Open-access Barreiras à publicação em periódicos internacionais: evidências e recomendações a partir de um programa de mentoria em Ciência Política

Barriers to publishing in international journals: evidence and recommendations from a mentoring program in Political Science

RESUMO

Introdução:  A pós-graduação em Ciência Política no Brasil avançou institucionalmente nas últimas décadas, mas a produção discente permanece com baixa visibilidade internacional. O crescimento do volume de pesquisas não se traduziu em maior inserção em periódicos de língua inglesa, refletindo desigualdades estruturais na circulação global do conhecimento. O artigo investiga por que doutorandos enfrentam barreiras persistentes para publicar internacionalmente.

Materiais e métodos:  Foram analisados dados de inscrição de 92 candidatos à primeira edição da Writing Academy (WA), programa de mentoria financiado pela British Academy voltado a doutorandos em Ciência Política no Brasil. Os candidatos ordenaram, em formato de ranking, sete barreiras potenciais à publicação em periódicos internacionais em inglês. A análise focou na proporção de respondentes que classificaram cada barreira na primeira posição.

Resultados:  Os principais obstáculos identificados são de natureza informacional e institucional: desconhecimento das regras de publicação internacional (28%) e falta de incentivos (25%). A proficiência em inglês foi apontada como a principal barreira por apenas 16% dos respondentes.

Discussão:  O deslocamento do problema linguístico para barreiras institucionais e informacionais é o achado mais relevante do artigo. A exclusão de pesquisadores e pesquisadoras do Sul Global dos circuitos internacionais não decorre de déficit de competência, mas de acesso desigual a regras tácitas de um campo estruturado por assimetrias históricas. Diante disso, o artigo contribui para fechar essa defasagem informacional ao apresentar dicas sobre como preparar artigos para publicação em periódicos internacionais em inglês.

Palavras-chave
geopolítica do conhecimento; hierarquias epistêmicas; pós-graduação; publicação científica; survey

ABSTRACT

Introduction:  Postgraduate education in Political Science in Brazil has undergone significant institutional expansion in recent decades, yet student research output continues to have limited international visibility. The growing volume of research has not been matched by increased publication in English-language journals, pointing to structural inequalities in the global circulation of knowledge. This article examines why doctoral students continue to face persistent barriers to publishing internationally.

Materials and methods:  The analysis draws on application data from 92 candidates to the first cohort of the Writing Academy (WA), a mentoring program funded by the British Academy for doctoral students in Political Science in Brazil. As part of the application process, candidates ranked seven potential barriers to publishing in international English-language journals. The analysis focuses on the proportion of respondents who ranked each barrier first.

Results:  The main barriers are informational and institutional: limited familiarity with international publishing conventions (28%) and lack of institutional incentives (25%). English proficiency was identified as the primary barrier by only 16% of respondents.

Discussion:  The article's central finding is the shift from language-related explanations to institutional and informational barriers. The exclusion of Global South scholars from international publishing venues does not stem from differences in individual ability, but from unequal access to tacit rules in a field structured by longstanding asymmetries. In response, the article seeks to help reduce this information gap by offering practical guidance on preparing manuscripts for submission to international English-language journals.

Keywords
geopolitics of knowledge; epistemic hierarchies; graduate education; scholarly publishing; survey research

I. Apresentação do tema

A pós-graduação em Ciência Política no Brasil atravessa, há pelo menos duas décadas, um processo acelerado de profissionalização e abertura ao exterior. Programas se consolidaram, redes de pesquisa se ampliaram e a participação em conferências internacionais tornou-se mais frequente (Amorim Neto & Santos, 2015; Marenco, 2014) - mesmo que mais lentamente na comparação com outras disciplinas (Beigel et al., 2023). Ainda assim, persiste um descompasso entre o avanço institucional e a visibilidade internacional da produção discente (Mendes & Figueira, 2022). Embora a produção acadêmica na América Latina tenha aumentado, esse crescimento não se traduz em maior impacto ou visibilidade internacional: persiste um descompasso entre o volume e o reconhecimento, refletindo desigualdades estruturais na circulação global do conhecimento (Finardi et al., 2023).

Dados de inscrição da Writing Academy (WA) - programa de mentoria e escrita acadêmica financiado pela British Academy - ilustram o quadro: 79% dos doutorandos em Ciência Política e áreas afins no Brasil já publicaram ao menos um artigo em português, mas somente 12% lograram publicar em periódico internacional em inglês; outros 9% nunca publicaram em nenhuma revista acadêmica. Por que a produção discente, embora ativa no plano doméstico, encontra maiores barreiras para circular em periódicos internacionais?

Neste artigo, respondemos a essa pergunta examinando a percepção dos próprios doutorandos sobre os obstáculos à publicação em inglês. Utilizamos dados de 92 candidatos à primeira edição da WA. Embora os inscritos na WA não constituam uma amostra representativa e probabilística de toda a pós-graduação em Ciência Política brasileira, o exercício oferece uma oportunidade informativa para compreender, do ponto de vista dos discentes, os entraves para a internacionalização da produção acadêmica.

Os resultados apontam para obstáculos de natureza informacional e institucional - sobretudo a falta de familiaridade com as regras de publicação acadêmica internacional (28%) e a falta de incentivos (25%) - como os principais entraves à publicação em periódicos de língua inglesa. Em contraste, apenas 16% identificam a proficiência em inglês como o principal problema.

Diante dessa realidade, estruturamos o programa para remediar essa lacuna informacional e atenuar a falta de incentivos institucionais. A primeira edição selecionou 15 doutorandos de 11 programas de pós-graduação, distribuídos em 10 estados e abrangendo todas as regiões do Brasil. As atividades se estenderam por dois anos, incluindo duas etapas presenciais em Belo Horizonte e três sessões de mentoria online. A formação contemplou desde questões estratégicas - quando e por que publicar em inglês; como mapear e escolher periódicos; como ler editais e instruções aos autores - até aspectos operacionais muitas vezes subestimados: preparar o manuscrito para “desk review”, redigir cartas de resposta a pareceristas, organizar dados e materiais suplementares e, não menos importante, situar o caso brasileiro de modo inteligível e relevante para públicos internacionais. Ao enfatizar o ciclo editorial completo - da concepção à revisão por pares - buscamos reduzir incertezas, padronizar procedimentos e, sobretudo, construir incentivos concretos para a submissão internacional durante o doutorado.

Neste texto oferecemos, portanto, duas contribuições. Em primeiro lugar, apresentamos evidências originais sobre como doutorandos brasileiros percebem as barreiras à publicação em inglês, deslocando o foco exclusivo da proficiência linguística para um conjunto mais amplo de impedimentos. Em segundo lugar, traduzimos essas evidências em recomendações práticas ancoradas na experiência da WA, com o objetivo de apoiar alunos, orientadores e programas na construção de rotas sustentáveis de internacionalização. A ambição é modesta e pragmática: mostrar que, com informação acessível, rotinas claras e orientação direcionada, é possível transformar as pesquisas realizadas no Brasil em produtos publicáveis em periódicos internacionais. Partimos da ideia de que a centralidade do inglês na comunicação científica funciona como um mecanismo de hierarquização, condicionando a visibilidade e o impacto das pesquisas. Nesse contexto, publicações em espanhol e português tendem a ser marginalizadas, reforçando desigualdades epistêmicas no sistema acadêmico global (Finardi et al., 2023)1.

II. Questões e desafios frequentes

Para melhor compreender as barreiras para a internacionalização da pesquisa de discentes em Ciência Política e áreas afins no Brasil, analisamos dados de inscrição da WA. Após uma breve explicação sobre o programa, apresentamos os dados utilizados.

II.1. A Writing Academy

Financiada pela British Academy, a WA é um programa de mentoria com duração de dois anos, projetado para apoiar estudantes de doutorado em Ciência Política no Brasil a internacionalizar suas carreiras, aprendendo a publicar em revistas internacionais. Para atingir seus objetivos, o programa combinou sessões interativas, abrangendo as principais etapas do processo de publicação, com feedback individual sobre os artigos dos participantes.

A equipe de mentoria também incluiu editores de três importantes revistas: a Comparative Political Studies, uma das mais relevantes revistas acadêmicas da Ciência Política na atualidade; a Brazilian Political Science Review, uma revista brasileira publicada em inglês; e a Dados, uma das principais revistas brasileiras publicadas em português. Em duas mesas-redondas, os editores descreveram o processo editorial, ofereceram conselhos práticos para evitar desk rejections e destacaram as diferenças entre escrever para um periódico brasileiro e para um periódico internacional em inglês.

II.2. Dados

Um dos nossos objetivos é entender a experiência dos discentes brasileiros em publicar fora do Brasil e os obstáculos que encontram para publicar em revistas internacionais em inglês. Para tanto, utilizamos dados coletados como parte das inscrições dos alunos para a WA em maio de 2024. O estudo foi revisado pelo comitê de ética da University College London (número de aprovação SHSAme-2324-004-1). Um total de 95 alunos se inscreveu no programa, 92 dos quais nos deram consentimento para usar seus dados anonimizados para fins de pesquisa.

A Figura 1 apresenta uma descrição do perfil dos candidatos que se candidataram à WA. No momento da seleção, foi respeitado o critério de paridade de gênero, resultando em uma distribuição equilibrada entre homens e mulheres entre os selecionados. Além disso, o processo buscou promover maior diversidade racial e regional, com a sobrerrepresentação deliberada de candidatos negros (pretos e pardos) e de estudantes provenientes de programas fora do eixo Rio-São Paulo. Em conjunto, essas escolhas contribuíram para a formação de um grupo de participantes mais diverso do que o conjunto inicial de candidatos.

Para examinar os principais obstáculos para publicação, utilizamos respostas a uma pergunta que pedia aos candidatos que ordenassem (ranking), do mais para o menos importante, os fatores que consideravam barreiras à submissão de artigos em periódicos internacionais de língua inglesa. Oferecemos sete respostas possíveis, que abrangiam desde a “falta de proficiência em inglês” até a “falta de apoio do meu orientador”. Para capturar o que os doutorandos consideram o maior obstáculo à publicação internacional, focamos nossa análise na proporção de respondentes que classificaram cada opção na primeira posição do ranking, ou seja, a principal barreira para publicar em inglês.

Figura 1
Perfil dos candidatos à WA

III. Resultados

A Figura 2 ilustra os fatores que os candidatos percebem como as barreiras mais significativas à publicação internacional. A maior parcela dos aplicantes cita aspectos de natureza informacional e institucional - como a falta de familiaridade com as regras de publicação acadêmica internacional (mencionada por 28% dos entrevistados) e a falta de incentivos (25%) - como os principais obstáculos à publicação de trabalhos em periódicos de língua inglesa. Em contrapartida, a falta de proficiência em inglês, em si, não é classificada como o principal problema, sendo apontada como a principal barreira por 16% dos respondentes. Preocupações com a adequação metodológica, a disponibilidade de tempo e o apoio do supervisor ou do departamento são citadas com menos frequência como o principal obstáculo.

Nossos resultados reforçam a literatura existente, que demonstra que publicar em periódicos internacionais é um processo aprendido, moldado pela socialização em redes globais (Montal et al., 2022) e pelo conhecimento de regras “ocultas” (Barham & Wood, 2022) - e que, para aqueles baseados no Sul Global, as barreiras à publicação internacional podem persistir mesmo para aqueles com experiência em publicação em seus ambientes nacionais, como é o caso dos discentes brasileiros.

Nossos resultados também sugerem que, como a estrutura e as normas das publicações acadêmicas internacionais diferem significativamente daquelas da academia brasileira, mesmo acadêmicos brasileiros fluentes em inglês, tanto oral quanto escrito, frequentemente têm dificuldade para publicar em inglês e colaborar com acadêmicos internacionais. Esses resultados estão alinhados com pesquisas recentes que mostram que mesmo entre aqueles baseados no Sul Global, “apenas acadêmicos com doutorado norte-americano ou europeu publicaram em periódicos de Ciência Política de alto fator de impacto” (Barceló et al., 2025, p. 580).

Figura 2
Barreiras à publicação em periódicos internacionais com revisão por pares

De modo geral, nossos achados indicam que as intervenções terão maior impacto se priorizarem o treinamento sobre o processo de publicação e a mentoria estruturada, com o suporte linguístico como uma necessidade complementar - e não central. Foi exatamente isso que a WA buscou fazer. Com o objetivo de tornar esse conteúdo acessível ao maior número de pesquisadores, na próxima seção, apresentamos a estrutura do programa da WA e trazemos recomendações práticas ancoradas na experiência da WA.

IV. Exemplos práticos e recomendações

Publicar em revistas acadêmicas de prestígio no Brasil requer originalidade teórica, desenho de pesquisa robusto e rigor metodológico - aspectos também exigidos por publicações científicas internacionais em inglês. Discentes matriculados em programas de pós-graduação no Brasil já são treinados para publicar em revistas nacionais - ou seja, já recebem treinamento em desenvolvimento teórico, desenho de pesquisa e coleta e análise de dados. O objetivo da WA não é replicar o que os alunos já têm acesso, e, sim, complementar a sua formação - portanto, destacando as principais diferenças das culturas e “regras” de publicação em periódicos acadêmicos brasileiros e internacionais.

Com base na nossa experiência publicando em revistas em inglês e na avaliação dos dados dos aplicantes sobre os principais gargalos para publicações em periódicos internacionais, desenvolvemos um programa para apresentar aos alunos o panorama internacional de publicações em Ciência Política e as suas práticas correntes. A WA foi estruturada em etapas, combinando workshops presenciais, sessões de feedback online e mentoria individualizada, abrangendo todo o ciclo de publicação - da elaboração do manuscrito à submissão e à revisão por pares.

Em cada uma das etapas presenciais, sessões individuais de mentoria foram intercaladas com aulas práticas lideradas pelo time de mentores (para mais detalhes sobre as atividades realizadas, consulte o Anexo 1). A partir do material apresentado e discutido nas aulas da WA, bem como da nossa experiência publicando em periódicos internacionais em inglês, elaboramos um conjunto integrado de sugestões para pesquisadores, especialmente doutorandos em Ciência Política.2 No Anexo 2, disponibilizamos uma checklist com as principais recomendações detalhadas ao longo do texto e que pode ser utilizada como instrumento de apoio durante a elaboração de um artigo para submissão em periódicos em inglês.

IV.1. Por que publicar em periódicos internacionais em inglês?

A decisão de publicar no Brasil ou no exterior envolve ponderar uma estratégia complementar que maximize a visibilidade e o impacto do trabalho. Publicar em português é valioso para engajar com o debate nacional e um mercado específico - porém vasto e não desprezível - de citações, sendo ideal para discutir conceitos ou dados ainda não consolidados localmente.

A publicação internacional em inglês oferece outras vantagens. Primeiro, essa estratégia pode ampliar a visibilidade do seu trabalho e permitir que sua pesquisa dialogue diretamente com os debates centrais da área, que são majoritariamente travados em inglês. Em segundo lugar, publicar em inglês também pode abrir portas para colaborações com pesquisadores estrangeiros, participação em projetos e conferências internacionais e candidaturas a posições no exterior. Finalmente, publicar em inglês, sobretudo em revistas de alto fator de impacto, ajuda a combater assimetrias acadêmicas, colocando pesquisadores brasileiros na rota da ciência internacional.

IV.2. Como estruturar o meu artigo para uma revista internacional?

A estruturação de um artigo acadêmico internacional segue uma “receita” comum, porém flexível, composta por seções-chave que devem guiar o leitor de forma lógica e persuasiva. Antes de entrar na estrutura do artigo, vale a pena falar um pouco sobre os resumos (ou abstracts).

Elemento decisivo no processo de publicação, o abstract funciona como um cartão de visitas. Sua função é fornecer um resumo completo, conciso e preciso de todos os elementos-chave do manuscrito e não uma mera introdução. Isso tudo entre 100 e 250 palavras, dependendo das regras do periódico. Os abstracts são a segunda parte mais lida do artigo (após o título) e a primeira impressão para editores, pareceristas e leitores. Um bom abstract deve conter, de forma lógica e fluida: o contexto da pesquisa, seu objetivo ou pergunta central, os métodos utilizados, os principais resultados e as conclusões ou implicações do estudo. Erros comuns incluem: focar excessivamente em detalhes irrelevantes, negligenciar a descrição dos métodos e dos resultados, usar jargão excessivo e incluir citações. Gilardi (2021) apresenta um exemplo que reproduzimos no Anexo 3.

Depois do título e do abstract, a introdução é a parte mais importante do seu texto. Editores de revistas internacionais costumam revisar vários artigos por semana. Não é incomum que as decisões sejam baseadas em uma leitura rápida do texto como um todo e em um olhar mais atento ao resumo e à introdução. Tudo o que você não quer é ser rejeitado por não ter caprichado na introdução.

Um texto com altas chances de ser enviado a um parecerista - ou seja, que não foi desk rejected - começa por uma introdução que funcione como um cartão de visitas: explicite a pergunta de pesquisa e sua motivação, situe brevemente o caso, os dados e os métodos, antecipe os principais resultados e indique suas implicações. Em outras palavras, essa seção costuma ser decisiva no processo de avaliação dos editores e pareceristas; invista para torná-la precisa e atraente.

Um ponto importante, e de erro frequente, é que a revisão da literatura deve ser seletiva e orientada por argumentos, e não um mural de autores. O objetivo é reconstruir o debate que leva às suas expectativas, citando estrategicamente trabalhos relevantes e preparando o terreno para o enquadramento teórico. Do ponto de vista estratégico, vale incluir na sua revisão da literatura artigos publicados na revista-alvo. Em alguns periódicos, a tendência é ter seções diferentes para a revisão da literatura e para o enquadramento teórico. Em outras revistas, as expectativas teóricas são apresentadas junto à revisão da literatura. Um ponto crucial, seja qual for o modelo, é apresentar hipóteses testáveis, deixando claras as suas expectativas, ou seja, o que você espera encontrar na seção de análise dos dados.

A seção de dados e métodos confere credibilidade ao manuscrito. Justifique com rigor a seleção do(s) caso(s) - por exemplo, por que o Brasil é apropriado - partindo do pressuposto de que o leitor internacional não é especialista no país. Descreva dados e procedimentos com detalhe suficiente para permitir a replicação: origem, estratégia de coleta, unidade de análise, tratamento e decisões metodológicas, como, por exemplo, a de mensuração. Explique por que os métodos de análise escolhidos são adequados e evite o uso excessivo de jargões. Mesmo as técnicas mais avançadas podem ser explicadas de forma intuitiva e direta.

A discussão dos resultados deve interpretar os achados à luz das hipóteses, indicar o que confirmam ou refutam, explicitar as limitações e evitar extrapolações indevidas. Capriche nas notas das tabelas e das figuras. Tabelas e figuras mal formatadas denotam desleixo, o que costuma ser associado à incompetência (Stinson, 2018). Da mesma forma, utilize notas para fornecer todas as informações necessárias à interpretação de uma figura ou tabela apresentada no corpo do texto.

A conclusão é o último ato e costuma ser o que o leitor leva do seu trabalho (o takeaway). Boas conclusões tendem a recapitular de forma concisa a pergunta, a abordagem e os principais resultados, reafirmar a contribuição teórica ou prática e sugerir caminhos plausíveis para pesquisas futuras - sem introduzir ideias novas nem especulações desnecessárias. Embora não seja infalível, essa “receita de bolo” vai ajudá-lo a comunicar suas ideias com clareza, rigor e profissionalismo.

IV.3. Como situar o caso brasileiro?

Para pesquisadores brasileiros que investigam o Brasil, a chave para produzir pesquisa de impacto internacional reside em superar a mera descrição do caso nacional e enquadrá-lo em debates teóricos e metodológicos mais amplos da Ciência Política. Ou seja, o caso brasileiro deve servir de ponto de partida para inovações e refinamentos teóricos, ou para testes de hipóteses aplicáveis a outros contextos.

Para isso, é importante estar atento aos diálogos teóricos globais e engajar com a literatura publicada em periódicos internacionais que analisam casos para além do Brasil. Demonstre como suas descobertas iluminam dinâmicas que também afetam outros casos, posicionando seu trabalho como uma contribuição essencial para a Ciência Política, e não apenas para aqueles interessados no Brasil.

Considere um estudo sobre o programa Bolsa Família. Em vez de apresentá-lo exclusivamente como uma política pública brasileira, o pesquisador pode enquadrá-lo no debate internacional sobre conditional cash transfers, políticas de combate à pobreza e desenho de programas de bem-estar. Isso envolve não apenas citar a literatura relevante, mas também explicitar como o caso brasileiro contribui para refinar teorias existentes - por exemplo, ao testar mecanismos de focalização, de condicionalidade ou os efeitos políticos dessas políticas.

Na prática, essa estratégia exige ajustes textuais e bibliográficos: (i) introduzir o problema em termos comparados; (ii) dialogar com autores centrais do debate internacional; e (iii) explicitar, na conclusão, como os achados informam discussões para além do Brasil. Lembre-se de que a audiência de periódicos internacionais não necessariamente conhece o caso brasileiro. Além de justificar a relevância do seu caso para um leitor internacional, é importante oferecer informações contextuais suficientes para que o leitor tenha todos os elementos necessários para interpretar as análises e compreender as potenciais implicações teóricas e empíricas para além do caso. Por exemplo, se o seu estudo for sobre comparecimento eleitoral, é importante fornecer informações básicas sobre o sistema eleitoral que rege as eleições, a frequência delas e as regras relacionadas à obrigatoriedade do voto.

IV.4. Para qual periódico submeter o meu artigo?

A seleção da revista-alvo é uma decisão estratégica crucial que deve ser tomada preferencialmente durante a elaboração do artigo, pois influencia o enquadramento, a amplitude da contribuição e a linguagem empregada.

A escolha do periódico, portanto, passa, primeiro, por entender em qual categoria de periódico o seu artigo melhor se encaixa. General journals - como a American Political Science Review, o American Journal of Political Science, o British Journal of Political Science e o Comparative Political Studies - exigem contribuições de amplo alcance teórico e/ou metodológico. Field journals - como os periódicos Political Behavior, Party Politics, Electoral Studies, Politics & Gender, Political Psychology, Governance, Democratization, por exemplo - publicam contribuições teóricas e empíricas em subáreas específicas. Area studies journals são especializados em contextos regionais. Revistas desse tipo, com foco na América Latina, incluem a Latin American Politics & Society, a Latin American Research Review, o Journal of Politics in Latin America e o Journal of Latin American Studies.

Alguns aspectos a serem considerados na escolha da revista são: a afinidade temática e/ou metodológica com o artigo, seu prestígio acadêmico, o fator de impacto e o público-alvo que se deseja atingir. Para fazer essa análise, é importante que os pesquisadores conheçam bem as revistas internacionais e entendam os tipos de artigos que tendem a ser publicados nelas.

A nossa análise dos dados dos aplicantes para a WA sugere que os doutorandos matriculados em programas no Brasil entendem pouco sobre o mercado de publicações no exterior, demonstrando altas taxas de desconhecimento sobre alguns dos principais periódicos da disciplina. Por exemplo, mais de 25% dos aplicantes disseram não conhecer a Comparative Political Studies ou o Journal of Politics - duas das revistas mais influentes da disciplina. Cada revista tem um perfil. Alguns periódicos têm preferências metodológicas ou temáticas. Por exemplo, a revista Political Analysis é conhecida por publicar apenas contribuições de natureza metodológica. Portanto, embora seja uma revista de prestígio e elevado fator de impacto, esta não é uma boa opção para um trabalho que tenha como ponto forte a sua contribuição substantiva. O desconhecimento das revistas do campo e a potencial submissão para uma revista “errada” podem desestimular os autores ou atrasar o processo de publicação.

IV.5. Submeti o meu artigo, e agora? Entendendo o processo editorial

Após a submissão, o seu artigo passa, primeiramente, por uma avaliação dos editores que decidem se querem prosseguir para a avaliação - ou seja, enviá-lo para a avaliação de pareceristas - ou encerrar o processo de avaliação (desk reject). Se o artigo avançar para a etapa de revisão por pares, os possíveis resultados são: rejeição ou Revise and Resubmit (R&R). Se você submeteu o seu artigo para uma revista internacional de prestígio, é extremamente improvável que o trabalho seja aprovado de primeira, sem correções. Este, inclusive, é um bom critério para distinguir revistas sérias de periódicos predatórios (Hinze et al., 2026).

Evitar uma rejeição imediata (desk rejection) é o primeiro grande desafio para publicar internacionalmente (Ansell & Samuels, 2021). Para isso, cinco elementos são cruciais. Primeiro, a escolha estratégica da revista (ver ponto 4). Segundo, a eloquência do argumento e da contribuição original (ver ponto 2). Terceiro, a justificativa do caso (ver ponto 3). Quarto, a discussão sólida das evidências. é necessário demonstrar robustez metodológica e adequação dos dados desde o primeiro momento (ver ponto 2). Finalmente, a qualidade da escrita: o texto deve ser claro e coeso, permitindo que o editor compreenda a proposta sem esforço excessivo. Escrever em inglês, como em qualquer outra língua, requer precisão, e a ajuda de revisores nativos ou serviços especializados é altamente recomendada.3

De todo modo, tenha em mente que a rejeição é a regra na academia e que, portanto, ter um artigo rejeitado não é um sinônimo de fracasso. As únicas pessoas que não têm artigos rejeitados são aquelas que não submetem suas ideias ao crivo dos pares. O processo de submissão é seletivo. Dentre as 33 revistas de alto fator de impacto na área de Ciência Política consideradas por Garand & Harman (2021), a taxa média de desk rejection foi de 40%. Em alguns periódicos, essa taxa chega a 50% (Ansell & Samuels, 2021).

IV.6. Como sobreviver a um R&R?

Parabéns, o seu artigo recebeu um R&R! E agora? Primeiro, é importante lembrar que o processo de publicação é inseparável da crítica acadêmica. Para doutorandos, aprender a lidar construtivamente com um R&R é tão importante quanto dominar métodos ou teorias. Repetindo: rejeições são a regra na academia, não a exceção. Reconhecer isso ajuda a despersonalizar os pareceres e a encarar a revisão por pares como um rito de passagem necessário, não como um veredito sobre a sua capacidade intelectual.

Também é crucial compreender a dinâmica do processo. Um R&R não é uma rejeição. Pelo contrário: no processo de avaliação das revistas de maior prestígio da disciplina, receber um R&R é o melhor resultado possível após a primeira rodada de pareceres. Portanto, entenda um R&R como um convite para continuar a conversa e fortalecer o manuscrito.

Durante o processo de R&R, os pareceristas atuam como “promotores” do rigor, identificando lacunas, fragilidades e oportunidades de melhoria. O editor cumpre o papel de mediador e “juiz”, ponderando os comentários, indicando prioridades e tomando a decisão final. Você, como “advogado” do próprio trabalho, precisa responder com respeito, substância e estratégia, mostrando que entendeu as críticas e que as abordou de modo convincente.

A resposta começa por uma análise sistemática, não por seguir a ordem dos comentários. Primeiro, distinga o que é crucial do que é secundário: objeções de desenho de pesquisa, lacunas teóricas ou problemas de dados/métodos tendem a ser impeditivos se não forem resolvidos. Em seguida, observe se há consenso entre os pareceristas - quando mais de um aponta a mesma falha, essa é uma prioridade - e onde há divergência, caso em que o editor costuma sinalizar o caminho preferível. Por fim, agrupe os pontos por categoria (escrita, argumentação, teoria, dados/métodos) para planejar revisões coerentes e eficientes, priorizando mudanças de estrutura antes de ajustes finos de estilo.

A carta de resposta ao editor é tão estratégica quanto a nova versão do artigo. Abra com um agradecimento e um parágrafo sintético explicando como o manuscrito foi aprimorado em resposta aos comentários dos revisores. Depois, responda ponto a ponto: cite o comentário, explique o que mudou e indique onde a alteração aparece no texto (página, parágrafo, seção). Mantenha um tom cortês e construtivo, mesmo ao discordar; fundamente sua posição em evidências e lógica. Muitas vezes, aceitar parcialmente uma sugestão - ainda que não seja sua solução ideal - é a melhor tática para avançar no processo. Em suma, sobreviver a um R&R exige resiliência emocional, boa compreensão do processo editorial e clareza nas respostas. Disponibilizamos um exemplo hipotético de carta-resposta no Anexo 4.

IV.7. Como seguir boas práticas de replicabilidade?

A replicabilidade é um pilar da credibilidade científica: permite que outros verifiquem e validem os resultados, sustentando o avanço cumulativo do conhecimento. Na Ciência Política - seja em análises quantitativas ou qualitativas - isso depende de práticas transparentes e replicáveis. Existe um número cada vez maior de revistas internacionais que exigem a cessão dos dados e do código para replicar os resultados reportados no trabalho. Em alguns casos, como o Journal of Politics (JoP) e a Political Science Research and Methods (PSRM), o aceite final do artigo está condicionado à replicação e à validação de todas as estimativas reportadas em tabelas e figuras no texto principal e no apêndice.

Como proceder, então? Comece documentando e organizando tudo de forma metódica. Registre a origem dos dados, as etapas de limpeza e transformação e cada decisão metodológica tomada. Por exemplo, isso inclui descrever como dados brutos foram transformados em cada variável utilizada e especificar todas as etapas e procedimentos da sua análise. Prepare toda a documentação dos dados e dos scripts (R, Stata, Python) para que possam ser depositados em repositórios confiáveis, como o Harvard Dataverse. Em estudos experimentais, uma boa prática é realizar o pré-registro das suas hipóteses, do desenho da pesquisa e do plano de análise antes da coleta ou exploração dos dados. Nesse caso, plataformas como o As Predicted e o OSF são boas opções.

V. Conclusão

Em suma, este artigo demonstra que os principais obstáculos à internacionalização da produção discente brasileira em Ciência Política não são, primordialmente, linguísticos, mas sim de natureza informacional. A falta de familiaridade com as regras e práticas do mercado editorial internacional emerge como uma barreira mais significativa do que a proficiência em inglês. A experiência da WA, detalhada ao longo do texto, serve como um modelo prático de intervenção, fornecendo um roteiro abrangente que vai desde a estruturação do artigo e a contextualização do caso brasileiro para um público global até a navegação pelo complexo processo de submissão e revisão por pares. é importante reconhecer as limitações da nossa avaliação. Os dados derivam de candidatos à Writing Academy e não constituem uma amostra probabilística da pós-graduação brasileira, o que limita a generalização dos resultados. Iniciativas futuras deveriam explorar o processo de institucionalização de iniciativas como a WA, por exemplo, via ANPOCS ou ABCP, e a incorporação de treinamentos voltados à publicação internacional nos currículos de pós-graduação.

Declaração de uso de IA

Os autores declaram que não utilizaram IA na elaboração deste artigo.

  • Declaração de disponibilidade dos dados
    Os dados de pesquisa não estão disponíveis.
  • Financiamento
    Esta pesquisa contou com financiamento da British Academy International Writing Workshops (número de referência: WW23\100338) e com o apoio da Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP).
  • 1
    Em contraponto a essa visão, alguns autores, como Sharon (2017), argumentam que a internacionalização amplifica políticas coloniais e hierarquias globais de conhecimento. Desse modo, internacionalização não seria neutra, mas sim, um projeto político global estruturado por assimetrias históricas. Ainda assim, mesmo sob essa perspectiva crítica, defendemos que a internacionalização permanece um instrumento relevante para ampliar a circulação de conhecimento, fomentar colaborações e fortalecer capacidades institucionais. Quando orientada por princípios mais equitativos e reflexivos, pode também contribuir para a diversificação de vozes e a construção de agendas acadêmicas mais inclusivas
  • 2
    Somos gratos aos mentores e mentoras da Writing Academy que compartilharam o seu conhecimento e experiências nos encontros presenciais em Belo Horizonte. São eles: Octavio Amorim Neto, Marta Arretche, Luiz Augusto Campos, Ricardo Fabrino, Dalson Figueiredo Filho, Leany Lemos, Gabriela Lotta, Nara Pavão, Timothy Power, Cristiano Rodrigues, Rafael Sampaio e David Samuels.
  • 3
    O advento das ferramentas de AI pode ajudar neste processo, mas não deve substituir o(a) autor(a), nem na elaboração das ideias, nem mesmo na escrita. Vale ressaltar que o uso indiscriminado e sem revisão de generative artificial intelligence chatbots (por exemplo, Copilot e o ChatGPT) tende a criar distorções no texto que, se identificadas, podem levar à rejeição imediata do artigo. A nossa sugestão seria utilizar as ferramentas de IA para revisão do texto, mas sem nunca prescindir da ética e do bom senso.

Referências

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  • Gilardi, F. (2021) Good abstracts: a template. Personal website Disponível em: <https://fabriziogilardi.org/media/files/good-abstracts.pdf>. Acesso em: 12 de mai. 2026.
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  • Hinze, A.M.S., Stockemer, D. & Reidy, T. (2026) The predation index: a tool to discover predatory journals. PS: Political Science & Politics, 59(1), pp. 158-164. DOI
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  • Mendes, V. & Figueira, A. (2022) Global IR e o debate sobre a internacionalização da ciência política e das relações internacionais no Brasil. BIB - Revista Brasileira de Informação Bibliográfica em Ciências Sociais, 1(98), pp. 1-24. doi
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    » DOI

Anexo 1: A Writing Academy

Tabela A1
Atividades realizadas como parte da Writing Academy

Anexo 2. Checklist para publicações internacionais

Anexo 2
Checklist para publicações internacionais

Anexo 3: Exemplo de estrutura de abstract

Good Abstracts: A Template

Everyone agrees that this issue is really important. But we do not know much about this specific question, although it matters a great deal, for these reasons. We approach the problem from this perspective. Our research design focuses on these cases and relies on these data, which we analyze using this method. Results show what we have learned about the question. They have these broader implications.

Fonte: Gilardi (2021).

Anexo 4: Exemplo de carta resposta aos pareceristas

Dear Editors and Reviewers,

We would like to thank you for the careful and constructive evaluation of our manuscript, “Conditional Cash Transfers and Political Behaviour: Evidence from Brazil.” We are grateful for the insightful comments, which have helped us improve both the clarity of our argument and the robustness of our empirical analysis.

Below we provide a detailed, point-by-point response to the reviewer's comments. All changes in the manuscript are highlighted in red.

Comment 1: The theoretical contribution needs to be clarified and better connected to the broader literature on welfare and political behaviour.

Author: The reviewer notes that the manuscript currently reads as a well-executed case study of Bolsa Família, but that its broader theoretical contribution remains underdeveloped.

**Response:**

We appreciate this comment and have substantially revised the introduction and theory sections (pp. 2-5) to better situate the paper within the comparative literature on conditional cash transfers and political behaviour. Specifically, we now engage more directly with studies on welfare feedback effects and clientelism, clarifying how our findings contribute to debates on whether targeted social policies generate political loyalty or programmatic support. We also sharpen the paper's central claim by explicitly stating how the Brazilian case allows us to test competing theoretical expectations in this literature.

Comment 2: The empirical strategy requires further justification, particularly regarding case selection and identification.

Author: The reviewer asks for a clearer justification of why Brazil-and Bolsa Família in particular-is an appropriate case, and raises concerns about causal identification.

**Response:**

We have revised the data and methods section (pp. 6-9) to provide a more explicit justification for case selection. We now argue that Brazil represents a most-likely case for observing political effects of conditional cash transfers due to the program's scale, national coverage, and institutionalization.

In addition, we have clarified our identification strategy by expanding the discussion of model specification and potential confounders. We now include additional robustness checks (reported in Appendix B), which show that our results are consistent across alternative specifications and subsamples.

Comment 3: The manuscript would benefit from a clearer explanation of how the findings travel beyond the Brazilian case.

Author: The reviewer suggests that the paper should more explicitly address the external validity of the findings.

**Response:**

We agree and have strengthened the discussion section (pp. 12-13) to clarify the broader implications of our results. We now explicitly connect our findings to comparative debates on social policy design and political behaviour in the Global South, highlighting the conditions under which similar effects might be expected in other contexts. We also discuss how variation in program design (e.g., conditionality, targeting mechanisms) may affect the generalizability of our conclusions.

Comment 4: The discussion of results is somewhat descriptive and could be more analytically oriented.

Author: The reviewer encourages a more explicit interpretation of the empirical findings in light of the theoretical framework.

**Response:**

We have revised the results section (pp. 9-11) to more clearly link empirical findings to theoretical expectations. In particular, we now explicitly state which hypotheses are supported by the data and discuss how the results speak to competing interpretations in the literature. This revision reduces descriptive elements and strengthens the analytical focus of the section.

Comment 5: The conclusion should be expanded to include limitations and future research directions.

**Response:**

We have revised the conclusion (p. 14) to include a brief discussion of limitations, particularly regarding measurement and external validity. We also outline avenues for future research, including cross-national comparisons of conditional cash transfer programs and the use of experimental designs to further isolate causal mechanisms.

Comment 6: Minor stylistic issues and clarity

Author: The reviewer notes occasional lack of clarity in phrasing and recommends minor stylistic improvements.

**Response:**

We have carefully edited the manuscript to improve clarity and consistency in writing, simplifying overly complex sentences and ensuring a more uniform academic tone throughout.

We believe that these revisions have significantly improved the manuscript and strengthened its contribution to the literature on social policy and political behaviour. We thank the reviewer again for their thoughtful and constructive feedback.

Sincerely,

The Authors

Disponibilidade de dados

Os dados de pesquisa não estão disponíveis.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    27 Jul 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    28 Ago 2025
  • Revisado
    05 Nov 2025
  • Aceito
    26 Mar 2026
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