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Trabalho jornalístico: uma experiência com a produção de revista digital

Journalistic work: an experience with the production of revista digital

Trabajo jornalistico: una experiencia con la producción de una revista digital

RESUMO

O presente trabalho interdisciplinar teve como objetivo analisar a participação dos alunos do terceiro ano do Ensino Médio em uma experiência pedagógica de produção de uma revista digital. A metodologia utilizada foi a pesquisa-ação, pois possibilitamos aos professores e alunos condições de investigar suas práticas de maneira crítica e reflexiva. A utilização da ferramenta permitiu despertar nos alunos a curiosidade, aumentando o interesse em debater e conhecer algumas temáticas do mundo jornalístico.

Palavras-chave:
Revista digital; Campo jornalístico/midiático; Interdisciplinaridade; Tecnologia de educação e formação

ABSTRACT

The present interdisciplinary work aimed to analyze the participation of third year high school students in a pedagogical experience of producing a Digital Magazine. The methodology used was Action Research, as we enable teachers and students to investigate their practices in a critical and reflexive way. The use of the tool made it possible to arouse curiosity in students, increasing the interest in debating and getting to know some themes from the journalistic world.

Keywords:
Digital magazine; Journalistic/media field; Interdisciplinarity; Education and training technology

RESUMEN

El presente trabajo interdisciplinario tuvo como objetivo analizar la participación de estudiantes de tercer año de secundaria en una experiencia pedagógica de producción de una Revista Digital. La metodología utilizada fue la Investigación Acción, porque permitimos a profesores y estudiantes investigar sus prácticas de manera crítica y reflexiva. El uso de la herramienta permitió despertar la curiosidad en los estudiantes, aumentando el interés por debatir y conocer algunos temas del mundo periodístico.

Palabras-clave:
Revista digital; Jornalistica/medios; Interdisciplinaridad; Tecnología de la educación y la formación

INTRODUÇÃO

Motivado pelo intenso e recorrente uso das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs) pelos alunos no ambiente escolar, este relato foi construído a partir de uma experiência no ano de 2018 com duas turmas do terceiro ano do Ensino Médio da Escola Estadual Ribeiro de Oliveira, localizada na cidade de Entre Rios de Minas - MG, sendo caracterizado como um trabalho interdisciplinar, em que tivemos um constante diálogo entre as áreas de Educação Física e Língua Portuguesa para a constituição de todo o trabalho.

A partir disso, entendemos que, da mesma maneira que as mídias possam vir a influenciar os alunos na construção do conhecimento para as produções textuais, está evidente que estas discussões impactam o corpo em movimento, objeto de estudo da Educação Física, por meio das práticas corporais da Cultura Corporal de Movimento, que, segundo Coletivo de Autores (1992, pColetivo de Autores. Metodologia do Ensino de Educação Física. São Paulo: Cortez; 1992.. 20), “[...] seria, entre outras práticas, o jogo, o esporte, a ginástica e a dança”.

A mídia é uma das primeiras formas de apresentação desses conteúdos aos alunos e tem forte poder de influenciar gostos, valores, costumes e estilos de vida. Sendo assim, norteamos o trabalho promovendo discussões acerca das habilidades do campo jornalístico/midiático que compõem a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e obtivemos como produto final a produção autoral de uma revista digital (Brasil, 2017Brasil. Base Nacional Comum Curricular [Internet]. Brasília: MEC; 2017 [citado 2021 Maio 19]. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_20dez_site.pdf
http://basenacionalcomum.mec.gov.br/imag...
).

Este trabalho tem como objetivo analisar a participação dos alunos em uma experiência pedagógica de produção de uma revista digital, a fim de que eles possam ampliar e qualificar o trato com as informações que vêm sendo propagadas a todo o momento e consumidas por eles de maneira passiva, e, com isso, tentar desenvolver neles sensibilidade e autonomia para fazer uma leitura dessas informações disseminadas pela mídia.

Os textos de caráter jornalístico são todos aqueles disseminados por meio de revistas, jornais e sites, além dos programas de rádio ou televisão, e têm como objetivo comum informar ao leitor algum fato ou acontecimento. Com o uso recorrente das mídias, esse tipo de texto tem sido de fácil acesso para os alunos, e, com isso, é papel do professor formar e incentivar os alunos a entender a realidade digital em que estão inseridos.

A fim de alcançar os objetivos propostos, neste trabalho utilizamos a metodologia da pesquisa-ação, por entender que as características do trabalho se encaixam nessa perspectiva. Esse modelo de pesquisa tem como característica um caráter social, educacional, técnico, entre outras, possibilitando aos envolvidos, pesquisadores e pesquisados, condições de investigar suas práticas de maneira crítica e reflexiva, ou seja, “[...] planeja-se, implementa-se, descreve-se e avalia-se uma mudança para a melhora de sua prática, aprendendo mais, no correr do processo, tanto a respeito da prática quanto da própria investigação” (Tripp, 2005, pTripp D. Pesquisa-ação: uma introdução metodológica. Educ Pesqui. 2005;31(3):443-66.. 445-446).

Por fim, no papel de professora/pesquisadora durante a prática, todos os cuidados éticos foram tomados para garantir a confidencialidade e a privacidade das informações apresentadas, por isso as alunas entrevistadas após dois anos de realização da experiência, já maiores de idade, não serão identificadas com os nomes reais, mas sim com nomes fictícios

REVISTA DIGITAL

É notório observar que o acesso aos celulares e às TDICs de maneira geral vem sendo facilitado. Diante disso, os jovens estão imersos a essa realidade e às informações que encontram na rede. A revista digital é um meio de comunicação e divulgação de notícias e dados por meio de uma plataforma online, possibilitando, assim, que todo o conteúdo seja disseminado de maneira mais fácil e rápida, aumentando sua abrangência e facilitando o seu acesso.

Algumas revistas e jornais impressos estão adotando o uso da revista eletrônica, pois o acesso aos arquivos via internet facilita a leitura. Com isso, os sujeitos estão optando mais pela utilização de tablets, computadores, celulares do que pelo formato impresso. Entre as revistas que estão utilizando esse tipo de recurso temos: Editora Abril, Editora Globo, Europa Digital, entre outras. Além disso, especificamente no âmbito educacional, temos, por exemplo, a Revista Nova Escola, que publica conteúdos relacionados à educação. Para Araújo et al. (2016, pAraújo AC, Batista AP, Ribas MR. Vamos pensar as mídias na escola? Educação física, movimento, tecnologia. Natal: EDUFRN; 2016.. 15):

Enxergamos na mídia uma potência educacional, especialmente quando pensamos no índice do consumo midiático e sua influência na vida daqueles que a utilizam, além do alcance provocado pela onipresença dos meios de comunicação na rotina da sociedade e das diversas informações que isso gera.

Diferentemente de uma mídia impressa, a revista digital pode trazer características de outras mídias, como rádio e TV, possibilitando um novo e diferente veículo de comunicação, mais interativo e diversificado. Segundo Manta (1997, nManta A. Guia do jornalismo na Internet [trabalho de conclusão de curso]. Salvador: Faculdade de Comunicação, Universidade Federal da Bahia; 1997..p):

[...] a produção e distribuição em rede representam uma revolução sobre a mídia impressa, visto que as notícias podem correr nos quatro cantos do planeta em questão de segundos, podendo ainda ser atualizadas instantaneamente, o que não acontece com o texto impresso.

Corroborando essa colocação, Carrington (2005, p. 22), citada em Kellner (2001)Kellner D. A cultura da mídia: estudos culturais: identidade e política entre o moderno e o pós-moderno. Bauru: EDUSC; 2001., segundo o advento de texto sem novos tipos de mídia, “coloca as crianças em fluxos globais de consumo, identidade e informações, de uma maneira jamais vista em gerações anteriores”. Isso quer dizer que, nesta lógica de produção de revista digital, as informações serão disseminadas de maneira mais rápida e podem vir a superar a versão impressa, pois ocorre uma convergência das mídias, em que dados se complementam por meio de buscas em diferentes links, chats, sites com a mesma temática. Segundo Santaella (2004, pSantaella L. Culturas e artes do pós-humano: da cultura das mídias a Cibercultura. 2ª ed. São Paulo: Paulus; 2004.. 60):

Através da digitalização e da compressão de dados que ela permite, todas as mídias podem ser traduzidas, manipuladas, armazenadas, reproduzidas e distribuídas digitalmente produzindo o fenômeno que vem sendo chamado de convergência de mídias. Fenômeno ainda mais impressionante surge da explosão no processo de distribuição e difusão da informação impulsionada pela ligação da informática com as telecomunicações que redundou nas redes de transmissão, acesso e troca de informações que hoje conectam todo o globo na constituição de novas formas de socialização e da cultura que vem sendo chamada de cultura digital ou cibercultura.

Agora, essa convergência das mídias conecta as informações de maneira fácil e faz com que o sujeito, que antigamente era somente um leitor, neste instante torne-se também um coprodutor desse conhecimento, participando mais efetivamente na produção dos saberes.

Neste trabalho, a construção de uma revista digital foi para além de uma mera edição de conteúdo. Os alunos puderam se colocar no lugar de cada membro de uma equipe que compõe uma revista. Todos puderam ser editores, autores, diagramadores, atuar no marketing e na produção, acompanhando passo a passo, do início da produção ao produto final, a revista digital. Além disso, puderam escolher a temática da revista, as reportagens, imagens, links, edições e disposição de todas as páginas.

PRODUÇÃO DA REVISTA DIGITAL

Para a produção da revista digital, as turmas selecionadas foram os dois terceiros anos do Ensino Médio, dos períodos matutino e vespertino, da Escola Estadual Ribeiro de Oliveira, localizada na cidade de Entre Rios de Minas - MG. Essas turmas foram selecionadas, pois ambas eram orientadas pelas professoras de Língua Portuguesa e de Educação Física. Foram direcionadas dez aulas, utilizadas para as discussões dos temas propostos e para a construção das revistas.

Na primeira aula, explicamos nossos objetivos do trabalho e iniciamos falando sobre a estruturação de uma revista, ou seja, paginação, imagens, tipos de textos, capa etc.. Além disso, citamos as funções de cada sujeito dentro dessa produção, como editor, autor, marketing editorial, arte, entre outros. Após essa aula, dividimos as turmas em pequenos grupos, contendo entre cinco e seis alunos, e pedimos para que estes incorporassem o papel de um membro da revista.

Após essa divisão, durante três aulas, partimos para as discussões de possíveis temas para a revista, seguindo as habilidades do campo jornalístico/midiático da BNCC (Brasil, 2022Brasil. Currículo Referência de Minas Gerais [Internet]. Brasília: MEC; 2022 [citado 2021 Maio 19]. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/implementacao/curriculos_estados/documento_curricular_mg.pdf
http://basenacionalcomum.mec.gov.br/imag...
), em que cada grupo teve como objetivo escolher sete temas para a produção dos artigos para a revista. Entre os temas de maior discussão pelos alunos, podemos citar: liberdade de expressão e discurso de ódio, produção de textos multissemióticos; expressões culturais e artísticas; questões polêmicas de interesse da turma, como aborto e fake news. É válido ressaltarmos que, entre os temas propostos pelos grupos para a produção textual, era obrigatório que cada grupo explorasse o tema relacionado a manifestações artísticas e culturais, visto que estávamos relacionando com as aulas de Educação Física anteriores.

Ao mesmo tempo que os alunos já faziam a produção dos artigos, utilizamos a aula seguinte no Laboratório de Informática da escola para escolher a plataforma que seria usada. Das plataformas encontradas pelos alunos e após uma análise para saber se o sistema operacional da escola as comportava e se eram de fácil manuseio, foram selecionadas “flipsnack e joomag”. A partir desse momento, os alunos puderam usar de sua imaginação para a produção, arte e confecção1 1 Links de acesso as revistas produzidas: Grupo 1 (Flipsnack, 2022a); Grupo 2 (Flipsnack, 2022b); Grupo 3 (Flipsnack, 2022c); Grupo 4 (Flipsnack, 2022d); Grupo 5 (Flipsnack, 2022e); Grupo 6 (Flipsnack, 2022f); Grupo 7 (Flipsnack, 2022g); Grupo 8 (Flipsnack, 2022h); Grupo 9 (Joomag, 2022). .

Ao final do bloco de aulas, as professoras fizeram uma avaliação coletiva do conteúdo produzido pelos alunos, e estes puderam expor o seu trabalho no dia da Feira Estudantil da Escola Ribeiro de Oliveira, com o tema: “Cidadania como expressão máxima na conscientização política”. Nesse dia, os grupos se revezavam na apresentação e demonstração das revistas, mostrando todas as páginas e discutindo com o público sobre os temas e a maneira como aconteceu a produção e criação das revistas.

Acrescenta-se que professoras e alunos faziam uma avaliação coletiva do trabalho, análise das aulas, impressões e sentimentos sobre o trabalho desenvolvido. Além disso, duas alunas, Maria e Cássia, foram entrevistadas após dois anos da prática e puderam pontuar as facilidades e dificuldades de se trabalhar com a revista digital dentro do ambiente escolar.

ANÁLISE E DISCUSSÕES

As discussões que envolvem o campo da Educação Física e o uso crescente das mídias digitais vêm crescendo de maneira significativa, haja vista que, pelo fato de a Educação Física ter como objeto de estudo o corpo em movimento, essas mídias vêm manipulando e influenciando todas as formas de pensar dos sujeitos. Diante disso, é válido ressaltar que as mídias vêm ditando como devemos nos vestir, como nos comportar, quais são as características de um corpo “perfeito”, além de vender os produtos para esses fins, como a crescente proliferação de métodos de emagrecimento. Isso quer dizer que a mídia, de maneira geral, acaba sendo uma das primeiras formas de linguagem e “aprendizado” dos alunos. Segundo Mendes (2008, pMendes DS. Luz, câmara e pesquisa-ação: a inserção da mídia-educação na formação contínua de professores de educação física [dissertação]. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina; 2008.. 36):

Não se pode negar que ao veicular diferentes conteúdos a respeito do corpo, dos esportes, das práticas de lazer, dos jogos, das artes marciais etc., a mídia o faz, frequentemente, de modo descontextualizado, em fórmulas estereotipadas e de fácil entendimento, por conseguinte, limitadas.

Sendo assim, é notória a importância das discussões que cercam essa temática dentro do ambiente escolar, de forma a expandir um leque de possibilidades e significados do conteúdo proliferado pela mídia. Além disso, usar essa ferramenta como estratégia pedagógica desperta grande interesse por parte dos alunos, pois estes estão, a todo o momento, imersos nessa realidade.

A utilização dessas plataformas faz despertar nos alunos a curiosidade e os envolve em um ambiente que, mesmo sendo conhecido, possui outras possibilidades de construção do conhecimento, de uma forma mais desafiadora e instigante. Além disso, traz o protagonismo dos alunos para a construção da revista digital, transformando-os em agentes cruciais na formação do conhecimento crítico e sistematizado. Segundo Pires e Ribeiro (2010, pPires GL, Ribeiro SD. Pesquisa em educação física e mídia: contribuições do LaboMídia/UFSC. Florianópolis: Tribo da Ilha; 2010.. 9):

O campo educacional tem se preocupado com este tema, perguntando-se como agregar a linguagem e a cultura midiática aos processos educativos sem, no entanto, abrir mão do compromisso da sua pedagogização e da sua crítica.

Durante a construção do trabalho, aliamos o processo de ensino das linguagens jornalísticas no campo da Língua Portuguesa a uma ferramenta midiática, no caso a revista digital, para a contextualização e discussão de temas atuais. Além disso, houve um incansável esforço para discutir o uso crítico e ativo dessas mídias no processo de ensino e aprendizagem, em que os alunos tiveram autonomia para criação e elaboração da revista e se tornaram produtores e construtores de saberes.

Apesar das mudanças ao longo dos tempos quanto ao uso dessas tecnologias e ao acesso cada vez mais facilitado a essas ferramentas por parte dos alunos, deparamo-nos com diversos obstáculos durante o processo. Um deles foi com relação aos computadores da escola, em que tínhamos um número significativo de alunos e poucos computadores com acesso à internet, o que dificultou ainda mais essa produção, tendo como consequência, para chegar ao produto final, a utilização de mais algumas aulas que não estavam previstas.

Além disso, utilizar as plataformas flipsnack e joomag pela primeira vez foi como navegar por um mundo repleto de possibilidades desconhecidas. A diagramação, a estrutura e o design da revista passavam a todo o momento por um processo de construção e reconstrução, à medida que os alunos se adaptavam aos recursos das plataformas. Diante disso, destacamos a fala da aluna Cássia: “Minha primeira dificuldade foi entender o funcionamento do programa para que pudéssemos montar a revista, mas, como bons adolescentes da ‘Era Digital’, não foi uma dúvida que durou por muito tempo entre mim e meus parceiros no projeto”. Alguns dos recursos das plataformas foram explorados por mais vezes e com maior facilidade, contudo outros causaram transtornos na produção e de maneira bem específica. Assim, alguns grupos deixaram de lado recursos que poderiam acrescentar mais ao trabalho para utilizar os de maior facilidade de manuseio.

Porém, vislumbrando por outro ângulo, é desafiador quando nos deparamos com determinadas situações e percebemos que os alunos não se satisfaziam com qualquer tipo de diagramação e de texto; eles sempre estavam em busca da perfeição. Dialogando com esta colocação, destacamos a fala da mesma aluna: “[...] por isso quis fazer da melhor forma que pudesse. Os professores leriam, os alunos leriam, foi uma baita pressão, mas no final foi gratificante ver que uma coisa que nós achávamos que não conseguiríamos fazer, estava pronta e muito bem-feita”.

Neste contexto, os alunos se tornam sujeitos ativos de cultura, na medida em que, a todo momento, pensam, fazem reflexão, discutem, procuram textos para embasamento e trazem pontos para discutir em conjunto conosco e a professora de português. Destacamos a fala da aluna Maria: “Ela era do meu grupo, de minha sala, sem fofoca, sem colunistas, sem remuneração, só alívio e satisfação”. Assim, os alunos puderam construir e reconstruir os saberes, estabelecendo relações e criando novos sentidos e significados ao contexto vivido. Segundo Fantin (2005, pFantin M. Novo olhar sobre a mídia-educação. In: 28ª Reunião Anual da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Educação: 40 Anos de Pós-graduação em Educação no Brasil: Trabalhos Completos; 2005; Caxambu. Anais. Rio de Janeiro: ANPEd; 2005 [citado 2021 Maio 19]. Disponível em: http://28reuniao.anped.org.br/?_ga=1.142554482.1970686345.1468788126
http://28reuniao.anped.org.br/?_ga=1.142...
. 3):

Educar para as mídias nesta perspectiva implica a adoção de uma postura “crítica e criadora” de capacidades comunicativas, expressivas e relacionais para avaliar ética e esteticamente o que está sendo oferecido pelas mídias, para interagir significativamente com suas produções e para fazer/produzir mídias também.

Assim, podemos perceber que os alunos puderam utilizar uma mídia e produzir, da sua maneira, a mídia online. Além disso, é interessante destacarmos a importância do momento de concretização do trabalho por meio de sua exibição durante a Feira Estudantil da Escola, onde cada grupo teve a oportunidade de mostrar seu trabalho à comunidade e o processo de construção das revistas. Dialogando com essa perspectiva, compactuamos com a fala da aluna Maria, em que diz: “A melhor parte do trabalho foi apresentar a revista aos visitantes da feira e receber os elogios e até mesmo as críticas”.

Isso quer dizer que o trabalho, quando realizado com dedicação, esforço e compromisso, traz outro significado à sua prática, construindo um saber que está alinhado à realidade em que os alunos vivem. Diante disso, o resultado final está atrelado ao prazer em realizar tal atividade com maestria e, principalmente, ter o reconhecimento de toda a escola e comunidade no dia da apresentação, quando, de maneira geral, os alunos só foram elogiados e enaltecidos pelo trabalho, tanto no conteúdo apresentado na revista como também pela estética.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Atualmente, estamos imersos em uma sociedade regida e influenciada por padrões que são disseminados pelas mídias. Assim, tornamo-nos telespectadores e consumimos a mídia a todo o momento. Esse material que é disseminado exerce um poder de influenciar os sujeitos, podendo modificar não só gostos, mas também formas de se vestir, que tipos de atividades físicas praticar, qual alimento ingerir e, principalmente, a forma de pensar o mundo. Neste sentido, em todo este trabalho, estamos pensando em uma Educação Física atrelada ao trabalho jornalístico, buscando a formação de alunos mais críticos e ativos, capazes de analisar temas da atualidade, refletir sobre esses temas e produzir saberes.

Segundo Mendes (2008)Mendes DS. Luz, câmara e pesquisa-ação: a inserção da mídia-educação na formação contínua de professores de educação física [dissertação]. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina; 2008., “de modo geral, nossas crianças e adolescentes não estão preparados para resistir aos apelos persuasivos da televisão, e tendem a tornar-se consumidores passivos”. Corroborando a fala desse autor, entendemos que, se o papel da escola está atrelado à educação e disseminação do conhecimento sistematizado, não podemos fechar os olhos para um dos maiores influenciadores dos nossos alunos, a mídia, mas sim nos utilizarmos dela não somente como um fim em si mesma, mas como uma ferramenta de ensino e aprendizagem para a qualificação e a construção de saberes.

É válido ressaltarmos que o trabalho com a mídia digital despertou interesse maior em aprender de quase todos os alunos, além de abrir os olhos deles para outras formas de aprendizado. Eles se mostraram envolvidos com as pesquisas, tiveram interesse em se inteirar dos assuntos para as discussões e em produzir textos. Além disso, mesmo sendo um universo muito conhecido, sentiram-se motivados a lidar com essa forma de mídia ainda não explorada por eles.

Outro ponto a ser destacado foi a importância da apresentação deste trabalho durante a Feira Estudantil da Escola Estadual Ribeiro de Oliveira, na qual o trabalho realizado com estes alunos durante as aulas foi exposto para que toda a comunidade escolar prestigiasse, o que os motivou ainda mais, pois sentiram-se capazes e ainda mais valorizados por todos.

Ao final deste estudo, foi possível considerarmos que o trabalho com a produção da revista digital se mostrou desafiador e ao mesmo tempo instigante, em que os alunos puderam utilizar sua criatividade para a produção de textos coerentes e críticos, além de pensar criticamente sobre assuntos que estão dentro de suas realidades.

  • 1
    Links de acesso as revistas produzidas: Grupo 1 (Flipsnack, 2022aFlipsnack. Geração Z [Internet]. 2022a [citado em 2022 Out 17]. Disponível em: https://www.flipsnack.com/FDBD5CDEFB5/new-flipbook.html
    https://www.flipsnack.com/FDBD5CDEFB5/ne...
    ); Grupo 2 (Flipsnack, 2022bFlipsnack. Juventudo antenada [Internet]. 2022b [citado em 2022 Out 17]. Disponível em: https://www.flipsnack.com/BC7CA6C8B7A/new-flipbook.html
    https://www.flipsnack.com/BC7CA6C8B7A/ne...
    ); Grupo 3 (Flipsnack, 2022cFlipsnack. Acrescentar: conhecendo o mundo [Internet]. 2022c [citado em 2022 Out 17]. Disponível em: https://www.flipsnack.com/lambisame/new-flipbook.html
    https://www.flipsnack.com/lambisame/new-...
    ); Grupo 4 (Flipsnack, 2022dFlipsnack. Interpretando a modernidade [Internet]. 2022d [citado em 2022 Out 17]. Disponível em: https://www.flipsnack.com/9D69A6C8B7A/new-flipbook.html
    https://www.flipsnack.com/9D69A6C8B7A/ne...
    ); Grupo 5 (Flipsnack, 2022eFlipsnack. Mundo moderno [Internet]. 2022e [citado em 2022 Out 17]. Disponível em: https://www.flipsnack.com/allisoncatalogue/new-flipbook.html
    https://www.flipsnack.com/allisoncatalog...
    ); Grupo 6 (Flipsnack, 2022fFlipsnack. Revista Premium [Internet]. 2022f [citado em 2022 Out 17]. Disponível em: https://www.flipsnack.com/E5B7E96D75E/revista-premium-versa-o-final.html
    https://www.flipsnack.com/E5B7E96D75E/re...
    ); Grupo 7 (Flipsnack, 2022gFlipsnack. Informe escola [Internet]. 2022g [citado em 2022 Out 17]. Disponível em: https://www.flipsnack.com/raphael11/revista-informe-escola-f1j52mj9d.html
    https://www.flipsnack.com/raphael11/revi...
    ); Grupo 8 (Flipsnack, 2022hFlipsnack. Revolucionária: nas entrelinhas do conservadorismo [Internet]. 2022h [citado em 2022 Out 17]. Disponível em: https://www.flipsnack.com/anamiguel08/new-flipbook.html
    https://www.flipsnack.com/anamiguel08/ne...
    ); Grupo 9 (Joomag, 2022Joomag. Enfoque [Internet]. 2022 [citado em 2022 Out 17]. Disponível em: https://view.joomag.com/-/0551538001542106573?preview
    https://view.joomag.com/-/05515380015421...
    ).
  • FINANCIAMENTO

    O presente trabalho não contou com apoio financeiro de qualquer natureza para sua elaboração.

REFERÊNCIAS

  • Araújo AC, Batista AP, Ribas MR. Vamos pensar as mídias na escola? Educação física, movimento, tecnologia. Natal: EDUFRN; 2016.
  • Brasil. Base Nacional Comum Curricular [Internet]. Brasília: MEC; 2017 [citado 2021 Maio 19]. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_20dez_site.pdf
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  • Brasil. Currículo Referência de Minas Gerais [Internet]. Brasília: MEC; 2022 [citado 2021 Maio 19]. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/implementacao/curriculos_estados/documento_curricular_mg.pdf
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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    02 Dez 2022
  • Data do Fascículo
    2022

Histórico

  • Recebido
    17 Out 2022
  • Aceito
    03 Nov 2022
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