Questionários para avaliação do nível de atividade física habitual em adolescentes brasileiros: uma revisão sistemática

Questionnaires to assess the habitual physical activity level among Brazilian adolescents: a systematic review

Revisión sistemática de los cuestionarios para evaluar el nivel de actividad física entre los adolescentes brasileños

Mario Flávio Cardoso de Lima Priscila Rita Niquini Ribeiro Lopes Rafael Gonçalves Silva Ricardo Campos de Faria Paulo Roberto dos Santos Amorim João Carlos Bouzas Marins Sobre os autores

Resumo

O objetivo deste trabalho foi verificar diferentes questionários usados para medir o nível de atividade física (NAF) em adolescentes brasileiros entre 2007 e 2012. Para o desenvolvimento desta revisão, foram selecionados artigos que usavam questionários validados aplicados em adolescentes entre 10 e 19 anos. Após as buscas selecionaram-se 26 artigos para revisão. Foram encontrados mais de 10 modelos diferentes de questionários, o Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ) foi o usado com maior frequência entre os artigos pesquisados (28%), o que pode ser justificado por sua abrangência global. O uso de diferentes modelos de questionários dificulta a comparação dos resultados. Recomenda-se a adoção de um questionário único para a medida do NAF de adolescentes brasileiros.

PALAVRAS-CHAVE
Atividade física; Questionários; Adolescentes; Brasileiros

Abstract

The aim of this study was to verify different questionnaires used to measure the physical activity level (PAL) in Brazilian adolescents between 2007 to 2012. For the development of this review, articles that used validated questionnaires applied in 10-19 year old adolescents were selected. Then, 26 articles were selected for review. Were found more than 10 different models of questionnaires, being the IPAQ the most used (28%), what may be justified due to its global reach. The use of different questionnaire templates makes it difficult to compare results. The adoption of a single questionnaire for the PAL measurement in Brazilian adolescents is recommended.

KEYWORDS
Physical activity; Questionnaires; Adolescents; Brazilian people

Resumen

El objetivo de este estudio fue verificar los diferentes cuestionarios usados para medir el nivel de actividad física (NAF) en adolescentes brasileños entre los años 2007 y 2012. Para el desarrollo de esta revisión, se seleccionaron artículos que utilizaban cuestionarios validados en adolescentes de 10 a 19 años. Tras las búsquedas, se seleccionaron 26 artículos para su revisión. Se encontraron más de 10 modelos distintos de cuestionarios, entre los cuales el IPAQ se utiliza con mayor frecuencia en los diferentes artículos revisados (28%), lo que puede justificarse por su alcance global. El uso de diferentes modelos de cuestionarios dificulta la comparación de los resultados. Se recomienda la adopción de un único cuestionario para la medición del NAF de los adolescentes brasileños, lo cual es una necesidad perentoria.

PALABRAS CLAVE
Actividad física; Cuestionarios; Adolescentes; Brasileños

Introdução

Existe uma boa evidência científica sobre a importante relação entre os níveis de atividade física habitual (NAF) e a ocorrência de doenças, principalmente aquelas relacionadas com o estilo de vida, tais como diabetes mellitus tipo 2, hipertensão, câncer e obesidade (Riebe et al., 2015Riebe D, Franklin BA, Thompson PD, Garber CE, Whitfield GP, Magal M, Pescatello LS. Updating ACSM's Recommendations for Exercise Preparticipation Health Screening. Medicine & Science in Sports & Exercise. Madison. 2015;47(11):2473-9.; Garber et al., 2011Garber, C.E.; Blissmer, B.; Deschenes, M.R.; Franklin, B.A.; Lamonte, M.J.; Lee, I.; Nieman, D.C.; Swain, D.P. Quantity and Quality of Exercise for Developing and Maintaining Cardiorespiratory, Musculoskeletal, and Neuromotor Fitness in Apparently Healthy Adults: Guidance for Prescribing Exercise. Medicine & Science in Sports & Exercise. Madison, 43, 7, 1334-1359, 2011.; ACSM & ADA, 2010American College of Sports Medicine (ACSM); American Diabetes Association (ADA). Exercise and Type 2 Diabetes: American College of Sports Medicine and the American Diabetes Association: Joint Position Statement. Medicine & Science in Sports & Exercise. Madison, v. 42, n. 12, p. 2282-2303, 2010.; ACSM, 2004American College of Sports Medicine (ACSM). Exercise and Hypertension. Medicine & Science in Sports & Exercise Madison, v. 36, n. 3, p. 533-553, 2004.; ACSM, 2009American College of Sports Medicine (ACSM). Appropriate Physical Activity Intervention Strategies for Weight Loss and Prevention of Weight Regain for Adults. Medicine & Science in Sports & Exercise. Madison, v. 41, n. 2, p. 459-471, 2009.). Contudo, observa-se ainda mundialmente uma alta prevalência de inatividade física, o que evidencia maior risco de morte prematura por intercorrências relacionadas às doenças crônicas não transmissíveis (Mitchell et al., 2017Mitchell, J.A.; Dowda, M.; Pate, R.R.; Kordas, K.; Froberg, K.; Sardinha, L.B.; Kolle, E.; Page, A. Physical Activity and Pediatric Obesity: A Quantile Regression Analysis. Medicine & Science in Sports & Exercise. Madison,49, 3,466-473, 2017.; Brawner, Churilla & Keteyian, 2016Brawner CA, Churilla JR, Keteyian SJ. Prevalence of Physical Activity Is Lower among Individuals with Chronic Disease Medicine & Science in Sports & Exercise. Madison. 2016;48(6):1062-7.). Muito ainda tem se discutido sobre os diferentes impactos positivos da prática de atividade física e o grau de sedentarismo de um indivíduo nessas doenças, bem como em metodologias eficazes de mensurar esses parâmetros e relacioná-los a essas enfermidades (Fernandes et al., 2008Fernandes, R.A.; Júnior, I.F. F.; Cardoso, J.R.; Ronque, E.R. V.; Loch, M.R.; Oliveira, A.R. D. Association between regular participation in sports and leisure time behaviors in Brazilian adolescents: A cross-sectional study. British Medical Journal, Londres, 8, 329, 2008.; Ceschini et al., 2009Ceschini FL, Andrade DR, Oliveira LC, Júnior J FA, Matsudo VKR. Prevalence of physical inactivity and associated factors among high school students from state's public schools. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro. 2009;85(4):301-6.).

Além do importante papel na prevenção e no tratamento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) na vida adulta, a prática regular de atividade física é um fator importante para o desenvolvimento psicomotor e funcional de crianças e adolescentes. A prática de atividade física (AF) nessas faixas etárias contribui também para o desenvolvimento social e intelectual, além de prevenir o desenvolvimento precoce de DCNT e diminuir o risco do desenvolvimento delas na vida adulta (Fernandes et al., 2008Fernandes, R.A.; Júnior, I.F. F.; Cardoso, J.R.; Ronque, E.R. V.; Loch, M.R.; Oliveira, A.R. D. Association between regular participation in sports and leisure time behaviors in Brazilian adolescents: A cross-sectional study. British Medical Journal, Londres, 8, 329, 2008.; Lippo et al., 2010Lippo, B.R. D. S.; Silva, I.M. D.; Aca, C.R. P.; Lira, P.I. C. D.; Silva, G.A. P. D.; Motta, M.E. F. A. Determinants of physical inactivity among urban adolescents. Jornal de Pediatria, Porto Alegre, 86, 6. 520-524, 2010.).

A influência de um estilo de vida sedentário na infância, herança da transição de hábitos observada nas últimas décadas, tem preocupado especialistas devido ao crescente número de crianças com excesso de peso. Dados atuais têm demonstrado que nas últimas quatro décadas houve aumento gradual da prevalência de excesso de peso entre os adolescentes brasileiros. Aproximadamente 20% apresentaram excesso de peso e quase 6% dos adolescentes do sexo masculino e 4% do feminino foram classificados como obesos (BRASIL, 2012BRASIL.;1; Ministério da Saúde (MS). Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Política Nacional de Alimentação e Nutrição - PNAN. Brasília: MS, 2012.). Além disso, é cada vez mais comum e facilitado o acesso aos meios de comunicação e divertimento tais como televisão, computador e videogame em famílias das várias classes sociais. No Brasil, é frequente o número de adolescentes classificados como sedentários devido a aumento de horas diárias dedicadas a esses tipos de atividades (Lippo et al., 2010Lippo, B.R. D. S.; Silva, I.M. D.; Aca, C.R. P.; Lira, P.I. C. D.; Silva, G.A. P. D.; Motta, M.E. F. A. Determinants of physical inactivity among urban adolescents. Jornal de Pediatria, Porto Alegre, 86, 6. 520-524, 2010.).

Entretanto, essa realidade é passível de modificação e políticas públicas devem ser criadas para incentivar a prática de AF entre adolescentes. Para facilitar a aplicação de tais ações são necessários estudos que identifiquem o perfil da AF nessa população. Vários instrumentos, tais como pedômetros, acelerômetros e monitores de frequência cardíaca, podem ser usados para estimar o nível de atividade física. No entanto, o custo desses instrumentos inviabiliza seu uso em grandes populações. Assim, o uso de questionários tem sido cada vez mais difundido, devido ao baixo custo e à facilidade de aplicação (Reichert et al., 2010Reichert FF, Menezes AMB, Araújo CL, Hallal PC. Self-reporting versus parental reporting of physical activity in adolescents: the 11-year follow-up of the 1993 Pelotas (Brazil) birth cohort study. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro. 2010;26(10):1921-7.; Ceschini et al., 2009Ceschini FL, Andrade DR, Oliveira LC, Júnior J FA, Matsudo VKR. Prevalence of physical inactivity and associated factors among high school students from state's public schools. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro. 2009;85(4):301-6.).

No Brasil, vários questionários têm sido usados com o objetivo de mensurar o nível de AF entre os adolescentes (Basso et al., 2010Basso RP, Jamami M, Pessoa BV, Labadessa IG, Regueiro EMG, Lorenzo VAPD. Avaliação da capacidade de exercício em adolescentes asmáticos e saudáveis. Revista Brasileira de Fisioterapia, São Carlos. 2010;14(3):252-8.; Castro et al., 2008Castro, I.R. R. D.; Cardoso, L.O.; Engstrom, E.M.; Levy, R.B.; Monteiro, C.A. Vigilância de fatores de risco para doenças não transmissíveis entre adolescentes: a experiência da cidade do Rio de Janeiro, Brasil. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro. 24, 10, 2279-2288, 2008.; Dambros et al., 2011Dambros DD, Lopes LFD, Santos DLD. Barreiras percebidas e hábitos de atividade física de adolescentes escolares de uma cidade do sul do Brasil. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano. Florianópolis. 2011;13(6):422-8.; Lemos et al., 2010Lemos ND, Nakamura PM, Grisi RNDF, Kokubun E. Associação entre nível de atividade física de lazer dos pais com o nível de atividade física dos filhos. Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde, Pelotas. 2010;15(2):95-100.; Tenório et al., 2010Tenório MCM, Barros MVGD, Tassitano RM, Bezerra J, Tenório JM, Hallal PC. Atividade física e comportamento sedentário em adolescentes estudantes do ensino médio. Revista Brasileira Epidemiologia, São Paulo. 2010;13(1):105-17.). Entretanto, ainda não existe um consenso sobre qual questionário deve ser usado na população brasileira, uma vez que esses instrumentos podem variar quanto a seu rigor metodológico (nível de precisão, validação, técnica de aplicação etc.) e sua reprodutibilidade em comparação com as técnicas consideradas padrão-ouro. Assim, dada a importância e a quantidade de questionários passíveis de serem usados para mensurar o nível de atividade física entre os adolescentes brasileiros, é importante investigar quais materiais têm sido usados, além da qualidade e dos resultados observados em estudos que usaram tais instrumentos.

Levando em consideração a importância do conhecimento das diferentes metodologias e da relevância desses dados para implantação de ações que contribuam para a melhoria da saúde dos adolescentes brasileiros, esta revisão tem como objetivo avaliar o uso de diferentes questionários destinados a medir o NAF em adolescentes na população brasileira.

Metodologia

Para o desenvolvimento desta revisão sistemática foram seguidas as orientações propostas pelo Prisma (Preferred Reporting Itens for Sytematic Reviews and Meta-Analyses) (Moher et al., 2009Moher D, Liberati A, Tetzlaff J, Altman DG. Methods of systematic reviews and meta-analysis preferred reporting items for systematic reviews and meta-analyses: The Prisma Statement. Journal of Clinical Epidemiology. 2009;62:1006-12.).

Como primeira etapa para a seleção dos artigos, fez-se uma busca sistemática nas bases de dados SciELO, Lilacs, ScienceDirect e PubMed, por artigos publicados entre 2007 e 2012 e disponíveis gratuitamente na sua versão completa considerados como potencialmente relevantes. Os descritores usados para as bases de dados em língua portuguesa (SciELO e Lilacs) foram: Atividade Física, Questionário e Adolescentes. Já para as bases de dados ScienceDirect e PubMed, usaram-se dos seguintes descritores: Physical Activity Level, Questionnaire, Adolescents e Brazil.

Para inclusão na presente revisão, os estudos identificados pela estratégia de busca tiveram como critério de inclusão ser adolescente entre 10 e 19 anos, conforme classificação da Organização Mundial de Saúde (OMS) (WHO, 2012World Health Organization (WHO). Adolescent Health. Disponível em: <http://www.who.int/topics/adolescent_health/en/>. Acesso em: 27 mai. 2012.
http://www.who.int/topics/adolescent_hea...
), e ter o nível de atividade física avaliado por algum tipo de questionário. Não foram contabilizados estudos duplicados e foram excluídos estudos de revisão e validação.

O processo de elegibilidade do estudo se tratou da leitura dos títulos e resumos. Os resumos dos estudos identificados pela busca foram avaliados segundo os critérios citados e aqueles que atendiam ou geraram dúvidas foram retidos para uma posterior avaliação do texto completo.

A partir daí outra seleção foi feita, foram excluídos artigos que não atendiam às especificações, não traziam de forma clara os aspectos metodológicos ou se tratava de temas irrelevantes para esta investigação, restaram finalmente os trabalhos selecionados para esta revisão.

Fizeram parte do processo de busca dois revisores. Na dúvida de inclusão de determinado artigo, outros dois revisores foram convocados para discussão. A partir dessa, foi decidido o uso ou não do referido estudo.

Resultados

O Quadro 1 apresenta de forma resumida as informações do n amostral, idade do grupo avaliado, questionário usado, macrorregião em que foram aplicado e principais resultados observados dos 26 estudos selecionados (figura 1).

Figura 1
Fluxograma da seleção dos artigos.

Dentro do escopo de artigos selecionados, a frequência dos questionários usados para a avaliação do nível de atividade física dos adolescentes, do maior para o menor, foi a seguinte: IPAQ (versão curta) – sete (28%); Compac – quatro (16%); PAQ-C – dois (8%); Baecke et al. (1982)Baecke J, Burema J, Frijters JE. American Journal of Clinical Nutrition. A short questionnaire for the measurement of habitual physical activity in epidemiological studies. Bethesda. 1982;36(5):936-42. – dois (8%); questionário usado apenas no artigo em questão (questionário próprio) – cinco (20%); e questionários já validados usados apenas em um estudo – cinco (20%) (Quadro 1).

Quadro 1
Características principais dos estudos encontrados em busca nas bases de dados listadas

Discussão

Métodos de medida

Uma vez que o objetivo desta revisão foi verificar os questionários usados na avaliação do nível de atividade física habitual (NAF) de adolescentes brasileiros, foi possível observar uma ampla variedade de instrumentos empregados, variaram entre questionários com abrangência global (Basso et al., 2010Basso RP, Jamami M, Pessoa BV, Labadessa IG, Regueiro EMG, Lorenzo VAPD. Avaliação da capacidade de exercício em adolescentes asmáticos e saudáveis. Revista Brasileira de Fisioterapia, São Carlos. 2010;14(3):252-8.; Ceschini et al., 2009Ceschini FL, Andrade DR, Oliveira LC, Júnior J FA, Matsudo VKR. Prevalence of physical inactivity and associated factors among high school students from state's public schools. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro. 2009;85(4):301-6.; Interdonato e Greguol, 2011Interdonato GC, Greguol M. Qualidade de vida e prática habitual de atividade física em adolescentes com deficiência. Revista Brasileira Crescimento Desenvolvimento Humano, São Paulo. 2011;21(2):282-95.; Laus et al., 2011Laus, M.F.; Costa, T.M. B.; Almeida, S.S. Body image dissatisfaction and its relationship with physical activity and body mass index in Brazilian adolescents. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, Rio de Janeiro, 60, 4, 315-320, 2011.; Lippo et al., 2010Lippo, B.R. D. S.; Silva, I.M. D.; Aca, C.R. P.; Lira, P.I. C. D.; Silva, G.A. P. D.; Motta, M.E. F. A. Determinants of physical inactivity among urban adolescents. Jornal de Pediatria, Porto Alegre, 86, 6. 520-524, 2010.; Melo et al., 2009Melo, F.A. P. D.; Oliveira, F.M. F. D.; Almeida, M.B. D. Nível de atividade física não identifica o nível de flexibilidade de adolescentes. Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde, Pelotas, 14, 1, 48-54, 2009.; Sales-Nobre et al., 2009Sales-Nobre FS, Jornada-Krebs R, Valentini NC. Práticas de lazer, nível de atividade física e aptidão física de moças e rapazes Brasileiros. Revista Salud Pública, Bogotá. 2009;11(5):713-23.), regional (Dambros et al.,2011Dambros DD, Lopes LFD, Santos DLD. Barreiras percebidas e hábitos de atividade física de adolescentes escolares de uma cidade do sul do Brasil. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano. Florianópolis. 2011;13(6):422-8.; Farias Júnior et al., 2009Farias Júnior, J.C. D.; Lopes, A.D. S.; Mota, J.; Santos, M.P.; Ribeiro, J.C.; Hallal, P.C. Perception of the social and built environment and physical activity among Northeastern Brazil adolescents. Preventive Medicine, New York, 52, 2,114-119, 2011.; Silva et al., 2009Silva KSD, Nahas MV, Peres KG, Lopes ADS. Fatores associados à atividade física, comportamento sedentário e participação na Educação Física em estudantes do Ensino Médio em Santa Catarina Brasil. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro. 2009;25(10):2187-200.; Silva et al., 2008Silva KSD, Nahas MV, Hoefelmann LP, Lopes ADS, Oliveira ESD. Associações entre atividade física, índice de massa corporal e comportamento sedentários em adolescentes. Revista Brasileira de Epidemiologia, São Paulo. 2008;11(1):159-68.), adaptados e/ou adotados de outros trabalhos (Fernandes et al., 2011Fernandes RA, Christofaro DGD, Milanez VF, Casonatto J, Cardoso JR, Ronque ERV, Júnior IFF, Oliveira ARD. Atividade física: prevalência, fatores relacionados e associação entre pais e filhos. Revista Paulista de Pediatria, São Paulo. 2011;29(1):54-9.; Fernandes et al., 2008Fernandes, R.A.; Júnior, I.F. F.; Cardoso, J.R.; Ronque, E.R. V.; Loch, M.R.; Oliveira, A.R. D. Association between regular participation in sports and leisure time behaviors in Brazilian adolescents: A cross-sectional study. British Medical Journal, Londres, 8, 329, 2008.; Ceschini et al., 2007Ceschini FL, Florindo AA, Benício MHDA. Nível de atividade física em adolescentes de uma região de elevado índice de vulnerabilidade juvenil. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, Brasília. 2007;15(4):67-78.; Vasques e Lopes, 2009Vasques DG, Lopes ADS. Fatores associados à atividade física e aos comportamentos sedentários em adolescentes. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano, Florianópolis. 2009;11(1):59-66.; Reichert et al., 2010Reichert FF, Menezes AMB, Araújo CL, Hallal PC. Self-reporting versus parental reporting of physical activity in adolescents: the 11-year follow-up of the 1993 Pelotas (Brazil) birth cohort study. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro. 2010;26(10):1921-7.; Adami et al., 2008Adami F, Frainer DES, Santos JS, Fernandes TC, De-Oliveira FR. Insatisfação Corporal e Atividade Física em Adolescentes da Região Continental de Florianópolis. Psicologia: Teoria e Pesquisa. Brasília. 2008;24(2):143-9.) e até mesmo específicos para seus respectivos estudos (Castro et al., 2008Castro, I.R. R. D.; Cardoso, L.O.; Engstrom, E.M.; Levy, R.B.; Monteiro, C.A. Vigilância de fatores de risco para doenças não transmissíveis entre adolescentes: a experiência da cidade do Rio de Janeiro, Brasil. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro. 24, 10, 2279-2288, 2008.; Duncan et al., 2011Duncan S, Duncan EK, Fernandes RA, Buonani C, Bastos KD-N, Segatto AFM, Codogno JS, Gomes IC, Junior IFF. Modifiable risk factors for overweight and obesity in children and adolescents from São Paulo, Brazil. British Medical Journal. Londres. 2011;11:585.; Farias Júnior et al., 2011Farias Júnior, J.C. D.; Lopes, A.D. S.; Mota, J.; Santos, M.P.; Ribeiro, J.C.; Hallal, P.C. Perception of the social and built environment and physical activity among Northeastern Brazil adolescents. Preventive Medicine, New York, 52, 2,114-119, 2011.; Fermino et al., 2010Fermino, R.C.; Rech, C.R.; Hino, A.A. F.; Añez, C.R. R.; Reis, R.S. Atividade física e fatores associados em adolescentes do ensino médio de Curitiba, Brasil. Revista de Saúde Pública, São Paulo, 44, 6,986-995, 2010.; Gonçalves et al., 2007Gonçalves H, Hallal PC, Amorim TC, Araújo CLP, Menezes AMB. Fatores socioculturais e nível de atividade física no início da adolescência. Revista Panamericana de Salud Publica. Washington. 2007;22(4):246-53.), o que limita a comparação entre os estudos e a extrapolação dos resultados.

O International Physical Activity Questionnair (IPAQ) é um instrumento de abrangência global. Esse questionário foi inicialmente proposto por um grupo de pesquisadores internacionais em 1998, com o objetivo de validar um único instrumento que permitiria fazer um levantamento mundial da prevalência de atividade/inatividade física em adultos (Ceschini et al., 2009Ceschini FL, Andrade DR, Oliveira LC, Júnior J FA, Matsudo VKR. Prevalence of physical inactivity and associated factors among high school students from state's public schools. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro. 2009;85(4):301-6.). O IPAQ também foi validado para adolescentes brasileiros (Guedes et al., 2005Guedes DP, Lopes CC, Guedes JERP. Reprodutibilidade e validade do Questionário Internacional de Atividade Física em adolescentes. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, São Paulo. 2005;11(2):151-8.). A classificação do nível de atividade física leva em consideração a frequência, duração e intensidade das atividades feitas ao longo da semana anterior à entrevista. São estratificadas cinco categorias: inativo (sedentário), insuficiente ativo A, insuficiente ativo B, ativo, muito ativo (Melo et al., 2009Melo, F.A. P. D.; Oliveira, F.M. F. D.; Almeida, M.B. D. Nível de atividade física não identifica o nível de flexibilidade de adolescentes. Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde, Pelotas, 14, 1, 48-54, 2009.).

Alguns trabalhos feitos na região Sul do país usaram o questionário Comportamento do Adolescente Catarinense (Compac), validado para aplicação específica em adolescentes dessa região e desenvolvido com base em partes de instrumentos já validados para adolescentes, que investiga os seguintes comportamentos de risco à saúde: níveis insuficientes de atividade física, baixo consumo de frutas/verduras, tabagismo, consumo abusivo de bebidas alcoólicas, envolvimento em brigas, consumo de drogas ilícitas e a não uso regular de preservativos nas relações sexuais (Farias Júnior et al., 2009Farias Júnior, J.C. D.; Nahas, M.V.; Barros, M.V. G. D.; Loch, M.R.; Oliveira, E.S. A. D.; Bem, M.F. L. D.; Lopes, A.D. S. Comportamentos de risco à saúde em adolescentes no Sul do Brasil: prevalência e fatores associados. Revista Panamericana de Salud Publica, Washington 25, 4, 344-352,2009.). Questionários, como o Compac, que são validados em regiões ou estados específicos do país podem ter boa validade para estudos com populações mais regionalizadas de adolescentes, porém podem ter pouca validade em estudos nacionais.

Além desses, que foram os usados com maior frequência, alguns estudos usaram questionários próprios, formulados especificamente para o trabalho em questão, apresentaram validação de seu conteúdo em coleta anterior. Também se observaram estudos que adaptaram questionários desenvolvidos por outros autores. As diferenças metodológicas na aplicação de cada instrumento dificultam, no entanto, a comparação entre os resultados obtidos em cada estudo.

Idade e gênero

Quanto à amostra usada, os estudos envolveram a faixa entre 10 a 19 anos, classificada como adolescência segundo critérios da Organização Mundial de Saúde (OMS) (WHO, 2012World Health Organization (WHO). Adolescent Health. Disponível em: <http://www.who.int/topics/adolescent_health/en/>. Acesso em: 27 mai. 2012.
http://www.who.int/topics/adolescent_hea...
). Em alguns dos trabalhos encontrou-se um maior NAF nas menores faixas etárias da população (Ceschini et al., 2007Ceschini FL, Florindo AA, Benício MHDA. Nível de atividade física em adolescentes de uma região de elevado índice de vulnerabilidade juvenil. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, Brasília. 2007;15(4):67-78.; Farias Júnior et al., 2009Farias Júnior, J.C. D.; Nahas, M.V.; Barros, M.V. G. D.; Loch, M.R.; Oliveira, E.S. A. D.; Bem, M.F. L. D.; Lopes, A.D. S. Comportamentos de risco à saúde em adolescentes no Sul do Brasil: prevalência e fatores associados. Revista Panamericana de Salud Publica, Washington 25, 4, 344-352,2009.; Fermino et al., 2010Fermino, R.C.; Rech, C.R.; Hino, A.A. F.; Añez, C.R. R.; Reis, R.S. Atividade física e fatores associados em adolescentes do ensino médio de Curitiba, Brasil. Revista de Saúde Pública, São Paulo, 44, 6,986-995, 2010.; Silva et al., 2008Silva KSD, Nahas MV, Hoefelmann LP, Lopes ADS, Oliveira ESD. Associações entre atividade física, índice de massa corporal e comportamento sedentários em adolescentes. Revista Brasileira de Epidemiologia, São Paulo. 2008;11(1):159-68.). Resultado similar foi encontrado por Oliveira et al. (2010)Oliveira TCD, Silva AAMD, Santos CDJND, Silva JSE, Conceição SIOD. Atividade física e sedentarismo em escolares da rede pública e privada de ensino em São Luís. Revista de Saúde Pública. São Paulo. 2010;44(6):996-1004., os anos finais da adolescência caracterizaram as idades em que ocorre o maior declínio do NAF. Porém, Tenório et al. (2010)Tenório MCM, Barros MVGD, Tassitano RM, Bezerra J, Tenório JM, Hallal PC. Atividade física e comportamento sedentário em adolescentes estudantes do ensino médio. Revista Brasileira Epidemiologia, São Paulo. 2010;13(1):105-17., Vasques e Lopes, (2009)Vasques DG, Lopes ADS. Fatores associados à atividade física e aos comportamentos sedentários em adolescentes. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano, Florianópolis. 2009;11(1):59-66. e Ceschini et al. (2009)Ceschini FL, Andrade DR, Oliveira LC, Júnior J FA, Matsudo VKR. Prevalence of physical inactivity and associated factors among high school students from state's public schools. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro. 2009;85(4):301-6. encontraram a relação inversa para essa questão.

A diferença entre os gêneros foi analisada em 14 artigos e revelou que em 85,7% dos casos (12 estudos),os meninos têm menor taxa de prevalência de sedentarismo quando comparados com as meninas (Ceschini et al., 2009Ceschini FL, Andrade DR, Oliveira LC, Júnior J FA, Matsudo VKR. Prevalence of physical inactivity and associated factors among high school students from state's public schools. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro. 2009;85(4):301-6.; Lippo et al., 2010Lippo, B.R. D. S.; Silva, I.M. D.; Aca, C.R. P.; Lira, P.I. C. D.; Silva, G.A. P. D.; Motta, M.E. F. A. Determinants of physical inactivity among urban adolescents. Jornal de Pediatria, Porto Alegre, 86, 6. 520-524, 2010.; Sales-Nobre et al., 2009Sales-Nobre FS, Jornada-Krebs R, Valentini NC. Práticas de lazer, nível de atividade física e aptidão física de moças e rapazes Brasileiros. Revista Salud Pública, Bogotá. 2009;11(5):713-23.; Farias Júnior et al., 2011Farias Júnior, J.C. D.; Lopes, A.D. S.; Mota, J.; Santos, M.P.; Ribeiro, J.C.; Hallal, P.C. Perception of the social and built environment and physical activity among Northeastern Brazil adolescents. Preventive Medicine, New York, 52, 2,114-119, 2011.; Fermino et al., 2010Fermino, R.C.; Rech, C.R.; Hino, A.A. F.; Añez, C.R. R.; Reis, R.S. Atividade física e fatores associados em adolescentes do ensino médio de Curitiba, Brasil. Revista de Saúde Pública, São Paulo, 44, 6,986-995, 2010.; Gonçalves et al., 2007Gonçalves H, Hallal PC, Amorim TC, Araújo CLP, Menezes AMB. Fatores socioculturais e nível de atividade física no início da adolescência. Revista Panamericana de Salud Publica. Washington. 2007;22(4):246-53.; Dambros et al.,2011Dambros DD, Lopes LFD, Santos DLD. Barreiras percebidas e hábitos de atividade física de adolescentes escolares de uma cidade do sul do Brasil. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano. Florianópolis. 2011;13(6):422-8.; Silva et al., 2008Silva KSD, Nahas MV, Hoefelmann LP, Lopes ADS, Oliveira ESD. Associações entre atividade física, índice de massa corporal e comportamento sedentários em adolescentes. Revista Brasileira de Epidemiologia, São Paulo. 2008;11(1):159-68.; Silva et al., 2009Silva KSD, Nahas MV, Peres KG, Lopes ADS. Fatores associados à atividade física, comportamento sedentário e participação na Educação Física em estudantes do Ensino Médio em Santa Catarina Brasil. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro. 2009;25(10):2187-200., Lemos et al., 2010Lemos ND, Nakamura PM, Grisi RNDF, Kokubun E. Associação entre nível de atividade física de lazer dos pais com o nível de atividade física dos filhos. Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde, Pelotas. 2010;15(2):95-100.; Tenório et al., 2010Tenório MCM, Barros MVGD, Tassitano RM, Bezerra J, Tenório JM, Hallal PC. Atividade física e comportamento sedentário em adolescentes estudantes do ensino médio. Revista Brasileira Epidemiologia, São Paulo. 2010;13(1):105-17.; Vasques e Lopes, 2009Vasques DG, Lopes ADS. Fatores associados à atividade física e aos comportamentos sedentários em adolescentes. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano, Florianópolis. 2009;11(1):59-66.), seguindo tendências mundiais (Guerra et al., 2003Guerra, S.; Santos, P.; Ribeiro, J.C.; Duarte, J.A.; Mota, J.; Sallis, J.F. Assessment of childrens and adolescents physical activity levels. European Physical Education Review, Norway. 9. 1, 75-85, 2003.; Duncan et al., 2004Duncan MJ, Al-Nakeeb Y, Nevill A, Jones MV. Body Image and physical activity in British secondary school children. European Physical Education Review, Norway. 2004;10(3):243-60.; Pate et al., 2004Pate, R. R.; Pfeiffer, K. A.; Trost, S. G.; Ziegler, P.; Dowda, M. Physical activity among children attending preschools. Pediatrics, Vermont, v. 114, n. 5, p. 1258-1263, 2004.). Dentre os estudos desta revisão apenas dois (Adami et al., 2008Adami F, Frainer DES, Santos JS, Fernandes TC, De-Oliveira FR. Insatisfação Corporal e Atividade Física em Adolescentes da Região Continental de Florianópolis. Psicologia: Teoria e Pesquisa. Brasília. 2008;24(2):143-9.; Melo et al., 2009Melo, F.A. P. D.; Oliveira, F.M. F. D.; Almeida, M.B. D. Nível de atividade física não identifica o nível de flexibilidade de adolescentes. Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde, Pelotas, 14, 1, 48-54, 2009.) relataram que as meninas apresentam maior nível de atividade física comparadas com os meninos. Esses resultados demonstram que a maior prevalência de excesso de peso observada entre os adolescentes do sexo masculino nas últimas décadas pode ter relação com outros fatores, e não somente com o NAF.

Dentre os estudos que avaliaram o nível de atividade em ambos os sexos, 53,8% (sete) apresentaram índices acima de 50% de baixo NAF e/ou sedentarismo, o que consequentemente revela uma tendência de pouco envolvimento com a atividade física habitual entre os adolescentes brasileiros.

Dados regionais

Foi encontrada maior prevalência de pesquisas que abordaram o nível de atividade física de adolescentes na Região Sudeste do Brasil. Conforme análise dos manuscritos, 44% (11) foram feitas na Região Sudeste do Brasil, enquanto 40% (10) na Região Sul e, apenas 16% (4) na Região Nordeste. As regiões Norte e Centro-Oeste não foram contempladas com estudos nas buscas feitas por meio dos critérios metodológicos estabelecidos nesta revisão.

O IPAQ foi usado em estudos de todas as regiões consideradas dentro desta análise (Lippo et al., 2010Lippo, B.R. D. S.; Silva, I.M. D.; Aca, C.R. P.; Lira, P.I. C. D.; Silva, G.A. P. D.; Motta, M.E. F. A. Determinants of physical inactivity among urban adolescents. Jornal de Pediatria, Porto Alegre, 86, 6. 520-524, 2010.; Sales-Nobre et al., 2009Sales-Nobre FS, Jornada-Krebs R, Valentini NC. Práticas de lazer, nível de atividade física e aptidão física de moças e rapazes Brasileiros. Revista Salud Pública, Bogotá. 2009;11(5):713-23.; Melo et al., 2009Melo, F.A. P. D.; Oliveira, F.M. F. D.; Almeida, M.B. D. Nível de atividade física não identifica o nível de flexibilidade de adolescentes. Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde, Pelotas, 14, 1, 48-54, 2009.), enquanto o Compac por suas especificidades foi usado exclusivamente em levantamentos na Região Sul (Farias Júnior et al., 2009Farias Júnior, J.C. D.; Nahas, M.V.; Barros, M.V. G. D.; Loch, M.R.; Oliveira, E.S. A. D.; Bem, M.F. L. D.; Lopes, A.D. S. Comportamentos de risco à saúde em adolescentes no Sul do Brasil: prevalência e fatores associados. Revista Panamericana de Salud Publica, Washington 25, 4, 344-352,2009.; Dambros et al., 2011Dambros DD, Lopes LFD, Santos DLD. Barreiras percebidas e hábitos de atividade física de adolescentes escolares de uma cidade do sul do Brasil. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano. Florianópolis. 2011;13(6):422-8.; Silva et al., 2008Silva KSD, Nahas MV, Hoefelmann LP, Lopes ADS, Oliveira ESD. Associações entre atividade física, índice de massa corporal e comportamento sedentários em adolescentes. Revista Brasileira de Epidemiologia, São Paulo. 2008;11(1):159-68.; Silva et al., 2009Silva KSD, Nahas MV, Hoefelmann LP, Lopes ADS, Oliveira ESD. Associações entre atividade física, índice de massa corporal e comportamento sedentários em adolescentes. Revista Brasileira de Epidemiologia, São Paulo. 2008;11(1):159-68.). Os estudos dessa região feitos com outros modelos de questionários e apresentaram valores percentuais mais elevados de inatividade física em relação ao Compac (Vasques e Lopes, 2009Vasques DG, Lopes ADS. Fatores associados à atividade física e aos comportamentos sedentários em adolescentes. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano, Florianópolis. 2009;11(1):59-66.; Reichert et al., 2010Reichert FF, Menezes AMB, Araújo CL, Hallal PC. Self-reporting versus parental reporting of physical activity in adolescents: the 11-year follow-up of the 1993 Pelotas (Brazil) birth cohort study. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro. 2010;26(10):1921-7.; Silva et al., 2009Silva KSD, Nahas MV, Peres KG, Lopes ADS. Fatores associados à atividade física, comportamento sedentário e participação na Educação Física em estudantes do Ensino Médio em Santa Catarina Brasil. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro. 2009;25(10):2187-200.).

Os maiores percentuais de inatividade física encontrados nas regiões Sudeste e Nordeste foram obtidos em estudos que usaram o PAQ-C como instrumento de avaliação, 82,6% e 94,3%, respectivamente (Lemos et al., 2010Lemos ND, Nakamura PM, Grisi RNDF, Kokubun E. Associação entre nível de atividade física de lazer dos pais com o nível de atividade física dos filhos. Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde, Pelotas. 2010;15(2):95-100.; Rivera et al., 2010Rivera IR, Silva MAMD, Silva RDATA, Almeida B, Oliveira VD, Carvalho ACC. Atividade Física, Horas de Assistência à TV e Composição Corporal em Crianças e Adolescentes. Arquivos Brasileiros de Cardiologia Rio de Janeiro. 2010;95(2):159-65.). Entretanto, sugerem-se estudos com o objetivo de elaborar ou testar questionários para avaliação do NAF com populações de adolescentes das regiões Norte e Centro-Oeste. Isso permitiria que novos instrumentos tivessem sua acurácia avaliada com objetivo de obter um questionário que possa ser aplicado a todos os adolescentes brasileiros.

Conclusão

A partir dos critérios de busca usados nesta revisão foram resgatados 26 artigos. Foram encontrados mais de 10 tipos de questionários, o IPAQ foi o mais usado. O uso de diferentes modelos de questionários nos respectivos manuscritos dificultou a comparação dos resultados, uma vez que os pontos de corte e os métodos de classificação não são padronizados e isso inviabiliza que seja traçado um perfil total a partir dessa busca do nível de atividade física dos adolescentes brasileiros. Assim, recomenda-se a adoção de um questionário-padrão que atenda a população de adolescentes brasileiros. Uma vez que não foram encontrados trabalhos feitos com populações do Norte e Centro-Oeste do país, sugere-se o incentivo a estudos com esse propósito nessas regiões.

  • Apoio financeiro
    O presente trabalho não contou com apoio financeiro de qualquer natureza.

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    » http://www.who.int/topics/adolescent_health/en/

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    16 Set 2019
  • Data do Fascículo
    Jul-Sep 2019

Histórico

  • Recebido
    9 Mar 2016
  • Aceito
    15 Mar 2018
  • Publicado
    9 Jun 2018
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