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Educação & Realidade

versão impressa ISSN 0100-3143versão On-line ISSN 2175-6236

Educ. Real. vol.45 no.2 Porto Alegre  2020  Epub 22-Jun-2020

https://doi.org/10.1590/2175-623699891 

SEÇÃO TEMÁTICA: ANTROPOLOGIA DA EDUCAÇÃO

Constelações Transnacionais de Cuidado e Educação: laços de crianças i/migrantes com famílias transfronteiras

IBoston College (BC), Boston/MA - Estados Unidos da América


Resumo:

Muitas vezes os pesquisadores educacionais se interessam pelas diferenças linguístico-culturais que os estudantes imigrantes trazem à escola, negligenciando a proeminência da cidadania legal e cultural para a formação da identidade e a participação em sala de aula. Além disso, em geral rotulam as crianças (i)migrantes como estudantes e aprendizes de língua inglesa ou, (mais raramente) bilíngues emergentes. Esta rotulação estreita dificulta evidenciar determinados aspectos das complexas vivências dos estudantes, com implicações importantes para a aprendizagem. Este artigo destaca evidências antropológicas para apresentar maneiras mais holísticas de representar e discutir as vivências de famílias imigrantes em um mundo globalizado. Este artigo questiona: como uma perspectiva antropológica sobre famílias transnacionais pode nos ajudar a compreender como a imigração modela a vida educacional das crianças? Assim, abordo como as constelações transnacionais de cuidado como abordagem metodológica contribuem para discussões continuadas sobre equidade e pertencimento em estudos no campo educacional.

Palavras-chave: Transnacional; Cuidado; Família; Educação; Crianças

Abstract:

Educational researchers often foreground the linguistic-cultural differences that immigrant students bring to school, overlooking the salience of legal and cultural citizenship for identity formation and classroom participation. Moreover, they usually frame (im)immigrant children as students and English language learners, or (more rarely) emergent bilinguals. This narrow framing obscures certain aspects of students’ complex experiences, with important implications for learning. This article leverages anthropological evidence to present more holistic ways of representing and discussing immigrant families’ experiences in a globalized world. This article asks: how can an anthropological perspective on transnational families help us understand how immigration shapes the educational lives of children? Thus, I address how transnational care constellations as a methodological approach contribute to ongoing discussions about equity and belonging in educational scholarship.

Keywords: Transnational; Care; Family; Education; Children

Introdução

Neste artigo, defendo que as vivências de crianças imigrantes brasileiras em sala de aula são modeladas por suas ideias e lembranças de família no Brasil. Mostro como as crianças em uma escola nos Estados Unidos estão constantemente relacionando sua vida atual neste país com sua história no Brasil. Além disso, este artigo reflete sobre os pais das crianças, pois se refere a laços familiares no Brasil. O cuidado é um traço definidor nas relações entre crianças, pais e avós transfronteiras. Assim, as constelações transnacionais de cuidado funcionam como o pano de fundo e o contexto para o modo como as crianças nestas salas de aula aprendem, discutem e compreendem o conteúdo. Este artigo é embasado em dados etnográficos coletados ao longo de dezoito meses em uma escola no nordeste dos Estados Unidos, onde um grande número crianças imigrantes brasileiras recém-chegadas se estabeleceram. A discussão das crianças sobre seus avós e seus pais distantes dentro das salas de aula reflete realidades que atravessam fronteiras físicas e emocionais; por meio destas narrativas, os estudantes resolvem questões relacionadas ao lugar ao qual pertencem como novos membros desta sociedade.

Imigração Brasileira para os Estados Unidos

A imigração de brasileira para os Estados Unidos começou nas décadas de 1930 e 1940, com músicos que viajavam do Brasil para os Estados Unidos (Andrade Tosta, 2005). Em 1945, o presidente brasileiro Eurico Gaspar Dutra instituiu medidas repressoras no Brasil, inclusive o fechamento de todos os cassinos. Por serem uma fonte de emprego para músicos e artistas, isso resultou na sua imigração para os Estados Unidos. A maioria destes imigrantes antes de 1960 era branca, pois os não brancos enfrentavam a discriminação; muitos eram do Rio de Janeiro (Davis, 2008).

Na década de 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, os americanos chegaram à cidade de Governador Valadares no estado de Minas Gerais, Brasil, para extração de mica e trabalho de desenvolvimento. Criou-se um contato próximo entre brasileiros e americanos. Os brasileiros desenvolveram uma imagem positiva da riqueza americana, levando a sua imigração para os Estados Unidos na década de 1960 (Andrade Tosta, 2004; Dantas DeBiaggi, 2002; Marcus, 2009; Siqueira, 2008). Esta relação inicial começou uma corrente de migração estável a partir de Governador Valadares, especificamente (Rubinstein-Avila, 2005; Siqueira; Lourenço, 2006).

Na década de 1960 teve início uma onda de imigração brasileira maior e mais ampla (Davis, 2008). Durante esta década, a maioria dos imigrantes brasileiros nos Estados Unidos pertencia à classe média ou alta (Siquiera, 2008; Marcus, 2011). Estes imigrantes escreviam cartas para casa relatando seu sucesso financeiro, o que levou mais pessoas a emigrarem do Brasil nas últimas décadas (Siqueira, 2008). Além disso, uma recessão econômica na década de 1980 e um declínio na mobilidade social da classe média estimulou a migração (Braga Martes, 2011). Devido aos baixos salários e à falta de emprego, brasileiros buscaram refúgio econômico nos Estados Unidos (Siqueira; Lourenço, 2006). Durante a década de 1980, a população brasileira nos Estados Unidos duplicou, tendo triplicado na década de 1990. É importante observar que 59% dos imigrantes brasileiros chegaram aos Estados Unidos antes de 2000 (Blizzard; Batalova, 2019).

Depois dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, houve maior pressão para deportar imigrantes dos Estados Unidos e disseminar o medo de deportação entre eles (Braga Martes, 2011). Este controle dificultou a obtenção de visto para os brasileiros viajarem aos Estados Unidos (Margolis, 2008; Braga Martes, 2011). A maioria dos brasileiros que vem para os Estados Unidos o faz com um visto, em geral de turista (Blizzard; Batalova, 2019). Entretanto, os brasileiros se tornam indocumentados quando permanecem além da validade do visto e começam a trabalhar nos Estados Unidos (Joseph, 2011; Lotufo, 2017; Blizzard; Batalova, 2019). Devido à crescente dificuldade de garantir um visto a partir de 2001, mais imigrantes tentaram entrar nos Estados Unidos viajando através do México, o que limita significativamente o número de brasileiros que chegam e os expõe a riscos muito maiores.

Uma proporção significativa da população nascida no Brasil que vive nos Estados Unidos é indocumentada. De acordo com os números do censo dos Estados Unidos, aproximadamente 450.000 imigrantes brasileiros residiam no país em 2017. Entretanto, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil estima que quase três vezes mais brasileiros vivam nos Estados Unidos, sugerindo que um grande número de brasileiros neste país seja indocumentado1. Olhando especificamente para Massachusetts, Siqueira (2008) observa que, de sua amostra de 141 imigrantes brasileiros, 57,4% eram indocumentados, 20,6% tinham green card [visto permanente de imigração] e 14,9% eram cidadãos norte-americanos. Ela também observa que a maioria dos brasileiros que era documentada era formada por aqueles que estavam há mais tempo nos Estados Unidos (Siqueira, 2008). Na região de Boston, a maior parte dos imigrantes brasileiros é de primeira geração, indocumentada e com um forte vínculo com o Brasil (Siqueira; Lourenço, 2006).

As pessoas indocumentadas que vivem nos Estados Unidos receiam constantemente a exposição e a deportação; seu status também influencia sua mobilidade. A deportação de brasileiros indocumentados aumentou de 1.413 em 2017 para 1.691 em 2018; os brasileiros foram o sexto maior grupo de cidadãos removidos dos Estados Unidos2. Se uma família sair dos Estados Unidos para uma viagem temporária, poderá não conseguir retornar se for descoberto que tinha permanecido indocumentada no país. Da mesma forma, se um imigrante brasileiro tentar retornar aos Estados Unidos com um visto e um passaporte válidos, pode ter sua entrada negada se for descoberto que tinha estado previamente indocumentado no país (Margolis, 2008). Isto cria um problema de sentir-se encurralado nos Estados Unidos: se os imigrantes brasileiros forem indocumentados, ficam cada vez mais preocupados em precisar sair dos Estados Unidos e não conseguir retornar. Este medo aumentou especialmente desde 11 de setembro de 2001. Por este motivo, muitos imigrantes brasileiros acabam faltando a eventos familiares importantes no Brasil e podem sentir que perderam seu lugar (Margolis, 2008). Por isso, muitos imigrantes brasileiros de segunda geração cujos pais são indocumentados não sabem muito sobre o Brasil. Devido ao status de seus pais como indocumentados, estas crianças não visitam o Brasil com frequência e, portanto, aprendem sobre seu país a partir daquilo que sua família lhes conta ou do que encontram na Internet (Braga Martes, 2011).

Marco Conceitual: constelações transnacionais de cuidado

Em astronomia, uma constelação é um padrão reconhecível de estrelas que tem limites oficiais e uma designação oficial. A União Astronômica Internacional explica durante a história humana e através de muitas culturas diferentes, nomes e histórias míticas foram atribuídos aos padrões estelares no céu noturno e, com isso, originando o que conhecemos como constelações.

Diversos estudiosos adotaram a noção de constelação em seus trabalhos sobre migração. Em seu estudo, Dreby (2007) usou a ideia das constelações para descrever mudanças na dinâmica familiar entre pai/mãe, filho e cuidador. Desenvolvo mais o conceito ao colocar os cuidadores no centro e enfocar como o cuidado atravessa terrenos transnacionais e como influencia as crianças nos Estados Unidos. O cientista político Rainer Baubock (2010, p. 848) propõe o termo constelação de cidadania para denotar uma estrutura em que “[…] os indivíduos são simultanea(mente) vinculados a diversas entidades políticas, de modo que seus direitos e deveres legais sejam determinados não apenas por uma autoridade política, mas por várias”. Seguindo a mesma linha, proponho que crianças e cuidadores têm vínculos e que as relações que desenvolvem são determinadas não apenas por interações entre elas e as pessoas com quem vivem, mas também por aqueles que estão longe, que imaginam ser de determinada maneira. As constelações transnacionais de cuidado tornaram-se minha unidade de análise por examinar como o cotidiano acontece transfronteiras. Assim, na medida em que compreendemos o cotidiano das crianças imigrantes como parte das constelações transnacionais de cuidado, professores e educadores podem melhor conceituar as crianças imigrantes em suas salas de aula como sendo mais do que aprendizes da língua.

Marco Teórico: vida familiar transnacional

Nesta seção, utilizo o marco da vida familiar transnacional. Famílias transnacionais são unidades familiares em que um ou mais membros vivem fora de uma fronteira nacional. Este conceito marca a discussão presente neste artigo de como pais e filhos compreendem quanto cuidam de membros desta constelação fora do território. Embora eu utilize aqui o conceito de constelações transnacionais de cuidado, é importante revisar como outros autores pensaram da mesma forma por meio do marco de famílias transnacionais para compreender o cotidiano das pessoas.

Os autores em transnacionalismo têm defendido que a distância força uma redefinição de família nuclear quando alguns membros migram. Bryceson e Vuorela (2002, p. 3) explicam que as famílias transnacionais “[…] vivem algum tempo, ou a maior parte do tempo, separadas uns dos outros, ainda se mantêm unidas e criam algo que pode ser considerado como um sentimento de bem-estar coletivo e unidade, isto é, ‘sentimento de família’, mesmo entre fronteiras nacionais”. Em geral, estas famílias têm múltiplas identidades relacionadas ao lugar onde cada membro morava no passado. Os membros da família estendida tendem a se envolverem mais com a vida familiar e, às vezes, irmãos mais velhos podem assumir papéis maternos ou paternos. Além disso, estas famílias transnacionais precisam se esforçar mais para construir sua comunidade familiar, pois não têm interações diárias. Embora as famílias que migraram recentemente possam ter um forte vínculo com sua região natal, muitas vezes utilizam redes locais em seus novos lares para aprender sobre moradia e emprego e como formar um senso de comunidade. Bryceson e Vuorela (2002, p. 30) acrescentam que a identidade de famílias transnacionais está em constante modificação, pois seu “[…] senso de lugar está sendo continuamente reformulado por sua dispersão de localização”. Os imigrantes brasileiros nesta pesquisa, crianças e adultos, compreendem ativamente o pertencimento e o cuidado transfronteira. Assim, embora, o senso de lugar tenha se modificado, seu entendimento de família permanece.

Famílias transnacionais também envolve um repensar de práticas familiares, pois os familiares vivem em países diferentes e não conseguem se encontrar por longos períodos de tempo (Reynolds; Zontini, 2014). Entretanto, há um senso de resiliência nestas famílias, como “[…] ao invés de se fragmentar ou desintegrar em consequência da migração, as relações familiares simplesmente se transformam e são reconstruídas de novas maneiras” (Reynolds; Zontini, 2014, p. 256). Além disso, para estas pessoas, família pode incluir membros mais distantes e companheiros, pais, filhos, tios-avós, avós, sobrinhos e primos (Boehm, 2012). Muitas vezes estas relações apoiam a migração, pois as pessoas migram com família ou para apoiar a família que ficou no país natal (Boehm, 2012). No exemplo dos participantes desta pesquisa, os avós no Brasil são mantidos em suas interações diárias na escola.

Apesar de há muito tempo a remessa de dinheiro ser a principal peça que ligam imigrantes e suas famílias, há autores que descreveram outras conexões que resultam das remessas. Ao examinar a migração de salvadorenhos para os Estados Unidos, Abrego (2009) enfatiza a importância das remessas para estas famílias transnacionais. Observa que os pais migram para os Estados Unidos em busca de emprego e melhores salários para ajudar seus filhos. Muitas vezes estas famílias transnacionais enviam um ou mais membros do núcleo familiar para trabalhar no exterior e para enviar remessas financeiras (Abrego, 2009). Entretanto, com frequência existe uma diferença entre a remuneração recebida por homens e mulheres migrantes. Abrego (2009) descobriu que as mulheres imigrantes salvadorenhas eram exploradas no trabalho e tinham ganhos baixos e instáveis, enquanto os homens passavam por uma mobilidade ascendente em seu trabalho. No entanto, ao enviar dinheiro para El Salvador, as mães “[…] eram não apenas remetentes mais confiáveis do que os pais, mas enviavam percentagens maiores de seus ganhos, muitas vezes permitindo que famílias distantes da mãe desfrutassem de maior bem-estar econômico do queas famílias distantes do pai” (Abrego, 2009, p. 1077). Com este dinheiro, as mães conseguiam pagar alimentação, escola e outras despesas relacionadas à educação. O fato de as mães enviarem dinheiro de maneira mais constante do que os pais é resultado das expectativas sociais da mãe como abnegada, colocando o bem-estar de seus filhos acima do seu (Abrego, 2009).

Em seu estudo de filhos adultos jovens em famílias transnacionais nas Filipinas, Parreñas (2005) acrescenta informações a nossa compreensão de maternidade transnacional. Naquele país, embora mais mulheres tenham se incorporado à força de trabalho, ainda têm expectativas domésticas no lar; em consequência, quando as mães migram, os pais não aumentam o número de tarefas domésticas. Em geral, a filha mais velha assume as responsabilidades da casa quando a mãe migra, e a mãe mantém laços próximos com os filhos transfronteira. Parreñas (2005, p. 256) observa que, “[…] enquanto os homens rejeitam o trabalho de cuidar de perto da família, as mães migrantes continuam responsáveis por assegurar tanto a segurança econômica como emocional de seus filhos”.

As avós também assumem um papel importante ao cuidar de famílias transnacionais. Em famílias nicaraguenses, em geral as avós tomam conta de seus netos quando as mães migram. Desta maneira, as avós participam social, cultural e emocionalmente da vida familiar transnacional, embora não atravessem a fronteira (Yarris, 2014). Entretanto, muitas destas avós observam que se sentem inseguras com o futuro da vida de suas famílias, dada a migração da mãe. Nestas famílias, a migração transnacional “[…] perturba ideais culturais de solidariedade e companheirismo na vida da família nicaraguense” (Yarris, 2014, p. 494). Estas avós consideram a migração transnacional como interferência nas expectativas familiares típicas.

Entre migrantes hondurenhos para Massachusetts, remessas e telefonemas são maneiras usuais de os pais continuarem envolvidos com a vida de seus filhos (Schmazalbauer, 2008). Com frequência os pais apoiam seus filhos ao ensinar-lhes a importância da educação e que nem sempre a vida é fácil. Estas crianças aprendem a se adaptar a uma relação com seus pais baseada em telefonemas. Além disso, muitas crianças acham que esta separação é provisória, o que facilita lidar com ela (Schmazalbauer, 2008). Quando os familiares migrantes enviam remessas para casa àqueles que permanecem em Honduras, a família consegue se envolver em mais atividades de classe média, enquanto antes tinham um status socioeconômico mais baixo (Schmazalbauer, 2008). Os filhos que ficaram em Honduras observam que suas vidas melhoraram com o recebimento de remessas de seus pais (Schmazalbauer, 2008).

A comunicação entre familiares transnacionais também é um tópico importante a investigar. Em um estudo de mulheres filipinas que trabalham no Reino Unido, foi observado que utilizam diferentes tecnologias para diferentes tipos de comunicação (Moleiro; Madianou, 2012). Enviam mensagens de texto para familiares para uma conformação rápida, utilizam uma câmera web para cantar para seus filhos e fazem até mesmo chamada por vídeo através de um laptop para participar de um funeral na terra natal (Moleiro; Madianou, 2012). Este aspecto de polimídia é fundamental para compreender a comunicação familiar transnacional no mundo moderno (Moleiro; Madianou, 2012). A tecnologia também pode ajudar os migrantes a formar redes sociais em seus novos lugares. Ao viver em um novo país, muitos destes migrantes formam conexões e um senso de comunidade com outros migrantes (Nagasaka; Fresnoza-Flot, 2015).

Fazer parte de uma família transnacional também pode afetar os relacionamentos íntimos. Muitas vezes existem diferenças culturais entre o país natal e o novo país de residência, levando a algumas frustrações. Por exemplo, para alguns migrantes mexicanos, os homens podem achar que a migração limita seu poder doméstico, enquanto as mulheres consideram que limita seu poder de controlar os filhos (Hirsh, 2003). Os relacionamentos entre pais e filhos também são profundamente afetados pela migração. É muito comum que, em famílias transnacionais, os filhos sejam os últimos a se mudarem para o exterior porque os pais podem estar preocupados com perigos e custos (Heidbrink, 2014; Dreby, 2007). Estas crianças podem se afastar emocionalmente de seus pais e sentirem falta de afeto. Ao examinar filhos deixados para trás no México, as crianças pequenas identificavam ter múltiplos pais e mães porque têm seus cuidadores no México e os próprios pais no exterior (Dreby, 2007). Entretanto, entre crianças maiores, frequentemente existe mais ressentimento em relação aos pais, pois compreendem mais a situação. Às vezes, isto pode levar a dificuldades comportamentais e escolares para estas crianças, e podem até mesmo abandonar a escola (Dreby, 2007).Assim, é neste marco teórico de famílias transnacionais e constelações transnacionais de cuidado que este artigo mostra as pouco estudadas maneiras como escolares e seus pais compreendem suas posições dentro de suas famílias transnacionais. Na revisão anterior, os autores exploraram em detalhes os diferentes efeitos da vida em família no modo transnacional. Entretanto, a literatura carece de maneiras como as crianças em idade escolar discutem suas experiências transnacionais e trazem para a conversa familiares em seu país natal no contexto de cuidadores.

Método

Os dados para este artigo derivam de um projeto de pesquisa etnográfica maior sobre como filhos, pais e professores encontram seu caminho em meio às complexidades culturais relacionadas à imigração brasileira em uma escola pública do 1º ao 5º ano em uma cidade do nordeste de Massachusetts, Estados Unidos. As fontes de dados no projeto maior incluem: anotações de campo a partir de observações quinzenais em sala de aula (500 horas); entrevistas múltiplas com seis professores, treze funcionários e vinte e dois estudantes e seus pais; visitas domiciliares para estudantes-foco (vinte e dois); visitas à igreja; consultas médicas; reuniões na prefeitura; consultas com advogados; consultas como fonoterapeutas; e observações de eventos escolares e sessões de formação de funcionários (catorze eventos). Além disso, o estudo inclui dados de desempenho escolar dos estudantes, desenhos e outros artefatos produzidos por eles, e informações coletadas por meio de três questionários quantitativos.

Para este artigo, embasei-me fundamentalmente em entrevistas e observação participante com crianças brasileiras imigrantes e seus pais para compreender como sua estrutura familiar transnacional contribui para sua experiência em sala de aula em uma escola nos Estados Unidos. As observações incluíram eventos e reuniões escolares, inclusive para arrecadação de fundos, eventos de feriados para os pais, reuniões de organização entre pais e professores, e reuniões de pais com professores. Todas as observações foram registradas por escrito e/ou em áudio e transcritas dentro de dias após a visita.

O Espaço da Escola e da Sala de Aula

Nesta seção, por meio do uso de dados, este artigo mostra como as crianças conectam o espaço da escola e da sala de aula com suas famílias transnacionais no Brasil. Estas conexões são espontâneas e mostram a intencionalidade na compreensão de identidade e pertencimento das crianças. Embora a aquisição da língua e o status da linguagem sejam maneiras fundamentais de categorizar estudantes imigrantes nas escolas, nos dados a seguir demonstro qualitativamente como os laços familiares transnacionais são evidentes no espaço da sala de aula e, assim, como as crianças imigrantes são mais do que a língua que falam. As crianças pensam em seus avós como figuras proeminentes em suas vidas, mesmo à distância. Além disso, os pais refletem sobre a direcionalidade do cuidado em relação aos seus parentes. Cuidar dos filhos nos Estados Unidos, mas cuidar de seus próprios pais ocorre transfronteiras, de maneira transnacional. As constelações transnacionais de cuidado nos ajudam a compreender quão multidirecionais são estas relações e, por sua vez, como filhos, pais e avós fazem parte da unidade de uma família.

Eu penso na minha vó

As crianças nesta pesquisa falavam de seus avós. Conectavam o currículo e as canções que aprendiam na escola com o cuidado que vivenciaram no Brasil. As crianças traziam espontaneamente que sentiam saudade de seus avós e que pensavam neles como cuidadores. Assim, os avós no Brasil faziam parte desta constelação transnacional do cuidado que transcendia fronteiras e surgia dentro da sala de aula nos Estados Unidos. Tanto as crianças como seus pais vinculavam os avós no Brasil ao cuidado e ao amor que sentiam nos Estados Unidos. As constelações transnacionais de cuidado são uma estrutura importante para professores e funcionários nas escolas refletirem para que consigam compreender melhor as experiências das crianças na educação.

Foram observadas mais de sessenta crianças brasileiras ao longo de dezoito meses de trabalho de campo. Cada criança mencionou diversas vezes um membro de sua família no Brasil quando falavam de suas famílias. Entretanto, os avós se destacavam como parte importante da narrativa dentro da sala de aula. Bruna, seis anos de idade, estava escrevendo palavras em português como parte de uma tarefa de casa que a professora tinha solicitado. O pedaço de papel tinha a figura de uma mala para que colorisse e escrevesse uma sentença sobre ela. Enquanto estava colorindo, Bruna disse: Só de ver a mala eu me lembro da minha vó. Bruna continuou a explicar que tinha escutado de seu pai que a avó tinha recebido um passaporte e que conseguiria visitá-la na América. Os pais de Bruna, Antonio e Ludmilla, me contaram que a mãe de Antonio não conseguiria vir aos Estados Unidos porque não conseguiu solicitar o visto. Mais tarde, Bruna me disse, ela também não pode vim porque a gente tá aqui ilegal. Perguntei a Bruna do que ela sentia mais falta em relação a sua avó, que ela não via há três anos, e ela explicou: ela cuida da gente, faz comidinha, me dá bolo, ajuda em tudo, minha vózinha!

Outra criança, Camilo (7) também falava sobre sua avó em sala de aula. Minha vó é a melhor vó do mundo, ela me deixa comer no meu quarto, ela mora no Brasil, mas eu moro aqui. Camilo chegou aos Estados Unidos quando tinha quatro anos de idade. Três anos depois, quando começou o segundo ano do ensino fundamental, sua narrativa de cuidado e de amor continua a estar vinculada a sua história no Brasil com sua avó. Camilo mencionava sua avó materna com frequência quando os amigos falavam sobre comer doces, brincar e ter animais de estimação. Ela me deu um cachorrinho lá na minha casa do Brasil e ela me ensinou a cuidar dele. Assim como Bruna, Camilo mencionava interações cotidianas de cuidado e aprendizagem com sua avó. Os relatos sobre os avós no Brasil eram comuns entre crianças pequenas, conforme é exemplificado por este diálogo em sala de aula:

Patrícia (7): Onde você mora, tia?

Pesquisadora: Eu moro aqui perto em uma cidade chamada Elliott.

Patricia: Eu estava lá no Brasil e agora aqui!

Bruna: Eu também! Mas eu morava na casa da minha vó!

Patrícia: Eu morava pertinho da minha vó! Eu sempre comia na casa dela…

Pedro: A minha vó morava comigo! Eu chamava ela de mãevó!

(Risada)

Enquanto as crianças conversavam sobre a intensidade com a qual vivenciaram a proximidade física com suas avós, também reconheciam que já não tinham aquela proximidade física. Carlos (sete anos de idade) foi enfático ao descrever a distância entre ele e sua avó: Quando você for no Brasil, visita minha vó, tá? É por ela que a gente está aqui! Carlos tinha chegado aos Estados Unidos apenas quatro meses antes do começo das aulas em setembro. Era oriundo de uma área rural do estado de Minas Gerais e, de acordo com ele, minha vó fez muito por nós agora nós fazemos por ela. Carlos, juntamente com seus colegas, expressava uma narrativa que se alinhava profundamente com o que seus pais falavam sobre dever, gratidão e cuidado transnacional. Assim, embora crianças como Cecília, 6 anos de idade, explicasse que sempre pensava em sua avó e em seu avô quando cantava canções em português na sala de aula, outras, como Carlos, diziam que sentiam saudade da avó, mas falavam sobre o motivo por trás da migração no começo.

Laços Familiares

Kris, mãe de Cecília, disse a respeito da relação da filha com o pai: Eu penso como eu não posso cuidar dele porque eu não estou lá, mas eu estou dando a melhor educação para as minhas filhas e o melhor futuro. Kris reflete sobre seus próprios parentes nos dois lados do hemisfério e justifica suas escolhas em voz alta. Cuidar é tentar dar para suas filhas o melhor começo de vida possível. Estar fisicamente distante de seus próprios pais, avós de Cecília, tem uma finalidade clara: é pela educação de suas filhas. Esta narrativa é comum na casa de Cecília. Kris e Cecília, ao lado de sua irmã mais velha, Gabriela, falam abertamente sobre o sentimento de saudade dos avós. Chegaram aos Estados Unidos em 2017, conseguiram um visto de turista e ultrapassaram o período e validade no país. Atualmente, Kris está tentando se matricular em uma instituição de ensino para que possa solicitar um visto de estudante. Kris trabalha como faxineira e secretária em um centro local para a vida familiar. É ativa em sua igreja e atualmente é voluntária como representante dos pais na turma de sua filha. Kris explica: eu não vou ser parte daqui da América. Mas as meninas vão… a minha família, tipo meu pai minha mãe tão no Brasil… mas a família que eu tento criar está aqui.

Kris, juntamente com outros doze pais entrevistados, descreviam um misto de dever e gratidão para com sua constelação transnacional. Viemos para cá por nossos filhos, mas deixamos nossos pais para trás, explicou Ana, uma brasileira imigrante mãe de dois meninos. O senso de dever era ilustrado não apenas pelas tentativas de remeter dinheiro para casa, mas também pela constante comunicação com a família no Brasil. WhatsApp e Facebook eram usados diariamente. Grupos com doze a quinze pessoas formavam os bate-papos familiares nomeados por pais brasileiros imigrantes.

Arielle está em constante comunicação com sua mãe no Brasil. Todos os dias ela grava múltiplas mensagens em áudio via WhatsApp. Algumas mensagens de áudio duram mais do que alguns minutos de cada vez e Arielle faz questão de me mostrar como ela precisa baixar as mensagens para escutá-las. As narrativas dos pais brasileiros imigrantes nos Estados Unidos estão profundamente vinculadas a noções da gratidão e cuidado que ultrapassam as fronteiras que podem dividir Brasil e os Estados Unidos. Arielle refletia, consigo estar aqui cuidando de minha filha e dando a melhor oportunidade possível para ela porque meus pais me ensinaram o valor da educação e me ajudaram com Jessy quando ela nasceu… não é porque eles estão longe que não fazem parte da vida dela. Jessy, que recém tinha completado 7 anos, se preocupa com sua mãe e sua avó, sei que estamos aqui ainda ajudar em casa… mas minha vó ficará brava se eu não aprender!

A estrutura da família modela as conversas dos pais imigrantes brasileiros e seus filhos a respeito de cuidado, dever e gratidão em torno de suas constelações transnacionais de cuidado. Estas constelações ou estruturas atravessam fronteiras nacionais e existem tanto emocional como digitalmente. Quando Cecília, Jessy, Carlos, Bruna e Camilo estão desenvolvendo seu senso de pertencimento transnacional dentro e fora de sua sala de aula, o senso de dever e cuidado de seus pais é multidirecional.

Conclusão

Este artigo procurou mostrar como crianças brasileiras imigrantes constroem suas vivências em sala de aula em conexão com suas famílias no Brasil. Também demonstrou como os pais posicionam seus próprios pais (avós dos filhos) nestas constelações transnacionais de cuidado. Estas constelações nos ajudam a mapear como as crianças constroem um senso de pertencimento em sala de aula. Também contribuem para nossa compreensão de como os pais pensam a respeito de seu próprio senso de dever relacionado ao cuidado. Defendi que as crianças pequenas compreendem de maneira ativa sua vida nos Estados Unidos como profundamente ligada ao Brasil. Este achado é crucial ao compreender experiências de crianças imigrantes em escolarização. Embora a literatura sobre famílias transnacionais enfoque em grande medida a estrutura da unidade familiar, neste artigo defendi que as escolas são espaços primordiais para entender como as crianças constroem sua identidade transnacional. Nesta pesquisa, pais e filhos demonstraram um forte senso de cuidado transnacional e de pertencimento, ilustrado por sua construção de laços familiares. Fica evidente nestes achados a clara relevância dos avós como personagens centrais nestas constelações do cuidado. Pais e filhos compreenderam os avós no Brasil como tendo um papel tanto em sua criação como em seu imaginário. Conforme exemplifica o desenho abaixo, as narrativas que as crianças têm do Brasil como lar vêm unidas a ideias sobre suas constelações familiares. Como os pesquisadores apontaram, as famílias transnacionais criam vínculos que cruzam limites nacionais. Entretanto, me somo a esta literatura ao insistir que redesenhamos o que uma família transnacional parece ser ao nos depararmos com o conceito de constelação transnacional do cuidado. Neste caso, pais e filhos nos Estados Unidos e avós no Brasil transformam-se na constelação e a unidade da análise a ser observada. Os pais nos Estados Unidos também são filhos de alguém. Assim, o cuidado multidirecional que os pais encarnam nos Estados Unidos fica aparente para seus próprios filhos. Meu objetivo neste artigo era duplo: primeiro mostrar através da literatura sobre famílias transnacionais como as famílias brasileiras imigrantes vivenciam a separação. Em segundo lugar, ilustrar como as crianças dentro de salas de aula usam o espaço onde falam em português para discutir seus laços e lembranças dos avós no Brasil. Há bastante tempo o campo da antropologia e da educação valoriza o espaço da escola como um espaço etnográfico. O campo também permitiu que nós, etnógrafos, escutássemos ativamente as crianças imigrantes e priorizássemos suas vivências e relações transnacionais, ao invés de seu rótulo como Aprendizes de Língua Inglesa nas escolas. Este estudo nos deu esta oportunidade: ir além de entendimentos redutores de crianças imigrantes em escolas como estudantes da língua inglesa. As crianças imigrantes, quando na escola, mantêm, reforçam e desafiam ideias do que é uma unidade familiar. Fazem isto ao estabelecerem conexões transnacionais por meio de lembranças e do imaginário. Além disso, este artigo contribui com possíveis ideias para desenvolvimento de currículo e pedagogias de ensino em sala de aula.

Fonte: Desenho de Leila, 6 anos de idade, e foto de Gabrielle Oliveira

Figura 1 ‘O Brasil para mim’ 

Referências

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Notas

1Ver também: <https://library.brown.edu/create/fivecenturiesofchange/chapters/chapter-9/brazilians-in-the-u-s/>.

2Disponível em: <https://www.reuters.com/article/us-usa-immigration-brazil-exclusive/exclusive-brazil-facilitates-deportation-of-its-nationals-after-u-s-pressure-idUSKCN1VG1PL>.

Traduzido do inglês por Ananyr Porto Fajardo

Recebido: 21 de Novembro de 2019; Aceito: 27 de Janeiro de 2020

Gabrielle Oliveira é professora assistente no Boston College. ORCID: http://orcid.org/0000-0001-7160-6593 E-mail: gabrielle.oliveira@bc.edu

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