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Horizontes Antropológicos, Volume: 5, Issue: 10, Published: 1999
  • Apresentação Apresentação

    Fonseca, Claudia
  • Os usos da diversidade Artigos

    Geertz, Clifford

    Abstract in Portuguese:

    Resumo Ao discorrer sobre o “Futuro do Etnocentrismo”, este artigo parte da premissa de que a globalização, apesar de ter – em muitos casos – diminuído as diferenças entre povos, não tem amenizado os preconceitos e as formas de discriminação que ocorrem em nome dessas diferenças. Ele resgata a importância do antropólogo neste cenário lembrando que a diversidade cultural faz parte da sociedade complexa, remetendo-se não apenas a grupos étnicos ou nacionais bem delimitados, mas também a diferenças de geração, gênero, sexo e classe, entre outros. Neste contexto, a tolerância passiva de modos distantes de vida assim como a aceitação pragmática de nosso próprio paroquialismo são atitudes não somente intelectualmente desonestas mas também moralmente repreensíveis. É no encontro incômodo de subjetividades variantes na sua própria sociedade que o antropólogo define seu lugar.

    Abstract in English:

    Abstract Addressing “The Future of Ethnocentrism”, this article starts from the premiss that, although globalization may have, in many cases, diminished the differences which separate peoples, the prejudice and forms of discrimination which accompany these differences have not diminished. Furthermore, cultural diversity, in this scenario, is not confined to clearly delimited ethnic and national groups but includes other factors such as gender, generation, sex and class. In such a context, the pragmatic acceptation of one’s own parochialism or even the passive tolerance of distant modes of life are attitudes which are not only intellectually dishonest but morally reprehensible. It is in the uncomfortable encounters of variant subjectivities within his own society that the anthropologist defines his role.
  • Entre França e Brasil: viagens antropológicas num campo (religioso) minado Artigos

    Birman, Patrícia

    Abstract in Portuguese:

    Resumo Partindo da premissa de que o par sociológico clássico “religião/seita” não possui a mesma densidade histórica ou o mesmo valor descritivo em todos os contextos, a autora investiga as atividades de uma associação francesa empenhada no combate às “seitas”, tomando como foco de análise as acusações contra um determinado templo umbandista em Paris. As acusações, visando tanto as pretensões terapêuticas quanto as pretensões religiosas do templo, seriam calcadas numa percepção que busca traduzir experiências diversificadas em princípios únicos e de valor universal. Na sua defesa, os representantes do templo destacam sua tentativa sistemática e institucionalizada de incorporar os diferentes universos “étnicos” da sua população como meios adequados para conviver com as diferenças culturais numa mesma nação. A comparação dos dois discursos mostra como o projeto multiculturalista americano contrasta fortemente com o projeto francês de homogeneização das diferenças.

    Abstract in English:

    Abstract Working on the premiss that the classical sociological dichotomy between “religion” and “sect” does not possess the same historical density or the same descriptive value in ali contexts, the author investigates the activities of a French association created to combat “sects “, centering her analysis on accusations against a particular umbanda temple located in Paris. The accusations, aimed at both the temple’s therapeutic and religious pretensions, are couched in a perception which seeks to translate diversified experiences into unified principles of universal value. In its defense, the representatives of the temple underline their systematic and institutionalized policy of incorporating the different “ethnic” universes of its population as an adequate way of living with cultural differences within a same nation. The comparison of the two discourses underlines a strong contrast between the multicultural project typical of the Americas and the French perspective which sees the homogeneization of differences as being in the nation’s best interests.
  • Num espelho de mulher: cegueira normativa e questões de direitos humanos não resolvidas Artigos

    Nader, Laura

    Abstract in Portuguese:

    Resumo Este artigo examina as restrições que regem as declarações de direitos humanos, reconhecendo os principais avanços conceituais ao mesmo tempo em que dirige a atenção para questões não resolvidas, que são culturais na sua maioria. A cegueira normativa refere-se a questões de realce relativas a mutilações sexuais e de outra natureza, testes de armas, ou controle de armas como é visto das margens. Um reconhecimento dos abusos de direitos humanos resultantes do comercialismo global é crucial para um movimento de direitos humanos não-hegemônico enquanto a comparação exige que nos tornemos mais autoconscientes do papel do ativismo de direitos humanos euro-americano como projeto hegemônico. Um salto à frente requer uma filosofia de direitos humanos de calibre maior na qual nenhum lugar ou país ou empresa esteja isento.

    Abstract in English:

    Abstract This paper reviews the constraints governing declarations of human rights, recognizing the major conceptual progress while also directing attention to unresolved issues that are mainly cultural. Normative blindness refers to salient issues regarding sexual and other mutilations, weapons testing, or arms control as viewed from the margins. A recognition of human rights abuses resulting from global commercialism is critical to a non-hegemonic human rights movement while comparison requires us to become more self-conscious about the role of Euro-American human rights activism as a hegemonic project. A leap forward calls for a broad gauged philosophy of human rights in which no place or country or enterprise is exempt.
  • Direitos dos mais e menos humanos Artigos

    Fonseca, Claudia; Cardarello, Andrea

    Abstract in Portuguese:

    Resumo A noção de direitos humanos em sua forma abstrata e descontextualizada pouco significa. Como esta noção é traduzida na prática – e suas conseqüências particulares – depende de relações de poder forjadas em contextos históricos específicos e expressas em categorias semânticas precisas. Depois de considerar como certas categorias são eleitas como alvo merecedor de campanhas em defesa de direitos humanos, concentramo-nos na análise de programas para a institucionalização de crianças e adolescentes na FEBEM-RS, tentando ver como certos processos desencadeados pela legislação progressista acabam produzindo efeitos inesperados. Finalmente, situamos a “infância” como um discurso entre outros que mobilizam campanhas de direitos humanos. Ao atentar para a maneira como uma categoria é priorizada em detrimento de outras, desvendamos lutas simbólicas e critérios particulares que determinam – na reivindicação de direitos – quem é mais, e quem é menos, humano.

    Abstract in English:

    Abstract The notion of human rights means very little in abstract and decontextualized form. How this notion is translated into practice – and the particular consequences of this process – depends on power relations forged in specific historical contexts and expressed in precise semantic categories. After considering how certain categories are elected as privileged targets of rights campaigns, we concentrate efforts on the analysis of programs for the institutionalization of children and adolescents in the state network of reform schools (Rio Grande do Sul), calling attention to the way in which measures promoted by the new progressive legislation do not always produce the desired results. Finally, we situate “childhood” as one discourse among many used to mobilize human rights campaigns. Looking at the way one category is privileged in detriment to others, we detect how particular criteria are used to determine – in the fight for rights – who is “more” and who is “lesshuman”.
  • Quilombos e quilombolas: cidadania ou folclorização? Artigos

    Leite, Ilka Boaventura

    Abstract in Portuguese:

    Resumo O artigo enfoca o quilombo como conceito sócio-antropológico para discutir suas atuais implicações teóricas e politicas, principalmente no que diz respeito ao quadro atual de exclusão social no Brasil. Busca estabelecer um contraponto entre os atuais impasses ao entendimento do artigo 68 da Constituição brasileira que se refere às comunidades remanescentes de quilombos, e o processo de implementação em curso, dificultado por várias artimanhas e estratégias, entre as quais se destaca a folclorização da cultura e identidade negra. Aponta também para a necessidade de novos referenciais que possam superar um certo reducionismo teórico no que concerne às implicações antropológicas dos direitos específicos perante principalmente as diversas armadilhas da folclorização.

    Abstract in English:

    Abstract This article focuses on the quilombo as a socio-anthropological concept in order to discuss Us theoretical and political implications, principally those linked to social exclusion in Brazil. It aims at establishing a counterpoint between the present problems involved in the interpretation of article 68 of the Brazilian Constitution, on communities descended from runaway slaves, and the strategies applied to implement this article which include, among others, the folklorization of negro culture and negro identity, it also points out the necessity to develop new points of reference in order to overcome a certain theoretical reductionism regarding the anthropological implications of specific rights especially in face of the pitfalls of folklorization.
  • Cidadania de quem? Possibilidades e limites da antropologia Artigos

    Leal, Ondina Fachel; Anjos, José Carlos Gomes dos

    Abstract in Portuguese:

    Resumo Este trabalho – através do exemplo de um projeto de pesquisa e intervenção recém-concluído – pretende contribuir com uma discussão a respeito de cidadania naquilo que envolveria mais diretamente o nosso oficio de antropólogos. Trata-se de refletirmos sobre as possibilidades e os limites da antropologia aplicada. Adiantamos que muitos são os limites, mas damo-nos conta também que a percepção desses limites está mais diretamente vinculada com o imenso potencial crítico que a própria disciplina antropológica nos instrumentaliza do que com a avaliação, estrito senso, da eficácia da intervenção. É esta dimensão crítica associada ao fazer antropológico que pode trazer alguma real contribuição política.

    Abstract in English:

    Abstract This paper – through the evaluation of a specific research-intervention project – aims at contributing to the discussion regarding citizenship and anthropological work. It points out the limits and the possibilities of an Applied Anthropology. Given the necessary critical content of the Anthropological discipline it seems to be easier to perceive the limits of the intervention work, however, this leaves us without possibility of verifying the actual efficacy of this kind of anthropological work-indeed the only one able to give a direct political contribution.
  • Citizenship and community Artigos

    Shirley, Robert W.

    Abstract in Portuguese:

    Resumo Cidadania é um conceito complexo. E normalmente considerada em termos da relação entre um indivíduo e a nação-estado, os deveres e obrigações que acompanham a residência numa determinada unidade política. Historicamente, no entanto, a cidadania dizia respeito à comunidade ou à cidade-nação. A própria palavra (oriunda de civis) tem estas implicações. Neste artigo sugerimos que esta visão local do conceito ainda é de suma importância e que os vínculos de um indivíduo com sua comunidade local são em geral mais fortes do que seus vínculos com a nação, especialmente em países como o Brasil onde o sentimento nacional nunca foi forte.

    Abstract in English:

    Abstract “Citizenship” is a complex concept. It is usually considered as an individual’s relationship to a nation-state, the duties, obligations and rights that come with residence in a given polity. However, historically, “citizenship” was concerned with the community or city state, the word (from civis) implies this. This paper argues that this local vision of the concept is still vitally important and one’s emotional links to larger institution are usually stronger with the local community than with the nation, especially in countries such as Brazil where national feelings were never strong.
  • Quilombolas e direitos humanos no Suriname Artigos

    Price, Richard

    Abstract in Portuguese:

    Resumo Desde a independência do Suriname em 1975, o relacionamento entre o Estado e sua população quilombola (cerca de 52 mil pessoas, talvez 15% da população nacional) deteriorou. Do ponto de vista quilombola, os tipos de atrocidades associadas às guerras coloniais do século dezoito voltaram à tona. A Guerra Civil que começou em 1986, que jogou o exército nacional contra os “Jungle Commandos” (compostos principalmente de quilombolas) só fez piorar a situação dos quilombolas. Um grande julgamento pela Corte Inter-Americana de Direitos Humanos em 1992, tendo como réu o Estado do Suriname, terminou com uma vultosa indenização por danos aos quilombolas Saramaka, autores da queixa. Recentemente a situação piorou, quando os quilombolas – sem qualquer proteção legal sob a constituição do Suriname – viram as terras pelas quais os seus antepassados lutaram e morreram serem confiscadas unilateralmente pelo Estado e doadas, em concessões gigantescas, a companhias madeireiras e mineradoras multinacionais (da Indonésia, da Malásia, da China e do Canadá). O efeito das atuais políticas para os quilombolas não é nada menos do que etnocídio.

    Abstract in English:

    Abstract Since Suriname’s independence in 1975, the relationship between the State and its Maroon populations (some 52,000 people, perhaps 15% of the national population) has deteriorated. From a Maroon perspective, the kinds of atrocities associated with the eighttenth-century colonial wars have resurfaced. The Civil War that began in 1986, pitting the national army against the Jungle Commandos (made up largely of Maroons), has only worsened the Maroons’ situation. A major trial before the Inter-American Court of Human Rights in 1992, with the State of Suriname as defendant, ended with a large cash award for damages to the Saramaka Maroon plaintiffs. Recently the situation has worsened, as the Maroons – with no legal protection in the Suriname constitution – have seen the lands their ancestors fought and died for confiscated unilaterally by the State and given, in giant concessions, to multinational timber and mining companies (Indonesian, Malaysian, Chinese, and Canadian). The effect of current policies toward Maroons is nothing less than ethnocide.
  • Traficando con hombres: la antropología de la masculinidad Espaço Aberto

    Gutmann, Matthew C.

    Abstract in Portuguese:

    Resumo A antropologia sempre foi uma questão de homens falando com homens sobre homens. Apenas recentemente, alguns poucos antropólogos começaram a estudar homens enquanto homens. Este artigo considera como estes antropólogos entendem, usam e discutem a categoria de masculinidade em análises recentes. Iniciamos com a descrição de quatro maneiras distintas de definir e tratar a masculinidade, chamando atenção inclusive para a omissão curiosa da teoria feminista por parte de muitos pesquisadores. Prosseguimos com a reflexão sobre as diversas economias culturais da masculinidade, a noção de regiões culturais em relação às imagens de bravura, amizade masculina, machismo, corporalidade masculina, violência, poder, e fissuras sexuais.

    Abstract in Spanish:

    Resumen La antropología siempre ha tenido que ver con hombres hablando con hombres sobre hombres, no obstante es bastante reciente el que dentro de la disciplina unos pocos hayan realmente examinado a los hombres como hombres. Este articulo explora el cómo entienden, utilizan y discuten los antropólogos la categoría de masculinidad mediante la revisión de análisis recientes sobre los hombres como sujetos que tienen género a la vez que lo otorgan. Se comienza con las descripciones de cuatro formas distintas de definición y tratamiento de la masculinidad en la antropología, y se presta atención especial a las relaciones de diferencia, desigualdad, y mujeres con el estudio antropológico de las masculinidades, incluida la curiosa omisión de la teoría feminista por patie de numerosos antropólogos estudiosos de lo varonil. Los temas específicos que se discuten abarcan las diversas economías culturales de la masculinidad, la noción de regiones culturales en relación a las imágenes de hombría, amistad masculina, machismo, corporalidad masculina, violencia, poder, y fisuras sexuales.
  • NOVAES, Regina Reyes. De corpo e alma: catolicismo, classes sociais e conflitos no campo. Rio de Janeiro: Graphic, 1997. 238 p. Resenhas

    Steil, Carlos Alberto
  • GRAZIELA, Laura F. Gomes. Novela e sociedade no Brasil. Niterói, Editora da Universidade Federal Fluminense, 1998. 137 p. Resenhas

    Guerin, Yhevelin S.
  • LANNA, Marcos P. D. A dádiva divina: troca e patronagem no nordeste brasileiro. Campinas: Editora da Unicamp, 1995. 249 p. Resenhas

    Brites, Jurema
  • MAGALHÃES, Nara M. E. O povo sabe votar: uma visão antropológica. Petrópolis: Vozes, 1998. 140 p. Resenhas

    Pereira Neto, Francisco
  • THOMPSON, E. P. Costumes em comum. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. 528 p. Resenhas

    Weber, Regina
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