Epidemiologia da hipertensão arterial em gestantes

Marilda Gonçalves de Sousa Reginaldo Guedes Coelho Lopes Maria Luiza Toledo Leite Ferreira da Rocha Umberto Gazi Lippi Edgar de Sousa Costa Célia Maria Pinheiro dos Santos Sobre os autores

ABSTRACT

Objective

To investigate the epidemiological data of hypertension in pregnant women, as well as to identify its possible associated events.

Methods

Data collection was performed at the high-risk prenatal outpatient clinic and in the maternity ward at a public hospital in the São Paulo city, during the morning and afternoon periods, from October 2015 to July 2016. A questionnaire with 22 questions prepared by the researchers was used. The margin of error was 5% and the confidence level was 95%. For the calculation, the two-proportion equality, Pearson correlation and ANOVA tests were used.

Results

Among the interviewees, 43% had chronic hypertension, 33.3% presented with up to 20 weeks of gestation, 23.7% presented after the 20th week of gestation, 62.3% were between 18 and 35 years of age, 78.1% had a family history of hypertension, and among those aged 36 to 45 years, 11.4% were in the first gestation, and 26.3% in the second gestation. Considering the associated conditions, diabetes prevailed with 50%; obesity with 22.2%, and the most selected foods for consumption among pregnant women, 47.5% had high energy content (processed/ultraprocessed).

Conclusion

After an epidemiological analysis of the prevalence of hypertension, pregnant women with chronic hypertension, preexisting hypertension diagnosed during pregnancy, and hypertensive disease of pregnancy were identified. Regarding the possible factors associated with arterial hypertension, higher age, family history of hypertension, preexistence of hypertension, late pregnancies, diabetes, obesity and frequent consumption of processed/ultraprocessed foods were found.

Pregnancy complications/epidemiology; Pregnancy-induced hypertension/epidemiology; Hospitals; Health Services

RESUMO

Objetivo

Pesquisar os dados epidemiológicos da hipertensão arterial em gestantes, bem como identificar seus possíveis eventos associados.

Métodos

A coleta de dados foi realizada no ambulatório do pré-natal de alto risco e na enfermaria da maternidade em hospital público da cidade de São Paulo, nos períodos matutino e vespertino, de outubro de 2015 a julho de 2016. Foi aplicado um questionário com 22 perguntas elaborado pelos pesquisadores. A margem de erro foi de 5% e o nível de confiança, de 95%. Para o cálculo, foram usados o teste de igualdade de duas proporções, a correlação de Pearson e o teste de ANOVA.

Resultados

Dentre as entrevistadas, 43% tinham hipertensão crônica, 33,3% se apresentaram com até 20 semanas de gestação, 23,7% se apresentaram após a 20ª semana da gestação, 62,3% tinham idade entre 18 e 35 anos, 78,1% tinham antecedente familiar com hipertensão arterial, 11,4% com idade entre 36 a 45 anos estavam na primeira gestação, e 26,3% com a mesma idade estavam a partir da segunda gestação. Dentre as afecções associadas, prevaleceu o diabetes com 50%; 22,2% se tratavam de obesidade, e dos alimentos mais escolhidos para consumo entre as gestantes, 47,5% possuíam alto teor energético (processados/ultraprocessados).

Conclusão

Após análise epidemiológica no resultado da prevalência da hipertensão arterial, foram encontradas gestantes com hipertensão arterial crônica, hipertensão arterial preexistente descoberta durante a gestação e doença hipertensiva específica da gestação. Em relação aos possíveis fatores associados à hipertensão arterial, foram encontrados: idade mais elevada, antecedentes familiares de hipertensão, preexistência de hipertensão, gestações tardias, diabetes, obesidade e frequente consumo de alimentos processados/ultraprocessados.

Complicações na gravidez/epidemiologia; Hipertensão induzida pela gravidez/epidemiologia; Hospitais; Serviços de Saúde

INTRODUÇÃO

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição clínica caracterizada por níveis persistentes de pressão arterial sistólica (≥140mmHg) e diastólica (≥90mmHg), confirmadas em duas aferições no membro superior direito com o paciente em repouso sentado, em intervalos de 4 a 6 horas, por um período mínimo de 2 semanas.( 11. Andrade SS, Stopa SR, Brito AS, Chueri PS, Szwarcwald CL, Malta DC. Prevalência de hipertensão arterial auto-referida na população brasileira: análise da pesquisa nacional de saúde, 2013. Epidemiol Serv Saude. 2015; 24(2):297-304. , 22. Townsend R, O’Brien P, Khalil A. Current best practice in the management of hypertensive disorders in pregnancy. Integr Blood Press Control. 2016;9:79-94. )

Classificada como primária (essencial) ou secundária, diferencia-se segundo a origem, sendo a primária idiopática, e a secundária, quando deriva de outras patologias, como diabetes, obesidade e dislipidemia. Ambas têm necessidade de controle laboratorial cuidadoso, tratamento com medicamentos e, em certos casos, até cirúrgico.( 11. Andrade SS, Stopa SR, Brito AS, Chueri PS, Szwarcwald CL, Malta DC. Prevalência de hipertensão arterial auto-referida na população brasileira: análise da pesquisa nacional de saúde, 2013. Epidemiol Serv Saude. 2015; 24(2):297-304. , 33. Siqueira AS, Siqueira-Filho AG, Land MG. Análise do Impacto Econômico das Doenças Cardiovasculares nos Últimos Cinco Anos no Brasil. Arq Bras Cardiol. 2017;109(1):39-46. )

Afecção de elevada incidência e mortalidade, a HAS prevalece em quase metade da população brasileira e evolui mundialmente em mortalidade, sendo classificada como pandemia longitudinalmente progressiva.( 11. Andrade SS, Stopa SR, Brito AS, Chueri PS, Szwarcwald CL, Malta DC. Prevalência de hipertensão arterial auto-referida na população brasileira: análise da pesquisa nacional de saúde, 2013. Epidemiol Serv Saude. 2015; 24(2):297-304. , 44. Ribeiro JF, Rodrigues CO, Bezerra VO, Soares MS, Sousa PG. Caracterização sócio demográfica e clínica da parturiente com pré-eclâmpsia. Rer Enferm UFPE. 2015;9(5):7917-23. )

Evidencia-se que, além de sua alta mortalidade, também predispõe ao desenvolvimento de outras doenças cardiovasculares e renais, como acidentes vasculares cerebrais, infarto agudo do miocárdio e falência renal.( 11. Andrade SS, Stopa SR, Brito AS, Chueri PS, Szwarcwald CL, Malta DC. Prevalência de hipertensão arterial auto-referida na população brasileira: análise da pesquisa nacional de saúde, 2013. Epidemiol Serv Saude. 2015; 24(2):297-304. , 44. Ribeiro JF, Rodrigues CO, Bezerra VO, Soares MS, Sousa PG. Caracterização sócio demográfica e clínica da parturiente com pré-eclâmpsia. Rer Enferm UFPE. 2015;9(5):7917-23. )

O diagnóstico da HAS é obtido de aferições rotineiras dos níveis pressóricos, por vezes complementadas por exames laboratoriais específicos, análises clínicas e epidemiológicas, mas a primeira intervenção frequentemente é tardia, pois nem sempre o paciente é sintomático.( 11. Andrade SS, Stopa SR, Brito AS, Chueri PS, Szwarcwald CL, Malta DC. Prevalência de hipertensão arterial auto-referida na população brasileira: análise da pesquisa nacional de saúde, 2013. Epidemiol Serv Saude. 2015; 24(2):297-304. , 55. Dutra DD, Duarte MC, Albuquerque CF, Lima AS, Santos JS, Souto HC. Doenças cardiovasculares e fatores associados em adultos e idosos cadastrados em uma unidade básica de saúde. J Res Fundam Care Online. 2016;8(2):4501-9. )Consequentemente, quando surgem os sintomas característicos, já pode existir complicações sistêmicas e até mesmo lesões em órgãos-alvo, como encéfalo, coração, pulmões e rins. Se não diagnosticada e tratada precocemente, o risco de morbimortalidade é maior.( 11. Andrade SS, Stopa SR, Brito AS, Chueri PS, Szwarcwald CL, Malta DC. Prevalência de hipertensão arterial auto-referida na população brasileira: análise da pesquisa nacional de saúde, 2013. Epidemiol Serv Saude. 2015; 24(2):297-304. , 55. Dutra DD, Duarte MC, Albuquerque CF, Lima AS, Santos JS, Souto HC. Doenças cardiovasculares e fatores associados em adultos e idosos cadastrados em uma unidade básica de saúde. J Res Fundam Care Online. 2016;8(2):4501-9. )

Os principais fatores de riscos epidemiológicos de HAS são consumo excessivo de sódio, antecedentes familiares, de etnia, diabetes, obesidade, hipotireoidismo, tensão, ingestão de álcool, dieta alimentar desregrada, sedentarismo, fatores psicológicos, dislipidemia, tabagismo e fatores socioeconômicos, socioambientais e culturais.( 11. Andrade SS, Stopa SR, Brito AS, Chueri PS, Szwarcwald CL, Malta DC. Prevalência de hipertensão arterial auto-referida na população brasileira: análise da pesquisa nacional de saúde, 2013. Epidemiol Serv Saude. 2015; 24(2):297-304. , 44. Ribeiro JF, Rodrigues CO, Bezerra VO, Soares MS, Sousa PG. Caracterização sócio demográfica e clínica da parturiente com pré-eclâmpsia. Rer Enferm UFPE. 2015;9(5):7917-23. , 55. Dutra DD, Duarte MC, Albuquerque CF, Lima AS, Santos JS, Souto HC. Doenças cardiovasculares e fatores associados em adultos e idosos cadastrados em uma unidade básica de saúde. J Res Fundam Care Online. 2016;8(2):4501-9. )

Quando em gestantes, a prevalência da HAS é igualmente elevada, considerando as preexistentes e aquelas que desenvolvem a afecção no decorrer da gestação. Com alto percentual de incidência no Brasil e no mundo, a HAS manifesta-se em gestantes de todas as idades e é a maior causa de morte materna em obstetrícia.( 22. Townsend R, O’Brien P, Khalil A. Current best practice in the management of hypertensive disorders in pregnancy. Integr Blood Press Control. 2016;9:79-94. , 66. Silva SN, Santos MA, Campos NP, Souza C, Gonzaga MM, Pereira MR, Soares DA. A importância do pré-natal na prevenção da toxicemia gravídica e o papel do enfermeiro. Rev Saúde Foco. 2017;9:16.

7. Guerreiro DD, Borges WD, Nunes HH, Silva SC, Maciel JP. Mortandade materna relacionada à Doença Hipertensiva Específica da Gestação (DHEG) em uma maternidade do Pará. Rev Enferm UFSM. 2014;4(4):82534.

8. Melo AW, Alves JI, Ferreira AA, Souza VS, Maran E. Gestação de alto risco: fatores associados em um município do noroeste paranaense. Rev Saúde Pública Paraná. 2016;17(1):82-91.
- 99. Kintiraki E, Papakatsika S, Kotronis G, Goulis DG, Kotsis V. Pregnancy-Induced hypertension. Hormones (Athens). 2015;14(2):211-23. )Estudos realizados na cidade de Helsinquia, na Finlândia, e na Grécia revelam que filhos de mães que são atualmente acometidas por complicações relacionadas à HAS na gestação, podem futuramente apresentar deficiência cognitiva, problemas psiquiátricos e maior tendência a sofrer síndrome metabólica.( 22. Townsend R, O’Brien P, Khalil A. Current best practice in the management of hypertensive disorders in pregnancy. Integr Blood Press Control. 2016;9:79-94. , 99. Kintiraki E, Papakatsika S, Kotronis G, Goulis DG, Kotsis V. Pregnancy-Induced hypertension. Hormones (Athens). 2015;14(2):211-23. )Problema importante de saúde pública e saúde da mulher incide mais comumente em primigestas, multíparas com idade tardia para a gravidez, gestante obesa e naquelas com antecedente familiar de hipertensão arterial. As gravidas nestas condições também apresentam maior risco de desenvolver diabetes gestacional e diabetes tipo 2.( 88. Melo AW, Alves JI, Ferreira AA, Souza VS, Maran E. Gestação de alto risco: fatores associados em um município do noroeste paranaense. Rev Saúde Pública Paraná. 2016;17(1):82-91. , 1010. Massa AC, Rangel R, Cardoso M, Campos A. Gestational diabetes and the new screening test’s impact. Acta Med Port. 2015;28(1):29-34. , 1111. Gomes E, Soares AL, Campos R. Obesidade e gravidez: conhecer para atuar precocemente? A realidade numa unidade de saúde familiar. Rev Port Endocrinol Diabetes Metab. 2013;8(1):16-20. )

A hipertensão preexistente na gravidez pode ser diagnosticada antes da concepção ou até a 20ª semana, sendo considerada doença hipertensiva específica da gestação (DHEG) após esta data e até 42 dias pós-parto.( 22. Townsend R, O’Brien P, Khalil A. Current best practice in the management of hypertensive disorders in pregnancy. Integr Blood Press Control. 2016;9:79-94. , 44. Ribeiro JF, Rodrigues CO, Bezerra VO, Soares MS, Sousa PG. Caracterização sócio demográfica e clínica da parturiente com pré-eclâmpsia. Rer Enferm UFPE. 2015;9(5):7917-23. , 99. Kintiraki E, Papakatsika S, Kotronis G, Goulis DG, Kotsis V. Pregnancy-Induced hypertension. Hormones (Athens). 2015;14(2):211-23. )Os dados aqui expostos esclarecem os motivos pelos quais a afecção é caracterizada como situação de alto risco para a gravidez.( 66. Silva SN, Santos MA, Campos NP, Souza C, Gonzaga MM, Pereira MR, Soares DA. A importância do pré-natal na prevenção da toxicemia gravídica e o papel do enfermeiro. Rev Saúde Foco. 2017;9:16. , 88. Melo AW, Alves JI, Ferreira AA, Souza VS, Maran E. Gestação de alto risco: fatores associados em um município do noroeste paranaense. Rev Saúde Pública Paraná. 2016;17(1):82-91. )

O Ministério da Saúde conceitua gestação de alto risco a condição na qual a vida ou a saúde da mãe ou do feto/recém-nascido correm risco.( 1212. Brasil, Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Morte Materna no Brasil. Boletim Epidemiol. 2012;43(1):1-7. , 1313. Ceará (Estado). Governo do Estado do Ceará. Informe Epidemiológico Mortalidade Materna [Internet]. Ceará; 2015 [citado 2019 Abr 22]. Disponível em: https://www.saude.ce.gov.br/wp-content/uploads/sites/9/2018/06/informe_mortalidade_materna_junho_2015.pdf
https://www.saude.ce.gov.br/wp-content/u...
)

As complicações da hipertensão na gestação são principalmente abortamento, parto prematuro, restrição do crescimento fetal, descolamento da placenta, sofrimento fetal e afecções em órgãos vitais após o nascimento.( 88. Melo AW, Alves JI, Ferreira AA, Souza VS, Maran E. Gestação de alto risco: fatores associados em um município do noroeste paranaense. Rev Saúde Pública Paraná. 2016;17(1):82-91. , 1414. Alzate A, Herrera-Medina R, Pineda LM. La prevención de la pre-eclampsia: un estudio de casos y controles anidadoen una cohorte. Colomb Med. 2015; 46(4):156-61.

15. Ribeiro FD, Ferrari RA, Sant’Anna FL, Dalmas JC, Girotto E. Extremos de idade materna e mortalidade infantil: análise entre 2000 e 2009. Rev Paul Pediatr. 2014;32(4):381-8.
- 1616. Oliveira AC, Graciliano NG. Síndrome hipertensiva da gravidez e diabetes mellitus gestacional em uma maternidade pública de uma capital do Nordeste Brasileiro, 2013: prevalência e fatores associados. Epidemiol Serv Saude. 2015;24(3):441-51. )A situação mais grave, no entanto, é quando a doença evolui para pré-eclâmpsia, eclâmpsia ou síndrome hemólise, elevação de enzimas hepáticas e baixa contagem de plaquetas (HELLP), que são síndromes de elevado risco para a vida materna.( 1717. Morais ÉP, Podestá MH, Souza WA, Ferreira EB. Hipertensão arterial na gestação: avaliação da adesão ao tratamento. Rev Univ Vale do Rio Verde. 2015;13(2):139-51.

18. Costa LD, Cura CC, Perondi AR, França VF, Bortoloti DS. Perfil epidemiológico de gestantes de alto risco. Cogitare Enferm. 2016;21(2):1-8.
- 1919. Coutinho EC, Silva AL, Pereira CM, Almeida AI, Nelas PA, Parreira VB, et al. Health care to immigrant and Portuguese pregnant women in Portugal. Rev Esc Enferm USP. 2014;48(2):9-16. )Desta forma é importante pesquisar quais fatores epidemiológicos contribuem para o surgimento da HAS em gestantes.

OBJETIVO

Pesquisar os dados epidemiológicos da hipertensão arterial em gestantes, bem como identificar seus possíveis eventos associados.

MÉTODOS

Estudo descritivo de prevalência. A idade definida para o estudo foi de 10 a 55 anos, conforme boletim epidemiológico do Ministério da Saúde,( 1313. Ceará (Estado). Governo do Estado do Ceará. Informe Epidemiológico Mortalidade Materna [Internet]. Ceará; 2015 [citado 2019 Abr 22]. Disponível em: https://www.saude.ce.gov.br/wp-content/uploads/sites/9/2018/06/informe_mortalidade_materna_junho_2015.pdf
https://www.saude.ce.gov.br/wp-content/u...
)que aponta mulheres grávidas a partir dos 10 anos, tendo sido encontradas, porém, gestantes com idade entre 18 a 45 anos. A coleta de dados foi realizada no Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) “Francisco Morato de Oliveira”, um hospital público localizado em São Paulo (SP), no ambulatório de ginecologia (pré-natal de alto risco) e na enfermaria da maternidade, nos períodos matutino e vespertino, de outubro de 2015 a julho de 2016. Foi aplicado um questionário com 22 perguntas elaborado pelos pesquisadores, apresentado e aprovado pelo Comitê de Ética. A amostra de 114 mulheres foi fundamentada pela média mensal do atendimento das consultas das gestantes de alto risco. Todas as consultas foram agendadas pela Internet: www.iamspe.sp.gov.br, pelo telefone de número (011) 55837001 e pelo atendimento presencial localizado na central de atendimento Avenida Ibirapuera, 981 – São Paulo (SP) | CEP: 04029-000 | CNPJ: 60.747.318/0001-62. Ficando, portanto todas as informações registradas no banco de dados MV sistema de consulta do ambulatório de ginecologia, (fonte: Diretoria de Ginecologia do IASMPE – HSPE). A margem de erro foi de 5%, e o nível de confiança, de 95%. Para o cálculo, foram usados o teste de igualdade de duas proporções, a correlação de Pearson e o teste de Análise de Variância (ANOVA).

Foram incluídas na pesquisa gestantes com diagnóstico de HAS. Finalizada a pesquisa, com auxilio estatístico, foram tabulados os dados nos softwares (SPSS), versão 20; Minitab 16; e Excel Office 2010.

Todas gestantes leram e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Foram atendidas as normas da resolução 466/12, do Conselho Nacional de Saúde, cadastrado na Plataforma Brasil e submetido ao Comitê de Ética do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (IAMSPE) com parecer favorável 1.197.330, CAAE: 47993315.4.00005.463.

RESULTADOS

A amostra estudada foi de 114 gestantes atendidas no ambulatório e nas enfermarias da maternidade, no período de outubro de 2015 a julho de 2016. Eram funcionárias públicas ou dependentes de funcionários que tinham direito de usufruir dos serviços prestados pelo HSPE. As gestantes que desempenhavam atividades externas tinham suas funções nas áreas de níveis operacionais, médio, técnico e superior. Receberam assistência ambulatorial, e 26 (22,8%) foram internadas para o controle da hipertensão arterial e outras intercorrências. Para algumas mulheres aconteceram de 1 a 3 internações. Até o término desta pesquisa 24 (21,1%) chegaram ao final da gestação com o nascimento dos seus filhos. Não houve relatos de emergência/urgência que resultassem em óbito de mãe ou filho.

Na tabela 1 , foram encontradas 71 (62,3%) gestantes com idade entre 18 a 35 anos, 70 (61,4%) eram da cor branca, 79 (69,3%) eram casadas e 12 (10,5%) viviam em união estável; 32 (28,1%) com idade entre 18 a 35 anos estavam na primeira gestação e 39 (34,2%) com a mesma idade na segunda gestação; 91 (79,8%) mulheres residiam em casa própria, 75 (65,8%) moravam com até 5 pessoas na mesma casa; 95 (83,3%) mantinham vínculo empregatício, 53 (46,5%) recebiam de 1 a 3 salários mínimos (salário mínimo de R$ 880,00, em 2016), e 43 (37,7%) possuíam Ensino Superior completo.

Tabela 1
Dados sociodemográficos das gestantes hipertensas (n=114)

A tabela 2 mostra que 49 (43%) gestantes tinham hipertensão crônica; 38 (33,3%) apresentaram HAS com até 20 semanas de gestação e 27 (23,7%) com mais de 20 semanas de gestação; 36 (31,6%) tinham apresentado HAS em outras gestações. No presente estudo, com exceção das primigestas (45 gestantes), com as demais (69 gestantes) em gestações anteriores 14 (20,2%) delas tiveram abortamento, 19 (27,4%) tiveram partos por cesárea e 36 (52,4%) tiveram partos normais. Ao ser diagnosticada a doença, 114 (100%) gestantes foram medicadas e mantiveram a terapia medicamentosa; 89 (78,1%) tinham antecedente familiar de HAS, 114 (100%) referiram não consumir bebida alcoólica ou tabaco, e 68 (59,6%) iniciaram atividade sexual com idade entre 15 e 19 anos. Setenta e oito (68,4%) gestantes não tinham comorbidades, e, quando presentes, metade eram casos de diabetes. Dos alimentos mais escolhidos para consumo, 55 (47,5%) faziam parte do grupo de alimentos processados/ultraprocessados. Para relacionar tal condição, foram tabulados os alimentos escolhidos.

Tabela 2
Dados clínicos/obstétricos das gestantes hipertensas (n=114)

DISCUSSÃO

O perfil epidemiológico das gestantes hipertensas encontradas se aproxima do apresentado em estudos realizados no Brasil e em outros países.( 44. Ribeiro JF, Rodrigues CO, Bezerra VO, Soares MS, Sousa PG. Caracterização sócio demográfica e clínica da parturiente com pré-eclâmpsia. Rer Enferm UFPE. 2015;9(5):7917-23. , 88. Melo AW, Alves JI, Ferreira AA, Souza VS, Maran E. Gestação de alto risco: fatores associados em um município do noroeste paranaense. Rev Saúde Pública Paraná. 2016;17(1):82-91. , 99. Kintiraki E, Papakatsika S, Kotronis G, Goulis DG, Kotsis V. Pregnancy-Induced hypertension. Hormones (Athens). 2015;14(2):211-23. , 1515. Ribeiro FD, Ferrari RA, Sant’Anna FL, Dalmas JC, Girotto E. Extremos de idade materna e mortalidade infantil: análise entre 2000 e 2009. Rev Paul Pediatr. 2014;32(4):381-8.

16. Oliveira AC, Graciliano NG. Síndrome hipertensiva da gravidez e diabetes mellitus gestacional em uma maternidade pública de uma capital do Nordeste Brasileiro, 2013: prevalência e fatores associados. Epidemiol Serv Saude. 2015;24(3):441-51.
- 1717. Morais ÉP, Podestá MH, Souza WA, Ferreira EB. Hipertensão arterial na gestação: avaliação da adesão ao tratamento. Rev Univ Vale do Rio Verde. 2015;13(2):139-51. )

Os resultados evidenciaram gestantes mais velhas comparadas às de outros estudos,( 44. Ribeiro JF, Rodrigues CO, Bezerra VO, Soares MS, Sousa PG. Caracterização sócio demográfica e clínica da parturiente com pré-eclâmpsia. Rer Enferm UFPE. 2015;9(5):7917-23. , 77. Guerreiro DD, Borges WD, Nunes HH, Silva SC, Maciel JP. Mortandade materna relacionada à Doença Hipertensiva Específica da Gestação (DHEG) em uma maternidade do Pará. Rev Enferm UFSM. 2014;4(4):82534. , 88. Melo AW, Alves JI, Ferreira AA, Souza VS, Maran E. Gestação de alto risco: fatores associados em um município do noroeste paranaense. Rev Saúde Pública Paraná. 2016;17(1):82-91. , 1818. Costa LD, Cura CC, Perondi AR, França VF, Bortoloti DS. Perfil epidemiológico de gestantes de alto risco. Cogitare Enferm. 2016;21(2):1-8. )já que 62,3% das gestantes tinham entre 18 e 35 anos, e 37,7% tinham entre 36 a 45 anos. Tais números apontaram para gestações tardias corroborando informações do Ministério da Saúde, que apontam estas idades como fator de riscos materno.( 1313. Ceará (Estado). Governo do Estado do Ceará. Informe Epidemiológico Mortalidade Materna [Internet]. Ceará; 2015 [citado 2019 Abr 22]. Disponível em: https://www.saude.ce.gov.br/wp-content/uploads/sites/9/2018/06/informe_mortalidade_materna_junho_2015.pdf
https://www.saude.ce.gov.br/wp-content/u...
)Dados obtidos pelo Instituto da Mulher, em Francisco Beltrão (PR), registraram índice superior: em 82% das gestantes, a idade variou de 15 e 35 anos. Este total incluiu idades entre 15 e 17 anos, o que não ocorreu no presente estudo.( 1818. Costa LD, Cura CC, Perondi AR, França VF, Bortoloti DS. Perfil epidemiológico de gestantes de alto risco. Cogitare Enferm. 2016;21(2):1-8. )

Quanto às etnias, esta pesquisa apresentou 61,4% das mulheres de cor branca, diferente de outros estudos consultados,( 11. Andrade SS, Stopa SR, Brito AS, Chueri PS, Szwarcwald CL, Malta DC. Prevalência de hipertensão arterial auto-referida na população brasileira: análise da pesquisa nacional de saúde, 2013. Epidemiol Serv Saude. 2015; 24(2):297-304. , 99. Kintiraki E, Papakatsika S, Kotronis G, Goulis DG, Kotsis V. Pregnancy-Induced hypertension. Hormones (Athens). 2015;14(2):211-23. )que apresentaram a cor negra como prevalente para hipertensão arterial. É importante ressaltar que tal característica pode estar relacionada aos perfis das gestantes e do local onde o estudo foi realizado. Resultado semelhante ao desta pesquisa foi encontrado em outro estudo de gestantes com síndromes hipertensivas, com 62,3% de cor branca.( 1818. Costa LD, Cura CC, Perondi AR, França VF, Bortoloti DS. Perfil epidemiológico de gestantes de alto risco. Cogitare Enferm. 2016;21(2):1-8. )

Os resultados para esta população deixam evidente que a maioria das mulheres prefere engravidar dentro de um relacionamento mais consolidado, uma vez que a estabilidade colabora para a evolução da gestação, do estado emocional e financeiramente.( 88. Melo AW, Alves JI, Ferreira AA, Souza VS, Maran E. Gestação de alto risco: fatores associados em um município do noroeste paranaense. Rev Saúde Pública Paraná. 2016;17(1):82-91. )Ainda, 69,3% reportaram ser casadas e 10,5% tinham união estável. São dados aproximados aos de estudo de Morais et al., que registraram 71,05% das gestantes com hipertensão casadas e 15,79% em união consensual.( 1717. Morais ÉP, Podestá MH, Souza WA, Ferreira EB. Hipertensão arterial na gestação: avaliação da adesão ao tratamento. Rev Univ Vale do Rio Verde. 2015;13(2):139-51. )

Referente ao número de gestações, foi confirmado índice de mulheres com mais idade. Isso porque 13 (11,4%) com 36 a 45 anos ainda estavam na primeira gestação e 30 (26,3%) com a mesma idade estavam a partir da segunda gestação, caracterizando a idade tardia para estas gestantes.( 1717. Morais ÉP, Podestá MH, Souza WA, Ferreira EB. Hipertensão arterial na gestação: avaliação da adesão ao tratamento. Rev Univ Vale do Rio Verde. 2015;13(2):139-51. )Foi observado que 37,7% das gestantes tinham Ensino Superior completo, fato que pode justificar em parte o adiamento da maternidade. Índice maior (50% com Ensino Superior completo) foi encontrado em estudo no Centro de Saúde da Região Central do Porto, em Portugal, com gestantes imigrantes e portuguesas.( 1919. Coutinho EC, Silva AL, Pereira CM, Almeida AI, Nelas PA, Parreira VB, et al. Health care to immigrant and Portuguese pregnant women in Portugal. Rev Esc Enferm USP. 2014;48(2):9-16. )

Do total, 65,8% das gestantes residiam com uma a cinco pessoas, e 28,9% moravam com mais de cinco pessoas. Oliveira et al.,( 1616. Oliveira AC, Graciliano NG. Síndrome hipertensiva da gravidez e diabetes mellitus gestacional em uma maternidade pública de uma capital do Nordeste Brasileiro, 2013: prevalência e fatores associados. Epidemiol Serv Saude. 2015;24(3):441-51. )apresentaram índices maiores em estudo de gestantes hipertensas, com 27,5% relatando residir com até cinco membros da família e as demais 72,5% morando com mais de cinco membros na mesma casa. Também evidenciaram que o aumento do número de companhias domiciliares é proporcional ao risco gestacional. Gera na gestante tensão, complicações na gravidez, desconforto, mais gastos financeiros e conflitos familiares.( 1616. Oliveira AC, Graciliano NG. Síndrome hipertensiva da gravidez e diabetes mellitus gestacional em uma maternidade pública de uma capital do Nordeste Brasileiro, 2013: prevalência e fatores associados. Epidemiol Serv Saude. 2015;24(3):441-51. )

Neste estudo, 83,3% das gestantes trabalhavam fora de casa. Mulheres com suas ocupações externas em geral são mais esclarecidas, trocam informações relacionando-se com outras pessoas e constroem atitudes próprias referentes aos cuidados na gestação.( 44. Ribeiro JF, Rodrigues CO, Bezerra VO, Soares MS, Sousa PG. Caracterização sócio demográfica e clínica da parturiente com pré-eclâmpsia. Rer Enferm UFPE. 2015;9(5):7917-23. )No Instituto da Mulher, Francisco Beltrão (PR), 63,7% trabalhavam em serviços externos.( 1818. Costa LD, Cura CC, Perondi AR, França VF, Bortoloti DS. Perfil epidemiológico de gestantes de alto risco. Cogitare Enferm. 2016;21(2):1-8. )

Quanto à renda familiar, 46,5% recebiam de um a três salários mínimos, 34,2% de três a cinco salários, e 11,4% acima de cinco salários mínimos. Em análise geral, pode-se concluir que o nível socioeconômico das pesquisadas foi, em média, satisfatório, permitindo aquisição de moradia, melhor condição do deslocamento para consultas e cuidados relacionados à sua saúde durante a gestação. Este fato foi confirmado em pesquisa em maternidade pública em Teresina (PI), onde foi encontrado menor poder aquisitivo, de um a três salários mínimos em 45,4% das gestantes com hipertensão.( 44. Ribeiro JF, Rodrigues CO, Bezerra VO, Soares MS, Sousa PG. Caracterização sócio demográfica e clínica da parturiente com pré-eclâmpsia. Rer Enferm UFPE. 2015;9(5):7917-23. )Acerca do período em que as entrevistadas iniciaram a atividade sexual, 59,6% o fizeram com idade entre 15 e 19 anos. Trabalho desenvolvido em escola pública de referência em Bezerros (PE) mostrou que 59,3% das adolescentes tiveram sua primeira atividade sexual entre 15 e 19 anos.( 2020. Arruda FS, Oliveira FM, Lima RE, Peres AL. Conhecimento e pratica na realização do exame de Papanicolau e infecção por HPV em Adolescentes de Escola Pública. Rev Med (São Paulo). 2013;27(4):59-66. )

No presente estudo, com exceção das primigestas (45 gestantes), com as demais (69 gestantes) em gestações anteriores 20,2% delas tiveram abortamento e 27,4% tiveram partos por cesárea, tendo em vista que para algumas gestantes aconteceram mais de um evento. Na Unidade Básica de Saúde do Município de Paranavaí (PR), 26,8% das gestantes apresentaram anteriormente um a três episódios de abortamentos. Ambas as pesquisas sugerem que a HAS é fator de risco para o abortamento.( 88. Melo AW, Alves JI, Ferreira AA, Souza VS, Maran E. Gestação de alto risco: fatores associados em um município do noroeste paranaense. Rev Saúde Pública Paraná. 2016;17(1):82-91. )Em relação aos partos por cesárea, no Brasil, a prevalência está perto de 56%. A justificativa para este índice ainda não foi totalmente definida, e a HAS não é apontada como fator determinante para este procedimento.( 88. Melo AW, Alves JI, Ferreira AA, Souza VS, Maran E. Gestação de alto risco: fatores associados em um município do noroeste paranaense. Rev Saúde Pública Paraná. 2016;17(1):82-91.

9. Kintiraki E, Papakatsika S, Kotronis G, Goulis DG, Kotsis V. Pregnancy-Induced hypertension. Hormones (Athens). 2015;14(2):211-23.

10. Massa AC, Rangel R, Cardoso M, Campos A. Gestational diabetes and the new screening test’s impact. Acta Med Port. 2015;28(1):29-34.

11. Gomes E, Soares AL, Campos R. Obesidade e gravidez: conhecer para atuar precocemente? A realidade numa unidade de saúde familiar. Rev Port Endocrinol Diabetes Metab. 2013;8(1):16-20.

12. Brasil, Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Morte Materna no Brasil. Boletim Epidemiol. 2012;43(1):1-7.
- 1313. Ceará (Estado). Governo do Estado do Ceará. Informe Epidemiológico Mortalidade Materna [Internet]. Ceará; 2015 [citado 2019 Abr 22]. Disponível em: https://www.saude.ce.gov.br/wp-content/uploads/sites/9/2018/06/informe_mortalidade_materna_junho_2015.pdf
https://www.saude.ce.gov.br/wp-content/u...
)O Ministério da Saúde aconselha o parto vaginal para gestante de alto risco.( 88. Melo AW, Alves JI, Ferreira AA, Souza VS, Maran E. Gestação de alto risco: fatores associados em um município do noroeste paranaense. Rev Saúde Pública Paraná. 2016;17(1):82-91.

9. Kintiraki E, Papakatsika S, Kotronis G, Goulis DG, Kotsis V. Pregnancy-Induced hypertension. Hormones (Athens). 2015;14(2):211-23.

10. Massa AC, Rangel R, Cardoso M, Campos A. Gestational diabetes and the new screening test’s impact. Acta Med Port. 2015;28(1):29-34.

11. Gomes E, Soares AL, Campos R. Obesidade e gravidez: conhecer para atuar precocemente? A realidade numa unidade de saúde familiar. Rev Port Endocrinol Diabetes Metab. 2013;8(1):16-20.

12. Brasil, Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Morte Materna no Brasil. Boletim Epidemiol. 2012;43(1):1-7.
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https://www.saude.ce.gov.br/wp-content/u...
)

Referente à idade gestacional, é mais comum a HAS ser diagnosticada a partir da 20ª semana, fato que define a DHEG,( 22. Townsend R, O’Brien P, Khalil A. Current best practice in the management of hypertensive disorders in pregnancy. Integr Blood Press Control. 2016;9:79-94. , 66. Silva SN, Santos MA, Campos NP, Souza C, Gonzaga MM, Pereira MR, Soares DA. A importância do pré-natal na prevenção da toxicemia gravídica e o papel do enfermeiro. Rev Saúde Foco. 2017;9:16. )e que ocorreu nesta pesquisa com 23,7% das gestantes. Em 33,3% das grávidas a hipertensão arterial aconteceu com até 20 semanas de gravidez, revelando hipertensão prévia desconhecida. Tal fato tem como base estudos realizados nos Estados do Brasil e de outros países que referem nesses casos tratar-se de hipertensão preexistente.( 22. Townsend R, O’Brien P, Khalil A. Current best practice in the management of hypertensive disorders in pregnancy. Integr Blood Press Control. 2016;9:79-94. , 44. Ribeiro JF, Rodrigues CO, Bezerra VO, Soares MS, Sousa PG. Caracterização sócio demográfica e clínica da parturiente com pré-eclâmpsia. Rer Enferm UFPE. 2015;9(5):7917-23. , 99. Kintiraki E, Papakatsika S, Kotronis G, Goulis DG, Kotsis V. Pregnancy-Induced hypertension. Hormones (Athens). 2015;14(2):211-23. )Importante salientar que, dentre as gestantes estudadas, 43% tinham declarado o diagnóstico de hipertensão arterial crônica antes da atual gestação. Assim, quase metade das gestantes desta pesquisa ficou grávida já hipertensa, o que realçou a importância do pré-natal iniciar-se precocemente.( 66. Silva SN, Santos MA, Campos NP, Souza C, Gonzaga MM, Pereira MR, Soares DA. A importância do pré-natal na prevenção da toxicemia gravídica e o papel do enfermeiro. Rev Saúde Foco. 2017;9:16. , 2121. Herrera JA, Herrera-Medina R, Herrera-Escobar JP, Nieto-Díaz A. Reducción de La mortalidad maternal por pré-eclampsia em Colombia – Un, análisis de serie interrumpida de tiempo. Colomb Med. 2014;45(1):25-31. )

Quanto à questão referente aos medicamentos anti-hipertensivos, 100% das gestantes foram medicadas diante do diagnóstico da hipertensão e aderiram continuamente ao tratamento. Isto mostra o comprometimento da população estudada com o tratamento. No estudo de Morais et al.,( 1717. Morais ÉP, Podestá MH, Souza WA, Ferreira EB. Hipertensão arterial na gestação: avaliação da adesão ao tratamento. Rev Univ Vale do Rio Verde. 2015;13(2):139-51. )foram consideradas as seguintes classificações: alta adesão (adesão total) em 18,4%; média adesão em 63,2%; baixa adesão em 18,4%. Os fatores que mais colaboraram com a variação da classificação desses índices foram o esquecimento e o surgimento de sinais e sintomas colaterais desagradáveis quando tomavam os medicamentos, fatores que as fizeram diminuir a frequência do uso diário dos medicamentos anti-hipertensivos.( 1717. Morais ÉP, Podestá MH, Souza WA, Ferreira EB. Hipertensão arterial na gestação: avaliação da adesão ao tratamento. Rev Univ Vale do Rio Verde. 2015;13(2):139-51. )Em ambos os estudos, devem ser considerados o desenvolvimento socioeconômico dos locais em questão, o nível de orientações, as condições do local de tratamento e os aspectos culturais das populações estudadas.

Do total de respondentes, 78,1% disseram ter antecedente familiar de hipertensão, e este achado foi o dado clínico mais incidente da presente pesquisa. Em estudo no Hospital Universitário de Maceió, Alagoas (AL), 54,6% das gestantes com hipertensão tinham histórico familiar da doença, e foi maior a incidência em mulheres cujo parentesco de HAS era mais próximo (pai e mãe).( 1616. Oliveira AC, Graciliano NG. Síndrome hipertensiva da gravidez e diabetes mellitus gestacional em uma maternidade pública de uma capital do Nordeste Brasileiro, 2013: prevalência e fatores associados. Epidemiol Serv Saude. 2015;24(3):441-51. )Isto reforça que esta condição é fator importante para classificar a gestação como de alto risco.( 1616. Oliveira AC, Graciliano NG. Síndrome hipertensiva da gravidez e diabetes mellitus gestacional em uma maternidade pública de uma capital do Nordeste Brasileiro, 2013: prevalência e fatores associados. Epidemiol Serv Saude. 2015;24(3):441-51. )

Quanto ao consumo de álcool e tabaco, 100% das gestantes disseram não cultivar tais hábitos. O resultado deste estudo reflete no perfil da população estudada, que mostrava ter ciência dos riscos que corriam quanto ao uso de tais substâncias, visto que a maioria trabalhava na área da saúde, da educação e da administração, e estava em constante troca de conhecimentos com outras pessoas. Ainda sobre a ingestão de bebida alcoólica e o uso de tabaco, os resultados sugeriram controvérsia, como a sonegação de informações, talvez pelo constrangimento diante da presença da pesquisadora ou por se sentirem responsáveis por eventual dano futuro ao filho. Rocha et al., encontraram índice diferente: 11,3% eram tabagistas e 16% consumiam bebida alcoólica.( 2222. Rocha RS, Bezerra SC, Lima JW, Costa FS. Consumo de medicamentos, álcool e fumo na gestação e avaliação dos riscos teratogênicos. Rev Gaúcha Enferm. 2013;34(2):37-45. )

É importante salientar que a HAS se associa com outras doenças. Encontramos 31,6% de associações nas gestantes, sendo esta comorbidade o diabetes em 50% dos casos. O diabetes também se associa à obesidade e à idade tardia, dois importantes fatores de risco. Estes dados foram confirmados em outros estudos sobre diabetes.( 2323. Noctor E, Dunne FP. Type 2 diabetes after gestational diabetes: the influence of changing diagnostic criteria. World J Diabetes. 2015;6(2):234-44.

24. Shukla A, Burute S, Meena A. Maternal and fetal outcome in gestational diabetes - A retrospective study. Int J Appl Res. 2017;3(9):305-9.
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Durante a análise das associações, foi descoberta outra afecção: do total das afecções autodeclaradas 22,2% delas eram obesidade. Estudo no Hospital Universitário de Maceió, Alagoas (AL), concluiu que o índice de massa corporal agravado pela gestação contribui para o surgimento de diabetes, hipertensão arterial, alto índice de partos cirúrgicos eletivos ou por emergências, hemorragia pós-parto e, ainda, para a permanência da obesidade após o parto.( 1616. Oliveira AC, Graciliano NG. Síndrome hipertensiva da gravidez e diabetes mellitus gestacional em uma maternidade pública de uma capital do Nordeste Brasileiro, 2013: prevalência e fatores associados. Epidemiol Serv Saude. 2015;24(3):441-51. )

A escolha dos alimentos que consumiram predominantemente durante a gestação resultou em 47,5% de alimentos processados/ultraprocessados (refrigerantes, doces, salgadinhos industrializados, massas, embutidos e temperos artificiais).( 2626. Melere C, Hoffmann JF, Nunes MA, Drehmer M, Buss C, Ozcariz SG, et al. Índice de alimentação saudável para gestantes: adaptação para uso em gestantes brasileira. Rev Saude Publica. 2013;47(1):20. , 2727. Louzada MLC, Martins APB, Canella DS, BaraldiI LG, Levy RB, Claro RM, Et al. Alimentos ultraprocessados e perfil nutricional da dieta no Brasil. Rev Saúde Pública. 2015;49:38. )Estudos evidenciam que a nutrição inadequada pode estar associada ao surgimento da hipertensão arterial, diabetes, sobrepeso e obesidade, trazendo outros riscos e malefícios para o organismo, e dificultando o tratamento.( 2626. Melere C, Hoffmann JF, Nunes MA, Drehmer M, Buss C, Ozcariz SG, et al. Índice de alimentação saudável para gestantes: adaptação para uso em gestantes brasileira. Rev Saude Publica. 2013;47(1):20. , 2727. Louzada MLC, Martins APB, Canella DS, BaraldiI LG, Levy RB, Claro RM, Et al. Alimentos ultraprocessados e perfil nutricional da dieta no Brasil. Rev Saúde Pública. 2015;49:38. )As assistências prestadas para as gestantes desta pesquisa exerceram papel de fundamental importância na prevenção da morbidade e das mortalidades materna e perinatal, pois a pré-eclâmpsia na gestação ainda não pode ser impedida em todos os casos, porém, o óbito materno, na maioria das ocasiões, pode ser prevenido.

CONCLUSÃO

Após análise epidemiológica no resultado da prevalência da hipertensão arterial foram encontradas gestantes com hipertensão arterial crônica, hipertensão arterial preexistente descoberta durante a gestação e doença hipertensiva específica da gestação. Em relação aos possíveis fatores associados à hipertensão arterial, foram encontrados: gestantes com mais idades, antecedentes familiares de hipertensão, preexistência de hipertensão, gestações tardias, diabetes, obesidade e frequente consumo de alimentos processados/ultraprocessados.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    28 Out 2019
  • Data do Fascículo
    2020

Histórico

  • Recebido
    1 Jul 2018
  • Aceito
    7 Maio 2019
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