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Ciência Rural

versão impressa ISSN 0103-8478

Cienc. Rural vol.22 no.1 Santa Maria jan./abr. 1992

https://doi.org/10.1590/S0103-84781992000100007 

TEMPERATURA CORPORAL, FREQÜÊNCIA CARDÍACA E RESPIRATÓRIA DO POTRO PURO SANGUE DE CORRIDA DO NASCIMENTO AO SEXTO MÊS DE IDADE1

 

BODY TEMPERATURE, HEART AND BREATH RATE OF THE THOROUGHBRED FOAL FROM BIRTH TO SIX MONTHS OF AGE

 

Inês Nicoloso Castro da Luz2 Flávio de La Corte2 Joaquin Lopez de Alda3 Carlos Antonio Mondino da Silva4

 

 

RESUMO

Cinqüenta e dois produtos Puro Sangue de Corrida (PSC), pertencentes a um estabelecimento localizado no município de São José dos Pinhais (PR), foram utilizados para a determinação de alguns parâmetros fisiológicos. Verificou-se a freqüência cardíaca e respiratória, assim com a temperatura corporal desde a primeira hora após o nascimento até os 180 dias de idade em horários e datas pré-determinadas. As freqüências cardíaca e respiratória decresceram após o sétimo dia de vida e a temperatura corporal oscilou entre 38,2 à 38,8°C. Concluiu-se que através do conhecimento desses valores fisiológicos para cada idade, o médico-veterinário terá bases mais sólidas para uma avaliação diagnostica mais segura.

Palavras-chave: potro, pediatria, freqüência cardíaca e respiratória, temperatura corporal, sintomas clínicos.

 

SUMMARY

Fifty-two thoroughbred foals, located at a stud-farm in São José dos Pinhais - PR, Brazil, were used to verify some physiological parameters. This paper represents the evaluation of body temperature, hearth and breath rate from birth through six months of age, at pre-stablished dates and schedules. Hearth and breath rate declined after the seventh day of age and body temperature ranged within 38.2 - 38.8°C, It is concluded that knowing such physiological aspects at different ages, the practioner would have more solid base for diagnose.

Key Words: foal, pediatrics, heart and breath rate, body temperature, clinical signs.

 

 

INTRODUÇÃO

De acordo com ROSSDALE & RICKETTS (1980) a capacidade de adaptação do potro recém-nascido ao meio extra-uterino está na dependência de determinadas modificações fisiológicas. Essas mudanças básicas são reconhecidas, principalmente, por variações nos movimentos pulmonares, na freqüência cardíaca, na temperatura retal e no quadro hematológico. A adaptação cardiopulmonar é a mudança mais marcante. A freqüência respiratória, nas primeiras horas após o parto eutócico, sofre redução rápida.

O mecanismo exato da termoregulação no potro é desconhecido, mas não é provável que seja fundamentalmente diferente de outras espécies homeotérmicas. As principais fontes de calor são os tremores e a atividade muscular que o potro exerce para se levantar, e, logo após, as tentativas de seguir a égua. O calor é perdido por radiação, condução, convecção e evaporação (ROSSDALE & RICKETTS, 1980).

O desenvolvimento futuro do recém-nascido debilitado depende dos cuidados a ele dispensados. Uma das mais importantes características do potro neonato é a tendência em, subitamente, alterar seu aspecto clínico saudável para um estado de apatia, indiferença e até morte. Assistência constante, observação intensiva e monitorização do potro, por pessoas treinadas, são fatores essenciais para um diagnóstico seguro e imediato, assim como para o tratamento em situações de risco para a égua ou ele próprio (KOTERBA et al, 1985).

Dados sobre as variáveis fisiológicas do potro do nascimento até o sexto mês de idade são escassas.

O objetivo deste trabalho foi a observação da freqüência cardíaca, respiratória e temperatura corporal de produtos PSC desde o nascimento até os seis meses de idade, estabelecendo os parâmetros fisiológicos neste período e nas nossas condições ambientais tornando possível realizar o diagnóstico e uma intervenção imediata.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Foram utilizados 52 potros da raça PSC colocados a disposição pelo Haras Santa Maria de Araras, localizado em São José dos Pinhais, Paraná.

As éguas e seus produtos foram acompanhados diariamente para constatação clínica de alguma anormalidade ocorrida desde poucas semanas antes do parto até seis meses pós-parto. A freqüência cardíaca, respiratória e a temperatura corporal foram avaliadas na 1ª, 3ª, 6ª, 12ª, 18ª e 24ª hora de vida, no 7°, 15° e 30° dia, e, posteriormente, a cada 30 dias até os seis meses de idade. As freqüências cardíaca (bpm) e respiratória (mrpm) foram avaliadas por auscultação durante um minuto, e a temperatura corporal foi verificada com termômetro clínico com escala em graus Celsius mantido no reto do animal no mínimo por dois minutos.

Os resultados foram submetidos a análise da variância, teste de comparação entre médias (Teste Duncan) e análise de regressão.

 

RESULTADOS

A tabela 1, expressa os resultados obtidos referentes a freqüência cardíaca, respiratória e temperatura corporal nos dias pré-determinados.

Na figura 1 observa-se que a freqüência cardíaca teve seu valor máximo de 122bpm na primeira hora de vida e decresceu gradualmente para 60,57bpm aos 180 dias de idade. Essa redução foi significativa (r2=0,47; P<0,01; = 99,226 - 0,274T).

 

 

De acordo com a figura 1 a freqüência respiratória mostrou oscilações de 44,93 a 60,27mrpm nas primeiras 24 horas e no 7° dia apresentou o valor de 56,66mrpm. Posteriormente houve um declínio até atingir 24mrpm aos 180 dias de idade. Esse declínio foi significativo (r2=0,16; P<0,01; = 48,72 - 0,16T).

A temperatura corporal, conforme se observa na figura 2, nas primeiras 24 horas variou de 38,2 a 38,5°C tendo uma elevação aos 30 dias (38,8°C) e posteriormente retornou a 38,2-38,3°C, respectivamente, aos 150 e 180 dias de idade. Esta variação, apesar de significativa, apresentou uma baixa correlação (r2=0,024; P<0,01; = 38,47 - 0,001T).

 

 

 

DISCUSSÃO E CONCLUSÕES

Doenças associadas ao trato respiratório são comuns e fatais no potro neonato, tornando-se importante uma avaliação precisa do sistema respiratório para um diagnóstico correio seguido de tratamento adequado (BEECH, 1985). O sistema cardiovascular deve, também, ser avaliado em potros com enfermidades respiratórias (KOSCH et al, 1984). Segundo KOTERBA et al (1985), a alteração do sistema cardiovascular, geralmente, é uma manifestação secundária a diferentes problemas, tais como desidratação, hipoglicemia, infecção bacteriana, toxemia e asfixia durante o parto, que determinam uma disfunção das células miocárdicas e endoteliais. As mal formações congênitas devem, também, ser consideradas.

O período de adaptação do neonato ao novo meio ambiente engloba os primeiros 4 dias após o parto, porque a é onde ocorrem as maiores variações fisiológicas, algumas associadas a sinais de mal ajustamento (ROSSDALE & RICKETTS, 1980). Quando se observa a curva de variação dos parâmetros aqui avaliados, verifica-se uma notável modificação nos seus valores nas primeiras 24 horas de vida, caracterizando este fenômeno o início da adaptação do recém-nascido ao novo meio.

De acordo com os resultados expressos na tabela 1 pode-se verificar que a freqüência cardíaca decresce nas primeiras seis horas de idade, corroborando os achados de DOARN (1987). No presente trabalho com a verificação da freqüência respiratória em diferentes idades notou-se que este parâmetro oscilou aproximadamente entre 45-60mrpm até o sétimo dia, e, logo após, entre o 15° e 180° dia foi decrescendo gradualmente apresentando como valores médios 24-40mrpm. KOSCH et al (1984), KOTERBA et al (1985) e KOTERBA (1990) descreveram que a freqüência respiratória logo após o parto é alta (60-80mrpm) e que em termos médios, varia entre 30-40mrpm.

Verificou-se que tanto a freqüência cardíaca como a respiratória, em produtos sadios, sofrem uma redução progressiva a partir da primeira semana até o sexto mês de vida. Já a redução observada na temperatura retal é mais discreta mas denota a mesma tendência, concordando com os achados de KLEIN (1985) e KOTERBA (1990).

Sugere-se que, devido alta incidência de problemas respiratórios em potros no período perinatal, e a sua capacidade de sofrer rápida alteração do estado clínico, especialmente com depressão, anorexia, taquicardia, taquipnéia, hipertermia e outros sinais, é fundamental a determinação de parâmetros fisiológicos, tais como esses aqui abordados, para cada clima e região.

O conhecimento da variação fisiológica desses parâmetros para o produto Puro Sangue de Corrida no período estudado poderá servir de base para a avaliação diagnostica de tantas alterações patológicas que comumente ocorrem do nascimento ao sexto mês de vida, principalmente as septicemias, que provocam uma modificação súbita no comportamento do potro e nessas variáveis, que, sendo conhecido no produto sadio, servirão de base para um diagnóstico precoce.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BEECH, J. Respiratory problems in foals. In: BEECH, J. The veterinary clinics of North America. Philadelphia: W. B. Saunders, 1985. v. 1, p. 131-149.         [ Links ]

DOARN, R.T., THRELFALL, W.R., KLINE, R. Umbilical blood flow and the effects of premature severance in the neonatal horse. Theriogenology, v. 28, n. 6, p. 789-800, 1987.         [ Links ]

KLEIN, L. Anesthesia for neonatal foals. In: BEECH, J. The veterinary clinics of North America. Philadelphia: W. B. Saunders, 1985. v. 1, p. 77-89.         [ Links ]

KOSCH, P.C., KOTERBA, A.M., COONS, T. J. et al. Developments in management of the newborn foal in respiratory distress 1: evaluation. Equine Vet J, v. 16, n. 4, p. 312-318, 1984.         [ Links ]

KOTERBA, A. M. Physical examination. In: KOTERBA, AM., DRUMMOND, W.H, KOSCH, P.C. Equine clinical neonatology. Philadelphia: Lea & Febiger, 1990. cap. 6, p. 71-83.         [ Links ]

KOTERBA, A.M., DRUMMOND, W.H., KOSCH, P. Intensive care of the neonatal foal. In: BEECH, J. The veterinary clinics of North America. Philadelphia: W. B. Saunders, 1985, v. 1, p. 3-31.         [ Links ]

ROSSDALE, P.D, RICKETTS, S.W. Equine stud farm medicine. 2 ed. London, Bailliere Tindal, 1980, 564p.         [ Links ]

 

 

1Financiado pelo Banco Bozano Simonsen S.A.

2Mestre, Médico Veterinário autônomo.

3Médico Veterinário Haras Santa Maria de Araras, São José dos Pinhais, PR.

4Médico Veterinário, Professor Titular, Doutor, Departamento de Clínica de Grandes Animais, Universidade Federal de Santa Maria 97119-900 - SANTA MARIA. RS.

Recebido para publicação em 17.10.91. Aprovado para publicação em 22.04.92.

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