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O esporte como auxílio à educação: análise do Projeto Vilas Olímpicas e Escolas (VIES)

Sport as an educational support: an analysis of the VIES Project

Deporte como apoyo a la educación: análisis del Proyecto de Escuelas y Villas Olímpicas (VIES)

RESUMO

O objetivo do artigo foi diagnosticar o rendimento acadêmico dos estudantes da Rede Pública Municipal, que participaram do Projeto Vilas Olímpicas e Escolas (VIES). A amostra foi composta por 1.118 alunos (474 meninas e 644 meninos do Ensino Fundamental), de 30 escolas participantes do VIES. Analisamos as informações dos relatórios mensais das Organizações Sociais responsáveis pelos contratados de gestão das Vilas Olímpicas, com os indicadores de rendimento escolar do público-alvo. Comparamos os rendimentos bimestrais entre alunos VIES e não VIES de toda Rede de Ensino Público Municipal. Uma análise preliminar constatou que os alunos acompanhados pelo VIES apresentaram rendimento escolar médio superior ao grupo que não realizava atividades sistemáticas nas Vilas Olímpicas.

Palavras-chave:
Rendimento acadêmico; Exercício físico; Escola; Educação

ABSTRACT

This article aims to diagnose the academic performance of students from municipal public schools who participated in the Vilas Olímpicas e Escolas Project (VIES). The sample consisted of 1,118 students from 30 schools participating in the VIES. We analyzed the information in the monthly reports of the social organizations responsible for the management contractors of Vilas Olímpicas and cross-referenced it with the school performance indicators. We compared the bimonthly academic performance between the VIES and non-VIES students from the entire municipal network. The preliminary analysis found that the students monitored by the VIES had a higher average school performance than the group that did not perform systematic activities in the sports center of the city of Rio de Janeiro.

Keywords:
Academic performance; Sport; School; Education

RESUMEN

El objetivo del artículo fue diagnosticar el rendimiento académico de los estudiantes del sistema escolar público municipal que participaron en el Proyecto Villas Olímpicas y Escuelas (VIES). La muestra estuvo conformada por 1118 estudiantes de 30 escuelas participantes del VIES. Analizamos los informes mensuales elaborados por la dirección de las Villas Olímpicas y los indicadores de rendimiento de los estudiantes. Comparamos el rendimiento escolar de los estudiantes participantes de VIES con aquellos que no participaron y estaban matriculados en el sistema escolar público municipal. El análisis constató que los estudiantes monitoreados por el VIES tuvieron un rendimiento escolar promedio superior a los demás estudiantes del sistema público municipal.

Palabras-clave:
Rendimiento académico; Ejercicio físico; Escuela; Educación

INTRODUÇÃO

A Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro apresenta funções, como a elaboração, gestão e designação de diretrizes formadoras das Políticas Públicas municipais, assumindo a tomada de decisão em assuntos públicos, políticos e coletivos, em acordo com as secretarias e subsecretarias do rol da sua estrutura organizacional. O Projeto Vilas Olímpicas e Escolas, conhecido como VIES, é uma ação conjunta da Secretaria Municipal de Educação (SME-RJ) e da Subsecretaria Municipal de Esportes e Lazer (SUBEL), que tem como objetivo mitigar a insuficiência de espaços de lazer e práticas esportivas para crianças e adolescentes. Nessa direção, esse projeto prevê maximizar os usos de equipamentos de esporte e lazer, quando subutilizados, para atender aos estudantes em determinadas regiões da cidade.

As Vilas Olímpicas são espaços públicos para a prática esportiva e de exercício físico de maneira sistematizada e não sistematizada, dando sentido amplo às construções que se iniciaram no início dos anos da década de 1990. Apesar das críticas quanto à administração, as Vilas Olímpicas oportunizam a crianças, adolescentes e jovens praticarem exercícios físicos em suas diferentes formas de manifestação, principalmente nos bairros mais vulneráveis e em áreas conflagradas, muitas vezes com a atuação frequente do poder paralelo e do crime organizado, no município do Rio de Janeiro (Melo et al., 2016Melo P, Andrade MG, Cunha MB. As Vilas Olímpicas na cidade do Rio de Janeiro e as chamadas organizações sociais: o neoliberalismo em campo. Em Pauta. 2016;38(14):259-79.). Isto posto, entende-se que as Vilas Olímpicas são extensões propositivas de espaços para prática esportiva, articulando-se com as escolas da região, promovendo um intercâmbio entre o binômio exercício físico/esporte e educação.

Assim, o Projeto VIES teve como meta proporcionar a experimentação das práticas esportivas oferecidas pelas Vilas Olímpicas, buscando a ampliação do acesso das crianças e dos adolescentes à prática esportiva e de lazer. Acredita-se que o esporte, como ferramenta de educação, pode auxiliar na formação desse público-alvo para o desenvolvimento de valores e competências complementares à formação escolar, contribuindo para o pleno exercício da cidadania (Paris, 2019Paris J. La práctica deportiva en la infancia. In: Seminario de Protección al Deportista Menor; 2019 Out; Antigua, Guatemala. Palestra. Asunción: AECID; 2019.).

Pesquisas mencionam que o uso do esporte contribui para o desenvolvimento do estudante na escola. Soares et al. (2015)Soares JAP, Antunes HRL, Aguiar CFS. Prática desportiva e sucesso escolar de moças e rapazes no ensino secundário. Rev Bras Ciênc Esporte. 2015;37(1):20-8. http://dx.doi.org/10.1016/j.rbce.2013.06.002.
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aludiram que a prática esportiva poderia impulsionar um melhor rendimento acadêmico, assim como a redução de comportamentos considerados desviantes no contexto da escola, uma maior responsabilidade e um compromisso dos estudantes. Além disso, o esporte, por suas características, pode formar competências e um tipo de disciplina essencial à inclusão dos estudantes em um ambiente de aprendizagem (Santos, 2018Santos BF. Esporte no contexto escolar: esporte e escola. Rev Bras Esporte Coletivo. 2018;2(2):4-16. http://dx.doi.org/10.51359/2527-0885.2018.238021.
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).

Partindo da premissa de que o esporte facilitaria o processo educacional, o Projeto VIES se propôs a ser um interlocutor entre as instituições escolares e as Vilas Olímpicas da cidade do Rio de Janeiro. As equipes das Vilas Olímpicas e Escolas tiveram supervisão e formação continuada com o objetivo de acompanhar estudantes no desenvolvimento dos seus respectivos protagonismos, isto é, favorecendo para que tenham escolhas mais saudáveis e uma visão crítica do entorno, preparando-os para intervir de forma positiva nesses territórios e em seus próprios projetos de vida.

O Projeto VIES foi realizado em nove Vilas Olímpicas e 30 escolas. Este artigo pretendeu testar as metodologias e estratégias apresentadas no Projeto VIES a fim de que o investimento possa ter o retorno esperado, analisando os resultados de desempenho em cada conselho de classe (COC), no ano de 2018, correlacionando com a prática regular de exercícios físicos e esportivos. Nesse sentido, o presente artigo tem por objetivo verificar o rendimento acadêmico dos estudantes frequentadores das Vilas Olímpicas da cidade do Rio de Janeiro, que participaram do Projeto VIES, buscando observar uma possível relação entre os seus desempenhos escolares e a prática regular de exercícios físicos.

MÉTODOS

Através de uma abordagem quantitativa, buscamos estimar uma possível relação entre o desempenho escolar e a prática regular de exercícios físicos. As principais variáveis que consideramos foram: rendimento escolar baseado nos conceitos bimestrais dos alunos não participantes do VIES e dos alunos participantes do VIES. Comparamos esses resultados entre alunos VIES e não VIES de toda Rede Municipal, e, para minimizar eventuais diferenças socioeconômicas e culturais, comparamos os rendimentos dos estudantes entre escolas e Vilas Olímpicas da mesma região.

População e amostra

Um total de 6.401 alunos do Ensino Fundamental de 41 escolas da Rede Municipal de Ensino experimentaram diversas práticas esportivas oferecidas pelas Vilas Olímpicas. Desse quantitativo, acompanhamos aqueles que, após a experimentação esportiva em uma das Vilas Olímpicas, inscreveram-se e permaneceram matriculados nas atividades esportivas durante o ano escolar.

O acompanhamento das crianças e dos adolescentes da amostra foi realizado no período de fevereiro a dezembro de 2018. É importante salientar que alunos considerados evadidos pelos relatórios das Organizações Sociais (OS), aqueles com oito ou mais faltas consecutivas e/ou que mudaram de escola durante o período de acompanhamento, foram excluídos das análises.

Diante do exposto, a nossa amostra foi composta por 1.118 alunos (474 meninas e 644 meninos) do Ensino Fundamental, de 30 escolas participantes do VIES. A distribuição das escolas está apresentada na Tabela 1. Participaram da amostra nove diferentes Vilas Olímpicas.

Tabela 1
Número de escolas, região e número de alunos inscritos nas Vilas Olímpicas.

As Coordenadorias Regionais de Educação (CRE) têm a função de planejar e orientar as ações pedagógicas nas regiões administrativas do município do Rio de Janeiro. A finalidade de suas ações visa ao pleno cumprimento do currículo escolar, respeitando e adequando o planejamento de forma estratégica para atender às especificidades da cultura de cada região. Na Tabela 1, agrupamos os dados da 3ª e da 4ª CRE, porque as escolas subsidiadas por estas foram atendidas no Projeto VIES pela mesma Vila Olímpica.

Procedimentos metodológicos

A coleta dos dados partiu de uma ação conjunta envolvendo a SME e a SUBEL. Neste sentido, foram cruzadas as informações dos relatórios mensais das OS responsáveis pelos contratados de gestão das Vilas Olímpicas, com os indicadores de rendimento escolar obtidos junto às equipes pedagógicas de cada escola participante do projeto e, quando necessário, no Sistema de Gestão Acadêmica adotado pela SME (Escola 3.0). Detalhadamente, os relatórios emitidos pelas OS devem listar mês a mês a inclusão e a exclusão de frequentadores, bem como o nome da escola do inscrito, quando estudante. Por conseguinte, a partir do momento em que um aluno da Rede Municipal era identificado como inscrito e ativo em qualquer atividade físico-esportiva em uma Vila Olímpica, ele tinha o acompanhamento do seu conceito global e da sua frequência realizado pela SME.

O estudo realizado apresentou algumas limitações quanto à análise real dos efeitos das experimentações. Não foram controladas, nesta investigação, variáveis, como dados socioeconômicos, escolaridade dos pais, CEP da escola e cor/raça. Não conseguimos obter a data da inscrição do aluno em algumas Vilas Olímpicas. Outra limitação foi o fato de o estudo não identificar o passado esportivo dos alunos ou se eles realizavam outras atividades esportivas fora da Vila Olímpica.

Procedimentos de análise dos dados

Os dados foram tratados a partir de uma análise descritiva com cálculo de médias, complementado ̶ quando necessário – com o cálculo de prevalência. Os dados foram agrupados por bimestres, regiões e conceitos. Para a análise dos dados observados, foi construída uma planilha no programa Microsoft Excel e a análise estatística foi feita no programa SPSS para Windows (versão 23.0).

RESULTADOS

No sentido de entender como a prática esportiva pode exercer influência nas escolhas das estratégias de escolarização, tomamos, como variável de análise, os dados de desempenho escolar através dos conceitos bimestrais dos alunos participantes e não participantes do VIES. Partimos do pressuposto de que os conceitos bimestrais dessas crianças e adolescentes podem ser um indicador das prioridades e escolhas que alunos e suas famílias realizam no processo da formação.

Os dados da Figura 1 demonstram um aumento nos conceitos bimestrais Muito bom e Bom dos alunos participantes do VIES. É importante ressaltar que os conceitos: Bom (B) e Muito bom (MB) cresceram de 52% para 65% entre os alunos participantes do VIES. E os conceitos Regular (R) e Insuficiente (I) apresentam diminuição com o avançar dos bimestres. Os resultados destes dois conceitos caíram de 47,7% para 35% dos alunos.

Figura 1
Resultados alunos VIES de toda Rede Municipal. Fonte: Produzido pelos autores.

Na Figura 2, que apresenta os resultados dos conceitos bimestrais de todos os alunos da Rede Municipal de Ensino, observamos um crescimento nos conceitos comparando do 1º ao 4º COC. Todavia, em pontos percentuais, os conceitos Bom e Muito bom são inferiores confrontando com os alunos participantes do VIES. Destaque-se que os conceitos B e MB também sofreram ligeiro aumento conforme o avançar do ano letivo registrado pelos COC. Da mesma forma, os conceitos R e I também decresceram entre os estudantes da Rede Municipal de Ensino.

Figura 2
Resultados alunos não VIES de toda Rede Municipal. Fonte: Produzido pelos autores.

A Figura 3 deixa mais evidente a diferença percentual dos conceitos entre alunos da Rede Municipal e alunos participantes do VIES. Os dados demonstram que existe um aumento na qualidade dos conceitos de alunos de toda Rede Municipal e participantes do VIES. No entanto, desde o 1º COC, os alunos do VIES apresentam rendimento escolar melhor.

Figura 3
Comparação alunos participantes VIES com toda a Rede Municipal de Ensino. Fonte: Produzido pelos autores.

Com o intuito de aprofundar os dados demonstrados anteriormente, os conceitos foram comparados entre escolas e Vilas Olímpicas da mesma região. Dessa forma, a comparação diminui eventuais questões socioeconômicas e culturais. Nas Figuras 4 a 9, são apresentados esses dados. Podemos observar que a tendência de aumento dos conceitos se mantém nas seis diferentes regiões pesquisadas.

Figura 4
Comparação alunos participantes VIES com alunos não VIES. Dados da 1ª CRE. Fonte: Produzido pelos autores.
Figura 5
Comparação alunos participantes VIES com alunos não VIES. Dados da 2ª CRE. Fonte: Produzido pelos autores.
Figura 6
Comparação alunos participantes VIES com alunos não VIES. Dados da 3ª e 4ª CRE. Fonte: Produzido pelos autores.
Figura 7
Comparação alunos participantes VIES com alunos não VIES. Dados da 6ª CRE. Fonte: Produzido pelos autores.
Figura 8
Comparação alunos participantes VIES com alunos não VIES. Dados da 9ª CRE. Fonte: Produzido pelos autores.
Figura 9
Comparação alunos participantes VIES com alunos não VIES. Dados da 10ª CRE. Fonte: Produzido pelos autores.

Podemos observar que a comparação dos conceitos bimestrais dos alunos participantes do VIES com alunos não VIES, nas 1ª, 2ª, 3ª, 4ª e 6ª CRE, apresenta variações parecidas. Desde o primeiro conceito, os alunos participantes do VIES apresentam rendimento acadêmico melhor que os não participantes do VIES. De um modo geral, os conceitos vão crescendo com o passar dos bimestres, aumentando o percentual de alunos com conceito MB e diminuindo alunos com conceito I.

Alunos da 9ª CRE apresentaram equilíbrio na comparação dos conceitos bimestrais: ora os alunos não VIES com rendimento melhor, ora os alunos VIES à frente. Ao final, no 4º COC, os dados indicam uma pequena vantagem dos alunos participantes do VIES.

Observemos que a maior discrepância nos dados se apresenta com alunos da 10ª CRE. No 1º COC, a diferença é muito pequena entre os participantes e não participantes do VIES, no conceito MB. Todavia, a partir do 2º COC, alunos VIES tiveram crescimento do conceito MB, chegando a quase 40% do mesmo. Além disso, podemos chamar atenção também para o aumento identificado entre aqueles que obtiveram conceito Bom. A Figura 9 nos mostra uma possível tendência de inexistência do conceito I entre os estudantes participantes do VIES, ao mesmo tempo em que há uma redução do conceito R. Ainda que não tenhamos levantado variáveis que nos permitam analisar profundamente essa dinâmica, sugerimos que novas pesquisas devam se debruçar sobre as características desses dados para compreender melhor o fenômeno que estamos observando.

DISCUSSÃO

Os dados mostram que há uma tendência de crescimento do rendimento do estudante da Rede Municipal de Ensino ao longo do ano letivo, considerando-se apenas os registros do COC. Todavia, observamos que, em alguns casos, o crescimento do desempenho dos estudantes participantes do projeto VIES mostrou saltos relevantes, como foi o caso dos dados referentes ao grupo da 10ª CRE.

Da mesma forma, estamos sugerindo que os nossos resultados apresentam uma relação positiva entre a prática regular de exercícios físicos e esportes e o desempenho escolar, corroborando os dados de Soares et al. (2015)Soares JAP, Antunes HRL, Aguiar CFS. Prática desportiva e sucesso escolar de moças e rapazes no ensino secundário. Rev Bras Ciênc Esporte. 2015;37(1):20-8. http://dx.doi.org/10.1016/j.rbce.2013.06.002.
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, que dizem que o esporte pode colaborar para o aumento do rendimento acadêmico. Entretanto, isso não representa uma relação de causa e efeito, pois se deve considerar que o desempenho escolar do estudante depende de inúmeras variáveis (dados socioeconômicos, escolaridade dos pais, CEP da escola, cor/raça) que não foram controladas nessa investigação.

Os resultados apresentados para os estudantes da 10ª CRE são importantes para pensarmos políticas públicas que atinjam grandes grupos em suposta vulnerabilidade social. A 10ª CRE corresponde a uma região afastada dos grandes centros urbanos do território do Rio de Janeiro, com indicadores baixos de desenvolvimento humano e com atividades econômicas associadas ao comércio e serviços. Ainda que não possamos fazer uma caracterização minuciosa sobre a ocupação dos pais e mães desses estudantes, nem mesmo do nível socioeconômico das famílias, as pesquisas na área da educação indicam que grande parte do desempenho escolar do estudante está vinculado ao nível socioeconômico da família e ao status ocupacional dos pais (Ribeiro, 2009Ribeiro CAC. Desigualdade de oportunidades no Brasil. Belo Horizonte: Argvmentvm, 2009., 2011Ribeiro CAC. Desigualdade de oportunidades e resultados educacionais no Brasil. Rev Cienc Soc. 2011;54(1):41-87. http://dx.doi.org/10.1590/S0011-52582011000100002.
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). Não se pode explicar o desempenho favorável dos estudantes da 10ª CRE apenas por sua participação no Projeto VIES. Todavia, é de se supor que haja uma relação positiva entre a participação neste projeto com o desempenho escolar do estudante. A mesma evolução é vista nas demais regiões, aumentando a aposta na hipótese de que este mecanismo de intervenção tenha eficácia para se criar um ambiente favorável para o desenvolvimento e para a formação do estudante (Santos, 2018Santos BF. Esporte no contexto escolar: esporte e escola. Rev Bras Esporte Coletivo. 2018;2(2):4-16. http://dx.doi.org/10.51359/2527-0885.2018.238021.
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).

Tornou-se lugar comum a série de benefícios à saúde que o exercício físico proporciona aos praticantes regulares. Em linhas gerais, o exercício físico proporciona diminuição no desenvolvimento de diversas doenças, bem como tende a amenizar as manifestações de doenças, como, por exemplo: diabetes, coronariopatias, osteoporose, câncer, obesidade, hipertensão arterial (Nieman, 1999Nieman DC. Exercício e saúde. São Paulo: Manole; 1999.). Em crianças e adolescentes, um maior nível da prática de exercícios físicos contribui para a melhora do perfil lipídico e metabólico, e a redução da prevalência de obesidade. Há probabilidade de que uma criança fisicamente ativa se torne um adulto também ativo, contribuindo para termos uma população mais saudável, do ponto de vista de saúde pública e da medicina preventiva. Dentro desta perspectiva, promover a prática regular de exercícios físicos na infância e na adolescência pode significar o estabelecimento de uma base sólida para a redução da prevalência do sedentarismo na idade adulta, contribuindo, desta forma, para uma melhor qualidade de vida (Lazzoli et al., 1998Lazzoli JK, Nóbrega ACL, Carvalho T, Oliveira MAB, Teixeira JAC, Leitão MB, et al. Atividade física e saúde na infância e adolescência. Rev Bras Med Esporte. 1998;4(4):107-9. http://dx.doi.org/10.1590/S1517-86921998000400002.
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). Os índices de sedentarismo têm constituído uma grande preocupação da saúde pública mundial. Isto pode ser causado, entre outros fatores, pela falta de esclarecimento adequado sobre os efeitos decorrentes da prática de exercícios físicos regulares relacionados com a saúde da população (Silva e Costa, 2011Silva PVC, Costa AL Jr. Efeitos da atividade física para a saúde de crianças e adolescentes. Psicologia Argumento, Curitiba. 2011;29(64):41-50.).

Muito mais que um clichê, o binômio Esporte e Educação apresenta considerável amparo na literatura científica. O esporte, nas suas diversas manifestações, é um fenômeno sociocultural, cujos benefícios ultrapassam o campo do diretamente mensurável por análises estatísticas; contudo, torna-se justificável valer-se de tais informações para avaliar o impacto destas políticas de governo (Barros et al., 2001Barros R, Mendonça R, Santos DD, Quintaes G. Determinantes do desempenho educacional no Brasil. Rio de Janeiro: IPEA; 2001.; Formiga, 2004Formiga NS. O tipo de orientação cultural e sua influência sobre os indicadores do rendimento escolar. Psicol Teor Prat. 2004;6(1):13-29.; Genghini, 2006Genghini EB. O Ensino Superior no Brasil: Fatores que interferem no rendimento escolar e a visão dos alunos sobre suas dificuldades de aprendizagem. Rev Educ. 2006;1(1):18-30.; Sanches e Rubio, 2011Sanches SM, Rubio K. A prática esportiva como ferramenta educacional: trabalhando valores e a resiliência. Educ Pesqui. 2011;37(4):825-41. http://dx.doi.org/10.1590/S1517-97022011000400010.
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; Azevedo e Gomes, 2011Azevedo MAO, Gomes A Fo. Competitividade e inclusão social por meio do esporte. Rev Bras Ciênc Esporte. 2011;33(3):589-603. http://dx.doi.org/10.1590/S0101-32892011000300005.
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; Peserico et al., 2015Peserico CS, Kravchychyn C, Oliveira AAB. Análise da relação entre esporte e desempenho escolar: um estudo de caso. Pensar Prát. 2015;18(2):260-77. http://dx.doi.org/10.5216/rpp.v18i2.27965.
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)

Os dados não permitem afirmar que os alunos melhoraram seus rendimentos escolares após o início da participação no VIES, porque o desenho metodológico adotado neste trabalho não permitiu demonstrar uma relação causal entre o desempenho acadêmico dos alunos do VIES e o esporte. Todavia, a literatura fornece alguns indícios. O esporte ou outras atividades corporais – por exemplo, aprendizagem de instrumentos musicais ou canto –, aquelas que exigem rotinas de disciplina de seus aprendizes, são heurísticas para o exercício de outras atividades, tarefas e aprendizagens (Wacquant, 2002Wacquant L. Corpo e alma: notas etnográficas de um aprendiz de boxe. Tradução de Angela Ramalho. Rio de Janeiro: Relume Dumará; 2002.; Elias e Dunning, 1992Elias N, Dunning E. Memória e sociedade a busca da excitação. Lisboa: Difel; 1992.; Melo, 2007Melo VA. Por uma história comparada do esporte: possibilidades, potencialidades e limites. In: Melo VA, editor. História comparada do esporte. Rio de Janeiro: Shape; 2007. p. 13-32., 2010Melo VA. Apontamentos para uma história comparada do esporte: um modelo heurístico. Rev Bras Educ Fís Esporte. 2010;24(1):107-20. http://dx.doi.org/10.1590/S1807-55092010000100010.
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). Outra observação necessária é que a permanência dos alunos no programa VIES também sugere que os aderentes devem pertencer às famílias mais organizadas e focadas na formação educativa de seus filhos, mesmo que tenham baixo nível socioeconômico. Seria aquilo que Lahire (1997)Lahire B. Sucesso Escolar nos Meios Populares: as razões do improvável. São Paulo: Ática; 1997. indica como os sucessos improváveis das camadas populares.

O fato de esses alunos terem resultados acadêmicos melhores que os alunos não participantes do VIES, em todo o período pesquisado, pode sugerir que aqueles que buscam o esporte possuem maior organização do tempo disponível para a prática de esportes no contraturno escolar. Tal quadro, como já dito, uma melhor estrutura familiar e constitui um tipo de herança cultural familiar destes alunos ou mesmo um tipo específico de investimento familiar (Lahire, 1997Lahire B. Sucesso Escolar nos Meios Populares: as razões do improvável. São Paulo: Ática; 1997.). Objetivamente, os responsáveis investirão seus esforços, à medida que percebam o valor agregado nestas intervenções, e o esporte, além da perspectiva da saúde e qualidade de vida, nutre uma crença enquanto caminho de mobilidade social através da possibilidade de profissionalização (Vianna e Lovisolo, 2011Vianna JA, Lovisolo HR. A inclusão social através do esporte: a percepção dos educadores. Rev Bras Educ Fís Esporte. 2011;25(2):285-96. http://dx.doi.org/10.1590/S1807-55092011000200010.
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).

Neste sentido, Mahendra e Marin (2015)Mahendra F, Marin AH. Ambiente familiar e desempenho escolar: uma revisão sistemática. Psic. Ed. 2015;40:41-57. realizaram uma revisão sistemática sobre o tema ambiente familiar e o desempenho escolar. Após o crivo dos critérios de elegibilidade e exclusão, foram selecionados 70 artigos de 20 países, sendo quatro artigos brasileiros. Na maioria dos estudos, o desempenho escolar foi atrelado às notas obtidas pelos alunos em testes de leitura, matemática e ciências. Contudo, tal dado representa uma foto específica do momento em que foi coletado, não permitindo uma análise contínua e ampla do processo, além de possivelmente não corresponder à realidade dos alunos. No que tange ao ambiente familiar, os estudos utilizaram diversos indicadores, como, por exemplo: sintomas depressivos parentais, hostilidade conjugal, triangulação da criança em conflitos parentais, posse de bens culturais, modelos familiares positivos relativos a sucesso acadêmico e ambiente acadêmico proporcionado pelos pais. Porém, destacou-se o relacionamento pais-filhos por meio da participação dos pais na aprendizagem como um importante fator nesta associação. A pesquisa junto aos alunos do VIES supriu esta limitação, uma vez que realizou a análise considerando o ano letivo por meio do conceito global do aluno (i.e. conceito médio obtido pelo aluno considerando o desempenho de todas as matérias no bimestre); por outro lado, como não foi levantado nenhum dado sobre as famílias ou sobre o ambiente familiar, por conseguinte, podemos sugerir que esse é um investimento que deve ser feito. Por sua vez, a literatura fornece alguns indícios para entendermos a relação entre escolarização e atividades esportivas, o que pode tornar essa abordagem profícua.

Dados de Singh et al. (2012)Singh A, Uijtdewilligen L, Twisk JW, Van Mechelen W, Chinapaw MJ. Physical activity and performance at school: a systematic review of the literature including a methodological quality assessment. Arch Pediatr Adolesc Med. 2012;166(1):49-55. http://dx.doi.org/10.1001/archpediatrics.2011.716. PMid:22213750.
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indicam que a participação em exercícios físicos e esportivos está positivamente relacionada ao desempenho acadêmico em crianças. E ainda indica que as atividades esportivas podem melhorar o comportamento das crianças na sala de aula, aumentando as chances de melhor concentração acadêmica e maior absorção dos conteúdos das lições escolares. Ao estudar o cotidiano dos atletas em formação no futebol do Rio de Janeiro, Pandolfo et al. (2017)Pandolfo K, Minuzzi T, Azambuja C, Santos D. Nível de atividade física e desempenho acadêmico. Rev Bras Ativ Fís Saúde. 2017;22(5):486-92. http://dx.doi.org/10.12820/rbafs.v.22n5p486-492.
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demonstram que participantes de escolas esportivas alcançaram melhor desempenho acadêmico, demonstrando que a prática esportiva pode ocasionar efeitos benéficos no desempenho acadêmico.

Além disso, a prática esportiva na infância e na juventude pode ajudar a desenvolver habilidades motoras, cognitivas e psicossociais quando bem orientada e livre de abusos e riscos (Paris, 2019Paris J. La práctica deportiva en la infancia. In: Seminario de Protección al Deportista Menor; 2019 Out; Antigua, Guatemala. Palestra. Asunción: AECID; 2019.). Dessas habilidades, destacamos as seguintes: responsabilidade; concentração; criatividade; noções de moral e ética (fair play); autoconfiança, e respeito ao grupo, às regras e à autoridade no processo de socialização esportiva (Paris, 2019Paris J. La práctica deportiva en la infancia. In: Seminario de Protección al Deportista Menor; 2019 Out; Antigua, Guatemala. Palestra. Asunción: AECID; 2019.). Entendemos que o desenvolvimento dessas habilidades pode ser um fator complementar ao que se espera da aprendizagem no ambiente escolar. Outro dado importante é destacado por Sanches e Rubio (2011)Sanches SM, Rubio K. A prática esportiva como ferramenta educacional: trabalhando valores e a resiliência. Educ Pesqui. 2011;37(4):825-41. http://dx.doi.org/10.1590/S1517-97022011000400010.
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. As autoras concluíram que a prática esportiva é capaz de aprimorar questões externas ao corpo, mas, talvez, a principal contribuição seria aquelas percebidas internamente.

A partir da análise das histórias de vida e das experiências relatadas pelos atletas participantes, pode-se concluir que, mais importante do que as transformações externas (por exemplo, a melhora da condição estética, financeira ou de inclusão social), as principais contribuições da inserção no contexto esportivo foram relacionadas, em todos os casos investigados, aos aspectos internos e subjetivos, como o reforço e o desenvolvimento de valores de cooperação, amizade e solidariedade, bem como a capacidade de compartilhar e de superar adversidades (resiliência) (Sanches e Rubio, 2011, pSanches SM, Rubio K. A prática esportiva como ferramenta educacional: trabalhando valores e a resiliência. Educ Pesqui. 2011;37(4):825-41. http://dx.doi.org/10.1590/S1517-97022011000400010.
http://dx.doi.org/10.1590/S1517-97022011...
. 838).

Dados socioeconômicos e de escolaridade dos pais dessas crianças e desses adolescentes permitiriam outros cruzamentos e análises desagregadas dos resultados. Como a literatura indica, a aprendizagem e/ou o interesse pelos estudos depende também dos contextos sociais, familiares e culturais nos quais os alunos estão inseridos (Marchesi e Gil, 2004Marchesi A, Gil CH. Fracasso escolar: uma perspectiva multicultural. Porto Alegre: Artmed; 2004.). Varani e Silva (2010)Varani A, Silva DC. A relação família-escola: implicações no desempenho escolar dos alunos dos anos iniciais do ensino fundamental. Rev Bras Estud Pedagogicos. 2010;91(229):511-27. corroboram na discussão ao indicarem que inúmeros fatores (sociais, políticos, econômicos e culturais) influenciam no sucesso ou no fracasso escolar dos alunos, inclusive o tipo de participação requerido para a família.

A prática desportiva nos jovens em idade escolar, quando regida por valores educativos e sociais, auxilia a responsabilização dos deveres escolares e melhoria no sucesso escolar. Investigações que associam o desporto ao aproveitamento escolar e desenvolvimento de competências sociais parecem sugerir que quando a atividade física é devidamente organizada ela funciona como um meio de sociabilização, uma forma dos alunos acreditarem em si, nas suas competências e na formação do seu caráter (Barber et al., 2001Barber BL, Eccles JS, Stone MR. Whatever happened to the jock,the brain, and the princess? Young adult pathways linked to adolescent activity involvement and social identity. J Adolesc Res. 2001;16(5):429-55. http://dx.doi.org/10.1177/0743558401165002.
http://dx.doi.org/10.1177/07435584011650...
; Crosnoe, 2001Crosnoe R. The social world of male and female athletes in high school. Sociol Stud Child Youth. 2001;8:89-110. http://dx.doi.org/10.1016/S1537-4661(01)80006-4.
http://dx.doi.org/10.1016/S1537-4661(01)...
).

A literatura indica que o envolvimento no esporte é uma ferramenta importante para contribuir para o desempenho acadêmico de estudantes e nossos dados sugerem que há uma relação entre essas importantes atividades. Todavia, novos estudos devem desagregar e introduzir outras variáveis para que possamos testar algumas das hipóteses que a literatura sugere.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Uma análise preliminar constatou que os alunos acompanhados pelo VIES apresentaram rendimento escolar médio superior ao grupo que não realizava atividades sistemáticas nas Vilas Olímpicas. Todavia, tal fato merece outras investigações, já que uma série de questões emerge: influência familiar, projeto familiar de escolarização e nível socioeconômico.

Em outra análise, observou–se que os alunos praticantes regulares de exercícios físicos e esportes, participantes do projeto, mostraram melhoras no quantitativo de conceitos MB e uma diminuição no quantitativo de alunos com conceito I, quando se compararam os conceitos destes estudantes em cada COC.

Por fim, recomenda-se que o Projeto VIES continue, com o foco de atuação nos alunos com conceito I, através de reuniões com os pais e os alunos, mostrando os benefícios da Atividade Esportiva e como a Vila Olímpica da sua região pode ajudar, para, desta forma, realizar um acompanhamento direcionado a este grupo.

  • FINANCIAMENTO

    Não houve financiamento da pesquisa realizada por qualquer agência de fomento.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    02 Dez 2022
  • Data do Fascículo
    2022

Histórico

  • Recebido
    03 Out 2022
  • Aceito
    27 Out 2022
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