Representações sociais de professores sobre diversidade sexual em uma escola paraense

Teachers' social representations on sexual diversity in a school paraense

Representaciones sociales de profesores sobre diversidad sexual en una escuela paraense

André Luiz Machado das Neves Klaudia Yared Sadala Iolete Ribeiro da Silva Elizabeth Teixeira Darlisom Sousa Ferreira Fabiane Aguiar Silva Sobre os autores

Resumo:

A pesquisa teve como objetivo identificar e analisar as representações sociais de professores sobre diversidade sexual considerando-se a Teoria do Núcleo Central. A coleta de dados foi pela Técnica de Associação Livre de Palavras, da qual participaram 50 professores de uma escola pública. Os dados foram analisados a partir do quadro de quatro casas construídos pelo software EVOC2003: centrais, intermediários, contrastes e periféricos. As análises apontaram que os sujeitos apresentam uma estrutura representacional que contempla a Diversidade Sexual determinada pelas cognições Respeito e Liberdade, que são os elementos centrais. Os intermediários foram: "Homossexualismo", "Opção Sexual" e Preconceito. Os de contrastes foram: Aceitação, Direitos Humanos, Família e Igualdade e os periféricos foram: Bissexual, Diferente, Heterossexual, Tipos de Atos Sexuais e Transexual. Os dados indicam que há dois grupos de professores em condições diferentes, os que já são mais tolerantes quanto à diversidade sexual e os que ainda não chegaram a essa condição.

Palavras-chave:
Representação social; orientação sexual; professores

Abstract:

This research aimed to identify and analyze the social representations of teachers on sexual diversity by the Central Nucleus Theory. Data collection was by Free Association Technique words, attended by 50 teachers of a public school. Data were analyzed from four-frame houses built by EVOC2003 software: central, intermediate, contrasts and peripherals. The analyzes showed that the subjects have a representational structure that includes the Sexual Diversity determined by cognitions Respect and Freedom, which are the core elements. Intermediaries were: Homosexuality, Sexual Orientation and Prejudice. The contrasts were: Acceptance, Human Rights, Family and Equality and peripherals were: Bisexual, Other, Straight, Types of Acts Sexual and Transexual. The data indicate that there are two groups of teachers in different conditions, which are already more tolerant of sexual diversity and those who have not yet come to this condition.

Keywords:
Social representation; sexual orientation; teachers

Resumen:

La investigación tuvo como objetivo identificar y analizar las representaciones sociales de profesores sobre diversidad sexual considerándose la Teoría del Núcleo Central. La colecta de datos fue por la Técnica de Asociación Libre de Palabras, de la cual participaron 50 profesores de una escuela pública. Los datos fueron analizados a partir del cuadro de cuatro casas construidos por el softwareEVOC2003: centrales, intermediarios, contrastes y periféricos. Los análisis apuntaron que los sujetos presentan una estructura representacional que contempla la Diversidad Sexual determinada por las cogniciones Respeto y Libertad, que son los elementos centrales. Los intermediarios fueron: Homosexualidad, Opción Sexual y Prejuicio. Los de contrastes fueron: Aceptación, Derechos Humanos, Familia e Igualdad y los periféricos fueron: Bisexual, Diferente, Heterosexual, Tipos de Actos Sexuales y Transexual. Los datos indican que hay dos grupos de profesores en condiciones diferentes, los que ya son más tolerantes cuanto a la diversidad sexual y los que todavía no llegaron a esa condición.

Palabras-clave:
Representaciones sociales; orientación sexual; profesores

Introdução

A diversidade sexual está em discussão pelas autoridades educacionais e pela sociedadeNo atual contexto educacional, a transversalidade de temas voltados à sexualidade é uma proposta que implica um processo de estreita inter-relação entre os componentes curriculares. Encontra, por outro lado, dificuldade de aplicabilidade diante da vivência pedagógica da maioria das instituições escolares do país (Junqueira, 2009Junqueira, R. D. (2009). Educação e Homofobia: o reconhecimento da diversidade sexual para além do multiculturalismo liberal. Em R. D. Junqueira (Org.), Diversidade Sexual na Educação: problematizações sobre a homofobia nas escolas (pp. 95-124). Brasília: Ministério da Educação, UNESCO.; Bortolini, 2012Bortolini, A. (2012). Diversidade Sexual na Escola: Currículo e Prática Pedagógica Dissertação de Mestrado em Educação, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ., Neves, 2013Neves, A. L. M. (2013) Significados atribuídos por professores a protagonismo em projetos de igualdade de direitos voltados à diversidade sexual. Dissertação de Mestrado em Psicologia, Universidade Federal do Amazonas, Manaus, AM.).

O tema da sexualidade humana, tanto no que se refere à vivência como à discussão, assumiu novos contornos diante das relações de poder pautadas nos valores da moral judaico-cristã no ocidente, que tem propagado normas, regras e proibições acerca do desejo e regulação dos corpos (Louro, 2009Louro, G. L. (2009). Heteronormatividade e HomofobiaEm Junqueira, R. D. Junqueira (Org.), Diversidade sexual na educação: problematizações sobre a homofobia nas escolas (pp. 85-94). Brasília: Ministério da Educação, UNESCO.; Foucault, 2010Foucault, M. (2010). História da sexualidade I: a vontade de saber. Rio de Janeiro: Graal.). Os sujeitos sociais elaboram, assim, representações a partir dos conhecimentos partilhados socialmente sobre sexualidade e sua diversidade e, desse modo, surgem novas significações e sentidos no âmbito desse tema.

Os séculos XX e XXI foram marcados por muitas lutas pela igualdade social e respeito; porém, a intolerância à diversidade ainda se faz presente de forma persistente e naturalizada na maioria das sociedades. Os movimentos sociais, pautados nos Direitos Humanos, investem em discussões para uma educação igualitária voltada à diversidade, dentre os movimentos sociais das pessoas com deficiência, os de etnia e orientação sexual ( Prado, Tolentino & Martins, 2009Prado, M. A. M., Tolentino, L. L. R., Martins, D. A. (2009). O litígio sobre o impensável: escola, gestão dos corpos e homofobia institucional. BagoasRevista de Estudos Gays, (4), 209-232. Monteiro, Tolentino, & Prado, 2013Monteiro, I., Tolentino, L. L. R., Prado, M. A. M. (2013). Formação Continuada de Educadores: O Projeto Educação Sem Homofobia. Interfaces, (1), 63-70.

A educação igualitária é um direito básico de qualquer ser humano; contudo, o segmento da população que não se enquadra nos padrões estabelecidos pela sociedade até se insere na escola, porém, muitas vezes tende a conviver em um ambiente de exclusão social. A sexualidade, nesse aspecto, foi e ainda caminha com um lastro norteado pela sua padronização, e assim inviabiliza sua pluralidade e, consequentemente, fomenta o silenciamento das outras formas de sua manifestação como, por exemplo, a sexualidade como forma de prazer e não apenas como perpetuação da espécie, pautado na legitimação heteronormativa (Neves, Silva, Sadala, & Ferreira, 2012Neves, A. L. M., Silva, I. R., Sadala, K. Y., Ferreira, D. S. (2012). Concepção sobre diversidade sexual: um estudo entre professores de uma escola pública de uma cidade na Amazônia. Metáfora Educacional, (13), 75-92.).

Esse cenário contrasta com os princípios proclamados na Constituição Brasileira, em seu Art. 3º, Inciso IV que estabelece como um de seus objetivos "promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação" e no Art. 5º que "Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza" (Constituição da República Federativa do Brasil, 1988/2001Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. (2001). {Coleção Saraiva de Legislação}. (21a ed.). São Paulo: Saraiva.). O movimento LGBT1 1 Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, sigla padronizada na 1a Conferência Nacional LGBT no ano de 2008 em Brasília. ganhou destaque buscando esclarecer e evidenciar novas concepções acerca da diversidade sexual na escola, ou seja, vem buscando divulgar as várias formas em que a sexualidade pode se manifestar.

Nessa acepção, surgiu a proposta do Projeto Escola sem Homofobia, uma parceria entre Instituições de Ensino Superior e Ministério da Educação - MEC - para elaboração de estratégias que amenizassem a violência e a desigualdade dentro da escola. Iniciou-se a discussão de implantação desse Projeto nas escolas públicas, que consistia na capacitação de professores, pois a escola torna-se locus de reprodução e legitimação das hierarquias sexuais, naturalizando a norma heterossexual e invisibilizando outras possibilidades de manifestação das sexualidades (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, bissexuais Travestis e Transexuais [ABGLT], Comunicação em Sexualidade [ECOS], & Soluções Inovadoras em Saúde Sexual e Reprodutiva, 2011Associação Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, bissexuais Travestis e Transexuais {ABGLT}, Comunicação em Sexualidade {ECOS}, & Soluções Inovadoras em Saúde Sexual e Reprodutiva. (2011). Nota Oficial do Projeto Escola sem Homofobia. São Paulo: ECOS.).

Outro aspecto importante é a formação inicial e continuada dos professores que contemplem temáticas relacionadas à sexualidade, para que esse assunto não seja abordado de forma improvisada e dê abertura a uma educação heteronormativa (Seffner, 2009Seffner, F.(2009). Equívocos e Armadilhas na Articulação entre Diversidade Sexual e Políticas de Inclusão Escolar Em R. D. Junqueira. (Org.),Diversidade Sexual na Educação: problematizações sobre homofobia nas escolas (pp.125-140) Brasília: Ministério da Educação; UNESCO.).

O projeto Escola sem homofobia, contudo, não se efetivou na íntegra em virtude das visões divergentes entre instituições, conselhos, hierarquias e sociedade em geral, tendo prevalecido as ideias do grupo dominante. Melo, Freitas, Pedrosa e Brito (2012Melo, L., Freitas, F., Pedrosa, C., Brito, W. (2012). Para além de um kit escola sem homofobia: políticas públicas de educação para a população LGBT no Brasil. Bagoas: Revista de Estudos Gays, (7), 99-122.) afirmam que parlamentares ligados a grupos de fundamentalistas religiosos e grupos com aversão ao movimento LGBT tentam por diversas formas proibir e difamar a implantação dessas políticas.

O Movimento LGBT, diante disso, tem promovido discussões, principalmente no que se refere à educação na escola sob a ótica da igualdade, sem estigmas, marginalização e sofrimento frente às várias violações que ocorrem em função da orientação sexual. Junqueira (2009Junqueira, R. D. (2009). Educação e Homofobia: o reconhecimento da diversidade sexual para além do multiculturalismo liberal. Em R. D. Junqueira (Org.), Diversidade Sexual na Educação: problematizações sobre a homofobia nas escolas (pp. 95-124). Brasília: Ministério da Educação, UNESCO.) afirma que a educação escolar precisa ser na, para e pela diversidade. Isso significa que esse processo deve ser construído coletivamente com uma representação de atores que expressem toda a diversidade que compõe a sociedade. Defende-se, portanto, uma educação libertária, compreendida como vinculada ao todo social como propõe por Ferreira (1997)Ferreira, J. M. C. (1999). Pedagogia Libertária. Em C, Barqueiro (Org.), Educação Libertária (pp. 97-112). Salvador: Núcleo de Ação Direta Anarquista..

No Brasil, vários levantamentos realizados com professores têm mostrado estigmas, silenciamentos, desafios e preconceitos quando o assunto é educar para a diversidade (Esperança, 2009Esperança, A. C. (2009). Homossexualidade: os sentidos e significados para docentes e discentes da Universidade Federal do Amazonas. Dissertação de Mestrado em Educação, Universidade Federal do Amazonas, Manaus, AM.; Ávila, 2008Ávila, A. H.,Toneli, M. J. F., Andaló, C. S. A. (2013). Posturas docentes: algumas (im) possibilidades e instabilidades da educação sexual que não fala de sexo como prazer e direito. Em M. C. S. Lago;, Toneli, M. J. F. Souza, M. (Orgs.),Sexualidade, gênero, diversidades (pp. 252-265). São Paulo: Casa do Psicólogo.; Neves, & cols., 2012Neves, A. L. M., Silva, I. R., Sadala, K. Y., Ferreira, D. S. (2012). Concepção sobre diversidade sexual: um estudo entre professores de uma escola pública de uma cidade na Amazônia. Metáfora Educacional, (13), 75-92.; Neves, 2013Neves, A. L. M., Silva, I. R., Sadala, K. Y., Ferreira, D. S. (2012). Concepção sobre diversidade sexual: um estudo entre professores de uma escola pública de uma cidade na Amazônia. Metáfora Educacional, (13), 75-92.; Altmann, 2013Altmann, H. (2013). Diversidade sexual e educação: desafios para a formação docente. Sexualidad, Salud y Sociedad13), 69-82.). O último levantamento revelou desafios na formação docente, principalmente no que tange ao enfrentamento do regime da heteronormatividade. Evidenciou-se, além disso, que discutir sobre sexualidade no cotidiano escolar pelos professores, limita-se a associá-la às doenças sexualmente transmissíveis, gravidez indesejada e, também, restringi-la aos aspectos biológicos e reprodutivos, retirando o espaço da diversidade sexual (Altmann, 2013Altmann, H. (2013). Diversidade sexual e educação: desafios para a formação docente. Sexualidad, Salud y Sociedad13), 69-82.).

Outro estudo brasileiro recente revela que a escola, a partir dos atores que compõem a comunidade escolar, busca um modelo normativo de aluno por meio de um "conjunto dinâmico de valores, normas e crenças. Essas dimensões são responsáveis por reduzir a figura do "diferente" à posição de "inferior", "pecador", "doente" e "pervertido", no ambiente escolar", retirando a possibilidade da diversidade sexual e fomentando o controle sobre o discurso, a maneira de ser, a sexualidade e o corpo (Costa, Bartmann, Biazus, & Mucenecki, 2014Costa, D. F., Bartmann, M. M.,Biazus, C. B., Mucenecki, T. F. (2014). As implicações do "modelo normativo de aluno" para as práticas homofóbicas na escola. Vivências: revista eletrônica de extensão da URI18(10), 57-66., p. 63).

Abordar o tema sexualidade em sala de aula pelo professor não é novidade, mas a proposta de incorporar críticas à heteronormatividade e o respeito à singularidade de gênero e à autonomia sexual dos sujeitos, como um direito humano inalienável é desafiadora e inovadora (Ávila, 2013Ávila, A. H.,Toneli, M. J. F., Andaló, C. S. A. (2013). Posturas docentes: algumas (im) possibilidades e instabilidades da educação sexual que não fala de sexo como prazer e direito. Em M. C. S. Lago;, Toneli, M. J. F. Souza, M. (Orgs.),Sexualidade, gênero, diversidades (pp. 252-265). São Paulo: Casa do Psicólogo.).

Para análise das questões expostas neste artigo, faz-se relevante a abordagem das representações sociais, visto que constroem as visões de mundo e os sistemas de conhecimento cotidiano, que referenciam e guiam as ações dos sujeitos, a comunicação e a interpretação da realidade (Jovchelovitch, 2008Jovchelovitch, S. (2008). Os contextos do saber: representações, comunidade e cultura Petrópolis (RJ): Vozes.).

O referencial teórico que embasou este estudo foi a Teoria das Representações Sociais com maior ênfase à abordagem complementar conhecida como Teoria do Núcleo Central (Abric, 1998Abric, J. C. (1998). A Abordagem estrutural das representações sociais. Em A. S. P. Moreira, D. C. Oliveira (Orgs.),Estudos interdisciplinares de representação social (pp. 27-38). Goiânia: AB.; Sá, 2002Sá, C. P., Oliveira, D. C., Castro, R. V., Vetere, R., Carvalho, R. V. C. (2009). A memória histórica do regime militar ao longo de três gerações no Rio de Janeiro: sua estrutura representacional. Estudos de Psicologia26(2), 159-171.;). Considerar a Teoria do Núcleo Central uma abordagem complementar da teoria das representações sociais proposta por Serge Moscovici significa que a primeira deve proporcionar descrições mais detalhadas de certas estruturas hipotéticas, bem como explicações de seu funcionamento que se mostrem compatíveis com a teoria geral (Sá, 2002Sá, C. P., Oliveira, D. C., Castro, R. V., Vetere, R., Carvalho, R. V. C. (2009). A memória histórica do regime militar ao longo de três gerações no Rio de Janeiro: sua estrutura representacional. Estudos de Psicologia26(2), 159-171.).

A ideia essencial da Teoria do Núcleo Central é que toda representação está organizada em torno de um núcleo central, que determina sua significação e sua organização interna; este é um subconjunto da representação, composto de um ou alguns elementos cuja ausência desestruturaria a representação ou lhe daria um significado completamente diferente (Abric, 1998Abric, J. C. (1998). A Abordagem estrutural das representações sociais. Em A. S. P. Moreira, D. C. Oliveira (Orgs.),Estudos interdisciplinares de representação social (pp. 27-38). Goiânia: AB.; Sá, 2002Sá, C. P. (2002). Núcleo central das representações sociais. Petrópolis: Vozes.).

A abordagem estrutural esclarece duas características das representações sociais que aparentemente se mostram contraditórias: "as representações sociais são ao mesmo tempo estáveis e móveis, rígidas e flexíveis" e "as representações sociais são ao mesmo tempo consensuais, mas também marcadas por fortes diferenças interindividuais" (Sá, 2002Sá, C. P. (2002). Núcleo central das representações sociais. Petrópolis: Vozes., p. 72).

Considerando que o agir educativo do professor pode produzir mudanças nos sentidos de diversidade sexual dos atores sociais, que os diferentes gêneros comunicativos produzem diversos sistemas de representações e que os professores precisam se aproximar das pluralidades cognitivas dos atores sociais para então implementar projetos de diversidade sexual como o "Escola sem Homofobia", traçou-se como objetivo deste trabalho: identificar e analisar a estrutura das representações sociais entre professores sobre diversidade sexual. Buscou-se a compreensão do que sentem, pensam e internalizam os professores diante desse fenômeno que vem sendo debatido e inserido em um paradoxo de aceitação e não-aceitação da educação para a diversidade. A pesquisa pautou-se nesse objetivo de maneira a fomentar a discussão, análise e compreensão das contribuições da Psicologia na promoção dos Direitos Humanos.

Método

Participantes

Participaram da pesquisa 50 professores, de ambos os sexos, de um universo de 58 sujeitos, correspondendo a 97,68% do total de professores da escola. Seguiu-se a sugestão do estudo de Oliveira e Costa (2007Oliveira, D. C., Costa, T. L. (2007). A zona muda das representações sociais sobre o portador de HIV/ AIDS: elementos normativos e contranormativos do pensamento socialPsicologia: Teoria e Prática9(2), 73-91.), que utiliza mais de 80% para amostragem em representação social. Desses professores, 60% eram do sexo feminino e 40% do sexo masculino. A maioria dos professores encontrava-se na faixa de 34 a 38 anos, representando 28%, seguido daqueles que apresentam idade entre 29 a 33 anos que correspondiam a 20%;14% estavam na faixa entre 39 a 43 anos, um número igual de participantes tinhaentre 44 e 48 anos (12%) e 49 e 53 anos (12%). 8% possuiam entre24 e 28 anos e6% de 54 a 58 anos. Esses professores estavam lotados em uma instituição da rede pública estadual, sendo 96% efetivos e 4% contratados temporariamente pela Secretaria Estadual de Educação. A pesquisa foi realizada nas dependências da escola, especificamente na sala dos professores, nos intervalos de aula, nos três turnos.

Constatou-se que 80% dos sujeitostinham pós-graduação, sendo 70% especialistas e 10% mestres. Do conjunto de sujeitos, a maioria tinha graduação em Matemática (20%); os professores com menor participação na pesquisa eram formados em Sociologia (2%) e Educação Artística (2%).As demais formações eram: Letras (16%), Biologia (16%), História (12%), Geografia (12%), Química (6%), Filosofia (4%),Educação Física (4%) e Física (6%).

Instrumentos

Levando em consideração os atributos qualitativos e quantitativos na determinação dos elementos centrais e periféricos de uma representação, utilizou-se a Técnica da Evocação ou Associação Livre de Palavras, realizada por meio de um formulário que foi preenchido após a produção de cinco palavras ou expressões diante da pergunta: O que lhe vem imediatamente à mente ao pensar no termo "Diversidade Sexual"?. O formulário também continha dados sociodemográficos, os quais serviram para caracterização da amostra.

Procedimentos

Após o consentimento para início da pesquisa, deferido pela 5a Unidade Regional de Educação em Santarém - Pará, os pesquisadores puderam ter acesso à direção da escola pesquisada e apresentaram os objetivos do estudo. A direção consentiu com a permanência dos pesquisadores na escola e o coordenador pedagógico os apresentou à comunidade escolar e ofereceu suporte.

A escolha dessa instituição se deu por se enquadrar nos critérios estabelecidos: ser uma instituição da rede pública estadual de Ensino Médio; possuir mais de 10 anos de atuação entre as instituições neste nível de ensino; ter mais de 1.000 alunos; oferecer os três turnos; estar localizada na área central na cidade de Santarém - Pará, e ter mais de 50 professores. Os critérios para a seleção da instituição foram baseados na experiência que esta deveria ter na área de ensino, ou seja, manter uma grande diversidade de professores e de alunos.

A técnica foi aplicada individualmente com uso do formulário, caneta e papel para anotar as cognições produzidas por meio da evocação. Em seguida, foi solicitado que as hierarquizassem segundo a ordem de importância. Para isso foi atribuído peso 1 à cognição tida em primeiro lugar, peso 2 à segunda e assim por diante de acordo com a proposta de Vergés (conforme citado por Gomes,& Oliveira, 2005Gomes, A. M. T., Oliveira, D. C. (2005). Estudo da Estrutura da representação social da autonomia profissional em enfermagem. Revista da Escola de Enfermagem da USP, 39(2), 145 - 153.). Antes da aplicação foi solicitada a anuência espontânea para a pesquisa, com a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Os dados obtidos na técnica foram transcritos para uma planilha Excel, versão 2007. Posteriormente, realizou-se a padronização semântica de palavras que seguiu as orientações de Oliveira, Marques, Gomes e Teixeira (2005Gomes, A. M. T., Oliveira, D. C. (2005). Estudo da Estrutura da representação social da autonomia profissional em enfermagem. Revista da Escola de Enfermagem da USP, 39(2), 145 - 153.). Em seguida, se compôs um corpus, também em planilha Excel, versão 2007, com critérios específicos de configuração, para alimentação do software EVOC, versão 2003.

Análise dos Dados

Os dados foram submetidos à análise a partir do quadro de quatro casas obtido por meio do software EVOC versão 2003, que produz quatro quadrantes, com quatro conjuntos de cognições como propõe Vérges (conforme citado por Gomes, & Oliveira, 2005Gomes, A. M. T., Oliveira, D. C. (2005). Estudo da Estrutura da representação social da autonomia profissional em enfermagem. Revista da Escola de Enfermagem da USP, 39(2), 145 - 153.). Esse quadro expõe no quadrante superior esquerdo termos verdadeiramente significativos para os sujeitos pesquisados e o provável núcleo central das representações sociais estudadas. Sá (2002Sá, C. P. (2002). Núcleo central das representações sociais. Petrópolis: Vozes.) considera que no quadrante superior direito estão os elementos cognitivos que podem aproximar-se ou evoluir para o núcleo central. Sá, Oliveira, Castro, Vetere e Carvalho (2009)Sá, C. P. (2002). Núcleo central das representações sociais. Petrópolis: Vozes. e Abric (2003Abric, J. C. (2003). La recherche du noyau central et de la zone muette des représentations sociales. Em J. C. Abric (Org.), Méthodes d'étude des representations sociales (pp. 58-80). Saint-Agne: ERES.) analisam que no quadrante inferior esquerdo estão cognições evocadas por um menor quantitativo de sujeitos, mas que consideram como muito importantes. Abric (2003)Abric, J. C. (1998). A Abordagem estrutural das representações sociais. Em A. S. P. Moreira, D. C. Oliveira (Orgs.),Estudos interdisciplinares de representação social (pp. 27-38). Goiânia: AB. afirma que essa zona de contraste é a existência de um subgrupo que possui uma representação divergente do restante do grupo. O mesmo autor refere que no quadrante inferior direito estão elementos pouco frequentes e definidos como menos importantes e são elementos da segunda periferia. Usou-se o referencial teórico proposto e comparado no sentido de obter dados que identificassem as representações sociais sobre diversidade sexual.

Resultados e Discussão

O quadro de quatro casas identificado no Quadro 1 sob o termo indutor "Diversidade Sexual" apresenta as representações sociais. Constatou-se um corpus de evocações formado por todos os sujeitos, de 239 no total, dos quais 80 eram diferentes. Obteve-se uma ordem média (rang) de evocações, aproximada de 2,8 frequência intermediária de 10 e a frequência mínima foi de 4.

Quadro 1:
Quadro de quatro casas de evocações ao termo indutor "Diversidade Sexual" entre professores de uma escola pública (Santarém, 2011).

O Quadro 1 evidencia as prováveis cognições que constituem as representações sociais dos professores sobre diversidade sexual. Como se observa, o primeiro quadrante é composto pelas cognições liberdade e respeito. A cognição liberdade teve frequência de 12 e ordem média de evocações de 2.417 e o termo respeito teve frequência de 22 e 2.000 de ordem média de evocação. Pode-se levar em consideração que são aspectos positivos para a atuação em prática de aula, mas sabe-se que o processo de ensino e aprendizagem compreende aspectos voltados à integralidade do homem, abarcando também os aspectos biopsicossociais.

Moscovici (2010Moscovici, S. (2010). Representações Sociais: investigações em Psicologia Social. Petrópolis, RJ: Vozes.) e Arruda (2002Arruda, A. (2002). Teoria das representações sociais e teorias de gênero. Caderno de Pesquisa117(51), 127-149.) analisam que as representações sociais são permeadas pelo universo consensual e pelo reificado, e vale ressaltar que Oliveira e Costa (2007Oliveira, D. C., Costa, T. L. (2007). A zona muda das representações sociais sobre o portador de HIV/ AIDS: elementos normativos e contranormativos do pensamento socialPsicologia: Teoria e Prática9(2), 73-91.) consideram que o núcleo central se forma através da memória social e das regras que regem um determinado grupo.

Deve-se considerar que os possíveis elementos cognitivos do núcleo central liberdade e respeito cabem em qualquer relação, parte da condição humana. Divergindo dessas cognições, no entanto, pesquisas apontam que é comum em sala de aula o discurso totalmente moralizador, de opressão e silenciamento, traduzido na impossibilidade do professor trabalhar com a diversidade sexual (Ávila, 2008Ávila, E. P. (2008). Conversando sobre sexualidade: o que ensinam os(as) professores(as) sobre sexualidade. Dissertação de mestrado em Educação, Universidade Luterana do Brasil, Canoas, RS.; Toneli, & Andaló, 2013). A diversidade sexual, por ser um fenômeno atitudinal permeado pela dualidade: pró e contra, tende-se a diferenciar do comportamento. Por serem professores, as atitudes positivas podem ser aprendidas durante o processo de formação e estas servem para ajudar a lidar com o ambiente social, daí ampla evocação das cognições liberdade e respeito (Rodrigues, Assmar, & Jablonki, 2009Rodrigues. A., Assmar, E. M. L., Jablonki, B. (2009). Psicologia Social. Petrópolis: Vozes).

Percebe-se, contudo, que nem sempre a atitude condiz com o comportamento (Rodrigues, Assmar, & Jablonki, 2009Rodrigues. A., Assmar, E. M. L., Jablonki, B. (2009). Psicologia Social. Petrópolis: Vozes). A maioria das instituições escolares trata a sexualidade e sua diversidade como algo mascarado, que não deve ser exposto nem discutido intensamente (Felipe, & Guizzo, 2008Felipe, J., Guizzo, B. S. (2008). Entre batons, esmaltes e fantasias Em D. Meyer, R. Soares (Orgs.),Corpo, Gênero e Sexualidade (pp. 31-40). Porto Alegre: Mediação.). Diante disso, o professor se restringe ao ensino dos conhecimentos científicos e esquece-se de que o aluno tem um corpo, que ele tem uma sociabilidade já que é integrante de um grupo social. Desta forma prioriza o conteúdo, deixando de lado outros aspectos que favorecem o processo ensino-aprendizagem, como os psicológicos, sociais e espirituais.

Os elementos presentes no provável núcleo central são funcionais para as práticas pedagógicas dos professores. Eles podem facilitar o estabelecimento de uma relação que se faz necessária para harmonização da aula e para o repasse dos conteúdos, ainda que o seu sistema de valores não concordasse. Nessa acepção, ele adota uma postura socialmente exigida de um professor.

No quadrante superior esquerdo, está a cognição liberdade, que tem frequência superior à cognição respeito. A cognição liberdade pode também ser compreendida tendo como base a configuração contextual atual da sociedade brasileira. Sabe-se que o Brasil tem sua redemocratização ainda recente, com o fim da repressão, o que contribui para que determinados grupos, antes impedidos de expressarem desejos, comportamentos e bandeiras de lutas, encontrem mais espaços de expressão que dão visibilidade à diversidade (Bortolini, 2008Bortolini, A. (2008). Diversidade Sexual na Escola Rio de Janeiro: Pró-reitoria de extensão/UFRJ.). Assim, várias pessoas encontram formas legitimadas de expressão da sua sexualidade em espaços públicos, como os programa de TV, shows etc., mesmo que sejam espaços estigmatizados, como é caso de humoristas travestis.

Ainda sobre esse aspecto, Bortolini (2008Bortolini, A. (2008). Diversidade Sexual na Escola Rio de Janeiro: Pró-reitoria de extensão/UFRJ.) afirma que o movimento de mulheres e, mais tarde, o movimento gay e de lésbicas, na década de 1960, contribuíram para que houvesse uma liberação sexual e pudessem vivenciar a sexualidade com menos repressão, de maneira mais saudável e com mais liberdade, através de suas organizações políticas, como por exemplo, os movimentos sociais; todavia, ainda hoje se vivencia um momento de transformação nos conceitos instituídos.

Atualmente, as pessoas LGBT se expressam, promovem eventos, e criam projetos de políticas públicas. Embora aconteçam atos violentos e a orientação sexual LGBT seja mal compreendida por muitos, eles assumem suas identidades sem tanto repúdio como havia no passado. É possível presenciar esses acontecimentos no cotidiano e nos meios de comunicação. Nessa acepção, Moscovici (2010Moscovici, S. (2010). Representações Sociais: investigações em Psicologia Social. Petrópolis, RJ: Vozes.) considera que as representações são criadas no processo de comunicação e posteriormente geradas por meio da linguagem.

Também no campo da Psicologia, a diversidade sexual encontra espaço. Verona (2011Verona, H. (2011) Apresentação. Em Conselho Federal de Psicologia (Org.), Psicologia e diversidade sexual: desafios para uma sociedade de direitos (pp. 7-8). Brasília: CFP., p. 07), afirma que "os psicólogos deverão contribuir, com o seu conhecimento, para uma reflexão sobre o preconceito e o desaparecimento de discriminações e estigmatizações contra a população LGBT". O olhar da Psicologia é pautado nos Direitos Humanos e na consolidação de Políticas Públicas voltadas às pessoas LGBT.

Apesar das conquistas de políticas já consolidadas pelos grupos que subvertem a heteronormatividade e que possivelmente contribuíram para a elaboração das cognições liberdade e respeito desses professores, estudos mostram que no Brasil ainda é um desafio o respeito à diversidade sexual (Felipe, & Guizzo, 2008Felipe, J., Guizzo, B. S. (2008). Entre batons, esmaltes e fantasias Em D. Meyer, R. Soares (Orgs.),Corpo, Gênero e Sexualidade (pp. 31-40). Porto Alegre: Mediação.; Freire, Santos, & Haddad, 2009Freire, N., Santos, E., Haddad, F. (2009). Construindo uma política de educação em gênero e diversidade Em Equipe do Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos (Org.), Gênero e Diversidade na Escola: Formação de Professoras/es em Gênero, Sexualidade, Orientação Sexual e Relações Étnico-Raciais (pp. 09-10). Rio de Janeiro: CEPESC; Brasília: SPM.; Moráguez, Duque, Díaz, Chinaglia,& Braga 2010Moráguez, A. J. D., Duque, T., Díaz, M., Chinaglia, M., Braga, R. (2010). Projeto Escola sem Homofobia Componente de Pesquisa: Estudo qualitativo sobre a homofobia no ambiente escolar em 11 capitais brasileiras (Relatório Técnico Preliminar)Natal.; Neves, 2013Neves, A. L. M. (2013) Significados atribuídos por professores a protagonismo em projetos de igualdade de direitos voltados à diversidade sexual. Dissertação de Mestrado em Psicologia, Universidade Federal do Amazonas, Manaus, AM.).

O quadrante superior direito (Quadro 1) é chamado de quadro intermediário. Segundo Oliveira e Gomes (2005Gomes, A. M. T., Oliveira, D. C. (2005). Estudo da Estrutura da representação social da autonomia profissional em enfermagem. Revista da Escola de Enfermagem da USP, 39(2), 145 - 153.), os elementos intermediários reforçam o núcleo central. De acordo com Abric (2003Abric, J. C. (2003). La recherche du noyau central et de la zone muette des représentations sociales. Em J. C. Abric (Org.), Méthodes d'étude des representations sociales (pp. 58-80). Saint-Agne: ERES.), as cognições desse quadrante constituem a primeira periferia da representação social. Nele estão os elementos mais relevantes, que possuem maior frequência nas evocações, porém, são considerados pelos sujeitos como de menor importância. Sá (2002)Sá, C. P. (2002). Núcleo central das representações sociais. Petrópolis: Vozes. considera que esses elementos podem evoluir para o núcleo central ou fazer parte dele.

Como se faz notar no quadro superior direito (Quadro 1), as cognições são: preconceito, com frequência 29 e ordem média de evocações de 3.414; a cognição "opção sexual"2 2 "Opção sexual" foi o termo expresso pelos participantes da pesquisa. Os autores preferem utilizar a expressão orientação sexual sempre que se referem à orientação do desejo. , com frequência 21 e ordem média de evocações de 3.000; e a cognição "homossexualismo"3 3 "Homossexualismo" foi o termo expresso pelos participantes da pesquisa e sempre que tal expressão aparece neste artigo ela se refere à cognição evocada pelos professores que participaram da pesquisa. Portanto, em razão da histórica associação da palavra "homossexualismo" a doença ou desvio, os autores deste artigo utilizam o termo Homossexualidade. , com frequência 16 e com ordem média de evocações de 3.294.

A cognição preconceito pode estar relacionada às situações que o professor tenha presenciado dentro da sala de aula ou em outro espaço da escola entre os próprios alunos. Silva (2013Silva, A. K. L. S. (2013). Diversidade sexual e de gênero: a construção do sujeito social. Revista do NUFEN, 5(1), 12-25.) considera, nesse aspecto, que é comum no cotidiano escolar o preconceito na sala de aula ser manifestado por meio de piadas, brincadeiras de mau gosto, olhares, gestos e comportamentos preconceituosos que precisam ser seriamente discutidas na Escola. Essa cognição preconceito possui uma relação com a cognição respeito presente no núcleo central, que ressalta que esta última deve nortear a relação entre a comunidade escolar e a diversidade sexual.

Segundo Junqueira (2009Sá, C. P., Oliveira, D. C., Castro, R. V., Vetere, R., Carvalho, R. V. C. (2009). A memória histórica do regime militar ao longo de três gerações no Rio de Janeiro: sua estrutura representacional. Estudos de Psicologia26(2), 159-171.) e Seffner (2009Seffner, F.(2009). Equívocos e Armadilhas na Articulação entre Diversidade Sexual e Políticas de Inclusão Escolar Em R. D. Junqueira. (Org.),Diversidade Sexual na Educação: problematizações sobre homofobia nas escolas (pp.125-140) Brasília: Ministério da Educação; UNESCO.), na escola ocorrem casos de violência física, moral e psicológica entre alunos LGBT, e em muitos casos os profissionais da educação não sabem como intervir. Junqueira (2009Junqueira, R. D. (2009). Educação e Homofobia: o reconhecimento da diversidade sexual para além do multiculturalismo liberal. Em R. D. Junqueira (Org.), Diversidade Sexual na Educação: problematizações sobre a homofobia nas escolas (pp. 95-124). Brasília: Ministério da Educação, UNESCO., p.15) chega a afirmar que "a escola configura-se um lugar de opressão, discriminação e preconceitos, no qual e em torno do qual existe um preocupante quadro de violência a que estão submetidos milhões de jovens e adultos LGBT".

Outra cognição presente no quadrante superior direito (Quadro 1) é a cognição "opção sexual", sendo evocada 21 vezes. Pode-se analisar que os professores entendem que você escolhe ser LGBT. Isso é uma concepção do senso comum, desse modo, analisa-se que faz referência ao universo consensual desses professores. Silva-Junior (2010Silva-Junior, J. A. (2010). Rompendo a mordaça: representações de professores e professoras do ensino médio sobre homossexualidade. Tese de Doutorado em Educação, Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo.), em pesquisa sobre a representação da homossexualidade, relata que os professores associam representações da homossexualidade com problemas patológicos, frustrações, solidão ou desvio de conduta. Afirma também que professores que tiveram representação negativa em sua pesquisa não tiveram contato com o tema na formação inicial ou continuada.

A formação e a inclusão de temas voltados à sexualidade humana nos currículos de formação inicial e continuada dos professores têm sido recomendadas por pesquisadores (Barros Cassal, & Zucco, 2010Barros Cassal, L. C., Zucco, L. P. (2010). Diversidade sexual e gênero na escola: uma experiência de extensão no Rio de Janeiro. Revista Extensão em Foco, 5, 15-23.; Bortolini, 2012Bortolini, A. (2012). Diversidade Sexual na Escola: Currículo e Prática Pedagógica Dissertação de Mestrado em Educação, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ.). Esses estudos destacam as possibilidades de construção de novos posicionamentos pró-Direitos Humanos a partir da inserção de atividades educativas, apoiados pelo Plano Nacional de Direitos Humanos, garantindo a igualdade na diversidade (Brasil, 2010Brasil. Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (2010). Programa Nacional de Direitos Humanos{PNDH-3}. Brasília: SDH/PR.).

Em relação à cognição "homossexualismo", percebe-se muito frequente na evocação o sufixo "ismo". Segundo Bell (1987Bell, S. (1987). Changing ideas: the medicalization of menopauseSocial Science and Medicine, 24(6), 535-542.), esse sufixo está voltado à patologização, pois ele está relacionado com o vocabulário e modelos médicos ou de outros saberes da área da saúde para definir uma situação como um "problema". Os termos homossexualismo, travestismo e transexualismo trazem estigmas profundos dessa patologização. Levanta-se a hipótese, no entanto, aqui em primeiro lugar, que o preconceito em relação às pessoas LGBT pode relacionar-se à frequente evocação desta cognição. Outra possibilidade refere-se à influência dos padrões heteronormativos que exigem o assumir-se homossexual e dessa forma há uma visibilidade maior das pessoas homossexuais em relação a outras orientações.

No quadrante inferior esquerdo, encontram-se as cognições aceitação, direitos humanos, família e igualdade (Quadro 1). Abric (2003Abric, J. C. (2003). La recherche du noyau central et de la zone muette des représentations sociales. Em J. C. Abric (Org.), Méthodes d'étude des representations sociales (pp. 58-80). Saint-Agne: ERES.), Oliveira e cols. (2005Oliveira, D. C., Marques, S. C., Gomes, A. M. T., Teixeira, M. A. T. V. (2005). Análise das evocações livres: uma técnica de análise estrutural das representações sociais. Em A. S. P. Moreira, B. V. Camargo, J. C. Jesuíno, S. M. Nóbrega (Orgs.), Perspectivas teórico-metodológicas em representações sociais(pp. 573-603). João Pessoa: Editora da Universidade Federal da Paraíba.) e Sá e cols. (2009Sá, C. P., Oliveira, D. C., Castro, R. V., Vetere, R., Carvalho, R. V. C. (2009). A memória histórica do regime militar ao longo de três gerações no Rio de Janeiro: sua estrutura representacional. Estudos de Psicologia26(2), 159-171.) consideram essa casa como zona de contraste, pois embora sejam evocações feitas por um menor quantitativo de sujeitos, esses quantitativos são considerados como muito importantes. Abric (2003)Ávila, E. P. (2008). Conversando sobre sexualidade: o que ensinam os(as) professores(as) sobre sexualidade. Dissertação de mestrado em Educação, Universidade Luterana do Brasil, Canoas, RS. afirma a existência de um subgrupo que sustenta uma representação que diverge da maioria do grupo. Seguindo essa perspectiva, é importante salientar a cognição Aceitação com uma ordem média de evocações de 2.500, Direitos Humanos com ordem média de evocações de 2.750, Família com ordem média de evocações 1.500 e Igualdade com uma ordem média de evocações de 2.250 sendo que todas tiveram a mesma frequência de evocação (04 vezes). Essas cognições são elementos positivos para uma relação saudável.

Percebe-se que alguns professores relacionam a fatores bastante positivos suas representações sobre diversidade sexual. Verifica-se que um grupo de 78% desses professores possui mais de uma graduação, 22% com mais de uma pós-graduação lato sensu e 10% têm formação stricto sensu. Esses dados sugerem que a formação pode influenciar nas representações sociais desse subgrupo assumindo um caráter bem humanístico, demonstrando desembaraço para lidar com o assunto e que a educação continuada pode ser uma aliada para compreensão acerca da diversidade sexual. Isso também pode ser confirmado no estudo de Silva-Junior (2010Silva-Junior, J. A. (2010). Rompendo a mordaça: representações de professores e professoras do ensino médio sobre homossexualidade. Tese de Doutorado em Educação, Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo.) quando afirma que professoras e professores que representam a homossexualidade de forma positiva, baseada na democracia e direitos coletivos, não possuem dificuldade para conviver com homossexuais, são professores que tiveram contato com o tema na formação inicial e/ou continuada apresentando maior desenvoltura para abordagem do tema em sala de aula.

O quadrante inferior direito do quadro de quatro casas é conhecido como elementos da segunda periferia. Para Sá e cols. (2009Sá, C. P., Oliveira, D. C., Castro, R. V., Vetere, R., Carvalho, R. V. C. (2009). A memória histórica do regime militar ao longo de três gerações no Rio de Janeiro: sua estrutura representacional. Estudos de Psicologia26(2), 159-171.) e Abric (2003Abric, J. C. (2003). La recherche du noyau central et de la zone muette des représentations sociales. Em J. C. Abric (Org.), Méthodes d'étude des representations sociales (pp. 58-80). Saint-Agne: ERES.), são elementos menos frequentes e definidos como menos importantes pelos sujeitos, e por isso são considerados elementos da segunda periferia. Nessa perspectiva, verifica-se a presença de cognições relacionadas a orientações sexuais, papel e ato sexual: bissexual com frequência de quatro vezes e com ordem média de 3.750, heterossexual com frequência de cinco vezes e com ordem média de evocações de 3.000 e transexual com frequência de quatro vezes e ordem média de evocações de 3.250 e com mais frequência; tipos de atos sexuais com frequência de seis e com ordem média de evocação de 3.000.

A baixa evocação dessas cognições relaciona-se à pouca visibilidade dessas orientações sexuais, além do desconforto que falar sobre atos sexuais pode ocasionar no sujeito, principalmente no ambiente de trabalho. Foucault (2010Foucault, M. (2010). História da sexualidade I: a vontade de saber. Rio de Janeiro: Graal.), nesse aspecto, destaca que no início do século XVII havia entre os indivíduos certa liberalidade no que se refere ao discurso e à prática da sexualidade, não existindo sentimentos de vergonha ou receio de punição. Todavia, o cenário modifica-se a partir do momento em que a burguesia vitoriana adquire o poder econômico e social. Passou-se então, nesse contexto, a restringi-la como um assunto do cotidiano.

Identifica-se a influência da construção histórico-cultural da sexualidade numa perspectiva heteronormativa, quando se apresenta a cognição diferente, com frequência de seis evocações e com ordem média de evocações de 2.833. Confirmam-se mais uma vez a necessidade do conhecimento dos comportamentos sexuais e a necessidade de compreender que ser diferente "é normal".

O mecanismo de ancoragem ocorre quando se familiariza o que não é familiar de acordo com o sistema de valores do sujeito, categorizando e estabelecendo uma relação positiva ou negativa com ele; une-se com o mecanismo de objetivação, imprimindo uma imagem de determinada representação, pois comparar já é representar, é materializar determinada representação (Moscovici, 2010Moscovici, S. (2010). Representações Sociais: investigações em Psicologia Social. Petrópolis, RJ: Vozes.). Os professores estabelecem uma imagem de diversidade sexual, representando a partir do ponto de vista sexual e como algo diferente.

As políticas existentes não contemplam a subjetividade dos professores atuantes na docência, o que é demonstrado nas pesquisas de Sousa, Villas Bôas e Novaes (2011Sousa, C. P., Villas Bôas, L. P. S., Novaes, A. O. (2011). Contribuições dos Estudos de Representações Sociais para compreensão do trabalho docenteEm A. M. O. Almeida, M. F. S. Santos, Z. A. Trindade (Orgs.). Teoria das Representações Sociais: 50 anos (pp. 625-652). Brasília: Technopolitik.) sobre as contribuições das pesquisas em Representações Sociais na Educação. Assim, verificamos que ao localizarmos os elementos constituintes dos sistemas central e periférico, estes têm suas funções definidas para explicação do fenômeno das representações sociais.

Considerações finais

Acerca da representação social dos professores sobre diversidade sexual, a pesquisa identificou que a maioria parece engessada em ideias com certa carga de preconceito, estereótipo e reducionistas em relação à sexualidade humana. Uma pequena parte dos professores considera respeitar o outro, mesmo não possuindo ainda subsídios que fundamentem a representação. Esse segundo grupo está numa condição em que a tolerância em relação à diversidade sexual está sendo construída.

A partir das análises das cognições respeito e liberdade, estas se caracterizam como possíveis elementos do núcleo central das representações entre os professores da escola pesquisada. O núcleo revela ainda o caráter de conteúdos consensuais do grupo estudado, o que conduz à reflexão de que os professores nomeiam como neutra sua postura acerca da diversidade sexual, mas se percebe um posicionamento contrário dentre as outras periferias da estrutura da representação social.

Encontram-se, assim, no sistema periférico, as cognições como "homossexualismo", "opção sexual" e preconceito. Embora se caracterize liberdade e respeito como núcleo central nas representações sociais entre os professores pesquisados, o sistema periférico, que segundo Sá (2002Sá, C. P. (2002). Núcleo central das representações sociais. Petrópolis: Vozes.) pode fazer parte do núcleo central ou até mesmo evoluir para ele, é constituído por problemas cruciais atuais como: preconceito, patologização da homossexualidade por meio do sufixo "ismo" e a diversidade sexual compreendida como opção. Nesse sentindo, verifica-se a urgência da ampliação do olhar do professor para que a sexualidade seja vista em sua plenitude. O respeito e a liberdade estão ancorados, possivelmente, em decorrência da postura de educador exigida pela política educacional, por exemplo, em ser democrático ou expressar um discurso politicamente correto.

Nesta acepção, a estrutura indica a necessidade de políticas públicas que priorizem a educação e orientação sexual, que esclareçam as faces da sexualidade humana e suas formas de manifestações. Essas categorizações confirmam a necessidade do fomento de debates em torno do processo de inclusão de projetos voltados à diversidade sexual visto que ainda no início do século XXI é possível perceber entre professores compreensões imagéticas da diversidade sexual como estilo de vida, deixando de lado outros aspectos que contribuem para a sexualidade como a atração e o afeto.

Frente aos elementos cognitivos surgidos na pesquisa, é importante adotar formação para os professores para uma melhor compreensão sobre a sexualidade humana e suas múltiplas faces. Desta forma, buscando evitar a promoção de uma educação improvisada, permeada por tabus e valores normatizadores da sexualidade. A educação deve ser permeada pela humanização. A atuação do psicólogo na instituição escolar precisa ser voltada para as demandas sociais e políticas educacionais. Esse profissional pode encontrar diferentes desafios, principalmente no que se refere à Diversidade Sexual, tendo em vista que este é um tema considerado por muitos como complexo e desafiador. O psicólogo, nesse sentido, deve exercer práticas voltadas para a contribuição e para a transformação de visões de diferentes contextos, favorecendo assim, a saúde psicológica dos indivíduos envolvidos.

Com este estudo, esperou-se contribuir para o conhecimento acerca da Diversidade Sexual, especialmente no que tange à reflexão dos professores como agentes participativos na transformação social. Que eles sejam aliados para a execução de projetos de políticas públicas voltadas à diversidade sexual, e os Psicólogos elos para a promoção de práticas educativas e promotoras dos Direitos Humanos das identidades LGBT, que não são dominantes e acabam sendo silenciadas pelas disputas nas relações de poder.

Referências

  • Abric, J. C. (1998). A Abordagem estrutural das representações sociais. Em A. S. P. Moreira, D. C. Oliveira (Orgs.),Estudos interdisciplinares de representação social (pp. 27-38). Goiânia: AB.
  • Abric, J. C. (2003). La recherche du noyau central et de la zone muette des représentations sociales. Em J. C. Abric (Org.), Méthodes d'étude des representations sociales (pp. 58-80). Saint-Agne: ERES.
  • Altmann, H. (2013). Diversidade sexual e educação: desafios para a formação docente. Sexualidad, Salud y Sociedad13), 69-82.
  • Arruda, A. (2002). Teoria das representações sociais e teorias de gênero. Caderno de Pesquisa117(51), 127-149.
  • Associação Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, bissexuais Travestis e Transexuais {ABGLT}, Comunicação em Sexualidade {ECOS}, & Soluções Inovadoras em Saúde Sexual e Reprodutiva. (2011). Nota Oficial do Projeto Escola sem Homofobia. São Paulo: ECOS.
  • Ávila, E. P. (2008). Conversando sobre sexualidade: o que ensinam os(as) professores(as) sobre sexualidade Dissertação de mestrado em Educação, Universidade Luterana do Brasil, Canoas, RS.
  • Ávila, A. H.,Toneli, M. J. F., Andaló, C. S. A. (2013). Posturas docentes: algumas (im) possibilidades e instabilidades da educação sexual que não fala de sexo como prazer e direito. Em M. C. S. Lago;, Toneli, M. J. F. Souza, M. (Orgs.),Sexualidade, gênero, diversidades (pp. 252-265). São Paulo: Casa do Psicólogo.
  • Brasil. Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (2010). Programa Nacional de Direitos Humanos{PNDH-3}. Brasília: SDH/PR.
  • Barros Cassal, L. C., Zucco, L. P. (2010). Diversidade sexual e gênero na escola: uma experiência de extensão no Rio de Janeiro. Revista Extensão em Foco, 5, 15-23.
  • Bell, S. (1987). Changing ideas: the medicalization of menopauseSocial Science and Medicine, 24(6), 535-542.
  • Bortolini, A. (2008). Diversidade Sexual na Escola Rio de Janeiro: Pró-reitoria de extensão/UFRJ.
  • Bortolini, A. (2012). Diversidade Sexual na Escola: Currículo e Prática Pedagógica Dissertação de Mestrado em Educação, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ.
  • Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. (2001). {Coleção Saraiva de Legislação}. (21a ed.). São Paulo: Saraiva.
  • Costa, D. F., Bartmann, M. M.,Biazus, C. B., Mucenecki, T. F. (2014). As implicações do "modelo normativo de aluno" para as práticas homofóbicas na escola. Vivências: revista eletrônica de extensão da URI18(10), 57-66.
  • Esperança, A. C. (2009). Homossexualidade: os sentidos e significados para docentes e discentes da Universidade Federal do Amazonas. Dissertação de Mestrado em Educação, Universidade Federal do Amazonas, Manaus, AM.
  • Ferreira, J. M. C. (1999). Pedagogia Libertária. Em C, Barqueiro (Org.), Educação Libertária (pp. 97-112). Salvador: Núcleo de Ação Direta Anarquista.
  • Felipe, J., Guizzo, B. S. (2008). Entre batons, esmaltes e fantasias Em D. Meyer, R. Soares (Orgs.),Corpo, Gênero e Sexualidade (pp. 31-40). Porto Alegre: Mediação.
  • Foucault, M. (2010). História da sexualidade I: a vontade de saber. Rio de Janeiro: Graal.
  • Freire, N., Santos, E., Haddad, F. (2009). Construindo uma política de educação em gênero e diversidade Em Equipe do Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos (Org.), Gênero e Diversidade na Escola: Formação de Professoras/es em Gênero, Sexualidade, Orientação Sexual e Relações Étnico-Raciais (pp. 09-10). Rio de Janeiro: CEPESC; Brasília: SPM.
  • Gomes, A. M. T., Oliveira, D. C. (2005). Estudo da Estrutura da representação social da autonomia profissional em enfermagem. Revista da Escola de Enfermagem da USP, 39(2), 145 - 153.
  • Jovchelovitch, S. (2008). Os contextos do saber: representações, comunidade e cultura Petrópolis (RJ): Vozes.
  • Junqueira, R. D. (2009). Educação e Homofobia: o reconhecimento da diversidade sexual para além do multiculturalismo liberal. Em R. D. Junqueira (Org.), Diversidade Sexual na Educação: problematizações sobre a homofobia nas escolas (pp. 95-124). Brasília: Ministério da Educação, UNESCO.
  • Louro, G. L. (2009). Heteronormatividade e HomofobiaEm Junqueira, R. D. Junqueira (Org.), Diversidade sexual na educação: problematizações sobre a homofobia nas escolas (pp. 85-94). Brasília: Ministério da Educação, UNESCO.
  • Melo, L., Freitas, F., Pedrosa, C., Brito, W. (2012). Para além de um kit escola sem homofobia: políticas públicas de educação para a população LGBT no Brasil. Bagoas: Revista de Estudos Gays, (7), 99-122.
  • Monteiro, I., Tolentino, L. L. R., Prado, M. A. M. (2013). Formação Continuada de Educadores: O Projeto Educação Sem Homofobia. Interfaces, (1), 63-70.
  • Moráguez, A. J. D., Duque, T., Díaz, M., Chinaglia, M., Braga, R. (2010). Projeto Escola sem Homofobia Componente de Pesquisa: Estudo qualitativo sobre a homofobia no ambiente escolar em 11 capitais brasileiras (Relatório Técnico Preliminar)Natal.
  • Moscovici, S. (2010). Representações Sociais: investigações em Psicologia Social. Petrópolis, RJ: Vozes.
  • Neves, A. L. M. (2013) Significados atribuídos por professores a protagonismo em projetos de igualdade de direitos voltados à diversidade sexual. Dissertação de Mestrado em Psicologia, Universidade Federal do Amazonas, Manaus, AM.
  • Neves, A. L. M., Silva, I. R., Sadala, K. Y., Ferreira, D. S. (2012). Concepção sobre diversidade sexual: um estudo entre professores de uma escola pública de uma cidade na Amazônia. Metáfora Educacional, (13), 75-92.
  • Oliveira, D. C., Costa, T. L. (2007). A zona muda das representações sociais sobre o portador de HIV/ AIDS: elementos normativos e contranormativos do pensamento socialPsicologia: Teoria e Prática9(2), 73-91.
  • Oliveira, D. C., Marques, S. C., Gomes, A. M. T., Teixeira, M. A. T. V. (2005). Análise das evocações livres: uma técnica de análise estrutural das representações sociais. Em A. S. P. Moreira, B. V. Camargo, J. C. Jesuíno, S. M. Nóbrega (Orgs.), Perspectivas teórico-metodológicas em representações sociais(pp. 573-603). João Pessoa: Editora da Universidade Federal da Paraíba.
  • Prado, M. A. M., Tolentino, L. L. R., Martins, D. A. (2009). O litígio sobre o impensável: escola, gestão dos corpos e homofobia institucional. BagoasRevista de Estudos Gays, (4), 209-232.
  • Rodrigues. A., Assmar, E. M. L., Jablonki, B. (2009). Psicologia Social. Petrópolis: Vozes
  • Sá, C. P. (2002). Núcleo central das representações sociais. Petrópolis: Vozes.
  • Sá, C. P., Oliveira, D. C., Castro, R. V., Vetere, R., Carvalho, R. V. C. (2009). A memória histórica do regime militar ao longo de três gerações no Rio de Janeiro: sua estrutura representacional. Estudos de Psicologia26(2), 159-171.
  • Seffner, F.(2009). Equívocos e Armadilhas na Articulação entre Diversidade Sexual e Políticas de Inclusão Escolar Em R. D. Junqueira. (Org.),Diversidade Sexual na Educação: problematizações sobre homofobia nas escolas (pp.125-140) Brasília: Ministério da Educação; UNESCO.
  • Silva, A. K. L. S. (2013). Diversidade sexual e de gênero: a construção do sujeito social. Revista do NUFEN, 5(1), 12-25.
  • Silva-Junior, J. A. (2010). Rompendo a mordaça: representações de professores e professoras do ensino médio sobre homossexualidade. Tese de Doutorado em Educação, Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo.
  • Sousa, C. P., Villas Bôas, L. P. S., Novaes, A. O. (2011). Contribuições dos Estudos de Representações Sociais para compreensão do trabalho docenteEm A. M. O. Almeida, M. F. S. Santos, Z. A. Trindade (Orgs.). Teoria das Representações Sociais: 50 anos (pp. 625-652). Brasília: Technopolitik.
  • Verona, H. (2011) Apresentação. Em Conselho Federal de Psicologia (Org.), Psicologia e diversidade sexual: desafios para uma sociedade de direitos (pp. 7-8). Brasília: CFP.

  • 1
    Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, sigla padronizada na 1a Conferência Nacional LGBT no ano de 2008 em Brasília.
  • 2
    "Opção sexual" foi o termo expresso pelos participantes da pesquisa. Os autores preferem utilizar a expressão orientação sexual sempre que se referem à orientação do desejo.
  • 3
    "Homossexualismo" foi o termo expresso pelos participantes da pesquisa e sempre que tal expressão aparece neste artigo ela se refere à cognição evocada pelos professores que participaram da pesquisa. Portanto, em razão da histórica associação da palavra "homossexualismo" a doença ou desvio, os autores deste artigo utilizam o termo Homossexualidade.
  • 4
    André Luiz Machado das Neves - (andre_machado_stm@hotmail.com)-Mestre em Psicologia pela Universidade Federal do Amazonas - UFAM.
  • 5
    Klaudia Yared Sadala - (klaudiaysadala@hotmail.com)-Mestre em Psicologia (Teoria e Pesquisa do Comportamento) pela Universidade Federal do Pará - UFPA. Coordenadora do Curso de Psicologia do Instituto Esperança de Ensino Superior - IESPES.
  • 6
    Iolete Ribeiro da Silva - (ioletesilva@hotmail.com)-Doutora em Psicologia pela Universidade de Brasília - UNB. Professora Associado I da Universidade Federal do Amazonas - UFAM e dos Programas de Pós-graduação em Psicologia e Educação. Líder do Laboratório de Desenvolvimento Humano e Educação.
  • 7
    Elizabeth Teixeira - (etfelipe@hotmail.com)-Doutora em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido pelo NAEA/UFPA. Professora Titular da Universidade do Estado do Pará - UEPA e do Programa de Pós-graduação em Enfermagem.
  • 8
    Darlisom Sousa Ferreira - (darlisom@terra.com.br)-Mestre em Educação pela Universidade do Estado do Pará - UEPA. Professor Assistente I e Diretor da Escola Superior de Ciências da Saúde da Universidade do Estado do Amazonas - UEA.
  • 9
    Fabiane Aguiar Silva - (fabi_fenix@hotmail.com)-Mestranda do Programa de Pós-graduação em Psicologia da Universidade Federal do Amazonas - UFAM. Pesquisadora do Laboratório de Desenvolvimento Humano e Educação.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    May-Aug 2015

Histórico

  • Recebido
    30 Out 2013
  • Aceito
    23 Jan 2015
Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (ABRAPEE) Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (ABRAPEE), Rua Mirassol, 46 - Vila Mariana , CEP 04044-010 São Paulo - SP - Brasil , Fone/Fax (11) 96900-6678 - São Paulo - SP - Brazil
E-mail: revista@abrapee.psc.br