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Revista Brasileira de Ciências do Esporte

versão impressa ISSN 0101-3289versão On-line ISSN 2179-3255

Rev. Bras. Ciênc. Esporte vol.42  Porto Alegre  2020  Epub 06-Jul-2020

https://doi.org/10.1016/j.rbce.2019.03.001 

ARTIGO ORIGINAL

Presença de retroversão umeral e discinesia escapular em praticantes de tiro de laço

Analu Engler Carlosa 

Rodrigo Boff Daitxb 

Marcelo Baptista Döhnertb  * 
http://orcid.org/0000-0002-0775-0600

Taiana Boeira Oliveiraa 

Daniela Steffen Cardosoa 

aCurso de Fisioterapia, Universidade Luterana do Brasil, Torres, RS, Brasil.

bUniversidade Luterana do Brasil, Torres, RS, Brasil.


RESUMO

Objetivo:

Avaliar a presença de retroversão umeral e discinesia escapular em praticantes de tiro de laço.

Métodos:

Estudo transversal com 129 sujeitos. Foram avaliados a presença de discinesia, a força muscular, a amplitude de movimento, o nível de funcionalidade e a dor no ombro.

Resultados:

A rotação externa foi maior (p = 0,005) e a rotação interna menor no ombro dominante (p = 0,0001). O movimento rotacional total do ombro dominante foi menor, em comparação com o não dominante (p = 0,0001). A presença de discinesia escapular foi de 32,6%, predominou a discinesia do tipo II (50%). A pontuação do Spadi foi significativamente maior nos praticantes com sintomas de dor (p < 0,05).

Conclusão:

Os praticantes de tiro de laço demonstraram retroversão umeral no ombro dominante e prevalência alta de discinesia escapular.

Palavras-chave: Discinesia escapular; Retroversão umeral; Manguito rotador

ABSTRACT

Objective:

The objective of the present study was to evaluate the presence of humeral retroversion and scapular dyskinesis in these practitioners.

Methods:

This cross-sectional study enrolled 129 subjects. The state of dyskinesis, muscle strength, range of motion, level of functionality and shoulder pain were evaluated.

Results:

The external rotation was higher (p = 0,005) and minor internal rotation on the dominant shoulder (p = 0,0001). The total movement of the dominant shoulder was lower, compared to the non-dominant (p = 0.0001). The presence of Scapular dyskinesis was 32,6%, predominantly type II dyskinesis (50%). The Spadi score was significantly higher in those with pain symptoms (p <0.05).

Conclusion:

People who practice tie-down roping showed humeral retroversion on the dominant shoulder and higher prevalence of scapular dyskinesis.

Keywords: Scapular dyskinesis; Humeral retroversion; Rotator cuff

RESUMEN

Objetivo:

el objetivo del estudio fue evaluar la existencia de retroversión humeral y discinesia escapular en las personas que practican esta actividad.

Métodos:

estudio transversal con 129 individuos. Se evaluaron la existencia de discinesia, la fuerza muscular, la amplitud de movimiento, el nivel de funcionalidad y el dolor en el hombro.

Resultados:

la rotación externa fue mayor (p = 0,005) y la rotación interna, menor en el hombro dominante (p = 0,0001). El movimiento total del hombro dominante fue menor en comparación con el no dominante (p = 0,0001). La existencia de discinesia escapular fue del 32,6%, sobre todo la discinesia de tipo II (50%). La puntuación del SPADI fue considerablemente mayor en los practicantes con síntomas de dolor (p < 0,05).

Conclusión:

los practicantes de tiro de lazo mostraron retroversión humeral en el hombro dominante y una elevada prevalencia de discinesia escapular.

Palavras Chave: Discinesia escapular; Retroversión humeral; Manguito de los rotadores

INTRODUÇÃO

O tiro de laço é uma prática equestre, uma forma de competição a cavalo característica do Estado do Rio Grande do Sul desde a década de 1950 e deu origem aos atuais rodeios do esporte (Pereira et al., 2014; Brasil Cowboy o Blog do Mundo Country, 2016). É uma competição na qual o ginete tem o espaço de 100 metros para laçar um novilho (Pereira et al., 2014; Brasil Cowboy o Blog do Mundo Country, 2016). É um esporte considerado difícil, pois exige muita habilidade, força, técnica, concentração e treino (Brasil Cowboy o Blog do Mundo Country, 2016; Pereira et al., 2014).

Nesse esporte, o complexo da cintura escapular exige funções essenciais para o ombro, da mesma forma que em atletas praticantes de arremesso ou de esportes que usam o membro superior acima da cabeça (Santana et al., 2009; Stapait et al., 2013). A cavidade glenoide deve estar estabilizada pelos músculos escapulares que a fixam ao tórax, posicionam-na em relação ao úmero e fornecem ao manguito rotador uma melhor capacidade de ativação (Santana et al., 2009). Durante a elevação do ombro, a mobilidade da articulação glenoumeral deve estar em sintonia com a mobilidade escapulotorácica para fazer os movimentos de flexão e abdução proporcionalmente (Santana et al., 2009). Assim, serão possíveis uma adequada amplitude de movimento e o equilíbrio no padrão da ativação muscular (Santana et al., 2009).

A discinesia escapular é gerada por qualquer desequilíbrio no ritmo escápulotorácico que gera alteração no posicionamento e mobilidade da escápula em relação à caixa torácica (Kibler et al., 2012a; McClure et al., 2009; Santana et al., 2009; Thomas et al., 2011a). Pode ser causada por inúmeros fatores, entre os quais fisiológicos, biomecânicos, lesões nervosas, anatomia óssea, trauma, disfunção ou fraqueza dos estabilizadores escapulares como o manguito rotador, trapézio inferior e trapézio médio (Kibler et al., 2013; Kibler et al., 2012a; Stapait et al., 2013; Voight e Thomsom, 2000). Burkhart et al., 2003 e Ellenbecker et al. (2012) propuseram um sistema de avaliação de discinesia escapular que diferencia quatro padrões, sem referenciar a ordem de gravidade. No padrão tipo I ocorre uma proeminência do ângulo inferior medial da escápula por um déficit da porção inferior do músculo trapézio (Ellenbecker et al., 2012; Burkhart, Morgan e Kibler, 2003; Kibler et al., 2002). A proeminência da borda medial da escápula no repouso e a inclinação dorsal da borda medial durante o movimento por deficiência do serrátil anterior são características do tipo II (Ellenbecker et al., 2012; Burkhart et al., 2003; Kibler et al., 2002). No tipo III, a borda superior da escápula permanece elevada no repouso e durante o movimento não é observada a inclinação dorsal da borda medial da escápula, evidencia um déficit de trapézio superior (Ellenbecker et al., 2012; Burkhart et al., 2003; Kibler et al., 2002). O tipo IV é considerada uma escápula normal (Ellenbecker et al., 2012; Burkhart et al., 2003; Kibler et al., 2002).

No tiro de laço, essas disfunções escapulares podem estar presentes, pois o gesto predominante nessa manifestação esportiva é o arremesso (Pereira et al., 2014; Wilk et al., 2011). Esse movimento sobrecarrega a articulação glenoumeral e gera um aumento da rotação externa e uma diminuição na rotação interna, fator esse denominado de Glenohumeral Internal Rotation Deficit (GIRD) (Thomas et al., 2011b). A GIRD foi definida como uma perda de rotação interna que varia de 10( a 25( ou mais no ombro dominante de arremesso comparado com o não dominante (Wilk et al., 2011) (Fairall et al., 2017). Atletas com GIRD superior a 20( demonstram apresentar um maior risco de desenvolver lesões no ombro e necessitar de cirurgia (Fairall et al., 2017). Essa significativa perda da rotação interna está associada a patologias do ombro, tais como instabilidade anterior, lesões do manguito rotador, lesões labrais, síndrome de impacto e discinesia escapular (Fairall et al., 2017).

Ainda são bastante escassos os estudos que analisam a influência do gesto esportivo praticado nos esportes de arremesso e a compreensão das alterações adaptativas do gesto sobre o complexo escapulotorácico e escapuloumeral (Almeida et al., 2014; Quadros e Dohnert, 2015; Kibler et al., 2012b; McDonough e Funk, 2013; Myers et al., 2006; Reinold e Curtis, 2013). Nos praticantes de tiro de laço, especificamente, não foram encontradas publicações na literatura que abordassem essa população. Portanto, este estudo teve como objetivo avaliar a presença de discinesia escapular e retroversão umeral em praticantes de tiro de laço.

MATERIAL E MÉTODOS

Participantes

Participaram desta pesquisa, voluntariamente, 129 sujeitos praticantes de tiro de laço, todos do sexo masculino e praticantes de competições do litoral norte do Rio Grande do Sul e no litoral sul de Santa Catarina.

Delineamento

Estudo transversal feito pelo Grupo de Estudos e Pesquisas em Reabilitação Esportiva e Traumato-Ortopédica (Gepreto) da Universidade Luterana do Brasil, campus Torres/RS. Os dados foram coletados durante os torneios e competições de tiro de laço feitos na região de agosto de 2016 e abril de 2017. Todos os competidores presentes que preencheram os critérios de elegibilidade foram avaliados.

Aspectos éticos

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Luterana do Brasil, sob o número 1.638.085. Os participantes do estudo que preencheram os critérios de elegibilidade assinaram um termo de consentimento para a feitura para a realização das avaliações.

Critérios de elegibilidade

Estão apresentados na Tabela 1.

Tabela 1 Critérios de elegibilidade. 

Critérios de inclusão • Praticantes de tiro de laço entre 18 e 35 anos com, pelo menos, três anos de prática;
• Gênero masculino;
• Ter assinado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
Critérios de exclusão • Praticantes menores de 18 anos ou maiores de 35;
• Presença de doenças degenerativas na articulação do ombro;
• Praticar outra modalidade de esporte que envolva arremesso;
• Administrar algum tipo de medicamento analgésico e/ou anti-inflamatório no momento do estudo

Protocolo de avaliação

Foi feito em um único momento por um avaliador previamente treinado. As avaliações dos sujeitos selecionados foram feitas durante as etapas de competições de rodeio ocorridas no litoral norte do Rio Grande do Sul e litoral sul de Santa Catarina, a fim de evitar a perda de amostra com o deslocamento até a universidade. Foram coletados os dados de cada sujeito numa ficha de avaliação para posterior análise.

Avaliação antropométrica

Para a avaliação antropométrica foram mensuradas a estatura e a massa corporal. Foram usadas uma fita métrica presa à parede e uma balança digital de solo marca G-Life Millenium CA7000®. Para o cálculo do IMC foi considerada a mediana de três mensurações de estatura e massa corporal.

Avaliação do nível de dor

O nível de dor e desconforto na articulação do ombro foi quantificado por meio de uma escala visual analógica (EVA), numa escala de 0 a 10 (0 ausência total de dor e 10 a dor máxima).

Avaliação da amplitude de movimento (ADM) rotacional do ombro

Foram mensurados os movimentos ativos e passivos de rotação interna e externa do ombro com o uso de um goniômetro universal (CARCI®). Para avaliação da rotação interna, o participante foi posicionado em decúbito dorsal sobre uma maca, com os joelhos flexionados. O ombro foi posicionado a 90( de abdução, o cotovelo em 90( de flexão e o antebraço em posição neutra supinação e pronação em 0(. O examinador estabilizou com a sua mão a região anterior do ombro sobre a clavícula e o processo coracoide. O participante fez o movimento de rotação interna máxima e foi mensurado. Após, o examinador fez o movimento passivamente e mensurou novamente. Para avaliação da mobilidade de rotação externa foi feito da mesma forma, só que o movimento foi de rotação externa.

Avaliação de força muscular

A força muscular foi avaliada através de um dinamômetro manual modelo push-pull marca Chataanooga®, previamente calibrado. Foi mensurada a máxima contração isométrica voluntária (MCIV) dos movimentos de rotação interna e externa de ambos os ombros. O praticante foi posicionado em decúbito dorsal na mesa de exame, com o cotovelo fletido a 90 graus e o ombro abduzido a 90 graus. O dinamômetro foi posicionado no terço distal do antebraço e solicitada uma máxima contração sem movimento, tanto para rotação externa quanto para rotação interna.

Avaliação do nível de funcionalidade do ombro

Para avaliação da funcionalidade de ombro foi usado o Shoulder Pain and Disability Index (Spadi), questionário que avalia a dor e as capacidades do ombro (Martins et al., 2010). A pontuação obtida no questionário foi convertida em porcentagem, maior pontuação indica maior disfunção no ombro.

Cálculo amostral

Baseado no estudo de Wilk et al. (2011), existe uma prevalência de 28% de sintomatologia no ombro de atletas que usam os membros superiores em arremesso. Através do software EPIINFO 6.04b, considerando um nível de confiabilidade de 95%, um percentual de incidência de síndrome de discinesia escapular em atletas de esportes de arremesso estimada em 8%, foi estimado um número de 113 atletas sujeitos. Acrescentando-se 20% para perdas e recusas, foram necessários 135 sujeitos para o estudo.

Análise estatística

Os dados oriundos dessas avaliações, mais os dados de identificação, foram transcritos para uma ficha de avaliação e digitados no programa estatístico SPSS 20.0, no qual foram feitas as análises. Para minimizar os erros de digitação, foram feitas duas entradas independentes para posterior validação.

Inicialmente, procedeu-se a uma análise univariada, na qual foram verificadas a amplitude e a consistência das variáveis e obtidas medidas de tendência central e dispersão. Após foi calculada a prevalência por medidas de razão de prevalência (RP) de discinesia escapular. Para análise entre os praticantes com dor e sem dor no ombro foi usado o teste t de Student não pareado. Para comparações entre ombro dominante e não dominante nos mesmos sujeitos do estudo foi usado o teste t de Student pareado. Para as correlações entre as variáveis usaram-se os testes de correlação de Pearson e de Spearman. O nível de confiabilidade foi de 95% (p<0,05).

RESULTADOS

Foram inicialmente convidados a participar desta pesquisa 175 praticantes de tiro de laço do sexo masculino. Desses, 129 foram incluídos no estudo e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. A idade média foi de 25,67± 5,67 anos; 125 (96,9%) eram de cor branca. Na Tabela 2 apresentamos as características da amostra do estudo.

Tabela 2 Caracterização da amostra do estudo (n=129). 

Variável
Idade, anos (dp) 25,67 (5,67)
Cor da pele, n (%)
Branco 125 (96,9)
Preto 4 (3,1)
Estatura, cm (dp) 159,54 (8,83)
Peso, kg (dp) 51,33 (10,52)
IMC, kg/m2 (dp) 20,07 (3,43)
Ocupação, n (%)
Estudante 21 (16,3)
Agricultor 17 (13,2)
Pedreiro 9 (7,0)
Motorista 7 (5,4)
Domador 5 (3,9)
Construtor 5 (3,9)
Outros
Membro dominante
Direito 123 (95,3)
Esquerdo 6 (4,7)
Presença de dor no ombro, n (%)
Sim 18 (14,0)
Não 111 (86,0)
Tempo de dor, anos (dp) 3,56 (2,88)
Tempo de prática de tiro de laço, anos (dp) 9,78 (5,70)

Os praticantes de tiro de laço apresentaram uma ADM ativa de rotação externa significativamente maior no ombro dominante em comparação com o ombro não dominante (p=0,005). (Figura 1)

Figura 1 ADM Ativa de rotação externa dos atletas do estudo compara ombro direito e ombro esquerdo. # p<0,05 em relação ao ombro contralateral. 

A ADM ativa de rotação interna foi significativamente menor no ombro dominante, em comparação com o ombro não dominante. (p=0,0001). (Figura 2)

Figura 2 ADM Ativa de rotação interna dos atletas do estudo compara ombro direito e ombro esquerdo. # p<0,05 em relação ao ombro contralateral. 

O movimento rotacional total (MRT) ativo do ombro dominante foi significativamente menor em comparação com o não dominante (p=0,0001). (Figura 3)

Figura 3 Movimento rotacional total (MRT) atletas do estudo compara ombro direito e ombro esquerdo. # p<0,05 em relação ao ombro contralateral. 

Em relação à amplitude de movimento passiva os resultados foram significativamente diferentes em comparação do ombro dominante com o não dominante. No movimento de rotação externa passiva o ombro dominante apresentou uma média de 103,66±9,97 graus e o ombro não dominante 98,37±10,03 graus (p=0,0001). Na amplitude de movimento passiva para o movimento de rotação interna, o ombro dominante apresentou 86,50±10,31 graus e o não dominante 92,81±9,56 graus (p=0,0001). O MRT passivo, porém, não apresentou diferença entre ombro dominante (190,15±15,67 graus) e ombro não dominante (191,19±16,45 graus) (Tabela 3).

Tabela 3 Caracterização da mobilidade articular e força muscular relacionado à presença de sintomatologia no ombro (n=129). 

Variável Total (n=129) Praticantes com dor (n=18) Praticantes sem dor (n=111) P valor
ADM ativa de rotação externa, graus
Direito 90,11±11,31 87,44±11,88 90,54±11,22 0,312
Esquerdo 87,68±9,96 87,22±11,70 87,76±9,71 0,856
P valor 0,005 0,929 0,03
ADM ativa de rotação interna, graus
Direito 72,16±14,13 80,17±15,81 70,86±13,47 0,028
Esquerdo 80,49±11,70 85,61±12,96 79,66±11,32 0,045
P valor 0,000 0,116 0,000
Movimento rotacional total ativo (MRT), graus
Direito 162,16±19,94 167,61±21,69 161,40±19,60 0,266
Esquerdo 168,17±17,62 172,83±21,56 167,41±16,89 0,321
P valor 0,000 0,190 0,001
ADM passiva de rotação externa, graus
Direito 103,66±9,97 100,28±11,35 104,21±9,67 0,179
Esquerdo 98,37±10,03 99,78±11,33 98,14±9,84 0,570
P valor 0,000 0,865 0,000
ADM passiva de rotação interna, graus
Direito 86,50±10,31 92,28±12,10 85,56±9,73 0,010
Esquerdo 92,81±9,56 94,56±11,38 92,53±9,26 0,481
P valor 0,000 0,207 0,000
Movimento rotacional total passivo (MRT), graus
Direito 190,16±15,67 192,56±18,22 189,77±15,28 0,545
Esquerdo 191,19±16,45 194,33±20,67 190,68±15,71 0,481
P valor 0,369 0,590 0,460
CIVM rotação externa, graus
Direito 20,07±5,55 19,52±6,31 20,16±5,45 0,688
Esquerdo 19,54±6,68 18,52±6,46 19,71±6,73 0,478
P valor 0,300 0,076 0,438
CIVM rotação interna, graus
Direito 20,24±5,52 20,62±7,03 20,18±5,27 0,798
Esquerdo 21,05±5,74 22,05±7,75 20,89±5,37 0,546
P valor 0,030 0,140 0,012

ADM, amplitude de movimento; CIVM, contração isométrica voluntária máxima; MRT, movimento rotacional total. Teste t de Student pareado e não pareado.

A prevalência de discinesia escapular encontrada na amostra total estudada foi de 32,6% (Figura 4). A discinesia escapular mais prevalente foi a do tipo II, com 50,0%, seguida pelo tipo I, com 40,5%, e, finalmente, pelo tipo III, com 9,5%. Se analisarmos apenas os praticantes de tiro de laço que apresentavam sintomatologia no ombro, a prevalência de discinesia escapular foi de 38,9%.

Figura 4 Prevalência de discinesia escapular entre os praticantes de tiro de laço (n=129). 

A Tabela 3 apresenta a amplitude de movimento ativa e passiva, bem como a força muscular representada pela contração isométrica voluntária máxima (CIVM) em praticantes com e sem sintomatologia em ombro dominante e não dominante. Verificou-se uma maior amplitude de movimento de rotação externa e menor mobilidade de rotação interna no ombro dominante nos praticantes assintomáticos. Porém, não foram verificadas diferenças entre ombro dominante e não dominante em praticantes com sintomas no ombro. (Tabela 3)

A força muscular avaliada através da contração isométrica voluntária máxima (CIMV) demonstrou uma diferença significativa quando comparado o ombro dominante com o não dominante em todos os praticantes (p=0,030) e nos praticantes sem dor (p=0,012). (Tabela 3)

Verificou-se que os praticantes de tiro de laço com sintomatologia de dor no ombro apresentaram escores funcionais no Spadi significativamente menores do que os sujeitos sem sintomas, tanto nos subitens incapacidade e dor quanto na pontuação total (p=0,000). (Tabela 4)

Tabela 4 Pontuação obtida no Shoulder Pain and Disability Index (Spadi) em atletas com e sem sintomatologia (n=129). 

Variável Total (n=129) Praticantes com dor (n=18) Praticantes sem dor (n=111) P valor
Spadi Incapacidade 4,67±12,47 31,25±14,41 0,36±3,80 0,000
Spadi Dor 7,81±19,76 51,39±14,48 0,74±7,78 0,000
Spadi Total 6,23±16,14 41,54±15,62 0,51±5,33 0,000

Teste t de Student não pareado.

Não foram verificadas correlações significativas entre as variáveis de desfecho e tempo de prática do tiro de laço, tempo de presença de sintomas no ombro e variáveis antropométricas.

DISCUSSÃO

Este estudo é um dos primeiros a abordar a condição de retroversão umeral e discinesia escapular entre praticantes de tiro de laço, uma modalidade esportiva bastante praticada, especialmente na Região Sul do Brasil. Devido à repetição e à força gerada durante o movimento do arremesso, esses praticantes podem apresentar adaptações que podem gerar disparidades no movimento, quando comparado bilateralmente (Wilk et al., 2011). Essa alteração se caracteriza por retroversão umeral, uma alteração biomecânica que ocorre na articulação glenoumeral, onde há uma contratura da cápsula posterior (Quadros e Dohnert, 2015; Wilk et al., 2011). Os atletas arremessadores, em geral, apresentam diminuição da amplitude articular de rotação interna, com um aumento concomitante da rotação externa da articulação glenoumeral (Quadros e Dohnert, 2015; Wilk et al., 2011). Essa perda de rotação interna foi denominada de GIRD (Glenohumeral Internal Rotation Déficit) (Thomas et al., 2011a). Burkhart et al., 2003 sugeriram, em seu estudo, que a GIRD ocorre devido uma contratura da cápsula posterior da articulação glenoumeral. Os autores concluíram que o alongamento é o tratamento mais adequado para melhorar o déficit de rotação interna (Burkhart, Morgan e Kibler, 2003).

Os praticantes de tiro de laço apresentaram uma rotação externa maior e uma rotação interna significativamente menor no ombro do arremesso. Wilk et al. (2011) avaliaram a ADM passiva de rotação interna e externa de ombro bilateral de 170 atletas de beisebol durante as temporadas entre 2005 e 2007, todos livre de dor e assintomáticos no momento da avaliação (Wilk et al., 2011). Os arremessadores apresentaram, assim como neste estudo, maior rotação externa e menor rotação interna na comparação bilateral. Almeida et al. (2013) fizeram um estudo transversal no qual foram avaliados 57 jogadores de handebol, 30 apresentavam dor no ombro de arremesso e 27 não. A avaliação foi feita através das medições de rotação externa e interna passiva (Almeida et al., 2013). Os resultados mostraram que atletas sem dor têm maior rotação externa e menor rotação interna, caracterizada GIRD, em comparação com os atletas que apresentavam dor (Almeida et al., 2013). Esse achado corrobora os encontrados neste estudo, no qual verificamos que os atletas com sintomatologia no ombro não reproduziram a mesma alteração rotacional encontrada nos praticantes assintomáticos. Burkhart et al., 2003 e Kibler e McMullen (2003) destacaram que patologias como a GIRD podem levar a outras alterações, como tendinites, osteófitos, calcificações, lesões ligamentares, lesões no manguito rotador. E que tratamento com um programa de alongamentos pode demonstrar resultados positivos (Burkhart et al., 2003).

Martim et al. (2016) fizeram um estudo com oito atletas de tênis do sexo masculino, com média de 20,4 anos. Esses atletas foram avaliados durante as partidas de tênis, cada partida durava em torno de três horas (Martim et al., 2016). Cada partida foi precedida por um aquecimento-padrão e os atletas competiram com outros atletas do mesmo nível (Martim et al., 2016). As avaliações foram feitas por um avaliador previamente treinado (Martim et al., 2016). Foi feita uma avaliação passiva da amplitude de movimento de rotação interna e externa do ombro três vezes durante cada partida, uma avaliação pré-partida, durante e após o término (Martim et al., 2016). Os resultados mostraram que, durante a partida de tênis, a amplitude de rotação interna passiva do ombro dominante diminuiu significativamente em comparação com o não dominante (Martim et al., 2016). Os nossos achados em praticantes de tiro de laço demonstraram uma amplitude articular de rotação interna significativamente menor no ombro dominante, ou seja, o ombro do gesto do arremesso de laço.

A escápula é de suma importância no ato de arremesso por ser o local de origem e inserção dos músculos estabilizadores (Kibler e Sciascia, 2010). Suas funções são promover estabilidade à articulação glenoumeral, promover o ritmo escapuloumeral, dissipar forças nas fases de desaceleração do arremesso, elevar o acrômio durante o movimento de armação e aceleração, transferir energia e velocidade na cadeia cinética e adquirir movimentos e posições apropriadas para facilitar a função do ombro (Kibler e Sciascia, 2010). Os déficits da função escapular causam ineficiências fisiológicas e biomecânicas e levam a uma função ineficaz do ombro, um desempenho pobre e agravamento para uma lesão no ombro (Kibler e Sciascia, 2010). A discinesia escapular leva a um desequilíbrio na ativação dos músculos estabilizadores da escápula que altera o ritmo escapuloumeral (Huang et al., 2014; Kibler et al., 2012a) A presença de lesões ósseas e lesões dos tecidos moles, bem como fraqueza muscular, pode alterar a função e posição de repouso escapular e/ou movimento dinâmico da escápula (Kibler e Sciascia, 2016).

Em nosso estudo, a prevalência de discinesia escapular encontrada nos praticantes de tiro de laço, em geral, foi de 32,6%. Ao se analisarem somente os praticantes com sintomatologia no ombro, a prevalência elevou-se para 38,9%. Esses achados vão de encontro a outros relatados na literatura. Burn et al. (2016) fizeram uma revisão de literatura na qual foram incluídos 12 estudos e foram analisados 1.401 atletas. Desses, 1.257 eram praticantes de esportes de arremesso e 144 não praticantes. A idade média foi de 24,4±7,1 anos (Burn et al., 2016). A discinesia escapular esteve presente em 61% dos atletas arremessadores e 33% dos não arremessadores (Burn et al., 2016).

Kawasaki et al. (2012) avaliaram 120 jogadores da liga masculina de rúgbi através de questionários e exame físico, inclusive teste de Neer, Hawkins, teste de assistência escapular e imagem de vídeo. A prevalência de discinesia, nesses atletas, foi de 32% (Kawasaki et al., 2012). A discinesia mais encontrada foi a do tipo III (Kawasaki et al., 2012). A discinesia foi também significativamente associada a desconforto no ombro (Kawasaki et al., 2012).

Uhl et al. (2009) relataram em um estudo com 56 indivíduos, 35 com lesão e 21 assintomáticos, que a prevalência de discinesia escapular foi quase idêntica em indivíduos com e sem dor no ombro e questionaram o valor clínico de assimetria escapular. Portanto, os médicos devem estar cientes de que algum grau de assimetria escapular é normal em alguns atletas não como sinal patológico, mas como adaptação à pratica esportiva (Uhl et al., 2009). Esses achados corroboram os nossos resultados, nos quais foi verificada apenas uma pequena elevação da prevalência de discinesia quando analisados apenas os praticantes de tiro de laço com sintomatologia no ombro.

Em relação à força muscular, verificamos uma diferença significativa menor no ombro arremessador em praticantes de tiro de laço sem sintomatologia no ombro. Diferentemente dos nossos achados, Cools et al. (2015) descreveram que atletas arremessadores exibem, frequentemente, adaptações específicas do esporte, o que leva a uma diminuição relativa da força de rotadores externos, com consequente desequilíbrio do manguito rotador. Citam também que o foco para avaliação mudou de isométrica e concêntrica para excêntrica dos rotadores externos, pois fazem o mecanismo desacelerador durante o arremesso (Cools et al., 2015). Clarsen et al. (2014) fizeram um estudo com 206 jogadores de elite de handebol da Noruega durante a temporada de 2011-2012. Nesse estudo, definiram que rotação glenoumeral reduzida, fraqueza de rotação externa e discinesia escapular são fatores de risco para lesões de ombro (Clarsen et al., 2014). A prevalência média de problemas no ombro durante a temporada foi de 28%, a prevalência de problemas substanciais definida por aquelas que levam à diminuição de participação ou desempenho do atleta foi de 12% e a prevalência de discinesia escapular foi de 8,41% dos atletas (Clarsen et al., 2014). Além de lesões, as quais levarão ao afastamento do atleta, a diminuição de seu desempenho também deve ser observada. Por isso, programas de prevenção de lesões devem ser incorporados para melhoria da função da articulação glenoumeral, da força e do controle escapular (Clarsen et al., 2014).

Este estudo apresenta diversas limitações que nos impedem de extrapolar os resultados. Devido a ser transversal, não mostra a relação causa-efeito do surgimento da discinesia ou da retroversão umeral na atividade esportiva em questão. Além disso, o fato de esses praticantes de tiro de laço fazerem outras atividades profissionais e/ou recreativas pode influenciar as variáveis de movimento, força e posicionamento articular. Fica clara a importância de novos estudos que abordem a avaliação da escápula e do ombro dessa população, que possibilitarão identificar alterações, estabelecer correlações e instituir programas preventivos e terapêuticos nessa população.

CONCLUSÃO

A retroversão umeral, caracterizada pela GIRD, está presente na articulação do ombro dominante de praticantes de tiro de laço. Os praticantes de tiro de laço demonstraram uma maior rotação externa e menor rotação interna do ombro que faz o gesto do arremesso de laço. A força dos rotadores internos desse mesmo ombro foi maior. Verificou-se uma alta prevalência de discinesia escapular nos praticantes de tiro de laço, especialmente em praticantes com sintomatologia no ombro.

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Recebido: 14 de Junho de 2017; Aceito: 15 de Março de 2019

*Autor correspondente: Marcelo Baptista Döhnert E-mail:mdohnert@hotmail.com

CONFLITOS DE INTERESSE

Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

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