diagnosticados e não tratados (HCV lost to follow-up). Estratégias de testagem ampliada em prisões, serviços de saúde mental, centros de uso de drogas e serviços de diálise. Uso de dados epidemiológicos locais para mapear hotspots de transmissão. Rastreamento em populações com baixa vinculação ao sistema de saúde (migrantes, indígenas, usuários de drogas, privados de liberdade). Populações prioritárias: indivíduos HIV-positivos que são suscetíveis à infecção por HAV; população psiquiátrica, pessoas com dependência de drogas ou em terapia de reposição, pacientes com insuficiência renal ou receptores de transplante de órgãos sólidos; Sustentação: ações direcionadas a grupos de maior risco, ampliação da testagem, tratamento universal e descentralização dos serviços. Disponibilidade de regimes terapêuticos curtos e altamente eficazes. |
| Song et al. 37 (2022) |
Recomendação: fortalecimento da vigilância sentinela e notificação compulsória. Prevenção direcionada a grupos de maior risco (usuários de drogas, HSH, privados de liberdade). Prevenção de infecções hospitalares, protocolos rigorosos de biossegurança, esterilização e controle em hemodiálise. Implantação de triagem ampliada e proativa, com testagem reflexa (teste rápido → HCV-RNA) em grupos vulneráveis. Inclusão de anti-HCV em check-ups, pré-operatórios e pré-natal. Integração com APS e vigilância epidemiológica. Criação de redes integradas de prevenção e tratamento entre atenção primária, hospitais e Centros de Testagem locais. Modelos de gestão local para referência e contrarreferência ágil. Simplificação de fluxos de cuidado, testagem, diagnóstico e tratamento no mesmo serviço. Ampliação da cobertura de DAAs via negociações de preço e incorporação ao seguro de saúde nacional. Desenvolvimento de DAAs locais para reduzir custos e dependência de importações. Uso de regimes pangenotípicos simplificados (8-12 semanas). Campanhas de educação pública e treinamento profissional para aumentar a conscientização sobre HCV. Mobilização comunitária e parcerias locais para melhorar a adesão ao tratamento. Adoção de estratégias de microeliminação territorial e populacional, entrada por populações de alto risco e locais de maior prevalência. Populações prioritárias: pessoas que usam drogas (injeção ou inalável), HSH e pessoas com múltiplos parceiros sexuais. Pessoas privadas de liberdade, pessoas coinfectadas com HIV ou HBV, populações com práticas sexuais de risco, migrantes e populações vulneráveis com baixa cobertura de serviços. Sustentação: investimento no foco em grupos vulneráveis como porta de entrada para ampliação de cobertura, tendo integração entre a APS a vigilância e os centros especializados para diagnóstico e tratamento descentralizados. Negociação e produção local de DAAs para reduzir barreiras econômicas. Test-and-treat simplificado com fluxos rápidos e adesão monitorada. Microeliminação escalável: iniciar em subpopulações de alto risco e expandir para populações gerais. |
| Huang et al. 42 (2025) |
Recomendação: testagem em massa com reflex testing (teste rápido + carga viral) para HCV. Rastreamento rotineiro integrado ao cuidado de HIV (testagem semestral ou anual). Ações focalizadas em HSH com risco elevado e pessoas em PrEP. Disponibilidade irrestrita de DAAs desde 2017. Início imediato do tratamento após confirmação da viremia. Regimes pangenotípicos e esquemas curtos (8-12 semanas; 6-8 semanas para infecção aguda). HCV incorporado no fluxo de cuidado de HIV: testagem, tratamento e monitoramento pós-RVS (pós-resposta virológica sustentada). Alta cobertura: > 99% dos pessoas vivendo com HIV testados, > 94% tratados. Testes de RNA ou antígeno HCV a cada 6 meses (EASL/OMS), com estratégias de testagem agrupada (pooled RNA testing) a cada 3 meses para alto risco. Identificação precoce de reinfecções e início imediato de DAA. Educação sobre práticas sexuais seguras. Integração com programas de PrEP e prevenção combinada. Campanhas comunitárias para reduzir estigma e ampliar acesso. População prioritária: HSH HIV-negativos. Sustentação: integração da testagem e tratamento de HCV ao cuidado de HIV é uma estratégia altamente eficaz. Programas bem-sucedidos devem incluir monitoramento intensivo da reinfecção, tratamento universal com DAA e intervenções comportamentais combinadas. |
| The Lancet HIV 61 (2018) |
Recomendação: foco inicial em populações bem definidas permite resultados rápidos e eficientes. Diagnóstico universal em pessoas vivendo com HIV. Vinculação imediata aos serviços especializados e início de tratamento. Ações integradas com redes de HIV para rastrear e tratar coinfectados. Acesso garantido aos DAAs no sistema de saúde nacional. Eliminação de barreiras de elegibilidade para pacientes coinfectados. Estratégias para manejo da reinfecção. Foco em subpopulações de difícil acesso (pessoas em situação de rua, usuários de drogas injetáveis, minorias étnicas, pessoas com doença mental). Desenvolvimento de serviços móveis e outreach para rastreamento e tratamento. Estratégia integrada com políticas e programas de HIV. Testagem combinada e ações preventivas coordenadas. Necessidade de políticas claras para usuários em reinfecção e retratamento, bem como ampliação da força de trabalho para serviços de testagem. Populações prioritárais: Pessoas vivendo com HIV (particularmente HSH). Pessoas que usam drogas injetáveis. Pessoas privadas de liberdade. Pessoas em situação de rua. Indivíduos com transtornos mentais graves. Subpopulações vulneráveis: Minorias étnicas e imigrantes com baixa vinculação a serviços de saúde. Pessoas sem acesso a PrEP e redes estruturadas de HIV. Populações com baixa testagem. Sustentação: a microeliminação é apresentada como um catalisador para avançar em direção à eliminação nacional, mesmo diante de barreiras logísticas e políticas. Pode gerar efeito cascata com redução de novas infecções e maior engajamento de populações de difícil acesso. Permite ações direcionadas com impacto epidemiológico rápido, especialmente em redes de coinfecção HIV-HCV. |
| Hollande et al. 57 (2020) |
Recomendação: aumento da cobertura de testagem com testes rápidos de diagnóstico (RDOTs) e testes point-of-care. Estratégias de rastreamento ampliadas para além dos grupos clássicos de risco. Identificação de indivíduos não diagnosticados e reengajamento de pacientes perdidos de seguimento. Transferência dos serviços diagnósticos e terapêuticos para fora dos hospitais, com forte participação da atenção primária e serviços móveis. Expansão do acesso aos DAAs em serviços comunitários. Formação de equipes multiprofissionais para rastrear e tratar populações vulneráveis. Eliminação de barreiras de elegibilidade e priorização do tratamento para todos os pacientes com viremia detectada. Regimes pangenotípicos curtos (8-12 semanas). Estratégia test-and-treat no mesmo dia. Monitoramento ativo da incidência e prevalência por subpopulação e território. Prevenção combinada com redução de danos, programas de troca de seringas e salas de consumo supervisionado. Integração com programas de HIV, hepatites B e ISTs. Início de programas com subpopulações bem definidas e de alta prevalência, facilitando o alcance de metas rápidas e mensuráveis. Populações prioritárias: pessoas que usam drogas injetáveis, pessoas privadas de liberdade, HSH, pessoas vivendo com HIV. Populações vulneráveis adicionais: migrantes oriundos de regiões endêmicas, pacientes em diálise e transplantados renais, pessoas com transtornos psiquiátricos graves, pessoas em situação de rua, populações complementares e clínicas, pacientes com cirrose e fibrose avançada, hemofílicos e pessoas que receberam transfusões antes da triagem sorológica, coortes etárias com alta prevalência (p.ex.: nascidos entre 1945-1965 em alguns países). Sustentação: focar em populações de alta prevalência permite obter impacto epidemiológico rápido e mensurável. Descentralizar o diagnóstico e o tratamento, e integrar HCV com outros programas de saúde. Políticas de prevenção combinada (redução de danos, testagem regular, tratamento universal) reduzem significativamente a incidência e a reinfecção. |
| Organização Pan-Americana da Saúde 68 (2025) |
Recomendação: vacinar ≥ 95% dos bebês com 3 doses contra hepatite B, garantindo a primeira dose nas primeiras 24 horas de vida. Oferecer profilaxia antiviral com tenofovir para gestantes elegíveis. Reforçar esquemas de vacinação em grupos de risco e adultos suscetíveis. Oferecer triagem gratuita e acessível para HBV e HCV, com foco nos grupos de maior risco e integração de autotestes. Triagem universal de sangue doado e práticas seguras de injeção. Ampliação da cobertura de testagem em atenção primária e centros comunitários. Tratar 100% das pessoas diagnosticadas com HCV, utilizando regimes pangenotípicos altamente eficazes. Garantir 80% de cobertura de tratamento para pessoas com HBV elegíveis. Oferecer testagem e tratamento próximos ao local de moradia, APS, centros comunitários, prisões e clínicas móveis. Fortalecer redes de referência e contrarreferência. Monitoramento contínuo de pessoas com sequelas de hepatites B e C, com rastreamento para carcinoma hepatocelular e acompanhamento clínico. Práticas de injeção e transfusão 100% seguras. Fortalecimento da vigilância de eventos adversos e monitoramento laboratorial. Sustentação: a estratégia da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) para hepatites B e C baseia-se em prevenção da transmissão vertical, triagem universal, tratamento universal com regimes pangenotípicos, descentralização dos serviços, e foco em populações prioritárias. |