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Terapia de Casal e Estratégias de Resolução de Conflito: Uma Revisão Sistemática

Couple Therapy and Conflict Resolution Strategies: A Systematic Review

Terapia de Pareja y Estrategias de Resolución de Conflicto: Una Revisión Sistemática

Resumo

O objetivo deste estudo foi realizar uma revisão sistemática de artigos científicos sobre psicoterapia de casal e estratégias de resolução de conflito e identificar variáveis envolvidas no processo terapêutico. Foram consultadas oito bases de dados: Academic Search Complete, Biblioteca Cochrane, Ibecs, Lilacs, Medline, PsycINFO, SciELO e Web of Science, no período de 2006 a 2015. Foram encontrados 238 artigos, sendo incluídos 13 estudos após a avaliação de três juízes independentes. As abordagens comportamental e cognitivo-comportamental se destacaram em relação à sistêmica e à psicodinâmica. Observou-se consenso sobre o papel da comunicação, da empatia, do perdão, do apoio mútuo e da confiança para a resolução dos conflitos conjugais. Por outro lado, há falta de homogeneidade e de clareza na utilização de conceitos e técnicas. A análise da literatura forneceu um panorama internacional, composto por perspectivas de consenso já estabelecidos, inconsistências que devem ser superadas e carência de estudos, especialmente no Brasil, contexto potencial de investigação da temática.

Casamento; Conflito Conjugal; Terapia de Casal; Resolução de Problemas

Abstract

The aim of this study was to conduct a systematic review of scientific articles about couple psychotherapy and conflict resolution strategies and to identify variables involved in the therapeutic process. Eight databases were consulted: Academic Search Complete, Cochrane Library, IBECS, Lilacs, Medline, PsycINFO, SciELO and Web of Science, from 2006 to 2015. We found 238 articles and, after an evaluation by three independent judges, 13 studies were included in this review. The behavioral and cognitive-behavioral approaches have excelled in relation to the systemic and to the psychodynamic ones. On one hand, there was consensus on the role of communication, empathy, forgiveness, mutual support and confidence for resolving marital conflicts. On the other hand, there is a lack of homogeneity and clarity in the use of the concepts and techniques. The literature review provided an international overview, consisting of consensual perspectives already established, inconsistencies that must be overcome and a lack of studies, especially in Brazil, culminating in a potential context of thematic research.

Marriage; Marital Conflict; Couple Therapy; Problem Solving

Resumen

El objetivo de este estudio fue realizar una revisión sistemática de artículos científicos acerca de la psicoterapia de pareja y estrategias de resolución de conflictos, así como identificar variables involucradas en el proceso terapéutico. Se consultaron ocho bases de datos: Academic Search Complete, Biblioteca Cochrane, Ibecs, Lilacs, Medline, PsycINFO, SciELO y Web of Science, en el período de 2006 a 2015. Fueron encontrados 238 artículos; fueron incluidos 13 estudios después de la evaluación de tres jueces independientes. Los abordajes comportamental y cognitivo-conductual se destacaron en relación al sistémico y psicodinámico. Se observó un consenso acerca del rol de la comunicación, de la empatía, del perdón, del apoyo mutuo y de la confianza para la resolución de los conflictos conyugales. Por otro lado, hay falta de homogeneidad y claridad en la utilización de conceptos y técnicas. El análisis de la literatura proporcionó un panorama internacional, compuesto por perspectivas de consenso ya establecidas, incongruencias que deben ser superadas y carencia de estudios, en especial en Brasil, contexto potencial de investigación de esta temática.

Matrimonio; Conflicto Conyugal; Terapia de Pareja; Resolución de Problemas

Introdução

Conflitos conjugais vêm sendo investigados na literatura internacional há cerca de cinco décadas (Fincham, 2003Fincham, F. D. (2003). Marital conflict correlates, structure, and context. Current Directions in Psychological Science, 12(1), 23-27. https://doi.org/10.1111/1467-8721.01215
https://doi.org/10.1111/1467-8721.01215...
; Mitchell, Bullard, & Mudd, 1962Mitchell, H. E., Bullard, J. W., & Mudd, E. H. (1962). Areas of marital conflict in successfully and unsuccessfully functioning families. Journal of Health and Human Behavior, 3(2), 88-93. https://doi.org/10.2307/2948928
https://doi.org/10.2307/2948928...
), abrangendo seus motivos, intensidade, frequência e forma de encaminhamento (Costa, Cenci, & Mosmann, 2016Costa, C. B., Cenci, C. M. B., & Mosmann, C. P. (2016). Conflito conjugal e estratégias de resolução: Uma revisão sistemática da literatura. Temas em Psicologia, 24(1), 325-38. https://doi.org/10.9788/TP2016.1-22
https://doi.org/10.9788/TP2016.1-22...
; Mosmann, & Falcke, 2011Mosmann, C. P., & Falcke, D. (2011). Conflitos conjugais: motivos e frequência. Revista da SPAGESP, 12(2), 5-16. Recuperado de http://pepsic.bvsalud.org/pdf/rspagesp/v12n2/v12n2a02.pdf
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; Scheeren, Delatorre, Neumann, & Wagner, 2015Scheeren, P., Delatorre, M. Z., Neumann, A. P., & Wagner, A. (2015). O papel preditor dos estilos de apego na resolução do conflito conjugal. Estudos e Pesquisas em Psicologia, 15(3), 835-852. https://doi.org/10.12957/epp.2015.19415
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). As estratégias que os cônjuges utilizam para resolver seus conflitos predizem se o desfecho da situação será mais ou menos efetivo (Schoebi, Karney, & Bradbury, 2012Schoebi, D., Karney, B. R., & Bradbury, T. N. (2012). Stability and change in the first 10 years of marriage: Does commitment confer benefits beyond the effects of satisfaction? Journal of Personality and Social Psychology, 102(4), 729-742. https://doi.org/10.1037/a0026290
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; Veldorale-Brogan, Lambert, Fincham, & DeWall, 2013Veldorale-Brogan, A., Lambert, N. M., Fincham, F. D., & DeWall, C. N. (2013). The virtue of problem solving: perceived partner virtues as predictors of problem-solving efficacy. Personal Relationships, 20(3), 511-523. https://doi.org/10.1111/j.1475-6811.2012.01421.x
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). Essas estratégias são comportamentos adotados com a finalidade de encontrar uma solução para o problema, pressupõem a necessidade de negociação entre os parceiros e são consideradas construtivas ou destrutivas (Carlson, & Dinkmeyer, 1987Carlson, J., & Dinkmeyer, D. (1987). Adlerian marriage therapy. The American Journal of Family Therapy, 15(4), 326-332. https://doi.org/10.1080/01926188708250692
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; Leggett, Roberts-Pittman, Byczek, & Morse, 2012; Schoebi et al., 2012)Schoebi, D., Karney, B. R., & Bradbury, T. N. (2012). Stability and change in the first 10 years of marriage: Does commitment confer benefits beyond the effects of satisfaction? Journal of Personality and Social Psychology, 102(4), 729-742. https://doi.org/10.1037/a0026290
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As estratégias construtivas envolvem comunicação respeitosa, percepção do conflito como oportunidade de melhorar o relacionamento, clareza sobre a corresponsabilidade dos cônjuges, autocontrole, flexibilidade, tolerância e a busca conjunta por uma solução satisfatória para o casal. As destrutivas, por sua vez, caracterizam-se pela identificação de culpados, foco demasiado no problema, racionalização, comportamentos de esquiva e de retraimento, hostilidade, reclamações, rigidez e negatividade (Anderson & Johnson, 2010Anderson, S. R., & Johnson, L. N. (2010). A dyadic analysis of the between and within system alliances on distress. Family Process, 49(2), 220-235. https://doi.org/10.1111/j.1545-5300.2010.01319.x
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; Sierau, & Herzberg, 2012Sierau, S., & Herzberg, P. Y. (2012). Conflict resolution as a dyadic mediator: Considering the partner perspective on conflict resolution. European Journal of Personality, 26(3), 221-232. https://doi.org/10.1002/per.828
https://doi.org/10.1002/per.828...
; Sullivan, Pasch, Johnson, & Bradbury, 2010Sullivan, K. T., Pasch, L. A., Johnson, M. D., & Bradbury, T. N. (2010). Social support, problem solving, and the longitudinal course of newlywed marriage. Journal of Personality and Social Psychology, 98(4), 631-644. https://doi.org/10.1037/a0017578
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; Wheeler, Updegraff, & Thayer, 2010Wheeler, L. A., Updegraff, K. A., & Thayer, S. M. (2010). Conflict resolution in mexican-origin couples: culture, gender, and marital quality. Journal of Marriage and Family, 72(4), 991-1005. https://doi.org/10.1111/j.1741-3737.2010.00744.x
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; Whiting, 2008)Whiting, J. B. (2008). The role of appraisal distortion, contempt, and morality in couple conflict: a grounded theory. Journal of Marital and Family Therapy, 34(1), 44-57. https://doi.org/10.1111/j.1752-0606.2008.00052.x
https://doi.org/10.1111/j.1752-0606.2008...
.

A comunicação e a resolução de conflitos na conjugalidade foram investigadas por Markman, Rhoades, Stanley, Ragan e Whitton (2010)Makinen, J. A., & Johnson, S. M. (2006). Resolving attachment injuries in couples using emotionally focused therapy: steps toward forgiveness and reconciliation. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 74(6), 1055-1064. https://doi.org/10.1037/0022-006X.74.6.1055
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, em um estudo com 210 casais americanos. Os pesquisadores avaliaram associações entre a comunicação e os conflitos conjugais antes do casamento e nas situações em que ocorreu divórcio nos primeiros cinco anos de união. Os resultados evidenciaram o que os autores denominaram o “efeito da negatividade”, isto é, a comunicação negativa é um fator de risco mais forte, tanto para o conflito quanto para o divórcio, do que a comunicação positiva é um fator de proteção. Os autores argumentam que experiências negativas são mais dolorosas e, por isso, os cônjuges tendem a supervalorizá-las em detrimento das positivas. Modelos negativos de resolução de conflito na família de origem, por outro lado, podem se repetir nos relacionamentos conjugais dos descendentes. Isso aconteceria, principalmente, com casais que possuem baixa capacidade de identificar os padrões interacionais e comportamentais aprendidos da relação conjugal dos pais que se repetem no próprio casamento (Curran, Ogolsky, Hazen, & Bosch, 2011Curran, M., Ogolsky, B., Hazen, N., & Bosch, L. (2011). Understanding marital conflict 7 years later from prenatal representations of marriage. Family Process, 50(2), 221-234. https://doi.org/10.1111/j.1545-5300.2011.01356.x
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). Nesse sentido, a psicoterapia poderia auxiliar o casal a identificar estilos destrutivos de resolver conflitos aprendidos na família de origem e alterar padrões de comunicação negativa.

Embora o foco das pesquisas em psicoterapia seja a clínica individual e os estudos de caso único, nas metodologias quantitativa e qualitativa e dentro das diversas abordagens teóricas (Brum, Frizzo, Gomes, Silva, Souza, & Piccinini, 2012Brum, E. H. M., Frizzo, G. B., Gomes, A. G., Silva, M. R., Souza, D. D., & Piccinini, C. A. (2012). Evolução dos modelos de pesquisa em psicoterapia. Estudos de Psicologia (Campinas), 29(2), 259-269. https://doi.org/10.1590/S0103-166X2012000200012
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; Enéas, 2008Enéas, M. L. E. (2008). Pesquisas em psicoterapia: seções especiais de periódico (1981 a 1994). Psicologia: Teoria e Pesquisa, 24(1), 111-116. https://doi.org/10.1590/S0102-37722008000100013
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; Peuker, Habigzang, Koller, & Araujo, 2009Peuker, A. C., Habigzang, L. F., Koller, S. H., & Araujo, L. B. (2009). Avaliação de processo e resultado em psicoterapias: uma revisão. Psicologia em Estudo, 14(3), 439-445. https://doi.org/10.1590/S1413-73722009000300004
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), a psicoterapia de casal vem sendo investigada, ainda que mais timidamente, há aproximadamente quatro décadas. Os primeiros estudos sobre terapia de casal encontrados na literatura científica datam da década de 1970 (Jacobson, 1978Jacobson, N. S. (1978). Specific and nonspecific factors in the effectiveness of a behavioral approach to the treatment of marital discord. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 46(3), 442-452. https://doi.org/10.1037/0022-006X.46.3.442
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; 1979Jacobson, N. S. (1979). Increasing positive behavior in severely distressed marital relationships: the effects of problem-solving training. Behavior Therapy, 10(3), 311-326. https://doi.org/10.1016/S0005-7894(79)80021-0
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). Essas pesquisas investigavam a efetividade do treinamento para resolução de conflitos com casais que tinham conflitos graves e comparavam as estratégias adotadas por casais em terapia com aquelas de casais que aguardavam em lista de espera. As díades em tratamento demonstravam maior capacidade de resolver os conflitos se comparadas com as que ainda não haviam iniciado psicoterapia, tais mudanças se mantinham ao longo do tempo.

Nos anos 1980, foi produzido um número expressivo de estudos sobre terapia de casal na perspectiva comportamental (Baucom, 1982Baucom, D. H. (1982). A comparison of behavioral contracting and problem-solving/communications training in behavioral marital therapy. Behavior Therapy, 13(2), 162-174. https://doi.org/10.1016/S0005-7894(82)80060-9
https://doi.org/10.1016/S0005-7894(82)80...
; Jacobson, 1978Jacobson, N. S. (1978). Specific and nonspecific factors in the effectiveness of a behavioral approach to the treatment of marital discord. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 46(3), 442-452. https://doi.org/10.1037/0022-006X.46.3.442
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; 1979Jacobson, N. S. (1979). Increasing positive behavior in severely distressed marital relationships: the effects of problem-solving training. Behavior Therapy, 10(3), 311-326. https://doi.org/10.1016/S0005-7894(79)80021-0
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; 1984Jacobson, N. S. (1984). A component analysis of behavioral marital therapy: the relative effectiveness of behavior exchange and communication/problem-solving training. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 52(2), 295-305. https://doi.org/10.1037/0022-006X.52.2.295
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; Jacobson, Follette, Follette, Holtzworth-Munroe, Katt, & Schmaling, 1985Jacobson, N. S., Follette, V. M., Follette, W. C., Holtzworth-Munroe, A., Katt, J. L., & Schmaling, K. B. (1985). A component analysis of behavioral marital therapy: 1-year follow-up. Behavior Research and Therapy, 23(5), 549-555. https://doi.org/10.1016/0005-7967(85)90102-0
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; Jacobson, Schmaling, & Holtzworth‐Munroe, 1987Jacobson, N. S., Schmaling, K. B., & Holtzworth‐Munroe, A. (1987). Component analysis of behavioral marital therapy: 2‐year follow‐up and prediction of relapse. Journal of Marital and Family Therapy, 13(2), 187-195. https://doi.org/10.1111/j.1752-0606.1987.tb00696.x
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; Sayers, Baucom, Sher, & Weiss, 1991Sayers, S. L., Baucom, D. H., Sher, T. G., & Weiss, R. L. (1991). Constructive engagement, behavioral marital therapy, and changes in marital satisfaction. Behavioral Assessment, 13(1), 25-49. Retrieved from https://www.academia.edu/20451225/Constructive_engagement_behavioral_marital_therapy_and_changes_in_marital_satisfaction
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). As pesquisas nesta área focavam, principalmente, a resolução de conflitos, a comunicação conjugal, a satisfação com o relacionamento, o engajamento na terapia e os comportamentos positivos nas situações envolvendo conflitos graves. O foco era avaliar a eficácia da psicoterapia utilizando medidas pré e pós-tratamento e de follow-up por meio de critérios metodológicos rigorosos.

Nos anos 1990 e início dos anos 2000, foram produzidos estudos à luz da teoria cognitivo-comportamental (Behrens, Sanders, & Halford, 1990Behrens, B. C., Sanders, M. R., & Halford, W. K. (1990). Behavioral marital therapy: an evaluation of treatment effects across high and low risk settings. Behavior Therapy, 21(4), 423-433. https://doi.org/10.1016/S0005-7894(05)80356-9
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; Braukhaus, Hahlweg, Kroeger, Groth, & Fehm-Wolfsdorf, 2003Braukhaus, C., Hahlweg, K., Kroeger, C., Groth, T., & Fehm-Wolfsdorf, G. (2003). The effects of adding booster sessions to a prevention-training program for committed couples. Behavioral and Cognitive Psychotherapy, 31(03), 325-336. https://doi.org/10.1017/S1352465803003072
https://doi.org/10.1017/S135246580300307...
; Kaiser, Hahlweg, Fehm-Wolfsdorf, & Groth, 1998Kaiser, A., Hahlweg, K., Fehm-Wolfsdorf, G., & Groth, T. (1998). The efficacy of a compact psychoeducational group-training program for married couples. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 66(5), 753-760. https://doi.org/10.1037/0022-006X.66.5.753
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) e da teoria sistêmica (Davidson, & Horvath, 1997Davidson, G. N., & Horvath, A. O. (1997). Three sessions of brief couples therapy: a clinical trial. Journal of Family Psychology, 11(4), 422-435. https://doi.org/10.1037/0893-3200.11.4.422-435
https://doi.org/10.1037/0893-3200.11.4.4...
; Goldman, & Greenberg, 1992Goldman, A., & Greenberg, L. (1992). Comparison of integrated systemic and emotionally focused approaches to couples therapy. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 60(6), 962-969. https://doi.org/10.1037/0022-006X.60.6.962
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; Johnson, & Greenberg, 1985Johnson, S. M., & Greenberg, L. S. (1985). Differential effects of experiential and problem-solving interventions in resolving marital conflict. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 53(2), 175-184. https://doi.org/10.1037/0022-006X.53.2.175
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; Rohrbaugh, & Shoham, 2001Rohrbaugh, M. J., & Shoham, V. (2001). Brief therapy based on interrupting ironic processes: the Palo Alto model. Clinical Psychology: Science and Practice, 8(1), 66-81. https://doi.org/10.1093/clipsy.8.1.66
https://doi.org/10.1093/clipsy.8.1.66...
). Os estudos da primeira abordagem teórica investigavam os efeitos dos programas de prevenção e das técnicas de psicoeducação, individuais e em grupo, além de comparar os resultados de diferentes abordagens, como a Terapia Conjugal Comportamental (BMT) e a Terapia Conjugal Cognitivo-comportamental (CBMT). Na perspectiva sistêmica, também eram comparadas diferentes abordagens, como a Terapia Sistêmica Integrativa (IST) e a Terapia Focada na Emoção (EFT), utilizando medidas pré e pós-psicoterapia e de follow-up.

Nessa perspectiva, observa-se que nas últimas quatro décadas foram desenvolvidos estudos de eficácia, de efetividade e de processo. Os estudos de eficácia avaliam a validade interna da psicoterapia em ambiente controlado utilizando critérios de inclusão e exclusão rigorosos, amostra randomizada, protocolos, treinamento e acompanhamento para os terapeutas. Os estudos de efetividade avaliam a validade externa no contexto real onde o tratamento ocorre, caracterizam-se como quase experimentais por investigar a prática clínica com especificidades que não se pode controlar, como por exemplo, comorbidades, heterogeneidade da amostra, diferenças entre os profissionais (Peuker et al., 2009Peuker, A. C., Habigzang, L. F., Koller, S. H., & Araujo, L. B. (2009). Avaliação de processo e resultado em psicoterapias: uma revisão. Psicologia em Estudo, 14(3), 439-445. https://doi.org/10.1590/S1413-73722009000300004
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; Serralta, Nunes, & Eizirik, 2011Serralta, F. B., Nunes, M. L. T., & Eizirik, C. L. (2011). Considerações metodológicas sobre o estudo de caso na pesquisa em psicoterapia. Estudos de Psicologia (Campinas), 28(4), 501-510. https://doi.org/10.1590/S0103-166X2011000400010
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). Os estudos de processo em psicoterapia investigam o que ocorre durante o tratamento e as variáveis associadas à mudança no paciente. São analisados fatores inespecíficos nos tratamentos psicológicos, como a aliança terapêutica e a relação terapeuta-paciente, e fatores específicos, como os processos de mudança e os comportamentos do terapeuta que levaram à mudança. Tais alterações são apontadas como uma alternativa para se superar o veredito Dodô, termo utilizado na década de 1970 defendendo a equivalência entre as terapias no que se referia aos resultados satisfatórios dos tratamentos psicoterápicos, isto é, não se conseguia demonstrar diferenças significativas entre elas, apenas se evidenciava que funcionavam (Brum et al., 2012Brum, E. H. M., Frizzo, G. B., Gomes, A. G., Silva, M. R., Souza, D. D., & Piccinini, C. A. (2012). Evolução dos modelos de pesquisa em psicoterapia. Estudos de Psicologia (Campinas), 29(2), 259-269. https://doi.org/10.1590/S0103-166X2012000200012
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; Serralta et al., 2011)Serralta, F. B., Nunes, M. L. T., & Eizirik, C. L. (2011). Considerações metodológicas sobre o estudo de caso na pesquisa em psicoterapia. Estudos de Psicologia (Campinas), 28(4), 501-510. https://doi.org/10.1590/S0103-166X2011000400010
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.

De modo geral, as pesquisas em psicoterapia têm como objetivo identificar, testar, desenvolver e, sobretudo, estimular o uso e a disseminação de técnicas psicoterápicas válidas cientificamente visando a saúde mental dos indivíduos (Brum et al., 2012Brum, E. H. M., Frizzo, G. B., Gomes, A. G., Silva, M. R., Souza, D. D., & Piccinini, C. A. (2012). Evolução dos modelos de pesquisa em psicoterapia. Estudos de Psicologia (Campinas), 29(2), 259-269. https://doi.org/10.1590/S0103-166X2012000200012
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). Esses estudos avaliam se as psicoterapias produzem resultados efetivos, quais fatores e de que forma favorecem a remissão de sintomas. Além disso, possibilitam o desenvolvimento fundamentado da prática profissional e demonstram que pesquisa e clínica são, portanto, indissolúveis e complementares (Enéas, 2008Enéas, M. L. E. (2008). Pesquisas em psicoterapia: seções especiais de periódico (1981 a 1994). Psicologia: Teoria e Pesquisa, 24(1), 111-116. https://doi.org/10.1590/S0102-37722008000100013
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; Peuker et al., 2009Peuker, A. C., Habigzang, L. F., Koller, S. H., & Araujo, L. B. (2009). Avaliação de processo e resultado em psicoterapias: uma revisão. Psicologia em Estudo, 14(3), 439-445. https://doi.org/10.1590/S1413-73722009000300004
https://doi.org/10.1590/S1413-7372200900...
; Serralta et al., 2011Serralta, F. B., Nunes, M. L. T., & Eizirik, C. L. (2011). Considerações metodológicas sobre o estudo de caso na pesquisa em psicoterapia. Estudos de Psicologia (Campinas), 28(4), 501-510. https://doi.org/10.1590/S0103-166X2011000400010
https://doi.org/10.1590/S0103-166X201100...
).

Nesse sentido, foram considerados para a realização dessa revisão: a relevância das pesquisas baseadas em evidências, a escassez desses estudos com casais e o foco das pesquisas em psicoterapia conjugal nas estratégias de resolução de conflito, variável central no processo terapêutico e fundamental para a satisfação e a qualidade do casamento em longo prazo (Leggett et al., 2012Leggett, D. G., Roberts-Pittman, B., Byczek, S., & Morse, D. T. (2012). Cooperation, conflict, and marital satisfaction: Bridging theory, research, and practice. The Journal of Individual Psychology, 68(2), 182-199. Retrieved from http://eds.b.ebscohost.com/eds/pdfviewer/pdfviewer?sid=22de6a9f-e52c-4cbd-b5dc-9d282ffe0e70%40sessionmgr114&vid=5&hid=121
http://eds.b.ebscohost.com/eds/pdfviewer...
; Paleari, Regalia, & Fincham, 2010Paleari, F. G., Regalia, C., & Fincham, F. D. (2010). Forgiveness and conflict resolution in close relationships: within and cross partner effects. Universitas Psychologica, 9(1), 35-56. Retrieved from http://www.scielo.org.co/pdf/rups/v9n1/v9n1a04.pdf
http://www.scielo.org.co/pdf/rups/v9n1/v...
; Schoebi et al., 2012Schoebi, D., Karney, B. R., & Bradbury, T. N. (2012). Stability and change in the first 10 years of marriage: Does commitment confer benefits beyond the effects of satisfaction? Journal of Personality and Social Psychology, 102(4), 729-742. https://doi.org/10.1037/a0026290
https://doi.org/10.1037/a0026290...
; Veldorale-Brogan et al., 2013)Veldorale-Brogan, A., Lambert, N. M., Fincham, F. D., & DeWall, C. N. (2013). The virtue of problem solving: perceived partner virtues as predictors of problem-solving efficacy. Personal Relationships, 20(3), 511-523. https://doi.org/10.1111/j.1475-6811.2012.01421.x
https://doi.org/10.1111/j.1475-6811.2012...
. Frente a isso, o objetivo neste estudo foi realizar uma revisão sistemática de artigos científicos sobre psicoterapia de casal e estratégias de resolução de conflito e identificar variáveis envolvidas no processo terapêutico. Conhecer como se configura o panorama dos estudos sobre a temática favorecerá identificar lacunas e novas perspectivas de investigação. Ademais, analisar e discutir modelos teóricos e diferentes técnicas de resolução de conflito para o atendimento das demandas conjugais na clínica poderá contrapor as variações entre abordagem teórica, técnica e demanda que influenciam o processo psicoterápico.

Método

Delineamento: trata-se de uma revisão sistemática da literatura de natureza descritiva em que foram feitas síntese e análise crítica do material levantado por meio de procedimentos sistemáticos, explícitos e replicáveis, cujo objetivo foi integrar, descrever, apontar divergências e convergências e orientar novas direções às pesquisas da área (Costa, Zoltowski, Koller, & Teixeira, 2015Costa, A. B., Zoltowski, A. P. C., Koller, S. H., & Teixeira, M. A. P. (2015). Construção de uma escala para avaliar a qualidade metodológica de revisões sistemáticas. Ciências & Saúde Coletiva, 20(8), 2441-2452. https://doi.org/10.1590/1413-81232015208.10762014
https://doi.org/10.1590/1413-81232015208...
; Sampaio, & Mancini, 2007Sampaio, R. F., & Mancini, M. C. (2007). Estudos de revisão sistemática: um guia para síntese criteriosa da evidência científica. Revista Brasileira de Fisioterapia, 11(1), 83-89. https://doi.org/10.1590/S1413-35552007000100013
https://doi.org/10.1590/S1413-3555200700...
). Os procedimentos realizados neste estudo foram: a) considerações sobre o estado da arte da temática investigada; b) definição dos critérios de inclusão e exclusão; c) análise das características e dos resultados dos estudos elegidos; d) apresentação dos resultados, discussão e conclusões (Sampaio, & Mancini, 2007Sampaio, R. F., & Mancini, M. C. (2007). Estudos de revisão sistemática: um guia para síntese criteriosa da evidência científica. Revista Brasileira de Fisioterapia, 11(1), 83-89. https://doi.org/10.1590/S1413-35552007000100013
https://doi.org/10.1590/S1413-3555200700...
).

Procedimentos de busca: a pesquisa foi realizada em oito bases de dados: Lilacs, Ibecs, Medline, Biblioteca Cochrane e SciELO (via Portal da Biblioteca Virtual em Saúde – BVS), Academic Search Complete, PsycINFO e Web of Science. Os termos de busca foram definidos de acordo com os descritores em Ciências da Saúde (Decs/BVS) e foi empregado o operador boleano AND entre os termos. Os descritores em português e inglês foram: 1) terapia de casal AND resolução de problemas – couples therapy AND problem solving e 2) terapia de casal AND resolução de conflitos – couples therapy AND conflict resolution.

Os procedimentos de busca, seleção e análise dos artigos foram realizados por dois juízes independentes em cinco etapas e de acordo com os critérios utilizados na escala para avaliação da qualidade metodológica das revisões sistemáticas (Costa et al., 2015Costa, A. B., Zoltowski, A. P. C., Koller, S. H., & Teixeira, M. A. P. (2015). Construção de uma escala para avaliar a qualidade metodológica de revisões sistemáticas. Ciências & Saúde Coletiva, 20(8), 2441-2452. https://doi.org/10.1590/1413-81232015208.10762014
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). Etapa (1): busca, nas bases de dados, de artigos científicos das ciências humanas e da saúde, nos idiomas português, espanhol e inglês, disponíveis em texto completo, publicados entre 2006 e 2015 – a busca foi realizada em agosto de 2015 e continha ao menos um dos seguintes unitermos no título “terapia de casal”, “resolução de conflitos” ou “resolução de problemas”; Etapa (2): exclusão dos estudos repetidos entre as bases de dados; Etapa (3): análise dos resumos, que deveriam indicar pesquisa empírica e abranger pelo menos uma das temáticas descritas na etapa 1. Foram excluídas, nesta etapa, dissertações, teses, artigos teóricos, meta-análises e estudos cujo foco era individual, psicoeducativo ou envolviam a análise de outros fatores, como doença crônica e comorbidades psiquiátricas; Etapa (4): verificação da concordância entre juízes quanto à exclusão ou inclusão de estudos e encaminhamento dos casos discordantes para avaliação de um terceiro juiz e realização de consenso; Etapa (5): elegibilidade, descrição, análise e discussão dos estudos pelos juízes.

Análise dos dados: os estudos foram analisados a partir da sua abordagem teórica, delineamento, ano de publicação, local de realização, objetivos e principais resultados. Foi realizada uma leitura horizontal dos manuscritos, verificando-se a presença de variáveis comuns entre as diferentes perspectivas teóricas, técnicas ou propostas de intervenção. Posteriormente, uma avaliação vertical, analisando-se variáveis de investigação específicas em cada estudo.

Resultados

A busca nas bases de dados resultou em 238 artigos, conforme Figura: Academic Search Complete (n = 39), Portal da Biblioteca Virtual em Saúde (n = 55), PsycINFO (n = 64) e Web of Science (n = 80). Destes 238 estudos, foram excluídos 170, por não constar no título nenhum dos unitermos definidos, e 20 repetidos entre as bases de dados. Na etapa seguinte, cada juiz analisou separadamente os 48 estudos restantes. Houve concordância na análise de 43 artigos, sendo 35 para exclusão e oito considerados pertinentes à proposta deste estudo.

Figura
Fluxograma do levantamento em bases de dados.

Os artigos excluídos foram: estudos teóricos, meta-análises e pesquisas que analisaram outras variáveis no casamento, tais como, depressão, câncer, alcoolismo ou uso de substâncias psicoativas, investigação das estratégias em uma perspectiva individual, intervenção psicoeducativa com casais e orientação para conflitos conjugais via internet. Houve discordância entre os juízes sobre cinco estudos que, embora investigassem resolução de conflito e psicoterapia de casal, envolviam propostas específicas de determinados grupos de pesquisadores sobre as variáveis perdão e apego, associadas às estratégias. Estes artigos foram avaliados por um terceiro juiz e, então, decidiu-se consensualmente pela inclusão de todos.

Foi analisada uma amostra total de 13 artigos, descritos na Tabela 1. Percebe-se que a maioria dos estudos foi publicado em 2011, sendo a maior parte nos Estados Unidos (n = 7), seguido do Canadá (n = 4), Holanda (n = 1) e Noruega (n = 1). A abordagem teórica mais frequente foi a Comportamental e a Cognitivo-comportamental, seguida pela Sistêmica e pesquisas que utilizaram mais de uma teoria. Os delineamentos mais utilizados foram os ensaios clínicos randomizados e os estudos clínicos sem grupo controle. Foram encontrados também estudos de caso, estudos clínicos com grupo controle não randomizado e estudos de observação. Cabe ressaltar que os ensaios clínicos randomizados apresentaram amostras maiores e foram mais frequentes na abordagem comportamental. Já os estudos clínicos sem grupo controle foram mais frequentes na abordagem sistêmica.

Tabela 1
Caracterização dos Estudos.

Na Tabela 2 são apresentados os objetivos e os resultados dos estudos analisados. Três categorias de objetivos foram identificadas: a) Foco na teoria, em que diferentes abordagens foram comparadas; b) Foco em uma temática associada à resolução dos conflitos, nas quais foram identificadas distintas variáveis associadas às estratégias de resolução durante a terapia; e c) Foco na abordagem teórica e em uma temática associada à resolução dos conflitos.

Tabela 2
Objetivos e principais resultados dos estudos.

Quanto aos resultados, observa-se que os estudos baseados nas teorias comportamentais reportaram aumento no ajustamento conjugal, na regulação emocional, na comunicação, nos comportamentos positivos e na resolução dos conflitos. Houve também diminuição dos sintomas depressivos e da expressão de raiva. Nessa abordagem, a Terapia Comportamental Tradicional de Casal (TBCT) demonstrou resultados superiores em relação à Terapia Comportamental Integrativa de Casal (IBCT) durante o tratamento, atribuídos, principalmente, ao acompanhamento do terapeuta. Porém, os resultados não se mantiveram após o término do tratamento. Outros estudos demonstraram resultados inconclusivos ou referiram que, apesar da superioridade da TBCT ao longo do tratamento, os pacientes tratados com a IBCT apresentaram melhoras após o término do tratamento, o que não ocorreu com os pacientes tratados com a TBCT.

Os estudos baseados nas teorias sistêmica e psicodinâmica abrangeram aspectos relativos ao processo psicoterapêutico e a variáveis de resultado. Foram identificados padrões de mudança interpessoais semelhantes aos intrapessoais e intervenções envolvendo validação, ressignificação, reestruturação e modelagem de interações. Quanto às variáveis de resultado, foram reportadas melhoras no ajustamento conjugal, na capacidade de expressar necessidades e empatia, na comunicação e na resolução dos conflitos. Além disso, houve diminuição das respostas hostis entre o casal durante a terapia.

Discussão

O ano de publicação dos estudos encontrados não estão distribuídos igualmente entre 2006–2015, período delimitado na busca. Não houve publicações nos anos de 2009, 2010, 2012 e 2014, porém, oito dos 13 estudos foram publicados entre 2011 e 2015. Esse resultado pode indicar uma necessidade e preocupação crescente dos pesquisadores em desenvolver estudos sobre as psicoterapias baseadas em evidências a respeito das diversas temáticas que envolvem a conjugalidade e, entre elas, as estratégias de resolução de conflito ainda necessitam ser aprofundadas (Brum et al., 2012Brum, E. H. M., Frizzo, G. B., Gomes, A. G., Silva, M. R., Souza, D. D., & Piccinini, C. A. (2012). Evolução dos modelos de pesquisa em psicoterapia. Estudos de Psicologia (Campinas), 29(2), 259-269. https://doi.org/10.1590/S0103-166X2012000200012
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; Enéas, 2008Enéas, M. L. E. (2008). Pesquisas em psicoterapia: seções especiais de periódico (1981 a 1994). Psicologia: Teoria e Pesquisa, 24(1), 111-116. https://doi.org/10.1590/S0102-37722008000100013
https://doi.org/10.1590/S0102-3772200800...
; Peuker et al., 2009Peuker, A. C., Habigzang, L. F., Koller, S. H., & Araujo, L. B. (2009). Avaliação de processo e resultado em psicoterapias: uma revisão. Psicologia em Estudo, 14(3), 439-445. https://doi.org/10.1590/S1413-73722009000300004
https://doi.org/10.1590/S1413-7372200900...
; Serralta et al., 2011Serralta, F. B., Nunes, M. L. T., & Eizirik, C. L. (2011). Considerações metodológicas sobre o estudo de caso na pesquisa em psicoterapia. Estudos de Psicologia (Campinas), 28(4), 501-510. https://doi.org/10.1590/S0103-166X2011000400010
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).

Os Estados Unidos foram o lugar com o maior número de publicações, seguidos do Canadá, Noruega e Holanda. A concentração de estudos sobre a temática na América do Norte indica maior investimento desses países em pesquisas científicas, que, inevitavelmente, são utilizadas como critério de comparação em outros contextos. Conforme apontado no estudo de Costa et al. (2016)Costa, C. B., Cenci, C. M. B., & Mosmann, C. P. (2016). Conflito conjugal e estratégias de resolução: Uma revisão sistemática da literatura. Temas em Psicologia, 24(1), 325-38. https://doi.org/10.9788/TP2016.1-22
https://doi.org/10.9788/TP2016.1-22...
, a predominância de estudos científicos no contexto norte-americano demonstra a influência que outros países recebem da referida “cultura científica” e aponta a necessidade de investimento em pesquisa por parte de outros países. No Brasil, por exemplo, não foi encontrada nenhuma publicação sobre pesquisa em psicoterapia de casal e estratégias de resolução de conflito nos últimos dez anos.

A predominância de ensaios clínicos randomizados entre os estudos investigados pode indicar a preocupação dos pesquisadores em aumentar o rigor metodológico por meio de estudos de eficácia. Embora os ensaios clínicos sem grupo controle, denominados estudos de efetividade, os estudos de caso e os estudos de observação tenham sido menos frequentes, são investigações que também possibilitam avanços em termos de conhecimento científico.

Os estudos experimentais garantem maior controle de variáveis e possibilitam a criação de protocolos e manuais para o tratamento de determinadas psicopatologias e o contexto terapêutico é criado em “laboratório”. Já os estudos quase-experimentais ou de efetividade, os estudos de caso e os estudos de observação alcançam maior validade externa por produzirem situações reais e obterem resultados semelhantes aos da prática profissional na clínica psicológica. As limitações desses delineamentos são a interferência de variáveis ambientais, do terapeuta e do paciente que nem sempre são possíveis controlar (Brum et al., 2012Brum, E. H. M., Frizzo, G. B., Gomes, A. G., Silva, M. R., Souza, D. D., & Piccinini, C. A. (2012). Evolução dos modelos de pesquisa em psicoterapia. Estudos de Psicologia (Campinas), 29(2), 259-269. https://doi.org/10.1590/S0103-166X2012000200012
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; Peuker et al., 2009Peuker, A. C., Habigzang, L. F., Koller, S. H., & Araujo, L. B. (2009). Avaliação de processo e resultado em psicoterapias: uma revisão. Psicologia em Estudo, 14(3), 439-445. https://doi.org/10.1590/S1413-73722009000300004
https://doi.org/10.1590/S1413-7372200900...
; Serralta et al., 2011Serralta, F. B., Nunes, M. L. T., & Eizirik, C. L. (2011). Considerações metodológicas sobre o estudo de caso na pesquisa em psicoterapia. Estudos de Psicologia (Campinas), 28(4), 501-510. https://doi.org/10.1590/S0103-166X2011000400010
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).

As perspectivas teóricas dos estudos foram predominantemente comportamentais e cognitivo-comportamentais (Baucom, Baucom, & Christensen, 2015Baucom, K. J., Baucom, B. R., & Christensen, A. (2015). Changes in dyadic communication during and after integrative and traditional behavioral couple therapy. Behavior Research and Therapy, 65, 18-28. https://doi.org/10.1016/j.brat.2014.12.004
https://doi.org/10.1016/j.brat.2014.12.0...
; Baucom, Sevier, Eldridge, Doss, & Christensen, 2011Baucom, K. J., Sevier, M., Eldridge, K. A., Doss, B. D., & Christensen, A. (2011). Observed communication in couples two years after integrative and traditional behavioral couple therapy: outcome and link with five-year follow-up. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 79(5), 565-576. https://doi.org/10.1037/a0025121
https://doi.org/10.1037/a0025121...
; Bélanger, Laporte, Sabourin, & Wright, 2015Bélanger, C., Laporte, L., Sabourin, S., & Wright, J. (2015). The effect of cognitive-behavioral group marital therapy on marital happiness and problem solving self-appraisal. The American Journal of Family Therapy, 43(2), 103-118. https://doi.org/10.1080/01926187.2014.956614
https://doi.org/10.1080/01926187.2014.95...
; Kirby & Baucom, 2007aKirby, J. S., & Baucom, D. H. (2007a). Integrating dialectical behavior therapy and cognitive-behavioral couple therapy: a couples skills group for emotion dysregulation. Cognitive and Behavioral Practice, 14(4), 394-405. https://doi.org/10.1016/j.cbpra.2006.09.006
https://doi.org/10.1016/j.cbpra.2006.09....
; 2007bKirby, J. S., & Baucom, D. H. (2007b). Treating emotion dysregulation in a couples context: a pilot study of a couples skills group intervention. Journal of Marital and Family Therapy, 33(3), 375-391. https://doi.org/10.1111/j.1752-0606.2007.00037.x
https://doi.org/10.1111/j.1752-0606.2007...
; Li, Lin, Nelson, & Eckstein, 2008Li, C. S., Lin, Y. F., Nelson, J., & Eckstein, D. (2008). Hats off to problem solving with couples. The Family Journal, 16(3), 254-257. https://doi.org/10.1177/1066480708317674
https://doi.org/10.1177/1066480708317674...
; Sevier, Eldridge, Jones, Doss, & Christensen, 2008Sevier, M., Eldridge, K., Jones, J., Doss, B. D., & Christensen, A. (2008). Observed communication and associations with satisfaction during traditional and integrative behavioral couple therapy. Behavior Therapy, 39(2), 137-150. https://doi.org/10.1016/j.beth.2007.06.001
https://doi.org/10.1016/j.beth.2007.06.0...
) em detrimento das abordagens sistêmicas, teoria do apego e teoria psicodinâmica (Conradi, Jonge, Neeleman, Simons, & Sytema, 2011Conradi, H. J., Jonge, P., Neeleman, A., Simons, P., & Sytema, S. (2011). Partner attachment as a predictor of long-term response to treatment with couples therapy. Journal of Sex & Marital Therapy, 37(4), 286-297. https://doi.org/10.1080/0092623X.2011.582435
https://doi.org/10.1080/0092623X.2011.58...
; Makinen, & Johnson, 2006Makinen, J. A., & Johnson, S. M. (2006). Resolving attachment injuries in couples using emotionally focused therapy: steps toward forgiveness and reconciliation. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 74(6), 1055-1064. https://doi.org/10.1037/0022-006X.74.6.1055
https://doi.org/10.1037/0022-006X.74.6.1...
; Schielke et al., 2011Schielke, H. J., Stiles, W. B., Cuellar, R. E., Fishman, J. L., Hoener, C., Del Castillo, D., et al. (2011). A case study investigating whether the process of resolving interpersonal problems in couple therapy is isomorphic to the process of resolving problems in individual therapy. Pragmatic Case Studies in Psychotherapy, 7(4), 477-528. https://doi.org/10.14713/pcsp.v7i4.1114
https://doi.org/10.14713/pcsp.v7i4.1114...
; Tilden, Hoffart, Sexton, Finset, & Gude, 2011Tilden, T., Hoffart, A., Sexton, H., Finset, A., & Gude, T. (2011). The role of specific and common process variables in residential couple therapy. Journal of Couple & Relationship Therapy, 10(3), 262-278. https://doi.org/10.1080/15332691.2011.588100
https://doi.org/10.1080/15332691.2011.58...
; Zuccarini, Johnson, Dalgleish, & Makinen, 2013Zuccarini, D., Johnson, S. M., Dalgleish, T. L., & Makinen, J. A. (2013). Forgiveness and reconciliation in emotionally focused therapy for couples: The client change process and therapist interventions. Journal of Marital and Family Therapy, 39(2), 148-162. https://doi.org/10.1111/j.1752-0606.2012.00287.x
https://doi.org/10.1111/j.1752-0606.2012...
). Esse resultado pode estar associado ao fato de as primeiras abordagens estarem mais próximas dos pressupostos positivistas, quantitativos em ciência, que podem ser comparados à utilização de protocolos e manuais. Além disso, observa-se o rigor metodológico dos estudos nas abordagens comportamentais e cognitivo-comportamentais que utilizaram, predominantemente, ensaios clínicos randomizados (Baucom et al., 2011Baucom, K. J., Sevier, M., Eldridge, K. A., Doss, B. D., & Christensen, A. (2011). Observed communication in couples two years after integrative and traditional behavioral couple therapy: outcome and link with five-year follow-up. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 79(5), 565-576. https://doi.org/10.1037/a0025121
https://doi.org/10.1037/a0025121...
; 2015Baucom, K. J., Baucom, B. R., & Christensen, A. (2015). Changes in dyadic communication during and after integrative and traditional behavioral couple therapy. Behavior Research and Therapy, 65, 18-28. https://doi.org/10.1016/j.brat.2014.12.004
https://doi.org/10.1016/j.brat.2014.12.0...
; Bélanger et al., 2015)Bélanger, C., Laporte, L., Sabourin, S., & Wright, J. (2015). The effect of cognitive-behavioral group marital therapy on marital happiness and problem solving self-appraisal. The American Journal of Family Therapy, 43(2), 103-118. https://doi.org/10.1080/01926187.2014.956614
https://doi.org/10.1080/01926187.2014.95...
.

As pesquisas em psicoterapia de casal também foram o foco de investigação em outras abordagens teóricas, como a teoria do apego e a teoria psicodinâmica (Conradi et al., 2011Conradi, H. J., Jonge, P., Neeleman, A., Simons, P., & Sytema, S. (2011). Partner attachment as a predictor of long-term response to treatment with couples therapy. Journal of Sex & Marital Therapy, 37(4), 286-297. https://doi.org/10.1080/0092623X.2011.582435
https://doi.org/10.1080/0092623X.2011.58...
; Makinen, & Johnson, 2006Makinen, J. A., & Johnson, S. M. (2006). Resolving attachment injuries in couples using emotionally focused therapy: steps toward forgiveness and reconciliation. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 74(6), 1055-1064. https://doi.org/10.1037/0022-006X.74.6.1055
https://doi.org/10.1037/0022-006X.74.6.1...
; Zuccarini et al., 2013)Zuccarini, D., Johnson, S. M., Dalgleish, T. L., & Makinen, J. A. (2013). Forgiveness and reconciliation in emotionally focused therapy for couples: The client change process and therapist interventions. Journal of Marital and Family Therapy, 39(2), 148-162. https://doi.org/10.1111/j.1752-0606.2012.00287.x
https://doi.org/10.1111/j.1752-0606.2012...
. Evidencia-se que pesquisadores dessas áreas têm buscado evidências de validade sobre a eficácia e/ou efetividade das teorias e das técnicas psicoterápicas, o que pode estar associado à preocupação crescente com a consolidação da Psicologia enquanto ciência em diferentes abordagens teóricas (Serralta et al., 2011)Serralta, F. B., Nunes, M. L. T., & Eizirik, C. L. (2011). Considerações metodológicas sobre o estudo de caso na pesquisa em psicoterapia. Estudos de Psicologia (Campinas), 28(4), 501-510. https://doi.org/10.1590/S0103-166X2011000400010
https://doi.org/10.1590/S0103-166X201100...
.

A combinação entre abordagens teóricas também parece ser uma tendência (Conradi et al., 2011Conradi, H. J., Jonge, P., Neeleman, A., Simons, P., & Sytema, S. (2011). Partner attachment as a predictor of long-term response to treatment with couples therapy. Journal of Sex & Marital Therapy, 37(4), 286-297. https://doi.org/10.1080/0092623X.2011.582435
https://doi.org/10.1080/0092623X.2011.58...
; Makinen, & Johnson, 2006Makinen, J. A., & Johnson, S. M. (2006). Resolving attachment injuries in couples using emotionally focused therapy: steps toward forgiveness and reconciliation. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 74(6), 1055-1064. https://doi.org/10.1037/0022-006X.74.6.1055
https://doi.org/10.1037/0022-006X.74.6.1...
; Worthington Jr et al., 2015Worthington Jr, E. L., Berry, J. W., Hook, J. N., Davis, D. E., Scherer, M., Griffin, B. J., et al. (2015). Forgiveness reconciliation and communication conflict resolution interventions versus retested controls in early-married couples. Journal of Counseling Psychology, 62(1), 14-27. https://doi.org/10.1037/cou0000045
https://doi.org/10.1037/cou0000045...
; Zuccarini et al., 2013)Zuccarini, D., Johnson, S. M., Dalgleish, T. L., & Makinen, J. A. (2013). Forgiveness and reconciliation in emotionally focused therapy for couples: The client change process and therapist interventions. Journal of Marital and Family Therapy, 39(2), 148-162. https://doi.org/10.1111/j.1752-0606.2012.00287.x
https://doi.org/10.1111/j.1752-0606.2012...
, especialmente entre a abordagem sistêmica, por meio da Terapia Focada na Emoção, e a Teoria do Apego (Makinen, & Johnson, 2006Makinen, J. A., & Johnson, S. M. (2006). Resolving attachment injuries in couples using emotionally focused therapy: steps toward forgiveness and reconciliation. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 74(6), 1055-1064. https://doi.org/10.1037/0022-006X.74.6.1055
https://doi.org/10.1037/0022-006X.74.6.1...
; Zuccarini et al., 2013)Zuccarini, D., Johnson, S. M., Dalgleish, T. L., & Makinen, J. A. (2013). Forgiveness and reconciliation in emotionally focused therapy for couples: The client change process and therapist interventions. Journal of Marital and Family Therapy, 39(2), 148-162. https://doi.org/10.1111/j.1752-0606.2012.00287.x
https://doi.org/10.1111/j.1752-0606.2012...
. Ainda que as duas perspectivas sejam distintas, essa proposta de aproximação aponta a necessidade de avaliar se existe associação entre a Terapia Focada na Emoção e a Teoria do Apego e de que forma isso se expressa na terapia e no relacionamento dos casais em tratamento.

Nos estudos em que abordagens teóricas foram comparadas e analisadas (Kirby, & Baucom, 2007aKirby, J. S., & Baucom, D. H. (2007a). Integrating dialectical behavior therapy and cognitive-behavioral couple therapy: a couples skills group for emotion dysregulation. Cognitive and Behavioral Practice, 14(4), 394-405. https://doi.org/10.1016/j.cbpra.2006.09.006
https://doi.org/10.1016/j.cbpra.2006.09....
; Worthington Jr et al., 2015Worthington Jr, E. L., Berry, J. W., Hook, J. N., Davis, D. E., Scherer, M., Griffin, B. J., et al. (2015). Forgiveness reconciliation and communication conflict resolution interventions versus retested controls in early-married couples. Journal of Counseling Psychology, 62(1), 14-27. https://doi.org/10.1037/cou0000045
https://doi.org/10.1037/cou0000045...
), foi demonstrado que os casais obtiveram ganhos após a realização do tratamento, tanto através de medidas pré e pós-tratamento e de follow-up, como de comparação entre grupo experimental e grupo controle. Esse resultado apenas corrobora o veredito Dodô, de que as diferentes psicoterapias funcionam, independentemente de como (Brum et al., 2012)Brum, E. H. M., Frizzo, G. B., Gomes, A. G., Silva, M. R., Souza, D. D., & Piccinini, C. A. (2012). Evolução dos modelos de pesquisa em psicoterapia. Estudos de Psicologia (Campinas), 29(2), 259-269. https://doi.org/10.1590/S0103-166X2012000200012
https://doi.org/10.1590/S0103-166X201200...
.

Foram identificadas distintas variáveis associadas à resolução dos conflitos conjugais durante o processo terapêutico, descritas como: problemas de apego (Makinen, & Johnson, 2006Makinen, J. A., & Johnson, S. M. (2006). Resolving attachment injuries in couples using emotionally focused therapy: steps toward forgiveness and reconciliation. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 74(6), 1055-1064. https://doi.org/10.1037/0022-006X.74.6.1055
https://doi.org/10.1037/0022-006X.74.6.1...
), dificuldade crônica de regulação emocional (Kirby, & Baucom, 2007bKirby, J. S., & Baucom, D. H. (2007b). Treating emotion dysregulation in a couples context: a pilot study of a couples skills group intervention. Journal of Marital and Family Therapy, 33(3), 375-391. https://doi.org/10.1111/j.1752-0606.2007.00037.x
https://doi.org/10.1111/j.1752-0606.2007...
), técnica específica de resolução de problemas (Li et al., 2008)Li, C. S., Lin, Y. F., Nelson, J., & Eckstein, D. (2008). Hats off to problem solving with couples. The Family Journal, 16(3), 254-257. https://doi.org/10.1177/1066480708317674
https://doi.org/10.1177/1066480708317674...
, manejo de estratégias em terapia de casal e em terapia individual (Schielke et al., 2011)Schielke, H. J., Stiles, W. B., Cuellar, R. E., Fishman, J. L., Hoener, C., Del Castillo, D., et al. (2011). A case study investigating whether the process of resolving interpersonal problems in couple therapy is isomorphic to the process of resolving problems in individual therapy. Pragmatic Case Studies in Psychotherapy, 7(4), 477-528. https://doi.org/10.14713/pcsp.v7i4.1114
https://doi.org/10.14713/pcsp.v7i4.1114...
, função do apego ao parceiro nos resultados do tratamento (Conradi et al., 2011)Conradi, H. J., Jonge, P., Neeleman, A., Simons, P., & Sytema, S. (2011). Partner attachment as a predictor of long-term response to treatment with couples therapy. Journal of Sex & Marital Therapy, 37(4), 286-297. https://doi.org/10.1080/0092623X.2011.582435
https://doi.org/10.1080/0092623X.2011.58...
, relação entre processos comuns e processos específicos (Tilden et al., 2011)Tilden, T., Hoffart, A., Sexton, H., Finset, A., & Gude, T. (2011). The role of specific and common process variables in residential couple therapy. Journal of Couple & Relationship Therapy, 10(3), 262-278. https://doi.org/10.1080/15332691.2011.588100
https://doi.org/10.1080/15332691.2011.58...
, satisfação conjugal e autoavaliação de habilidades de resolução de problemas (Bélanger et al., 2015)Bélanger, C., Laporte, L., Sabourin, S., & Wright, J. (2015). The effect of cognitive-behavioral group marital therapy on marital happiness and problem solving self-appraisal. The American Journal of Family Therapy, 43(2), 103-118. https://doi.org/10.1080/01926187.2014.956614
https://doi.org/10.1080/01926187.2014.95...
. Essa diversidade de abordagens e variáveis ilustra a complexidade do fenômeno e a necessidade de aprimorar cada vez mais as pesquisas sobre a conjugalidade, a fim de construir um corpus de conhecimento mais consistente sobre a temática (Costa et al., 2016)Costa, C. B., Cenci, C. M. B., & Mosmann, C. P. (2016). Conflito conjugal e estratégias de resolução: Uma revisão sistemática da literatura. Temas em Psicologia, 24(1), 325-38. https://doi.org/10.9788/TP2016.1-22
https://doi.org/10.9788/TP2016.1-22...
.

Além disso, quatro estudos focaram abordagem teórica e temáticas associadas à resolução dos conflitos (Baucom et al., 2011Baucom, K. J., Sevier, M., Eldridge, K. A., Doss, B. D., & Christensen, A. (2011). Observed communication in couples two years after integrative and traditional behavioral couple therapy: outcome and link with five-year follow-up. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 79(5), 565-576. https://doi.org/10.1037/a0025121
https://doi.org/10.1037/a0025121...
; 2015; Sevier et al., 2008Sevier, M., Eldridge, K., Jones, J., Doss, B. D., & Christensen, A. (2008). Observed communication and associations with satisfaction during traditional and integrative behavioral couple therapy. Behavior Therapy, 39(2), 137-150. https://doi.org/10.1016/j.beth.2007.06.001
https://doi.org/10.1016/j.beth.2007.06.0...
; Zuccarini et al., 2013Zuccarini, D., Johnson, S. M., Dalgleish, T. L., & Makinen, J. A. (2013). Forgiveness and reconciliation in emotionally focused therapy for couples: The client change process and therapist interventions. Journal of Marital and Family Therapy, 39(2), 148-162. https://doi.org/10.1111/j.1752-0606.2012.00287.x
https://doi.org/10.1111/j.1752-0606.2012...
). Três estudos envolveram a abordagem comportamental e a variável comunicação (Baucom et al., 2011Baucom, K. J., Sevier, M., Eldridge, K. A., Doss, B. D., & Christensen, A. (2011). Observed communication in couples two years after integrative and traditional behavioral couple therapy: outcome and link with five-year follow-up. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 79(5), 565-576. https://doi.org/10.1037/a0025121
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; 2015Baucom, K. J., Baucom, B. R., & Christensen, A. (2015). Changes in dyadic communication during and after integrative and traditional behavioral couple therapy. Behavior Research and Therapy, 65, 18-28. https://doi.org/10.1016/j.brat.2014.12.004
https://doi.org/10.1016/j.brat.2014.12.0...
; Sevier et al., 2008Sevier, M., Eldridge, K., Jones, J., Doss, B. D., & Christensen, A. (2008). Observed communication and associations with satisfaction during traditional and integrative behavioral couple therapy. Behavior Therapy, 39(2), 137-150. https://doi.org/10.1016/j.beth.2007.06.001
https://doi.org/10.1016/j.beth.2007.06.0...
), enquanto um estudo envolveu mais de uma abordagem e os problemas de apego (Zuccarini et al., 2013Zuccarini, D., Johnson, S. M., Dalgleish, T. L., & Makinen, J. A. (2013). Forgiveness and reconciliation in emotionally focused therapy for couples: The client change process and therapist interventions. Journal of Marital and Family Therapy, 39(2), 148-162. https://doi.org/10.1111/j.1752-0606.2012.00287.x
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). Outras variáveis investigadas foram a satisfação conjugal (Sevier et al., 2008Sevier, M., Eldridge, K., Jones, J., Doss, B. D., & Christensen, A. (2008). Observed communication and associations with satisfaction during traditional and integrative behavioral couple therapy. Behavior Therapy, 39(2), 137-150. https://doi.org/10.1016/j.beth.2007.06.001
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) e a resolução de conflitos (Baucom et al., 2011Baucom, K. J., Sevier, M., Eldridge, K. A., Doss, B. D., & Christensen, A. (2011). Observed communication in couples two years after integrative and traditional behavioral couple therapy: outcome and link with five-year follow-up. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 79(5), 565-576. https://doi.org/10.1037/a0025121
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). A comparação entre diferentes terapias e a análise da comunicação entre os cônjuges já era investigada em estudos anteriores à última década (Baucom, 1982Baucom, D. H. (1982). A comparison of behavioral contracting and problem-solving/communications training in behavioral marital therapy. Behavior Therapy, 13(2), 162-174. https://doi.org/10.1016/S0005-7894(82)80060-9
https://doi.org/10.1016/S0005-7894(82)80...
; Behrens et al., 1990Behrens, B. C., Sanders, M. R., & Halford, W. K. (1990). Behavioral marital therapy: an evaluation of treatment effects across high and low risk settings. Behavior Therapy, 21(4), 423-433. https://doi.org/10.1016/S0005-7894(05)80356-9
https://doi.org/10.1016/S0005-7894(05)80...
; Braukhaus et al., 2003Braukhaus, C., Hahlweg, K., Kroeger, C., Groth, T., & Fehm-Wolfsdorf, G. (2003). The effects of adding booster sessions to a prevention-training program for committed couples. Behavioral and Cognitive Psychotherapy, 31(03), 325-336. https://doi.org/10.1017/S1352465803003072
https://doi.org/10.1017/S135246580300307...
; Sayers et al., 1991Sayers, S. L., Baucom, D. H., Sher, T. G., & Weiss, R. L. (1991). Constructive engagement, behavioral marital therapy, and changes in marital satisfaction. Behavioral Assessment, 13(1), 25-49. Retrieved from https://www.academia.edu/20451225/Constructive_engagement_behavioral_marital_therapy_and_changes_in_marital_satisfaction
https://www.academia.edu/20451225/Constr...
). Em contrapartida, nota-se que outras abordagens (Zuccarini et al., 2013Zuccarini, D., Johnson, S. M., Dalgleish, T. L., & Makinen, J. A. (2013). Forgiveness and reconciliation in emotionally focused therapy for couples: The client change process and therapist interventions. Journal of Marital and Family Therapy, 39(2), 148-162. https://doi.org/10.1111/j.1752-0606.2012.00287.x
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) têm investido na consolidação de modelos e técnicas por meio de evidências de validade empíricas (Brum et al., 2012Brum, E. H. M., Frizzo, G. B., Gomes, A. G., Silva, M. R., Souza, D. D., & Piccinini, C. A. (2012). Evolução dos modelos de pesquisa em psicoterapia. Estudos de Psicologia (Campinas), 29(2), 259-269. https://doi.org/10.1590/S0103-166X2012000200012
https://doi.org/10.1590/S0103-166X201200...
; Enéas, 2008Enéas, M. L. E. (2008). Pesquisas em psicoterapia: seções especiais de periódico (1981 a 1994). Psicologia: Teoria e Pesquisa, 24(1), 111-116. https://doi.org/10.1590/S0102-37722008000100013
https://doi.org/10.1590/S0102-3772200800...
; Peuker et al., 2009Peuker, A. C., Habigzang, L. F., Koller, S. H., & Araujo, L. B. (2009). Avaliação de processo e resultado em psicoterapias: uma revisão. Psicologia em Estudo, 14(3), 439-445. https://doi.org/10.1590/S1413-73722009000300004
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).

Com relação aos resultados dos estudos, três utilizaram abordagem sistêmica, por meio da Terapia Focada na Emoção, e apresentaram resultados associados ao apego (Conradi et al., 2011Conradi, H. J., Jonge, P., Neeleman, A., Simons, P., & Sytema, S. (2011). Partner attachment as a predictor of long-term response to treatment with couples therapy. Journal of Sex & Marital Therapy, 37(4), 286-297. https://doi.org/10.1080/0092623X.2011.582435
https://doi.org/10.1080/0092623X.2011.58...
; Makinen, & Johnson, 2006Makinen, J. A., & Johnson, S. M. (2006). Resolving attachment injuries in couples using emotionally focused therapy: steps toward forgiveness and reconciliation. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 74(6), 1055-1064. https://doi.org/10.1037/0022-006X.74.6.1055
https://doi.org/10.1037/0022-006X.74.6.1...
; Zuccarini et al., 2013)Zuccarini, D., Johnson, S. M., Dalgleish, T. L., & Makinen, J. A. (2013). Forgiveness and reconciliation in emotionally focused therapy for couples: The client change process and therapist interventions. Journal of Marital and Family Therapy, 39(2), 148-162. https://doi.org/10.1111/j.1752-0606.2012.00287.x
https://doi.org/10.1111/j.1752-0606.2012...
. O apego inseguro provocou efeitos negativos à relação conjugal e durante a terapia (Conradi et al., 2011)Conradi, H. J., Jonge, P., Neeleman, A., Simons, P., & Sytema, S. (2011). Partner attachment as a predictor of long-term response to treatment with couples therapy. Journal of Sex & Marital Therapy, 37(4), 286-297. https://doi.org/10.1080/0092623X.2011.582435
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, porém, os problemas relacionados ao apego foram passíveis de resolução (Makinen, & Johnson, 2006Makinen, J. A., & Johnson, S. M. (2006). Resolving attachment injuries in couples using emotionally focused therapy: steps toward forgiveness and reconciliation. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 74(6), 1055-1064. https://doi.org/10.1037/0022-006X.74.6.1055
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; Zuccarini et al., 2013)Zuccarini, D., Johnson, S. M., Dalgleish, T. L., & Makinen, J. A. (2013). Forgiveness and reconciliation in emotionally focused therapy for couples: The client change process and therapist interventions. Journal of Marital and Family Therapy, 39(2), 148-162. https://doi.org/10.1111/j.1752-0606.2012.00287.x
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. A resolução desses problemas parece ser facilitada pela emissão de respostas afiliativas, expressão de necessidades, validação e compreensão do parceiro. Os cônjuges iniciam o processo de terapia com respostas reativas e não afiliativas, entram em contato com os problemas de apego nos estágios intermediários e se conectam experiencialmente com as suas emoções nos estágios finais, reavaliando e ressignificando a experiência (Zuccarini et al., 2013)Zuccarini, D., Johnson, S. M., Dalgleish, T. L., & Makinen, J. A. (2013). Forgiveness and reconciliation in emotionally focused therapy for couples: The client change process and therapist interventions. Journal of Marital and Family Therapy, 39(2), 148-162. https://doi.org/10.1111/j.1752-0606.2012.00287.x
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. A resolução desses problemas tende a aumentar o ajustamento conjugal e a capacidade de perdoar dos parceiros. Contudo, respostas hostis ou distantes, por meio de desmerecimento, culpabilização, defesa ou retirada, podem dificultar esse processo (Makinen, & Johnson, 2006Makinen, J. A., & Johnson, S. M. (2006). Resolving attachment injuries in couples using emotionally focused therapy: steps toward forgiveness and reconciliation. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 74(6), 1055-1064. https://doi.org/10.1037/0022-006X.74.6.1055
https://doi.org/10.1037/0022-006X.74.6.1...
).

Assim, padrões comportamentais e interacionais aprendidos com as figuras parentais parecem estar associados ao ajustamento conjugal e à capacidade de resolução de problemas pelo casal (Curran et al., 2011Curran, M., Ogolsky, B., Hazen, N., & Bosch, L. (2011). Understanding marital conflict 7 years later from prenatal representations of marriage. Family Process, 50(2), 221-234. https://doi.org/10.1111/j.1545-5300.2011.01356.x
https://doi.org/10.1111/j.1545-5300.2011...
). Considerando que os estilos de apego disfuncionais com a família de origem foram transferidos para a relação conjugal e que a díade é uma unidade que se retroalimenta e pode ter dificuldades emocionais semelhantes, a psicoterapia de casal seria fortemente indicada, pois os processos de mudança poderiam ocorrer em nível individual e diádico (Costa et al., 2016Costa, C. B., Cenci, C. M. B., & Mosmann, C. P. (2016). Conflito conjugal e estratégias de resolução: Uma revisão sistemática da literatura. Temas em Psicologia, 24(1), 325-38. https://doi.org/10.9788/TP2016.1-22
https://doi.org/10.9788/TP2016.1-22...
; Scheeren et al., 2015Scheeren, P., Delatorre, M. Z., Neumann, A. P., & Wagner, A. (2015). O papel preditor dos estilos de apego na resolução do conflito conjugal. Estudos e Pesquisas em Psicologia, 15(3), 835-852. https://doi.org/10.12957/epp.2015.19415
https://doi.org/10.12957/epp.2015.19415...
).

A comunicação entre o casal foi a variável de resultado em cinco estudos investigados (Baucom et al., 2011Baucom, K. J., Sevier, M., Eldridge, K. A., Doss, B. D., & Christensen, A. (2011). Observed communication in couples two years after integrative and traditional behavioral couple therapy: outcome and link with five-year follow-up. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 79(5), 565-576. https://doi.org/10.1037/a0025121
https://doi.org/10.1037/a0025121...
; 2015Baucom, K. J., Baucom, B. R., & Christensen, A. (2015). Changes in dyadic communication during and after integrative and traditional behavioral couple therapy. Behavior Research and Therapy, 65, 18-28. https://doi.org/10.1016/j.brat.2014.12.004
https://doi.org/10.1016/j.brat.2014.12.0...
; Sevier et al., 2008Sevier, M., Eldridge, K., Jones, J., Doss, B. D., & Christensen, A. (2008). Observed communication and associations with satisfaction during traditional and integrative behavioral couple therapy. Behavior Therapy, 39(2), 137-150. https://doi.org/10.1016/j.beth.2007.06.001
https://doi.org/10.1016/j.beth.2007.06.0...
; Tilden et al., 2011Tilden, T., Hoffart, A., Sexton, H., Finset, A., & Gude, T. (2011). The role of specific and common process variables in residential couple therapy. Journal of Couple & Relationship Therapy, 10(3), 262-278. https://doi.org/10.1080/15332691.2011.588100
https://doi.org/10.1080/15332691.2011.58...
; Worthington Jr et al., 2015Worthington Jr, E. L., Berry, J. W., Hook, J. N., Davis, D. E., Scherer, M., Griffin, B. J., et al. (2015). Forgiveness reconciliation and communication conflict resolution interventions versus retested controls in early-married couples. Journal of Counseling Psychology, 62(1), 14-27. https://doi.org/10.1037/cou0000045
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). Além da melhora na comunicação, as intervenções aplicadas nesses estudos também aumentaram os níveis de satisfação (Baucom et al., 2011Baucom, K. J., Sevier, M., Eldridge, K. A., Doss, B. D., & Christensen, A. (2011). Observed communication in couples two years after integrative and traditional behavioral couple therapy: outcome and link with five-year follow-up. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 79(5), 565-576. https://doi.org/10.1037/a0025121
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; 2015Baucom, K. J., Baucom, B. R., & Christensen, A. (2015). Changes in dyadic communication during and after integrative and traditional behavioral couple therapy. Behavior Research and Therapy, 65, 18-28. https://doi.org/10.1016/j.brat.2014.12.004
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; Sevier et al., 2008Sevier, M., Eldridge, K., Jones, J., Doss, B. D., & Christensen, A. (2008). Observed communication and associations with satisfaction during traditional and integrative behavioral couple therapy. Behavior Therapy, 39(2), 137-150. https://doi.org/10.1016/j.beth.2007.06.001
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) e aprimoraram as habilidades de resolução de conflitos dos casais (Sevier et al., 2008Sevier, M., Eldridge, K., Jones, J., Doss, B. D., & Christensen, A. (2008). Observed communication and associations with satisfaction during traditional and integrative behavioral couple therapy. Behavior Therapy, 39(2), 137-150. https://doi.org/10.1016/j.beth.2007.06.001
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; Tilden et al., 2011Tilden, T., Hoffart, A., Sexton, H., Finset, A., & Gude, T. (2011). The role of specific and common process variables in residential couple therapy. Journal of Couple & Relationship Therapy, 10(3), 262-278. https://doi.org/10.1080/15332691.2011.588100
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). A comunicação apresenta-se como uma importante variável de análise na conjugalidade, provocando alterações em nível individual, como na satisfação com o casamento, e diádico, na resolução de conflitos. A comunicação deve ainda ser observada pelos profissionais da área clínica, considerando que padrões comunicacionais negativos tendem a se sobressair aos positivos e podem cristalizar a dinâmica conjugal, dificultando a mudança de comportamentos e da interação conjugal ao longo do tempo (Markman et al., 2010Markman, H. J., Rhoades, G. K., Stanley, S. M., Ragan, E. P., & Whitton, S. W. (2010). The premarital communication roots of marital distress and divorce: the first five years of marriage. Journal of Family Psychology, 24(3), 289-298. https://doi.org/10.1037/a0019481
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).

A positividade e a negatividade dos cônjuges durante os conflitos também parecem se associar aos resultados das interações do casal. A primeira está relacionada à resolução construtiva dos conflitos, e a segunda, à diminuição nos níveis de satisfação conjugal (Baucom et al., 2011Baucom, K. J., Sevier, M., Eldridge, K. A., Doss, B. D., & Christensen, A. (2011). Observed communication in couples two years after integrative and traditional behavioral couple therapy: outcome and link with five-year follow-up. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 79(5), 565-576. https://doi.org/10.1037/a0025121
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; Sevier et al., 2008Sevier, M., Eldridge, K., Jones, J., Doss, B. D., & Christensen, A. (2008). Observed communication and associations with satisfaction during traditional and integrative behavioral couple therapy. Behavior Therapy, 39(2), 137-150. https://doi.org/10.1016/j.beth.2007.06.001
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). A empatia (Tilden et al., 2011Tilden, T., Hoffart, A., Sexton, H., Finset, A., & Gude, T. (2011). The role of specific and common process variables in residential couple therapy. Journal of Couple & Relationship Therapy, 10(3), 262-278. https://doi.org/10.1080/15332691.2011.588100
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; Worthington Jr et al., 2015Worthington Jr, E. L., Berry, J. W., Hook, J. N., Davis, D. E., Scherer, M., Griffin, B. J., et al. (2015). Forgiveness reconciliation and communication conflict resolution interventions versus retested controls in early-married couples. Journal of Counseling Psychology, 62(1), 14-27. https://doi.org/10.1037/cou0000045
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), o otimismo (Tilden et al., 2011Tilden, T., Hoffart, A., Sexton, H., Finset, A., & Gude, T. (2011). The role of specific and common process variables in residential couple therapy. Journal of Couple & Relationship Therapy, 10(3), 262-278. https://doi.org/10.1080/15332691.2011.588100
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), o ajustamento diádico e o perdão (Worthington Jr et al., 2015Worthington Jr, E. L., Berry, J. W., Hook, J. N., Davis, D. E., Scherer, M., Griffin, B. J., et al. (2015). Forgiveness reconciliation and communication conflict resolution interventions versus retested controls in early-married couples. Journal of Counseling Psychology, 62(1), 14-27. https://doi.org/10.1037/cou0000045
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), por sua vez, também tiveram um impacto importante nos resultados da terapia. Considerando que a positividade e a negatividade emergem da interação, a comunicação, verbal e não verbal, novamente aparece como um fator importante na psicoterapia. No mesmo sentido, a capacidade de ser empático, de perdoar e de ser otimista, associa-se ao clima conjugal, que poderá ser de maior positividade ou negatividade dependendo de fatores individuais e diádicos (Costa et al., 2016Costa, C. B., Cenci, C. M. B., & Mosmann, C. P. (2016). Conflito conjugal e estratégias de resolução: Uma revisão sistemática da literatura. Temas em Psicologia, 24(1), 325-38. https://doi.org/10.9788/TP2016.1-22
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). Essa compreensão vai ao encontro da ideia de que, na terapia de casal, as mudanças relacionais e intrapessoais estão associadas (Schielke et al., 2011Schielke, H. J., Stiles, W. B., Cuellar, R. E., Fishman, J. L., Hoener, C., Del Castillo, D., et al. (2011). A case study investigating whether the process of resolving interpersonal problems in couple therapy is isomorphic to the process of resolving problems in individual therapy. Pragmatic Case Studies in Psychotherapy, 7(4), 477-528. https://doi.org/10.14713/pcsp.v7i4.1114
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).

Por fim, o ajustamento conjugal ou ajustamento diádico é citado como variável de resultado em três estudos (Bélanger et al., 2015Bélanger, C., Laporte, L., Sabourin, S., & Wright, J. (2015). The effect of cognitive-behavioral group marital therapy on marital happiness and problem solving self-appraisal. The American Journal of Family Therapy, 43(2), 103-118. https://doi.org/10.1080/01926187.2014.956614
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; Kirby, & Baucom, 2007bKirby, J. S., & Baucom, D. H. (2007b). Treating emotion dysregulation in a couples context: a pilot study of a couples skills group intervention. Journal of Marital and Family Therapy, 33(3), 375-391. https://doi.org/10.1111/j.1752-0606.2007.00037.x
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; Worthington Jr et al., 2015Worthington Jr, E. L., Berry, J. W., Hook, J. N., Davis, D. E., Scherer, M., Griffin, B. J., et al. (2015). Forgiveness reconciliation and communication conflict resolution interventions versus retested controls in early-married couples. Journal of Counseling Psychology, 62(1), 14-27. https://doi.org/10.1037/cou0000045
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). As intervenções também melhoraram a comunicação, a empatia, o perdão (Worthington Jr et al., 2015Worthington Jr, E. L., Berry, J. W., Hook, J. N., Davis, D. E., Scherer, M., Griffin, B. J., et al. (2015). Forgiveness reconciliation and communication conflict resolution interventions versus retested controls in early-married couples. Journal of Counseling Psychology, 62(1), 14-27. https://doi.org/10.1037/cou0000045
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), a confiança (Bélanger at al., 2015Bélanger, C., Laporte, L., Sabourin, S., & Wright, J. (2015). The effect of cognitive-behavioral group marital therapy on marital happiness and problem solving self-appraisal. The American Journal of Family Therapy, 43(2), 103-118. https://doi.org/10.1080/01926187.2014.956614
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), a regulação emocional, a confiança, o apoio (Kirby, & Baucom, 2007bKirby, J. S., & Baucom, D. H. (2007b). Treating emotion dysregulation in a couples context: a pilot study of a couples skills group intervention. Journal of Marital and Family Therapy, 33(3), 375-391. https://doi.org/10.1111/j.1752-0606.2007.00037.x
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) e a resolução de problemas (Bélanger et al., 2015Bélanger, C., Laporte, L., Sabourin, S., & Wright, J. (2015). The effect of cognitive-behavioral group marital therapy on marital happiness and problem solving self-appraisal. The American Journal of Family Therapy, 43(2), 103-118. https://doi.org/10.1080/01926187.2014.956614
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; Kirby & Baucom, 2007bKirby, J. S., & Baucom, D. H. (2007b). Treating emotion dysregulation in a couples context: a pilot study of a couples skills group intervention. Journal of Marital and Family Therapy, 33(3), 375-391. https://doi.org/10.1111/j.1752-0606.2007.00037.x
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). A regulação emocional do afeto positivo e negativo, da ansiedade e da raiva foi apontada como variável de resultado em outro estudo de Kirby e Baucom (2007a)Kirby, J. S., & Baucom, D. H. (2007a). Integrating dialectical behavior therapy and cognitive-behavioral couple therapy: a couples skills group for emotion dysregulation. Cognitive and Behavioral Practice, 14(4), 394-405. https://doi.org/10.1016/j.cbpra.2006.09.006
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para a diminuição dos sintomas depressivos.

No estudo de Li et al. (2008)Li, C. S., Lin, Y. F., Nelson, J., & Eckstein, D. (2008). Hats off to problem solving with couples. The Family Journal, 16(3), 254-257. https://doi.org/10.1177/1066480708317674
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, a utilização da técnica para resolução de conflitos Bono’s Six Thinking Hats possibilitou aos cônjuges analisar os conflitos de forma colaborativa. Entretanto, as informações fornecidas pelos autores quanto ao procedimento utilizado e ao contexto de aconselhamento conjugal dificultou a compreensão da técnica e dos resultados. Isso pode ter ocorrido devido à especificidade da proposta, ainda pouco conhecida e difundida na área.

Finalmente, identifica-se, nos resultados dos estudos desta revisão, uma importante contribuição da terapia de casal para o aprimoramento da comunicação, da empatia, da capacidade de perdoar, apoiar e confiar no cônjuge, bem como para o desenvolvimento de estratégias de resolução dos conflitos conjugais. Tais aspectos estão fortemente documentados na literatura científica (Anderson, & Johnson, 2010Anderson, S. R., & Johnson, L. N. (2010). A dyadic analysis of the between and within system alliances on distress. Family Process, 49(2), 220-235. https://doi.org/10.1111/j.1545-5300.2010.01319.x
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; Leggett et al., 2012Leggett, D. G., Roberts-Pittman, B., Byczek, S., & Morse, D. T. (2012). Cooperation, conflict, and marital satisfaction: Bridging theory, research, and practice. The Journal of Individual Psychology, 68(2), 182-199. Retrieved from http://eds.b.ebscohost.com/eds/pdfviewer/pdfviewer?sid=22de6a9f-e52c-4cbd-b5dc-9d282ffe0e70%40sessionmgr114&vid=5&hid=121
http://eds.b.ebscohost.com/eds/pdfviewer...
; Markman et al., 2010Markman, H. J., Rhoades, G. K., Stanley, S. M., Ragan, E. P., & Whitton, S. W. (2010). The premarital communication roots of marital distress and divorce: the first five years of marriage. Journal of Family Psychology, 24(3), 289-298. https://doi.org/10.1037/a0019481
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; Schoebi et al., 2012Schoebi, D., Karney, B. R., & Bradbury, T. N. (2012). Stability and change in the first 10 years of marriage: Does commitment confer benefits beyond the effects of satisfaction? Journal of Personality and Social Psychology, 102(4), 729-742. https://doi.org/10.1037/a0026290
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; Sierau, & Herzberg, 2012Sierau, S., & Herzberg, P. Y. (2012). Conflict resolution as a dyadic mediator: Considering the partner perspective on conflict resolution. European Journal of Personality, 26(3), 221-232. https://doi.org/10.1002/per.828
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; Veldorale-Brogan et al., 2013Veldorale-Brogan, A., Lambert, N. M., Fincham, F. D., & DeWall, C. N. (2013). The virtue of problem solving: perceived partner virtues as predictors of problem-solving efficacy. Personal Relationships, 20(3), 511-523. https://doi.org/10.1111/j.1475-6811.2012.01421.x
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; Wheeler et al., 2010Wheeler, L. A., Updegraff, K. A., & Thayer, S. M. (2010). Conflict resolution in mexican-origin couples: culture, gender, and marital quality. Journal of Marriage and Family, 72(4), 991-1005. https://doi.org/10.1111/j.1741-3737.2010.00744.x
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; Whiting, 2008)Whiting, J. B. (2008). The role of appraisal distortion, contempt, and morality in couple conflict: a grounded theory. Journal of Marital and Family Therapy, 34(1), 44-57. https://doi.org/10.1111/j.1752-0606.2008.00052.x
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. Além disso, fatores como regulação emocional são referidos por grupos de pesquisadores com significativa trajetória em pesquisa (Baucom, 1982Baucom, D. H. (1982). A comparison of behavioral contracting and problem-solving/communications training in behavioral marital therapy. Behavior Therapy, 13(2), 162-174. https://doi.org/10.1016/S0005-7894(82)80060-9
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; Baucom et al., 2011Baucom, K. J., Sevier, M., Eldridge, K. A., Doss, B. D., & Christensen, A. (2011). Observed communication in couples two years after integrative and traditional behavioral couple therapy: outcome and link with five-year follow-up. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 79(5), 565-576. https://doi.org/10.1037/a0025121
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; 2015Baucom, K. J., Baucom, B. R., & Christensen, A. (2015). Changes in dyadic communication during and after integrative and traditional behavioral couple therapy. Behavior Research and Therapy, 65, 18-28. https://doi.org/10.1016/j.brat.2014.12.004
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; Kirby & Baucom, 2007aKirby, J. S., & Baucom, D. H. (2007a). Integrating dialectical behavior therapy and cognitive-behavioral couple therapy: a couples skills group for emotion dysregulation. Cognitive and Behavioral Practice, 14(4), 394-405. https://doi.org/10.1016/j.cbpra.2006.09.006
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; 2007bKirby, J. S., & Baucom, D. H. (2007b). Treating emotion dysregulation in a couples context: a pilot study of a couples skills group intervention. Journal of Marital and Family Therapy, 33(3), 375-391. https://doi.org/10.1111/j.1752-0606.2007.00037.x
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; Sayers et al., 1991)Sayers, S. L., Baucom, D. H., Sher, T. G., & Weiss, R. L. (1991). Constructive engagement, behavioral marital therapy, and changes in marital satisfaction. Behavioral Assessment, 13(1), 25-49. Retrieved from https://www.academia.edu/20451225/Constructive_engagement_behavioral_marital_therapy_and_changes_in_marital_satisfaction
https://www.academia.edu/20451225/Constr...
, indicando que se trata de uma área de conhecimento que necessita ser explorada considerando as diferentes perspectivas teóricas e variáveis implicadas nesse processo.

Conclusão

Este estudo teve como objetivo revisar a literatura científica sobre psicoterapia de casal e estratégias de resolução de conflito, e identificar variáveis envolvidas no processo terapêutico. As principais abordagens teóricas encontradas foram a comportamental, a cognitivo-comportamental, a sistêmica e a psicodinâmica. As duas primeiras empregaram técnicas mais diretivas em relação às outras duas, além de utilizar predominantemente ensaios clínicos randomizados, enquanto nas abordagens sistêmica e psicodinâmica, os estudos clínicos sem grupo controle foram mais frequentes. As demandas apresentadas pelos casais que participaram das intervenções não foram relatadas. Além disso, o fato de os estudos avaliarem os resultados da psicoterapia ou compararem diferentes técnicas e abordagens, em detrimento dos processos psicoterápicos, dificultou a análise da influência das diferentes perspectivas teóricas, técnicas e demandas nesses processos interventivos.

Nesse sentido, ressalta-se a importância de os autores proporcionarem uma descrição mais detalhada dos participantes, das formas de recrutamento e das demandas apresentadas pelos casais ao buscar psicoterapia. Essa medida possibilitaria analisar se determinadas técnicas, ou mesmo abordagens teóricas, são mais indicadas para tipos específicos de demanda. Além disso, os participantes que buscam a psicoterapia espontaneamente poderiam ser comparados àqueles que respondem aos anúncios de recrutamento para as pesquisas, a fim de se verificar as possíveis diferenças entre a aplicação das técnicas no contexto de pesquisa em relação à prática cotidiana na clínica psicológica.

As pesquisas em psicoterapia de casal apresentaram também pontos comuns entre si e com os estudos que enfocam as relações e os conflitos conjugais. Por um lado, há consenso sobre o papel da comunicação, da empatia, do perdão, do apoio mútuo, da confiança e da resolução de conflitos na conjugalidade. Essas variáveis são fundamentais para a compreensão do fenômeno, sendo que os terapeutas devem estar atentos à forma como são expressas pelos casais no setting terapêutico. Por outro lado, há falta de homogeneidade e de clareza nos termos utilizados, por exemplo, “positividade” e “negatividade”. Essas inconsistências tornam a temática, que é intrinsecamente complexa, ainda mais difícil de ser estudada de forma sistemática e coerente, dificultando o desenvolvimento de conhecimentos consistentes sobre o tema.

Ressalta-se o fato de que não foram encontrados estudos clínicos sobre terapia de casal realizados no Brasil nos últimos 10 anos, indicando que o estudo da temática ainda é incipiente no País. É possível que isso ocorra uma vez que a realização desse tipo de pesquisa necessita recursos financeiros, humanos e espaço físico, os quais nem sempre os pesquisadores brasileiros dispõem. Porém, destaca-se a importância da caracterização dos casais que buscam atendimento, das abordagens e técnicas mais utilizadas pelos psicoterapeutas, e dos resultados alcançados com as intervenções. A adesão ao tratamento, os processos psicoterapêuticos e os resultados obtidos podem variar em função da formação dos terapeutas e das características culturais, que são diferentes no Brasil em comparação aos países norte-americanos.

Assim, os resultados apresentados neste estudo podem ser úteis para os pesquisadores que buscam realizar investigações sobre o tema, fornecendo um panorama a respeito do estado da arte na literatura internacional, apontando consensos já estabelecidos e inconsistências que devem ser superadas. Psicoterapeutas também podem se beneficiar desta revisão, que apresenta as abordagens e técnicas utilizadas em outros contextos, discute o papel de diferentes técnicas e variáveis na psicoterapia e proporciona uma fonte de consulta sobre a efetividade dessas técnicas enquanto pesquisas nacionais não são realizadas.

Por fim, algumas limitações deste estudo podem ser apontadas. O recorte em relação às palavras-chave utilizadas e as bases de dados em que as buscas foram realizadas pode ter limitado o alcance da totalidade dos trabalhos sobre o tema investigado. Além disso, foram utilizados critérios de exclusão específicos, que descartaram estudos que tivessem como foco psicopatologias ou que tratassem de programas de psicoeducação e prevenção. Apesar desse critério contribuir para a homogeneidade entre os estudos analisados, é possível que técnicas úteis no treinamento de habilidades de resolução de conflitos não tenham sido incluídas na revisão. Além disso, a inclusão de outros tipos de estudo, como artigos teóricos, poderia contribuir para analisar os processos psicoterapêuticos, pouco abordados nos artigos empíricos, junto aos resultados relacionados à efetividade dos tratamentos. Assim, sugere-se que estudos futuros analisem esses aspectos de forma integrada, a fim de proporcionar uma visão ainda mais completa sobre o fenômeno.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    Jan-Mar 2017

Histórico

  • Recebido
    14 Fev 2016
  • Aceito
    16 Nov 2016
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