Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa que investigou os sentidos atribuídos à amizade por adultos surdos usuários da Língua Brasileira de Sinais (Libras) como primeira língua. A pesquisa adotou abordagem de métodos mistos, integrando dados quantitativos, obtidos por escalas psicométricas, e dados qualitativos, provenientes de entrevistas semiestruturadas. Participaram 50 adultos surdos do estudo estatístico e quatro do estudo qualitativo. As análises indicaram níveis moderados de satisfação com as amizades, com destaque para o papel do apoio emocional e da comunicação na construção dos vínculos. Os resultados evidenciaram a centralidade da confiança, da atenção sensível ao outro e da presença da Libras como fatores que favorecem a qualidade das amizades. As relações entre surdos foram descritas como mais espontâneas e acolhedoras, enquanto as amizades com ouvintes revelaram tensões ligadas à barreira linguística. A discussão teórica foi estruturada em temas e eixos interpretativos que articulam afetividade, linguagem, desenvolvimento e inclusão. Conclui-se que a amizade constitui um espaço significativo para o reconhecimento subjetivo, especialmente quando ancorada em práticas comunicacionais como o uso da Libras.
PALAVRAS-CHAVE:
Inclusão; Libras; Amizade; Relações interpessoais; Surdos.