IMPLEMENTAÇÃO DO PROGRAMA DE PROMOÇÃO DO ESTILO DE VIDA ATIVO EM ESTUDANTES: O “FORTALEÇA SUA SAÚDE”

IMPLEMENTING THE ACTIVE LIFESTYLE PROGRAM FOR STUDENTS: THE “FORTALEÇA SUA SAÚDE”

Iraneide Etelvina Lopes Jair Gomes Linard Magna Leilane da Silva Valter Cordeiro Barbosa FilhoSobre os autores

RESUMO

Este estudo objetivou avaliar a implementação de um programa de intervenção para promoção do estilo de vida ativo e saudável em estudantes. Estudo avaliativo, realizado durante a intervenção, que incluiu como amostra a comunidade escolar envolvida nas atividades (estudantes, professores, coordenadores e pais), por meio de entrevista ou por observação externa. A matriz avaliativa foi construída e validada contendo 32 medidas em oito indicadores: capacitação dos professores, modificação nas aulas de Educação Física, modificação nas aulas regulares, distribuição de panfletos, distribuição de material, ginástica na escola, visibilidade do programa e conhecimento e distribuição de material. A análise descritiva (quantitativas) ou de conteúdo (qualitativas) foi utilizada. Temas de saúde em sala de aula foram abordados por 94% dos professores durante a intervenção. Metade dos alunos reportou terem participado de, pelo menos, uma aula de ginástica e utilizado os jogos durante a intervenção, mas dificuldades para armazenar material e falta de organização e de espaço foram relatadas. O conhecimento sobre o programa foi frequente entre professores, gestores e estudantes, mas não entre os pais. Em conclusão, a maioria das ações do programa tiveram uma implementação conforme planejada, contudo, dificuldades foram reportadas e devem ser consideradas em futuras propostas de um ambiente escolar que almeje promover atividade física e saúde.

Palavras-chave:
Avaliação em Saúde; Avaliação de Processos; Saúde do Escolar; Estudos de intervenção; Brasil

ABSTRACT

This study aimed to evaluate the implementation of an intervention program to promote active and healthy lifestyle in students. This was a evaluation study performed during the intervention, which included the school community (students, teachers, coordinators and parents), through interview or external observation. The evaluation matrix was constructed and validated with 32 measures in eight indicators: teacher training, modification in Physical Education classes, modification in regular classes, distribution of pamphlets, distribution of material, gymnastics in the school, visibility of the program and knowledge and distribution of material. Descriptive (quantitative) or content (qualitative) analysis was used. Health issues in the classroom were addressed by 94% of teachers during the intervention. Half of the students reported that they participated in at least one gym class and used the games during the intervention, but difficulties in storage of sports equipments and organization of places were reported. Knowledge about the program was frequent among teachers, managers and students, but not between parents. In conclusion, most of the program actions had an implementation as planned, however, difficulties were reported and should be considered in future proposals of a school environment that aims to promote physical activity and health.

Keywords:
Health Evaluation; Process Evaluation; School Health; Intervention Studies; Brazil

Introdução

Revisões sistemáticas sobre intervenções no ambiente escolar para a promoção de atividade física11 Hoehner CM, Ribeiro IC, Parra DC, Reis RS, Azevedo MR, Hino AA, et al. Physical activity interventions in Latin America: expanding and classifying the evidence. Am J Prev Med 2013;44(3):31-40. DOI: 10.1016/j.amepre.2012.10.026
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e outros aspectos do estilo de vida saudável entre estudantes22 Langford R, Bonell CP, Jones HE, T. P, Murphy SM, Waters E, et al. The WHO Health Promoting School framework for improving the health and well-being of students and their academic achievement. Cochrane Database Syst Rev 2014;4(4):CD008958. DOI: 10.1002/14651858.CD008958.pub2
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,33 Verstraeten R, Roberfroid D, Lachat C, Leroy JL, Holdsworth M, Maes L, et al. Effectiveness of preventive school-based obesity interventions in low- and middle-income countries: a systematic review. Am J Clin Nutr 2012;96(2):415-438. DOI: 10.3945/ajcn.112.035378
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apontam que ações multicomponentes que envolvam toda a comunidade escolar (gestores, professores, demais funcionários, alunos e sobretudo, a família) devem estar alicerçadas11 Hoehner CM, Ribeiro IC, Parra DC, Reis RS, Azevedo MR, Hino AA, et al. Physical activity interventions in Latin America: expanding and classifying the evidence. Am J Prev Med 2013;44(3):31-40. DOI: 10.1016/j.amepre.2012.10.026
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,22 Langford R, Bonell CP, Jones HE, T. P, Murphy SM, Waters E, et al. The WHO Health Promoting School framework for improving the health and well-being of students and their academic achievement. Cochrane Database Syst Rev 2014;4(4):CD008958. DOI: 10.1002/14651858.CD008958.pub2
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. Contudo, mesmo com ações multicomponentes, encontrar ações efetivas ainda tem sido um desafio. Por exemplo, uma revisão sistemática reportou quase 900 intervenções de promoção da atividade física, onde apenas metade foi efetiva em mudar um indicador desse comportamento44 Barbosa Filho VC, Minatto G, Mota J, Silva KS, Campos W, S. LA. Promoting physical activity for children and adolescents in low- and middle-income countries: An umbrella systematic review: A review on promoting physical activity in LMIC. Prev Med 2016; 88:115-126. DOI: 10.1016/j.ypmed.2016.03.025
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.

Uma das possíveis explicações para a dificuldade em intervenções multicomponentes para promoção de um estilo de vida ativo e saudável é identificar se elas ocorreram do modo desejado55 Bauman A, Nutbeam D. Evaluation in a Nutshell. A practical guide to the evaluation of health promotion programs. North Ryde: McGraw-Hill Australia; 2013.

6 McGoey T, Root Z, Bruner MW, Law B. Evaluation of physical activity interventions in youth via the reach, efficacy/effectiveness, adoption, implementation, and maintenance (RE-AIM) framework: A systematic review of randomised and non-randomised trials. Prev Med 2015;76:58-67. DOI: 10.1016/j.ypmed.2015.04.006
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-77 Naylor PJ, Nettlefold L, Race D, Hoy C, Ashe MC, Higgins JW, et al. Implementation of school based physical activity interventions: A systematic review. Prev Med 2015;72:95-115. DOI: 10.1016/j.ypmed.2014.12.034
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. Por exemplo, é necessário saber se as ações alcançaram o público almejado ou se foram executadas conforme o esperado11 Hoehner CM, Ribeiro IC, Parra DC, Reis RS, Azevedo MR, Hino AA, et al. Physical activity interventions in Latin America: expanding and classifying the evidence. Am J Prev Med 2013;44(3):31-40. DOI: 10.1016/j.amepre.2012.10.026
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,88 Silva KS, Barros MVG, Barbosa Filho VC, Garcia LMT, Wanderley Júnior RS, Beck. CC, et al. Implementação da intervenção "Saúde na Boa": avaliação de processo e características dos estudantes permanecentes e não permanecentes. Rev. bras. cineantropom. desempenho hum 2014;16(Suppl 1):S01-S12. DOI: 10.5007/1980-0037.2014v16s1p1
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. A avaliação da dimensão de implementação em intervenções multicomponentes pode subsidiar tomadas de decisões importantes para o prosseguimento de suas ações em busca de uma maior efetividade e alcance das suas ações99 Moore GF, Audrey S, Barker M, Bond L, Bonell C, Hardeman W, et al. Process evaluation of complex interventions: Medical Research Council guidance. BMJ 2015;350:h1258. DOI: 10.1136/bmj.h1258
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.

Estudos têm focado na avaliação do processo de implementação de intervenções de promoção do estilo de vida ativo e saudável no contexto escolar66 McGoey T, Root Z, Bruner MW, Law B. Evaluation of physical activity interventions in youth via the reach, efficacy/effectiveness, adoption, implementation, and maintenance (RE-AIM) framework: A systematic review of randomised and non-randomised trials. Prev Med 2015;76:58-67. DOI: 10.1016/j.ypmed.2015.04.006
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,77 Naylor PJ, Nettlefold L, Race D, Hoy C, Ashe MC, Higgins JW, et al. Implementation of school based physical activity interventions: A systematic review. Prev Med 2015;72:95-115. DOI: 10.1016/j.ypmed.2014.12.034
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, mas poucos foram desenvolvidos em países de baixa e média renda11 Hoehner CM, Ribeiro IC, Parra DC, Reis RS, Azevedo MR, Hino AA, et al. Physical activity interventions in Latin America: expanding and classifying the evidence. Am J Prev Med 2013;44(3):31-40. DOI: 10.1016/j.amepre.2012.10.026
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,33 Verstraeten R, Roberfroid D, Lachat C, Leroy JL, Holdsworth M, Maes L, et al. Effectiveness of preventive school-based obesity interventions in low- and middle-income countries: a systematic review. Am J Clin Nutr 2012;96(2):415-438. DOI: 10.3945/ajcn.112.035378
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,44 Barbosa Filho VC, Minatto G, Mota J, Silva KS, Campos W, S. LA. Promoting physical activity for children and adolescents in low- and middle-income countries: An umbrella systematic review: A review on promoting physical activity in LMIC. Prev Med 2016; 88:115-126. DOI: 10.1016/j.ypmed.2016.03.025
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. Ainda que algumas pesquisas apresentem a avaliação da implementação em intervenções no Brasil88 Silva KS, Barros MVG, Barbosa Filho VC, Garcia LMT, Wanderley Júnior RS, Beck. CC, et al. Implementação da intervenção "Saúde na Boa": avaliação de processo e características dos estudantes permanecentes e não permanecentes. Rev. bras. cineantropom. desempenho hum 2014;16(Suppl 1):S01-S12. DOI: 10.5007/1980-0037.2014v16s1p1
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,1010 Ferreira JO, Jardim PCV, Peixoto MG. Evaluation of project promoting health in adolescents. Rev Saúde Pública 2013;47(2):257-65. DOI: 10.1590/S0034-8910.2013047004120
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, esse é um tema que necessita de evidências mais consistentes, uma vez que é necessário avaliar o processo de implementação a cada proposta e contexto de intervenção. Preencher essa lacuna é fundamental para entender o que pode ou não funcionar na promoção do estilo de vida ativo e saudável no âmbito escolar em contextos de vulnerabilidade em saúde.

O presente estudo teve como objetivo avaliar a implementação de um programa de intervenção para promoção do estilo de vida ativo e saudável em estudantes, considerando informações de diferentes dimensões (exemplo, execução e visibilidade das ações) e dos diferentes atores (estudantes, professores, gestores e pais) inerentes à implementação do programa.

Métodos

Delineamento e descrição do programa Fortaleça sua Saúde

Este artigo representa um estudo de avaliação da implementação de um programa de intervenção1111 Brownson RC, Baker EA, Deshpande AD, Gillespie KN. Evidence-based public health. 2. ed. New York: Oxford University Press; 2010., como parte de um projeto de pesquisa intitulado “Fortaleça sua saúde: um programa de intervenção interdisciplinar para a promoção de um estilo de vida ativo e saudável em estudantes”. As informações detalhadas sobre as ações de intervenção, incluindo as particularidades das informações teóricas, os procedimentos de seleção e avaliação da amostra bem como o objetivo de cada ação, estão em publicação prévia1212 Barbosa Filho VC, Lopes AS, Lima AB, Souza EA, Gubert FA, Silva KS, et al. Rationale and methods of a cluster-randomized controlled trial to promote active and healthy lifestyles among Brazilian students: the "Fortaleça sua Saúde" program. BMC Public Healt 2015;15(1):1212. DOI: 10.1016/j.ypmed.2016.03.025
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.

De modo geral, o programa “Fortaleça sua Saúde” foi realizado em três escolas (além de três escolas de acompanhamento/controle) que representavam, em 2014, todas as unidades escolares municipais de tempo integral, incluíam turmas de 7º ao 9º ano do ensino fundamental e participavam do Programa Saúde na Escola. Ainda, as escolas eram localizadas em bairros de baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH < 0,500)1313 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo 2010 - Cidades [Internet]. 2010 [acesso em 05 setembro, 2014]. Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/
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. Todos os procedimentos adotados no estudo foram aprovados no Sistema Nacional de Ética em Pesquisa (CAAE: 17366313.9.0000.0121). A participação dos adolescentes envolvidos foi autorizada pelos pais/responsáveis, mediante a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

O programa “Fortaleça sua Saúde” teve o objetivo principal determinar se as ações multicomponentes realizadas no desenvolvimento do programa aumentariam a prática de atividade física e/ou reduziriam o tempo de tela em estudantes. Seus conceitos foram baseados principalmente na teoria social ecológica1414 Bronfenbrenner U. Ecological models of human development, Readings on the development of children. 2 ed. New York: Elsevier; 1994. e no modelo das Escolas Promotoras de Saúde1515 Brasil. Ministério da Saúde. Escolas promotoras de saúde: Experiências do Brasil Brasília: Ministério da Saúde. Organização Pan-Americana da Saúde; 2007..

As ações foram desenvolvidas durante quatro meses (agosto a dezembro de 2014) e tiveram como eixos de ações multicomponentes: 1) capacitação dos professores e atuação nas disciplinas gerais; 2) capacitação dos professores e atuação nas aulas de Educação Física; 3) oportunidades ativas no ambiente escolar; e 4) educação em saúde à comunidade escolar.

As ações da intervenção foram realizadas por acadêmicos e acadêmicas da Universidade Federal do Ceará, como membros de um grupo de pesquisa da instituição. O grupo de trabalho neste programa envolveu cerca de 17 profissionais/estudantes. Cada escola possuía dois supervisores que tinham a função de organizar a realização das ações de intervenção dentro da escola e atender possíveis necessidades (recursos humanos, estruturais ou materiais) durante o período da realização das ações nas escolas.

Instrumentos e Procedimentos da avaliação

O propósito da avaliação do processo foi avaliar a dimensão de implementação do programa, ou seja, se as ações do programa foram executadas conforme planejado55 Bauman A, Nutbeam D. Evaluation in a Nutshell. A practical guide to the evaluation of health promotion programs. North Ryde: McGraw-Hill Australia; 2013..

Para tanto, durante o período de construção das ações do programa “Fortaleça sua Saúde” (setembro de 2013 a maio de 2014), quatro membros independente do processo de desenho e implantação do programa, estiveram envolvidos no delineamento de uma matriz de avaliação do processo das ações. Esse grupo acompanhava o processo de construção das ações para identificar os objetivos, as estruturas e a execução de cada ação, de modo a poder identificar qual seria o seu processo de implementação.

A partir disso, a equipe de avaliação estruturou os indicadores da matriz avaliativa. Desse modo, formulários foram desenvolvidos e estruturados para a mensuração das variáveis conforme recomendações do Center for Disease Control and Prevention1616 Centers for Disease Control and Prevention C. The association between school based physical activity, including physical education, and academic performance. Atlanta: Department of Health and Human Services; 2010. para avaliação de programas de atividade física. Após a definição dos componentes da matriz avaliativa, reuniões foram conduzidas com outros quatro profissionais com experiência em avaliação de programas, de modo a alcançar a definição destes componentes da matriz avaliativa1111 Brownson RC, Baker EA, Deshpande AD, Gillespie KN. Evidence-based public health. 2. ed. New York: Oxford University Press; 2010.,1717 Silva LMV. Conceitos, abordagens e estratégias para a avaliação em saúde. In: Hartz ZMA, Silva LMV, editors. Avaliação em saúde: Dos modelos teóricos à prática na avaliação de programas e sistemas de saúde. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ; 2005, p. 15-39..

Ao final, a matriz avaliativa do processo do programa “Fortaleça sua Saúde” foi composta pelos itens da Tabela 1. No total, foram considerados oito indicadores de ações a serem avaliadas como parte do processo do programa “Fortaleça sua Saúde: capacitação dos professores, modificação nas aulas de Educação Física, modificação nas aulas regulares, distribuição de panfletos, distribuição de material esportivo, ginástica na escola, visibilidade do programa e visibilidade, conhecimento e distribuição de material. Todos esses indicadores foram compostos por medidas em escalas categóricas e relatos, de modo a mensurar qualitativa e quantitativamente o processo, para cada medida e indicador.

A avaliação do programa envolveu diferentes participantes, a saber: estudantes, professores, gestores e pais, os quantitativos estão relacionados aos oito indicadores estipulados, conforme apresentado na Tabela 1.

Tabela 1
Matriz avaliativa do programa “Fortaleça sua Saúde”

Análise dos dados

Para avaliar a dimensão: processo, foram definidos indicadores, método de avaliação e amostra de avaliação. Em geral, os indicadores dessa dimensão foram avaliados por meio de entrevistas individuais com os estudantes ou membros da comunidade escolar (professores ou diretores/gestores), observação dos espaços de realização de ações da escola (equipe de avaliação) ou entrevista com os pais por telefone. A definição das amostras que foram consideradas para a avaliação dos indicadores do processo foi baseada no objetivo delas (por exemplo, indicadores relacionados aos estudantes foram avaliadas com esse público, enquanto que indicadores sobre a família foram avaliados com os pais/responsáveis, ver Tabela 1).

Considerando que as informações realizadas tinha cunho quantitativo e qualitativo, diferentes abordagens foram consideradas para o tratamento das informações. As informações de ordem categórica foram tratadas por meio de frequências relativas, considerando as categorias de resposta para cada medida. As informações de cunho qualitativo (baseado em relatos e respostas dissertativas durante as entrevistas e preenchimentos dos questionários) foram organizadas por meio da análise temática de conteúdo1818 Bardin L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70; 2007.. Os relatos foram sintetizados no texto com o intuito de evidenciar os elementos que melhor representassem a percepção dos avaliados sobre os indicadores de processo, tanto em relatos positivos quando questões a considerar para melhorar a ação.

Resultados

Dentre os oito indicadores de avaliação do processo de implementação do programa, dois incluíram amostras exclusivas de professores(as) (indicador: da capacitação dos professores (28 professores(as)); indicador das modificações nas aulas regulares: (17 professores(as)), por serem direcionadas a esse público. De modo semelhante, dois indicadores incluíram amostras exclusivas de estudantes, o indicador: modificação nas aulas de Educação Física (30 estudantes); o indicador: distribuição de panfletos; e o indicador: da Ginástica na escola (30 estudantes). Dois indicadores (distribuição de material e visibilidade do programa) foram avaliados por um observador externo à escola, enquanto que outros dois indicadores envolveram os múltiplos atores envolvidos nas ações (distribuição dos panfletos e a visibilidade e conhecimento do programa, conforme a Tabela 1).

A avaliação da execução das ações incluiu cinco indicadores, considerando as ações que fundamentam os componentes do programa de intervenção: capacitação dos professores(as), modificação das aulas de Educação Física, modificação das aulas regulares, distribuição de panfletos e ginástica na escola.

No que tange à capacitação dos professores, 68% dos participantes consideram que a inclusão de temas de saúde em sua prática pedagógica são aplicáveis a realidade no cotidiano escolar. Para a maioria dos professores (89%), os conhecimentos adquiridos na capacitação melhoraram suas atuações na escola. Todos os professores de Educação Física reportaram se sentir capazes de realizar as atividades propostas em suas aulas (Tabela 2).

Alguns relatos positivos sobre a capacitação dos professores enfatizam tais achados:

“A inclusão de temas de saúde nas atividades de sala/aula poderiam ajudar a solucionar possíveis problemas em sala de aula”.

“O conteúdo proposto na capacitação faz parte da vivência pedagógica.”

“A equipe responsável pela capacitação é muito boa.”

Algumas questões levantadas pelos professores(as) também se destacaram:

“Algumas atividades demandam tempo excessivo para o curto período de aula, além disso, atividades que tratam da alimentação geram polêmica.”

“É necessário ampliação da carga horária devido à complexidade do tema.”

“Faz-se necessário a instalação de internet na escola para que as pesquisas possam ser aprofundadas.”

Sobre o indicador que trata da modificação nas aulas de Educação Física, 83% dos estudantes relataram satisfação com as aulas do semestre no qual as atividades do programa de intervenção estavam sendo executadas. Houve também um elevado percentual (73%) de satisfação dos estudantes (as) com as aulas de Educação Física propostas na intervenção (Tabela 2).

Os relatos positivos dos estudantes foram observados na avaliação:

“As atividades são divertidas, diferenciadas, motivadoras e bem elaboradas”.

“As aulas foram dinâmicas e interessantes.”

“O estagiário foi motivador para a participação nas aulas.”

Entre as questões que devem ser levadas por alguns relatos, se destacaram:

“Alguns conteúdos foram repetitivos e causaram certo tédio, além disso há pouca vontade de fazer esforço físico e o professor às vezes não dar atenção.”

“Tenho preferência por jogar futsal (rachar) e/ou ter tempo livre para fazer atividades livres.”

“Sinto preguiça e que faltou interesse de minha parte.”

Sobre as modificação nas aulas regulares, 47% dos professores abordaram os temas de saúde de uma ou duas vezes em todo o semestre. Mais da metade dos(as) professores(as) usaram procedimentos metodológicos para discutir sobre temas de saúde durante o conteúdo das disciplinas em sala. Para 18% dos(as) professores(as), essa estratégia não deu certo (Tabela 2).

Os relatos positivos sobre o indicador: modificação nas aulas regulares em foram:

“Os estudantes fizeram observações durante o lanche sobre a necessidade de conscientização e se interessaram pelos temas de saúde nas demais disciplinas.”

“Foi feito discussões durante a leitura, interpretação e produção de textos. Foi estudado gráficos com informações de epidemias.”

Os argumentos que devem ser considerados sobre o indicador em questão, foram representados nos seguintes relatos:

“A indisciplina dos estudantes limita a abordagem, visto que ele acreditam que o assunto deve ser discutido apenas pelos professores de ciências, mas também há os que colaboram.”

“Há dificuldades em adaptar as aulas, falta de tempo para planejar atividades e não ter participado da capacitação.”

Nas medidas para o indicador: distribuição de panfletos, foi possível verificar que professores e estudantes foram unânimes ao afirmar que receberam/viram os panfletos do programa (Tabela 2).

Os relatos positivos que se destacaram sobre a ação em questão foram os seguintes:

“Alguns panfletos foram utilizados em sala de aula durante debates e produção de cartazes.”

“As mensagens provocaram reflexão sobre a alimentação saudável e qualidade de vida.”

Mesmo obtendo um elevado alcance é importante salientar e considerar as seguintes observações feitas pelo (a) avaliador (a):

“Alguns estudantes e professores relataram não ter recebido os panfletos referentes a todos os temas.”

“Algumas pessoas relataram não saber da importância pois não leram os panfletos.”

Tabela 2
Resultados quantitativos sobre os indicadores e medidas de implementação das ações do programa “Fortaleça sua Saúde”

Para o indicador distribuição de material que avaliou o uso dos materiais pelos estudantes, 33% dos participantes consideraram a organização do local como boa. No que se refere à localização do espaço disponibilizado para guardar os materiais esportivos, 67% dos estudantes (as) consideraram regular, enquanto que 33% afirmaram ser um local ótimo.

Os relatos positivos sobre esta ação estão descritos abaixo:

“O cesto com o material perto da porta é bem organizado.”

“Os estudantes estipulam regras entre eles para pegar o material.”

Entre as questões que devem ser levadas em consideração tem-se:

“O local é apertado e empoeirado”.

“Não há controle sob o empréstimo de material para uso dos estudantes”.

Por fim, na avaliação do indicador ginástica na escola, que objetivou oportunizar a prática de atividade física para os discentes, tem-se que 7% representam os(as) estudantes que sempre participam das atividades, 43% dos(as) estudantes participa às vezes e 50% dos estudantes nunca participa. Sobre a satisfação dos(as) estudantes com esta ação é possível constatar que um terço dos estudantes consideraram as aulas como boas e 43% ótimas. Os relatos positivos sobre o indicador em questão foram:

“São criativas, incentivam a interação”.

“Auxilia na manutenção da saúde, promove o movimento corporal”.

“Ocupa o tempo ocioso dos estudantes”.

“Há interação entre estudantes e professores”.

Mesmo alcançando consideráveis índices de satisfação, é relevante destacar os seguintes relatos sobre o indicador ginástica na escola:

“Tenho pouca motivação para participar das aulas”.

“Prefiro Futsal”.

Relativamente a visibilidade do programa de intervenção através da observação de banners/faixas/cartazes ou observação de cartazes em sala de aula, realizada pelos estudantes e professores, foi considerado visível por 67% e parcialmente visível por 37% dos envolvidos (Tabela 3). Quanto a visibilidade, conhecimento e distribuição de material na visão dos estudantes, 53% mostravam-se conhecedores do slogan: “Fortaleça sua Saúde”. Com relação aos jogos, 47% responderam utilizavam os jogos, sendo o carimba (queimada) de maior preferência entre os(as) estudantes.

O conhecimento do slogan: “Fortaleça sua saúde” foi identificado por todos os professores e gestores, estes últimos também demonstraram ciência sobre a proposta e objetivo do programa. Já os pais dos alunos, apenas 13% conheciam o slogan: “Fortaleça sua saúde” e nenhum deles sabiam sobre as propostas e finalidades do programa.

Tabela 3
Resultados quantitativos sobre os indicadores e medidas de visibilidade e conhecimento do programa “Fortaleça sua Saúde”

Discussão

O presente estudo buscou avaliar o programa “Fortaleça sua Saúde”, que ocorreu em Fortaleza, Ceará, e ofertou ações multicomponentes voltadas para a promoção de um estilo de vida ativo e saudável em estudantes dos anos finais do ensino fundamental. As ações oferecidas no programa estiveram pautadas na capacitação dos professores e atuação nas disciplinas gerais e nas aulas de Educação Física, oportunidades ativas no ambiente escolar e educação em saúde à comunidade escolar.

Os resultados da capacitação dos professores revelaram que, na perspectiva dos participantes, esta foi uma estratégia satisfatória. A maioria dos professores considerou que o aprendizado adquirido na formação poderia melhorar suas atuações na escola. Os professores de Educação Física se sentiram capazes de realizar as atividades propostas em suas aulas e a possibilidade de incluir e aplicar os temas de saúde no cotidiano escolar foi apontada como uma prática pedagógica possível de ser executada.

Contudo, alguns aspectos foram mencionados e precisam ser repensados em futuras intervenções, como por exemplo, o curto período da capacitação e a infraestrutura precária das escolas, no que tange à instalação de internet para o aprofundamento das pesquisas, ou seja, tais revelações se constituem como barreiras iniciais que podem dificultar para que a promoção do estilo de vida ativo e saudável no ambiente escolar possa ser uma realidade.

Um estudo semelhante teve por objetivo identificar as barreiras e facilitadores apontado por professores canadenses para implementação de política de incentivo a prática de atividade física diária na escola, durante a aula de educação física e além dela, por meio do marco teórico de domínios1919 Weatherson KA, McKay R, Gainforth HL, Jung ME. Barriers and facilitators to the implementation of a school-based physical activity policy in Canada: application of the theoretical domains framework. BMC Public Health 2017;17(1):835. DOI: 10.1186/s12889-017-4846-y
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. O estudo elucidou que dentre os domínios observados: contexto e recursos ambientais, crença sobre as consequências, influências sociais, conhecimento e intenções foram responsáveis por aproximadamente 75% do total de barreiras e facilitadores. Não obstante, elementos como:“Os professores são responsáveis por até 12 disciplinas diferentes” e “Diminuição do tempo de ensino” foram barreiras destacadas no estudo1919 Weatherson KA, McKay R, Gainforth HL, Jung ME. Barriers and facilitators to the implementation of a school-based physical activity policy in Canada: application of the theoretical domains framework. BMC Public Health 2017;17(1):835. DOI: 10.1186/s12889-017-4846-y
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.

Nas ações relacionadas às modificações das aulas regulares bem como nas aulas de Educação Física, pode ser observado que de forma ampla, a maioria dos indicadores estabelecidos foram alcançados com êxito. Tais fatores podem ser concretizados mediante os relatos positivos apresentados pelos estudantes, que consideraram as atividades inovadoras e o estagiário como um ator motivador durante as aulas. Esses resultados foram similares ao que de Pizani et al.2020 Pizani J, Barbosa-Rinaldi IP, Miranda ACMD, Vieira LF. (De) motivation in school physical education: an analysis from the theory of self-determination. Rev Bras de Ciênc Esporte 2016;38(3):259-266. DOI: 10.4025/jphyseduc.v30i1.3052
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, realizado com 371 estudantes do ensino público e privado, no qual foi evidenciado que 92% dos alunos tinham motivação para participar das aulas de Educação Física no ensino médio.

É importante destacar que surgiram críticas sobre a recorrência de alguns conteúdos, causando assim, determinado descontentamento e desinteresse por parte de alguns estudantes, bem como a preferência de participar de outras atividades. Como o fator motivação e desmotivação de jovens em idade escolar estão atrelados a um complexo de condições, esta situação chama a nossa atenção para a elaboração de um currículo inovador, criativo e motivador na escola, bem como a possibilidade de construção de atividades participativas, nesse caso, cabe ao(à) professor(a) estabelecer acordos e estilos de interação, aproveitando o potencial do trabalho coletivo2121 Torrado P, Martins J, Rendeiro P, Marques A, Costa FC. Atividade física na adolescência: a importância do apoio e dos níveis de atividade física dos amigos. Rev iberoam psicol ejerc deporte 2016;11(2):297-303..

Em suma, a qualidade na execução das atividades relacionadas às ações de modificação das aulas regulares bem como nas aulas de Educação Física representa um indicador de como essa ação pode apresentar-se como uma estratégia importante para a promoção da saúde na escola. Corroborando assim, com os fundamentos e princípios de integralização e intersetorialidade, alicerces importantes da promoção da saúde2222 Kusma SZ, Moysés ST, Moysés SJ. Promoção da saúde: perspectivas avaliativas para a saúde bucal na atenção primária em saúde. Cad. Saúde Pública 2012;28(Suppl. 1):S9-S19. DOI: 10.1590/S0102-311X2012001300003
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.

Ao analisar os resultados sobre a implementação da distribuição de panfletos, pode-se revelar que tal ação foi útil para atingir um grande número de atores bem como as mensagens repassadas foram consideradas importante para a maioria dos que receberam os panfletos. Além disso, através dos relatos positivos, foi notório observar, conforme citado anteriormente, a inter-relação e complementaridade entre as ações, uma vez que os panfletos foram usufruídos em sala de aula.

No entanto, apesar de ser uma ação positiva, pode ser vulnerável no que diz respeito às condições de leitura e interpretação do público-alvo (receptor do informativo)2323 Acioli MD, Carvalho EF. Discursos e práticas referentes ao processo de participação comunitária nas ações de educação em saúde: as ações de mobilização comunitária do PCDEN/PE. Cad Saúde Pública 1998;14(Suppl. 2):S59-S68. DOI: 10.1590/S0102-311X1998000600005
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, daí a importância de planejar ações de comunicação por meio de diferentes atividades (programas de televisão, rádio, jornais, cartas, panfletos) concentradas em ambientes diversos, como a escola, o lar, o trabalho, a comunidade2424 Ribeiro AG, Cotta RM, Ribeiro SMR. A promoção da saúde e a prevenção integrada dos fatores de risco para doenças cardiovasculares. Ciênc Saúde Colet 2012;17(1):7-17. DOI: 10.1590/S1413-81232012000100002
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.

Nos resultados sobre a distribuição de materiais e ginástica na escola, houve uma percentagem substancial de comentários negativos nas medidas avaliadas. Isso pode ter acontecido porque o esforço para organização do local, a localização do espaço e a logística para o controle dos materiais disponibilizados dependiam de pessoas que, por ventura, não participaram da capacitação e/ou não se apropriaram da importância de tal ação. Outro fator preponderante para explicar as questões negativas apresentadas nos relatos, é mais uma vez, as dificuldades relacionadas à infraestrutura de um local apropriado para guardar materiais esportivos.

Em relação às dimensões de visibilidade do programa e o reconhecimento de suas ações, observou-se que a maioria dos estudantes, gestores e professores conheciam o slogan do programa “Fortaleça sua Saúde”. No entanto, a maioria dos pais dos estudantes não conheciam sobre o assunto. Este apontamento dialoga com outra ação do programa, citada anteriormente (distribuição de panfletos), e nos leva a pressupor de que a informação não chegou por completo até os pais dos estudantes, seja tendo eles como fonte ou até mesmo a escola. Contudo, uma baixa participação dos pais em intervenções de estilo de vida saudável na escola tem sido observada, o que torna o envolvimento desse público uma estratégia tão relevante quanto desafiadora77 Naylor PJ, Nettlefold L, Race D, Hoy C, Ashe MC, Higgins JW, et al. Implementation of school based physical activity interventions: A systematic review. Prev Med 2015;72:95-115. DOI: 10.1016/j.ypmed.2014.12.034
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As ações de divulgação em diferentes níveis de atuação como mecanismo para o incremento da prática de atividades físicas de populações, com propostas de melhoria da qualidade de vida são estratégias fundamentais, contudo, a quantificação da eficácia e penetração da mensagem muitas vezes não trazem resultados precisos. É importante ponderar o contexto que a informação chegará, pois, em muitas localidades o distanciamento entre realidades podem surtir efeitos contrários.

Um dos pontos fortes deste estudo foi de propor em avaliar o processo de implementação de um programa de intervenção na escola, o que é importante para identificar necessidades e possibilidades da promoção da saúde na escola1010 Ferreira JO, Jardim PCV, Peixoto MG. Evaluation of project promoting health in adolescents. Rev Saúde Pública 2013;47(2):257-65. DOI: 10.1590/S0034-8910.2013047004120
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. Entre as limitações da pesquisa, destaca-se a necessidade em avaliar a continuidade das ações após o período da intervenção, e assim, identificar a manutenção das ações e da efetividade. Outro fator preponderante que deve ser analisado é o fato de compreender a avaliação como uma ação complexa que exige direcionamentos e avanços no sentido de não apenas julgar o que deu certo ou não e sim, encontrar respostas em conjunto (com todos os atores envolvidos), para assim, melhorar a qualidade do programa ofertado. Essas dificuldades representam o contexto real e, na prática, servem para auxiliar na melhoria de estratégias de promoção da atividade física e saúde que farão parte das políticas públicas voltadas aos jovens no âmbito escolar.

Conclusões

De maneira geral, a complementaridade entre as ações (capacitação dos professores(as), modificação das aulas de Educação Física, modificação das aulas regulares, distribuição de panfletos e ginástica na escola) foi substancial no desenlace e repercussão do programa, bem como o reconhecimento de parte da comunidade escolar em buscar compreender a importância das ações voltadas à promoção do estilo de vida ativo e saudável. Além disso, foi possível constatar que o programa foi propenso a ser executado no ambiente escolar conforme planejado, o seja, com grande parte das ações implementadas satisfatoriamente e com contribuições para os objetivos do programa. Porém, algumas limitações precisam ser reparadas como por exemplo, a pouca participação dos pais e envolvimento de todos os professores na capacitação. Recomenda-se aos futuros estudos sobre o tema, que à medida em que ocorra a implementação de intervenções para a promoção da atividade física, a avaliação seja uma realidade, que haja uma participação ampliada da comunidade envolvida e que a publicação dos resultados seja apresentada para a confirmação da efetividade do programa.

Agradecimentos:

Agradecemos à Secretaria Municipal de Educação de Fortaleza pelo suporte técnico e autorização para execução do programa, e aos membros da comunidade escolar (gestores, professores, pais e alunos) das escolas envolvidas pelo apoio durante a execução do programa. Agradecemos aos membros do Grupo de Trabalho do programa “Fortaleça sua Saúde” pela dedicação no processo do programa, em especial, à Alexsandra Bandeira, Deuziane Brito e Jéssica Freitas pela liderança no processo de avaliação do programa. Agradecemos à CAPES (VBF, processo N. 10737/2014-6) pela bolsa concedida durante o estudo.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    17 Jul 2020
  • Data do Fascículo
    2020

Histórico

  • Recebido
    24 Jan 2019
  • Revisado
    30 Out 2019
  • Aceito
    20 Dez 2019
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