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Revista Brasileira de Educação

versão impressa ISSN 1413-2478versão On-line ISSN 1809-449X

Rev. Bras. Educ. vol.22 no.69 Rio de Janeiro Abr./jun. 2017

https://doi.org/10.1590/s1413-24782017226916 

EDITORIAL

EDITORIAL

Antonio Carlos Rodrigues de Amorim1 

Carlos Bernardo Skliar2 

Cláudia Ribeiro Bellochio3 

Laura Cristina Vieira Pizzi4 

Marcelo Andrade5 

Marcus Levy Bencostta6 

Maria da Conceição Passeggi7 

Marília Gouvea de Miranda8 

1Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP, Brasil

2Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales, Cidade Autônoma de Buenos Aires, Argentina

3Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS, Brasil

4Universidade Federal de Alagoas, Maceió, AL, Brasil

5Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

6Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR, Brasil

7Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, RN, Brasil

8Universidade Federal de Goiás, Goiânia, GO, Brasil


Neste segundo número de 2017, a Revista Brasileira de Educação (RBE) apresenta a seu público leitor uma galeria de artigos preocupados em discutir temas e objetos de importância para o debate e a problematização de fenômenos educacionais próprios de nossa contemporaneidade.

Um tópico central recorrente nos periódicos da área educacional é aquele que versa sobre o trabalho docente. Trata-se de tema transversal em nossos campos de investigação que tem contribuído no amadurecimento de diferentes gerações de pesquisadores. Nesse caminho, a publicação deste número da RBE vem se somar a esse tema, apresentando artigos que tratam das interfaces entre trabalho docente e a formação de professores, o ensino de disciplinas escolares, as culturas de gênero, de pertencimento étnico e das infâncias, além dos estudos curriculares.

O primeiro é o artigo de Carmen Silvia da Silva Sá e Wildson Luiz Pereira dos Santos, intitulado "Constituição de identidades em um curso de licenciatura em química", cujo foco é discutir a formação do profissional químico concomitante à formação de professores para o ensino de química. Para a construção desse manuscrito, os autores valeram-se de teorias do campo da sociologia e dos estudos culturais que tratam da profissionalização docente, identidade e currículo, o que contribuiu para o desenvolvimento metodológico da análise textual discursiva de um conjunto de informações originárias de entrevistas realizadas com alunos e egressos do curso de química. O resultado é um interessante debate acerca de suas práticas curriculares perante a desvalorização social do magistério e o interesse dos estudantes pela carreira de professor de química. O artigo de Luana Costa Almeida, "As desigualdades e o trabalho das escolas: problematizando a relação entre desempenho e localização socioespacial", aborda o desempenho escolar em instituições de ensino público municipais localizadas na cidade de Campinas/SP e apresenta resultados acompanhados de relevantes significados que ajudam na compreensão do processo de escolarização, ligando-o a um conjunto diverso de relações, tal como o entorno social onde estão localizadas as escolas campineiras, questão que interfere diretamente nas realidades formativas. "Tudo isso que chamamos de formação estética: ressonâncias para a docência" é o titulo do artigo de Luciana Gruppelli Loponte. Valendo-se de teorias caras à filosofia, a pesquisadora convida o leitor a refletir acerca dos sentidos que o termo estética, relacionado à formação docente, assume nas recentes pesquisas educacionais. O resultado é um convite a (re)pensar a discussão sobre formação estética voltada para a docência.

Estudos nacionais e internacionais têm demonstrado que a escola contemporânea continua a reproduzir em seu espaço uma variedade de desigualdades, apesar das incessantes ações das políticas educacionais que lutam para minimizar essa reprodução, tão comum na sociedade extramuros escolar. A par desse debate, apresentamos um conjunto de artigos que propõe desafios necessários e eminentes à nossa comunidade de leitores. O primeiro, "A construção identitária nas aulas de educação física", de Marcos Vinicius Pereira Monteiro, investiga, com a realização de entrevistas com alunos e alunas do ensino médio, os significados acerca de temas como o masculino e o feminino, enquanto criações culturais, e as relações de gênero e de poder, relacionando-as com a contribuição que as aulas de educação física fornecem para a construção identitária desse grupo. Ao final, o autor propõe aos professores dessa disciplina desafios à reflexão de suas práticas pedagógicas e ao combate de posturas conservadoras que reafirmam a permanência de contradições sociais que inibem o questionamento das relações sociais na conformação de corpos dóceis.

Na sequência temos a pesquisa de Priscila Mugnai Vieira e Thelma Simões Matsukura, que em artigo denominado "Modelos de educação sexual na escola: concepções e práticas de professores do ensino fundamental da rede pública" explora diferentes interpelações adotadas por professores comprometidos com o ensino desse conteúdo. Seguindo nessa mesma competência investigativa, o ensaio assinado por Giovani Ferreira Bezerra, "A inclusão escolar de alunos com deficiência: uma leitura baseada em Pierre Bourdieu", deslinda como o sistema público de ensino brasileiro, pós década de 1990, ainda contribui para a permanência de ordens que colaboram na validação de desigualdades entre os agentes escolares. Ainda compondo esse bloco de discussões, temos o resultado da pesquisa de Lourdes de Fátima Bezerra Carril, cujo título, "Os desafios da educação quilombola no Brasil: o território como contexto e texto", expressa, assim como o desenvolvimento dos argumentos presentes na narrativa da autora, os enormes desafios que ainda necessitam ser superados elidindo as enormes diferenças étnicas e raciais da sociedade brasileira. Com o artigo "O formal, o não formal e as outras formas: a aula de física como gênero discursivo", as autoras Giselle Faur de Castro Catarino, Glória Regina Pessôa Campello Queiroz e Maria da Conceição de Almeida Barbosa-Lima utilizam do referencial de Mikhail Bakhtin para pensar as aulas de física como gênero discursivo, explicando benefícios e obstáculos gerados no cotidiano de professores que transitam nesses âmbitos de formação de práticas híbridas.

Uma característica da RBE é a publicação de pesquisas e ensaios que nos chegam do exterior. Compusemos para este número um conjunto de contribuições provenientes de Portugal e América Latina. A primeira é um artigo de Maria Gabriela Portugal Bento, "Arriscar ao brincar: análise das percepções de risco em relação ao brincar num grupo de educadoras de infância", que explora aspectos relacionados à experiência da puerícia portuguesa discutindo como as situações de risco contribuem para o desenvolvimento das crianças em seus momentos de brincadeira. Uma segunda colaboração lusitana é fruto da investigação de Ariana Cosme e Rui Eduardo Trindade. Com o artigo "A atividade curricular e pedagógica dos professores como fonte de tensões e dilemas profissionais: contributo para uma interpelação sobre a profissão docente", os autores optaram pelo caminho argumentativo que coloca em cena as atividades curriculares e pedagógicas a partir do exame de projetos que investigaram a atividade profissional docente no contexto da realidade educacional portuguesa. Outro artigo "Arquitectura de la Política Educativa Chilena (1990-2014): el currículum, lugar de la metáfora", de María Angélica Oliva, cujo cerne é analisar a relação do Marco Curricular Nacional e as Bases Curriculares Nacionais do Chile com a permanência da racionalidade técnica, herdeira da reforma educacional de 1965 daquele país. E, da Colômbia, "Pedagogía ambiental y didáctica ambiental: tendencias en la educación superior" é o título do artigo escrito por Julio César Tovar-Gálvez. Com essa investigação, o autor ocupou-se em discutir as vertentes curriculares adotadas em algumas universidades de Bogotá que tratam da educação ambiental e, ao final da leitura, encontramos um conjunto alternativo de modelos passíveis de serem adotados no ensino superior colombiano.

Encerramos mais um número da RBE com resenhas, sempre bem-vindas em nosso periódico. Desta vez, temos o texto que nos traz a análise do livro de Sales Augusto dos Santos: Educação: um pensamento negro contemporâneo. A obra trata-se, segundo a resenhista Rita de Cássia Moser Alcaraz, de leitura obrigatória para a compreensão da história do racismo contra a população negra brasileira.

Esperamos que esse novo conjunto de contribuições seja apreciado para fins de leitura e pesquisa aos investigadores, professores e pós-graduandos interessados em conhecer e aprofundar uma gama de resultados de pesquisa que destaca diferentes realidades da educação brasileira, latino-americana e lusitana.

Antonio Carlos Rodrigues de Amorim
Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP, Brasil
Carlos Bernardo Skliar
Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales, Cidade Autônoma de Buenos Aires, Argentina
Cláudia Ribeiro Bellochio
Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS, Brasil
Laura Cristina Vieira Pizzi
Universidade Federal de Alagoas, Maceió, AL, Brasil
Marcelo Andrade
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Marcus Levy Bencostta
Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR, Brasil
Maria da Conceição Passeggi
Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, RN, Brasil
Marília Gouvea de Miranda
Universidade Federal de Goiás, Goiânia, GO, Brasil
Rio de Janeiro, abril de 2017

Creative Commons License Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.