Prevalência de Sintomas Depressivos em Estudantes de Medicina com Currículo de Aprendizagem Baseada em Problemas

Prevalence of Depressive Symptoms in Medical Students Following a Problem-Based Learning Curriculum

Heros Aureliano Antunes da Silva Maia Ana Carolina Silva Assunção Caroline Santos Silva Juliana Laranjeira Pereira dos Santos Carla Jamile Jabar Menezes José de Bessa JúniorSobre os autores

Resumo:

Introdução:

A depressão é um distúrbio heterogêneo, com etiologia, evolução e resposta terapêutica variadas, com relatos de aumento crescente na incidência entre os jovens. Dois objetivos nortearam este estudo: estimar a prevalência de sintomas depressivos entre acadêmicos de Medicina de uma universidade com métodos ativos de aprendizagem e investigar possíveis associações com variáveis sociodemográficas.

Métodos:

Trata-se de um estudo transversal descritivo. Aplicaram-se um questionário eletrônico com variáveis sociodemográficas e o Inventário de Depressão de Beck (BDI). Foram realizadas análise univariada e regressão logística multivariada.

Resultados:

Avaliamos 173 discentes, com discreta predominância de rapazes (n = 93, 53,7%) e idade mediana de 24 (22-26) anos. Verificaram-se sintomas depressivos em 46,2% (n = 80), dos quais 33,5% (n = 58) leves, 9,2% (n = 16) moderados e 3,4% (n = 6) graves. Sexo feminino (p = 0,032) e insatisfação com a Aprendizagem Baseada em Problemas - ABP (p < 0,001) se associaram de forma independente aos sintomas depressivos em regressão logística multivariada, com aumento na chance de sintomas depressivos de 2 e 3,5 vezes, respectivamente. Os fatores morar com os pais, ter outros diagnósticos psiquiátricos e praticar regularmente atividade física se associaram aos sintomas depressivos apenas em análise univariada.

Conclusão:

Os acadêmicos de Medicina apresentaram significativa prevalência de sintomas depressivos. A associação dos sintomas depressivos com insatisfação com o método ABP pode fomentar reflexões sobre a conduta pedagógica e as deficiências na aplicação da metodologia ABP na referida universidade. Ressaltamos a importância da implementação da atividade física no projeto pedagógico e curricular do curso de Medicina como estratégia para a promoção de saúde mental e física nos discentes.

Palavras-chave:
Aprendizagem Baseada em Problemas; Depressão; Estudantes de Medicina; Educação Médica; Saúde Mental

Abstract:

Introduction:

Depression is a heterogenous disorder of diverse etiology, progression and therapeutic response. Increasing incidence of depression in young adulthood has been reported. The purpose of this paper was to evaluate the prevalence of depressive symptoms among medical students at a university which adopts an active learning method and to investigate possible associations to sociodemographic variables.

Methods:

Descriptive, cross-sectional study. An electronic questionnaire was applied to evaluate sociodemographic variables and depressive symptoms using the Beck Depression Inventory. Univariate and multivariate logistic regression analysis were performed.

Results:

A slight male predominance (n=93, 53.7%) was found among 173 students, along with an average median age of 24 [22-26]. Depressive symptoms were identified in 46.2% of the students (n=80): 33.5% (n=58) with mild symptoms, 9.2% (n=16) moderate, and 3.4% (n=6) severe. Female gender (p=0.032) and dissatisfaction with the active learning method (p<0.001) were independently associated with depressive symptoms in a multivariate logistic regression analysis with the chance of suffering from depressive symptoms increasing 2 and 3.5 fold, respectively. Living with one’s parents, additional psychiatric diagnosis, and lack of regular physical exercise were associated with depressive symptoms only in univariate analysis.

Conclusion:

The medical students presented a high prevalence rate of depressive symptons. Association between dissatisfaction with the active learning method and depressive symptoms may offer some insight regarding the pedagogical practices and deficiencies in the application of this method at the university in question. It is important to implement strategies that incorporate physical exercise into the pedagogical and curricular project to promote the mental and physical health of the students.

Keywords:
Problem-Based Learning; Depression; Medical Students; Medical Education; Mental Health

INTRODUÇÃO

A depressão é um distúrbio heterogêneo com curso variável, resposta inconsistente ao tratamento e fisiopatologia multifatorial. A detecção, o diagnóstico e o manejo da depressão são desafiadores para os profissionais de saúde, o que prejudica o funcionamento psicossocial e reduz a qualidade de vida do paciente11. Malhi GS, Mann JJ. Depression. Lancet. 2018;392(10161):2299-312.. Em 2015, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estimou em 4,4% a prevalência global de depressão, o que representou um aumento de 18,4% em relação a 2005. Tal agravo é o maior contribuinte individual para incapacidade (7,5% dos anos vividos com incapacidade) e para suicídio (800 mil casos por ano)22. World Health Organization. Depression and other common mental disorders: global health estimates. Geneva: World Health Organization; 2017..

Entre os mecanismos fisiopatológicos da depressão, destaca-se a hipótese da deficiência de monoaminas, base para o tratamento antidepressivo atual, mas que falha em explicar a variabilidade da apresentação clínica e da resposta aos antidepressivos. Pensa-se ainda em fatores genéticos, alterações no eixo hipotálamo-hipofisário-adrenal, inflamação e distúrbios relacionados à neuroplasticidade, neurogênese e epigenética11. Malhi GS, Mann JJ. Depression. Lancet. 2018;392(10161):2299-312.), (33. Belmaker RH, Agam G. Major depressive disorder. N Engl J Med. 2008 Jan 3;358(1):55-68..

Os transtornos depressivos são caracterizados por sintomas como presença de humor triste ou vazio, alterações somáticas e/ou cognitivas e prejuízo na funcionalidade individual44. American Psychiatric Association. Diagnostic and statistical manual of mental disorders: DSM-V. Arlington, VA: American Psychiatric Association; 2013.. Entre os grupos populacionais vulneráveis, destacam-se os estudantes universitários. Estima-se que 15% a 25% desse grupo apresente transtornos psiquiátricos durante sua formação acadêmica, notadamente transtornos depressivos e de ansiedade55. Vasconcelos TC, Dias BRT, Andrade LR, Melo GF, Barbosa L, Souza E. Prevalência de sintomas de ansiedade e depressão em estudantes de Medicina. Rev Bras Educ Med. 2015;39(1):135-42.. Uma metanálise que avaliou especificamente alunos dos cursos médicos apontou uma prevalência média de depressão de 27,2%, com prevalências que variaram de 9,3% a 55,9%66. Rotenstein LS, Ramos MA, Torre M, Segal JB, Peluso MJ, Guille C, et al. Prevalence of depression, depressive symptoms, and suicidal ideation among medical students. JAMA. 2016 Dec 6;316(21):2214-36..

As escolas médicas propiciam um ambiente psicológico tóxico, traduzido por alta carga horária, falta de tempo para lazer, forte competição entre os colegas, exposição à morte e ao sofrimento humanos, situações de abuso, dificuldades financeiras, insegurança em relação ao ingresso no mercado de trabalho, autocobrança e cobrança da sociedade55. Vasconcelos TC, Dias BRT, Andrade LR, Melo GF, Barbosa L, Souza E. Prevalência de sintomas de ansiedade e depressão em estudantes de Medicina. Rev Bras Educ Med. 2015;39(1):135-42.),(77. Cybulski CA, Mansani FP. Análise da depressão, dos fatores de risco para sintomas depressivos e do uso de antidepressivos entre acadêmicos do curso de Medicina da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Rev Bras Educ Med . 2017;41(1):92-101.)-(99. Mayer FB, Souza IS, Silveira PSP, Itaqui MHL, Souza ARND, Campos EP, et al. Factors associated to depression and anxiety in medical students: a multicenter study. BMC Med Educ. 2016 Dec 26;16(1):282.. A despeito do alto nível de aflição durante o curso de Medicina, os discentes tendem a não buscar ajuda médica para seus problemas. Em metanálise que avaliou esse pormenor, apenas 15,7% dos acadêmicos de Medicina com depressão procuraram tratamento psiquiátrico66. Rotenstein LS, Ramos MA, Torre M, Segal JB, Peluso MJ, Guille C, et al. Prevalence of depression, depressive symptoms, and suicidal ideation among medical students. JAMA. 2016 Dec 6;316(21):2214-36.. Tal cenário culmina em prejuízos nas esferas pessoal - término de relacionamentos, abuso de substâncias psicoativas, declínio no vigor físico, suicídio - e profissional - pior performance acadêmica, prejuízos na capacidade ética e de exercer empatia, desonestidade acadêmica, influência negativa na escolha da especialidade e maior incidência de erros médicos88. Dyrbye LN, Thomas MR, Shanafelt TD. Medical student distress: causes, consequences, and proposed solutions. Mayo Clin Proc. 2005;80(12):1613-22..

Ao analisar a relação dos transtornos depressivos com o método de ensino adotado pela escola médica, um estudo apontou que alunos inseridos em currículos fundamentados na Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) apresentam menor chance de depressão em relação aos do método tradicional. Os autores sugeriram que tal diferença decorreria de características psicológicas desenvolvidas nos estudantes, como maiores índices de autoatualização na ABP1010. Camp DL, Hollingsworth MA, Zaccaro DJ, Cariaga-Lo LD, Richards BF. Does a problem-based learning curriculum affect depression in medical students? Acad Med. 1994;69(10):S25-7..

Entretanto, a literatura referente à depressão ainda é escassa no contexto de cursos médicos que adotam metodologias ativas de ensino, como a ABP1111. Noronha Júnior MAG, Braga YA, Marques TG, Silva RT, Vieira SD, Coelho VAF, et al. Depression in medical students. Rev Méd Minas Gerais. 2015;25(4):562-7.. Dessa forma, o presente estudo tem o propósito de estimar a prevalência de sintomas depressivos em acadêmicos do curso de Medicina da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) e investigar possíveis associações entre variáveis sociodemográficas e sintomas depressivos.

METODOLOGIA

Trata-se de um estudo observacional com delineamento transversal descritivo realizado com discentes de Medicina da Uefs regularmente matriculados e que cursavam do primeiro ao sexto ano no primeiro semestre de 2019. O curso de medicina da Uefs conta com 32 vagas por ano e adota a metodologia ABP como uma das propostas inovadoras de ensino-aprendizagem. A trajetória acadêmica é dividida em dois ciclos: ciclo básico clínico (do primeiro ao quarto ano) e ciclo clínico/internato (quinto e sexto anos).

Os dados foram coletados por meio de aplicação de um questionário anônimo on-line, disponibilizado na plataforma Google Forms. O link do questionário foi enviado ao e-mail de cada estudante e para grupos de WhatsApp. O questionário continha, em primeiro plano, o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Somente após a leitura do TCLE e da seleção da opção “aceito participar da pesquisa”, eram disponibilizados o questionário sociodemográfico e o Inventário de Depressão de Beck (Beck Depression Inventory - BDI).

O BDI é um instrumento de autoavaliação com fins de rastreio, sem pretensão diagnóstica1212. Costa EFO, Santana YS, Santos ATRA, Martins LAN, Melo EV, Andrade TM. Sintomas depressivos entre internos de medicina em uma universidade pública brasileira. Rev Assoc Med Bras. 2012;58(1):53-9., validado em amostras clínicas e populacionais brasileiras1313. Gorenstein C, Andrade L. Inventário de Depressão de Beck: propriedades psicométricas da versão em português. Rev Psiquiatr Clín. 1998;25(5):245-50. e composto de 21 itens. Cada item avalia um determinado sintoma depressivo presente na última semana, com intensidade de 0 a 3, totalizando um escore de 0 a 63 pontos. Na análise, consideramos os pontos de corte sugeridos pelo Center for Cognitive Therapy: pontuações de 0 a 9 (pessoa sem sintomas de depressão/sintomas mínimos), de 10 a 18 pontos (sintomas de depressão leve a moderada), de 19 a 29 pontos (sintomas de depressão moderada a grave) e ≥30 pontos (sintomas de depressão grave)1414. Beck AT, Steer RA, Carbin MG. Psychometric properties of the Beck Depression Inventory: twenty-five years of evaluation. Clin Psychol Rev. 1988;8(1):77-100..

Na análise estatística, as variáveis quantitativas, contínuas ou ordinais, foram descritas por suas medidas de tendência central (médias ou medianas) e pelas respectivas medidas de dispersão (desvio padrão, variação interquartil ou valores mínimos e máximos), enquanto as nominais ou qualitativas, por seus valores absolutos e percentagens. Na comparação dos dados categóricos, utilizaram-se os testes de Fisher ou do qui-quadrado e suas variantes.

Utilizou-se a análise univariada para determinar a associação entre as variáveis sociodemográficas e a prevalência de sintomas depressivos. Calcularam as odds ratio (OR) para cada variável com intervalos de confiança de 95% (IC95%). Em seguida, variáveis com valor de p < 0,1 na análise univariada foram incluídas em regressão logística multivariada, permanecendo no modelo final se p < 0,05. Nas análises, empregou-se o programa estatístico computacional GraphPad Prism, versão 6.0.3, GraphPad Software, San Diego - Califórnia, EUA.

Foram seguidas integralmente as recomendações da Resolução n° 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde15 a fim de atender aos princípios éticos que envolvem as pesquisas com seres humanos. O projeto foi apreciado e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Uefs por meio do Parecer nº 3.212.213.

Como estratégia para minorar os possíveis danos oriundos desta pesquisa e acolher os alunos participantes que sentissem necessidade, simultânea à manutenção de seu anonimato, informaram-se, no início e no final do questionário on-line, o local de funcionamento e a disponibilidade (horário de funcionamento, telefone e e-mail) dos serviços prestados pela Comissão de Apoio ao Discente do Colegiado de Medicina e pelo Núcleo de Apoio Psicossocial e Pedagógico da Uefs, os quais englobam profissionais da psiquiatria, pedagogia, psicopedagogia, psicologia e assistência social.

RESULTADOS

No ano de realização do estudo, havia 191 alunos matriculados no curso de Medicina da Uefs, com predominância do sexo masculino (55,5%). Obtivemos participação de 173 acadêmicos, o que representou uma taxa de resposta de 90,5% e manutenção do predomínio do sexo masculino: 93 homens (53,7%). A idade mediana dos participantes foi de 24 (22-26) anos. Dos participantes, 66 (38,1%) estavam no internato médico, 73 (42,2%) moravam com os pais, 92 (53,2%) referiram ter parceiro fixo, 73 (42,2%) tinham atividade extracurricular remunerada, 33 (19,1%) não estavam satisfeitos com o método ABP, 112 (64,7%) praticavam atividade física e 92 (53,2%) relataram uso de álcool (Tabela 1).

Tabela 1
Características sociodemográficas dos estudantes segundo a presença de sintomas de depressão

Diagnóstico prévio ou atual de depressão foi relatado por 17 (9,8%) participantes, 23 (13,3%) já realizaram tratamento psicológico e 12 (6,9%) fizeram tratamento medicamentoso. Ansiedade foi o transtorno relatado mais frequentemente associado nessa população: 41 (23,7%) dos participantes. Outros transtornos foram referidos por 6,9% dos alunos: transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (três = 1,7%), síndrome do pânico (três = 1,7%), transtorno bipolar (dois = 1,1%), transtorno obsessivo-compulsivo (dois = 1,1%), transtorno alimentar (um = 0,5%) e fobia social (um = 0,5%).

De acordo com os escores do BDI adotados, observou-se a prevalência de sintomas depressivos em 80 (46,2%) participantes. Desses sintomas, 58 (33,5%) foram classificados como leves, 16 (9,2%) como moderados e 6 (3,4%) como graves. A distribuição da prevalência de sintomas depressivos para cada série do curso é apontada na Tabela 2. Autoacusações (75,1%), fadiga (74%) e distúrbios do sono (65,3%) foram os sintomas depressivos mais prevalentes. Ideação suicida foi referida por 9,8%; a frequência de cada sintoma está mais bem detalhada na Tabela 3.

Tabela 2
Prevalência dos sintomas depressivos por série do curso de Medicina da Uefs
Tabela 3
Prevalência de cada sintoma depressivo avaliado pelo Inventário de Depressão de Beck

As características sociodemográficas dos discentes que se associaram com a presença de sintomas de depressão na análise univariada (Tabela 4) foram prática de atividades físicas (OR = 0,49 [0,26-0,95] IC95%) (p = 0,038), sexo feminino (OR = 2,34 [1,27-4,32] IC95%) (p = 0,006), morar com os pais (OR =1,8 [0,98-3,34] IC95% (p = 0,053), outros diagnósticos psiquiátricos (OR = 2,05 [1,05-3,96] IC95%) (p = 0,044) e insatisfação com a ABP (OR = 4 [1,72-9,09] IC95%) (p < 0,001).

Tabela 4
Análise univariada e regressão logística multivariada para presença de sintomas depressivos em alunos de Medicina

Após a regressão logística multivariada (Tabela 4), apenas sexo feminino e insatisfação com a ABP permaneceram no modelo final como variáveis independentes associadas aos sintomas depressivos. Sexo feminino (p = 0,032) e estar insatisfeito com a metodologia ABP (p < 0,001) aumentam a chance de sintomas depressivos em 2,05 e 3,57 vezes, respectivamente.

Não foram evidenciadas diferenças estatisticamente significantes na prevalência de sintomas depressivos relacionadas ao ciclo do curso, à estabilidade dos relacionamentos afetivos, à atividade extracurricular remunerada e ao uso de bebidas alcoólicas.

DISCUSSÃO

A depressão é mais comum entre estudantes de Medicina que entre a população em geral16. Em comparação a estudos realizados com metodologia semelhante (mesmos pontos de corte para o BDI), a prevalência de sintomas depressivos encontrada no curso pesquisado foi similar à encontrada em outras universidades do Brasil (41,3%)99. Mayer FB, Souza IS, Silveira PSP, Itaqui MHL, Souza ARND, Campos EP, et al. Factors associated to depression and anxiety in medical students: a multicenter study. BMC Med Educ. 2016 Dec 26;16(1):282.. A prevalência também foi similar na Índia (48,4%)1717. Kumar SG, Kattimani S, Sarkar S, Kar S. Prevalence of depression and its relation to stress level among medical students in Puducherry, India. Ind Psychiatry J. 2017;26(1):86-90., mas inferior na Polônia (56,3%) e superior na Alemanha (34,9%) e em Portugal (26%)1818. Seweryn M, Tyrała K, Kolarczyk-Haczyk A, Bonk M, Bulska W, Krysta K. Evaluation of the level of depression among medical students from Poland, Portugal and Germany. Psychiatr Danub. 2015;27:216-22..

Não houve diferenças significantes na prevalência de sintomatologia depressiva entre os ciclos ou por série do curso. Contudo, a literatura aponta aumento de sintomatologia depressiva no início do curso, quando há a vivência de uma “fase de decepção” após um deslumbramento inicial, e no anos finais (internato médico), fenômeno atribuído pelos autores à maior privação da vida social, ao contato com a doença e morte, e à dificuldade em comunicação de más notícias77. Cybulski CA, Mansani FP. Análise da depressão, dos fatores de risco para sintomas depressivos e do uso de antidepressivos entre acadêmicos do curso de Medicina da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Rev Bras Educ Med . 2017;41(1):92-101.),(1919. Rezende CHA, Abrão CB, Coelho EP, Passos LBS. Prevalência de sintomas depressivos entre estudantes de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia. Rev Bras Educ Med . 2008;32(3):315-23.),(2020. Serra RD, Dinato SLM, Caseiro MM. Prevalência de sintomas depressivos e ansiosos em alunos de Medicina na cidade de Santos. J Bras Psiquiatr. 2015;64(3):213-20..

A prevalência de sintomas depressivos foi significativamente maior em mulheres, o que é corroborado pela literatura na população em geral e em universitários de Medicina de outras partes do mundo11. Malhi GS, Mann JJ. Depression. Lancet. 2018;392(10161):2299-312.),(44. American Psychiatric Association. Diagnostic and statistical manual of mental disorders: DSM-V. Arlington, VA: American Psychiatric Association; 2013.),(66. Rotenstein LS, Ramos MA, Torre M, Segal JB, Peluso MJ, Guille C, et al. Prevalence of depression, depressive symptoms, and suicidal ideation among medical students. JAMA. 2016 Dec 6;316(21):2214-36.),(99. Mayer FB, Souza IS, Silveira PSP, Itaqui MHL, Souza ARND, Campos EP, et al. Factors associated to depression and anxiety in medical students: a multicenter study. BMC Med Educ. 2016 Dec 26;16(1):282.),(1616. Pacheco JP, Giacomin HT, Tam WW, Ribeiro TB, Arab C, Bezerra IM, et al. Mental health problems among medical students in Brazil: a systematic review and meta-analysis. Rev Bras Psiquiatr. 2017 Aug 31;39(4):369-78.. Maiores níveis de marcadores inflamatórios, neurotróficos e serotoninérgicos2121. Labaka A, Goñi-Balentziaga O, Lebeña A, Pérez-Tejada J. Biological sex differences in depression: a systematic review. Biol Res Nurs. 2018;20(4):383-92., diferenças no perfil hormonal2222. Zender R, Olshansky E. Women’s mental health: depression and anxiety. Nurs Clin North Am. 2009;44(3):355-64. e fatores socioculturais como desigualdade de gênero2323. Pacheco JPG, Silveira JB, Ferreira RPC, Lo K, Schineider JR, Giacomin HTA, et al. Gender inequality and depression among medical students: a global meta-regression analysis. J Psychiatr Res. 2019;111:36-43.) podem explicar a maior sintomatologia depressiva em mulheres.

Tal cenário se associa com pior qualidade de vida entre as médicas residentes2424. Kobayasi R, Tempski PZ, Arantes-Costa FM, Martins MA. Gender differences in the perception of quality of life during internal medicine training: a qualitative and quantitative analysis. BMC Med Educ . 2018;18(1):1-14.. A despeito de atualmente serem maioria nas escolas de Medicina, as mulheres médicas ainda detêm menor remuneração2525. Bleakley A. Gender matters in medical education. Med Educ. 2013;47(1):59-70., são influenciadas pelo “sexismo” em ambientes de aprendizado para escolha de especialidade2626. Kristoffersson E, Diderichsen S, Verdonk P, Lagro-Janssen T, Hamberg K, Andersson J. To select or be selected: gendered experiences in clinical training affect medical students’ specialty preferences. BMC Med Educ . 2018;18(1):1-11.) e possuem progressão de carreira acadêmica mais lenta2525. Bleakley A. Gender matters in medical education. Med Educ. 2013;47(1):59-70.. Ainda assim, as mulheres médicas são mais empáticas e seus pacientes têm melhores desfechos quando comparados com os de homens2525. Bleakley A. Gender matters in medical education. Med Educ. 2013;47(1):59-70..

O fato de morar com os pais se associou aos sintomas depressivos. O ambiente familiar é geralmente tido como fator de proteção2727. Tabalipa FO, Souza MF, Pfützenreuter G, Lima VC, Traebert E, Traebert J. Prevalence of anxiety and depression among medical students. Rev Bras Educ Med . 2015;39(3):388-94., e é referido que se afastar do núcleo familiar torna os universitários mais expostos a distúrbios psicológicos55. Vasconcelos TC, Dias BRT, Andrade LR, Melo GF, Barbosa L, Souza E. Prevalência de sintomas de ansiedade e depressão em estudantes de Medicina. Rev Bras Educ Med. 2015;39(1):135-42.. Em contrapartida, a alta expectativa dos pais é tida como fator estressor pelos acadêmicos de Medicina2828. Sreeramareddy CT, Shankar PR, Binu VS, Mukhopadhyay C, Ray B, Menezes RG. Psychological morbidity, sources of stress and coping strategies among undergraduate medical students of Nepal. BMC Med Educ . 2007;7:1-8., e a pressão parental já foi associada com maior prevalência de depressão2727. Tabalipa FO, Souza MF, Pfützenreuter G, Lima VC, Traebert E, Traebert J. Prevalence of anxiety and depression among medical students. Rev Bras Educ Med . 2015;39(3):388-94. nesse grupo. Não obstante isso, os discentes que vivem com os pais podem ter menor desempenho acadêmico por conta do comprometimento de seu tempo de estudo pelo ambiente e por causa das atividades familiares2929. Fares J, Al Tabosh H, Saadeddin Z, El Mouhayyar C, Aridi H. Stress, burnout and coping strategies in preclinical medical students. North Am J Med Sci. 2016;8(2):75-81..

Constatamos que os alunos não satisfeitos com a ABP têm maior chance de desenvolver sintomas depressivos. Na mesma direção, o curso de Medicina que adotou o método ABP obteve maior prevalência de sintomas depressivos ao ser comparado com curso de método tradicional3030. Aragão JA, Freire MRM, Nolasco LGF, Diniz SS, Sant’anna FMA, Sant’anna ICA, et al. Prevalence of depressive symptoms among medical students taught using problem-based learning versus traditional methods. Int J Psychiatry Clin Pract. 2018;22(2):123-8.. Na metodologia ativa ABP, os acadêmicos são responsáveis pelo próprio aprendizado ao mesmo tempo que são expostos a situações reais de forma precoce. No método tradicional, o conteúdo é transmitido de forma passiva pelo professor, pois o aprendizado é apoiado na memorização por rotina3030. Aragão JA, Freire MRM, Nolasco LGF, Diniz SS, Sant’anna FMA, Sant’anna ICA, et al. Prevalence of depressive symptoms among medical students taught using problem-based learning versus traditional methods. Int J Psychiatry Clin Pract. 2018;22(2):123-8..

A maior prevalência de sintomas depressivos em cursos com ABP pode se relacionar ao maior comprometimento pessoal exigido pelo método e a uma insegurança inicial na organização do aprendizado na transição entre o ensino médio - no método tradicional - e o ingresso no curso de Medicina com ABP3131. Lewis AD, Menezes DAB, McDermott HE, Hibbert LJ, Brennan SL, Ross EE, et al. A comparison of course-related stressors in undergraduate problem-based learning (PBL) versus non-PBL medical programmes. BMC Med Educ . 2009;9(1):1-8.),(3232. Smolka MLRM, Gomes AP, Siqueira-Batista R. Autonomia no contexto pedagógico: percepção de estudantes de Medicina acerca da aprendizagem baseada em problemas. Rev Bras Educ Med . 2014;38(1):5-14.. Ademais, deficiências na aplicação do método, como a falta de clareza sobre os limites dos objetivos de aprendizado relatada por “calouros” e a ausência de feedback dos professores na ABP, podem atuar como fatores estressantes3333. Dagistani A, Al Hejaili F, Binsalih S, Al Jahdali H, Al Sayyari A. Stress in medical students in a Problem-Based Learning curriculum. Int J High Educ. 2016;5(3):12-19..

Os alunos da ABP ainda relatam uma insegurança em relação à profundidade de aprendizado dos conteúdos, ao real domínio dos conceitos importantes e necessários, ao detalhamento excessivo de temas aparentemente irrelevantes e à quantidade de tempo necessária para estudo. Tais aspectos culminam no temor em falhar em futuras avaliações3131. Lewis AD, Menezes DAB, McDermott HE, Hibbert LJ, Brennan SL, Ross EE, et al. A comparison of course-related stressors in undergraduate problem-based learning (PBL) versus non-PBL medical programmes. BMC Med Educ . 2009;9(1):1-8..

O uso de álcool é frequente entre discentes de Medicina3434. Duroy D, Iglesias P, Perquier F, Brahim N, Lejoyeux M. Alcoolisation à risque chez des étudiants en médecine parisiens. Encephale. 2017;43(4):334-9.. Atribui-se ao uso excessivo de álcool um modo de escapar das preocupações diárias. Esse hábito é prejudicial e preocupante, visto que os estudantes experimentam mais eventos negativos (blackouts) do que alívio das dificuldades. O uso excessivo de álcool também está associado a comportamento agressivo, direção alcoolizada, relações sexuais desprotegidas e comportamentos sabidamente danosos3434. Duroy D, Iglesias P, Perquier F, Brahim N, Lejoyeux M. Alcoolisation à risque chez des étudiants en médecine parisiens. Encephale. 2017;43(4):334-9..

A prevalência de sintomas depressivos foi maior naqueles que referiram outros diagnósticos psiquiátricos. No curso de medicina da Uefs, a ansiedade foi o transtorno mais relatado, com prevalência pouco inferior à encontrada em metanálise de estudos brasileiros (32,9%)1616. Pacheco JP, Giacomin HT, Tam WW, Ribeiro TB, Arab C, Bezerra IM, et al. Mental health problems among medical students in Brazil: a systematic review and meta-analysis. Rev Bras Psiquiatr. 2017 Aug 31;39(4):369-78.. A associação entre ansiedade e sintomatologia depressiva em universitários de medicina também já foi descrita na literatura99. Mayer FB, Souza IS, Silveira PSP, Itaqui MHL, Souza ARND, Campos EP, et al. Factors associated to depression and anxiety in medical students: a multicenter study. BMC Med Educ. 2016 Dec 26;16(1):282.),(3535. Fawzy M, Hamed SA. Prevalence of psychological stress, depression and anxiety among medical students in Egypt. Psychiatry Res. 2017;255:186-94.. Os transtornos depressivos ainda se associam a transtornos relacionados a substâncias, síndrome do pânico, transtorno obsessivo-compulsivo, anorexia e bulimia nervosas e transtorno de personalidade borderline44. American Psychiatric Association. Diagnostic and statistical manual of mental disorders: DSM-V. Arlington, VA: American Psychiatric Association; 2013..

Dentre os sintomas depressivos avaliados pelo BDI, ideação suicida foi o sintoma menos prevalente entre os participantes deste estudo, o que, de modo algum, não minora o problema nem atenua nossa preocupação. A taxa de suicídio entre acadêmicos de Medicina é maior que na população em geral e em outros grupos de acadêmicos3636. Santa ND, Cantilino A. Suicídio entre médicos e estudantes de Medicina: revisão de literatura. Rev Bras Educ Med . 2016;40(4):772-80..

A prática de exercícios físicos se associou com menor prevalência de sintomas depressivos no presente estudo. Além de reduzir a sintomatologia depressiva, o exercício físico melhora a qualidade do sono e a função cognitiva3737. Gourgouvelis J, Yielder P, Clarke ST, Behbahani H, Murphy BA. Exercise leads to better clinical outcomes in those receiving medication plus cognitive behavioral therapy for major depressive disorder. Front Psychiatry. 2018;9:1-12., sendo efetivo como terapia complementar para a depressão3838. Mota-Pereira J, Silverio J, Carvalho S, Ribeiro JC, Fonte D, Ramos J. Moderate exercise improves depression parameters in treatment-resistant patients with major depressive disorder. J Psychiatr Res . 2011;45(8):1005-11.. A atividade física está incluída nos guidelines para tratamento da depressão de países como Suécia e Canadá3939. Carneiro LF, Mota MP, Schuch F, Deslandes A, Vasconcelos-Raposo J. Portuguese and Brazilian guidelines for the treatment of depression: exercise as medicine. Rev Bras Psiquiatr . 2017 Aug 30;40(2):210-1.. No curso de Medicina da Uefs, os alunos se organizam para a prática de atividade física e lazer por meio da Associação Atlética de Medicina, a qual participa de campeonatos e confraternizações como o Intermed, competição que reúne os discentes de Medicina dos cursos do estado, momento em que os alunos participantes são dispensados das atividades acadêmicas. Ratificamos a importância da atividade física e sugerimos a implantação de programas de atividade física e prática esportiva regular com objetivo de prevenir/minimizar os sintomas depressivos nessa população.

Os achados desta pesquisa contribuem para alertar sobre a necessidade de reflexão acerca do tema e de planejamento de ações que contribuam para a saúde mental de estudantes de cursos de graduação que trabalham com metodologias inovadoras como a ABP. Muitos são os artigos que apresentam resultados sobre temas como depressão, suicídio e uso de álcool e drogas em discentes de Medicina, todavia, com a difusão das metodologias inovadoras nos cursos médicos, faz-se necessário compreender como elas colaboram ou não para a saúde mental dos alunos.

Entre as limitações deste estudo, ressaltamos seu desenho transversal e sua característica unicêntrica, o que reduz a validade externa. Acreditamos que os resultados não traduzem uma realidade universal, mas certamente podem ser úteis para o planejamento de políticas locais. A despeito dessa limitação, alguns dos nossos achados vão ao encontro da maioria dos artigos sobre a temática, reiterando a gravidade do problema.

Destaca-se a boa impressão do uso de questionários eletrônicos em estudos sobre temas sensíveis em populações de boa compreensão e escolaridade. Entendemos que se minimizam os constrangimentos proporcionados pelas entrevistas presenciais e se proporciona melhor anonimato.

CONCLUSÃO

O presente estudo revelou que alunos de Medicina da Uefs apresentam alta prevalência de sintomas depressivos, tal qual a encontrada em outras instituições brasileiras e internacionais. Demonstrou-se maior prevalência dos sintomas depressivos nas mulheres, nos que moram com os pais, naqueles com outros diagnósticos psiquiátricos, nos insatisfeitos com a ABP e naqueles sem atividade física regular; destes, apenas sexo feminino e insatisfação com a ABP se associaram de forma independente aos sintomas depressivos. Vislumbramos que tais achados possam contribuir para a ampliação das ações desenvolvidas pela Comissão de Apoio ao Discente do Colegiado de Medicina.

A associação entre insatisfação com a ABP e sintomas depressivos pode suscitar ao curso reflexões sobre as condutas pedagógicas e a aplicação da metodologia ABP. Ressaltamos a importância de se considerar a implementação de atividades esportivas no projeto pedagógico e curricular como estratégia para a promoção da saúde física e mental dos acadêmicos. Talvez resida no apoio às Associações Atléticas de Medicina e no estabelecimento de horários protegidos para atividade física uma opção para a atenuação dos sintomas depressivos nos discentes de Medicina. Reiteramos a necessidade de novos estudos em cursos médicos com metodologia ativa de aprendizagem.

REFERÊNCIAS

  • 1
    Malhi GS, Mann JJ. Depression. Lancet. 2018;392(10161):2299-312.
  • 2
    World Health Organization. Depression and other common mental disorders: global health estimates. Geneva: World Health Organization; 2017.
  • 3
    Belmaker RH, Agam G. Major depressive disorder. N Engl J Med. 2008 Jan 3;358(1):55-68.
  • 4
    American Psychiatric Association. Diagnostic and statistical manual of mental disorders: DSM-V. Arlington, VA: American Psychiatric Association; 2013.
  • 5
    Vasconcelos TC, Dias BRT, Andrade LR, Melo GF, Barbosa L, Souza E. Prevalência de sintomas de ansiedade e depressão em estudantes de Medicina. Rev Bras Educ Med. 2015;39(1):135-42.
  • 6
    Rotenstein LS, Ramos MA, Torre M, Segal JB, Peluso MJ, Guille C, et al. Prevalence of depression, depressive symptoms, and suicidal ideation among medical students. JAMA. 2016 Dec 6;316(21):2214-36.
  • 7
    Cybulski CA, Mansani FP. Análise da depressão, dos fatores de risco para sintomas depressivos e do uso de antidepressivos entre acadêmicos do curso de Medicina da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Rev Bras Educ Med . 2017;41(1):92-101.
  • 8
    Dyrbye LN, Thomas MR, Shanafelt TD. Medical student distress: causes, consequences, and proposed solutions. Mayo Clin Proc. 2005;80(12):1613-22.
  • 9
    Mayer FB, Souza IS, Silveira PSP, Itaqui MHL, Souza ARND, Campos EP, et al. Factors associated to depression and anxiety in medical students: a multicenter study. BMC Med Educ. 2016 Dec 26;16(1):282.
  • 10
    Camp DL, Hollingsworth MA, Zaccaro DJ, Cariaga-Lo LD, Richards BF. Does a problem-based learning curriculum affect depression in medical students? Acad Med. 1994;69(10):S25-7.
  • 11
    Noronha Júnior MAG, Braga YA, Marques TG, Silva RT, Vieira SD, Coelho VAF, et al. Depression in medical students. Rev Méd Minas Gerais. 2015;25(4):562-7.
  • 12
    Costa EFO, Santana YS, Santos ATRA, Martins LAN, Melo EV, Andrade TM. Sintomas depressivos entre internos de medicina em uma universidade pública brasileira. Rev Assoc Med Bras. 2012;58(1):53-9.
  • 13
    Gorenstein C, Andrade L. Inventário de Depressão de Beck: propriedades psicométricas da versão em português. Rev Psiquiatr Clín. 1998;25(5):245-50.
  • 14
    Beck AT, Steer RA, Carbin MG. Psychometric properties of the Beck Depression Inventory: twenty-five years of evaluation. Clin Psychol Rev. 1988;8(1):77-100.
  • 15
    BRASIL. Conselho Nacional de Saúde. Resolução n° 466, de 12 de dezembro de 2012. Aprova normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos. Diário Oficial da União, Brasília; 2013.
  • 16
    Pacheco JP, Giacomin HT, Tam WW, Ribeiro TB, Arab C, Bezerra IM, et al. Mental health problems among medical students in Brazil: a systematic review and meta-analysis. Rev Bras Psiquiatr. 2017 Aug 31;39(4):369-78.
  • 17
    Kumar SG, Kattimani S, Sarkar S, Kar S. Prevalence of depression and its relation to stress level among medical students in Puducherry, India. Ind Psychiatry J. 2017;26(1):86-90.
  • 18
    Seweryn M, Tyrała K, Kolarczyk-Haczyk A, Bonk M, Bulska W, Krysta K. Evaluation of the level of depression among medical students from Poland, Portugal and Germany. Psychiatr Danub. 2015;27:216-22.
  • 19
    Rezende CHA, Abrão CB, Coelho EP, Passos LBS. Prevalência de sintomas depressivos entre estudantes de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia. Rev Bras Educ Med . 2008;32(3):315-23.
  • 20
    Serra RD, Dinato SLM, Caseiro MM. Prevalência de sintomas depressivos e ansiosos em alunos de Medicina na cidade de Santos. J Bras Psiquiatr. 2015;64(3):213-20.
  • 21
    Labaka A, Goñi-Balentziaga O, Lebeña A, Pérez-Tejada J. Biological sex differences in depression: a systematic review. Biol Res Nurs. 2018;20(4):383-92.
  • 22
    Zender R, Olshansky E. Women’s mental health: depression and anxiety. Nurs Clin North Am. 2009;44(3):355-64.
  • 23
    Pacheco JPG, Silveira JB, Ferreira RPC, Lo K, Schineider JR, Giacomin HTA, et al. Gender inequality and depression among medical students: a global meta-regression analysis. J Psychiatr Res. 2019;111:36-43.
  • 24
    Kobayasi R, Tempski PZ, Arantes-Costa FM, Martins MA. Gender differences in the perception of quality of life during internal medicine training: a qualitative and quantitative analysis. BMC Med Educ . 2018;18(1):1-14.
  • 25
    Bleakley A. Gender matters in medical education. Med Educ. 2013;47(1):59-70.
  • 26
    Kristoffersson E, Diderichsen S, Verdonk P, Lagro-Janssen T, Hamberg K, Andersson J. To select or be selected: gendered experiences in clinical training affect medical students’ specialty preferences. BMC Med Educ . 2018;18(1):1-11.
  • 27
    Tabalipa FO, Souza MF, Pfützenreuter G, Lima VC, Traebert E, Traebert J. Prevalence of anxiety and depression among medical students. Rev Bras Educ Med . 2015;39(3):388-94.
  • 28
    Sreeramareddy CT, Shankar PR, Binu VS, Mukhopadhyay C, Ray B, Menezes RG. Psychological morbidity, sources of stress and coping strategies among undergraduate medical students of Nepal. BMC Med Educ . 2007;7:1-8.
  • 29
    Fares J, Al Tabosh H, Saadeddin Z, El Mouhayyar C, Aridi H. Stress, burnout and coping strategies in preclinical medical students. North Am J Med Sci. 2016;8(2):75-81.
  • 30
    Aragão JA, Freire MRM, Nolasco LGF, Diniz SS, Sant’anna FMA, Sant’anna ICA, et al. Prevalence of depressive symptoms among medical students taught using problem-based learning versus traditional methods. Int J Psychiatry Clin Pract. 2018;22(2):123-8.
  • 31
    Lewis AD, Menezes DAB, McDermott HE, Hibbert LJ, Brennan SL, Ross EE, et al. A comparison of course-related stressors in undergraduate problem-based learning (PBL) versus non-PBL medical programmes. BMC Med Educ . 2009;9(1):1-8.
  • 32
    Smolka MLRM, Gomes AP, Siqueira-Batista R. Autonomia no contexto pedagógico: percepção de estudantes de Medicina acerca da aprendizagem baseada em problemas. Rev Bras Educ Med . 2014;38(1):5-14.
  • 33
    Dagistani A, Al Hejaili F, Binsalih S, Al Jahdali H, Al Sayyari A. Stress in medical students in a Problem-Based Learning curriculum. Int J High Educ. 2016;5(3):12-19.
  • 34
    Duroy D, Iglesias P, Perquier F, Brahim N, Lejoyeux M. Alcoolisation à risque chez des étudiants en médecine parisiens. Encephale. 2017;43(4):334-9.
  • 35
    Fawzy M, Hamed SA. Prevalence of psychological stress, depression and anxiety among medical students in Egypt. Psychiatry Res. 2017;255:186-94.
  • 36
    Santa ND, Cantilino A. Suicídio entre médicos e estudantes de Medicina: revisão de literatura. Rev Bras Educ Med . 2016;40(4):772-80.
  • 37
    Gourgouvelis J, Yielder P, Clarke ST, Behbahani H, Murphy BA. Exercise leads to better clinical outcomes in those receiving medication plus cognitive behavioral therapy for major depressive disorder. Front Psychiatry. 2018;9:1-12.
  • 38
    Mota-Pereira J, Silverio J, Carvalho S, Ribeiro JC, Fonte D, Ramos J. Moderate exercise improves depression parameters in treatment-resistant patients with major depressive disorder. J Psychiatr Res . 2011;45(8):1005-11.
  • 39
    Carneiro LF, Mota MP, Schuch F, Deslandes A, Vasconcelos-Raposo J. Portuguese and Brazilian guidelines for the treatment of depression: exercise as medicine. Rev Bras Psiquiatr . 2017 Aug 30;40(2):210-1.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    03 Ago 2020
  • Data do Fascículo
    2020

Histórico

  • Recebido
    22 Jun 2020
  • Aceito
    24 Jun 2020
Associação Brasileira de Educação Médica SCN - QD 02 - BL D - Torre A - Salas 1021 e 1023 | Asa Norte, Brasília | DF | CEP: 70712-903, Tel: (61) 3024-9978 / 3024-8013, Fax: +55 21 2260-6662 - Brasília - DF - Brazil
E-mail: rbem.abem@gmail.com