Abordagens de Psicoterapia para Pessoas com Deficiência: Revisão da Literatura

Psychotherapy Approaches for People with Disabilities: Literature Review

Charlie Trelles SEVERO Bárbara Tietbohl Martins Quadros dos SANTOS Andréa Asti SEVERO Marilú Mourão PEREIRA Lucas Mendes de OLIVEIRA Gabriela Massaro Carneiro MONTEIRO Tamires BASTOS Pricilla Braga LASKOSKI Simone HAUCK Sobre os autores

RESUMO:

Quinze por cento da população mundial apresenta algum tipo de deficiência. Isso pode ser caracterizado por vários tipos de condições, cada uma com sua complexidade específica. Assim sendo, esta revisão da literatura objetiva identificar recentes estudos científicos, no quinquênio 2014-2019, que descrevem cuidados psicoterapêuticos com pessoas com deficiência. Foram consultados: PubMed, EMBASE, Web of Science, PsycINFO (APA), BVS (Bireme/LILACS) e SciELO. Encontrou-se um total de 1.330 artigos. Após dois processos de seleção, 26 pesquisas corresponderam aos critérios de inclusão. A metodologia de pesquisa predominante foi ensaio clínico randomizado, seguido por estudos de caso e estudos descritivos/qualitativos. Pessoas com deficiência intelectual e/ou física, deficiência visual e/ou auditiva e autismo foram as populações mais estudadas. As técnicas comportamentais prevalecem nos estudos incluídos, com menor incidência de técnicas psicodinâmicas. A psicoterapia favorece inclusive o enfrentamento de situações adversas impostas na vida de qualquer ser humano. Pessoas com deficiência também podem apresentar necessidades psicoterápicas, uma vez que, na realidade de suas vidas, incluem complexidades além de sua deficiência. Existem fortes evidências para o uso da psicoterapia como recurso eficaz para a elaboração terapêutica de problemas relacionados à saúde, à educação e à vida social de pessoas com deficiência, independentemente do tipo de intervenção psicoterápica.

PALAVRAS-CHAVE:
Pessoa com deficiência; Psicoterapia; Pesquisa

ABSTRACT:

Fifteen percent of the world’s population has some form of disability. This can be characterized by several types of conditions, each with its specific complexity. Thus, this literature review aims to identify recent scientific studies, in the 2014-2019 five-year period, which describe psychotherapeutic care for people with disabilities. PubMed, EMBASE, Web of Science, PsycINFO (APA), BVS (Bireme/LILACS) and SciELO were consulted. It was found a total of 1,330 articles. After two selection processes, 26 research met the inclusion criteria. The predominant research methodology was the randomized clinical trial, followed by case studies and descriptive/qualitative studies. People with intellectual and/or physical disabilities, visual and/or hearing disabilities and autism were the most studied populations. Behavioral techniques prevail in the studies included, with a lower incidence of psychodynamic techniques. Psychotherapy also favors coping with adverse situations imposed on the life of any human being. People with disabilities may also have psychotherapeutic needs, since, in the reality of their lives, they also include complexities in addition to their disability. There is strong evidence for the use of psychotherapy as an effective resource for the therapeutic elaboration of problems related to health, education and social life of people with disabilities, regardless of the type of psychotherapeutic intervention.

KEYWORDS:
Person with a disability; Psychotherapy; Research

1 Introdução

Segundo o Relatório Mundial sobre Deficiência, da Organização Mundial da Saúde [OMS] (2011)Organização Mundial da Saúde (2011). Relatório mundial sobre a deficiência. Recuperado de https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/70670/WHO_NMH_VIP_11.01_por.pdf?sequence=9
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, 15% da população mundial tem algum tipo de deficiência. Isso pode ser caracterizado por vários tipos de condições, cada uma com sua complexidade específica. A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência define dinamicamente as pessoas com deficiência como aquelas que apresentam deficiências físicas, intelectuais ou sensoriais que, em interação com várias barreiras, podem dificultar sua participação plena e efetiva na sociedade (Resende & Vital, 2008Resende, A. P. C., & Vital, F. M. P. (2008). A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência Comentada. CORDE. Recuperado em 25 de junho de 2020 de https://www.gov.br/governodigital/pt-br/acessibilidade-digital/convencao-direitos-pessoas-deficiencia-comentada.pdf/view
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). Como parte dessa complexidade, associada ou não a prejuízos sociais, ocorrem sensações, emoções, pensamentos e comportamentos que podem acarretar problemas pessoais, dificultando o convívio social. Essas dificuldades tornam-se necessidades psicológicas e/ou sociais que, se não atendidas, podem resultar em comportamentos crônicos que comprometem a saúde e o bem-estar.

Uma das possíveis modalidades de intervenção nesses casos é a psicoterapia, definida como qualquer método de tratamento de distúrbios psíquicos ou corporais que utilize meios psicológicos e, mais precisamente, a relação entre terapeuta e paciente (Laplanche & Pontalis, 1988Laplanche, J., & Pontalis, J. B. (1988). Vocabulário da psicanálise. (10ª ed.). Livraria Martins Fontes Editora Ltda.). Terapia significa "cuidado" para criar algum benefício para o sujeito. Isso se traduz em alcançar mudanças que criam ações para melhorar e proteger e, por meio desse processo, transformar (Mezan, 1996Mezan, R. (1996). Psicanálise e psicoterapias. Estudos Avançados, 10(27), 96-108.). Refere-se a um tipo especial de interação, exclusivo da espécie humana, que tem o objetivo de curar o sofrimento psíquico. Essa interação ocorre no contexto de um arcabouço teórico da estrutura e comportamentos da personalidade expressos nas relações interpessoais (Cordioli & Grevet, 2018Cordioli, A. V., & Grevet, E. H. (2018). Psicoterapias: abordagens atuais. Artmed.; Thomé, 2005Thomé, J. T. (2005). Psicoterpia de orientação analítica: fundamentos teóricos e clínicos-resenha. Rev Psiquiatr RS, 27(1), 92-95.).

Ao longo dos anos, é possível identificar revisões sistemáticas e metanálises que destacam resultados bem-sucedidos de terapias psicológicas com pessoas com deficiência (Flynn et al., 2017Flynn, S., Vereenooghe, L., Hastings, R. P., Adams, D., Cooper, S. A., Gore, N., Hatton, C., Hood, K., Jahoda, A., Langdon, P. E., McNamara, R., Oliver, C., Roy, A., Totsika, V., & Waite, J. (2017). Measurement tools for mental health problems and mental well-being in people with severe or profound intellectual disabilities: A systematic review.Clinical Psychology Review, 57, 32-44.; Koslowski et al., 2016Koslowski, N., Klein, K., Arnold, K., Koesters, M., Schuetzwohl, M., Salize, H. J., & Puschner, B. (2016). Effectiveness of interventions for adults with mild to moderate intellectual disabilities and mental health problems: systematic review and meta-analysis.The British Journal of Psychiatry, 209(6), 469-474.; Vereenooghe et al., 2018Vereenooghe, L., Flynn, S., Hastings, R. P., Adams, D., Chauhan, U., Cooper, S. A., Gore, N., Hatton, C., Hood, K., Jahoda, A., Langdon, P. E, McNamara, R., Oliver, C., Roy, A., Totsika, V., & Waite, J. (2018). Interventions for mental health problems in children and adults with severe intellectual disabilities: a systematic review.BMJ open, 8(6). http://doi.org/10.1136/bmjopen-2018-021911
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), bem como analisam métodos utilizados para avaliar o resultado dessas terapias (Vlissides et al., 2016Vlissides, N., Golding, L., & Beail, N. (2016). A systematic review of the outcome measures used in psychological therapies with adults with ID.Psychological therapies and people who have intellectual disabilities, 115-139.). Existem alguns relatórios e manuais que investem em diretrizes para mudanças terapêuticas para essas pessoas (Ahmadi et al., 2017Ahmadi, H., Daramadi, P. S., Asadi-Samani, M., & Sani, M. R. M. (2017). Effectiveness of group training of assertiveness on social anxiety among deaf and hard of hearing adolescents.The International Tinnitus Journal, 21(1), 14-20.; Beail, 2017Beail, N. (2017). Psychological therapies and people who have ID: a report from the Royal College of Psychiatrists and British Psychological Society. Advances in Mental Health and Intellectual Disabilities, 11(1), 24-26.). Nesse sentido, também existem pesquisas realizadas com psicoterapeutas que reforçam a necessidade e a eficácia de tratamentos psicológicos para a população com deficiência, incluindo crianças e adolescentes (Metaxas et al., 2014Metaxas, C., Wünsch, A., & Nübling, T. S. R. (2014). Ambulante Psychotherapie für Kinder und Jugendliche mit Intelligenzminderung.Zur aktuellen Versorgungslage in Baden-Württemberg. Psychotherapeutenjournal, 2(2014), 122-130.; Marwood et al., 2018Marwood, H., Chinn, D., Gannon, K., & Scior, K. (2018). The experiences of high intensity therapists delivering cognitive behavioural therapy to people with intellectual disabilities.Journal of Applied Research in Intellectual Disabilities, 31(1), 76-86.; Stünkel-Gree, 2018Stünkel-Grees, N., Clausen, J., & Wünsch, A. (2018). Ambulante Psychotherapie für Kinder und Jugendliche mit geistiger Behinderung. Praxis Der Kinderpsychologie Und Kinderpsychiatrie, 67(3), 224-238.). No entanto, esses estudos tendem a registrar descobertas e diretrizes exclusivamente para pessoas com deficiência intelectual (DI), e pesquisas direcionadas a outras deficiências não são claramente descritas.

Esta revisão tem, portanto, como objetivo identificar recentes pesquisas científicas disponíveis na literatura sobre cuidados psicoterapêuticos para pessoas com deficiência intelectual e outras deficiências. Pretendemos desenvolver uma visão geral que identifique os tipos de pesquisa disponíveis na literatura sobre os diferentes tipos de deficiência, tipos de psicoterapia, faixa etária e gênero dos participantes. A partir desses resultados, o objetivo é identificar possibilidades de expansão de recursos terapêuticos, gerando conhecimento e ferramentas para os prestadores de cuidados e serviços de assistência à pessoa com deficiência.

2 Metodologia

O presente estudo foi catalogado no Registro Internacional Prospectivo de Revisões Sistemáticas - PROSPERO (ID 154642). Utilizamos algumas diretrizes descritas na declaração Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analysis-PRISMA (Moher et al., 2015Moher, D., Shamseer, L., Clarke, M., Ghersi, D., Liberati, A., Petticrew, M., Shekelle, P., & Stewart, L. A. (2015). Preferred reporting items for systematic review and meta-analysis protocols (PRISMA-P) 2015 statement.Systematic reviews, 4(1), 1.). Consultamos BVS (Bireme/LILACS), EMBASE, PsycINFO (APA), PubMed, SciELO e Web of Science, utilizando os seguintes descritores: ("Disabled Person" OR "Personas discapacitadas" OR "Personas con Discapacidad" OR "Intellectual Disability" OR "Educación de Intellectually Disabled" OR "Persons con Hearing Impediments" OR "Mentally Disabled Persons" OR "Blindness" OR "Visually Impaired Persons" OR "Personas con Daño Visual" OR "Amaurosis" OR "Deaf-Blind Disorders") AND ("Psychotherapy" OR "Psychotherapies" OR "Psicoterapia") AND ("Research" OR "Investigación" OR "Study Characteristics"). Esses termos foram pesquisados no Medical Subject Heading (MeSH) da base PubMed e os no Emtree terms da base EMBASE.

Foram determinados os seguintes critérios de inclusão: o período de cinco anos 2014-2019 (1 de janeiro de 2014 a 31 de dezembro de 2019); qualquer metodologia de pesquisa incluindo pessoas com deficiência de qualquer tipo como participantes, recebendo algum tipo de psicoterapia como intervenção; descrição das metodologias utilizadas, bem como os resultados encontrados. Incluímos apenas artigos em inglês para esta pesquisa. Quanto aos critérios de exclusão, definimos estudos teóricos, revisões sistemáticas e metanálises. Também pesquisamos as listas de referências dos estudos incluídos para enriquecer a fundamentação. Dois avaliadores examinaram e independentemente selecionaram títulos e resumos para inclusão de texto completo. Em caso de discordância, estas seriam mediadas por um terceiro pesquisador do grupo; no entanto, não houve discordâncias entre os dois avaliadores.

3 Resultados

No total, 1.330 artigos foram encontrados sobre o tema, dos quais 518 foram duplicados e 812 foram avaliados no primeiro screening. Desses, 101 estudos foram lidos na íntegra no segundo screening. Nesse conjunto de estudos, ainda encontramos várias pesquisas que não correspondiam fielmente aos critérios de inclusão; por exemplo, estudos que confundiam os conceitos de pessoas com deficiência e pessoas com doença mental, ou estudos relativos à experiência do profissional e não à da população estudada. Com a confirmação dos critérios de inclusão, 26 estudos compõem esta revisão.

O processo do presente estudo pode ser identificado na Figura 1 (Fluxograma). A Figura 2 resume os principais dados das pesquisas incluídas. As tabelas 1, 2, 3 e 4 descrevem, respectivamente, os tipos de deficiência, os tipos de psicoterapia, os tipos de intervenções considerando trabalhos individuais e em grupo e os tipos de análises de dados.

Figura 1
Fluxograma

Nota. SH - Prof. Dr. Simone Hauck; CTS e AAS - Charlie Trelles Severo e Andrea Asti Severo.


Tabela 1
Tipos de deficiência
Tabela 2
Tipos de intervenções
Tabela 3
Tipos de intervenções considerando abordagens individuais e em grupo
Tabela 4
Análise de dados

Encontramos pesquisas de todos os continentes: predominaram estudos realizados na Europa (73%), seguidos pela América do Norte (15,3%), África, Oceania e Ásia (3,8% cada). Em apenas um dos estudos selecionados (McGillivray & Kershaw, 2015McGillivray, J. A., & Kershaw, M. (2015). Do we need both cognitive and behavioural components in interventions for depressed mood in people with mild intellectual disability?Journal of intellectual disability research, 59(2), 105-115.) é descrito o conceito de pessoa com deficiência como definido na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (Resende & Vital, 2008Resende, A. P. C., & Vital, F. M. P. (2008). A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência Comentada. CORDE. Recuperado em 25 de junho de 2020 de https://www.gov.br/governodigital/pt-br/acessibilidade-digital/convencao-direitos-pessoas-deficiencia-comentada.pdf/view
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). Também em somente um artigo é utilizado um conceito geral de psicoterapia, definida como técnica terapêutica para abordar o psiquismo humano, considerando as relações entre sensações, comportamentos, pensamentos e emoções (McInnis, 2016McInnis, E. E. (2016). Effectiveness of individual psychodynamic psychotherapy in disability psychotherapy.Advances in Mental Health and Intellectual Disabilities., 10(2), 128-144.). Nos demais, esse conceito é definido de acordo com objetivos do estudo e com a intervenção utilizada ou mesmo subentendido nas informações registradas. Por exemplo, a técnica de dançaterapia (Baum, 2018Baum, R. (2018). Unconscious seduction: Desire and disability in dance/movement therapy. Body, Movement and Dance in Psychotherapy, 13(3), 156-169.; De Tord & Bräuninger, 2015De Tord, P., & Bräuninger, I. (2015). Grounding: Theoretical application and practice in dance movement therapy. The Arts in Psychotherapy, 43, 16-22.), a musicoterapia (Schwantes & Rivera, 2017Schwantes, M., & Rivera, E. (2017). "A team working together to make a big, nice, sound": An action research pilot study in an inclusive college setting. The Arts in Psychotherapy, 55, 1-10.), a terapia multissistêmica (Blankestein et al., 2019Blankestein, A., Rijken, R. van der, Eeren, H. V., Lange, A., Scholte, R., Moonen, X., Vuyst, K. de, Leunissen, J., & Didden, R. (2019). Evaluating the effects of multisystemic therapy for adolescents with intellectual disabilities and antisocial or delinquent behaviour and their parents. Journal of Applied Research in Intellectual Disabilities, 32(3), 575-590. https://doi.org/10.1111/jar.12551
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) apresentam fundamentação conceitual e técnicas próprias. Em comum, esses conceitos equivalem aos critérios teóricos/metodológicos científicos que correspondem ao conceito de psicoterapia.

Os estudos identificados nesta revisão registram um total de 961 participantes. Estão incluídos homens e mulheres, adultos ou idosos, com vários estados civis, estudantes de Ensino Médio, bem como universitários, atletas, pessoas institucionalizadas ou dependentes de cuidadores ou familiares e, ainda, pessoas que, mesmo com alguma deficiência, são independentes. Durante as buscas de dados, as pesquisas que incluíram crianças com deficiência como participantes não contemplaram os critérios de inclusão específicos do presente estudo. Enquanto outros tipos de deficiência também são descritos, os participantes com deficiência intelectual ainda predominam como a população mais estudada (Tabela 1).

Várias modalidades de terapias evidenciaram um impacto positivo na qualidade de vida dos participantes dos estudos, reduzindo danos psicológicos e elevando a autoestima. São predominantes estudos com intervenções derivadas da teoria Cognitiva Comportamental, incluindo também técnicas que enfocam a percepção do corpo como um possível instrumento para experimentar sensações e emoções e consequente reflexão sobre elas (Tabela 2). A predominância desses estudos sugere tentativas de otimização de tempo para alcance de resultados, como, por exemplo, modificação de comportamentos desadaptativos (Clapton et al., 2017Clapton, N. E., Williams, J., Griffith, G. M., & Jones, R.S. (2017). ‘Finding the person you really are … on the inside’: Compassion focused therapy for adults with intellectual disabilities. Journal of Intellectual Disabilities, 22(2), 135-153. https://doi.org/10.1177/1744629516688581
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; Hartley et al., 2015Hartley, S. L., Esbensen, A. J., Shalev, R., Vincent, L. B., Mihaila, I., & Bussanich, P. (2015). Cognitive behavioral therapy for depressed adults with mild intellectual disability: a pilot study.Journal of mental health research in intellectual disabilities, 8(2), 72-97.; Macmahon et al., 2015MacMahon, P., Stenfert Kroese, B., Jahoda, A., Stimpson, A., Rose, N., Rose, J., Townson, J., Hood, K., & Willner, P. (2015). ‘It’s made all of us bond since that course…’- a qualitative study of service users’ experiences of a CBT anger management group intervention.Journal of Intellectual Disability Research, 59(4), 342-352. https://doi.org/10.1111/jir.12144
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; Parent et al., 2016Parent, V., Birtwell, K. B., Lambright, N., & DuBard, M. (2016). Combining CBT and behavior-analytic approaches to target severe emotion dysregulation in verbal youth with ASD and ID.Journal of Mental Health Research in Intellectual Disabilities, 9(1-2), 60-82.; Roeden et al., 2014Roeden, J. M., Maaskant, M. A., & Curfs, L. M. G. (2014). Processes and effects of solution-focused brief therapy in people with intellectual disabilities: A controlled study. Journal of Intellectual Disability Research, 58(4), 307-320.; Schuurmans et al., 2018Schuurmans, A. A., Nijhof, K. S., Engels, R. C., & Granic, I. (2018). Using a videogame intervention to reduce anxiety and externalizing problems among youths in residential care: An initial randomized controlled trial.Journal of psychopathology and behavioral assessment, 40(2), 344-354.).

Além dos ensaios clínicos randomizados (Ahmadi et al., 2017Ahmadi, H., Daramadi, P. S., Asadi-Samani, M., & Sani, M. R. M. (2017). Effectiveness of group training of assertiveness on social anxiety among deaf and hard of hearing adolescents.The International Tinnitus Journal, 21(1), 14-20.; Blankestein et al., 2019Blankestein, A., Rijken, R. van der, Eeren, H. V., Lange, A., Scholte, R., Moonen, X., Vuyst, K. de, Leunissen, J., & Didden, R. (2019). Evaluating the effects of multisystemic therapy for adolescents with intellectual disabilities and antisocial or delinquent behaviour and their parents. Journal of Applied Research in Intellectual Disabilities, 32(3), 575-590. https://doi.org/10.1111/jar.12551
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; Hartley et al., 2015Hartley, S. L., Esbensen, A. J., Shalev, R., Vincent, L. B., Mihaila, I., & Bussanich, P. (2015). Cognitive behavioral therapy for depressed adults with mild intellectual disability: a pilot study.Journal of mental health research in intellectual disabilities, 8(2), 72-97.; Jahoda et al., 2017Jahoda, A., Hastings, R., Hatton, C., Cooper, S. A., Dagnan, D., Zhang, R., McConnachie, A., McMeekin, N., Appleton, K., Jones, R., Scott, K., Fulton, L., Knight, R., Knowles, D., Williams, C., Briggs, A., MacMahon, H., Lynn, H., Smith, I., … Melville, C. (2017). Comparison of behavioural activation with guided self-help for treatment of depression in adults with intellectual disabilities: a randomised controlled trial.The Lancet Psychiatry, 4(12), 909-919.; Kouimtsidis, Bosco et al., 2017Kouimtsidis, C., Bosco, A., Scior, K., Baio, G., Hunter, R., Pezzoni, V., Mcnamara, E., & Hassiotis, A. (2017). A feasibility randomised controlled trial of extended brief intervention for alcohol misuse in adults with mild to moderate intellectual disabilities living in the community; The EBI-LD study.Trials, 18(1), 216.; Kouimtsidis, Scior et al., 2017Kouimtsidis, C., Scior, K., Baio, G., Hunter, R., Pezzoni, V., & Hassiotis, A. (2017). Development and evaluation of a manual for extended brief intervention for alcohol misuse for adults with mild to moderate intellectual disabilities living in the community: The EBI‐LD study manual.Journal of Applied Research in Intellectual Disabilities, 30, 42-48.; McGillivray & Kershaw, 2015McGillivray, J. A., & Kershaw, M. (2015). Do we need both cognitive and behavioural components in interventions for depressed mood in people with mild intellectual disability?Journal of intellectual disability research, 59(2), 105-115.; Schuurmans et al., 2018Schuurmans, A. A., Nijhof, K. S., Engels, R. C., & Granic, I. (2018). Using a videogame intervention to reduce anxiety and externalizing problems among youths in residential care: An initial randomized controlled trial.Journal of psychopathology and behavioral assessment, 40(2), 344-354.; Van Der Aa et al., 2015Van der Aa, H. P., van Rens, G. H., Comijs, H. C., Margrain, T. H., Gallindo-Garre, F., Twisk, J. W., & van Nispen, R. M. (2015). Stepped care for depression and anxiety in visually impaired older adults: multicentre randomised controlled trial.BMJ, 351, h6127https://doi.org/10.1136/bmj.h6127
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), outra característica possível a ser registrada nesta revisão é o uso robusto de estudos de caso (Baum, 2018Baum, R. (2018). Unconscious seduction: Desire and disability in dance/movement therapy. Body, Movement and Dance in Psychotherapy, 13(3), 156-169.; Drury & Alim, 2014Drury, H., & Alim, N. (2014). Integrative psychotherapy in intellectual disabilities: Using cognitive-behavioural and psychodynamic formulations. Advances in Mental Health and Intellectual Disabilities, 8(3), 127-209.; Hardiman et al., 2018Hardiman, M., Willmoth, C., & Walsh, J. J. (2018). CFT & people with intellectual disabilities. Advances in Mental Health and Intellectual Disabilities, 12(1), 44-56.; O’Malley et al., 2019O’Malley, G., Irwin, L., Syed, A. A., & Guerin, S. (2019). The clinical approach used in supporting individuals with intellectual disability who have been sexually abused.British Journal of Learning Disabilities, 47(2), 105-115.; Parent et al., 2016Parent, V., Birtwell, K. B., Lambright, N., & DuBard, M. (2016). Combining CBT and behavior-analytic approaches to target severe emotion dysregulation in verbal youth with ASD and ID.Journal of Mental Health Research in Intellectual Disabilities, 9(1-2), 60-82.; Raftery et al., 2017Raftery, M., Burke, K., Murray, N., O’Duinn, O., Murray, I., & Hallahan, B. (2017). An intensive personalised support approach to treating individuals with psychosis and co-morbid mild intellectual disability.Irish journal of psychological medicine, 34(2), 99-109.; Wood et al., 2018Wood, A. G., Barker, J. B., Turner, M. J., & Sheffield, D. (2018). Examining the effects of rational emotive behavior therapy on performance outcomes in elite paralympic athletes.Scandinavian journal of medicine & science in sports, 28(1), 329-339.) e de estudos qualitativos/descritivos (Clapton et al., 2017Clapton, N. E., Williams, J., Griffith, G. M., & Jones, R.S. (2017). ‘Finding the person you really are … on the inside’: Compassion focused therapy for adults with intellectual disabilities. Journal of Intellectual Disabilities, 22(2), 135-153. https://doi.org/10.1177/1744629516688581
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; Macmahon et al., 2015MacMahon, P., Stenfert Kroese, B., Jahoda, A., Stimpson, A., Rose, N., Rose, J., Townson, J., Hood, K., & Willner, P. (2015). ‘It’s made all of us bond since that course…’- a qualitative study of service users’ experiences of a CBT anger management group intervention.Journal of Intellectual Disability Research, 59(4), 342-352. https://doi.org/10.1111/jir.12144
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; Ramsden et al., 2016Ramsden, S., Tickle, A., Dawson, D. L., & Harris, S. (2016). Perceived barriers and facilitators to positive therapeutic change for people with intellectual disabilities: Client, carer and clinical psychologist perspectives.Journal of Intellectual Disabilities, 20(3), 241-262.) como metodologia de pesquisa.

A análise estatística foi usada para explicar os resultados em um pouco mais da metade dos estudos incluídos nesta revisão. No restante, predominam vários tipos de análise de conteúdo e, em várias pesquisas, mais de um método de análise de dados é usado simultaneamente (Tabela 4).

4 Discussão

Essa revisão narrativa objetivou compilar estudos disponíveis na literatura, no quinquênio 2014-2019, que envolveram alguma modalidade de psicoterapia com pessoas com deficiência. A partir da leitura dos 26 artigos incluídos, percebeu-se que, sendo consideradas as barreiras impostas por uma deficiência, a técnica psicoterápica é viável à realidade dessas pessoas, pois está associada a ganhos expressivos em relação à qualidade de vida e bem-estar dessa população. O amplo número de estudos gerado a partir da busca nas bases de dados (mais de mil estudos) pode ser considerado uma evidência da relevância do tema (Fluxograma).

4.1 Os problemas que levam à psicoterapia

As pesquisas descritas nesta revisão identificam a pessoa com deficiência além de suas limitações. Os autores consideram que o indivíduo pode sofrer de qualquer problema humano e não limitam sua angústia exclusivamente ao fato de ter uma deficiência. Problemas que podem acometer a população sem deficiência podem, da mesma forma, atingir a pessoa com deficiência resultando na necessidade de atendimento psicoterápico.

Nesta revisão, estudos a respeito de problemas decorrentes de condições de diagnóstico psicológico e/ou psiquiátrico associados a alguma deficiência (De Tord & Bräuninger, 2015De Tord, P., & Bräuninger, I. (2015). Grounding: Theoretical application and practice in dance movement therapy. The Arts in Psychotherapy, 43, 16-22.; Raftery et al., 2017Raftery, M., Burke, K., Murray, N., O’Duinn, O., Murray, I., & Hallahan, B. (2017). An intensive personalised support approach to treating individuals with psychosis and co-morbid mild intellectual disability.Irish journal of psychological medicine, 34(2), 99-109.) apresentam maior incidência. A predominância de artigos sobre pessoas com deficiência com transtornos de conduta comórbidos (Baum, 2018Baum, R. (2018). Unconscious seduction: Desire and disability in dance/movement therapy. Body, Movement and Dance in Psychotherapy, 13(3), 156-169.; Blankestein et al., 2019Blankestein, A., Rijken, R. van der, Eeren, H. V., Lange, A., Scholte, R., Moonen, X., Vuyst, K. de, Leunissen, J., & Didden, R. (2019). Evaluating the effects of multisystemic therapy for adolescents with intellectual disabilities and antisocial or delinquent behaviour and their parents. Journal of Applied Research in Intellectual Disabilities, 32(3), 575-590. https://doi.org/10.1111/jar.12551
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; Clapton et al., 2017Clapton, N. E., Williams, J., Griffith, G. M., & Jones, R.S. (2017). ‘Finding the person you really are … on the inside’: Compassion focused therapy for adults with intellectual disabilities. Journal of Intellectual Disabilities, 22(2), 135-153. https://doi.org/10.1177/1744629516688581
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; Hartley et al., 2015Hartley, S. L., Esbensen, A. J., Shalev, R., Vincent, L. B., Mihaila, I., & Bussanich, P. (2015). Cognitive behavioral therapy for depressed adults with mild intellectual disability: a pilot study.Journal of mental health research in intellectual disabilities, 8(2), 72-97.; Macmahon et al., 2015MacMahon, P., Stenfert Kroese, B., Jahoda, A., Stimpson, A., Rose, N., Rose, J., Townson, J., Hood, K., & Willner, P. (2015). ‘It’s made all of us bond since that course…’- a qualitative study of service users’ experiences of a CBT anger management group intervention.Journal of Intellectual Disability Research, 59(4), 342-352. https://doi.org/10.1111/jir.12144
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; McInnis, 2016McInnis, E. E. (2016). Effectiveness of individual psychodynamic psychotherapy in disability psychotherapy.Advances in Mental Health and Intellectual Disabilities., 10(2), 128-144.; Parent et al., 2016Parent, V., Birtwell, K. B., Lambright, N., & DuBard, M. (2016). Combining CBT and behavior-analytic approaches to target severe emotion dysregulation in verbal youth with ASD and ID.Journal of Mental Health Research in Intellectual Disabilities, 9(1-2), 60-82.; Roeden et al., 2014Roeden, J. M., Maaskant, M. A., & Curfs, L. M. G. (2014). Processes and effects of solution-focused brief therapy in people with intellectual disabilities: A controlled study. Journal of Intellectual Disability Research, 58(4), 307-320.; Schuurmans et al., 2018Schuurmans, A. A., Nijhof, K. S., Engels, R. C., & Granic, I. (2018). Using a videogame intervention to reduce anxiety and externalizing problems among youths in residential care: An initial randomized controlled trial.Journal of psychopathology and behavioral assessment, 40(2), 344-354.; Schwantes & Rivera, 2017Schwantes, M., & Rivera, E. (2017). "A team working together to make a big, nice, sound": An action research pilot study in an inclusive college setting. The Arts in Psychotherapy, 55, 1-10.), sintomas depressivos (Clapton et al., 2017Clapton, N. E., Williams, J., Griffith, G. M., & Jones, R.S. (2017). ‘Finding the person you really are … on the inside’: Compassion focused therapy for adults with intellectual disabilities. Journal of Intellectual Disabilities, 22(2), 135-153. https://doi.org/10.1177/1744629516688581
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; Drury & Alim, 2014Drury, H., & Alim, N. (2014). Integrative psychotherapy in intellectual disabilities: Using cognitive-behavioural and psychodynamic formulations. Advances in Mental Health and Intellectual Disabilities, 8(3), 127-209.; Hardiman et al., 2018Hardiman, M., Willmoth, C., & Walsh, J. J. (2018). CFT & people with intellectual disabilities. Advances in Mental Health and Intellectual Disabilities, 12(1), 44-56.; Hartley et al., 2015Hartley, S. L., Esbensen, A. J., Shalev, R., Vincent, L. B., Mihaila, I., & Bussanich, P. (2015). Cognitive behavioral therapy for depressed adults with mild intellectual disability: a pilot study.Journal of mental health research in intellectual disabilities, 8(2), 72-97.; Jahoda, et al., 2015Jahoda, A., Melville, C. A., Pert, C., Cooper, S. A., Lynn, H., Williams, C., & Davidson, C. (2015). A feasibility study of behavioural activation for depressive symptoms in adults with intellectual disabilities.Journal of Intellectual Disability Research, 59(11), 1010-1021.; Jahoda et al., 2017Jahoda, A., Hastings, R., Hatton, C., Cooper, S. A., Dagnan, D., Zhang, R., McConnachie, A., McMeekin, N., Appleton, K., Jones, R., Scott, K., Fulton, L., Knight, R., Knowles, D., Williams, C., Briggs, A., MacMahon, H., Lynn, H., Smith, I., … Melville, C. (2017). Comparison of behavioural activation with guided self-help for treatment of depression in adults with intellectual disabilities: a randomised controlled trial.The Lancet Psychiatry, 4(12), 909-919.; McGillivray & Kershaw, 2015McGillivray, J. A., & Kershaw, M. (2015). Do we need both cognitive and behavioural components in interventions for depressed mood in people with mild intellectual disability?Journal of intellectual disability research, 59(2), 105-115.; McQueen et al., 2018McQueen, M., Blinkhorn, A., Broad, A., Jones, J., Naeem, F., & Ayub, M. (2018). Development of a cognitive behavioural therapy‐based guided self‐help intervention for adults with intellectual disability.Journal of Applied Research in Intellectual Disabilities, 31(5), 885-896.; Van Der Aa et al., 2015Van der Aa, H. P., van Rens, G. H., Comijs, H. C., Margrain, T. H., Gallindo-Garre, F., Twisk, J. W., & van Nispen, R. M. (2015). Stepped care for depression and anxiety in visually impaired older adults: multicentre randomised controlled trial.BMJ, 351, h6127https://doi.org/10.1136/bmj.h6127
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) e sintomas de ansiedade (Ahmadi et al., 2017Ahmadi, H., Daramadi, P. S., Asadi-Samani, M., & Sani, M. R. M. (2017). Effectiveness of group training of assertiveness on social anxiety among deaf and hard of hearing adolescents.The International Tinnitus Journal, 21(1), 14-20.; Clapton et al., 2017Clapton, N. E., Williams, J., Griffith, G. M., & Jones, R.S. (2017). ‘Finding the person you really are … on the inside’: Compassion focused therapy for adults with intellectual disabilities. Journal of Intellectual Disabilities, 22(2), 135-153. https://doi.org/10.1177/1744629516688581
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; Hardiman et al., 2018Hardiman, M., Willmoth, C., & Walsh, J. J. (2018). CFT & people with intellectual disabilities. Advances in Mental Health and Intellectual Disabilities, 12(1), 44-56.; McQueen et al., 2018McQueen, M., Blinkhorn, A., Broad, A., Jones, J., Naeem, F., & Ayub, M. (2018). Development of a cognitive behavioural therapy‐based guided self‐help intervention for adults with intellectual disability.Journal of Applied Research in Intellectual Disabilities, 31(5), 885-896.; Raftery et al., 2017Raftery, M., Burke, K., Murray, N., O’Duinn, O., Murray, I., & Hallahan, B. (2017). An intensive personalised support approach to treating individuals with psychosis and co-morbid mild intellectual disability.Irish journal of psychological medicine, 34(2), 99-109.; Schuurmans et al., 2018Schuurmans, A. A., Nijhof, K. S., Engels, R. C., & Granic, I. (2018). Using a videogame intervention to reduce anxiety and externalizing problems among youths in residential care: An initial randomized controlled trial.Journal of psychopathology and behavioral assessment, 40(2), 344-354.) sugerem que esses indivíduos experimentam questões relacionadas aos contextos emocionais e sociais, e isso revela a consideração de suas personalidades como um todo, e não apenas pela visão de sua deficiência. Entretanto, identifica-se pouca especificação das origens desses quadros diagnósticos nas populações estudadas na maioria dos estudos registrados nesta revisão. Por exemplo, há referência a problemas com álcool, mas sem relação causal especificada (Kouimtsidis, Bosco et al., 2017Kouimtsidis, C., Bosco, A., Scior, K., Baio, G., Hunter, R., Pezzoni, V., Mcnamara, E., & Hassiotis, A. (2017). A feasibility randomised controlled trial of extended brief intervention for alcohol misuse in adults with mild to moderate intellectual disabilities living in the community; The EBI-LD study.Trials, 18(1), 216.; Kouimtsidis, Scior et al., 2017Kouimtsidis, C., Scior, K., Baio, G., Hunter, R., Pezzoni, V., & Hassiotis, A. (2017). Development and evaluation of a manual for extended brief intervention for alcohol misuse for adults with mild to moderate intellectual disabilities living in the community: The EBI‐LD study manual.Journal of Applied Research in Intellectual Disabilities, 30, 42-48.). Por sua vez, alguns quadros de ansiedade e depressão são relacionados à vivência institucional decorrente de abandono familiar (De Tord & Bräuninger, 2015De Tord, P., & Bräuninger, I. (2015). Grounding: Theoretical application and practice in dance movement therapy. The Arts in Psychotherapy, 43, 16-22.) ou decorrentes de delinquência (Schuurmans et al., 2018Schuurmans, A. A., Nijhof, K. S., Engels, R. C., & Granic, I. (2018). Using a videogame intervention to reduce anxiety and externalizing problems among youths in residential care: An initial randomized controlled trial.Journal of psychopathology and behavioral assessment, 40(2), 344-354.) ou, ainda, de problemas de conduta originados de conflitos nas relações familiares (Blankestein et al., 2019Blankestein, A., Rijken, R. van der, Eeren, H. V., Lange, A., Scholte, R., Moonen, X., Vuyst, K. de, Leunissen, J., & Didden, R. (2019). Evaluating the effects of multisystemic therapy for adolescents with intellectual disabilities and antisocial or delinquent behaviour and their parents. Journal of Applied Research in Intellectual Disabilities, 32(3), 575-590. https://doi.org/10.1111/jar.12551
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).

Outras comorbidades clínicas relacionadas à deficiência também são descritas: dor crônica (McManus et al., 2014McManus, S., Treacy, M., & Mcguire, B. E. (2014). Cognitive behavioural therapy for chronic pain in people with an intellectual disability: A case series using components of the Feeling Better programme. Journal of Intellectual Disability Research, 58(3), 296-306.), demência (De Tord & Bräuninger, 2015De Tord, P., & Bräuninger, I. (2015). Grounding: Theoretical application and practice in dance movement therapy. The Arts in Psychotherapy, 43, 16-22.) e Síndrome de Down (Baum, 2018Baum, R. (2018). Unconscious seduction: Desire and disability in dance/movement therapy. Body, Movement and Dance in Psychotherapy, 13(3), 156-169.). Nesses estudos, a autoconsciência corporal e orientações para autocontrole são indicadas. Problemas relacionados ao uso de álcool (Kouimtsidis, Bosco et al., 2017Kouimtsidis, C., Bosco, A., Scior, K., Baio, G., Hunter, R., Pezzoni, V., Mcnamara, E., & Hassiotis, A. (2017). A feasibility randomised controlled trial of extended brief intervention for alcohol misuse in adults with mild to moderate intellectual disabilities living in the community; The EBI-LD study.Trials, 18(1), 216.; Kouimtsidis, Scior et al., 2017Kouimtsidis, C., Scior, K., Baio, G., Hunter, R., Pezzoni, V., & Hassiotis, A. (2017). Development and evaluation of a manual for extended brief intervention for alcohol misuse for adults with mild to moderate intellectual disabilities living in the community: The EBI‐LD study manual.Journal of Applied Research in Intellectual Disabilities, 30, 42-48.) ou aspectos relacionados à sexualidade, como abuso sexual ou conduta sexual inadequada (Baum, 2018Baum, R. (2018). Unconscious seduction: Desire and disability in dance/movement therapy. Body, Movement and Dance in Psychotherapy, 13(3), 156-169.; O’Malley et al., 2019O’Malley, G., Irwin, L., Syed, A. A., & Guerin, S. (2019). The clinical approach used in supporting individuals with intellectual disability who have been sexually abused.British Journal of Learning Disabilities, 47(2), 105-115.) também são considerados nos estudos, mostrando a possibilidade de desfazer o "mito" de que a pessoa com deficiência é inocente ou assexuada ou incapaz de aprender a lidar com essas sensações e sentimentos.

4.2 Eficácia da psicoterapia com pessoas com deficiência - efeitos e soluções

A eficácia psicoterapêutica também pode ser identificada na variedade de intervenções registradas (Tabela 2), sugerindo que, ao longo dos anos, podemos ver uma expansão dos recursos psicoterapêuticos pelos quais as pessoas com deficiência podem realizar e se beneficiar. Também existem pesquisas sobre abordagens psicoterapêuticas para adaptar as pessoas com deficiência intelectual ao ambiente universitário (Schwantes & Rivera, 2017Schwantes, M., & Rivera, E. (2017). "A team working together to make a big, nice, sound": An action research pilot study in an inclusive college setting. The Arts in Psychotherapy, 55, 1-10.) e sobre o desempenho atlético de indivíduos com deficiência física (Wood et al., 2018Wood, A. G., Barker, J. B., Turner, M. J., & Sheffield, D. (2018). Examining the effects of rational emotive behavior therapy on performance outcomes in elite paralympic athletes.Scandinavian journal of medicine & science in sports, 28(1), 329-339.), revelando sua participação na vida familiar, bem como participantes ativos e representativos da sociedade.

A adaptação das técnicas existentes (Kouimtsidis, Bosco et al., 2017Kouimtsidis, C., Bosco, A., Scior, K., Baio, G., Hunter, R., Pezzoni, V., Mcnamara, E., & Hassiotis, A. (2017). A feasibility randomised controlled trial of extended brief intervention for alcohol misuse in adults with mild to moderate intellectual disabilities living in the community; The EBI-LD study.Trials, 18(1), 216.; Kouimtsidis, Scior et al., 2017Kouimtsidis, C., Scior, K., Baio, G., Hunter, R., Pezzoni, V., & Hassiotis, A. (2017). Development and evaluation of a manual for extended brief intervention for alcohol misuse for adults with mild to moderate intellectual disabilities living in the community: The EBI‐LD study manual.Journal of Applied Research in Intellectual Disabilities, 30, 42-48.; McQueen et al., 2018McQueen, M., Blinkhorn, A., Broad, A., Jones, J., Naeem, F., & Ayub, M. (2018). Development of a cognitive behavioural therapy‐based guided self‐help intervention for adults with intellectual disability.Journal of Applied Research in Intellectual Disabilities, 31(5), 885-896.), bem como abordagens integrativas (Drury & Alim, 2014Drury, H., & Alim, N. (2014). Integrative psychotherapy in intellectual disabilities: Using cognitive-behavioural and psychodynamic formulations. Advances in Mental Health and Intellectual Disabilities, 8(3), 127-209.; McGillivray & Kershaw, 2015McGillivray, J. A., & Kershaw, M. (2015). Do we need both cognitive and behavioural components in interventions for depressed mood in people with mild intellectual disability?Journal of intellectual disability research, 59(2), 105-115.; O’Malley et al., 2019O’Malley, G., Irwin, L., Syed, A. A., & Guerin, S. (2019). The clinical approach used in supporting individuals with intellectual disability who have been sexually abused.British Journal of Learning Disabilities, 47(2), 105-115.; Ramsden et al., 2016Ramsden, S., Tickle, A., Dawson, D. L., & Harris, S. (2016). Perceived barriers and facilitators to positive therapeutic change for people with intellectual disabilities: Client, carer and clinical psychologist perspectives.Journal of Intellectual Disabilities, 20(3), 241-262.; Roeden et al., 2014Roeden, J. M., Maaskant, M. A., & Curfs, L. M. G. (2014). Processes and effects of solution-focused brief therapy in people with intellectual disabilities: A controlled study. Journal of Intellectual Disability Research, 58(4), 307-320.) mostram um avanço nas descobertas na área da psicoterapia, evidenciando que essas modalidades de tratamento também são possíveis com a pessoa que apresenta alguma deficiência. Como um dos exemplos, a assertividade (Ahmadi et al., 2017Ahmadi, H., Daramadi, P. S., Asadi-Samani, M., & Sani, M. R. M. (2017). Effectiveness of group training of assertiveness on social anxiety among deaf and hard of hearing adolescents.The International Tinnitus Journal, 21(1), 14-20.), como ferramenta psicoterapêutica, gera alívio para a ansiedade, pois incentiva o indivíduo a referir-se a si mesmo, em vez de ser, exclusivamente, representado pelos cuidadores que muitas vezes falam em seu lugar. Isso favorece o crescimento da noção de si mesmo, tomada de decisões e melhora das percepções das experiências pessoais do indivíduo. A premissa de que pessoas com deficiência intelectual estão condenadas à imaturidade foi superada. O comprometimento cognitivo não é necessariamente sinônimo de dependência emocional.

As abordagens terapêuticas psicodinâmicas também revelam benefícios para indivíduos com alguma deficiência, incluindo DI e Autismo (Blankestein et al., 2019Blankestein, A., Rijken, R. van der, Eeren, H. V., Lange, A., Scholte, R., Moonen, X., Vuyst, K. de, Leunissen, J., & Didden, R. (2019). Evaluating the effects of multisystemic therapy for adolescents with intellectual disabilities and antisocial or delinquent behaviour and their parents. Journal of Applied Research in Intellectual Disabilities, 32(3), 575-590. https://doi.org/10.1111/jar.12551
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; Drury & Alim, 2014Drury, H., & Alim, N. (2014). Integrative psychotherapy in intellectual disabilities: Using cognitive-behavioural and psychodynamic formulations. Advances in Mental Health and Intellectual Disabilities, 8(3), 127-209.; McInnis, 2016McInnis, E. E. (2016). Effectiveness of individual psychodynamic psychotherapy in disability psychotherapy.Advances in Mental Health and Intellectual Disabilities., 10(2), 128-144.; O’Malley et al., 2019O’Malley, G., Irwin, L., Syed, A. A., & Guerin, S. (2019). The clinical approach used in supporting individuals with intellectual disability who have been sexually abused.British Journal of Learning Disabilities, 47(2), 105-115.; Parent et al., 2016Parent, V., Birtwell, K. B., Lambright, N., & DuBard, M. (2016). Combining CBT and behavior-analytic approaches to target severe emotion dysregulation in verbal youth with ASD and ID.Journal of Mental Health Research in Intellectual Disabilities, 9(1-2), 60-82.; Ramsden et al., 2016Ramsden, S., Tickle, A., Dawson, D. L., & Harris, S. (2016). Perceived barriers and facilitators to positive therapeutic change for people with intellectual disabilities: Client, carer and clinical psychologist perspectives.Journal of Intellectual Disabilities, 20(3), 241-262.). A interpretação psicanalítica também é viável ao ser utilizada com pessoas com deficiência. A partir de adaptações que utilizem seus recursos de reflexão, também é possível estimulá-los a pensar a respeito de si mesmos, estabelecendo conexões de causa e efeito sobre suas vidas, possibilitando novas experiências.

A relação e o vínculo terapêuticos são descritos como importantes para pessoas com deficiência, pois a maioria vivencia relacionamentos com base no apoio prático. Registra-se assim que a qualidade da comunicação estabelecida, a compreensão das limitações apresentadas, a noção de facilitadores e barreiras ao processo e o estímulo para que estes elementos possam ser referidos favorecerão a evolução psicoterapêutica (Ahmadi et al., 2017Ahmadi, H., Daramadi, P. S., Asadi-Samani, M., & Sani, M. R. M. (2017). Effectiveness of group training of assertiveness on social anxiety among deaf and hard of hearing adolescents.The International Tinnitus Journal, 21(1), 14-20.; Drury & Alim, 2014Drury, H., & Alim, N. (2014). Integrative psychotherapy in intellectual disabilities: Using cognitive-behavioural and psychodynamic formulations. Advances in Mental Health and Intellectual Disabilities, 8(3), 127-209.; McInnis, 2016McInnis, E. E. (2016). Effectiveness of individual psychodynamic psychotherapy in disability psychotherapy.Advances in Mental Health and Intellectual Disabilities., 10(2), 128-144.; Parent et al., 2016Parent, V., Birtwell, K. B., Lambright, N., & DuBard, M. (2016). Combining CBT and behavior-analytic approaches to target severe emotion dysregulation in verbal youth with ASD and ID.Journal of Mental Health Research in Intellectual Disabilities, 9(1-2), 60-82.; Ramsden et al., 2016Ramsden, S., Tickle, A., Dawson, D. L., & Harris, S. (2016). Perceived barriers and facilitators to positive therapeutic change for people with intellectual disabilities: Client, carer and clinical psychologist perspectives.Journal of Intellectual Disabilities, 20(3), 241-262.).

Há uma significativa presença de estudos de caso e estudos qualitativos/descritos na presente revisão (Baum, 2018Baum, R. (2018). Unconscious seduction: Desire and disability in dance/movement therapy. Body, Movement and Dance in Psychotherapy, 13(3), 156-169.; Clapton et al., 2017Clapton, N. E., Williams, J., Griffith, G. M., & Jones, R.S. (2017). ‘Finding the person you really are … on the inside’: Compassion focused therapy for adults with intellectual disabilities. Journal of Intellectual Disabilities, 22(2), 135-153. https://doi.org/10.1177/1744629516688581
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; Drury & Alim, 2014Drury, H., & Alim, N. (2014). Integrative psychotherapy in intellectual disabilities: Using cognitive-behavioural and psychodynamic formulations. Advances in Mental Health and Intellectual Disabilities, 8(3), 127-209.; Hardiman et al., 2018Hardiman, M., Willmoth, C., & Walsh, J. J. (2018). CFT & people with intellectual disabilities. Advances in Mental Health and Intellectual Disabilities, 12(1), 44-56.; Macmahon et al., 2015MacMahon, P., Stenfert Kroese, B., Jahoda, A., Stimpson, A., Rose, N., Rose, J., Townson, J., Hood, K., & Willner, P. (2015). ‘It’s made all of us bond since that course…’- a qualitative study of service users’ experiences of a CBT anger management group intervention.Journal of Intellectual Disability Research, 59(4), 342-352. https://doi.org/10.1111/jir.12144
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; O’Malley et al., 2019O’Malley, G., Irwin, L., Syed, A. A., & Guerin, S. (2019). The clinical approach used in supporting individuals with intellectual disability who have been sexually abused.British Journal of Learning Disabilities, 47(2), 105-115.; Parent et al., 2016Parent, V., Birtwell, K. B., Lambright, N., & DuBard, M. (2016). Combining CBT and behavior-analytic approaches to target severe emotion dysregulation in verbal youth with ASD and ID.Journal of Mental Health Research in Intellectual Disabilities, 9(1-2), 60-82.; Raftery et al., 2017Raftery, M., Burke, K., Murray, N., O’Duinn, O., Murray, I., & Hallahan, B. (2017). An intensive personalised support approach to treating individuals with psychosis and co-morbid mild intellectual disability.Irish journal of psychological medicine, 34(2), 99-109.; Ramsden et al., 2016Ramsden, S., Tickle, A., Dawson, D. L., & Harris, S. (2016). Perceived barriers and facilitators to positive therapeutic change for people with intellectual disabilities: Client, carer and clinical psychologist perspectives.Journal of Intellectual Disabilities, 20(3), 241-262.; Wood et al., 2018Wood, A. G., Barker, J. B., Turner, M. J., & Sheffield, D. (2018). Examining the effects of rational emotive behavior therapy on performance outcomes in elite paralympic athletes.Scandinavian journal of medicine & science in sports, 28(1), 329-339.). Esse dado endossa a importância desta metodologia na qual também são alcançados resultados bem-sucedidos a respeito dos fenômenos psíquicos (Kroese, 2014Kroese, B. (2014). CBT with people with intellectual disabilities. In A. Whittington, & N. Grey (Eds.), How to become a more effective CBT therapist: Mastering metacompetence in clinical practice (1st ed., pp. 225-238). Wiley-Blackwell.; Macmahon et al., 2015MacMahon, P., Stenfert Kroese, B., Jahoda, A., Stimpson, A., Rose, N., Rose, J., Townson, J., Hood, K., & Willner, P. (2015). ‘It’s made all of us bond since that course…’- a qualitative study of service users’ experiences of a CBT anger management group intervention.Journal of Intellectual Disability Research, 59(4), 342-352. https://doi.org/10.1111/jir.12144
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; Meganck et al., 2017Meganck, R., Inslegers, R., Krivzov, J., & Notaerts, L. (2017). Beyond clinical case studies in psychoanalysis: A review of psychoanalytic empirical single case studies published in ISI-ranked journals. Frontiers in Psychology, 8, 1749.; McLeod, 2019McLeod, S. A. (2019, agosto 3). Case study method. Simply Psychology. https://www.simplypsychology.org/case-study.html
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; McLeod & Elliott, 2011McLeod, J., & Elliott, R. (2011). Systematic case study research: A practice-oriented introduction to building an evidence base for counselling and psychotherapy. Counselling and Psychotherapy Research, 11(1), 1-10.).

Estudos qualitativos/descritivos e estudos de casos permitem identificar a realidade do participante por meio de aspectos relacionados à sua subjetividade e capacidade reflexiva, por meio do significado e do sentido das palavras. Como exemplo, a transcrição das sessões de psicoterapia pode ser codificada para identificar a distribuição de sentimentos e pensamentos presentes no momento, possibilitando investigar o envolvimento e a participação, ou seja, o padrão de interação terapêutica (Bardin, 2011Bardin, L. (2011). Análise de conteúdo. Edições 70.; Flick, 2009Flick, U. (2009). Introduçao à Pesquisa Qualitativa. Artmed.; Turato, 2003Turato. E. R. (2003). Tratado da metodologia de pesquisa clínico-qualitativa: construção teórico epistemológica, discussão comparada e aplicação nas áreas da saúde humanas. (2a ed.). Vozes.). Esses potenciais são valorizados: a voz da pessoa com deficiência também é considerada seu representante. Dessa forma, a validade da psicoterapia também é estendida às pessoas com deficiência.

Pesquisas que integram as metodologias quantitativa e qualitativa foram pouco encontradas (Jahoda et al., 2017Jahoda, A., Hastings, R., Hatton, C., Cooper, S. A., Dagnan, D., Zhang, R., McConnachie, A., McMeekin, N., Appleton, K., Jones, R., Scott, K., Fulton, L., Knight, R., Knowles, D., Williams, C., Briggs, A., MacMahon, H., Lynn, H., Smith, I., … Melville, C. (2017). Comparison of behavioural activation with guided self-help for treatment of depression in adults with intellectual disabilities: a randomised controlled trial.The Lancet Psychiatry, 4(12), 909-919.; McInnis, 2016McInnis, E. E. (2016). Effectiveness of individual psychodynamic psychotherapy in disability psychotherapy.Advances in Mental Health and Intellectual Disabilities., 10(2), 128-144.). Essas investigações registram a ocorrência do problema pesquisado, a dinâmica da intervenção administrada, a compreensão dos dados identificados e seu desfecho encontrado. Esse tipo de investigação valoriza o processo estudado, de forma a ampliar o entendimento da vida do participante. Há dois estudos que identificam, inclusive, o custo-benefício da abordagem utilizada (Jahoda et al., 2017Jahoda, A., Hastings, R., Hatton, C., Cooper, S. A., Dagnan, D., Zhang, R., McConnachie, A., McMeekin, N., Appleton, K., Jones, R., Scott, K., Fulton, L., Knight, R., Knowles, D., Williams, C., Briggs, A., MacMahon, H., Lynn, H., Smith, I., … Melville, C. (2017). Comparison of behavioural activation with guided self-help for treatment of depression in adults with intellectual disabilities: a randomised controlled trial.The Lancet Psychiatry, 4(12), 909-919.; Raftery et al., 2017Raftery, M., Burke, K., Murray, N., O’Duinn, O., Murray, I., & Hallahan, B. (2017). An intensive personalised support approach to treating individuals with psychosis and co-morbid mild intellectual disability.Irish journal of psychological medicine, 34(2), 99-109.), porém um apresenta resultado que ainda deve ser aprofundado (Jahoda et al., 2017Jahoda, A., Hastings, R., Hatton, C., Cooper, S. A., Dagnan, D., Zhang, R., McConnachie, A., McMeekin, N., Appleton, K., Jones, R., Scott, K., Fulton, L., Knight, R., Knowles, D., Williams, C., Briggs, A., MacMahon, H., Lynn, H., Smith, I., … Melville, C. (2017). Comparison of behavioural activation with guided self-help for treatment of depression in adults with intellectual disabilities: a randomised controlled trial.The Lancet Psychiatry, 4(12), 909-919.).

Alguns resultados encontrados sugerem que o pesquisador busque novas abordagens terapêuticas, tais como terapias mais criativas, que dependam menos de informações cognitivas e habilidades verbais, e abordagens interdisciplinares, estabelecendo trabalho em rede com os profissionais que atendem a pessoas com deficiência (Drury & Alim, 2014Drury, H., & Alim, N. (2014). Integrative psychotherapy in intellectual disabilities: Using cognitive-behavioural and psychodynamic formulations. Advances in Mental Health and Intellectual Disabilities, 8(3), 127-209.; O’Malley et al., 2019O’Malley, G., Irwin, L., Syed, A. A., & Guerin, S. (2019). The clinical approach used in supporting individuals with intellectual disability who have been sexually abused.British Journal of Learning Disabilities, 47(2), 105-115.; Raftery et al., 2017Raftery, M., Burke, K., Murray, N., O’Duinn, O., Murray, I., & Hallahan, B. (2017). An intensive personalised support approach to treating individuals with psychosis and co-morbid mild intellectual disability.Irish journal of psychological medicine, 34(2), 99-109.; Ramsden et al., 2016Ramsden, S., Tickle, A., Dawson, D. L., & Harris, S. (2016). Perceived barriers and facilitators to positive therapeutic change for people with intellectual disabilities: Client, carer and clinical psychologist perspectives.Journal of Intellectual Disabilities, 20(3), 241-262.). Essas propostas investigativas revelam fundamentos para favorecer políticas públicas pela amplitude de seu alcance.

Identificou-se que 70% das pesquisas selecionadas são estudos de viabilidade da técnica. Em sua maioria, associados aos ensaios clínicos randomizados, seguidos de estudos de casos e estudos descritivos/qualitativos. Esse dado pode sugerir que a complexidade do mundo psíquico, em particular dessa população, pode estar contribuindo para estudos que ainda necessitem firmar a técnica psicoterápica como eficaz para essas pessoas. Sabendo disso, ampliar as metodologias de pesquisa no campo da psicoterapia com pessoas com deficiência, por exemplo, com a realização de estudos com follow-up ou estudos longitudinais, pode resultar em dados ainda mais significativos para o desenvolvimento global dessas pessoas. Dos estudos selecionados para esta revisão, somente 40% apresentam etapa de follow-up, ainda que com tempos de buscas variados. Destes, destacam-se seis estudos que indicam resultados positivos na continuidade da vida dos participantes (Blankestein et al., 2019Blankestein, A., Rijken, R. van der, Eeren, H. V., Lange, A., Scholte, R., Moonen, X., Vuyst, K. de, Leunissen, J., & Didden, R. (2019). Evaluating the effects of multisystemic therapy for adolescents with intellectual disabilities and antisocial or delinquent behaviour and their parents. Journal of Applied Research in Intellectual Disabilities, 32(3), 575-590. https://doi.org/10.1111/jar.12551
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; Jahoda et al., 2015Jahoda, A., Melville, C. A., Pert, C., Cooper, S. A., Lynn, H., Williams, C., & Davidson, C. (2015). A feasibility study of behavioural activation for depressive symptoms in adults with intellectual disabilities.Journal of Intellectual Disability Research, 59(11), 1010-1021.; Kouimtsidis, Bosco et al., 2017Kouimtsidis, C., Bosco, A., Scior, K., Baio, G., Hunter, R., Pezzoni, V., Mcnamara, E., & Hassiotis, A. (2017). A feasibility randomised controlled trial of extended brief intervention for alcohol misuse in adults with mild to moderate intellectual disabilities living in the community; The EBI-LD study.Trials, 18(1), 216.; Roeden et al., 2014Roeden, J. M., Maaskant, M. A., & Curfs, L. M. G. (2014). Processes and effects of solution-focused brief therapy in people with intellectual disabilities: A controlled study. Journal of Intellectual Disability Research, 58(4), 307-320.; Schuurmans et al., 2018Schuurmans, A. A., Nijhof, K. S., Engels, R. C., & Granic, I. (2018). Using a videogame intervention to reduce anxiety and externalizing problems among youths in residential care: An initial randomized controlled trial.Journal of psychopathology and behavioral assessment, 40(2), 344-354.; Van Der Aa et al., 2015Van der Aa, H. P., van Rens, G. H., Comijs, H. C., Margrain, T. H., Gallindo-Garre, F., Twisk, J. W., & van Nispen, R. M. (2015). Stepped care for depression and anxiety in visually impaired older adults: multicentre randomised controlled trial.BMJ, 351, h6127https://doi.org/10.1136/bmj.h6127
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).

Esta revisão identifica que não há uma intervenção psicoterápica específica para pessoas com deficiência. Observam-se diferentes técnicas que possibilitam alcançar o mesmo desfecho: abordagens psicoterapêuticas variadas que investem na elaboração de comportamentos desadaptados ou conflitos psíquicos. É possível encontrar adaptações das intervenções e, então, utilizá-las independentemente do tipo de deficiência. Por exemplo, pesquisas que objetivam elaborar ansiedade e depressão com abordagem de base cognitivo comportamental ou com terapêutica psicodinâmica, seja com pacientes surdos ou com deficiência visual ou com deficiência intelectual ou, ainda, com deficiência intelectual em comorbidade com dependência de álcool ou drogas, tanto individualmente quanto em grupo, encontram resultados positivos (Ahmadi et al., 2017Ahmadi, H., Daramadi, P. S., Asadi-Samani, M., & Sani, M. R. M. (2017). Effectiveness of group training of assertiveness on social anxiety among deaf and hard of hearing adolescents.The International Tinnitus Journal, 21(1), 14-20.; Clapton et al., 2017Clapton, N. E., Williams, J., Griffith, G. M., & Jones, R.S. (2017). ‘Finding the person you really are … on the inside’: Compassion focused therapy for adults with intellectual disabilities. Journal of Intellectual Disabilities, 22(2), 135-153. https://doi.org/10.1177/1744629516688581
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; Kouimtsidis, Bosco et al., 2017Kouimtsidis, C., Bosco, A., Scior, K., Baio, G., Hunter, R., Pezzoni, V., Mcnamara, E., & Hassiotis, A. (2017). A feasibility randomised controlled trial of extended brief intervention for alcohol misuse in adults with mild to moderate intellectual disabilities living in the community; The EBI-LD study.Trials, 18(1), 216.; Kouimtsidis, Scior et al., 2017Kouimtsidis, C., Scior, K., Baio, G., Hunter, R., Pezzoni, V., & Hassiotis, A. (2017). Development and evaluation of a manual for extended brief intervention for alcohol misuse for adults with mild to moderate intellectual disabilities living in the community: The EBI‐LD study manual.Journal of Applied Research in Intellectual Disabilities, 30, 42-48.; McInnis, 2016McInnis, E. E. (2016). Effectiveness of individual psychodynamic psychotherapy in disability psychotherapy.Advances in Mental Health and Intellectual Disabilities., 10(2), 128-144.; McQueen et al., 2018McQueen, M., Blinkhorn, A., Broad, A., Jones, J., Naeem, F., & Ayub, M. (2018). Development of a cognitive behavioural therapy‐based guided self‐help intervention for adults with intellectual disability.Journal of Applied Research in Intellectual Disabilities, 31(5), 885-896.; O’Malley et al., 2019O’Malley, G., Irwin, L., Syed, A. A., & Guerin, S. (2019). The clinical approach used in supporting individuals with intellectual disability who have been sexually abused.British Journal of Learning Disabilities, 47(2), 105-115.; Van Der Aa et al., 2015Van der Aa, H. P., van Rens, G. H., Comijs, H. C., Margrain, T. H., Gallindo-Garre, F., Twisk, J. W., & van Nispen, R. M. (2015). Stepped care for depression and anxiety in visually impaired older adults: multicentre randomised controlled trial.BMJ, 351, h6127https://doi.org/10.1136/bmj.h6127
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).

Do mesmo modo, tipos diferentes de pesquisa com a população com deficiência no contexto da psicoterapia revelam resultados positivos semelhantes, identificando que não existe a necessidade ou obrigatoriedade de somente uma metodologia investigativa. É uma temática passível de ser investigada tanto em pesquisas quantitativas (Ahmadi et al., 2017Ahmadi, H., Daramadi, P. S., Asadi-Samani, M., & Sani, M. R. M. (2017). Effectiveness of group training of assertiveness on social anxiety among deaf and hard of hearing adolescents.The International Tinnitus Journal, 21(1), 14-20.; Blankestein et al., 2019Blankestein, A., Rijken, R. van der, Eeren, H. V., Lange, A., Scholte, R., Moonen, X., Vuyst, K. de, Leunissen, J., & Didden, R. (2019). Evaluating the effects of multisystemic therapy for adolescents with intellectual disabilities and antisocial or delinquent behaviour and their parents. Journal of Applied Research in Intellectual Disabilities, 32(3), 575-590. https://doi.org/10.1111/jar.12551
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; Hartley et al., 2015Hartley, S. L., Esbensen, A. J., Shalev, R., Vincent, L. B., Mihaila, I., & Bussanich, P. (2015). Cognitive behavioral therapy for depressed adults with mild intellectual disability: a pilot study.Journal of mental health research in intellectual disabilities, 8(2), 72-97.; Jahoda et al., 2015Jahoda, A., Melville, C. A., Pert, C., Cooper, S. A., Lynn, H., Williams, C., & Davidson, C. (2015). A feasibility study of behavioural activation for depressive symptoms in adults with intellectual disabilities.Journal of Intellectual Disability Research, 59(11), 1010-1021.; Jahoda et al., 2017Jahoda, A., Hastings, R., Hatton, C., Cooper, S. A., Dagnan, D., Zhang, R., McConnachie, A., McMeekin, N., Appleton, K., Jones, R., Scott, K., Fulton, L., Knight, R., Knowles, D., Williams, C., Briggs, A., MacMahon, H., Lynn, H., Smith, I., … Melville, C. (2017). Comparison of behavioural activation with guided self-help for treatment of depression in adults with intellectual disabilities: a randomised controlled trial.The Lancet Psychiatry, 4(12), 909-919.; Kouimtsidis, Bosco et al., 2017Kouimtsidis, C., Bosco, A., Scior, K., Baio, G., Hunter, R., Pezzoni, V., Mcnamara, E., & Hassiotis, A. (2017). A feasibility randomised controlled trial of extended brief intervention for alcohol misuse in adults with mild to moderate intellectual disabilities living in the community; The EBI-LD study.Trials, 18(1), 216.; Kouimtsidis, Scior et al., 2017Kouimtsidis, C., Scior, K., Baio, G., Hunter, R., Pezzoni, V., & Hassiotis, A. (2017). Development and evaluation of a manual for extended brief intervention for alcohol misuse for adults with mild to moderate intellectual disabilities living in the community: The EBI‐LD study manual.Journal of Applied Research in Intellectual Disabilities, 30, 42-48.; McGillivray & Kershaw, 2015McGillivray, J. A., & Kershaw, M. (2015). Do we need both cognitive and behavioural components in interventions for depressed mood in people with mild intellectual disability?Journal of intellectual disability research, 59(2), 105-115.; Roeden et al., 2014Roeden, J. M., Maaskant, M. A., & Curfs, L. M. G. (2014). Processes and effects of solution-focused brief therapy in people with intellectual disabilities: A controlled study. Journal of Intellectual Disability Research, 58(4), 307-320.; Schuurmans et al., 2018Schuurmans, A. A., Nijhof, K. S., Engels, R. C., & Granic, I. (2018). Using a videogame intervention to reduce anxiety and externalizing problems among youths in residential care: An initial randomized controlled trial.Journal of psychopathology and behavioral assessment, 40(2), 344-354.; Van Der Aa et al., 2015Van der Aa, H. P., van Rens, G. H., Comijs, H. C., Margrain, T. H., Gallindo-Garre, F., Twisk, J. W., & van Nispen, R. M. (2015). Stepped care for depression and anxiety in visually impaired older adults: multicentre randomised controlled trial.BMJ, 351, h6127https://doi.org/10.1136/bmj.h6127
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), quanto qualitativas (Baum, 2018Baum, R. (2018). Unconscious seduction: Desire and disability in dance/movement therapy. Body, Movement and Dance in Psychotherapy, 13(3), 156-169.; Clapton et al., 2017Clapton, N. E., Williams, J., Griffith, G. M., & Jones, R.S. (2017). ‘Finding the person you really are … on the inside’: Compassion focused therapy for adults with intellectual disabilities. Journal of Intellectual Disabilities, 22(2), 135-153. https://doi.org/10.1177/1744629516688581
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; De Tord & Bräuninger, 2015De Tord, P., & Bräuninger, I. (2015). Grounding: Theoretical application and practice in dance movement therapy. The Arts in Psychotherapy, 43, 16-22.; Drury & Alim, 2014Drury, H., & Alim, N. (2014). Integrative psychotherapy in intellectual disabilities: Using cognitive-behavioural and psychodynamic formulations. Advances in Mental Health and Intellectual Disabilities, 8(3), 127-209.; Hardiman et al., 2018Hardiman, M., Willmoth, C., & Walsh, J. J. (2018). CFT & people with intellectual disabilities. Advances in Mental Health and Intellectual Disabilities, 12(1), 44-56.; Macmahon et al., 2015MacMahon, P., Stenfert Kroese, B., Jahoda, A., Stimpson, A., Rose, N., Rose, J., Townson, J., Hood, K., & Willner, P. (2015). ‘It’s made all of us bond since that course…’- a qualitative study of service users’ experiences of a CBT anger management group intervention.Journal of Intellectual Disability Research, 59(4), 342-352. https://doi.org/10.1111/jir.12144
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; McQueen et al., 2018McQueen, M., Blinkhorn, A., Broad, A., Jones, J., Naeem, F., & Ayub, M. (2018). Development of a cognitive behavioural therapy‐based guided self‐help intervention for adults with intellectual disability.Journal of Applied Research in Intellectual Disabilities, 31(5), 885-896.; O’Malley et al., 2019O’Malley, G., Irwin, L., Syed, A. A., & Guerin, S. (2019). The clinical approach used in supporting individuals with intellectual disability who have been sexually abused.British Journal of Learning Disabilities, 47(2), 105-115.; Parent et al., 2016Parent, V., Birtwell, K. B., Lambright, N., & DuBard, M. (2016). Combining CBT and behavior-analytic approaches to target severe emotion dysregulation in verbal youth with ASD and ID.Journal of Mental Health Research in Intellectual Disabilities, 9(1-2), 60-82.; Raftery et al., 2017Raftery, M., Burke, K., Murray, N., O’Duinn, O., Murray, I., & Hallahan, B. (2017). An intensive personalised support approach to treating individuals with psychosis and co-morbid mild intellectual disability.Irish journal of psychological medicine, 34(2), 99-109.; Ramsden et al., 2016Ramsden, S., Tickle, A., Dawson, D. L., & Harris, S. (2016). Perceived barriers and facilitators to positive therapeutic change for people with intellectual disabilities: Client, carer and clinical psychologist perspectives.Journal of Intellectual Disabilities, 20(3), 241-262.; Schwantes & Rivera, 2017Schwantes, M., & Rivera, E. (2017). "A team working together to make a big, nice, sound": An action research pilot study in an inclusive college setting. The Arts in Psychotherapy, 55, 1-10.; Wood et al., 2018Wood, A. G., Barker, J. B., Turner, M. J., & Sheffield, D. (2018). Examining the effects of rational emotive behavior therapy on performance outcomes in elite paralympic athletes.Scandinavian journal of medicine & science in sports, 28(1), 329-339.) e, como registrado, também em estudos mistos (McInnis, 2016McInnis, E. E. (2016). Effectiveness of individual psychodynamic psychotherapy in disability psychotherapy.Advances in Mental Health and Intellectual Disabilities., 10(2), 128-144.; McManus et al., 2014McManus, S., Treacy, M., & Mcguire, B. E. (2014). Cognitive behavioural therapy for chronic pain in people with an intellectual disability: A case series using components of the Feeling Better programme. Journal of Intellectual Disability Research, 58(3), 296-306.).

4.3 Barreiras em relação à realização de psicoterapias com pessoas com deficiência

Este trabalho psicoterápico ainda implica o confronto com muitos impedimentos. Nesta revisão, as barreiras mais citadas são de natureza atitudinal, arquitetônica, urbanística, tecnológica e de transporte. Como tentativas de solução, muitos pesquisadores visitavam a população estudada, realizavam contatos telefônicos ou por meio digital. Entretanto, na dificuldade do participante falar por si, cuidadores ou familiares apresentavam as respostas (De Tord & Bräuninger, 2015De Tord, P., & Bräuninger, I. (2015). Grounding: Theoretical application and practice in dance movement therapy. The Arts in Psychotherapy, 43, 16-22.; McGillivray & Kershaw, 2015McGillivray, J. A., & Kershaw, M. (2015). Do we need both cognitive and behavioural components in interventions for depressed mood in people with mild intellectual disability?Journal of intellectual disability research, 59(2), 105-115.; McManus et al., 2014McManus, S., Treacy, M., & Mcguire, B. E. (2014). Cognitive behavioural therapy for chronic pain in people with an intellectual disability: A case series using components of the Feeling Better programme. Journal of Intellectual Disability Research, 58(3), 296-306.; Schuurmans et al., 2018Schuurmans, A. A., Nijhof, K. S., Engels, R. C., & Granic, I. (2018). Using a videogame intervention to reduce anxiety and externalizing problems among youths in residential care: An initial randomized controlled trial.Journal of psychopathology and behavioral assessment, 40(2), 344-354.; Van Der Aa et al., 2015Van der Aa, H. P., van Rens, G. H., Comijs, H. C., Margrain, T. H., Gallindo-Garre, F., Twisk, J. W., & van Nispen, R. M. (2015). Stepped care for depression and anxiety in visually impaired older adults: multicentre randomised controlled trial.BMJ, 351, h6127https://doi.org/10.1136/bmj.h6127
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; Wood et al., 2018Wood, A. G., Barker, J. B., Turner, M. J., & Sheffield, D. (2018). Examining the effects of rational emotive behavior therapy on performance outcomes in elite paralympic athletes.Scandinavian journal of medicine & science in sports, 28(1), 329-339.).

A realização de avaliações diagnósticas com instrumentos de medidas que não considerem o elemento constituinte da deficiência pode dificultar essa compreensão. Observam-se pesquisas que utilizam vários instrumentos na tentativa de compensar a carência de medida de um destes, com a viabilidade para a mesma medida em outro instrumento (Hartley et al., 2015Hartley, S. L., Esbensen, A. J., Shalev, R., Vincent, L. B., Mihaila, I., & Bussanich, P. (2015). Cognitive behavioral therapy for depressed adults with mild intellectual disability: a pilot study.Journal of mental health research in intellectual disabilities, 8(2), 72-97.; Jahoda et al., 2015Jahoda, A., Melville, C. A., Pert, C., Cooper, S. A., Lynn, H., Williams, C., & Davidson, C. (2015). A feasibility study of behavioural activation for depressive symptoms in adults with intellectual disabilities.Journal of Intellectual Disability Research, 59(11), 1010-1021.; Jahoda et al., 2017Jahoda, A., Hastings, R., Hatton, C., Cooper, S. A., Dagnan, D., Zhang, R., McConnachie, A., McMeekin, N., Appleton, K., Jones, R., Scott, K., Fulton, L., Knight, R., Knowles, D., Williams, C., Briggs, A., MacMahon, H., Lynn, H., Smith, I., … Melville, C. (2017). Comparison of behavioural activation with guided self-help for treatment of depression in adults with intellectual disabilities: a randomised controlled trial.The Lancet Psychiatry, 4(12), 909-919.; Kouimtsidis, Bosco et al., 2017Kouimtsidis, C., Bosco, A., Scior, K., Baio, G., Hunter, R., Pezzoni, V., Mcnamara, E., & Hassiotis, A. (2017). A feasibility randomised controlled trial of extended brief intervention for alcohol misuse in adults with mild to moderate intellectual disabilities living in the community; The EBI-LD study.Trials, 18(1), 216.; Kouimtsidis, Scior et al., 2017Kouimtsidis, C., Scior, K., Baio, G., Hunter, R., Pezzoni, V., & Hassiotis, A. (2017). Development and evaluation of a manual for extended brief intervention for alcohol misuse for adults with mild to moderate intellectual disabilities living in the community: The EBI‐LD study manual.Journal of Applied Research in Intellectual Disabilities, 30, 42-48.; McManus et al., 2014McManus, S., Treacy, M., & Mcguire, B. E. (2014). Cognitive behavioural therapy for chronic pain in people with an intellectual disability: A case series using components of the Feeling Better programme. Journal of Intellectual Disability Research, 58(3), 296-306.; Parent et al., 2016Parent, V., Birtwell, K. B., Lambright, N., & DuBard, M. (2016). Combining CBT and behavior-analytic approaches to target severe emotion dysregulation in verbal youth with ASD and ID.Journal of Mental Health Research in Intellectual Disabilities, 9(1-2), 60-82.; Raftery et al., 2017Raftery, M., Burke, K., Murray, N., O’Duinn, O., Murray, I., & Hallahan, B. (2017). An intensive personalised support approach to treating individuals with psychosis and co-morbid mild intellectual disability.Irish journal of psychological medicine, 34(2), 99-109.; Roeden et al., 2014Roeden, J. M., Maaskant, M. A., & Curfs, L. M. G. (2014). Processes and effects of solution-focused brief therapy in people with intellectual disabilities: A controlled study. Journal of Intellectual Disability Research, 58(4), 307-320.; Van Der Aa et al., 2015Van der Aa, H. P., van Rens, G. H., Comijs, H. C., Margrain, T. H., Gallindo-Garre, F., Twisk, J. W., & van Nispen, R. M. (2015). Stepped care for depression and anxiety in visually impaired older adults: multicentre randomised controlled trial.BMJ, 351, h6127https://doi.org/10.1136/bmj.h6127
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). Encontram-se três pesquisas que buscam adaptar instrumentos de medidas psicométricas e de medidas projetivas para a realidade desta população (Clapton et al., 2017Clapton, N. E., Williams, J., Griffith, G. M., & Jones, R.S. (2017). ‘Finding the person you really are … on the inside’: Compassion focused therapy for adults with intellectual disabilities. Journal of Intellectual Disabilities, 22(2), 135-153. https://doi.org/10.1177/1744629516688581
https://doi.org/10.1177/1744629516688581...
; McInnis, 2016McInnis, E. E. (2016). Effectiveness of individual psychodynamic psychotherapy in disability psychotherapy.Advances in Mental Health and Intellectual Disabilities., 10(2), 128-144.; Ramsden et al., 2016Ramsden, S., Tickle, A., Dawson, D. L., & Harris, S. (2016). Perceived barriers and facilitators to positive therapeutic change for people with intellectual disabilities: Client, carer and clinical psychologist perspectives.Journal of Intellectual Disabilities, 20(3), 241-262.).

As barreiras atitudinal e comunicacional também são referidas como dificultadores para compreender a relação terapêutica. Muitos profissionais não sentem confiança em trabalhar com pessoas com alguma deficiência, podendo esta surgir de preconceitos, estigmas e discriminações, causando inclusive abandono terapêutico precoce do paciente (McManus et al., 2014McManus, S., Treacy, M., & Mcguire, B. E. (2014). Cognitive behavioural therapy for chronic pain in people with an intellectual disability: A case series using components of the Feeling Better programme. Journal of Intellectual Disability Research, 58(3), 296-306.). A carência de preparo técnico amplia essa insegurança, como, por exemplo, o desconhecimento de língua de sinais para se comunicar com surdos (Ahmadi et al., 2017Ahmadi, H., Daramadi, P. S., Asadi-Samani, M., & Sani, M. R. M. (2017). Effectiveness of group training of assertiveness on social anxiety among deaf and hard of hearing adolescents.The International Tinnitus Journal, 21(1), 14-20.), ou de abordagens para trabalhar com cegos ou, ainda, reduzido conhecimento do desenvolvimento sensorial para atendimento aos autistas (Drury & Alim, 2014Drury, H., & Alim, N. (2014). Integrative psychotherapy in intellectual disabilities: Using cognitive-behavioural and psychodynamic formulations. Advances in Mental Health and Intellectual Disabilities, 8(3), 127-209.; Parent et al., 2016Parent, V., Birtwell, K. B., Lambright, N., & DuBard, M. (2016). Combining CBT and behavior-analytic approaches to target severe emotion dysregulation in verbal youth with ASD and ID.Journal of Mental Health Research in Intellectual Disabilities, 9(1-2), 60-82.; Schwantes & Rivera, 2017Schwantes, M., & Rivera, E. (2017). "A team working together to make a big, nice, sound": An action research pilot study in an inclusive college setting. The Arts in Psychotherapy, 55, 1-10.).

Alguns paradigmas institucionais, fundamentados em modelos clínicos ou na manutenção da dependência emocional em relação aos terapeutas, tendem a limitar o desenvolvimento dos atendimentos a pessoas com deficiência. O papel consciente do terapeuta em identificar essas barreiras é fundamental para assegurar o vínculo terapêutico e o investimento na autonomia (Jahoda et al., 2017Jahoda, A., Hastings, R., Hatton, C., Cooper, S. A., Dagnan, D., Zhang, R., McConnachie, A., McMeekin, N., Appleton, K., Jones, R., Scott, K., Fulton, L., Knight, R., Knowles, D., Williams, C., Briggs, A., MacMahon, H., Lynn, H., Smith, I., … Melville, C. (2017). Comparison of behavioural activation with guided self-help for treatment of depression in adults with intellectual disabilities: a randomised controlled trial.The Lancet Psychiatry, 4(12), 909-919.; O’Malley et al., 2019O’Malley, G., Irwin, L., Syed, A. A., & Guerin, S. (2019). The clinical approach used in supporting individuals with intellectual disability who have been sexually abused.British Journal of Learning Disabilities, 47(2), 105-115.; Ramsden et al., 2016Ramsden, S., Tickle, A., Dawson, D. L., & Harris, S. (2016). Perceived barriers and facilitators to positive therapeutic change for people with intellectual disabilities: Client, carer and clinical psychologist perspectives.Journal of Intellectual Disabilities, 20(3), 241-262.; Van Der Aa et al., 2015Van der Aa, H. P., van Rens, G. H., Comijs, H. C., Margrain, T. H., Gallindo-Garre, F., Twisk, J. W., & van Nispen, R. M. (2015). Stepped care for depression and anxiety in visually impaired older adults: multicentre randomised controlled trial.BMJ, 351, h6127https://doi.org/10.1136/bmj.h6127
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; Wood et al., 2018Wood, A. G., Barker, J. B., Turner, M. J., & Sheffield, D. (2018). Examining the effects of rational emotive behavior therapy on performance outcomes in elite paralympic athletes.Scandinavian journal of medicine & science in sports, 28(1), 329-339.). Ratifica-se com essa atitude a noção de que os investimentos na compreensão da autonomia da pessoa com deficiência, a partir da consciência do seu contexto de vida, favorece sua relação e seu desenvolvimento com a psicoterapia e, em consequência, com a sociedade.

5 Conclusões

A pesquisa a respeito da realização de psicoterapia com pessoas com deficiência ocorre mundialmente. Os estudos registrados apresentam resultados positivos de práticas psicoterapêuticas com pessoas com deficiência, reforçadas por pesquisas de validade sobre medidas de resultados. Essas evidências também revelam a possibilidade de identificar os potenciais de autonomia, independência e participação social dos participantes, mesmo que com algum tipo de deficiência. Isso reforça sua capacidade reflexiva e interativa. É positivo o alcance de estratégias de enfrentamento e resolução de problemas e conflitos psíquicos a partir do desenvolvimento de habilidades verbais e capacidades para identificar, inferir e diferenciar sensações, sentimentos e pensamentos.

As características da personalidade, bem como a capacidade de entender e reproduzir padrões sociais, identificam essas pessoas como participantes da sociedade. Como relatado em vários artigos neste estudo, as pessoas com deficiência apresentam necessidades psicoterapêuticas e, recebendo as intervenções apropriadas, podem apresentar um resultado positivo crescente. A presente revisão identifica-se como uma ilustração para também perceber a realidade, variedade e complexidade de suas vidas (criminosos, idosos, autistas, paratletas, abuso de álcool e drogas). É necessário levar isso em consideração no tratamento dessa população, pois, por exemplo, não há como tratar os idosos com deficiência, concentrando-se apenas em sua deficiência e não contemplando, também, o processo de envelhecimento. Para trabalhar com essa população, precisamos ampliar nosso ponto de vista e enxergar além da deficiência.

A psicoterapia pode favorecer inclusive o enfrentamento de situações adversas impostas na vida de qualquer ser humano, como, por exemplo, a pandemia da COVID-19, doença que se instala no mundo no período da finalização da presente revisão. Situações de ameaça como essa pandemia ampliam inseguranças, temores e ansiedades relacionados à morte. Já é possível encontrar estudos revelando que as pessoas com deficiência, durante a resposta a essa enfermidade, podem ter quatro vezes mais chances de serem infectadas ou morrer do que as pessoas sem deficiência. A causa disso não é a deficiência propriamente, mas as políticas, planejamento e práticas de saúde que não consideram as necessidades dessa população. Amparar a pessoa e possibilitar entendimento emocional do que está vivenciando favorecerá o enfrentamento de um momento como o atual (Courtenay, 2020Courtenay, K. (2020). Covid-19: challenges for people with intellectual disability. BMJ (Clinical Research Ed.), 369, m1609. https://doi.org/10.1136/bmj.m1609
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; Macedo et al., 2020Macedo, Y. M., Ornellas, J. L., & Bomfim, H. F. do. (2020). Covid - 19 no Brasil: o que se espera para população subalternizada? Revista Encantar, 2, 1-10. https://doi.org/10.5935/encantar.v2.0001
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; OMS, 2020Organização Mundial da Saúde (2020). Considerações sobre pessoas com deficiência durante o surto de COVID-19. Organização Mundial Da Saúde, 1-14. Recuperado em 25 de junho de 2020 de www.who.int/healthtopics/disability
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; Pineda & Corburn, 2020Pineda, V. S., & Corburn, J. (2020). Disability, Urban Health Equity, and the Coronavirus Pandemic: Promoting Cities for All. Journal of Urban Health, 97(3), 336-341. https://doi.org/10.1007/s11524-020-00437-7
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; Schiariti, 2020Schiariti, V. (2020). The human rights of children with disabilities during health emergencies: the challenge of COVID-19. Developmental Medicine and Child Neurology, 62(6), 661-661.).

Revisões narrativas não abrangem toda a extensão da pesquisa realizada sobre o tema proposto. Nesse sentido, sugerimos, por exemplo, pesquisar os efeitos da psicoterapia nas relações prejudicadas de trabalho de pessoas com deficiência, tema que não foi identificado nesta revisão. Outro estudo refere-se a pesquisas sobre acessibilidade aos processos psicoterapêuticos, indicando como o espaço terapêutico é adequado para pessoas com deficiência ou em relação às causas e às consequências quanto ao tempo em listas de espera para serem atendidas. É necessário realizar pesquisas mais extensas nessa área, expandindo o conhecimento da realidade, variedade e complexidade da vida dessas pessoas.

Todos esses resultados podem apoiar a implementação, a manutenção e o reforço de políticas públicas relacionadas à saúde, à educação, à vida social e ao bem-estar das pessoas com deficiência. As leis já estão garantidas (OMS, 2011Organização Mundial da Saúde (2011). Relatório mundial sobre a deficiência. Recuperado de https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/70670/WHO_NMH_VIP_11.01_por.pdf?sequence=9
https://apps.who.int/iris/bitstream/hand...
; Resende & Vital, 2008Resende, A. P. C., & Vital, F. M. P. (2008). A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência Comentada. CORDE. Recuperado em 25 de junho de 2020 de https://www.gov.br/governodigital/pt-br/acessibilidade-digital/convencao-direitos-pessoas-deficiencia-comentada.pdf/view
https://www.gov.br/governodigital/pt-br/...
) - a expansão, a determinação e a execução de projetos de acessibilidade universal são exemplos disso. O uso da pesquisa como referência e fundamento do trabalho psicoterapêutico é essencial, pois apresenta resultados fundamentados, com base em evidências científicas. Dessa maneira, é possível incentivar a disseminação de recursos específicos de psicoterapia para pessoas com deficiência.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    22 Mar 2021
  • Data do Fascículo
    2021

Histórico

  • Recebido
    27 Jul 2020
  • Revisado
    23 Set 2020
  • Aceito
    17 Out 2020
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